American Gurls

13 Discovering.


Notas iniciais
Ooooooi gente! Como vocês estão? Esse capítulo deu um mega trabalho pra fazer, mas quero dizer que as coisas vão começar a melhorar hahaha! Vocês vão adorar o que vem por ai. E MUITO OBRIGADA PELA RECOMENDAÇÃO LUANAAAAAAAAAAAAAA SUA LINDA CHOCOLATES EM MIL BARRAS PRA VOCÊ!!!!Ok chega de surto e vamos ao capítulo. Tenham uma boa leitura :)Xoxo!

Playlist:

Skyscraper — Demi Lovato

Shake it Out — Florence + The machine

You're not alone — Big Time Rush

Jessica

Hoje fui ao colégio depois de muita insistência do meu pai. E agora que cheguei em casa, não quero nunca mais ter que sair de novo. Não sei se era impressão minha, mas eu tinha a sensação de todos me observavam descaradamente. Como se no fundo todos soubessem do real motivo do meu sumiço. Voltar pra lá fez qualquer coisa, mas não me fez ficar melhor. Só me deu ainda mais vontade de me esconder no meu quarto, onde era mais seguro. Ir pra lá me fez chegar a obvia conclusão de que guardar aquele segredo pra mim estava me matando. Meu corpo inteiro implorava pra por aquilo pra fora, pra tirar aquele peso de dentro de mim. Não dá mais, sinto que vou acabar enlouquecendo se não desabafar com alguém.

Mas por outro lado... Continuo com medo. Muito medo de ele voltar pra minha vida.

Já eram lá pras seis da tarde, eu acabara de voltar do retorno do colégio – convenio é dureza, agora imagina com o tanto de matéria que perdi nesses últimos dias que faltei – e depois de um dia todo no colégio, o que eu mais queria era um banho frio pra espertar o cansaço. Depois tive que estudar, claro, e fiz alguns exercícios das apostilas, e quando dei por mim já era mais de 20h e minha mãe me chamava pra jantar. O jantar foi estranhamente silencioso com os meus pais, pois fazia tempo que eu não fazia uma refeição junto deles, mas por fim subi pro meu quarto. Liguei meu notebook que há muitos dias estava guardado. Dei uma atualizada nas redes sociais, chequei uns e-mails e... Nesse instante eu estava recebendo uma chamada no Skype. Eu havia esquecido de ficar offline. Um descuido meu e olha aí, que droga. É o James. Um tsunami de saudades me atingiu, implorando-me para eu aceitar. Senti receio, mas não pensei direito. Eu queria muito matar aquela saudade dele, só dessa vez. Cliquei em “aceitar” antes que eu me arrependesse.

– O-oi. – Eu disse com meio sorriso, sentindo fogos de artifícios explodirem dentro de mim ao vê-lo novamente. Agora que só tinha que agir normal, sorrir sempre.

– Jessi? Uau, finalmente você me atendeu! Estava sumida, hein? – James disse do outro lado. Aquela voz familiar e aquele sorriso alegre eram tão aconchegantes.

– Pois é, andei ocupada na escola. – Inventei a primeira desculpa que me veio à cabeça, e essa era só a primeira de muitas que eu daria nessa conversa.

– É mesmo? – Indagou não muito convencido. – Que chato, mas me conta como vão as coisas por aí?

– Ah, está tudo bem. – Menti. – E por aí?

– Está tudo ótimo. Barbara te contou que o Carlos e a Dria começaram a namorar?

– Não... Nossa, que legal. Que legal. – Falei sem muita animação.

Ficamos em silencio por um tempo, silencio perigoso.

– Como você está? – Ele mandou assim, na lata.

– E-eu estou bem, estou ótima. – Respondi meio enrolada.

– Sério? Então, me conta, como vão as coisas com o Diego?

Droga, eu sabia que ele ia acabar perguntando. E agora faltava só mais um pouquinho pra eu acabar confessando tudo. Mas eu tinha que me controlar, James não iria descobrir nada.

– D-diego? Não sei, não. A gente terminou. Desde então nunca mais o vi. – E eu me afundava cada vez mais.

– Que bom, hein. Finalmente! Esse cara não era pra você. – James disse as exatas palavras que eu esperava que ele dissesse, mas então ele notou minha desanimação com aquilo. Ele rapidamente desfez sua expressão de felicidade. – E como foi...? – Ele perguntou de uma forma mais interessada.

– Bem, você mesmo sabe como estava o nosso namoro, Eu estava cansada, já não gostava mais dele como antes, então... Eu terminei com ele. – E eu continuei mentindo...

James analisou profundamente a minha expressão, e por um segundo senti como se ele pudesse ler minha alma.

– Oh. Você terminou com ele?

– Sim. – Reafirmei, tentando passar segurança na minha resposta. – E eu não gosto de falar sobre isso, se você não se importa.

– E como você está? – James tornou a insistir naquela pergunta incômoda. Ele estava parecendo um daqueles investigadores, detetives... Sei lá, um daqueles caras que querem ir fundo até descobrirem tudo que precisam.

– Estou bem, James. Porque continua me perguntando isso? – Comecei me irritar com aquela situação.

– Porque quando você diz que está bem eu não consigo acreditar?

Puxa vida. Bufei e abaixei meu rosto, procurando pela resposta certa. Se aquilo menos fosse uma ligação normal, eu mentiria melhor. Mas nós estávamos – tecnicamente – cara a cara, e o jeito como me olhava era intimidador.

– Acredite no que quiser. – Falei voltando a encarar o monitor, tentando não demonstrar fraqueza. E o silêncio estranho anunciava que James estava mais uma vez me examinando.

– Você está diferente. O que aconteceu?

– Eu não estou diferente.

– Sim, você está, Jessi. – Ele teimou, e eu só ficava mais irritada.

– Eu não estou diferente, ok? Eu só cresci, coisa que você deveria fazer também.

– O quê?!

Você deveria – Cortei minha própria fala e respirei fundo com os olhos fechados por um instante, antes que eu acabasse falando mais uma besteira. Droga, é sempre assim! Sempre acabo falando o que não devo quando estou com raiva.

– Eu deveria o que, Jessica? – Ouvi James perguntar após alguns segundos. Abri os olhos e voltei a encarar a tela um pouco mais calma.

– Nada, James. Não é da sua conta.

Estava cada vez mais difícil controlar os sentimentos. Mas que merda, porque James tinha que me conhecer tão bem?!

– Isso pode não ser da minha conta, tudo bem. Mas quero que você saiba que eu me preocupo com você, Jessi. Queria saber o que está acontecendo, só isso. – A velha tática de fazer o outro se sentir culpado... Típica. Mas não vai funcionar comigo. Eu não irei me sentir culpada por causa disso, não mesmo.

Ai meu Deus, olha só a cara triste do James... Ele deve estar mesmo preocupado. Ah não. Chega de pensar nisso. Foco, Jessica, foco!

– Que bom.

James pressionou os lábios e olhou pra baixo, agora estava ele evitava me olhar nos olhos, como se até ele estivesse me escondendo um segredo.

– Eu posso não estar aí com você, mas... Eu estou aqui pra você. Pode contar comigo, ok? Você não está sozinha.

Uau, caramba. Como é difícil esconder algo de alguém que a gente gosta! Eu estava começando a ter dores de cabeça com essa situação. Aliás, meu corpo inteiro mostrava sinais de que gritava dentro de mim, implorando pra desabafar isso de uma vez por todas. O fato é que isto está se tornando uma tortura. Por causa deste maldito segredo, eu estava magoando meu melhor amigo. E isso estava me matando por dentro de culpa! Eu não aguento mais! Está tudo aqui, entalado. Aí me bate uma agonia, um desespero só em pensar em passar mais um dia guardando esse pesadelo pra mim! Não dá mais pra fingir que eu estou bem, que nada aconteceu. Das duas, uma: Ou eu conto, ou eu enlouqueço.

Não tenho orgulho do que admitirei a seguir, mas confesso que inúmeras vezes pensei em... Ferir-me. Uma vez cheguei a imaginar como o mundo seria mais simples se eu simplesmente não existisse mais. Mas logo tirei essa ideia da cabeça. Eu só queria me cortar, me machucar, fazer alguma coisa que aliviasse essa dor dentro de mim! Ah, eu tive que ser muito forte pra me controlar. Eu cheguei tão perto, uma vez. Tão perto de cometer essa... Loucura. Sim. Cheguei muito perto de enlouquecer. Mas fui forte, muito forte. Só sei que não posso correr o risco de enlouquecer de vez.

Pensei em tudo que fosse possível para mudar de ideia. Na minha família, no meu futuro, nos meus amigos... Especialmente em James e Barbara... Cheguei à conclusão de que não posso me permitir começar a me mutilar por causa desse segredo infernal. Eu sou mais forte que isso, apesar de não ser feita de pedra pra aguentar esse topor em meu peito pra sempre. Esse segredo vai sair, e eu vou voltar a ter paz.

Essa é a hora.

– James... – Minha voz saiu trêmula. Senti minha garganta doer quando tentei segurar o quanto pude as lágrimas. Droga, eu não posso chorar na frente do James. Ele nunca me viu chorar, ele sabe que eu não choro – ou não chorava. Mas de nada adiantava tentar esconder, James me encarava como se já estivesse se preparando pro pior.

Meu corpo estremeceu e a primeira de muitas lágrimas caiu. Não desviei o rosto. Respirei fundo tremulamente e um soluço escapou de minha boca.

– Jessica, você está...?

– Bem? Não. – Eu o cortei antes que ele se desse ao trabalho de repetir aquela pergunta. Ele estava extremamente surpreso. Então suspirei, limpando umas lágrimas e falei. – E-eu tenho que te contar uma coisa... E-eu não terminei com o Diego, James. O Diego que me a-agrediu, abusou de mim e fugiu.

James

Eu não consegui engolir as palavras que Jessica disse. Ficou tudo entalado junto com a fúria inimaginável que cresceu dentro de mim. Senti que iria explodir de tanta raiva!

– ELE FEZ O QUÊ? – Gritei dando um soco na parede, sem desgrudar os olhos da tela. A dor a minha mão era insignificante comparada ao ódio que eu sentia queimar no peito naquele momento.

– Calma, James! – Ela disse em prantos, o que tornou aquela situação ainda mais desesperadora e preocupante pra mim. Eu nunca vi Jessica chorar, até pensei que ela não tinah essa capacidade!

– Como você quer que eu me acalme, Jessica?! – Perguntei passando os dedos com força entre os fios de cabelo, quase arrancando um punhado pela raiz.

– E-eu não sei J-james, eu só te peço, por favor, não conta pra Barb – A imagem congelou.

– Ah não! Agora não! – Resmunguei dando tapas impiedosos no notebook, mas já era tarde. A conexão caíra. Que merda! Justo agora!

Fechei o notebook com força, o coloquei debaixo do braço e saltei do beliche. A tensão que percorria por mim me impediu de se quer pensar em descer as escadas. Corri pra sala e Logan, Kendall, Carlos e Drianna estavam rindo e conversando no sofá, mas eles pararm assim que eu apareci como um furacão.

– Logan! – Apesar de ter exclamado, minha voz falhou. Minha garganta contraiu como se tivesse alguma coisa presa.

– O que foi, James? – Logan perguntou olhando para mim com um pouco de medo, notando que eu estava alterado.

– C-concerte a internet. Dê um jeito. A-a conexão caiu, Logan, dê um jeito nisso agora! – Ordenei ainda com tom de voz alto, porém trêmulo e pus o notebook com brutalidade na mesa. Percebi que minhas mãos estavam tão tremulas quando a minha voz.

– Espere, James, a conexão já vai voltar. Deve ser alguma coisa com o wi-fi do hotel.

– Mas eu preciso falar com a Jessica AGORA! – O desespero e a raiva eram tão grandes que meus olhos transbordaram, com lágrimas de puro ódio.

– James, acalme-se. – Dria pediu gentilmente vindo em minha direção, mas manteve uma distância segura quando parou.

– Espera aí. Você está... Chorando? – perguntou Carlos inconvenientemente, levantando-se indo além da “zona de segurança”, ignorando completamente o vulcão em erupção que eu me tornara. Quando estou com raiva é geralmente difícil de me controlar, e eu não queria prejudicar ninguém

– É só um cisco no olho. – Justifiquei virando o rosto para que ninguém visse minha cara de choro e enxuguei algumas lágrimas. Kendall percebeu logo o perigo e se levantou, parando atrás de Carlos e colocou a mão no ombro dele.

– Carlos, deixa o James em paz. E Dria, pega um copo d’água rápido. – Kendall tentou concertar a situação, e por um instante que olhei para eles, ele olhou diretamente para meus olhos inchados e vermelhos. Dei um passo pra traz.

– Não enche, Kendall. – Carlos disse tirando a mão de Kendall de seu ombro. – Mas, James, caiu cisco nos dois olhos?! – Ele não notou o quanto estava me irritando na hora errada. Moleque sem-noção. Acabei não agindo por mim em seguida.

– Não. Te. Interessa! – Não consegui controlar meus impulsos e acabei empurrando minhas mãos contra o peito de Carlos, e pelo jeito eu o empurrei com mais força que o planejado. Carlos foi jogado pra traz e levou Kendall consigo como num efeito dominó e os dois despencaram no sofá atrás deles, mas Carlos rolou do sofá pro chão. Chocando-se na mesa de vidro no caminho.

– CARLOS! – Drianna gritou em desespero da cozinha, acabando por deixar o copo de vidro com água cair de sua mão, e ela foi correndo para socorrê-lo. Carlos batera com a testa na mesa de vidro quando rolou.

– O que deu em você?! – Logan brigou já no chão junto com Dria, aparando a cabeça de Carlos, e Kendall já estava de pé e olhou feio pra mim antes de ir correndo pra cozinha buscar alguma coisa.

Nem eu sabia o que estava acontecendo comigo. Meus olhos assistiam horrorizados àquela cena que eu mesmo havia provocado. Carlos no chão com a testa sangrando e Dria o aparando desesperada, Kendall voltando com a maleta de primeiros socorros e Logan agora estancava o sangue de Carlos com seu cardigan. Pelo menos Carlos não havia desmaiado ou coisa pior, só resmungava de dor. E eu recuava assustado dali, me sentia um completo idiota por ter descontado a raiva no meu melhor amigo. Um burro, retardado. Mas ninguém conseguiria entender o tamanho do ódio que se alastrava por dentro de mim.

Mas talvez houvesse alguém que entendesse.

– C-cadê a Barbara? – Perguntei ainda enxugando as lágrimas que insistiam em cair.

– Está no estúdio, por quê? Vai bater nela também? – Logan disse, usando a ironia pra não entrar no estágio de desespero de Drianna. Por um momento ignorei aquilo, mas depois percebi que por mais babaca que eu tenha sido ao machucar Carlos, eu nunca teria coragem de fazer isso com uma mulher.

Fui até o chaveiro e peguei a chave do carro de Kendall.

– Ei, aonde você pensa que vai com o meu carro?! – Kendall questionou.

– Eu preciso falar com a Barbara. – Justifiquei enquanto eu abria a porta pra sair.

– Não, você mal sabe dirigir, James! Volta aqui agora!

Ah, agora já era tarde. Eu já havia batido a porta.

Barbara

Gravando até tarde, de novo. Argh, essa rotina está me matando. Hoje estamos gravando o episodio onde a minha personagem Heather perde o emprego antigo e está a procura de um novo emprego, mas no final depois de muita confusão ela volta pro antigo. E pra variar agora eu estou vestida de fatia de pizza na frente de um cenário de pizzaria. Ás vezes acho que os redatoras escrevem esse script muito chapados. Como a gente ainda consegue a maior audiência da Califórnia? Que é, aliás, a quinta maior do país! E eu não estou me gabando, mas acho que eles devem muito a mim e a esse meu carisma e talento maravilhoso.

Meu Deus, tenho que parar de andar com o James. O ego inflado dele é contagioso.

De repente, durante a minha cena, ouve-se vozes alvoroçadas no fim do estúdio. Interrompi minha fala naquele momento pois o barulho estava atrapalhando, e pude vez Lewis começar a se irritar. Ele odeia que façam barulho durante as gravações.

Corta! – Meu diretor exclamou. – O que está acontecendo aqui? – Ele perguntou virando-se na sua cadeira para olhar para os fundos do set.

– Sr. Scotten, há um homem querendo entrar. Eu tentei pará-lo, mas ele insistiu e disse que só vai embora quando falar com a Srta. Haslow. Devo acionar os seguranças? – Disse o funcionário não muito longe daqui, então automaticamente todos do set de filmagem olharam para mim como se eu houvesse cometido um crime. Mas quem invadiria um estúdio só pra falar comigo?

– Claro! – Lewis respondeu irritado. Então rapidamente os seguranças foram chamados, mas eu fiquei com uma pulga atrás da orelha sobre quem queria tanto falar comigo. Até que no meio de tanto alvoroço, escutei uma voz familiar.

– Eu sou James Diamond! Vocês não podem fazer isso comigo!

No mesmo instante bati com a mão na testa, bufando. O que diabos o James estava fazendo aqui?

– Ai meu Deus... Não levem ele! – Exclamei e corri pra fora do cenário, indo em direção ao bolo seguranças ao longe.

– Você o conhece? – Lewis me perguntou incrédulo. Eu parei e me virei para ele.

– Uh, digamos que sim.

– Ah, ele é da bandinha do seu namorado?

– Opa! Eu ouvi, hein! Mais respeito, ok? – James disse. Agora os seguranças estavam parados com James erguido no ar, todos olhando pra mim a espera de uma ordem. Cheguei mais perto deles.

– O que você quer James?

– Eu preciso falar com você, é muito importante.

Suspirei. Se ele havia conseguido invadir dos Estúdios Colossal, e veio até o estúdio onde eu estava gravando só pra falar comigo, é porque deveria ser realmente importante.

– Lewis! Podemos fazer uma pausa, por favor? – Pedi gritando pra ver se ele me escutava. Um minuto de silêncio.

– Pausa de 15 minutos! – Ele gritou de volta não muito feliz.

– Podem soltá-lo. – Eu disse aos seguranças, que largaram James sem muita delicadeza no chão.

– Ai! – James reclamou quando caiu. Dei a mão para ajudá-lo a se levantar, mas mesmo depois de estra de pé eu não o soltei, fui puxando-o dali por um longo caminho até chegar ao corredor dos camarins, e em meu camarim. Estúdio grande pra cacete. Quando entramos, eu bati a porta, ordenei que ele se senta-se e esperasse enquanto eu tirava aquela fantasia humilhante de pizza. Por fim fiquei somente com aquela malha vermelha que me cobria inteira.

– OK, agora me explica: Porque veio aqui, como entrou aqui? – Questionei de braços cruzados. – Você tem quinze minutos.

James respirou bem fundo e passou os dedos entre os fios de cabelo. Sua expressão era de uma mistura de inúmeros sentimentos ruins. Só agora eu havia percebido que ele não estava nada bem. Ele começou a brincar com os polegares, enquanto encarava o chão. Pelo visto não tinha ideia de como me contar, o que começou a me deixar extremamente curiosa e preocupada. Escorei-me na mesa e esperei pacientemente ele começar.

– Eu dei cinquenta dólares pro porteiro pra me deixar entrar e me dizer em qual estúdio você estava gravando, eu disse a ele também que era um caso de vida ou morte só pra comovê-lo, mas a verdade é que a questão envolve a vida de uma pessoa muito importante pra nós dois. Eu precisava falar com você, pois é uma coisa que você tem que saber. – James não me olhava enquanto falava, nem olhava o chão. Ele fitava apenas as suas duas mãos juntas com os cotovelos apoiados aos joelhos, e sua franja me impedia de ver seu rosto. Segurei-me firme na borda da mesa, quase cravando minhas unhas contra a madeira. Eu sentia muito medo do que viria a seguir.

– É sobre a J-jessica?

– Infelizmente. E tem haver também com aquele... Filho da puta do ex-namorado dela.

Minhas unhas arranharam a mesa, provocando um ruído irritante. O jeito como James citou Diego me assustou muito. Ex-namorado? Então realmente aconteceu algo e Jessica não quis me contar, e contou para James. Cruzei os braços pra não correr o risco de destruir a mesa com as minhas próprias mãos.

Mais um minuto de silêncio e eu estava bastante impaciente. Até que James finalmente falou:

– Ele encostou aquelas mãos nojentas dele nela e a... M-machucou. E abusou dela. Ninguém sabe disso. Só eu e, agora, você.

Um murmúrio de choque fugiu da minha boca, meus olhos se arregalaram e meu corpo inteiro paralisou por um segundo. No segundo seguinte, eu só senti ódio.

– FILHO DA... – Coloquei a mão na boca pra não gritar tão alto. – O quê?! Porque, como ele pôde fazer isso?! Porque ele fez isso justo com a Jessica?! Eu vou matar ele! – Eu estava em estado de ebulição, não conseguia nem parar no lugar.

– Fica. Calma! – James ergueu o rosto para olhar pra mim, então se levantou e me segurou pelos ombros para que eu parasse de andar de um lado para o outro. Agora, olhando-o assim de perto, consegui entender porque James estava de cabeça baixa antes. Ele não queria que eu o visse chorar. Minha aflição era tanta que eu nem havia notado o tom de voz falhado na fala dele.

– C-como você quer que eu fique calma, James? Olha pra você! Está chorando! E você quer que eu me acalme?! A última coisa que eu vou ficar agora é calma! – Tirei as mãos dele do meu ombro bruscamente. Eu estava tão desesperada que comecei a pensar em fazer uma coisa absurda por um momento. Pensei em ir ao Brasil.

– Perder o controle não vai adiantar de nada, acredite. Eu sei do que estou falando.

– Sabe o que não vai adiantar de nada? Nós ficarmos aqui parados de braços cruzados!

– E o que mais a gente pode fazer, Barbara?!

A gente eu não sei, mas eu vou comprar uma passagem pro Brasil agora. – Determinei. Mas quando cogitei pegar minha bolsa e sair, James me segurou pelo braço.

– V-você vai o que?! – Ele perguntou extremamente surpreso.

– Você escutou muito bem pra onde eu vou. – Respondi com firmeza.

– Ficou maluca?! Você não pode fazer isso!

– E porque não?! – Soltei meu braço da sua mão forte, começando a ficar irritada com ele.

– Quer que eu cite os motivos? Bem, você vai virar assunto nacional, ficará cinco vezes mais mal falada, colocará sua carreira inteira em risco, além de outras coisas que eu não consigo pensar agora! – James fez questão de numerar as conseqüências na minha cara, e o que ainda me restava de esperança em ajudar a minha amiga sumiu. Agora além de raiva eu sentia tristeza. Eu me sentia uma inútil parada ali, sem poder fazer nada pra ajudar minha melhor amiga.Então sem perceber meus olhos se encharcaram e transbordaram, e as lagrimas desceram livremente pelo meu rosto.

Porque Deus? Por que as coisas tem que ser tão complicadas?

– Ah não, não chora. – James disse logo que viu as primeiras gotas d’água caírem dos meus olhos, e me puxou pra um daqueles abraços fortes que ele me dá quando eu estou mal. – Olha, eu também queria muito poder partir a cara desse Diego em pedacinhos, mas não dá, sabe? Na verdade... O que eu mais queria era ir correndo pro Brasil pra cuidar da Jessica. Segurar a mão dela e dizer que tudo vai ficar bem, que eu estaria ali para o que ela precisasse. – A voz de James falhou no fim da frase, então senti uma gota d’água cair em meu cabelo. – Eu iria amá-la de verdade, do jeito que ela merece. Mas não dá, Barbara. Não dá.

Espera. Deixa eu ver se eu entendi. “Amá-la”? James a ama? James Diamond ama outra pessoa a não ser ele mesmo? Informações demais para assimilar em 15 minutos. Era difícil de acreditar, mas se bem que no fundo eu já suspeitava. Então se já é ruim pra mim saber sobre o que aconteceu com Jessica, imagine como James deve estar se sentindo.

Mas o que eu não conseguia entender de jeito nenhum era porque Jessica não me contou nada disso, nada sobre o que ela estava passando, nada sobre o lado obscuro de Diego. Não dá pra acreditar que ela não queria que eu me preocupasse. Fala sério, eu conheço a Jessica desde que eu me conheço por gente. Nós somos como irmãs – ou éramos. Eu conheço cada detalhe, cada gesto, cada jeito de olhar e falar, cada mania. Mas... Desde que eu me mudei pra cá eu sinto que ela esconde muita coisa de mim. Eu só queria saber por que, mas pelo que notei, Jessica agora confia mais James do que em mim.

Então, talvez ele possa sim ajudar de alguma forma... Tive uma ideia.

– James, quer saber? – Comecei a falar afastando-me dele e limpando meu rosto. E minha maquiagem ia por água abaixo. – Dá pra dar um jeito sim.

– Como?

Você vai pro Brasil.

– Você enlouqueceu de vez?! Só pode ser! – Ele perguntou-me duas vezes mais assustado com essa minha ideia, que realmente não era das mais sensatas. Mas podia dar certo. E apesar da cara de espanto, eu conseguia ver o pontinho de esperança nos olhos de James com a proposta maluca. – Gustavo vai me matar! Vai cortar meu cabelo em pedacinhos!

– Mas pensa só! Será uma ótima publicidade pro Big time Rush. A imprensa vai adorar saber que James Diamond viajou milhares de milhas atrás... Amor da sua vida! Vai ser o acontecamento do ano. Todos vão te achar o cara mais gato, fofo e romântico do universo. E você vai perder a fama de galinha egocêntrico. – James fez uma cara ofendida quando eu disse isso, mas eu continuei. – Gustavo pode até querer te matar, mas não por muito tempo. E se ainda assim tudo der errado, ponha toda a culpa em mim que eu aceito sem problemas. – Segurei as duas mãos deles juntas e o encarei. Eu deveria estar parecendo um pimentão gigante. Roupa vermelha, cabelo vermelho, cara de choro vermelha... Que perfeito. – Por favor, James. Eu te imploro. Acho que... Só você pode ajudar agora. Afinal, pelo que parece, Jessica confia muito mais em você do que em mim. – Foi meio doloroso admitir isso, e James notou isso na minha expressão. – Você tem que ir.

–Barbara... Eu não sei, não. Isso é loucura! – Ele libertou-se das minhas mãos e passou as suas entre os fios de cabelos quase os arrancando da raiz.

– É loucura, mas você quer ir. Eu tenho certeza, pois dá pra ver nos seus olhos que sim! Além do mais você é todo sempre cheio de atitude, eu fico surpresa de ver que você está recuando em fazer alguma coisa justo agora, numa situação como essa. Não é hora pra pensar, e sim pra agir. Jessica precisa de você mais do que nunca e você precisa pôr esse seu sentimento por ela pra fora. E se você diz que a ama o tanto quando diz, iria...

– Ok, eu já entendi! Já chega de discurso! – Ele me interrompeu já farto daquela conversa. Deu meia volta e caminhou rumo à porta com pressa e passos firmes.

– Espera, aonde vai?

– Pra casa, arrumar as malas.

Notas finais
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