American Gurls
2 Where's the Happiness?
Notas iniciais
Playlist:
Californication — Red Hot Chili Peppers
When you’re gone – Avril Lavigne
É incrível e assustadora a rapidez com que a vida muda. Um ano atrás eu nunca me imaginaria nessa situação. Imaginaria qualquer coisa menos ser, estar, viver assim como agora… Tendo que ir a entrevistas quase todos os dias, ter que tirar fotos com fãs e assinar autógrafos em fotos do meu rosto, passar metade do meu dia no estúdio de gravação e a outra metade indo a eventos considerados “importantes”, ter que me preocupar com que imagem passar as pessoas, tentar controlar as fofocas, ainda tentar me acostumar com a idéia de ver meu rosto todas as noites na televisão protagonizando no seriado mais assistido da Califórnia que está entre os 10+ dos Estados Unidos atualmente, e… Ainda sim ter (ou ao menos se esforçar pra ter) uma vida normal. O que está sendo quase impossível nesses últimos dias, afinal, desde que foram encontrados maços de cigarro usados e garrafas de cerveja vazias no meu camarim, uma atriz de apenas 17 anos, (detalhe: eu nunca fumei ou bebi, mas quem acredita?) os paparazzis não largam do meu pé. Eu nunca pensei que ser famosa fosse ser tão estressante. Ok. É bom sim, mas às vezes eu só queria a minha vida de atriz de teatro de volta, sabe? Quando tudo era mais simples e eu não tinha tantas preocupações. Eu era só uma adolescente normal. Agora eu continuo a mesma adolescente, mas sou obrigada a agir e falar como uma adulta. Às vezes a pressão é tanta que eu simplesmente desabo quando não tem ninguém olhando.
Por sorte ainda tem aquelas raras pessoas que ficam do nosso lado. Dria, Jessica e os garotos sempre me ajudaram e me apoiaram, e acho que se não fosse por eles eu já teria desistido disso tudo. Camille e eu ainda nos falamos, mas ela anda meio distante. Ela diz que anda com alguns problemas familiares, enfim, não é da minha conta. Eu só sei que eu não vejo a hora dos garotos voltarem dessa turnê, estou morrendo de saudades deles, principalmente do Logan, é claro. Todos esses três meses foram uma tortura sem ele por perto, era como se houvesse um vazio enorme no meu peito, que nem as ligações noturnas e conversas por vídeo conseguiam amenizar. Eu sentia falta do cheiro, do abraço, daquelas covinhas, da voz mansa dele murmurando no meu ouvido, dos olhos quase negros dele, daquele sorriso torto, do calor da pele dele, daquele beijo viciante… Eu sentia tanto a falta dele que chegava a doer. Mas ai meu coração voltava a palpitar alegre quando lembrava que daqui a pouco eu iria reencontrá-lo, e acho que nunca mais vou deixá-lo ir de novo.
– Chegamos. Tem certeza que não quer que eu vá com você, Senhorita Haslow? – Perguntou Paul, meu motorista, me despertando dos meus pensamentos abarrotados. Olhei pelo vidro da janela do carro e suspirei ao ver que já estávamos parados na frente ao Aeroporto Internacional de L.A.
– Não se preocupe Paul, eu vou só. Ah e eu vou voltar com os garotos, então não precisa vir me buscar.
– Como quiser Srta. Haslow, mas sabe que se precisar basta ligar. – Ele me mandou uma piscadela pelo espelho do retrovisor.
– Obrigada, e eu já disse que pode me chamar de Barbara. – Falei gentilmente enquanto colocava meus óculos escuros.
– Como quiser. – Ele disse sorrindo de canto, dei um sorriso de volta e arrumei o capuz do meu moletom cor de vinho na minha cabeça, de uma forma que meu cabelo ficasse para dentro do moletom e eu ficasse “camuflada”. Peguei minha bolsa, respirei fundo e toquei na maçaneta da porta, pensando duas vezes antes de sair sozinha daquele carro. Eu estava um pouco nervosa, afinal faz muito tempo mesmo que eu não ando sem algum tipo de guarda costas comigo. Respirei fundo mais uma vez e saí, caminhando com passos rápidos e largos e com cabeça baixa, para dentro do aeroporto.
Ótimo, até agora nada de fãs ou paparazzi, o que me fez relaxar. Continuei a caminhar de cabeça baixa e com as mãos nos bolsos da calça jeans, fui o portão da sala de desembarque, onde já havia uma dezena de fãs com cartazes nas mãos e usando blusas personalizadas à espera do Big Time Rush. Olhei no meu relógio de pulso, e percebi que eu estava adiantada. Ainda faltam dez minutos pra chegada prevista do avião dos garotos, e no painel de voos não fala nada sobre atrasos. Então, pra passar o tempo e amenizar minha aflição, fui à banca de revistas, mas ao chegar lá, me arrependi.
“A próxima Charlie Sheen?”, era o que dizia dessa vez em letras maiúsculas com mais uma vez uma foto minha na capa de uma dessas revistas de fofoca. Bufei e peguei irritada a revista lacrada com plástico para ler a frase de baixo. E mais uma vez preferia não ter feito isso. “Cigarros, bebidas, e agora um piercing. Será que a fama subiu a cabeça dessa jovem atriz?”. Minha vontade era de rasgar essa revista em pedacinhos. Era de gritar de raiva até perder a voz! Era de chorar de ódio até não conseguir mais respirar. Larguei aquela merda de revista na banca e sai dali, indo em direção ao banheiro mais próximo. Quando entrei, já não conseguia mais controlar as lagrimas e corri pra dentro de um box pra não correr o risco de alguém entrar e ver Barbara Haslow em prantos. Sentei-me no vaso sanitário com a tampa abaixada e debrucei meus braços sobre os joelhos.
Por quê? Por quê?! Não fui eu quem colocou aquelas coisas no meu camarim! Porque ninguém acredita em mim? Só porque eu sou “jovem e inconsequente”?! O pior é que toda vez que eu dizia que não era eu quem colocava essas coisas no meu camarim, que eu nunca havia usado nada daquilo... Aparecia mais. Até Lewis deixou de acreditar de mim, e, por causa de todos esses escândalos, eu fui punida. E pago minhas próprias contas agora. Eu estou atolada de contas pra pagar. É, eu tenho dinheiro, mas meu nervosismo é tão grande que eu me atrapalho e acabo esquecendo de tudo, pagando atrasado... Só sei que minha vida está um caos. E eu nem sei por que eu coloquei esse piercing… Acho que eu estava com tanta raiva que fiz uma loucura e acabei provocando ainda mais atenção pra mim. O que é tudo que eu menos quero agora. Ah… Às vezes eu queria voltar no tempo e nunca ter aceitado ficar em Los Angeles. Eu devia ter ficado no Brasil, com a minha vidinha de antes e tudo seria melhor. Muito melhor.
Sem querer olhei no relógio e vi que os garotos chegariam em poucos minutos. Então percebi que por um momento eu havia perdido completamente a noção. Se eu nunca tivesse aceitado, eu nunca teria conhecido esses garotos, ou seja, Logan nunca teria entrado na minha vida. Bem… Pelo menos agora eu sei que valeu a pena pra alguma coisa ter aceitado. Retirei os óculos pra enxugar as lagrimas e o guardei na bolsa. Sai daquele box, fui até a pia e lavei meu rosto com vontade, pra ver se tudo de ruim descesse pelo ralo junto com a água. Quem me dera. Tirei o kit de maquiagem na bolsa e retoquei meu rosto manchado. No fim, parei e examinei minha face que não estava mais tão vermelha.
Essa vida está acabando comigo. Nossa, como eu fui burra... Eu sabia que ser famosa não era um mar de rosas. Porém, mesmo assim eu acreditei que seria. Os garotos me avisaram que não ia ser fácil, mas eu me iludi. Agora estou aqui, desabando em lágrimas. E só o que eu preciso agora é de um abraço, um abraço bem apertado. Apesar de ser conhecida e estar toda hora rodeada de gente a todo segundo, eu nunca me senti tão sozinha. Com os garotos em turnê, a Dria que viaja toda semana (já contei que ela virou modelo?), Jessica do outro lado do continente e Camille que eu só vejo no estúdio, eu sentia vontade de arrumar as malas e voltar pra casa. Mas eu aguentei firme, estou aguentando até agora. E hoje as pessoas que fazem valer a pena continuar nessa cidade estão voltando. Ah, eu nunca mais vou deixar eles irem de novo, nem que eu tenha que trancar eles no apartamento.
– Oh. My. God. Você não é a... Heather daquela série American Gurl? – Perguntou uma menina que acabara de entrar no banheiro, que devia ter uns 14 ou 15 anos no máximo.
– Ah... Sou eu sim. – Eu disse, forçando o sorriso pelo espelho e comecei a guardar minha maquiagem na bolsa.
– Nossa! Será que você pode tirar uma foto comigo? – Ela pediu já com o celular na mão.
– Claro... – Respondi, abaixando o capuz e jogando meu cabelo vermelho por cima dos ombros. A garota rapidamente tirou a foto com a câmera do celular e depois deu uns pulinhos de alegria.
– E você poderia... – Então meu celular fez um barulho de alerta de mensagem dentro da bolsa, interrompendo a garota de terminar a frase.
– Só um momento. – Pedi, pegando o meu celular e vendo que tinha uma mensagem nova do Logan.
“Já estamos aqui na frente do aeroporto. Cadê você?”
– Desculpa, eu tenho que ir. – Eu disse rapidamente e sai do banheiro “descamuflada” mesmo. Corri até chegar lá na frente do aeroporto, quando avistei a limusine do Gustavo Rocque rodeada de fotógrafos e fãs. Os garotos estavam colocando as bagagens no porta-malas enquanto o Trem-de-Carga, segurança/armário deles, tentava afastar os paparazzis. Aproximei-me devagar tentando segurar meu coração na boca. Foram só três meses, mas pra mim foi uma vida. Então Logan me viu.
– Barbara? Barbara! – Ele exclamou, largando as malas no chão no exato momento. O segurança deles abriu espaço no meio das pessoas pra eu poder passar e eu não pensei duas vezes e corri pro abraço do meu namorado, que tinha o maior sorriso no rosto assim como eu. Eu nem liguei se haviam muitas pessoas olhando, eu só pulei nele e o abracei o mais forte que pude. Bem forte mesmo, tirando meus pés do chão. Só eu sei o quanto eu precisava desse abraço. Não dá pra explicar a mistura de sentimentos que eu estava sentindo no momento, só sei que foram tantos que meus olhos voltaram a lacrimejar. Ah eu ando muito emocional esses dias.
– Eu senti tanto sua falta. – Eu disse com a voz já falhando, afundando minha cabeça no ombro de Logan.
– Eu também senti sua falta... – Oh era tão bom ouvir a voz dele ao vivo de novo. Então ele tirou minha cabeça do ombro dele e encarou meu rosto. – Hey não precisa chorar, eu voltei.
– Graças a Deus. – Eu disse e meus lábios se encontraram com os dele com tanta urgência que assustou até a mim, mas eu necessitava desse beijo pra me acalmar. O que eu mais desejei todos esses meses foi sentir o gosto da boca dele de novo. Eu me senti nas nuvens novamente. Infelizmente nos afastamos quando o ar começou a sumir, e ele colou sua testa na minha. Senti os flashes das câmeras atacarem os nossos rostos, mas eu não liguei. Logan estava tão... Másculo, parecia até mais amadurecido.
– Então esse é o seu piercing ao vivo e a cores. – Ele disse forçando a animação por um momento.
– É... Você não gostou?
– Não vamos falar sobre isso agora... – Limpou a aera abaixo dos meus olhos com o polegar. – Vamos pra casa. – Ele disse se afastando de mim e foi colocar suas malas no carro. Todos já estavam no veiculo menos nós dois e o guarda-costas. Eu entrei logo na limusine e abracei desconfortavelmente todos os garotos (É difícil de abraçar alguém dentro de um carro pô), deixando rolar mais e mais lagrimas. Logan entrou logo em seguida e sentou ao meu lado, o Trem-de-Carga sentou no banco da frente ao lado do motorista. Eu estava tão animada por ver eles de novo que não conseguia parar de chorar. Pelo menos eu chorava de felicidade dessa vez.
– Para de chorar, menina! – Disse Kendall em tom de brincadeira.
– Não consigo!
– Isso tudo é de saudade da gente? – Perguntou James e eu balancei a cabeça positivamente em resposta.
– Oowwn. – Eles fizeram em coro e eu encolhi minha cabeça no ombro de Logan.
– Então, eu quero saber de vocês. Como foi a turnê? Me contem tudo. – Mudei o assunto. Não foi nem preciso pedir duas vezes, e os quatro contaram um de cada vez uma historia mais maluca que a outra, e conforme a gente ria histericamente, eu finalmente consegui desligar meu lado emocional super ativo.
–… E depois, a mãe da garotinha apertou a minha bunda! E eu fiquei tipo “H-HEY!” – Carlos contou, fazendo minha barriga doer de tanto rir.
– Chegamos em Palm Woods, cães e… Garota. Me lembre de arrumar um apelido pra você. Agora: Desçam já da minha limusine! – Ordenou Gustavo, “delicado” como sempre. Descemos todos do carro, menos o produtor estressadinho e Kelly, sua assistente. Trem-de-Carga nos ajudou a levar as malas até o apartamento 2J, o que demorou a beça porque eram MUITAS malas e acho que ficaram meia-hora naquele sobe e desce de elevador. Porém, enquanto eles faziam todo o trabalho, eu fiquei jogada no sofá laranja surfando pelos canais da televisão com o controle remoto. Quando toda a bagagem estava finalmente no apartamento, os quatro se jogaram no sofá.
– Obrigada pela ajuda, Barbara. – Logan ironizou.
– De nada baby. – Ironizei de volta e segurei o queixo dele, dando um selinho demorado na sua boca macia.
– Hm. – Ele resmungou afastando seu rosto do meu – Seu piercing está gelado.
– Claro, é de aço. Nós acabamos de sair do ar condicionado, então é obvio que está gelado. – Brinquei, dando uma risadinha. A cara dele não parecia muito satisfeita ao olhar para o adereço metálico no meu nariz. – Para de me olhar assim, está me assustando.
– Porque você fez isso? – Perguntou calmamente, e eu rolei os olhos.
– Logan... A gente já conversou sobre isso, eu não vou te explicar de novo. – Respondi estremecendo ao lembrar da discussão que tivemos por vídeo, quando Logan viu o piercing pela primeira vez.
– É-é que eu ainda não consigo entender o que leva uma pessoa a perfurar seu próprio corpo. Pra mim não existe um motivo claro pra se mutilar assim. – Argumentou. Que ótimo, a última coisa que eu queria era brigar com ele hoje, mas tava difícil de segurar.
– Quantas vezes eu vou ter que dizer que isso não é automutilação? – Perguntei e me sentei ereta, o encarando com uma expressão aborrecida.
– Quantas você quiser, Barbara, mas não vai me convencer. Eu não concordo e pronto. – Ele parecia tão tranquilo, e isso me deixava com ainda mais raiva. Podia sentir meu sangue começar a ferver.
– Você é impossível!
– Não, você...
– Então! – Kendall cortou a frase do meu namorado. – Carlos, James, vamos lá no saguão comigo? Acho que esqueci uma mala. – Ele disse já se levantando, claramente tentando arranjar um jeito de fugir antes que eu explodisse.
– Não… Eu acho que todas estão aqui. – Disse Carlos, não captando a indireta.
– Vamos. – James ordenou, puxando Carlos pela orelha e indo com Kendall até a porta, mas antes que pudessem sair, eu os impedi de fugirem.
– Meninos, voltem! – Mandei, e eles paralisaram. – Eu quero que me respondam uma coisa. – Então os três vieram até mim, com passos tensos e expressões de medo. Pararam na minha frente em fila indiana e eu tive vontade de rir dessa cena. Mas me segurei. – O que vocês acharam do meu piercing?
Silêncio.
– Respondam!
– E-eu... Eu achei que... Você diz primeiro Kendall. – Disse James, dando um empurrão no ombro do meu amigo loiro. Kendall se recompôs, deu um tapa na nuca de James, arrumou a camisa, limpou a garganta com um pigarreio e eu fiquei me perguntando quanto mais ele iria enrolar.
– Bem... Eu acho que ficou... Diferente, óbvio. Mas um diferente legal, ou algo assim...
– Kendall. – Falei.
– S-sim?
– Seja sincero. – Eu pedi mais calma, e então ele relaxou mais.
– Eu achei legal, de verdade. Eu gostei, sabe? E... Ficou bem bonito em você, pra ser mais sincero.
– Ok, já foi sincero demais, Kendall. – Logan disse incomodado.
– Silêncio, Logan, sua vez ainda não chegou. – Eu disse friamente e ele bufou. – James, sua vez. Seja sincero.
– Eu não vou dizer o que eu quero dizer, afinal o Logan é capaz de tentar me matar. – James disse rindo um pouco em um tom um tanto quanto malicioso.
– Eu acho que ele quer dizer “Sexy”. – Carlos deu o palpite, sem se tocar que aquilo deixou Logan vermelho de raiva.
– Carlos! – James e Kendall reclamaram.
– James! – Logan reclamou, cruzando os braços.
– Garotos! Chega. – Dei um basta. – Primeiramente, obrigado James. – Agradeci sorrindo educadamente e ele piscou um olho pra mim. Logan voou uma almofada no rosto de James rapidamente.
– Ai! Desnecessário ok? – James resmungou arrumando a sua franja que antes da almofadada estivera sempre impecável.
– Realmente, Logan. Desnecessário. James só me elogiou, ao contrario de você que só fez me criticar. – Falei, e pela cara que Logan fez... A coisa ficou séria.
– Criticar? Nossa! Está vendo como você distorce as coisas?
– Distorcendo? O que...
– Eu nunca te critiquei, Barbara. – Me interrompeu com firmeza. – Eu só impus a minha opinião a respeito… Disso. – Olhou pro meu piercing com descaso. – Em algum momento eu disse que você estava feia? Não. Eu só não concordo com esse negócio de piercings, não acho certo e pronto. Eu tenho direito a uma opinião. Será que você não poderia aprender a aceitar um ponto de vista diferente do seu? Ou não, já que você é a dona da verdade, sempre com os melhores argumentos, sempre com a razão. – Ele deu uma breve pausa pra respirar. Eu, pelo contrario, estava paralisada. – Antes eu brincava dizendo que não conseguia dizer “não” a você. Mas agora eu falo sério, eu estou cansado de não conseguir dizer “não” a você, pois você simplesmente não aceita um “não”. Estou cansado disso, será que você não entende?
– Mas que você quer que eu faça?!
– Quer saber? – Levantou. – Não faz nada.
– É, eu não vou fazer mesmo porque eu não entendo aonde você quer chegar falando comigo desse jeito. Desde quando eu sou dona da verdade, Logan?! – Foi a minha vez de levantar.
– Puta que pariu, Barbara! Será que você não vê?! Você não está percebendo o que está acontecendo com a gente? Será que você não notou que nas ultimas vezes que a gente se falou, mesmo sendo por vídeo ou por telefone, a gente quase sempre acabava brigando? Você não consegue perceber no que a gente está se tornando? Ah claro que não, você só está preocupada com a sua vida agora, não com a nossa. Antes costumava a ser nós, agora é tudo sobre você. Você, você, você! – Ele parou novamente e eu tentei conseguir raciocinar, piscando várias vezes. Pela sua cara, parecia que seu discurso estava acabando. – Precisamos dar um tempo.
– O que?! – Perguntei, mas ele nem ao menos respondeu. Ele se retirou da sala pisando firme no chão, e só o que eu ouvi depois foi o barulho da porta do quarto batendo bruscamente.
Eu estava sem palavras. Sem argumentos. Então eu desabei sentada no sofá e comecei a me sentir uma tremenda idiota.
– Eu gosto do seu piercing. – Carlos disse, inconveniente. Eu tinha me esquecido completamente que os garotos assistiram absolutamente tudo.
– Agora não, Carlos. James vai falar com o Logan, vê se ele está... Conversável. – Murmurou Kendall, sentou-se receoso do meu lado e James o obedeceu. – Você está bem Barbara?
– Não. – Claro que não. Eu me sentia tão estranha. Eu não tinha absolutamente nada pra dizer, nada pra revidar, nada me vinha à mente. Como se só o que existisse dentro de mim era um sentimento de culpa.
– Cara, o Logan não é assim. De vez em quando ele dá os pitis dele, mas é raro ele brigar assim. Ele deve estar cansado da turnê, só isso.
– Eu sei do que ele esta cansado, Kendall, e não é da turnê. É de mim. – Meus olhos umedeceram-se no exato momento e uma lagrima rolou pelo meu rosto. Ótimo, chorando mais uma vez. Carlos, que até então estava de pé, sentou do meu outro lado e alisou meu ombro, tentando me consolar.
– Olha, eu não quero me meter no relacionamento de vocês, mas cara, vocês estão juntos há mais de seis meses. Lembra quando vocês assumiram esse namoro? Logan admitiu numa das nossas entrevistas numa radio que estava louco por você. Vocês enfrentaram paparazzi, fãs malucas, Gustavo Rocque e Lewis Scotten no pé de vocês por umas duas semanas. E depois veio a turnê, e mesmo longe vocês dois continuaram se falando sempre que podiam ou no telefone ou pelo computador. Depois de todas as confusões que vocês passaram juntos, cara... Eu tenho certeza absoluta que esse moleque não cansou de você, e acho que nunca vai cansar. Só de algumas atitudes, nada que você não possa melhorar. Mas agora... Vocês dois realmente precisam de um tempo.
– Mas eu não quero dar um tempo, Kendall, eu quero ficar com ele! – Afundei meu rosto na camisa xadrez dele e meu choro se intensificou.
– Calma... Deixa o Logan se acalmar, descansar, repensar as idéias. Ai você conversa com ele. Entendeu? – Ele disse, afagando meu cabelo. Eu apenas murmurei “Aham” e fiquei ali, tentando me fazer parar de chorar. Ouvi um barulho de porta abrindo e fechando em seguida. Afastei-me de Kendall, e olhei atenta pro corredor, com a esperança de que fosse Logan. Mas era James, que apareceu na sala com uma cara de compaixão.
– Eu tentei falar com ele, mas é como você mesma disse: Ele esta impossível. – Ele disse e senti a esperança sair voando.
– Vocês estão certos... Tenho que dar um tempo a ele. – Limpei algumas lágrimas, levantei-me e desamassei a roupa. – E-eu vou pro meu apartamento.
– Ei, fica. Assiste filme conosco. – Carlos pediu com aquela carinha de cachorro pidão de capacete. – Vamos ver As Branquelas!
– De novo? – Kendall resmungou.
– Desculpa Carlitos, mas eu quero ficar sozinha um pouco. – E pensar na merda que virou a minha vida. Franzi os lábios, tentando conter o choro novamente.
– Olha, se precisar de qualquer coisa é só chamar, ligar, mandar uma mensagem, fazer sinal de fumaça… Enfim. – Kendall disse, me fazendo rir fraquinho.
– Estamos aqui ok? – James completou, vindo até mim, passando o braço em volta do meu ombro e dando um beijo no meu rosto.
– Ok… Eu já disse que vocês são incríveis?
– Você não, mas muita gente já. – James respondeu convencido. Eu ri e empurrei seu ombro.
– Tem certeza que ainda quer ir embora? – Carlos questionou.
– Tenho… E aliás, eu quero ligar pra Dria, e perguntar como esta sendo Nova York. – Menti. Na verdade era mais provável que eu passasse o resto do dia comendo enquanto desabo em lagrimas.
– Oh! Eu liguei pra ela várias vezes, mas ela estava sempre “ocupada”. – Carlos disse visivelmente chateado. Ele parecia não se acostumar com a ideia de Dria ser uma modelo. É difícil ate pra mim de acreditar. – Se você conseguir, diz pra ela me mandar algum sinal de vida. E que eu estou com saudades. – Ele disse a ultima frase mais baixa, mas mesmo assim eu pude escutar.
– Own, digo sim. Tchau meninos. – Eu disse e me dirigi ate a porta, os ouvindo dizerem “tchau” de volta. Quando eu já havia saído, resolvi colocar só a cabeça pra dentro do apartamento deles e falei: – Amo vocês.
– Também te amamos gatinha. – Disse James piscando um olho pra mim, Kendall me mandou um beijo soprado muito gay e Carlos morreu de rir dele. Ri junto com eles por um momento, só pra descontrair e depois fechei a porta.
Após voltar pro meu apartamento, tudo tornou a desabar novamente. O choro voltou, e eu apenas deixei aquele sentimento tomar conta de mim enquanto eu afundava meu rosto no travesseiro da minha cama. Como pude ser tão idiota? Como eu permiti minha relação com o Logan se desgastar assim? Só sendo muito burra mesmo. Dá vontade de bater a testa contra a parede inúmeras vezes até desmaiar! Eu... Eu não posso perder o Logan. Qualquer coisa, menos ele. Seria tortura demais pra mim.
Peguei meu telefone e realmente liguei pra Dria. Mas não foi pra perguntar como estava sendo Nova York. Foi pra desabafar mesmo. Por sorte, ela estava no hotel. Perdi conta de quanto tempo fiquei falando e chorando sem parar no ouvido dela. Acho que enchi tanto o saco que ela inventou uma desculpa qualquer pra desligar o celular, disse pra eu me acalmar que amanhã ela estaria de volta. E o que eu fiz depois disso? Comi três pacotes inteiros de biscoito recheado de chocolate enquanto assistia Um Amor para Recordar na televisão. No fim voltei pro quarto pra tentar dormir, o que só foi possível quando eu me agarrei no Logie Bear, meu urso de pelúcia que tem a metade do meu tamanho que Logan me deu antes de ir em turnê.
Lembro-me que ele disse que era um presente pra eu nunca esquecer dele enquanto estivesse fora. Ah, na época, eu não aguentei mais ver aquela carinha triste, era de partir meu coração. Então pensei em fazer uma boa ação. E eu, bem… Eu… Dei a ele minha virgindade. Ok! Antes de jogar as pedras, eu sei que eu não devia ter feito isso, mas Logan andava tão triste porque ia ficar tanto tempo longe que eu acabei fazendo isso por ele, não por mim. E que fique claro, ele gostou, mas eu não. Desculpa o termo, mas doeu pra caralho, não foi nada “mágico” e eu ainda fiquei andando estranho no dia seguinte. Mas pelo menos Logan melhorou o humor dele e ele pode viajar mais animado. E isso me deixou satisfeita. Emocionalmente, não sexualmente. Pois eu sinceramente não queria ter transado por esse motivo idiota, mas acho que eu não pensei direito. Ok, que papo tenso. Eeeenfim.
Apertei ainda mais o logie bear no meu abraço, só pra sentir o cheiro do meu Logan uma ultima vez. E isso seria o que eu teria dele por um tempo.
Fale com o autor