American Gurls
3 Our Intermission.
Notas iniciais
Playlist:
Wish you were here – Avril lavigne
– Então... Você e o Logan terminaram mesmo? – Camille me perguntou parecendo bastante interessada, enquanto almoçávamos num restaurante ao lado do estúdio. Suspirei com desânimo, afinal eu não tinha o mínimo interesse de tocar nesse assunto novamente. Manti o olhar no prato remexendo com o garfo a minha refeição fria.
– Nós só estamos dando um tempo.
– Um tempo de três semanas? – Questionou. Talvez Logan realmente precise pensar... Bufei. A quem eu quero enganar? – Sabe o que eu acho? Que você devia seguir em frente com sua vida. Esquece o Logan, vai conhecer pessoas novas... Sei lá!
– Eu não quero esquecer ele, Camille, eu não quero conhecer outras pessoas. Minha vida é muito mais feliz com ele, mas sem ele... Eu me sinto vazia.
– Então me diz: Qual é o seu outro plano? Ir pra casa de novo e esperar que um milagre aconteça? – Ela disse sendo até um pouco rude, o que me assustou. Parece que as pessoas estão a fim de me deixar sem resposta esses dias. Ela percebeu que eu me senti ofendida com seu tom de voz, e tentou se redimir. – Olha, eu só estou dizendo o que acho que vai ser melhor pra você. Mas se você prefere ficar aí sofrendo, o problema é seu. – Disse e terminou de comer sua comida em silêncio.
Já eu, mal toquei na minha.
– Não vai comer?
– Estou sem fome. – Respondi cabisbaixa. Camille chamou o garçom e nós divididos a conta como sempre. Voltamos para o Estúdio Colossal e passamos o resto do dia finalizando as gravações do episódio novo.
É fácil simplesmente falar “Segue em frente”. O difícil é fazer. E fazer isso se torna ainda pior quando não se quer seguir em frente. Quantas vezes eu vou ter que dizer? Eu não quero outra pessoa, eu quero Logan. Eu preciso dele.
Logan
As últimas semanas vêm me consumindo internamente pouco a pouco a cada dia que se passa. Como se um buraco viesse sendo cavado no meu peito, e agora eu nem mais qual a profundidade dele. Tudo que eu queria era arrancar esse sentimento e jogá-lo fora pela janela.
Já se passou tempo suficiente, e pra falar a verdade eu nem sei se quero voltar com ela. Mas aí, quase todo dia ela aparece no meu apartamento, e faz meu coração palpitar mais forte dizendo “Vai falar com ela! Você ainda é louco por ela, Logan!”. E eu querendo ou não, a voz que ficava martelando minha cabeça estava correta. Eu ainda sou louco pela Barbara. Com piercing ou sem piercing. De cabelo vermelho, rosa, azul ou verde. Até multicolorido! Eu a amo.
Eu particularmente não quero que acabe, mas se continuasse do jeito que estava sem eu dizer nada, eu iria acabar ficando maluco da cabeça. Nós precisavamos dar um tempo, pra por o nosso amor à prova. E agora... Eu só quero uma atitude. Uma atitude dela que me prove o contrario. Que me prove que vale a pena sim continuar.
Mas até agora nada. E eu estou começando a acreditar que Barbara não faz questão do nosso relacionamento sabe? Que ela não da a mínima. Já ouviu aquela frase “A gente só da valor quando perde”? Então. No entanto não é o que eu vejo. Eu não a vejo dando valor a nossa relação que dá um largo passo em direção ao precipício diariamente. Eu não queria acreditar nisso, mas a cada dia que passa sem nada acontecer, eu perco ainda mais as esperanças em nós.
Meu ponto é: Se nada mudar... Eu vou entender isso como um fim.
– Então, Logan, você disse que havia escrito uma musica nova. – Disse Gustavo dando inicio a reunião.
– O-oh. É.
– Vamos, eu não tenho o dia todo!
– O-ok. – Peguei o papel impresso com a letra dentro do meu bolso da calça jeans e me levantei da cadeira reclinável. – Ela se chama Intermission.
Curtains open up the scene
Cortinas abrem a cena
Spotlights shine on you and me tonight
Holofotes brilham em você e eu hoje à noite
Pretending for the crowd below
Fingindo para a multidão abaixo
We put on a real good show
Nós simulamos um show realmente bom
But it's a lie
Mas isto é uma mentira
We can't help but 'cause a fight
Não podemos deixar de provocar uma briga
It's the same old drama every night
É o mesmo velho drama todas as noites
I walk off stage cause this whole play
Eu saio do palco porque essa cena toda
Is more than I can take
É mais do que eu posso aguentar
No, I don't want it to be over
Não, eu não quero que isso acabe
But we need a break before
Mas precisamos de um tempo antes que
You break my heart
Você quebre o meu coração
We can't live this scene forever
Não podemos viver esta cena para sempre
Right now you and me are better, better off apart
Agora você e eu somos melhores, melhores separados
But I'll still love you when the lights come up
Mas eu ainda te amarei quando as luzes se acenderem
For our intermission
Para o nosso intervalo
I was one foot out the door
Eu estava um pé pra fora da porta
I couldn't play the part no more
Eu não podia interpretar aquela parte mais
With you
Com você
The chemistry just wasn't there
A química simplesmente não estava lá
I couldn't act like i didn't care
Eu não podia agir como se eu não me importasse
When I do, I do
Quando eu me importo, eu me importo
We can't help but 'cause a fight
Não podemos deixar de provocar uma briga
It's the same old drama every night
É o mesmo velho drama todas as noites
I walk off stage cause this whole play
Eu saio do palco porque essa cena toda
Is more than I can take
É mais do que eu posso aguentar
No, I don't want it to be over
Não, eu não quero que isso acabe
But we need a break before
Mas precisamos de um tempo antes que
You break my heart
Você quebre o meu coração
We can't live this scene forever
Não podemos viver esta cena para sempre
Right now you and me are better, better off apart
Agora você e eu somos melhores, melhores separados
But I'll still love you when the lights come up
Mas eu ainda te amarei quando as luzes se acenderem
For our intermission...
Para o nosso intervalo...
Terminei de cantar e reparei apreensivamente a expressão de todos à mesa. Haviam olhares bem surpresos, orgulhosos e havia também o olhar cético e assustador de Gustavo. Talvez ele estivesse pensando em maneiras de como me matar por escrever a minha primeira musica de amor lenta e ter ficado um completo lixo. É.
– Me digam o que acharam pelo amor de deus. – Pedi com as mãos tremendo de nervosismo.
– B-bem... Eu não sei o que dizer. – Confessou Kelly embasbacada.
– Eu acho que é uma ótima musica... – Gustavo começou, já me deixando inquietamente feliz. Mas ele tinha que cortar o meu barato, como sempre. – Bônus.
– M-mas eu nem terminei ainda, eu acho que eu posso-
– Então termine! — Ele me interrompeu. – E aí depois decidimos o que faremos com essa canção pra sua namorada.
– Mas não é pra-
– Almoço! – Anunciou, me impedindo de novo de argumentar. Eu não queria que todos soubessem que eu escrevi essa canção inspirada na Barbara, mas parece que foi inevitável. Confesso que eu mesmo me espantei ao terminar de escrever, pois geralmente escrevo mais as canções de festa, curtição, enfim. Essa canção de amor realmente me pegou de surpresa. É, parece que o amor e o sofrimento deixam as pessoas criativas.
Quando fomos comer na barraquinha de cachorro quente em frente da Rocque Records, Kendall, James e Carlos ficaram mandando olhares brincalhões e ficavam de “conversinha”. Até que lembrei que eles continuam falando normalmente com a Barbara, é capaz de um deles (lê-se Carlos Fofoqueiro) comentar sobre musica pra ela. A probabilidade de isso acontecer é grande, então é melhor evitar que esse desastre aconteça.
– Pessoal, só pra constar. Estão proibidos de falar sobre essa música na frente da Barbara. Estamos entendidos? Estamos Carlos?
– Aham. – Eles responderam com a boca cheia de cachorro quente. Então Kendall desceu a comida goela abaixo rapidamente.
– Se tem alguém aqui que tem que falar alguma coisa com a Barbara, esse alguém você, não a gente.
– Ah Kendall... Não começa. Eu já disse que não vou falar com ela.
– Hm, parecem duas crianças vocês dois. – James disse.
– Duas crianças cabeças dura né. – Carlos acrescentou, e eu bufei.
– Cuidem da vida de vocês. – Eu disse e comecei a comer meu cachorro quente, tentando controlar a minha respiração para não me estressar.
– A gente bem que tenta! – Kendall brincou, mas eu não estava com clima pra brincadeiras nesses últimos dias. Não estava mesmo.
No dia seguinte...
Barbara
Tomei minha dose diária de vergonha cara, uma xícara de café bem forte e segui em direção ao 2J. Não é porque Logan continua sem falar comigo, me evitando e me ignorando, que eu vou deixar de ver os garotos. Logan gostando ou não, eles também são meus amigos. E dia de sábado é sagrado eu mostra a cara por lá, ainda mais quando a Dria viaja (de novo!).
Abri a porta sem bater e fui entrando como se estivesse em casa. O que era meio verdade. Carlos estava na cozinha, preparando alguma coisa que eu não sabia o que era, mas que tinha um cheiro delicioso... James estava pendurado no telefone, Kendall estava jogando vídeo game e Logan estava à mesa mexendo em seu notebook.
– What’s up. – Falei, puxando um banco do balcão pra me sentar. – Hmm, o que o Chef Carlitos esta cozinhando dessa vez?
– Espaguete com molho bolonhesa!
– Por deus, você quer me ver engordar né? Seu filho da mãe. – Briguei em tom de brincadeira e ele riu sem tirar os olhos da panela com molho. Girei o banco e vi que Kendall estava super concentrado no jogo e James parecia bem entretido ao telefone.
– Quem é a garota? – Perguntei curiosa. James pronunciou “Jessica” e eu quase cai. – O que?! Você esta falando com a Jessica e não me avisa?!
– Shh!
– Chato, pelo menos diz pra ela que eu estou com saudades. – Pedi com cara de choro e James fez o sinal positivo com o polegar. Até que, sem querer, troquei olhares com Logan. Então se procedeu o de sempre. Ele momentaneamente fechou o notebook e saiu da sala com ele debaixo do braço, indo pro quarto. Suspirei, sentando-me no sofá ao lado de Kendall. Ele pausou o jogo, estendeu o braço até a mesinha e me ofereceu um controle.
– Pra dois jogadores? – Perguntou com um sorrisinho no canto da boca, como se só uma boa partida de vídeo game fosse capaz de me animar agora. Assenti, segurando firme o controle nas mãos.
Apos perder feio pra ele, Kendall desligou a TV e me encarou.
– A cada dia que passa você fica pior nesse jogo. E nem está no modo difícil. – Comentou, e é claro que eu sabia onde ele queria chegar.
– Acho que eu perdi a prática.
– Conta outra... Não acha que já esta na hora de você e o Logan terem “aquela” conversa?
– Se já estivesse na hora, seu amiguinho não ficaria me evitando desse jeito.
– Fala sério, já faz três semanas, um de vocês tem que tomar uma atitude. E essa greve de silencio já esta ficando ridícula, vocês tem que se resolver!
– Diz isso pra ele. – Cruzei os braços, encarando a TV.
– E você acha que eu não disse? Só que ele esta sendo tão cabeça dura quanto você em relação a isso.
– Vai ver acabou mesmo.
Kendall bufou.
– Faz o seguinte: Conversa com ele e depois você me diz se acabou mesmo.
– Não insiste, Kendall! Eu não vou falar com o Logan. Ele teve todo esse tempo pra pensar. Se ele realmente quisesse voltar comigo, ele já teria feito isso.
– Meu Deus, é um pior do que o outro, eu hein. – Ele disse, dando a conversa por encerrada e se acomodou melhor no sofá. – Quanto falta pro nosso almoço ficar pronto?
– Vai levar o tempo que for preciso. E não me apressa. – Carlos respondeu.
– Você está começando a falar que nem a minha mãe, viu? Só não cozinha que nem ela.
– Eu faço o que eu posso. E não reclama senão vai ficar sem almoço.
– Vou pedir pra mamãe mandar meu almoço pelo correio, isso sim.
– Ah é? E esta esperando o que?!
– H-hey, garotos? Vamos parar por aqui, ok? Está parecendo briga de marido e mulher. – Encerrei a briga dos dois com uma piada, mas nenhum deles riu. – Carlos, quer ajuda?
– Quero sim... Se você me prometer que não vai destruir nada. – Brincou.
– Eu vou tentar. – Eu disse e fui até a cozinha.
– Pega um pacote de macarrão ali no armário? – Pediu enquanto mexia o molho. Fui até o armário e peguei o tal pacote.
– Agora abre e põe com cuidado dentro dessa panela aqui. – Então, devagar pra não estragar alguma coisa, coloquei o macarrão na panela de água fervendo.
– Yey! – Comemorei e Carlos riu. – Mais alguma coisa Chef Carlos?
– Não, valeu. – Ele disse e eu fui me sentar ao balcão. Observei meu amigo cozinhar por um momento, e notei que ele cantarolava uma musica baixinho, só pra si. Eu fiquei um tempo decifrar qual era a musica, mas não consegui. No entanto percebi que a canção, apesar de Carlos só saber cantar o refrão repetidas vezes, era sobre um “intervalo”. A música parecia ser mais uma declaração, ou um desabafo. Óbvio que eu fiquei curiosa pra saber que canção era aquela.
–… But i’ll still love you when the lights come up for our intermission...
– Que musica linda Carlitos, de quem é?
– A-ah… – Ele olhou pra mim e depois olhou pros garotos meio apreensivo. – Ninguém.
– Ha. Ha. – Ri sarcasticamente. – Eu não sou idiota, é claro que é de alguém. Vai, me diz quem é o cantor, poxa, o que custa?
– Esse é o problema. Eu não sei o que vai me custar te contar isso.
– Agora você esta me deixando mais curiosa. – Cruzei os braços e fiz cara de birra, mas ele voltou sua concentração pro molho, me ignorando. Resolvi recorrer aos outros. Girei o banco e vi que James, que finalmente havia desligado o telefone, e Kendall encaravam a TV ligada no canal infantil pra não ter que fazer contato visual comigo. – Porque vocês não podem dizer? Por acaso é um segredo de estado? Eu prometo que não conto pra ninguém.
Mais silencio. Então resolvi apelar.
– Acho melhor vocês começarem a falar antes que alguém saia machucado. – Ameacei, rindo internamente. A cara de medo deles é impagável.
– Logan! – Carlos confessou.
Depois disso James e Kendall ficaram batendo boca com Carlos por ter contado, mas eu não entendi mais nada do que disseram porque eu estava presa nos meus pensamentos.
Logan. Obvio. Tudo se encaixava na musica, tudo tinha a ver com o que ele & eu estamos passando agora. Era um desabafo. Logan escreveu aquela musica, e eu precisava ouvir-la diretamente dele. De repente, um déjà vu passou pela minha cabeça. Afinal, isso já acontecera antes, mas agora os papeis se inverteram. Enfim, ironias da vida.
– Aonde você vai? — Kendall perguntou a mim. Quando me toquei, eu estava indo em direção ao corredor. Parei.
– E-eu… Eu não sei... Eu... Não aguento mais ficar longe dele. Chega. Está na hora de alguém tomar atitude.
– É assim que se fala, ruivinha. – Ele disse orgulhoso e os três me mandaram olhares encorajadores. Sorri sentindo uma mistura estranha de medo e coragem dentro de mim. Enfim, caminhei pelo corredor até chegar à porta do quarto, tomei um pouco de ar e entrei.
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