American Gurls
11 Perfect Night.
Notas iniciais
Playlist:
Drianna
Momento confissão: Eu não tenho ideia de para onde Carlos está me levando. Comecei a achar estranho quando saímos do centro da cidade e pegamos a autoestrada em direção ao norte. Resolvi não comentar nada por enquanto, até que após uns dez minutos dirigindo em linha reta, Carlos dobrou a direita numa estrada de mão dupla, até que depois de uns cinco minutos percebi que essa estrada subia a colina. Ok, já chega. A curiosidade está me matando.
– Você não está me sequestrando, né?
Carlos gargalhou.
– Relaxa, estamos quase chegando.
– Ah, claro. Assim eu fico muito menos curiosa! – Debochei. – Chegando aonde, Carlos? – Ele riu mais uma vez, mas eu não estava achando a menor graça.
– Eu já disse, você vai ver. E eu sei que você vai adorar! – E depois de mais cinco minutos subindo a colina, Carlos virou o volante e saiu da estrada, seguindo caminho agora pela terra.
– Vai nos jogar do precipício? – Fiquei sem resposta até ele finalmente parar próximo à encosta.
– Chegamos. – Ele disse sorridente puxando o freio de mão, tirando a chave do contato e a guardando no bolso. – Espere aqui. – Ele desceu do carro, deu a volta pela frente e abriu a porta para mim. Carlos estava sendo um perfeito cavalheiro esta noite.
Desci do carro e olhei em volta. Havia um mato raso ao redor, ali perto o limite da encosta e acima o céu estrelado nos cobria. Eu sabia uma vista maravilhosa me aguardava se eu chegasse mais perto da encosta.
– Venha cá. – Carlos me levou pela mão até a frente do carro e sentou-se no capô. – Não conte pro Kendall. – Ele me pediu e eu dei uma risada, pegando impulso nas mãos dele para sentar-me ao lado dele. Quando me acomodei finalmente, quase perdi o fôlego ao me deparar com a vista a minha frente. Daquele ângulo, via Los Angeles inteira como uma imensidão iluminada. E o céu, oh, de um azul tão escuro que quase chegava a ser negro. As estrelas pareciam querer competir com o brilho das luzes da cidade. Era tudo tão... Incrível.
– Carlos... Isso é lindo! – Disse maravilhada. Olhei para Carlos sorrindo feito uma boba. – Obrigada por me trazer aqui.
– Eu faria qualquer coisa pra te ver sorrindo assim de novo.
Ainda bem que era noite, senão Carlos veria minha cara mais que vermelha mo cabelo da Barbara. Então voltei a admirar as estrelas por um tempo, até que uma chamou minha atenção.
– Olha, uma estrela cadente! – Exclamei apontando para o céu. – Faça um pedido Carlos!
– Um... Pedido?
– É, rápido! – Falei já fechando os meus olhos pra fazer o meu pedido.
– O-ok... Drianna, quer namorar comigo?
Carlos
Talvez tenha sido uma má ideia. Talvez eu tenha ido rápido demais. Dria me olhava tão surpresa que me fez querer voltar atrás no tempo e nunca ter feito aquela pergunta. Mas... Parecia ser o momento perfeito, e eu pensei que ela quisesse isso tanto quanto eu. Talvez eu estivesse errado.
– Porque você está tão...?
– Surpresa? Assustada? Quer mesmo saber por quê? – Ela levantou e caminhou até a beira da encosta, ficando de costas pra mim e falando para o precipício. – É porque eu pensei que você já tinha desistido dessa historia. Porque você insiste tanto em querer namorar comigo, Carlos? Porque você não consegue ver que é bem melhor assim? Eu não quero te causar problemas por causa de um rótulo besta de namorada. Tudo está muito melhor desse jeito, pra que piorar as coisas?
Custava só dizer não? Levantei e caminhei até Dria, parando de frente pra ela. Eu estava determinado a resolver de uma vez por todas essa situação. Se ela não fosse minha agora, nunca mais seria.
– Não, não é melhor assim... Nós estamos há meses nessa de “sem compromisso”, eu não aguento mais isso. Você sabe que eu sou sincero. Eu quero ter certeza de que você é só minha, Dria. Não é besteira, pode até parecer egoísmo... Mas eu quero poder dizer pro mundo que você é minha namorada, não só uma garota com quem estou “enrolado”. Você é especial pra mim. Eu nunca me apaixonei assim por ninguém, eu nunca nem tive uma namorada! – Ri. – Dria, isso não é uma paixão passageira. Esse sentimento não vai passar, entende? Eu... Eu sinto que... E-eu amo você, Drianna. E eu não ligo a mínima pro que ninguém acha disso.
Ufa. Enfim, falei tudo que estava entalado. Eu estava aliviado, acho que eu nunca fui tão sincero e corajoso na minha vida. Mas ao mesmo tempo preocupado com a reação de Drianna, que apesar de estar muito mais surpresa que antes, parecia ter derretido seu coração de manteiga.
– V-você me...? – Ela piscou algumas vezes seguidas. Eu segurei a mão dela e a levantei na altura dos meus lábios, beijando as costas da mão macia e branquinha. Puxei o ar pra dentro junto com a coragem pra repetir as seguintes palavras.
– Eu te amo.
Drianna
Ai meu deus. Carlos disse que… Me ama? Foi isso mesmo que eu ouvi? Meu deus. Meu deus. E eu… Amo ele também, mas como eu digo isso? Se eu disser agora vai soar muito falso. Uau, que silencio constrangedor. Socorro. O que eu faço?
– E-eu…
Carlos arqueou uma sobrancelha.
– Você?
Vamos cérebro, reaja. Diga qualquer coisa!
– E-eu… Não sei o que dizer. – Certo, eu podia ter dito qualquer coisa, menos isso.
– Só diz pra mim que você vai ser minha namorada. Mas se você não quiser, – Deu ombros. – Não tem problema. Eu não vou mais insistir. – Senti-me um pouco magoada. Eu esperava que Carlos não fosse desistir, mas eu estava errada. Agora parecia que ele não fazia mais questão de me ter. Ou talvez ele só estivesse cansado de esperar para me ter.
– O que você quer dizer com isso? – Perguntei de uma vez por todas.
– Eu quero dizer que se você disser “não”, eu prometo que eu nunca mais toco nesse assunto. Mas aí vai ser como se nunca tivesse acontecido nada entre nós. Vamos parar de ficar juntos.
Arregalei os olhos.
Opa, opa. Tempo! Ficar sem os carinhos de Carlos é covardia. Maldade. É como um vício, ele sabe que eu não consigo ficar sem os seus beijos, sua voz no meu ouvido, seus abraços de urso… É mais do que eu posso aguentar.
Então eu só tinha uma escolha.
– Isso é tão injusto. Você sabe que eu não consigo ficar sem você.
Ele riu fraquinho daquele jeito que eu amo.
– E então, o que vai ser?
Fiquei em silêncio por uns segundos, perguntando-me se era aquilo mesmo que eu queria. Eu tomara uma decisão.
– Sim, eu vou ser sua namorada. – Finalmente aceitei com um sorriso, mas o sorriso que surgiu no rosto de Carlos muito mais largo que o meu.
– Você não está de brincadeira, está?
– Tenho cara de quem está brincando? – Nós rimos um pouco.
– É porque eu estava tão acostumado com seus nãos que… Fica difícil de acreditar. – Sorriu bobo.
Preciso dizer o quanto eu me senti culpa? Acho que não, né? Por um momento e nem soube o que dizer. De novo. Olhei praquela vista maravilhosa, depois olhei pro chão de terra clara. Segurei mais forte a mão de Carlos e só aí criei coragem pra olhar nos olhos dele. O brilho no olhar dele transbordava felicidade.
– Desculpe por ter te feito esperar tanto tempo.
Ele deu ombros.
– Valeu a pena esperar.
Sorrimos feitos bobos um para o outro ao mesmo tempo, e aos poucos nossos sorrisos foram se aproximando até se encontrarem num beijo calmo. Carlos passou os braços em volta da minha cintura e me trouxe pra bem mais perto. Sem demora senti sua língua bater em meus dentes pedindo passagem, que logo foi autorizada. Agora eu estava sendo dopada pela doçura e calor da boca de Carlos. A melhor sensação que existe. Porque eu demorei tanto pra perceber que a melhor coisa que podia me acontecer é virar namorada do Carlos? Eu sou uma lerda mesmo, só ele pra conseguir me amar. Ainda bem.
Quando nos afastamos, percebi que ele me olhava com um sorrisinho de canto. Aquela carinha fazia meu coração derreter.
– Vem. – Ele disse me puxando pela mão. Voltamos pro capô do carro de Kendall, onde nós nos deitamos e eu me aninhei perfeitamente no peito de Carlos enquanto seu braço me envolvia e me segurava bem colada ao seu corpo, aquecendo-me. Deitada daquele jeito via-se inteiramente o céu estrelado. A vontade que dava era de parar o tempo e ficar ali pra sempre. Na verdade, eu nem sei por quanto tempo ficamos ali, só apreciando a noite em pleno silêncio. E foi só eu virar para olhar naqueles olhos negros e brilhantes como aquela noite que eu quis mais ainda ficar ali. Pousei minha mão no rosto dele e o beijei sem pressa, mas Carlos fez questão de retribuir intensamente. Senti-me nas nuvens. O som da lataria do carro amassando com o nosso pés nos fez rir por um segundo ainda com os lábios colados, mas não diminuiu a paixão com que nos beijávamos. Eu tinha a sensação de que podia sentir o que Carlos sentia naquele momento, e acho que ele tinha a mesma sensação. Acho que nunca me senti tão amada desse jeito e acho que nunca amei ninguém como amo Carlos. Finalmente percebi que minha vida não seria completa sem ele.
Quando nos separamos, olhei bem firme nos olhos dele. Agora eu sabia exatamente como falar o que eu sentia.
– Eu te amo, Carlos. Mais que tudo nesse mundo.
Vi o canto de sua boca se puxar num pequeno sorriso sincero.
– Eu te amo muito mais, minha pequena. – Ele me fez sorrir com o apelido que ganhei e me deu um selinho demorado. Logo depois voltei a me aninhar no peito dele novamente.
A verdade é que eu amo Carlos Garcia, e nada nem ninguém vai mudar isso.
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