American Gurls

41 Honeymooners. - Party II


Playlist:

Lies — James Maslow

Rocket — Beyoncé

All the time — Jeremih feat. Lil Wayne and Natasha Mosley



Em algum lugar por entre as ilhas do Caribe.

Jessica

Três dias depois do casamento, embarcamos em um cruzeiro pelas ilhas caribenhas. Ah, mas embarcar no cruzeiro é fácil. Difícil é chegar até ele. Tivemos que atravessar o país de avião até a Flórida, em um voo eterno e com conexões, como se já não bastasse o fuso horário. Quando chegamos no navio, James e eu estávamos mortos. No nosso primeiro dia de lua-de-mel no navio, nós dormimos feito pedras no nosso minúsculo quarto. Acordamos apenas para jantar e conhecer o cruzeiro, que parecia uma cidade sobre a água. Era tudo incrível, mas eu só iria conseguir desfrutar no dia seguinte.

James

– Jessi, amor, acorda. — Eu chacoalhava a minha esposa que dormia feito uma pedra na cama, tentando despertá-la.

– Quié. — Resmungou, enfiando o edredom na cara.

– Estou indo tomar café e depois vou pra piscina, você não vem?

– Te encontro na piscina, tá bom? — Dispensou, com o mal humor aguçado em sua voz sonolenta.

– Então tá... — Achei melhor parar de perturbá-la.

Fui para o restaurante do navio e tomei um café reforçado, enchi o prato do buffet de pães, ovos mexidos, bacon, queijos, frutas e para ajudar tudo a descer pedi vitamina de banana. Não era muito divertido tomar café da manhã sozinho em plena lua-de-mel, mas procurei não me chatear por isso. Jessica devia estar cansada da viagem ainda, logo logo ela estaria disposta de novo. Depois de comer, dirigi-me ao melhor lugar daquele navio.

Uma grande piscina com direito a um trampolim altíssimo se encontrava ao meio e duas piscinas infantis menores ao seu redor, tudo com o mar à vista. Avistei duas espreguiçadeiras vazias e fui até elas. Tirei a camisa, ficando de calção de banho. Porém, quando me sentei e virei para o lado para atirar minha roupa na outra espreguiçadeira, uma garota que eu não sei de onde surgiu deitou-se na cadeira ao lado, no lugar que deveria ser de Jessica quando ela chegasse.

– Se importa se eu sentar aqui? — Perguntou ela, mas não parecia que iria sair se eu dissesse que me importo.

– Na verdade...

De repente aquele rosto me era familiar. Loira, perfeitamente bronzeada e magra, acompanhada de um olhar de desprezo. Uma Jennifer.

– O.M.G. James, é você?! — Ela levantou os óculos escuros e se sentou para me ver melhor, quer dizer, pra me secar da cabeça aos pés.

– Jennifer! Onde estão as outras... Jennifers? Faz tempo que não vejo vocês.

– É, tivemos que deixar Palm Woods às pressas porque conseguimos uma oportunidade imperdível em Milão, mas nos separamos há pouco tempo. Eu precisava brilhar sozinha. Agora, estou tirando umas férias.

Ouvir aquilo de uma Jennifer não era nada previsível. Eu achava que nem no caixão elas iriam se separar.

– Oh. Que bom. — Eu estava prestes a despachá-la do lugar da minha esposa quando ela me interrompeu antes de pronunciar uma palavra.

– Você está tão diferente, James. Parece... Um homem agora. — Disse, com interesse. Quer dizer que eu nunca fui homem? Então eu era agênero? Bacana. — Está tão sol hoje, me ajuda a passar o protetor?

Jessica me atiraria no mar se visse essa cena. E o mar deve estar gelado e cheio de tubarões. Aliás, eu gosto de viver.

– Ahm... Melhor não.

– Qual o problema? Está aqui com a sua namorada?

– Na verdade, com a minha esposa. —Corrigi. Jennifer ficou boquiaberta.

– Você se casou? — Porque essa noticia choca tanto as pessoas? — Isso sim é uma novidade. Ela deve ser uma garota de sorte.

– Acho que eu sou o cara de sorte. Por isso, creio que não vou poder te ajudar. — Falei, atingindo seu ego. Jennifer engoliu em seco.

– Ela não está aqui agora. E aliás, você só estará ajudando uma amiga com braços curtos que não alcança as próprias costas, nada demais, certo?

– C-certo. Mas...

– Toma. — Disse, jogando o protetor solar em minhas mãos. Mentalmente, eu rezava para que Jessica estivesse em estado de hibernação.

Fazia muito tempo que eu não passava protetor nas costas de outra mulher que não fosse Jessica. Ok, não era "oh, traição", mas eu continuava desconfortável porque costumava a usar esse truque várias vezes para conseguir números de telefones, e a eficácia era de 100%, afinal, não é a toa que diziam que eu tinha mãos mágicas.

Jennifer puxou os cabelos para frente e para não sujar o biquíni, o desamarrou atrás, segurando-o na frente com as mãos, afinal topless não era permitido no navio. Aquilo me deixou tão nervoso quanto se fosse um topless. Coloquei uma grande quantidade do creme nas mãos para acabar logo com aquilo, pois minha vida estava em risco. Espalhei sem muita delicadeza nos seus ombros, descendo pela costa nua até os quadris. A todo momento, Jennifer dizia o quanto minhas mãos eram habilidosas e macias. Eu não dizia nada, nem obrigado. As manchas brancas de excesso de produto sumiram, meu trabalho havia acabado e Jessica não havia aparecido. Eu estava a salvo.

Até que uma voz pigarreou atrás de mim.

Jessica

Meia hora depois que James deixou o quarto, me levantei. Eu não podia passar o dia dormindo, havia uma viagem a ser aproveitada. Para agradar James, vesti o biquíni branco que contrasta com a minha pele escura, amarrei uma canga bege na cintura e pus meu óculos de sol. Estava sem fome, então decidi ir direto para a piscina encontrar meu marido.

No entanto, ao chegar lá, não tive a melhor das surpresas. Tive até que levantar meus óculos para ter certeza de que era aquilo mesmo que eu estava vendo. James estava alisando uma garota, quer dizer, passando protetor solar nas costas dela. Que fofo. Mais fofo que isso só o corpo dele sendo dado de comida aos tubarões.

Bufando de ódio, fui até onde James estava. Pigarreei atrás de seu ouvido para que chamar sua atenção. Com o susto, ele se virou, e ao dar de cara comigo, se assustou ainda mais. O sangue fugiu tão rápido de seu rosto que ficou pálido, parecendo um cadáver encontrado num lago.

– Já acabou o showzinho? Acho que as costas dela estão bem protegidas. Ao contrário da sua cara.

– Eu só estava a ajudando, eu juro! — Ele tentou se explicar, protegendo o seu rosto dos possíveis tapas que iria levar.

– James só estava sendo um cavalheiro.

– James só estava sendo um cafajeste! — Corrigi a loira de farmácia, elevando meu tom. — Pensa que eu não conheço esse truque? Inocentemente ajudando as pobres mulheres passando protetor nelas e me dando um par de chifres em troca. — Eu estava a ponto de arrancar a cabeça de James fora de tanta raiva. E a daquela mulher também!

– Não é nada disso, Jessi, eu juro que é verdade. Ela que pediu! — James se levantou, pondo-se na minha frente.

– Pelo amor de Deus, você até desamarrou o biquíni dela! Eu sou tão idiota. Na minha frente você diz que mudou, mas é só eu virar de costas que o velho James volta. — Eu podia sentir o choro preso na garganta. Você não vai chorar na frente de todo mundo, Jessica. Você é forte, você consegue.

– Jessi, me escuta. Não aconteceu nada aqui. Vamos conversar calmamente, por favor, tá todo mundo olhando.

Então vi a loira abafar o riso. Ela tá achando isso engraçado? Ela tá mesmo zombando?!

– Tá rindo do que? Tá me achando com cara de palhaça? — Indaguei, indo até ela. Vi o medo tomar de conta da cara dela, apesar de ela ter uma cara de durona.

– Não tô achando nada, você que tá aí tendo seu ataque de ciúmes sem necessidade.

Naquele instante, James segurou meu pulso delicadamente.

– Jessi... — Falou calmamente, mas com temor em sua voz. Puxei minha mão de volta para que ele não me contivesse.

– Então eu sou a doida?! Eu sou a paranóica!

– Basicamente. Você devia relaxar um pouco e aproveitar uma massagem do seu marido, vai por mim, as mãos dele são mágicas.

Mágicas?! Eu sou a única que pode dizer que elas são mágicas. Atenção, hoje nós serviremos picadinho de vagabunda no almoço!

Voei minhas mãos no pescoço dela em questão de milésimos de segundos. Porém, nem deu pra apertar muito, pois logo James me arrancou de cima dela.

– Me solta! — Ordenei, esperneando.

– Não, enquanto você não se acalmar! Quer que nós sejamos expulsos do navio?!

Olhei em volta. Todos haviam parado para ver "Mulher Ciumenta: O Vexame". Alguns me olhavam como eu fosse uma louca. Parei de lutar contra James, e enfim ele afrouxou os braços em volta de mim. Me desvencilhei e me virei de frente pra ele.

– Você não precisa acabar com a sua viagem por minha culpa, eu vou embora sozinha.

– Como assim, Jessi? — Ele havia entendido bem, mas queria não acreditar.

– Aproveita aí sua lua de mel. — Falei, rapidamente olhando de canto do olho para a loira que continuava aterrorizada. — Idiota. — O tapa que dei um James foi tão bem dado que ouvi ressonar pelo lugar. Algumas pessoas até urraram e bateram palmas.

Sai de lá com a cabeça erguida, mas despedaçada por dentro. Quem estava se sentindo idiota era eu. Coloquei de volta os óculos escuros para que não notassem as lágrimas transbordando os meus olhos.

Quando eu estava prestes a entrar no elevador, James apareceu atrás de mim todo atrapalhado.

– Jessica, por favor, me escuta.

Respondi educadamente com um dedo do meio. Entrei no elevador e rapidamente apertei o botão para fechar as portas.

– Espera! — Por pouco o braço de James não ficou preso. Poxa.

Escorei-me na parede do elevador e me permiti chorar de ódio, finalmente. Ainda bem que estava vazio. Eu estava com vontade de socar tudo, mas reprimi esse desejo.

Corri para o quarto assim que as portas do elevador se abriram. Quando eu entrei, me atirei na cama e enfim descarreguei meu ódio socando os travesseiros e gritando com a cara enfiada deles.

Eu estava sentindo tanta raiva que parecia que eu ia explodir! Raiva daquela garota, raiva de James, raiva de ter feito papel de trouxa e louca na frente de todo mundo. Bem bosta, era assim que eu me sentia.

Ainda bem que a minha mala mal estava desarrumada, pois na próxima ilha que esse navio parar, eu vou embora. Como vou voltar pra casa? Aí eu dou meu jeito. Mas nem que eu tenha que ir nadando.

De repente ouço abrirem a porta. Imediatamente me levantei e agarrei um travesseiro.

– Jessica, você vai ter que me escutar. — Droga, tinha esquecido que James também tem a chave do quarto. Ele se deparou comigo desgrenhada e com o rosto inchado das lágrimas que não paravam de cair. Glamurosa.

– Eu não vou te escutar porra nenhuma! — Atirei o travesseiro nele. Bem na cara, bagunçado aquele cabelo impecável. Fiquei surpresa que ele não tirou o pente do bolso para arrumá-lo no mesmo segundo.

– É sério isso? Vamos brigar desse jeito, feito crianças? — perguntou, incrédulo.

– Quer que briguemos como?! Com eu cortando você em pedacinhos e te jogando aos tubarões? Sem problemas!

James bufou, passando a mão no rosto.

– Não aconteceu nada ali. Eu estava guardando o seu lugar, mas a Jennifer chegou e o tomou sem o meu consentimento e eu não tive escolha quando ela pediu pra eu passar o protetor nela. — Ele explicou enquanto caminhava na minha direção, o quarto era tão pequeno que não tinha por onde escapar, então o jeito foi enfrentá-lo. Aquela história estava muito mal contada.

– Você não acha que já fui feita de idiota o suficiente pra um dia? "Não teve escolha"? Como assim, ela te obrigou a passar o protetor nas costas dela?!

– Praticamente sim!

Eu não acredito que ele realmente esperava que eu fosse cair nessa. Fiquei boquiaberta.

– Vai se fuder. — falei com seriedade, sem desviar e nem piscar os olhos.

– Você está agindo como se tivesse me flagrado transando com ela.

Senti o choro preso na minha garganta de novo só de imaginar James na cama com outra.

– Como se esse não fosse seu objetivo!

– É assim que você confia em mim? — Perguntou, ofendido.

– Depois daquela cena, o que você acha? — Indaguei, cruzando os braços. Não chora agora, Jessica. Não chora.

– Você sabe que eu nunca te trairia! Eu te amo, porra! Eu te amo. — Se James pensou que ia me derreter com seus palavrões e seus olhos de amêndoa marejados, ele se enganou.

– Você é um mentiroso! Uma merda de um mentiroso! — Avancei quase enfiando o dedo na cara dele. — Eu te odeio, eu te odeio! — Comecei a bater com os punhos cerrados contra o peito de James.

– Para com isso! — Ele me repreendeu segurando meus pulsos com força. — Eu não menti pra você!

– Você mentiu sim! Você mentiu sim. — Aos poucos perdi minhas as forças para o choro que me desmoronava. Subitamente, James colou seus lábios nos meus. Tentei fugir, eu continuava com tanta raiva dele, mas ela deixava meu corpo ainda mais quente e acabei me deixando levar. Nosso beijo atingiu intensidade máxima com voracidade. Suas mãos soltaram meus pulsos e desceram até a minha cintura, onde ele segurou firmemente e me ergueu no seu colo, imprensando-me contra a parede no segundo seguinte.

Foi tudo muito rápido. Ainda bem que ele estava já sem a camisa. Não tive pena em deixar várias marcas roxas no pescoço de James enquanto ele desamarrava o nó do meu biquíni. Em seguida, me atirou sem delicadeza em cima da cama e foi tirando seu calção de banho. Também desamarrei a canga e tirei a parte de baixo do biquíni.

James veio com agressividade pra cima de mim, retribuindo a marca que eu deixei no seu pescoço e deixando-as por todo o meu peito. Sem aviso prévio, puxei seu rosto para voltar a beijá-lo. Minha coisa favorita era provocar James. Morder seu lábio inferior, arranhar suas costas sem dó. Fazer ele sentir dor para compensar o ódio que estou sentindo.

Quando James estava prestes posicionar seu membro pra adentrar em mim, empurrei-o pelos ombros e o fiz deitar. Mandei o olhar de que eu estou no comando hoje.

Quebrando o ritmo frenético em que as coisas estavam indo, sentei lentamente em seu membro só para vê-lo enlouquecer. Puxei-o pelos braços para que ele se sentasse e ficássemos cara a cara. Subi e desci devagar até ouvir James reclamar.

– Por favor, Jessi, acho que já sofri o suficiente.

– Eu decido quando você vai sofrer o suficiente, entendeu? — Falei puxando-o pelo queixo para que ele se aproximasse de mim.

– Sim...

– Muito bem.

Suas mãos desceram até meu bumbum para auxiliar no trabalho. Mas eu não permiti e dei um tapa em uma delas. James as colocou de volta na minha cintura imediatamente.

– Eu te odeio tanto. — sussurrei no seu ouvido, mordendo o lóbulo da sua orelha tão forte que eu ouvi ele soltar um "ai". — Seu egocêntrico, insensível, filho da puta.

Comecei a estocar com mais força. Eu não sabia se James gemia de dor ou de prazer. Até que cansei de provocá-lo e comecei a subir e descer mais rápido. Fechei meus olhos pra apenas sentir aquela sensação gostosa e deixar a raiva ir embora, ou apenas se ausentas por alguns momentos. Cravei minhas unhas nos ombros de James para que eu pudesse jogar a cabeça para trás. Sua boca percorria toda a extensão dos meus seios, deixando mais marcas. Droga, que biquíni vai esconder isso tudo depois?

Subitamente empurrei James para que ele deitasse. Cavalguei sobre o seu membro como eu nunca fizera antes. Só pra ele ver o que ele perderia se me trocasse. E pelo visto eu estava me saindo melhor do que eu imaginava, pois ele mal conseguia fechar a boca de tanto que gemia. Eu tentava me controlar mordendo os lábios para não incomodar os outros quartos.

As mãos dele que antes alisavam minhas coxas, acharam as minhas mãos e entrelaçamos nossos dedos. Permanecemos assim até chegarmos ao ápice praticamente ao mesmo tempo. Nossos corpos estremeceram de êxtase juntos.

Atirei meu corpo por cima de James, esgotada. Ele passou a mão sobre o meu cabelo e limpou o suor da minha testa.

– É verdade?

– O que?

– Você realmente me odeia?

Dei uma leve risada.

– Não o tempo todo. Só quando você dá mole pra garotas na piscina.

– Quantas vezes vou ter que dizer que eu não estava interessado nela? É você quem eu amo. É só você que eu desejo todos os dias.

Tirei minha cabeça do seu peito para encará-lo nos olhos e me certificar de que ele estava falando a verdade. É, ele estava sério demais pra estar mentindo.

– Ok. Mas eu ainda estou com raiva.

– E o que eu vou ter que fazer pra você me perdoar? Gritar do alto do navio o quanto eu te amo?

– Isso seria legal, mas... Pensei em algo melhor. — Falei, com um sorriso malicioso. James olhou para mim desconfiado, sem entender o que eu estava querendo dizer.

Mais tarde naquele dia, fiz James usar meu maiô para ir pra piscina. Aquele bumbunzinho branco fez bastante sucesso entre os tripulantes e o rendeu telefones de vários caras. É assim que se faz uma vingança, baby.