American Gurls
10 Flashbacks.
Notas iniciais
Playlist:
Now I can be the real me – Adam DiMarco
Drianna
– Ai. Meu. Deus. O que aconteceu nesse quarto?! Passou um furacão?! – Barbara exclamou ao entrar no quarto que parecia ter sido revirado de cabeça pra baixo. Todas as minhas peças de roupa e pares de sapato estavam espalhados pelo chão e eu apenas de toalha completamente aflita. – Olha, eu já tinha arrumado a bagunça que eu e Logan havíamos feito de manhã, mas agora é você quem vai arrumar tudo isso, ouviu?
– Eu sei! Eu seeei! – Comecei a pular agoniada. – É que eu não consigo decidir o que vestir!
– Primeiro explique-se, por favor. – Pediu em tom de deboche.
Suspirei e passei a mão no cabelo.
– Carlos me chamou pra sair. Eu vou enlouquecer! E pra variar eu não sei o que vestir!
– Ainda não entendi porque você está tão nervosa. Vocês já saíram juntos antes. Várias vezes.
– É, com todo mundo junto para não deixar os paparazzis desconfiados. Mas dessa vez é diferente. Ele me chamou pra jantar. Só eu e ele. Sozinhos. Num encontro! – Dei um gritinho e me joguei de cara na cama. Mas depois me lembrei do que Barbara e Logan haviam feito nessa mesma cama e dei outro grito, levantando num salto e começando a me limpar cheia de nojo com as mãos.
– Ei, eu já troquei os lençóis! E como você faz tempestade em copo d’água, menina! – Bateu com a mão na testa e bufou. – Dria, acorda! É o Carlos, não é nenhum desconhecido. E vocês se gostam. Não tem problema nenhum em sair com alguém que a gente gosta.
– Tem problema pras fãs dele.
– Que se danem! – Jogou os braços. – Dria, escuta uma coisa. – Ela se aproximou e colocou as mãos em meus ombros. – Sempre vai ter alguém que não gosta e ou não apóia. Sempre. Mas você não pode viver em função das outras pessoas. Entendeu?
Ok, como sempre, ela está certa. Pelo menos uma vez na vida eu tenho que fazer alguma coisa sem pensar no que os outros vão achar.
– Entendi. Só que eu ainda não sei o que vestiiiiir!
Barbara riu.
– Deixa que eu te ajudo, doidinha.
Carlos
– Kendall, por favor! – Eu implorava.
– De jeito nenhum! Ficou maluco?! Vá de táxi! – Ele me negou mais uma vez.
– Quê? Porque eu levaria Dria a um encontro de táxi?
– Ei! Eu já fiz isso e não tem nada demais. – Logan se intrometeu ofendido. Kendall e eu ignoramos ele.
– Kendall, por favor!
– Eu já disse, não! Compre um carro pra você.
– Você sabe que não dá. Você pode me emprestar o seu, Kendall, por favor! Eu prometo que ele vai voltar inteiro! – Continuei implorando.
– Ah agora eu estou bem mais aliviado... Não! – Disse na minha cara.
– Ei vocês dois, podem gritar mais baixo? – James pediu enquanto aumentava o volume da televisão. Kendall e eu o ignoramos.
Kendall havia comprado aquele carro pouco depois que a Srta. Knight e Katie haviam voltado para Minnesota, e desde então esse carro virou o bebezinho de Kendall. Ele havia gastado todas as suas economias naquele veículo.
– Kendall, eu te imploro. – Juntei as mãos.
– Vai lavar todas as minhas roupas por um mês? – Chantageou.
– Não sei...
– Então nada feito.
– Eu lavo, eu lavo!
Ele analisou minha expressão desesperada por um momento.
– Ok, toma. – Estendeu a chave pra mim e meus olhos se iluminaram. – Ai meu Deus, o que eu estou fazendo...
– Valeu! – Agradeci tirando a chave da mão dele. – Até mais tarde!
E sai caminhando em direção a porta do apartamento com uma felicidade que não me cabia no peito.
– Carlos. – Logan me chamou do sofá.
– Sim? – Me virei para olhá-lo.
Logan deu uns tapinhas na própria cabeça, olhando pra minha cabeça. Oh, eu ainda estava de capacete.
– Ah!
– De nada. – Ele disse antecipadamente assim que tirei o capacete e o coloquei em cima da mesa.
– Tchau! – Acenei.
– Vai logo, Carlos. – Disseram em coro e eu saí em seguida, dando soquinhos de comemoração no ar.
Desci o elevador para o estacionamento de Palm Woods e dirigi o carro de Kendall até parar bem na frente do prédio Palm Woods. Levou pouco mais de cinco minutos. Vamos confessar que eu não sou o melhor motorista, então todo o cuidado é pouco hoje. Voltei ao saguão e olhei em volta. Dria ainda não estava lá. Olhei para o meu relógio de pulso. 8:03pm. Ok, três minutos de atraso é normal. Porque estou suando? Que droga de nervosismo.
O elevador se abriu e eu quase caí pra trás quando a avistei. Eu achava que isso não era possível, mas Drianna estava mais linda do que o usual. Pisquei algumas vezes e levantei o meu queixo caído com a mão. Aproximei-me dela ainda tremendo um pouco de nervosismo.
– Oi Carlitos. – Ela disse com um sorriso tímido.
– Você está linda. – Foi só o que consegui dizer, e ela corou envergonhada. – Uh, vamos? – Estendi minha mão e ela entrelaçou seus dedos nos meus.
– Claro.
E lá fomos nós caminhando de mãos dadas pelo saguão até o carro na frente do prédio. Lembrei-me dos conselhos que os meus amigos-cães me deram e fui cavalheiro, abri a porta para Dria entrar e depois dei a volta no carro para ir pro banco do motorista.
– Não acredito. Como conseguiu que Kendall te emprestasse o carro dele? – Dria perguntou perplexa assim que entrei e fechei a porta.
– Tenho meus truques. – Disse e mandei uma piscadela, e ela caiu na risada.
– Pegou escondido?
– Antes fosse... Vou ter que lavar a roupa suja dele por um mês. – Confessei enquanto girava a chave pra dar a partida, e Dria gargalhou mais ainda. Ai meu Deus, só a risada dela mesmo pra me acalmar nesse momento. Ok, nada de tensão. Essa não é a primeira vez que dirijo. É só… Manter a calma e não estragar nada pelamordedeus.
Saí da vaga e segui com cautela pela rua que desembocava na avenida principal.
– Então, pra onde vamos? – Dria questionou curiosa.
– O que você acha de pizza? – Perguntei com um sorriso de canto já sabendo a resposta.
– Oh, graças a deus! Pensei que você ia me levar pra um desses restaurantes caros e sem graça.
– Daqueles que servem aquela comida que parece mais uma obra de arte? E que não enchem nem a barriga um passarinho de tão pouco que tem no prato?
Nós gargalhamos juntos.
– Eu sabia que você não ia me decepcionar. – Dria beijou meu rosto como agradecimento. – Afinal, existe coisa melhor que pizza?
– Bolinhos? – Opinei.
– Ah, claro. – Ela disse ironicamente e riu.
Conversamos descontraidamente durante todo o trajeto até a pizzaria. Mas assim que chegamos, Drianna fez uma careta.
– O que foi? – Finalmente perguntei depois de entregar a chave do carro para o manobrista, descer do carro e dar a volta nele para abrir a porta para Dria.
– É uma pizzaria... Chique. – Ela disse quando desceu do carro e olhou em volta, fazendo a mesma careta.
– É, mas... Se não gostou podemos ir para outro lugar sem problemas. – Sugeri rapidamente.
–Não, Carlitos. – Negou com um sorriso. – Vamos ficar aqui, afinal não deve ter sido fácil fazer uma reserva tão em cima da hora. – Disse fechando a porta, e então ela cruzou seu braço com o meu enquanto caminhávamos até a recepção.
– Na verdade, quando se é famoso as coisas parecem vir mais facilmente, sabia?
Dria riu.
– Modesto. – Ela disse com uma pitada de sarcasmo.
O recepcionista nos recebeu sem demora logo que entramos e nos conduziu para a melhor mesa. Ficava na janela, e tinha uma bela vista pro jardim do restaurante. Já acomodados, olhamos o cardápio calmamente e fizemos nosso pedido. Enquanto a pizza média de metade bacon e metade 4 queijos não chegava, conversamos sobre várias coisas. Dria falou sobre Nova York e como o apartamento que dividiu com outras cinco modelos era pequeno, e depois, não me pergunte como, começamos a falar sobre parques de diversão. Até nossa conversa ser interrompida.
– Uh, Drianna? É você?
Drianna
Eu desejei nunca ter virado o rosto para ver quem era.
– O-oi, Allison. – Allison Crow. Pensei que nunca mais a veria em toda a minha vida, mas eu estava errada. Aí está ela, o pesadelo da minha adolescência voltou pra me assombrar.
– Nossa, quanto tempo! Você está irreconhecível com esse cabelo loiro! Está muito melhor que aquele castanho sem graça, viu? – Mal ela sabia que essa era a intenção. – Venha cá! – Disse fazendo abrindo os braços para eu abraçá-la. Contra minha vontade, levantei e a abracei. – Você saiu da escola e nunca mais deu notícias, eu pensava até que tinha morrido! – Riu quando nos afastamos.
– Hum, como está Taylor? – Mudei de assunto.
– Está na mesma, nem queira saber. Lerda como sempre. Mas me fala sobre você! Eu não sabia que frequentava esse tipo de lugar.
Engoli a seco.
– Pois é. – Foi só o que consegui dizer.
– Eu... Te conheço de algum lugar? – Ela questionou Carlos de repente.
– Acho que nunca nos vimos antes. – Ele respondeu honestamente.
– Espera aí... Carlos Garcia? Do Big Time Rush? – Perguntou bem surpresa, e virou-se pra mim em seguida. – Você está saindo com Carlos Garcia? Mas eu pensei que você gostasse do loirinho, o Kendall. – Alfinetou.
– Mas ela está comigo agora. – Carlos revidou.
– Nossa, como você conseguiu? – Ela riu.
– Nós somos só amigos. – Informei, e vi o rosto de Carlos entristecer.
– Oh... – Ela lamentou falsamente.
Olhei pro chão, procurando um lugar pra enfiar minha cabeça. Olhei pros lados, procurando um lugar pra fugir. Em vez disso, avistei sentado numa mesa não muito longe da nossa, Daniel Duvall, o ex-capitão do time de futebol da escola, olhando para nossa direção um pouco impaciente.
– Acho que Daniel não gosta de ficar sozinho. – Comentei.
– Ah, sim, mas eu tinha que vir aqui falar com você. Vamos sair qualquer dia desses, ok? Que nem nos velhos tempos. – Ela me abraçou. – Foi ótimo te ver. Até outro dia, querida!
Assim que ela se distanciou, sentei no meu lugar, cansada psicologicamente. Relembrar de tudo que aquela cobra fez pra mim... Dava-me náuseas. Não consigo acreditar que um dia pensei que ela fosse realmente minha amiga. E como ela teve coragem de vir falar comigo? Urgh! A minha vontade era de ir lá e arrancar cada fio de cabelo loiro oxigenado da cabeça daquela víbora.
– Está tudo bem? – Carlos perguntou preocupado.
– Sim, sim. – Menti descaradamente.
– Não é o que parece. Quem era ela? – Perguntou segurando minha mão por cima da mesa.
– Allison, nós estudávamos juntas. Éramos... Melhores amigas. Ela, Taylor, e eu. Até que... – Parei, refreando as lembranças.
– Até que...?
– Nós brigamos. Na verdade, Allison e eu brigamos. Desde então nunca mais a vi. – Eu nunca mais quis vê-la.
– Sinto muito.
– Não sinta, foi melhor assim. Senão só Deus sabe como eu estaria hoje.
Depois disso não dissemos mais nada. Eu não queria contar o motivo da briga, e nem também que foi por causa dela que eu pintei o cabelo e comecei a me arranhar. Preferia manter tudo aquilo em segredo, pois lembrar da noite em que tudo isso aconteceu era torturante. Parecia que o mundo inteiro havia resolvido conspirar contra mim justamente naquela noite.
Era julho do ano passado. A relação de amizade entre mim e Allison não ia nada bem. Ela sempre me colocava pra baixo com brincadeiras “inocentes”, apontando meus defeitos sempre que podia desde antes das férias começarem. Sempre se achou a líder de tudo, para ela, todos éramos seus escravos. Mas naquela noite... A noite da festa do pijama onde Allison convidou as garotas mais populares do colégio para sua humilde mansão, eu não aguentei mais.
O papo era sempre o mesmo: Garotos. Naquela época eu ainda era platonicamente apaixonada por Kendall, e é claro que Allison fez questão de me alfinetar.
Flashback on
– Nossa, que ridículo! Você ainda é apaixonada por esse cara? Por um acaso você não se enxerga, não? Ele é famoso, Drianna, acorda! Ele pode ter quem ele quiser, porque ele iria querer uma magrela sem graça que nem você? Olha pro seu cabelo, olha pra sua cara e dá uma olhadinha no seu corpo de tábua de passar roupa. Volta pra realidade querida! – E ela riu. Riu como nunca havia rido antes, e fez com que todas no quarto rissem de mim junto com ela, menos Taylor, que me olhava com compaixão. Como se dissesse: Vá.
Não pensei duas vezes. Levantei, peguei minha bolsa em cima da cama e saí daquele lugar o mais rápido que pude. Eu não conseguia mais evitar as lágrimas enquanto descia as escadas tropeçando. Quando cheguei à porta da frente ouvi a voz da mãe de Allison perguntando-me para onde eu ia. “Pra longe daqui”, eu queria responder, mas eu não disse nada. Apenas saí. Corri pelo jardim e pedi urgentemente que o porteiro abrisse o portão pra mim. Ele abriu e eu corri. Corri em direção a minha casa, que era a umas cinco quadras dali, e eram pouco mais de onze da noite e as ruas estavam desertas. Eu estava cansada, de pijama e em prantos. Sentia-me humilhada. Um lixo. Um objeto descartável. Meu peito doía. Como Allison pode fazer isso comigo? Logo eu, que sempre estive do lado dela desde a 7ª série! Acho que o desejo de ser sempre a melhor em tudo a fez querer passar por cima de todos que estavam a sua volta. E eu fui quem mais sofri com isso. Tem como ficar pior?
Então começou a chover.
– Era só uma suposição, não um desafio! – Reclamei para os céus, enquanto sentia as gotas pesadas d’água a atingir meu rosto e se misturarem com minhas lágrimas. Agora, além de tudo, eu estava completamente encharcada. Que ótimo! Como eu vou explicar tudo isso pros meus pais? Nossa, que noite perfeita, hein.
Flashback off
Lembro-me de quando cheguei em casa. Eram pouco mais de meia noite, e eu estava acabada. Em vez de ser acolhida por meus pais, levei a maior bronca da minha vida. Irresponsável, dissimulada, maluca, inconsequente, burra e muitas outras coisas que eu não consigo me lembrar agora. Eu estava de castigo até a maioridade, e ia ficar sem festa de 16 anos. Quando subi pro meu quarto, chorei até meu corpo inteiro começar a doer.
E foi quando eu me arranhei propositalmente pela primeira vez.
O garçom finalmente chegou com a pizza, despertando-me dos meus pensamentos. Comecei a comer em pleno silêncio, Carlos obviamente já havia percebido que eu estava estranha. Mas eu não podia evitar. Minha mente começou a relembrar dos dias seguintes àqueles.
Dias depois da briga, meus pais não falavam mais comigo. Olhavam pra mim sempre com o mesmo olhar de decepção, como se eu fosse a pior filha do mundo. Ou então nem olhavam pra mim. Era como se eu fosse uma estranha naquela casa. Eu me arranhava, vomitava e chorava no canto do meu quarto quase todas as noites. Eu já tinha planejado fugir de casa, mas nunca criava coragem praquilo. Então, um dia, recebi uma ligação de Barbara.
Flashback on
– Alô. – Eu disse ao atender.
– Oi Dria, sou eu.
– Oh, oi Barbara. – Tentei não demonstrar a tristeza que pairava em meu tom de voz, mas foi inevitável.
– Eu e os garotos estávamos pensando se você não quer vir pra cá. – Sugeriu alegramente.
– Ah eu não sei. Acho que prefiro ficar em casa. – Menti.
– O que é isso? Você é sempre tão animada. O que custa vir para cá? – Bufei, ela tinha que me convidar justo hoje? – Carlos disse que sente sua falta.
– EI! – Ouvi a voz de Carlos gritar do outro lado do telefone. – Ela não deveria saber disso. – Os garotos riram e eu não pude evitar e ri um pouco também.
– Ok, eu vou, mas eu não vou dormir ai. – Menti no fim da frase.
– Ótimo!
– Eu chego ai lá pelas quatro da tarde. – Eu disse já tentando planejar como eu iria fugir de casa a essa hora.
– Certo. Tchau Dria.
– Tchau. – Desliguei. Depois disso, pus em prática meu plano de fugir. Arrumei minhas coisas na minha mala e esperei meus pais irem tirar a soneca depois do almoço, o que não demorou muito. Fugir em plena luz do dia era arriscado, mas eu não podia mais esperar. Porém, quando eu estava saindo, fui surpreendida.
– Aonde você pensa que vai com essa mala? – Perguntou minha mãe.
– Vou embora dessa casa.
Ela me olhou como se eu fosse completamente pirada e cruzou os braços.
– Você enlouqueceu?
– Não. Ficar aqui é que está me enlouquecendo! Eu não aguento mais. Adeus. – Falei saindo e fechando a porta com força. Quando cheguei na calçada, ouvi minha mãe gritar.
– Você não tem pra onde ir, Drianna! Vai ficar uma noite na rua e depois vai voltar correndo pra cá. – Ela estava na janela olhando furiosa pra mim.
– É aí que a senhora se engana! Eu tenho sim pra onde ir. E pode ter certeza que eu nunca mais piso os pés neste lugar. – Disse eu continuei a andar. Ela continuava a me gritar, mas eu já não ouvia mais. Eu estava determinada.
Flashback off
Depois daquilo, fiz uma loucura. Como eu não queria ver mais nenhuma daquelas pessoas em toda a minha vida, e nunca mais queria ser vista, fui ao salão de beleza mais próximo e mudei a cor do meu cabelo. Gastei parte do dinheiro que eu tinha com aquilo, eu havia detestado meu cabelo loiro, mas pelo menos eu estava irreconhecível. Nem deixei a cabelereira secar meu cabelo, apenas amarrei-o num coque alto e saí. Enfim, depois de tudo segui meu caminho para Palm Woods. E lá eu seguirei minha vida.
– Você está tão quieta. – Carlos quebrou o silêncio. Eu parei de olhar pro meu prato e olhei pra ele, dando um pequeno sorriso falso. – Tão quieta que está até me assustando.
– Não é nada. – Disse, terminando de comer meu terceiro pedaço de pizza.
– Dria, eu te conheço. O que foi?
– Nada, Carlos. – Respondi mais friamente. Ele suspirou e chamou o garçom, pedindo a conta. Depois que ele pagou, nós nos levantamos e eu acidentalmente olhei para a mesa de Allison. Ela me olhava com um sorriso cínico e até acenou para mim. Eu apenas virei o rosto e saí com Carlos, rezando para nunca mais vê-la em toda a minha vida.
Carlos
Maldita seja essa tal de... Allison. Depois que ela apareceu, Dria ficou tão séria que eu fiquei preocupado. O jantar havia sido um fiasco, mas pelo menos Drianna estava comigo. Enquanto eu dirigia pela avenida, senti meu celular vibrar no bolso, e assim que parei no sinal eu o peguei para ver o que era. Uma mensagem de Kendall.
“E então, como vai o jantar?”
Suspirei. Como descrever? Eu estava ao lado de uma garota linda, mas abalada demais pra aceitar um pedido de namoro.
“Foi péssimo. Uma ex-amiga de Drianna apareceu e deixou ela muito pra baixo. Não consegui achar o momento certo pra perguntá-la, ela parece muito abalada.” Respondi, e alguns minutos depois recebi uma resposta.
“O James disse pra você lavá-la pro mirante, lá vocês conversam e vai que rola alguma coisa”
“Pro mirante? Mas não é meio... Longe?” Perguntei.
“É, só não vai jogar meu carro lá de cima!” Respondeu, e eu ri.
– Carlos, o sinal abriu. – Dria me informou e eu logo guardei o telefone no bolso. Segui reto por alguns metros e tomei o retorno mais à frente. – Uh... Palm Woods é pra lá. Pra onde você está me levando?
– Você vai ver.
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