Notas iniciais
Olá meus fantasminhas! Demorei com esse capítulo porque ele foi muito difícil de fazer e olha que tô planejando ele desde o início. Eu fiz tipo 3 rascunhos diferentes de como ele ocorreria, mas nenhum parecia certo. Até que esse saiu, ainda não sei se está impactante o suficiente, mas eu dei meu máximo, apesar de ele ter ficado pequeno. Por isso queria mais que nunca que vocês me dissessem o que acharam, por favorzinho! E também queria que não me matassem por causa hehehe. Enfim, espero que gostem, xoxo!

Playlist:

Homewrecker — Marina And The Diamonds

Back To Black — Amy Whinehouse

Immortal — Marina And The Diamonds

No corredor, parei a minha enorme mala. Estava tudo pronto para eu dar o fora desse país antes que não fosse mais possível. Depois que Barbara e Logan foram embora do meu apartamento hoje, apertei tudo que eu tinha dentro de uma bagagem. Agora, só faltava eu fazer uma coisa antes de ir. Caso não eu não consiga fugir, mesmo assim vai valer a pena. Arrumei as luvas de couro em minhas mãos e girei a maçaneta do 2H sem me importar em bater.

– Boa noite, pombinhos. Perdoem a interrupção, mas vim aqui me despedir de vocês.

Logan estava com o notebook na perna e Barbara estava ao seu lado no sofá. O susto que tomaram ao ouvir minha voz e ver que era eu me fez rir inevitavelmente. Em seguida, abaixei o lenço que cobria minha cabeça e tirei meus óculos escuros para que me vissem melhor.

– O que você tá fazendo aqui? Cai fora! — Ordenou, levantando-se de imediato e vindo até mim, mas Logan veio logo atrás dela e a parou. Mesmo notando que ela estava entrando na defensiva, caminhei tranquilamente até ela.

– Espera, você disse se despedir? — Logan indagou.

– Vou embora de Palm Woods hoje. Ou melhor, vou deixar os Estados Unidos.

– Você não vai a lugar nenhum. Você vai ficar aqui e pagar por tudo que fez na cadeia, pois ainda hoje Logan e eu vamos dar queixa contra você na polícia, logo depois de vazar aquele áudio, lembra? — Disse Barbara, com os dentes cerrados. Logan passou a segurá-la pelo braço.

– É mesmo? Parabéns. Mas é você quem vai me impedir fugir? — Indaguei com desdém.

– Pode apostar que sim. — Ela tentou avançar novamente. Então, meti a mão na minha bolsa e de lá tirei uma faca longa e afiada. Barbara recuou tão imediatamente que foi cômico.

– Acho que prefiro apostar que não. — Retruquei, passando o dedo delicadamente na parte não cortante da faca, admirando o reluzir do aço.

– Camille. Larga isso. Alguém pode se machucar. — Alertou Logan.

– Acho que esse é o ponto, né? — Falei, rindo ironicamente. O rosto deles estava pálido de medo como uma folha de papel.

– Você não teria coragem. — Barbara debochou.

– Quer mesmo pagar pra ver? — Perguntei séria dessa vez. Aproximei-me, mas ela recuou novamente.

– Isso seria estupidez, você vai acabar sendo presa se fizer algo. — Barbara tentou argumentar, mas em vez disso me fez rir.

– Mas não é isso que vocês querem? Se eu vou ser presa de uma forma ou de outra, o que eu tenho a perder?

– Você só encosta nela por cima do meu cadáver. — Logan se posicionou na frente da sua namorada. Perfeito.

– E quem disse que eu quero matar que ela morra? Ok, eu quero que ela morra. Mas eu prefiro muito mais que ela sofra. Se eu matá-la, você vai arrumar outra de novo e me fazer sofrer de novo. Mas eu não vou deixar isso acontecer. Se você não vai ser meu, Logan, não vai ser de mais ninguém!

Ódio era a única coisa que eu sentia, dominava todo o meu corpo. Ergui a faca em direção a Logan agilmente, mas ele conseguiu segurar meu pulso no ar. Não fui tão ágil quanto imaginei.

– Camille, para! Você enlouqueceu completamente! — Dizia Logan, tentando me fazer soltar a faca. Mas eu não ia desistir, por mais que ele pressionasse meu pulso com toda a sua força.

– Vamos fazer ao menos um acordo! — Barbara sugeriu com desespero.

– Não faço acordos com você. — A adrenalina alimentava minha sede de vingança.

– E se... Logan e eu não te entregarmos pra polícia e não mostrarmos esse vídeo ao mundo?

– Proposta tentadora, mas não, obrigada. Eu ainda teria que ver carinha feliz de vocês dois todos os dias e isso é pior que a prisão. Já disse que não tenho mais nada a perder. Então vou fazer o que eu vim aqui fazer e vou fugir. Se eu não conseguir sair do país a tempo, pelo menos terei comigo o alívio de ter ver morto. — Confessei, olhando nos olhos de Logan. Conseguia ver a confusão em sua expressão dura.

– Ainda hoje você disse que me amava. — Logan relembrou.

– E eu não estava mentindo. Mas fazemos loucuras por amor, não é? Sim, eu vou ficar triste por te perder, mas te perder para a morte é menos doloroso e humilhante que te perder para outra pessoa. E ver Barbara sofrendo vai ajudar a compensar a dor dessa perda.

Os dois estavam em choque com as minhas palavras. Patéticos. Aproveitei a distração e chutei Logan entre as pernas, fazendo-o desabar de dor no chão. Era a minha chance, ele estava vulnerável. Porém, foi tudo muito rápido. Antes que eu sequer pensasse, Barbara se atirou em mim para que eu não chegasse a ele, entretanto, minha impulsividade foi ágil, e possivelmente fatal.

Houve o grito. No segundo seguinte, soltei a faca, assustada, pois ela ficou encravada no abdômen de Barbara. Estávamos cara a cara. Ela me olhava com olhos arregalados e a boca entreaberta, como se fosse gritar mais, porém nenhum som saia de sua boca. Ela então olhou para baixo e viu a faca em seu corpo. Recuei, ainda absorvendo o que eu havia feito. Barbara tratou de retirar ela mesma o objeto de seu abdômen de uma vez só, arfou de dor quando o fez, e só depois desabou no chão de joelhos, sentado sobre seus calcanhares.

– BARBARA! — Logan exclamou, com sua voz falhando ao sair, tentando se levantar.

Eu não havia notado que eu estava paralisada assistindo a poça de sangue se formar ao redor de Barbara. Uma euforia tomou de conta do meu corpo. Meu coração batia acelerado, forte. Matar Barbara não estava nos meus planos, mas não importava. Aquela sensação era horrorosamente... incrível.

Pisquei algumas vezes para lembrar de que eu ainda tinha que prosseguir com o objetivo inicial. Abaixei-me para tirar a faca das mãos dela. Mas... Quando ergui a cabeça para procurar por Logan, ele estava de pé de frente para mim. Achei que aquela era a minha chance, mas eu estava enganada. Logan chocou o vaso em suas mãos contra minha a cabeça.

Barbara

Tudo passou a ser um borrão na minha mente. Imagens turvas, corridas eram o que eu conseguia processar. Os sons se tornaram distantes, como ecos.

Dor. Os olhos frios de Camille. A faca em minhas mãos. Tontura. Sangue. O vaso quebrando. Camille no caída no chão. Mais sangue. Gritos de socorro. Pessoas e choros. "Fique acordada, Barbara!". Mais tontura. Mais pessoas chegando, porém pessoas fardadas. Eu estava sendo carregada por uma delas. Corredores e correria. Rua. Sirenes muito altas. Muitas pessoas, fardadas e não fardadas. Maca branca e ambulância. Calmaria.

Os sons estavam cada vez mais longe. Logan segurava a minha mão. "Continue acordada, por favor". Mas o sono me puxava. Logan começou a cantar uma música bonita, mas que eu não conseguia identificar. "Canta comigo, amor". Logan chorava, mas continuava cantando. A doce voz dele me embalava para um sono profundo. Mas eu não podia dormir. Talvez, se eu só cochilasse, acho que ninguém ia notar. Fechei os olhos. É só um descanso pra fazer passar a dor que lateja...

Então cenas passaram como flashes na minha cabeça. A despedida da minha família quando eu estava prestes a ir embora do Brasil, sem saber que eu não iria retornar, se voltasse seria só como visita. A tarde que vi Logan pela primeira vez na frente da lanchonete. O momento em que eu soube que ganhei o papel principal em American Gurls. O dia em que coloquei os pés em Palm Woods pela primeira vez. Também quando eu coloquei os olhos em Logan pela segunda vez. Nosso primeiro encontro. Nosso primeiro beijo. Tudo começou ali. Todas as imagens mostrando momentos que me marcaram durante esse tempo em que vivi aqui passaram correndo.

Até que eu me vi sozinha. Não havia mais sangue, ambulância ou choro. Eu estava em Palm Woods, na entrada do saguão.

– Mãe!

A voz de uma menina chamou minha atenção. Procurei de onde ela vinha, mas não a achei de maneira alguma. A criança continuava me chamando, e eu continuei a seguir sua voz que ia se afastando. Quando cheguei ao parque, enfim a encontrei. Lá estava ela parada, olhando para mim. Devia ter seus cinco anos de idade, possuía uma pele branca de porcelana, longos cabelos negros e lisos, com covinhas em suas bochechas iguais às de Logan e olhos de esmeralda, como os meus. Ela me pegou pela mão e eu a deixei me conduzir até o gramado, onde Logan estava nos esperando sobre uma toalha quadriculada com diversos sanduíches, frutas e sucos. A menina correu para os braços de Logan e ele a encheu de beijos, abraços e cócegas.

Sentei-me ao lado de Logan na toalha. Havia uma paz em seu semblante que eu não via há tempos. Ele entrelaçou seus dedos nos meus e beijou a costa da minha mão.

– Quem diria? Nós somos a família mais feliz do mundo. Você me faz ser a pessoa mais feliz do mundo. Eu te amo tanto, tanto... — Eu estava prestes a dizer o mesmo a ele. Porém, a cena começou a se distanciar, e distanciar, distanciar... Até ficar tudo escuro novamente.

Ao fundo eu ouvia Logan me implorar para não deixá-lo. Mas eu não vou a lugar algum, porque eu o deixaria? É só um cochilo.

Só... Escuridão.