American Gurls

15 Clearing Up.


Notas iniciais
Oi gentee! Vocês viram a capa nova? Viram? Se não viram, vão ver! E agora, viram? O que acharam? Só pra deixar claro que tem duas fotos da Barbara, da Dria, da Jessica e a Camille e a Jo só tem direito a uma foto muahahahaha.
Espero que não morram no meio do capítulo pois ele está ENORME. Desculpem-me, não foi minha intenção (talvez). Ah, e uma coisa que eu esqueci de dizer nas notas do ultimo capítulo: Vamos só fingir que é facil viajar de um país pro outro, ok? Só fingir, pelo bem da fanfic.
E genteeee, um anúncio: Pra ser sincera eu estou realmente cansada desse negocio de playlist, e não tem nenhuma musica que se encaixe nesse capítulo quilometrico, então A PARTIR DE HOJE só vai ter música nos capítulos que eu achar que merecem ter música, ok? Ufa, que bom que eu tomei essa decisão. É chato ficar procurando música.
Neste capítulo as FALAS em português estão todas cobertas em itálico, não só uma parte.
Enfim, tenham uma boa leitura! Eu deixei de viajar com os meus pais só pra postar esse capítulo.
Xoxo!

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– Então, eu... Posso ficar? É só por enquanto, prometo que não vai ser por muito tempo. – James pediu assim que nos afastamos do abraço.



– OK... Só não sei se meus pais vão gostar de um fugitivo estrangeiro na nossa casa. – Eu brinquei e ele riu do meu sarcasmo. – Abri passagem para James entrar de novo com a sua mala. Eu estava comemorando internamente por meus pais não estarem em casa, eu não estava com clima pra explicar nada agora. Eu o mostrei onde era o quarto de hóspedes, que há muito tempo estava inutilizado. Senti um alivio por minha mãe ser a pessoa mais higiênica e ordeira que conheço, pois o quarto estava um brinco. Era tudo bem simples, tinha um pequeno armário vazio, uma bicama de solteiro com uma escrivaninha ao lado, uma janela que tampava perfeitamente a passagem de qualquer luz com as cortinas escuras, e um banheiro.

– Não é hotel 5 estrelas, mas está bem arrumadinho.

– Está ótimo, Jessi. Valeu por me deixar ficar. – James agradeceu com um meio sorriso que só me fez sorrir também. Ele colocou a mala num canto e antes que ele a abrisse, eu avisei:

– Mas não desfaça a mala, esqueceu que eu ainda não falei com os meus pais sobre isso?

– Ah é. – Ele torceu a boca. Ficamos em silêncio por um tempo, e eu resolvi sentar-me na cama. Escorei minha cabeça na cabeceira e abracei o travesseiro fofinho, em seguida e dei um tapinha no colchão para que James sentasse também. Ele sentou-se de lado com as pernas pra fora da cama, relativamente longe de mim, e eu olhei pros meus pés procurando o que dizer. Eu odiava quando James e eu ficávamos em silêncio, pois era como se houvesse um turbilhão de coisas que deveriam ser ditas, mas nenhum de nós dois queria falar.

– James – Chamei sua atenção e ele reagiu virando o rosto para olhar pra mim. – Eu queria dizer que estou muito feliz por você estar aqui. Eu nunca iria imaginar que você faria uma loucura dessas. – Ri, e acabei contagiando-o com a minha risada.

– Bem, eu sempre tento proteger aqueles que amo. – James disse com o peito estufado, e eu dei uma risada tímida. Ficamos alguns segundos calados nos olhando com olhos brilhando de felicidade, e acabei sem querer me perdendo naqueles olhos. James estava tão diferente agora, nem parecia mais o James de um ano atrás. E havia alguma coisa nele que me deixava admirada, fascinada. Talvez não fosse só alguma coisa, talvez tudo nele me deixasse assim. Talvez eu me importe com ele mais do que eu devia, mais do que ele nunca pudesse imaginar. Não, não, não, não, não. O que eu estou pensando? O que é isso? Ai, agora minha cabeça está uma bagunça. Porque James provoca essas sensações estranhas em mim? Urgh! Isso não está certo. E é melhor eu falar alguma coisa antes que ele perceba minha aflição.

– Jessi, está tudo bem? – Droga, tarde demais. – Você parece meio... Tensa.

– Eu estou ótima. – Afirmei rapidamente e me levantei. – Aposto que você está com essa roupa desde madrugada e está morrendo de fome, não é?

– Com certeza. Comida de avião é horrível. – Ele confessou fazendo uma careta.

– Eu sei. Então toma um banho e que eu vou preparar alguma coisa pra você jantar, ok?

– Ok.

Desci pra cozinha e coloquei a sobra da lasanha do almoço pra esquentar no microondas, e só depois de 10 minutos James apareceu na cozinha com o cabelo molhado jogado pra trás, a toalha nos ombros e vestindo uma camisa xadrez e uma bermuda. Eu já tinha percebido que o James era gato, mas... É impressão minha ou ficou mais quente aqui?

Pisquei algumas vezes e me concentrei em servir o prato dele. E ele comeu toda a lasanha como um animal, aquilo sim era uma fome! Claro que eu ri dele todo sujo de molho bolonhesa. James lavou a boca e nós fomos pra sala assistir televisão. Eu procurei por alguma coisa legendada passando, para que James pudesse entender também, óbvio, e estava passando Amizade Colorida. Nós gargalhamos até nossas barrigas doerem porque aquele filme nos lembrava muito de Carlos e Dria, principalmente em algumas cenas, menos a parte do sexo né, pois os dois provavelmente levariam muito tempo para chegar nesse nível da relação. James e eu concluímos que os dois são tão inocentes quanto uma criança e que eles nem deviam saber pra que “aquilo” servia! Enfim, conversa vai, conversa vem, James comentou até sobre algumas amizades coloridas que ele teve ao longo de sua vida amorosa conturbada só para não perder o costume, e eu também pra não perder o hábito brinquei xingando-o de aproveitador e safado, e claro que ele se vingou de mim... Quase me matando de cócegas. Nossa noite foi super divertida. Fazia tempo que eu não me sentia tão bem e confortável ao lado de alguém. E confesso que a presença de James aqui estava fazendo tudo ficar melhor.

De repente houve um barulho na porta, ruído de chave destrancando a fechadura.

– Minha mãe. – Foi só o que disse, e a única coisa que eu consegui fazer nos dois segundos seguintes foi mudar o canal do filme para um de notícias enquanto James imediatamente pulou pra outra ponta do sofá bem longe de mim. Droga, como foi que eu esqueci que a minha mãe possuía uma copia da chave? E o pior de tudo é que a porta de entrada é bem na sala, então ela teria uma ótima recepção.

Jessica, pensei que você estivesse dormindo, meu amor... – Mamãe disse assim que entrou e fechou a porta, mas quando se virou alegremente para olhar para mim, seu sorriso deu lugar a uma expressão que não dava pra entender direito porque as luzes estavam desligadas, e a televisão não ajudava muito.

Oi mãezinha... – Forcei uma voz doce e meiga. Minha mãe nem se preocupou em me responder, ela só esticou o braço e apertou o interruptor na parede que acendeu as luzes. Ela olhou pra mim e depois para James, e depois para mim de novo. James estava mais branco que um papel e paralisado feito uma rocha.

Hum, quem é o seu amigo?

– Uh... – Levantei e fiz um sinal com a cabeça para James se levantar também, ele me obedeceu aproximando-se da minha mãe e estendendo a mão para cumprimentá-la. Ela não parecia querer cumprimentá-lo. – Mãe, esse é o James, aquele meu amigo dos Estados Unidos. James, essa é a minha mãe que não entende nada de inglês. – Falei pausadamente para que ele ficasse mais aliviado, mas parece que eu não havia ajudado. Minha mãe finalmente apertou a mão de James e os dois se distanciaram. Perguntei-me se as bochechas de James não doíam com aquele sorriso forçado. A expressão da mamãe era tão enigmática que eu não sabia se ela havia entendendo numa boa ou estava mais confusa que nunca.

Seu amigo americano? E o que ele faz aqui tão longe de casa? – Ela perguntou calmamente olhando para James como se ele pudesse compreendê-la, o que definitivamente não estava acontecendo. Pelo visto eu vou virar uma tradutora.

Suspirei, tentando achar as melhores palavras pra explicar que meu amigo dos Estados Unidos iria passar alguns dias aqui. Talvez ela surtasse, ou só desse um prazo pra ele ir embora, só sei que eu estava com um pouco de medo, mas pelo visto vou ter que dar meu jeito para fazê-la entender. Ai, ai, só o James mesmo pra me meter nessas maluquices. E eu não podia dizer pra ela que o James veio correndo pra cá assim que soube o que... Ele havia feito comigo. Eu tinha que inventar uma desculpa rápido, pois minha mãe cruzou os braços já impaciente e o James me olhava desesperado com aquele sorriso falso.

Uma ideia me veio finalmente à cabeça.

James teve uma briga terrível com a banda dele a única pessoa que ele podia recorrer era eu. – Falei rapidamente antes que aquilo me fugisse dos pensamentos.

– Você? Mas e a mãe dele?

– Oh, a mãe dele... Ela vive viajando! Nunca para em casa, ela é dona de uma empresa famosa de cosméticos. E além de tudo nós somos melhores amigos. – Sinceramente acho que nunca inventei uma mentira tão rápido na minha vida.

– Melhores amigos, é? – Ela continuou desconfiando irritantemente, e eu rolei os olhos, começando a ficar de saco cheio.

– Ele pode ficar aqui ou não, mãe? É só por uns dias, só até a situação lá se acalmar.

– Ficar aqui? Ai, ai, ai. Seu pai não vai gostar nada disso, você sabe. Porque seu amigo não fica num hotel?

– Porque se a questão fosse ficar num hotel, mãe, James nem teria viajado o continente inteiro só pra me pedir ajuda. – Por um momento fiquei impressionada com a minha capacidade de mentir, tanto é que minha mãe ficou em silencio depois do que eu disse. Ela torceu a boca e desfez seu olhar desconfiado.

Ele pode ficar. – Dei um soco no ar pronunciando “Yes”, olhei para James e o sorriso dele não parecia ser falso agora. – Mas quando seu pai voltar você vai explicar toda essa história, ouviu? Eu não quero me meter nisso.

– Claro! Muito obrigada, mãezinha. – Abracei-a e dei um beijo em sua bochecha, e ela acabou cedendo um sorriso. James agradeceu a minha mãe com outro aperto de mão e um “obrigado” em português com um sotaque fortíssimo, mas muito fofo. Eu ri e o levei lá pra cima. Fomos para o quarto que James iria definitivamente ficar por alguns dias e ficamos sentados no chão abaixo da Janela aberta, escorados na parede e sentindo a brisa fria entrar enquanto ríamos e conversávamos besteira como sempre.

Após um tempo senti o sono chegando devagar, então bocejei e encostei minha cabeça no ombro largo de James. Eu honestamente não queria dormir, queria ficar a noite inteira ali com ele jogando conversa fora, gargalhando das histórias que ele me contava, uma mais maluca que a outra. Este era um daqueles momentos que eu não trocaria por nada nesse mundo.

Perguntei as horas e James tirou seu telefone do bolso para checar. Ele ajustou para o fuso horário brasileiro e vimos que já eram mais de dez horas da noite. Então de repente comecei a achar estranha uma coisa: Se James veio pra cá em segredo, porque será que ninguém sentiu falta dele lá em Los Angeles até agora? Quero dizer, só o que ele mencionou foi que somente Carlos e Barbara sabiam. Nem sei por que comecei a pensar nisso, mas acabei notando que desde que chegou não vi James passando nenhuma mensagem, fazendo ou recebendo nenhuma ligação. Estranho, né?


Barbara

– Eu desisto! Logan e eu já procuramos o James no saguão e na área da piscina, e ninguém o viu. Depois a gente se separou e eu procurei no apartamento de todas as garotas bonitas de Palm Woods. Nada de James! – Disse Kendall adentrando no apartamento exausto.

– E eu... – Logan apareceu logo atrás dele, parando sua frase ofegante para puxar ar, parecia infinitamente mais exausto de Kendall. Brilhava de tanto suor e se apoiava na porta para não cair no chão. Corri pra cozinha para pegar um copo de água com gelo para ele. – Procurei pelo parque, estacionamento e... – Tomou mais um pouco de ar. – Rocque Records. Nada de James também. – Ele finalmente conseguiu terminar, indo calambeando até a mesa para se sentar. Fui até ele entregá-lo o copo d’água e ele bebeu desesperadamente e ainda mastigou o gelo. Coitadinho do meu namorado.

– Ah, isso tá ficando muito estranho, sabia? – Kendall disse cruzando os braços, completamente intrigado com aquela situação. – Carlos, você não teve nenhuma noticia do James?

– Uh, eu tentei ligar pra ele o dia inteiro, mas só caiu na caixa postal. – Carlos respondeu do sofá sem tirar a atenção da partida de videogame que jogava com Drianna desde cedo.

– E eu dei apoio moral! – Dria se manifestou sem tirar os olhos da TV também. Kendall pegou o seu celular e tentou ligar para James pela milésima vez só hoje, e eu fiquei fazendo cafuné no cabelo do Logan.

Eu estava começando a ficar aflita, pois já era seis da tarde e James não havia dado nenhuma notícia até agora, e eu não sei quanto tempo mais vou conseguir acobertá-lo. Esta história está chegando no limite, não dá pra ficar mentindo enquanto os garotos – exceto Carlos – estavam se esforçando pra caramba pra saber o paradeiro do seu melhor amigo. Comecei a me sentir muito culpada por vê-los daquela maneira, sendo que eu sabia exatamente onde James estava. Ah, e confesso que fiquei bastante surpresa com a falta de preocupação do Carlos, pois de todos os três, eu esperava que ele fosse quem mais iria pirar e se desesperar para achar James. Quando na verdade, assim que Kendall e Logan saíram para procurá-lo, Carlos foi jogar videogame com a Drianna e ficaram jogando tarde inteira. E pensar que só foram dar falta do James na hora do almoço, quando todo mundo acordou tarde e quando nos reunimos para comer, James não apareceu. Aí que começou a confusão. A bela desculpa que eu dava de que ele devia ter dormido na casa de alguma garota já não funcionava tanto, pois de acordo com os garotos James sempre volta antes do almoço ou/e antes da garota acordar. Então primeiramente todos – inclusive eu, para manter as aparências – começaram a ligar para ele incessantemente para o telefone de James, e só após isso começaram a se preocupar de verdade e Logan e Kendall saíram à busca.

– Você foi andando pra Rocque Records, Logan? – Perguntei enquanto recebia de volta seu copo vazio, sem nem o gelo.

– Correndo. – Ele fez uma carinha triste com biquinho.

– Oh, coitadinho... – Falei e dei um selinho breve em seus lábios e fui para a cozinha deixar o copo na pia. Nisso, observei que Kendall guardou o celular no bolso e caminhou irritado até a televisão, e tirou o cabo da tomada.

– Ei! – Exclamou minha prima.

– Pra quê foi isso?! – Carlos reclamou.

– Deixa eu recapitular o que está acontecendo: O seu melhor amigo está desaparecido, Carlos! Bem que você podia ajudar mais, não acha? – Kendall disse demonstrando a sua indignação.

– É verdade. – Logan concordou.

– Quantas vezes eu vou ter que dizer que o James não está desaparecido? Meu Deus, vocês falam como se ele tivesse sido sequestrado, sei lá! Ele deve estar na casa de alguma garota, tenho certeza. – O estranho era que Carlos estava completamente certo, em todos os aspectos, parecia até que ele sabia de alguma coisa.

– Mas então porque ele não voltou ainda? Já são seis da tarde! Sabe o que eu acho? Que isso é caso de polícia sim, aliás, a gente já devia ter ligado pra lá há muito tempo. O James foi sequestrado! – Logan começou a mostrar os sinais do deu desespero, e eu me tomei pela culpa de novo. Afinal, eu sei de tudo e não posso fazer nada, só tentar não complicar mais as coisas pro lado do James.

– Acho que a polícia é meio desnecessária, gente. Eu concordo com o Carlos, James deve estar na casa de alguma garota fora de Palm Woods e não quer ser perturbado. – Opinei, mas Kendall e Logan olharam para mim do mesmo modo que olharam para Carlos, como se eu estivesse dizendo bobagens.

– Logan, você falou pro Gustavo sobre o James quando foi à gravadora? – Kendall o perguntou.

– Não. Quando eu passei lá só estava a Kelly, organizando alguns arquivos, e eu disse que estava procurando pela minha carteira. Gustavo está na mansão dele. – Logan respondeu. Então Kendall tirou novamente o telefone do bolso, discou algum número nele e colocou-o na orelha. Fiquei apreensiva por um momento.

– Você não está ligando pra polícia, né? – Perguntei tensa, e Logan me olhou desconfiado, provavelmente achando estranho porque eu estava incomodada com isso. Desviei o rosto para que ele não ficasse me analisando. Se Logan quisesse parar para analisar os fatos, com esse raciocínio rápido que tem, descobriria num estalo como achar James.

– Estou ligando pro Gustavo. Talvez ele nos ajude, depois que surtar um pouco. – Kendall me respondeu, levando os dedos à boca e roendo suas unhas. Virei o rosto para olhar para Logan, e ele estava com um olhar distante e bem sério. Droga.

– Espera! – De repente Logan se levantou. – Não liga pro Gustavo ainda.

Um meio sorriso surgiu no rosto de Kendall, um tanto quanto aliviado. Já eu fiquei dez vezes mais apreensiva, e comecei a morder o lábio inferior. Kendall guardou o celular e então todos daquele apartamento passaram a prestar atenção no que Logan estaria prestes a dizer.

– James estava aqui até ontem à noite, sim? – Todos nós assentimos. – E quando acordamos, ele não estava mais. Se ele saiu ou, na pior das hipóteses, foi sequestrado... Talvez as câmeras de segurança do hotel tenham filmado alguma coisa.

Merda, as câmeras. James e eu aparecemos nelas. Agora ferrou, e é agora que a mentira do James está a um passo de ser descoberta. Caraca, que encrenca foi essa que eu consegui meter James e eu?

Logan conduziu todos nós até o saguão para falar com o Bitters. Chegando ao balcão de recepção, como se esperava, o adorável gerente se recusou a nos mostrar as gravações porque era “confidencial”. Após muito insistir, Kendall segurou Bitters pela gola da camisa social, o puxou por cima do balcão e falou bem próximo ao rosto dele.

James está desaparecido. Precisamos ver essas gravações para termos alguma pista dele. Então ou você mostra pra gente, ou mostra pra polícia.

Bitters engoliu em seco. Ele não parecia gostar muito quando policiais vinham até Palm Woods, pois além de assustar as pessoas, as deixava curiosas e causava alvoroço. Então em menos de um minuto, nós todos estávamos atrás do balcão olhando atentamente para a tela do computador, vasculhando as gravações de ontem à noite e hoje de madrugada. Selecionamos dois quadros de câmeras na tela, uma do corredor dos nossos apartamentos e o outro do saguão. Vasculhamos desde às quase cinco e meia da tarde de ontem, que foi a hora em que James apareceu na câmera saindo do apartamento e uma hora depois ele estava de volta. Logan pausou o vídeo.

– Só para tomar nota, essa hora que James saiu foi logo depois de ele ter surtado com o Carlos. – Pontificou.

– E se eu não me engano... Ele pegou as chaves do meu carro e disse que precisava falar com você, Barbara. – E Kendall fez questão de completar, então todos os olhares se viraram para mim. Senti-me extremamente intimidada, mas procurei ficar séria e não ficar vulnerável. Eu sou atriz, certo? Posso fazer isso.

– O que o James queria falar com você? – Logan perguntou intrigado de duas maneiras. Uma por querer investigar mais sobre seu amigo desaparecido, e outra por um ciúme evidente em querer sabe o que o seu amigo estava conversando com sua namorada.

– Ele... – Ai, e agora? Hum... Já sei. Ativar função Mentira Rápida e Elaborada. – Queria desabafar. Essa história toda de estar apaixonado pela Jessi está acabando com ele, então eu só o escutei, dei alguns conselhos e depois ele foi embora. Só isso. – Todos continuaram a me observar curiosamente, e eu comecei a ficar extremamente incomodada com isso. – O que foi? Vocês estão achando que eu planejei o sequestro dele?

– Não, não, uh, vamos continuar assistindo. – Disse o Logan, percebendo que eu estava – fingindo estar – ofendida. Ele deu play nos vídeos e eles começaram a passar rapidamente de novo. Até deu pra ver uma silhueta minha chegando exausta do estúdio ás dez horas da noite. E à medida que as horas passavam na tela, eu ficava mais apreensiva. Essa história iria acabar em poucos minutos. Achei estranho quando eu olhei pro Carlos e ele estava com a mesma cara que eu, mas acho que ele estava assim de curiosidade para saber o paradeiro do seu amigo. Já eu estava nervosa mesmo.

E as horas corriam no quadro das duas câmeras... Minhas unhas a essa altura já estavam todas ruídas.

Meia-noite.

Uma madrugada.

Duas horas da madrugada.

Logan pressionou a tecla que parou o vídeo. Eu machuquei meu lábio inferior de tão forte que o mordi, mas segurei a cara de dor pra ninguém perceber, e quando olhei pro lado vi Bitters com um balde de pipoca super entretido. Na imagem congelada da câmera do corredor, havia uma silhueta fora do apartamento com um celular na mão. Era James. Logan voltou um pouco, e vimos que segundos antes, não foi James quem fechou a porta. Alguém havia o empurrado pra fora e batido a porta na cara dele.

– Ok, acho que está meio obvia a cena que vimos aqui. – Disse Logan quando parou o vídeo de novo. – De uma coisa eu sei: Não fui eu quem empurrou James pra fora do apartamento. E não foi alguém de fora porque a porta estava trancada até James sair. Então... Alguém se pronuncia?

– Eu estava no meu apartamento. – Logo falei.

– Eu também estava. – Dria disse quase ao mesmo tempo que eu.

– Eu estava dormindo como uma pedra. – Kendall falou com sinceridade. No entanto um de nós ali permanecia calado. Todos os olhares então se viraram para Carlos, que suava de tão nervoso.

– P-porque vocês estão olhando pra mim? E-eu não fiz nada... Quero dizer... AH, Fui eu, ok?! Eu só tinha saído do quarto pra beber água, e aí eu vi o James com a mala e aí... Ah que droga eu não podia estar falando nada disso pra vocês! AAAHH! – Carlos surtou de vez e saiu correndo. Nós devíamos saber que ele não consegue agir sobre pressão. Dria foi atrás de Carlos enquanto nós ficamos parados nos olhando bem surpresos. Nem eu sabia que Carlos sabia. E então Logan grudou os olhso na tela novamente.

– Uma mala?! – Ele se perguntou, passando o vídeo alguns segundos e pausando novamente para quando James já estava sozinho no corredor mexendo no telefone, provavelmente me passando uma mensagem nessa hora. Logan deu um zoom na mancha negra ao lado de James quase imperceptível no escuro, e enfim perceberam que era mesmo uma mala. – Como eu não vi isso antes? Agora dá pra entender!... James fugiu de casa!

– Hã? Olha, não acha que é meio cedo pra tirar conclusões? – Perguntei.

– Na verdade está ficando meio tarde, mas você está certa. Continua passando o vídeo, Logan, só que mais devagar dessa vez. – Kendall disse e Logan respirou fundo e apertou o play numa velocidade normal agora. Àquele ponto eu já havia desistido de qualquer mentira, não iria adiantar de nada mesmo.

A câmera acompanhou James entrando no elevador do segundo andar, e a do saguão filmou-o aparecendo lá em baixo. Ele deu alguns passos e se acomodou no sofá. Kendall e Logan se entreolharam, mas não disseram nada. Minutos depois a silhueta de uma garota apareceu no saguão. Minha silhueta. Comecei a olhar pro balcão para não ter que olhar para a cara deles quando eles percebessem que aquela era eu.

– Uma garota? James fugiu com uma garota? Eu já devia saber. – Logan passou a mão no rosto, exausto psicologicamente.

– Espera aí... – Kendall pausou o vídeo, dando zoom quando eu havia virado certinho num ângulo onde a câmera conseguia ver todo o meu rosto. Que sorte. – É você, Barbara.

Um minuto de silêncio, parecia que os garotos estavam processando aquela informação. Eu continuei encarando o balcão, pronta pra ser atingida por tomates a qualquer momento.

Você ajudou o James a fugir?! Porque você fez isso?! – Logan foi o primeiro a começar a bombardear.

– Bem que eu percebi que ele estava meio estranho quando ele voltou pro apartamento depois de falar com você. Que tipo de conselhos deu a ele? – Kendall questionou. – “Vá, James, fuja! Eu te ajudo!” – Ele falou imitando minha voz. Agora sim eu havia me sentido ofendida. Meu namorado e um dos meus melhores amigos me olhavam com raiva agora, e o gerente do meu hotel sorria atrás deles comendo pipoca.

– E também quer dizer que você e o Carlos sabiam de tudo desde o começo e não nos contaram?! – Logan continuou, e antes que eu fosse atingida por mais perguntas histéricas, eu tomei uma atitude para me defender.

– Ei! Primeiramente, eu não sabia que o Carlos também sabia. E o que eu disse pro James foi só uma ideia, eu não o obriguei a nada. James só seguiu o coração dele. E, aliás, ele não fugiu. Só fez uma viagem, ele vai voltar em breve.

– O quê? Ah, agora você vai ter que explicar tudo direitinho pra gente. – Kendall determinou com os braços cruzados.

– Ok, eu explico. Mas primeiro vamos pegar uma limonada, aí vocês bebem um pouco, se acalmam e só então a gente conversa. Tudo bem?

Kendall e Logan se entreolharam desconfiados e enfim concordaram. Agradecemos ao Bitters por nos deixar ver os vídeos das câmeras, e ele nos agradeceu pelo entretenimento do dia. Fomos até a área da piscina e pegamos três limonadas na barraquinha que já estava quase fechando, e nos sentamos numa das mesas. Estava escurecendo quando terminamos de beber tudo, e percebi que Kendall e Logan estavam bem mais calmos, então agora era seguro para contar toda a história.

– Vocês querem ouvir desde o começo? – Perguntei com um pontinho de esperança de que eles quisessem que eu fosse direta e objetiva.

– Desde o começo. – Os dois responderam decididos. Contrariada, suspirei olhando para o meu colo tentando pensar em como começar aquela história. Percebi que essa tarefa seria mais difícil do que eu pensara.

– Bem... Tudo começou quando a Jessica sumiu. E quando eu digo “sumiu”, eu digo que ela parou de manter contato comigo e com o James por algumas semanas. Claro, isso preocupou a mim e a ele. Até que um dia ela me ligou, mas eu percebi que ela estava estranha, então eu contei para o James e ele ficou ainda mais agoniado. Aí ele prometeu que ia me ajudar a descobrir o que realmente estava acontecendo. E ele descobriu.

– E ele descorbiu o quê? – Perguntou Logan, entretido.

– Pois é, o que a Jessica tinha? – Kendall também perguntou. Rolei os olhos. Aqueles dois pareciam ter ficados mais interessados com a história da Jessica do que com a do James. Mas é claro que eu não iria contar o que havia acontecido com a minha amiga.

– É um assunto muito pessoal, só o que eu posso dizer é que tem haver com o namorado dela. Então, naquele dia que vocês dizem que o James surtou e machucou o Carlos sem querer, foi por causa disso. James foi ao meu estúdio me procurar para contar tudo e eu acho que ele estava enlouquecendo. Eu não menti pra vocês naquela hora que disse que toda essa história de estar apaixonado pela Jessica estava o deixando maluco, e foi quando eu dei um conselho a ele. – Parei. Como eu ia contar que eu tinha uma grande parcela de culpa de toda aquela confusão, sem que gritassem comigo depois? Pois é, não tinha jeito. – Eu disse pro James ir pro Rio de Janeiro.

O queixo do meu namorado e do meu melhor amigo caíram.

– O James está no Rio de Janeiro?! Na América do Sul?! No Brasil?! E a ideia foi sua?! – Logan começou a pirar, me assustando um pouco.

– Eu sabia que você tinha um dedo nessa história! – Disse Kendall, mas ele estava tão surpreso quanto o Logan. – Onde você estava com a cabeça?!

– Mas que porra de conselho foi aquele, hein, Barbara?! – Logan brigou, e eu me sentia muito ofendida com o tom de voz dos dois, então logo percebi que eu tinha que me proteger dos bombardeios que vinham na minha direção antes que eu voasse a minha mão na cara dos dois.

– Vocês querem ao menos me deixar terminar de contar?! – Elevei ainda mais o tom de voz. Mesmo muito – muito – bravos, eles cruzaram os braços e voltaram a me escutar. – Obrigada. E como eu disse, eu dei a ideia pro James de ir pro Rio de Janeiro sim. Eu não o forcei a nada, que fique claro! – Bem, eu forcei um pouquinho, mas Kendall e Logan não precisavam saber disso. – Foi só uma ideia, no começo James também achou que era loucura, mas depois ele acabou concordando. E querendo ou não foi a melhor escolha que ele pôde tomar. Além do mais, se ele não tivesse ido, eu teria ido no lugar dele! – Vi Logan recuar na cadeira quando eu dei aquela hipótese. – Sabe por quê? Porque a Jessica é minha melhor amiga e eu faria qualquer coisa para vê-la feliz de novo, e o James também. Quer dizer, mas no caso dele... Ele quer ser a razão da felicidade dela. – Uau, de onde eu tirei essa frase de efeito? Até a expressão furiosa do Logan e do Kendall sumiu depois disso. – James ama a Jessica tanto quanto ele ama a si mesmo, e olha que isso é muito vindo dele. – Ri, e vi um meio sorriso surgir no canto da boca dos dois na minha frente. – Então ele seguiu o seu coração e foi atrás da Jessi, pra cuidar dela e oferecer todo o amor que o atual ex-namorado dela nunca lhe ofereceu. E viajar o continente inteiro para ir atrás da Jessica foi a melhor e mais louca decisão que James já tomou.

Confesso que eu estou muito orgulhosa de mim agora, esse discurso foi infalível! O James devia me agradecer por eu ter limpado a barra dele. Dei um suspiro aliviado mentalmente por ter finalmente desabafado essa história, e pelo meu namorado e melhor amigo não estarem mais bravos comigo. Após alguns minutos reflexivos de silêncio dos dois, Logan foi o primeiro a falar.

– Eu rodei essa cidade inteira pra nada, mas tudo bem... – Deu pra notar que ele havia dito isso só pra quebrar o gelo.

– Certo, mas pelo menos agora tudo está explicado. – Kendall pontificou e Logan concordou com a cabeça. E eu dei graças de Deus por isso ter acabado.

– Mas vocês sabem que o Gustavo tem que saber disso uma hora ou outra, né? Segunda-feira temos uma pilha de Demos pra gravar. – Logan fez questão de lembrar. Oh-ou. Eu havia esquecido esse grande detalhe. Gustavo. Eu nem queria imaginar o desastre que seria quando ele descobrisse, duvido que ele fique tão “calmo” quanto os garotos. Duvido.

– Ok, mas isso nós resolveremos segunda, por favor. Eu já estou exausta desta historia.

– Só você? – Os dois indagaram em uníssono com tom de ironia. Nós rimos um pouco, e por fim resolvemos que era hora de subir e esquecer de todo esse rolo por um momento, pois o clima de estresse continuava denso no ar. Só tivemos o trabalho de esclarecer pro Carlos que ninguém estava com raiva dele porque ele havia guardado segredo e que eu já havia explicado tudo. Ah, depois disso, eu realmente precisava relaxar. Hum... E eu já sabia como.

– Logie... – Eu sussurrei no ouvido dele, enquanto estávamos todos na sala assistindo The Big Bang Theory. A minha sorte era que não estava passando nenhum episódio novo, senão Logan nunca teria me dado atenção. Ele virou-se para me olhar já com uma cara desconfiada, afinal ele sabia exatamente o que eu queria quando eu o chamava de “Logie” com uma voz dengosa, mas mesmo assim ele perguntou.

– O que foi?

– Sabe o que é... – Pousei meus dois dedos abaixo do seu umbigo e corri com eles até a gola da sua camisa. Olhei nos olhos de Logan com uma cara inocente que ele conhecia muito bem. – É que o clima está tão estressante, todo mundo está tão tenso ainda, o que você acha da gente... Relaxar um pouco?

Logan olhou para mim como se todo aquele meu papinho fosse desnecessário, e ele sabia como ninguém que não adiantaria de nada resistir. Rapidamente ele me puxou pela mão e se levantou comigo, me levando com pressa até a porta como se não tivéssemos tempo a perder antes de começar a ouvir os comentários nada agradáveis dos nossos queridos amigos. No entanto eles foram mais rápidos.

– Já vão? – Perguntou Carlos fingindo estar surpreso. Droga, estávamos tão perto!

– Ah não! Eu troquei o lençol da cama ontem! – Dria reclamou, e eu senti um pouco de pena dela. – Meninos, eu posso dormir aqui de novo?

– Claro! – Carlos respondeu sem hesitar.

– Estou pra me mudar pra cá, viu... – Dria disse em voz baixa.

– Acho melhor a gente colocar os fones de ouvido, porque da ultima vez eu quase não consegui dormir de tanto barulho. Não sei como o Logan ainda não ficou surdo por causa dessa ruiva que grita pra cacete! – Kendall comentou como se tivesse preparado essa piada há dias e estivesse só esperando o momento certo para soltá-la. Claro que fez todos rirem, inclusive o Logan. E eu corei que nem um pimentão. Dessa vez eu puxei Logan pra fora do apartamento antes de mais constrangimentos, mas não consegui fugir por muito tempo porque até o meu namorado fez piada sobre o quanto eu grito. Agora além de envergonhada eu estava ficando irritada, então resolvi dar o troco e por um ponto final nessa palhaçada.

– Você não devia reclamar, sabia? Pois no dia em que eu parar de gritar é porque você não vai mais estar fazendo seu trabalho direito. – Retruquei, deixando ele bem caladinho por um tempo. Continuamos caminhando em silêncio e eu estava de nariz empinado, me sentindo vitoriosa. Mas quando chegamos à frente do meu apartamento Logan me imprensou na porta.

– Eu acho melhor nossos amigos acharem bons fones de ouvidos... – Ele disse com um sorriso malicioso, me levando ao delírio ali mesmo no corredor. Logan envolveu os braços em volta da minha cintura e colou nossos corpos, em seguida atacando meus lábios com um beijo quente e ousado. Logo entramos no meu apartamento com pressa para nos divertir, deixando as nossas roupas pelo caminho. Então Logan sussurrou bem no meu ouvido: – Vou fazer você ultrapassar a barreira do som hoje.

Notas finais
Ok, eu confesso de meio que dei uma aloprada nesse fim do capítulo, mas é só pra tirar a tensão, certo? Hehehehe. AH E POR FAVOR NÃO ESQUEÇA DE COMENTAR! Sou movida a reviews, esqueceram?