American Boy
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Depois de várias quadras de passos firmes e pesados, sem contar os olhares estranhos que o jovem inglês recebia, ele acabara chegando à casa do moreno. Kurt nem se quer resolveu chamar Blaine antes, ele já foi entrando pelo pequeno portão branco da casa e invadindo o jardim, atravessando pelo pequeno caminho de pedras. Kurt notou que o carro de Blaine estava estacionado em frente à garagem, onde logicamente resumiu que o moreno estava em casa. O castanho foi até a porta e deu três fortes murros, depois de esperar três segundos, deu mais três murros na porta. Kurt imaginou que provavelmente não abriram por medo de ser um louco, porque aquelas batidas com certeza não eram de uma pessoa em sã consciência. Kurt ia bater de novo, mas escutou o barulho da maçaneta.
– Pois-
– Cadê ele? – Era Nick, que estava de pijama. Kurt não se importou com o fato do moreno estar apenas de calças de moletom. Kurt tentava ver por de trás dos ombros do moreno. – Onde está seu amigo salafrário? – Nick conseguia ver que Kurt não estava em plena consciência. Kurt não sabia se deixava os braços livres ou cruzados. Se olhava para Nick ou para a casa.
O moreno abriu caminho para Kurt passar. Quando o castanho entrou, foi direto para a cozinha, o local onde provavelmente Nick havia saído e de onde Blaine também deveria estar. Lá, o castanho encontrou Jeff. O loiro estava com calças e blusa de moletom.
– Bom dia, Kurt. – Disse o loiro do fogão.
– Cadê Blaine? – Kurt colocou as duas mãos na cintura.
– Subindo as escadas, terceira porta à direita. – Antes de voltar para a panela, Jeff analisou o estado do castanho. Nick foi para seu assento no balcão atrás do namorado. Kurt assentiu e se dirigiu para as escadas.
– Esse menino é pirado. – Disse Nick olhando com óculos grossos o jornal.
– Eu ficaria do mesmo jeito. Mas Blaine teve seus motivos e ele disse que havia contado a Kurt, então não sei por que ele está nesse nervosismo todo. – Completou o loiro.
Depois que o castanho havia chegado à ponta das escadas, olhou para esquerda, contou duas portas até chegar à terceira. Kurt respirou fundo para inutilmente tentar se acalmar e entrou no quarto, do mesmo modo que fez com o portão, sem bater.
Quando Kurt entrou no cômodo, deu de cara com um dos quartos mais lindos que já vira, perdendo apenas para o antigo quarto, de quando morava com o pai. Eram paredes brancas, com algumas listras azuis, os moveis eram todos brancos e bem envernizados, assim como o chão. Havia um tapete vermelho, uma mesa de estudos, com apenas alguns mínimos detalhes em vermelho, também havia uma cortina branca e grossa, embaixo da barra da cortina, era possível ver os pés de Blaine com meias. Kurt foi subindo o olhar sob a silhueta do corpo, que estava virado para parede e coberto com cobertor branco e viu os cabelos pretos e bagunçados no meio da brancura. O castanho conseguiu perceber que Blaine abraçava uma figura que estava usando uma camisa azul. Kurt sentiu o corpo queimar de raiva. O castanho fechou a porta com força.
– Jeff, vai embora. – A voz de Blaine era sonolenta e tinha um som engraçado.
– Não é o Jeff, imbecil. – Kurt cruzou os braços e esperou Blaine se virar.
– Kurtie... Venha aqui. – Blaine ainda não havia virado. Ele também havia levado um bom tempo para continuar a frase.
– Não gosto de ménage, Blaine.
– O que? – O moreno se virou para Kurt. Blaine tinha o cabelo desengrenado, bolsas embaixo dos olhos, o nariz vermelho, a boca tremia e até onde Kurt podia ver, estava com um cachecol. E a figura que o acompanhava na cama, era um ursinho.
– Droga! Em que mundo um cara de quase vinte anos tem um urso grande o suficiente para eu poder confundir com uma pessoa? – Kurt quis sair correndo daquele quarto.
– O que houve, Kurtie? – Blaine tentou se sentar, mas não conseguia. Kurt foi até o moreno e sentou-se com ele na cama. Kurt aproveitou e ajeitou alguns travesseiros, para poder conversar com Blaine.
– O que houve digo eu. Blaine, desde quando você está assim? – Perguntou o castanho arrumando os cachos morenos. Blaine estava em um estado deplorável.
– Desde ontem cedo. Eu acordei e ia te levar café, mas acabei acordando nesse estado. Ainda estou com gripe e Jeff disse que minha temperatura está voltando a baixar. – Respondeu o moreno. Blaine até tentou esconder o urso, mas não conseguiu.
– Oh, Blaine...
– Desculpe mesmo, querido. Eu estava me revirando por não poder passar o dia com você, suas mensagens me faziam querer socar quem surgiu com o vírus da gripe. Eu queria muito menos jantar com você, mas quem disse que Jeff permitiu? – Blaine colocou mão na bochecha de Kurt, que apenas colocou sua própria sob a do moreno.
– Eu teria cuidado de você... – Garantiu o inglês.
– Eu não tenho dúvidas disso, mas Jeff é meu pai e meu enfermeiro particular. – Respondeu Blaine com um sorriso bobo. – O que teríamos jantado?
– Sushi com vinho... Pensando melhor, não sei se seria a melhor das combinações... – Kurt parou para pensar e Blaine riu. – E como você está agora, pequeno?
– Bom, minha febre está abaixando e tenho uma visita incrível. – Blaine desceu as mãos para unir com as mãos de Kurt.
– E fiz sua sopa favorita. – Disse Jeff entrando no quarto com uma bandeja e um recipiente cheio de sopa.
– Mentira... Oh meu Deus! Jeff! – Blaine fingia empolgação ao chamar o amigo.
– Bom dia, Kurt... – Disse o loiro deixando a bandeja do lado da cama de Blaine. Kurt se lembrou que nem ao menos desejou um bom dia ao casal.
– Oh meu Deus... Jeff, por favor, me desculpa. É-é que eu fiquei esperando uma resposta de Blaine o dia todo, mas nada aconteceu, e uma das coisas que eu mais detesto nesse mundo são mentiras e ele havia me prometido que iria ontem na minha casa... Eu poderia ficar me explicando, mas... Ai Jeff, me desculpa mesmo. – Kurt estava mais envergonhado ainda.
– Relaxa. Um dia, Nick me aprontou uma dessas, eu fui até à casa dele. O porém foi: nós não estávamos namorando e ele tinha meia hora de atraso. Você está com um pouquinho de razão ainda. Mas eu achei que o doente da vez tinha te mandado alguma mensagem ou até mesmo te ligado. – Jeff cruzou os braços para encarar Kurt.
– Mas eu mandei. Kurtie, você não leu? Então você estava bravo comigo de verdade? – Blaine poderia chorar agora.
– Não! Não, Blaine, é que houve uma explosão na minha rua ontem e com a explosão, eu me assustei e joguei meu celular para longe, sendo que nem havia terminado de ler, por isso estou aqui. Não fique chateado. – Blaine assentiu parecendo uma criança que desejava muito algo.
– Ok, vou deixa-los a sós. Blaine, coma essa sopa. Tchau meninos. – Disse Jeff fechando a porta atrás dele.
– Uh, ele finalmente vai me deixar comer sozinho. – Blaine se ajeitou na cama e pegou a bandeja. – Jeff me deu as três refeições ontem.
– Ele parece que gosta muito de você. E ele te deixou comer por si só, não significa que eu não vou fazer. – Kurt pegou a tigela e começou a mexer para levar a colher até a boca do moreno.
– Com você eu nem irei reclamar. – Blaine fez Kurt corar. O castanho levou a primeira colherada até a boca de Blaine. – Meu Deus, Jeff consegue ser o melhor cozinheiro que eu já vi.
– Não quero me achar o melhor cozinheiro da Terra, mas você precisa provar minha comida, principalmente meu macarrão. – Kurt estava tentando se concentrar na sopa e no que falava, mas a atenção era só para a boca avermelhada de Blaine.
– Nem me diga isso, nem sei até quando vou ter que comer sopa. Kurt, preciso de um jantar com você depois que eu ficar melhor. – Disse o moreno enquanto digeria mais uma colher.
– Faça melhor esse convite, Blaine. – Kurt encarou o rosto de Blaine, que não conseguiu disfarçar e deu risada.
– Kurt Hummel, gostaria me dar a honra de me preparar um belo jantar? – Perguntou o moreno.
– Vou conferir na minha agenda. – Blaine recebeu uma piscadela.
Depois de muitas colheradas em silencio, Blaine acabou terminando com toda a sopa. Quando Kurt colocou a bandeja de volta no criado mudo, acabou parando em um ponto da parede e ficou pensando sobre alguma coisa. Blaine notou que Kurt estava em seus devaneios e resolveu perguntar.
– Kurt? Está tudo bem?
– Ah, sim. Está tudo bem, só estou pensando sobre uma coisa. – Disse o castanho.
– Você pode me contar se quiser... – Sugeriu o americano.
– Bom é que... Isso vai ser meio constrangedor, mas... De fato, eu vim brigar com você Blaine. – Blaine riu quando o castanho admitiu. – Mas, eu acabei de me tocar sobre uma coisa. – O castanho conversava com Blaine, mas com os olhos totalmente fixos em algum ponto da parede. Blaine até olhou para ver o que o rapaz tanto observava.
– E o que seria? – Perguntou Blaine.
– Acabo de me tocar que... Eu não consegui ficar um dia sem você. Eu fiquei nervoso com a sua ausência, queria você perto de mim o dia todo. – Kurt finalmente encarou os olhos de Blaine, que apenas se manteve em silêncio e com toda a atenção voltada para o castanho. – Blaine, eu senti sua falta por um pouco mais de vinte e quatro horas. – Os dois ficaram em silêncio. – Você está coberto de razão. Tive uma semana maravilhosa com você, coisa que eu não tinha havia muito tempo. Blaine, você me trouxe aquela vontade de explorar Londres. – Começava a surgir um sorriso no rosto do moreno, que nem parecia tão doente quanto antes. – O-olha, não quero que rotulemos nada, iremos apenas sair e ver no que dá...
– Então você está me dizendo que... – Um sorriso se abria gradualmente no rosto de Blaine.
– Sim, estamos oficialmente tendo alguma coisa. – Kurt abriu um sorriso.
– Oh... V-você não vai se arrepender, eu prometo. – Blaine parecia que estava curado. O moreno não parava de pular na cama.
Kurt agitado com toda aquela energia em volta, avançou na boca de Blaine. O moreno tomou um susto e por alguns meros segundos manteve os olhos arregalados. Quando Blaine se tocou do que estava acontecendo, correspondeu o beijo de Kurt. Automaticamente abriu a boca e deixou sua língua passar para os lábios de Kurt.
O moreno parecia que estava flutuando. Ele finalmente estava beijando Kurt. Blaine poderia jurar que o beijo do inglês era o mais suave e o mais saboroso que já experimentou na vida. E finalmente havia descoberto o misterioso sabor dos lábios ingleses, era morango. Os dois continuavam num ritmo frenético, onde mexiam as cabeças e os lábios se saboreavam. Blaine não aguentou e deixou as duas mãos irem para as os dois lados do pescoço de Kurt, para puxar o garoto para perto. Kurt colocou as duas mãos no peito de Blaine e afastou o moreno.
– Ooh, meu Deus, esqueci que estava doente. Me desculpe, Kurt. Droga... – Blaine se sentiu meio culpado, mas não arrependido.
– N-não é isso. É que precisamos ir com calma, senhor Dementador. Eu ainda necessito de ar. – Blaine jurou que poderia se passar por um tomate.
– O-ok. – O moreno chegou perto de Kurt e deu um selinho no mesmo. Depois de ficarem se encarando por algum tempo e apenas darem alguns beijos, Blaine resolveu falar. – Já que normalmente não faço nada no domingo, que tal você dormir aqui comigo? E-eu sei que começamos agora, mas somos grandes o suficiente para não passar dos limites e eu prometo manter minhas mãos da cintura até os quadris. – Blaine ficou esperando alguma reação de Kurt. — O-ok isso foi best-
– Não, vamos dormir. E não precisa se policiar, só tenha cuidado com o que pega... – Kurt deu um sorriso e tirou seus sapatos, organizando com cuidado do lado do criado mudo de Blaine. O castanho se deitou no espaço onde Blaine havia deixado e deixou o moreno abraça-lo. – Que diferença, dormiu abraçando um ursinho e agora sou eu quem você irá abraçar. – Blaine corou como nunca e ainda agradeceu por Kurt não ter visto.
Depois de um tempo, Kurt caiu no sono, mas Blaine não parava de puxar levemente Kurt para si e passar os polegares na pele livre do braço pálido. O americano jurou que seu peito ia explodir de tanta felicidade, era aquele tipo de felicidade que te fazia gritar para dentro, onde seu peito doía e sua bochecha se enchia de ar.
O moreno só não sabia se era por conta dos remédios ou por conta da felicidade, mas estava cantando “Walking On Air” como um louco em sua mente. Depois de finalmente se acalmar, colocou as testa na curva do pescoço do castanho e dormiu.
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