American Boy
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Era uma manhã de sábado e Kurt já estava acordado, porque na verdade, o castanho havia conseguido dormir por algumas horas, mas acordou das poucas e mal dormidas horas de sono que havia tido. O castanho continuou deitado e pensando em Blaine e todo o dilema que se encontrava.
– Nem da ultima vez que eu comecei a gosta de alguém foi tão rápido quanto agora. Blaine consegue mexer comigo de uma forma inexplicável... – Kurt encarava a janela de perfil, com as cobertas até o queixo e com as pernas levantadas. Com aqueles pensamentos doidos e os olhos tristes e vagos; qualquer um choraria ao ver Kurt. – Eu gostei de Blaine desde que bati os olhos nele, a única coisa que me impedia era aquela maldita ideia do namorado falso... Mas agora que eu sei que nos gostamos, tem o lado que Rachel disse. Blaine é aluno de intercambio, se namorássemos, quando a coisa ficasse mais forte e séria, teria que vê-lo partir... E terminar um namoro sem estar preparado novamente é a ultima coisa que eu quero... Eu só vou precisar de uma coisa para tomar minha decisão...
Kurt se levantou da cama e foi tomar banho para deixar todos os pensamentos ruins e más energias irem embora por água abaixo. Depois de um banho relaxante e revigorante, Kurt estava pronto para mais um dia. O castanho ligou o som, passou todos os cremes em sua pele, arrumou a cama, tudo na maior animação. Quando o castanho saiu do quarto, com tudo pronto e arrumado dentro dele, viu que o café também já estava posto, porém só para ele, já que Rachel novamente havia saído e Finn havia ido trabalhar.
“Espero que goste, maninho.
Com amor, Finn”
Eram os dizeres de Finn no bilhete junto à mesa. Finn havia feito panquecas, suco de laranja, ovos com bacon, torradas e separado a caixa de cereal de Kurt.
Desde que os irmãos haviam comprado aquela casa, a união deles havia aumentado em 500%. Finn sempre ajudava Kurt nos aniversários da morte e do nascimento de Elizabeth, quando sentia saudades de Burt, ou quando passava semanas chorando por algum ex-namorado. Finn prometia matar todos, mas preferia apoiar Kurt. O castanho se sentia uma das pessoas mais feliz do mundo, por agora ter um irmão tão bom e prestativo.
Kurt achava que era muita coisa para comer sozinho, então teve uma ideia e resolveu mandar uma mensagem para Blaine e convida-lo para se juntar ao castanho, já que ele viria mais tarde para a casa de Kurt de qualquer modo. Kurt pegou o celular e mandou uma mensagem para Blaine.
“Bom dia. Blaine teria como você deixar de tomar café em casa (se ainda não tiver tomado) e vir tomar aqui em casa comigo? Finn fez muita comida e precisamos conversar, e já que você disse que virá hoje de qualquer forma mesmo...
– Kurt.”
Enquanto o castanho aguardava alguma resposta, havia coberto o café e se sentando no sofá, para olhar algumas coisas na internet.
Dez minutos. Meia hora. Uma hora. O tempo passava e Blaine ainda não havia dado sinal de vida. Kurt imaginou que ele devia estar dormindo, apesar de ser quase onze horas, então resolveu tomar café sozinho. Se levantou, foi até a mesa farta e ficou encarando tudo e sem querer, se lembrou de acontecimento do passado.
Flashback
– Cheguei! – Disse o rapaz entrando pela porta de madeira e encontrando apenas Kurt sentando no sofá.
– Querido! – Kurt foi até o namorado e o beijou nos lábios. – Graças a Deus você veio, não queria tomar café sozinho novamente. Você sabe quanto eu odeio isso...
– Sim, eu sei, manhoso. – O rapaz abraçou Kurt por trás e os dois caminharam desajeitadamente para a mesa.
– Pare de ser, bobo.
Flashback
Kurt esperou o celular acender anunciando uma nova mensagem, mas isso não aconteceu. O castanho suspirou e resolveu comer sozinho. Kurt levantou o copo com café e brindou com o vento.
– A mim e você... Solidão...
[...]
Depois de comer sozinho, Kurt arrumou a mesa, guardou as muitas coisas que sobraram e colocou os pratos e canecas na lava louças. O castanho não sabia o que fazer, pensou que talvez quando Blaine chegasse, poderiam se decidir juntos. Enquanto Kurt espera algum sinal de que Blaine ainda respirava, pensou em arrumar a casa, mas a casa havia sido totalmente arrumada no sábado passado e como os moradores só voltavam nela para dormir, ela ainda estava praticamente intacta. As roupas de Kurt acabaram sendo arrumando as roupas na noite passada, assim como os sapatos, então não tinha porque o castanho fazer novamente.
Kurt não tinha mais nada para fazer a não ser estudar um pouco, assistir televisão ou ficar mexendo no celular. O castanho pensou estudar um pouco, mas se lembrou de que não poderia fazer isso porque talvez Blaine também quisesse, então pensou em algo que poderia fazer sozinho e que Blaine não se envolveria. Kurt decidiu malhar em frente à televisão como fazia em alguns sábados.
Kurt acabou ficando do meio dia até às três da tarde dançando. O castanho estava exausto e imaginou que não precisaria ter mais aulas de dança. Depois de bons minutos exausto no chão, Kurt resolveu tomar um banho gelado. Já que havia tomado mais cedo, o segundo banho durou apenas alguns minutos, suficientes para tirar todo o suor do corpo do castanho. Kurt se sentou no sofá com a toalha enrolada na cabeça e com roupas mais frescas, como um short e uma regata. O castanho conferiu o celular e viu que Blaine não havia se prontificado e sabia que ninguém dormia até três e meia. Quando o estomago de Kurt roncou, ele teve outra ideia.
“Como fugiu de um café comigo, que tal um jantar? Eu penso em algo para nós. Esteja às 19:00 aqui em casa.
– Kurt”.
O castanho foi para os armários da casa e não encontrou nada para poder fazer, então resolveu que compraria comida japonesa. O castanho se trocou para uma roupa simples e casual, pegou as chaves de casa, a carteira e o celular.
Kurt pensou que talvez Blaine pudesse aparecer, então resolveu avisar para o porteiro. O inglês explicou as feições de Blaine e disse que se por acaso ele aparecesse, que poderia subir e avisar que Kurt voltaria logo. Kurt foi com longos e rápidos passos até o restaurante japonês mais perto do prédio e pediu para que entregassem às seis e meia. Kurt havia reservado um barco com comidas típicas e um bom vinho. Na volta pra casa, Kurt seguia mais rápido, até um momento que o castanho se viu correndo para poder chegar o mais rápido em casa. Quando chegou sem folego no prédio, Kurt perguntou se alguém havia aparecido. Ninguém. O rapaz escondeu o desapontamento, agradeceu e foi para o elevador.
Mesmo com a casa arrumada, Kurt ainda deu uma ajeitada e depois foi para seu terceiro banho do dia. O castanho apenas jogou uma água no corpo, mas ele realmente se preparou foi no banho de hidratante, aromatizantes e perfumes; o garoto poderia ser confundido com uma perfumaria facilmente.
Kurt escolheu usar uma camisa branca dobrada até os cotovelos, um colete preto, com os primeiros botões abertos, onde havia um lenço chumbo, calças pretas e sapatos também pretos. Kurt havia conseguido deixar seu cabelo melhor do que nunca. Quando toda a produção do inglês terminou, já eram seis horas. O castanho depois decidiu que jogaria perfume de ambiente em toda casa. Depois de finalmente ter sossegado, Kurt foi para a sala e ficou jogando enquanto esperava a comida e Blaine chegarem.
– Blaine vai vir... Eu sei que vai... Ele virá, trará flores e dirá como eu estou bonito e cheiroso. Elogiará a comida e... Por favor, venha Blaine... – Kurt não se concentrava mais no jogo do celular, mas se imaginava se Blaine viria, mesmo sem avisar. – Mas é que ele disse...
Depois de balançar a cabeça, o castanho ia voltar para o jogo, mas a campainha tocou. Kurt pulou do sofá, ficou de frente para porta, arrumou o cabelo e por algum motivo estranho, checou o hálito. Kurt abriu um sorriso antes de abrir a porta.
– Bla- Michael... – Kurt havia se animado, mas era apenas Michael, o entregador do restaurante. Kurt mudou sua posição que estava ereta e abaixou os ombros.
– Sua comida. – A cara do latino deveria estar do lado da palavra “tédio” no dicionário.
– Pode entrar e colocar em cima da mesa, por favor. – Kurt permaneceu na porta com uma cara que poderia superar a de Michael, porém com uma pitada de frustração e raiva.
– Parece que alguém levou um bolo. – Disse o entregador rindo e olhando em volta. Kurt se perguntava por que teria que haver alguém tão intrometido e ridículo, ao ponto de parecer com o JBI, em Londres.
– Não te dou esse tipo de liberdade. Some daqui! – Kurt apontou a parede que ficava em frente ao seu apartamento com a cara mais brava que conseguiu fazer. Michael passou bem perto de Kurt com os antebraços levantados e encarando os olhos azuis. Kurt não ousou desviar por um minuto sequer. Assim que o moreno começou a descer os primeiros degraus, automaticamente deixando de encarar Kurt, o castanho bateu com força a porta. – Imbecil! – Kurt xingou o entregador e socou a porta. – Droga! – Kurt estava começando a acreditar no latino.
Kurt com passos firmes foi até o sofá, se sentou e começou a praticamente a afundar os dedos no celular.
“Blaine, está tudo bem? Eu estou preocupado, você não deu notícias desde cedo. Espero que esteja vindo...
– Kurt”.
O rapaz tentava ficar bravo com Blaine e com o fato de que o americano não cumpriu com o que disse, muito menos havia dado sinal de vida. Kurt poderia até pensar que Blaine havia se acidentado, mas o moreno havia postado a foto. Kurt tentava fugir do pensamento de que Blaine havia postado enquanto dirigia, mas Jeff teria perguntado para saber se ele havia ficado na casa de Kurt. Enquanto Kurt pensava em várias situações na quais Blaine poderia ter se envolvido, o castanho recebeu uma mensagem, automaticamente ficando feliz, porque com certeza era a resposta de Blaine.
“Finn e eu não voltaremos para casa, não nos espere.
Te amo, Rachel ♥”.
– Você pode passar uma semana longe de casa, enfeite de jardim. – Kurt se jogou para trás no sofá e abriu os braços, deixando a mensagem de Rachel ainda aberta em sua mão. – Ai que droga. – O celular vibrou novamente. – Ai Rachel, vai detalhar seu sexo com meu irmão? – Kurt rolou os olhos e foi conferir a conversa com a amiga. Não havia mensagem nova da Rachel, e sim de outra pessoa. Kurt juntou as sobrancelhas e voltou para caixa de entrada, onde ficavam todas as conversas.
Havia um número em cima do nome de Blaine. Havia o nome do moreno e o começo da mensagem, na qual estava escrito: “Kurtie, me desculpa, mas eu estou c...”. Quando o castanho foi clicar, deu um estouro na rua, apagando todas as luzes da casa. Com o estrondo, Kurt se assustou e jogou o celular longe.
– Não, não, não, não. – Kurt tentava inutilmente achar o celular no meio da escuridão, mas estava tudo escuro e provavelmente o celular havia desligado com a queda. – Por favor, eu preciso saber o que tem naquela merda de mensagem. — Kurt merecia saber se Blaine estava a caminho. – Provavelmente aquele “c” era de “chegando”. Kurt não parava de tatear o chão da sala. Até que o castanho bateu a cabeça enquanto procurava o aparelho. – Ai cacete! – Resmungou. Ele se sentou e alisou a cabeça. Havia até lacrimejado. – Droga! — Kurt ficou por alguns bons minutos sentado no chão. – Bom, enquanto aquele vagabundo não aparece, vou me deitar e espera-lo aparecer. Quando chegar, usarei o celular dele para procurar velas e ligar para a companhia de luz. – Depois de passar o dia todo sozinho, Kurt não estranhou que no fim do dia dele, começaria a falar sozinho.
O Hummel se levantou do chão e começou a andar lentamente, com as mãos na frente do corpo para não esbarrar em nada. As pequenas luzes da cidade, que entravam pela janela, ajudavam na silhueta das coisas. Kurt sentiu que havia chegado à cama, quando o dedão foi de encontro ao pé da cama. Kurt deu um grito que poderia ser considerado de uma mulher sendo violentada. Kurt apenas mordeu os lábios, tirou os sapatos e se deitou na cama, que estava feita, e esperou Blaine chegar.
[...]
Kurt sentiu alguma coisa iluminar seu rosto. Lentamente o castanho abriu os olhos, assim percebendo que havia dormido. Kurt esfregou os olhos, mas assim que fez isso, escutou asas e um canto de um pássaro.
– Oh não... Ele não fez isso... – Kurt lentamente abriu os olhos para ver a luz do sol de Domingo, entrando pelas frestas da janela e refletindo no rosto do castanho. – Aah, ele fez... Aah Blaine Anderson, você vai ser ver comigo, pilantra. – Kurt tinha um sorriso no rosto de um verdadeiro psicopata.
Kurt desceu da cama e colocou correndo os sapatos. Quando passou pela cozinha, pegou as chaves e a carteira. Kurt estava colocando fumaça para fora das orelhas e das narinas. O castanho era capaz de deixar a marca do pé no chão e furar as mãos com as próprias unhas, de tanto que apertava o punho.
Kurt estava indo como furacão para casa de Blaine. Não importava o cabelo, a pele ou a roupa, e muito menos as circunstâncias e os argumentos de Blaine: Ninguém deixava Kurt Hummel esperando. Muito menos em uma noite especial.
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