American Boy
5 Capítulo 5
Notas iniciais
– E ai, gostou? – Perguntou o moreno depois de agradecer os aplausos e ir se sentando do lado de Kurt.
– Ahn? Ah! Sim, gostei. Gostei muito. Sua voz é incrível, melhor do que eu havia imaginado. – Kurt saiu de seus devaneios, tirou os olhos que antes eram fixos no chão e deu um sorriso sincero para Blaine. Logo o rosto do castanho ficou sério. – Blaine, e-eu quero ir pra casa... — A tristeza que tomou o rosto do moreno foi mais do que visível. Kurt se sentiu mal, mas precisava ir para casa depois daquela dedicação toda. – P-por favor, é que amanhã precisarei fazer algumas coisas pela manhã e já deve ser meia-noite.
– Ok. Vamos meninos? – Perguntou Blaine mandando um olhar para Jeff e Nick que entenderam. Os garotos assentiram e todos começaram a recolher suas carteiras e celulares da mesa. Eles passaram por entre as mesas e quando chegaram ao balcão, Kurt foi abrindo sua carteira. – Nem pense nisso! Eu sou o único que vai pagar aqui.
– Mas-
– Nada de “mas”, Kurt Hummel. Eu vou pagar, você vai aceitar, como um bom cavalheiro que é; e vamos ficar felizes com isso. – A conta havia dado 90 euros. Blaine abriu a carteira e deu duas notas de cem. – Pode ficar com o troco.
O recepcionista agradeceu e desejou uma boa noite. Blaine por espontaneidade pegou a mão de Kurt, que no começou tomou um susto e até olhou para Blaine, mas como o moreno agiu com indiferença e como se não tivesse feito absolutamente nada, Kurt relaxou e tentou se acostumar com a sensação da mão gelada de Blaine na sua. Kurt sentiu que a mão dele com a de Blaine se encaixavam perfeitamente.
Kurt adorava todo o braço de Blaine. Como ele era forte, como os pelos ficavam deitados sobre o antebraço, o pulso que tinha o relógio de metal no qual fazia o barulho favorito de Kurt, a mão grande e firme, a palma da mão que era amarelada e com as pontas dos dedos levemente vermelhos. Sem contar as unhas redondinhas e limpas. O castanho só não percebia que não era apenas o braço de Blaine que ele gostava, mas absolutamente tudo sobre o moreno.
Conforme a conta foi paga, o carro foi solicitado, e enquanto isso, o grupo de amigos esperava do lado de fora debaixo do toldo do bar. Nick abraçava os ombros de Jeff, que tinha as mãos juntas ao corpo. Conforme o vento soprava, Kurt sem perceber colocava a outra mão no bíceps de Blaine e escondia o rosto atrás do mesmo. Blaine se deixou sorrir pelo menos para aquilo, mas logo voltava a ficar sério. Quando o carro chegou, o manobrista saiu e entregou a chave para Blaine. O moreno abriu a porta para Kurt, que aceitou, entrou e esperou Blaine dar a volta para entrar no veículo. Quando todos estavam dentro do carro, Blaine deu a partida e começou a ir por um caminho diferente da casa de Kurt.
– Blaine, esse não é o caminho. – Kurt disse olhando pela janela a rua que seguia para a sua casa. Blaine ficou quieto e olhou pelo retrovisor. Nick e Jeff haviam entendido, menos Kurt, que ficou quieto quando não foi respondido.
– Isso que dá confiar em uma pessoa que você conhece em apenas uma semana. Ele te conhece, te apaixona, fingi que corresponde, te canta uma música, no final te leva pro desconhecido e te mata com a ajuda dos dois amigos deles. –Kurt não parava de pensar enquanto via as casas passando pela janela do carro.
[...]
Depois de uma viagem silenciosa, na qual nem os namorados no banco de trás haviam conversado, o carro parou em frente à casa de Blaine. Kurt ficou encantado. Era vermelha com toda madeira em branco, uma varanda com um tipo de colchão com algumas almofadas, o jardim era grande e havia algumas flores em canteiros. Kurt podia jurar que era igual a casa do Carl e Ellie do filme “Up!”, porém com as cores da casa trocadas.
– Boa noite, Kurt. Adoramos a noite e foi um prazer conhece-lo. – Disse Jeff abrindo a porta e saindo do carro, já com os pés na calçada.
– Digo o mesmo...
– Boa noite, meninos. Foi um imenso prazer. – Disse Kurt finalmente, dando um sorriso com o canto da boca.
– E não demore pra voltar para casa, Anderson. Você sabe que Jeff acha que é seu pai e fica me perturbando na cama porque está preocupado com você. – Disse Nick.
– Desnecessário falar isso agora na frente do Kurt. – Disse Jeff abrindo o pequeno portão branco da casa. O namorado respondeu com o dar de ombros.
– Tchau. – Nick fechou a porta traseira do carro e ficou atrás do namorado, esperando para entrar em casa. Quando a porta principal foi fechada, Blaine se virou para o banco do carona.
– Bom, vou te levar agora. – Disse Blaine seco. Kurt concordou com a cabeça e voltou para a janela. E assim o carro voltara a andar.
[...]
Quando Blaine parou na frente do prédio de Kurt, a rua estava totalmente vazia e escura. Kurt olhou para Blaine esperando o moreno se despedir. Blaine virou o corpo para ficar de costas para a janela e olhar para Kurt. Como apenas encarou Kurt, o castanho decidiu se despedir primeiro antes que aquilo ficasse muito estranho.
– Boa noite, Bl-
– Não. – Blaine cortou Kurt. O castanho estava sentido que coisa boa não viria. – Kurtie... Porque você quis vir embora? Estava tão bom. E eu sei que você não tem nada amanhã cedo. – O castanho se deu por vencido e respirou fundo.
– É que... Isso é tão... Errado... – Kurt estava confuso com as próprias palavras. O castanho se mantinha tão pensativo enquanto olhava para o banco caramelo do carro, que não viu que as sobrancelhas do moreno haviam se juntado em uma cara de confusão.
– O que seria errado, Kurt? Eu pensei que você fosse gay. – A voz de Blaine era uma mistura de surpresa e curiosidade.
– Bom, e-eu sou gay. Mas isso que você fez hoje foi tão errado, o que você vem fazendo está errado. – Kurt encarava Blaine agora. Os dois não pareciam como há duas horas.
– Kurt, eu não estou entendo aonde você quer chegar. O que está errado?
– Tudo Blaine. Me paquerar, e não diga que estou ficando maluco, porque eu não sou bobo; você e seu modo carinhoso, sua dedicatória para mim hoje mais cedo. Blaine, você não pode fazer isso... – Estava sendo muito difícil para o castanho. Era difícil encarar Blaine nos olhos e dizer para ele que aquilo era errado, quando na verdade, ele queria mais do que tudo aquilo.
– Kurt, eu sei que é cedo, mas somos livres e gays, não vejo mal algum pelo menos tentarmos alguma coisa... – Kurt estava lutando para não derreter com aquelas palavras. Blaine estava começando ficar um pouco irritado, porque o moreno teve certeza que com aquele beijo mais cedo, Kurt estava a fim dele.
– Agora você é livre, depois de terminar com seu namorado. – Kurt agora se virou para Blaine com um tom de irritação em sua voz.
– Meu o que? Kurt, do que diabos você está falando? Eu não tenho namorado nenhum. – Blaine estava bravo e Kurt conseguiu sentir atração com aquilo.
– Não mais, porque você tinha. – Blaine iria falar quando Kurt cortou. – Blaine, pare de mentir, não haja como se eu fosse o louco daqui. Quando nós nos conhecemos na segunda, você estava usando uma aliança, que ocupava praticamente todo seu dedo e hoje você me aparece sem ela. Como se nunca tivesse tido um namorado e que não terminou com ele essa tarde, depois que eu te dei aquele beijo. – Kurt falou rápido demais, mas o moreno havia entendido, porque começou a rir. – Qual é o problema? – Kurt seria capaz de dar um tapa na cara de Blaine.
O moreno riu até que encostou o cotovelo no banco e colocou dois dedos dobrados nas têmporas, apoiando a cabeça.
– Kurt Hummel, você me fez ficar louco por você em apenas uma semana. – Blaine colocou a mão livre no pescoço de Kurt e deixou o polegar alisar a bochecha do castanho. Kurt além de ficar corado, havia ficado paralisado com as palavras do moreno. – Eu não tenho, e recentemente não tive nenhum namorado. – Kurt iria protestar. – Você não está errado, durante essa semana havia uma aliança no meu dedo, mas não havia nenhum namorado. – Kurt levantou uma sobrancelha. – A história é que Jeff sugeriu que eu usasse uma aliança no meu primeiro dia de aula, porque ele me disse que havia alguns rapazes de Londres que eram bem jogados e não queria que eu conhecesse alguém por quem pudesse me apaixonar.
Kurt ficou um bom tempo encarando o moreno fixamente nos olhos.
– Você está achando que eu sou idiota? E seu “convidado especial”? – Kurt tirou a mão do moreno de seu pescoço e cruzou os braços. Blaine riu antes de falar.
– Era Wes, meu outro amigo. Ele iria vir para te conhecer também. – Kurt virou um pouco o rosto e cerrou os olhos para Blaine. — Kurtie, é sério. Eu juro. Eu só tirei a aliança porque, bem... Você apareceu... – Kurt tentou não sorrir, mas não conseguiu e olhou para baixo para esconder o sorriso e as bochechas de Blaine. O moreno viu e sorriu para a cena adorável. O mais novo levantou o rosto de Kurt para poder encarar os olhos azuis. – Quando você me deu aquele beijo, mesmo sendo na bochecha, eu senti uma coisa nova, Kurt. Quando eu estava nesse carro te vendo entrar naquele prédio, senti que precisava cantar aquela música para você, porque me faz sentir daquele jeito. Kurt Hummel, você é meu sonho adolescente. O tipo de cara que é fofo, encantador, o tipo de cara que quero conhecer a cada dia mais, viver com a cada dia mais. Quero conhecer mais sobre Finn, Rachel, seus pais, sua família! Você é tipo de cara que eu quero pra mim. Eu tirei aquela aliança porque eu decidi que eu te quero, mesmo sabendo de todas as consequências. E não importa o que Jeff diga sobre se apaixonar agora, eu quero fazer desses meses... – Blaine segurou as duas bochechas Kurt, e chegou perto do rosto do castanho, para os olhos poderem apenas enxergar um ao outro. – Os melhores meses da minha vida. – Kurt sentia convicção nas palavras de Blaine. E sentia que aquelas palavras também precisavam de uma resposta.
– E-eu... E-eu... E-eu também gostei- que dizer, gosto de você, Blaine. – Kurt disse, corando mais ainda. Blaine sorriu ainda segurando o rosto do castanho. Kurt olhou para baixo, preocupando o moreno, que agora procurava o olhar de Kurt. – Mas eu passei a semana toda achando que você tinha um namorado e que esse namorado era o tal de Wes, e não quis acabar com um relacionamento... – Blaine pegou as mãos de Kurt, que se voltou para os olhos sinceros de Blaine.
– Mas agora você sabe que Wes é meu amigo, a aliança era de mentira e que em apenas uma semana, você me conquistou.
– Exatamente Blaine, aí está o outro “porém”. Blaine, nós nos conhecemos há apenas cinco dias...
– Cinco dias maravilhosos! Nesses cinco dias fiquei caidinho por você e você mesmo acabou de admitir que também está gostando de mim. Então você sabe que não é impossível...
– Eu sei, é que... – Kurt respirou fundo. Blaine encarou o chão do carro e entendeu um pouco a visão de Kurt. Depois de um bom silencio, Blaine resolveu falar.
– Olha, eu vou embora, mas não pense que não vou voltar amanhã ou que vou desistir de nós. – Kurt olhou para o amigo com os olhos marejados e deu o mais fraco dos sorrisos. Kurt concordou com a cabeça, colocou suas próprias mãos de Blaine e as tirou; e se virou para a porta. – Boa noite, Kurtie. – Disse Blaine inclinado, ainda de costas para a sua porta, na direção do volante, a fim de ver o rosto do castanho. Kurt abriu a porta e ficou parado.
– Só para essa noite não ser em vão... – Kurt se virou rapidamente e deu um selinho em Blaine. Quando o moreno foi colocar a mão na nuca de Kurt para aprofundar o beijo, o castanho havia saído e levado ele um sabor que Blaine nem havia distinguido, mas que era o melhor que o moreno havia provado. – Boa noite, B. – Kurt disse sem se virar, nem mesmo para fechar a porta do carro.
Enquanto o castanho corria para as escadas, Blaine tinha os dedos sob os lábios, imaginando se aquilo realmente havia acontecido. Quando se deu conta, começou a comemorar dentro do carro. Gritou, danço, bateu em tudo que foi parte, só parou quando bateu com força na buzina. O moreno se assustou, mas continuou com o sorriso de propaganda de creme dental e ligou o carro, partindo para casa e para acordar os amigos aos berros.
[...]
Depois de subir os lances de escada, Kurt abriu e fechou a porta do apartamento rapidamente e ficou respirando fortemente com a testa colada na porta. Não sabia se estava sem folego pelas escadas, ou pelo o selinho.
– Blaine Anderson cantou pra mim, não tem namorado, gosta de mim e eu beijei ele. Acho que vou precisar de alguns bons calmantes para dormir. –Kurt também tinha os dedos sob os lábios e olhos arregalados, enquanto tinha a outra mão sobre a porta de madeira velha.
– Oi, Kurt. – Disse Rachel enquanto estava sentada no sofá e tomando seu chá.
– AH! – Kurt virou, colocando as costas e braços na porta, se assustando com a voz repentina. O rapaz ficou respirando fundo, enquanto a judia o encarava como se nada tivesse acontecido e dava pequenos coles em seu chá. – Achei que estaria sozinho.
– Deveria, mas Finn não tinha muito dinheiro, então ficamos em casa mesmo. E ainda estou acordada porque queria esperar você chegar. – Disse a garota. – Sente aqui e conte como foi sua noite. – Disse dando umas batidinhas para Kurt se sentar ao lado dela. O castanho piscou algumas vezes antes de falar.
– Um minuto. – Ele levantou um dedo sem encarar Rachel. Kurt ainda estava perplexo. O castanho foi até a cozinha, pegou alguns calmantes, um pouco de chá e foi se sentar ao lado de Rachel.
– E então, como foi? – Perguntou a morena sem tirar os olhos do amigo enquanto tomava seu chá.
– Bom, conheci os amigos de Blaine, ele cantou uma música para mim e no final acabei descobrindo que ele não tem namorado e deu um selinho nele antes de subir correndo. – Disse Kurt encarando a mesinha sem esboçar algum sentimento.
– É o que? –O grito de Rachel foi ouvido há anos luz de distância. – Que história é essa? Me explica isso direito.
– Bom vou te contar. Depois de um tempo que estávamos no Callbacks...
[...]
– ... Então eu dei um selinho nele, subi correndo e agora estou aqui, te contando tudo. – Kurt terminou de explicar como havia sido a noite conturbada que tivera.
– Wow! Isso foi... Wow. – Rachel olhava para Kurt como se o castanho tivesse contado a história mais sem noção de Brittany. – Kurt... Sua vida é uma loucura. Um namorado de mentira? Isso não se vê todo dia. – Rachel deu uma girada na cabeça e bebeu um pouco do chá. – O que você vai fazer?
– E-eu não sei, Rach. Sinceramente, eu não sei. Eu gosto do Blaine, mas é muito recente. Eu iria esperar mais um tempo, mas eu não aguentei, muito menos queria estragar a noite que ele esperou que fosse inesquecível...
– Entendo... Mas não tenha pressa, você tem tempo ainda pra começar alguma coisa. – Rachel afagou o ombro de Kurt.
– Preciso por minha cabeça no lugar antes que o intercambio dele acabe-
– Espera, intercambio? Blaine não vai ficar para sempre aqui em Londres? – Perguntou Rachel surpresa. Kurt negou com a cabeça. – Oh, não, não, Kurt. Se ele é aluno de intercambio, você não vai precisar formar sua mente. Vocês dois não podem namorar.
– Por que não? – Perguntou o castanho. Rachel se levantou e foi em direção à cozinha, acompanhada de Kurt.
– Kurt, Blaine só vai ficar alguns meses aqui, você vai ficar péssimo quando ele precisar voltar para a América. – Disse Rachel enquanto colocava a caneca dentro da pia. Kurt fez os mesmo e os dois ficaram um de frente para o outro, do lado da pia. – Você não pode namorar ou ter qualquer outro tipo de relacionamento com ele, porque eu sei como você fica quando termina um namoro.
– Quando Adam se foi eu não demorei tanto para superar. – Retrucou Kurt.
– Não estava falando desse namoro... – Kurt entendeu e virou o rosto para o outro lado. – De qualquer forma, a decisão é sua, foi apenas um conselho.
– Eu diria que foi uma intimação. – Respondeu Kurt.
– Boa noite, Kurt. – Rachel beijou o amigo na bochecha e foi para o quarto.
Kurt respirou fundo, balançou a cabeça e também foi para seu quarto. Lá, o castanho arrumou as roupas na arara, colocou um pijama, ajeitou os lençóis e travesseiros e se deitou. O castanho viu o celular vibrar na mesinha e foi conferir. Havia alguma notificação no Instagram, onde o castanho já imaginava o que era. Kurt imaginou o certo. Blaine havia marcado ele em uma foto que o grupo havia tirado no Callbacks, mas na foto só havia Kurt e Blaine, e o moreno tinha o braço em volta do ombro de Kurt. O castanho não se lembrava de ter colocado seu rosto tão perto do de Blaine. A legenda era apenas um coração. Kurt curtiu a foto e colocou o celular de volta no lugar. Kurt colocou os cobertores grossos até o queixo e ficou pensando.
– Hoje foi uma noite e tanto... Acho que as palavras de Blaine no brinde estavam certas. Noite inesquecível. Agora estou em um dilema: Aproveito Blaine enquanto ele está em Londres ou me esqueço dele para não me machucar. Devo encarar Blaine como meu coração e Rachel como minha razão... Creio que se Sebastian não tivesse tido pais gays, eu talvez não tivesse tanto medo de me arriscar, ou talvez nem estivesse nesse dilema, muito menos conhecido Blaine...
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