American Boy
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Assim que entrou na sala, Kurt foi direto para seu lugar de costume: perto da janela. Nesse primeiro período, o castanho teria aula de dança, coisa que ele era fraco, então já foi se preparando para depois se aquecer. Enquanto Blaine estava admirando a sala perto do piano, Kurt não parava de pensar sobre o anel.
Kurt tirou o cachecol, depois o casaco, revelando os braços fortes e o peitoral escondido pela regata branca. Kurt sem perceber acabou se abaixando demais para tirar a calça, praticamente jogando na cara das outras garotas que ele é quem tinha o maior traseiro da sala. Depois de terminar sua “performance”, que sem duvidas agradou muitos meninos de sua sala, Kurt permaneceu de shorts curtos e com sua regata. Kurt nem havia percebido que do outro lado da sala, um moreno e outro castanho só faltaram aplaudir a cena.
Kurt guardou as roupas dentro da bolsa e foi para a barra se alongar. O castanho colocou o fim da batata da perna em cima da barra e tentou alcançar os pés. O garoto estava tão concentrado que nem sentiu a aproximação de quem mais corria.
– Oi, coisa gostosa. – Disse Sebastian ao segurar na cintura de Kurt.
– Aah! – Com a surpresa, Kurt acabou pulando em uma perna só quase tombando para a direita. – Sebastian! Seu infeliz. – Kurt tirou a perna direita de cima da barra e se virou com as mãos na cintura para o mais alto. – Se eu caísse-
– Eu ia te segurar e te guardar como a minha própria vida. – Disse Sebastian cortando o garoto. Para Kurt, Sebastian tinha o maior e mais gostoso sotaque de toda Inglaterra. O castanho nem tentava se preocupar mais em deixar os pelos rentes à pele. – Minha sorte do dia, e provavelmente do ano: Ter o cara mais lindo da escola no primeiro período da segunda feira. – Sebastian colocou a mão em toda a extensão do queixo de Kurt. – Adivinha quem é esse cara...
– Kurt! – Disse Blaine se aproximando dos dois. Kurt não queria se iludir, mas Blaine realmente queria parar algo. – E-eu posso me alongar com você? – Perguntou o moreno olhando entre Kurt, Sebastian, a mão no queixo e a boca dos dois. Os dois encararam Blaine. Sebastian olhava como se estivesse olhando para um verme.
– Se me der licença. – Kurt agora falava com Sebastian. – Tenho que me alongar. – Kurt abaixou o braço de Sebastian e assim removendo a mão do mesmo de seu queixo. – Vem, Blaine. – Chamou o moreno e se voltou para barra para alongar a outra perna. Blaine o assim acompanhou.
– E então Kurt... – Disse Sebastian se posicionado no meio de Kurt e Blaine, se escorado na barra. – Me apresente seu novo... Amigo. – Sebastian media Blaine dos pés a cabeça. O moreno constrangido, às vezes ariscava olhar para Sebastian, mas logo desviava ao encontrar.
– Diabo, Blaine. Blaine, diabo. – Disse Kurt ainda alongando a perna. Como Kurt matinha a cabeça baixa, não percebia a tensão que rolava entre os dois.
– Diabo? – Sebastian olhou para Kurt. – Que primeira impressão você está me causando na frente do calouro.
– Ok. Ele é o filho do diabo, não precisa ter medo dele, Blaine. Só do pai dele... – Kurt respondeu sabendo muito bem quem era o senhor Smythe.
– Muito engraçado. – Sebastian agora se dirigiu a Kurt. Blaine apenas escutava tudo de cabeça baixa. O moreno tinha certeza que tinha coisas internas na troca de faíscas. – O que fez nas férias, docinho? – Nesse momento, Blaine levantou bruscamente a cabeça e encarou Kurt, mas por sorte, ninguém notou. Agora os dois alongavam os braços.
– Nada que seja da sua conta. E eu não sou seu docinho. Nem docinho e nem nada. – Kurt cuspiu as palavras.
– Uuh... De qualquer forma... Você e Blaine... – Sebastian encarou o moreno, que apenas ficou olhando Sebastian com a boca semiaberta e muito confuso. – Vão ao Callbacks sexta a noite, certo? – Agora Blaine e Sebastian encaravam Kurt.
– Sebastian, vai procurar o que fazer! – Kurt havia parado de se alongar e encarava o velho “amigo”. – Eu mal tive tempo de falar com o garoto, muito menos dizer o que é o Callbacks. Teria como você usar um pouco da educação que seu pai te deu e nos dar licença? – Kurt estava notavelmente de raiva.
– Ok, te vejo depois... Lindo. – Sebastian tirou os antebraços de cima da barra, se colocando em uma forma ereta. O castanho fez questão de piscar para Kurt antes de sair. Enquanto o mais alto saia, Kurt encarava a cabeça do mesmo, se controlando ao máximo para não dar um soco nas costas do garoto.
– Vo-você quer que e-eu sai-
– Não, de modo algum, pode ficar. Sebastian é um babaca. – Kurt voltou seu olhar para Blaine. – Callbacks é um bar para estudantes, onde você se apresenta, se quiser, assim que chega à LU. Seria muito bom você ir, pra assim mostrar sua voz. – Kurt deu um leve sorriso para o novo colega e voltou a exercitar os quadris.
– Vo-você vai? Porque e-eu só conheço você, então... – Kurt estava pensando no fato de Blaine talvez fosse gago e tivesse um problema nas bochechas.
– Ahn... Claro, vamos sim. Vou te passar meu número e passo na sua casa na sexta. – O castanho se arrependeu assim que fechou a boca. – Kurt Hummel, seu imbecil! Se você causar problemas no namoro dele, eu acabo com você. – Discutia Kurt consigo mesmo.
– Ok! – Kurt recebeu o sorriso mais gratificante que já imaginou.
– Ok. – Respondeu o castanho. – Kurt, acorda! Isso não é “A Culpa É Das Estrelas”! Para de flertar com esse menino e peça a Deus que ele não tenha lido.
– Ok... Hazel Grace. – Respondeu o moreno com um sorriso ainda maior e voltando a se alongar.
– Imbecil. Mas espera... Se eu sou a Hazel, então ele... Oh, com certeza não sou eu que estou flertando...
– Bom dia, alunos. Meu nome é Robert Smythe e eu serei seu professor de dança...
– Ei... Kurt! – O castanho percebeu que Blaine o chamava. – Esse é o-
– Sim. Ele é o pai do Sebastian. – Cortou o castanho no mesmo tom baixo de voz, então a cara de confuso de Blaine havia ido embora.
– Ok, calouros e veteranos, que não foram meus alunos ano passado, no fundo da sala, por favor. – Pediu o pai de Sebastian. — Vou lhes mostrar como é meu meio de ensino. – Blaine foi para o fundo da sala, mas estranhou quando viu que o único movimento de Kurt foi encarar os pés.
Assim que Blaine chegou ao fundo, percebeu que só haviam sobrado Kurt e Sebastian no meio da sala.
– Ótimo, meu filho e Hummel. Mais alunos poderão conhecer meu trabalho. Ano passado houve uma apresentação de inverno...
– Não, por Deus, não. Tudo menos isso!
– ...Meu filho e o senhor Hummel fizeram uma ótima apresentação de “Try” da Pink, então eu quero que eles lhe mostrem algo.
– Alguém tira desse homem o direito de lecionar. – Kurt pensava enquanto ia para o meio da sala e ficava na frente de Sebastian, porém de costas para o mais alto. Blaine fez questão de ficar no meio do grupo e na frente, não querendo perder nenhum detalhe.
– Parece que nos encontramos mais cedo do que eu esperava. – Disse Sebastian ao ouvido de Kurt. Kurt com a cabeça baixa rolou os olhos.
– E quero que percebam na evolução de Kurt, pois ele era um patinho tonto no começo. – Robert deu uma risada que só fez o estomago de Kurt se embrulhar e a raiva sobre aquele homem subir. – E meninos... – Sebastian e Kurt viraram a cabeça em 60º graus para o professor atrás deles. – Como o August vai dar aula para vocês dois esse ano... Acho melhor que já comecem aquecendo a voz... – O homem apertou o “play” e a melodia invadiu a sala.
– Ótimo. Os dois pais de Sebastian me dando aula. Como pode melhorar?– Kurt bufou e se preparou rapidamente para cantar enquanto dançava com Sebastian.
Kurt:
Ever wonder 'bout what he's doin'
How it all turned to lies
Sometimes I think that it's better
To never ask why
Kurt tinha olhar melancólico enquanto encarava o fundo da sala. O castanho por um momento decidiu olhar para o moreno. Blaine encarava cada movimento atentamente. Kurt apenas respirou fundo e voltou a cantar.
Blaine não poderia estar mais encantado. – A voz dele é linda... É maravilhosa! O rosto e voz de anjo. Kurt não deve ser real... E duvido muito que ele fosse um patinho dançando... Ele é incrível! – Blaine só via cada vez mais qualidades no novo colega. – Sebastian deve ser o cara mais sortudo do mundo por ter os quadris de Kurt perto dos dele...
Blaine assistia atentamente Sebastian. Ele parecia tão estranho cantando aquela música, mas não de jeito ruim, Sebastian parecia que estava tocado com aquela música, com o toque das mãos e a voz de Kurt tão perto dele. Sebastian parecia machucado. Blaine poderia jurar que viu uma lágrima escorrer pelo o rosto do rapaz. Kurt também, porque o castanho parecia levemente diferente. Mas Kurt não aparentava estar tocado com a música... Mas com Sebastian. Agora os dois não deixavam os olhos do outro. O mais puro azul do céu com o verde das folhas. E as duas cores totalmente aquareladas pelas lágrimas não derramadas.
[...]
Kurt e Sebastian:
You gotta get up and try, and try, and try...
A dança terminou com Kurt no colo de Sebastian e com a mão na mandíbula do dono dos olhos verdes e as pontas dos narizes se tocando. Assim que a sala foi preenchida com aplausos, Sebastian com cuidado colocou as pernas de Kurt no chão. Kurt ficou do lado do parceiro e abaixou a cabeça para limpar as lágrimas, assim como Sebastian.
– Muito bem, meninos. – Disse o professor entrando no meio dos dois e segurando os respectivos ombros. – Gostaram? — Se dirigiu ao restante da sala, que concordaram com a cabeça. – Pois muito bem... — Kurt ariscou olhar para Sebastian. Primeiro foi os pés, depois as pernas, na cintura, onde havia as duas mãos; depois a barriga, o peito, que subia e descia em uma frequência estranha; e finalmente chegou ao rosto. Kurt viu que Sebastian também estava de cabeça baixa e com aparência de quem havia chorado. Sebastian virou um pouco a cabeça e sorriu fraco para Kurt, que correspondeu. – ...Se espalhem pela sala.
Kurt foi direto de encontro a Blaine, puxando o braço do mesmo para o fundo da sala. Blaine não entendeu nada, mas apenas seguiu o colega. Quando chegaram ao fundo, Kurt soltou o braço do rapaz e se colocaram lado a lado. Kurt matinha cabeça baixa e Blaine fez a única coisa que veio a sua cabeça.
– Sua dança foi perfeita. Você está anos luz de um patinho tonto e duvido que um dia tenha sido um. – Blaine sussurrou e Kurt assentiu com um sorriso ainda de cabeça baixa. Blaine pensou mais um pouco. – E sua voz... Wow! De você para um anjo, só faltam as asas. – Blaine disse com um sorriso, abaixando a própria cabeça para achar os olhos do castanho. Kurt levantou a cabeça e encarou os olhos castanhos-avelã.
– Obrigado... Mesmo. – Kurt assentiu dando um sorriso fraco e logo depois virando a cabeça para frente.
– Me sigam. Cinco, seis, sete, oito. – Disse Robert para os alunos.
[...]
– Nossa próxima aula é na... Quarta, no primeiro período. – Disse o senhor Smythe consultado a prancheta. — Não se atrasem. Obrigado pela primeira aula e não façam macumba se tiverem me odiado, posso consertar isso. – Então o homem deu um sorriso e foi falar com alguns calouros que vieram falar com ele.
Todos estavam arrumando as suas coisas para ir para os chuveiros. Eles tinham sorte por estar frio e não terem suado tanto. Blaine esperava Kurt terminar de arrumar a bolsa, enquanto toda a sala havia saído.
– Pronto? – Perguntou o castanho colocando a alça da bolsa no ombro.
– Há tempos... — Blaine deu um sorriso e recebeu um tapa de Kurt no braço.
– Bobo! Vamos, antes que fiquemos sem tempo para tomar um banho, ai você vai conhecer um Kurt Hummel totalmente diferente... – Kurt fez uma careta e mostrou as “garras” no rosto de Blaine, que deu uma risada gostosa.
Assim que Kurt havia alcançado a passagem da porta, ouviu seu nome sendo chamado de dentro da sala e congelou na porta. Blaine nem percebeu então continuou andando.
– “Bobo”? Esse apelido me é muito familiar... – Disse o pai de Sebastian. O homem encarava a folha da próxima turma, enquanto Kurt estava de costas para ele e com os olhos fechados. – Você sabe que aquela minha oferta ainda está de pé... Se você aceitar, será feliz novamente...
Kurt relembrou do que passou no ano letivo passado. Kurt ainda de olhos fechado respirou fundo e respondeu:
– Nunca. – Kurt abriu os olhos e viu que Blaine o esperava e caminhou até o colega.
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