Notas iniciais
Olá. Enganei vocês novamente com a história de que "Talvez eu poste no meio da semana". Gente, entenda, eu sou um adolescente preguiçoso. Dentro do "[...]" é a história do Kurt, em itálico, é a narração dele direto para Sebastian e normal é a história como aconteceu pelo outro narrador (no caso, eu)

Sebastian ficou remoendo aquelas palavras. O mais alto ainda estava em pé, encarava o chão e reformulava a frase do ex. Sebastian levantou o olhar para Kurt depois de um tempo.

– O que você quer dizer com isso? — Questionou Sebastian. Kurt respirou fundo e se preparou para a parte dois da sua noite conturbada.

– Sente-se. — Pediu Kurt apontando para o sofá em sua frente. Sebastian ainda desconfiado se sentou lentamente sem tirar os olhos de Kurt. — Sebastian, tudo o que você ouvir a partir de agora, vai te afetar, muito, mas eu não quero que o resto da sua vida se volte para isso. — Sebastian tinha o mesmo olhar confuso de Finn, mas concordou examinando Kurt. — Vou direto para o começo...

[...]

Quando nós estávamos no ensino médio, tudo foi uma maravilha. Nosso relacionamento era maravilhoso, você sempre foi incrível; você foi meu primeiro em tudo, aquela parte da minha vida foi como viver em um conto de fadas. Mas as coisas entre nós começou a cair quando entramos para a faculdade, mais especificadamente, quando fizemos a besteira de querer dançar juntos naquele Festival de Inverno.

– Seb, porque diabos nós concordamos com essa loucura? — Disse Kurt caindo no chão e ficando deitado sobre o namorado no meio da sala espelhada. Os dois riram e Sebastian beijou o topo da cabeça do namorado.

– Porque somos demais e vamos ganhar isso. — Disse Sebastian abraçando Kurt. O menino dos olhos azuis aconchegou a cabeça no ombro do namorado. — Principalmente por eu estar dançando com o aluno mais talentoso da LU. — Kurt mostrou um dos sorrisos mais raros: aquele que de tanto mostrar os dentes, formava uma covinha na bochecha direita. Aquele que só Sebastian conseguia fazer.

– Bobo! — Kurt deu um soco de leve no peito de Sebastian. Depois Kurt subiu um pouco mais em Sebastian e o beijou carinhosamente.

– Vejo que estou atrapalhando. — Disse Robert ao entrar na sala rodeada de espelhos.

– Pai! — Kurt e Sebastian se arrumaram e se sentaram. Robert sorriu para os dois garotos. Kurt mal podia conter a bochecha corada.

– Bas, seu pai está te chamando. — Sebastian assentiu e se levantou. O pai bagunçou o cabelo do menino quando o mesmo passou por ele. Quando ficaram apenas Kurt e Robert na sala, o homem sorriu para o jovem.

Kurt sorriu de volta e se levantou para poder se alongar. O castanho se abaixou tocando as pontas dos pés com os dedos das mãos. Ao se levantar, Kurt notou que os olhos de Robert estavam vagando pelos espelhos. Kurt ignorou e voltou a se abaixar, quando subiu, viu Robert olhando para as pernas dele. O único problema era que Kurt usava uns daqueles shorts de ginástica superapertados. Ao perceber aquilo, o castanho parou de se alongar e foi arrumar os aparelhos de som da sala. Logo, Sebastian estava de volta.

– Seb, você pode me levar até em casa? Acho que por hoje já chega, né? — Sebastian concordou lentamente e notou que Kurt estava diferente.

Aquela foi a primeira vez que me senti mal na sua casa. Durante aquela noite, eu me condenei por imaginar coisas e implorei para que eu estivesse errado, mas se aquilo que tivesse visto fosse real, que fosse apenas um olhar técnico e crítico de seu pai; mas na segunda semana de ensaios, a coisa foi um pouco mais estranha.

– Sebastian, o que você tem hoje? Praticamente não fez nada certo. — Brigava Robert. Ele acompanhou todo o ensaio dos meninos. O homem se levantou e ficou no lugar do filho, no qual era atrás de Kurt.

Sebastian nem notou o desconforto de Kurt, apenas na "boa" intenção do pai. Já Kurt, estava tentando fazer tudo da melhor forma possível, para que o sogro se afastasse dele o quanto antes. O adolescente tentava não ficar tão perto do homem, como ficava com seu namorado. Kurt já não se sentia bem com tudo aquilo, imagina com o sogro o pegando, o levantando e chegando a falar perto do ouvido dele.

Kurt sabia que Sebastian estava indo perfeitamente, mas não falava nada, para que qualquer coisa que ele dissesse, não virasse contra ele. Mas o que o salvou naquele dia, foi sua boa atuação. Em meio à uma demonstração de Robert para Sebastian, o castanho ficou piscando como se tivesse tendo tonturas, Sebastian logo percebeu.

– Kurt, está tudo bem? — Correu para o namorado.

– S-sim, só um pouco de tontura. Acho que não dormi direito e as horas de ensaios já está começando a me afetar. — Dizia o rapaz, enquanto Sebastian o guiava para se sentar em um dos amplificadores.

– Vou te levar para casa. Pai, me empresta seu carro? — Perguntou Sebastian segurando suavemente a mão de Kurt. O homem levou um tempo para responder.

– Claro. — Ele disse seco e rígido. Sebastian se levantou e saiu do lugar para pegar os pertences do namorado. Novamente o homem e o jovem ficaram sozinhos na sala. Kurt ao fingir a tontura, olhou para cima e viu que o homem lhe encarava com os olhos cerrados. Quando Kurt tomou coragem para lhe perguntar alguma coisa, Robert começou a sair da sala.

Naquele momento eu tive certeza que seu pai tinha alguma coisa em particular comigo. Mas eu não sabia muito bem o que, porque afinal, nunca havia passado por esse tipo de assédio. Na terceira semana foi a que eu tive certeza onde seu pai queria chegar.

Sebastian e Kurt estavam se matando de ensaiar. Kurt agora usava calças e blusas de moletom para esconder seu corpo de Robert e usava a desculpa que queria emagrecer para Sebastian. Em uma das pausas dos dois, Kurt se deitou e respirava pesadamente.

– Amor, você não precisa emagrecer. Você está ótimo, não precisa ficar usando essas roupas pesadas para dançarmos. — Kurt ainda respirava pesadamente. — Faz assim: suba e vista um dos meus shorts. — Sebastian foi até o menor e tirou a grossa blusa de moletom. Por sorte, Kurt vestia uma regata por baixo.

Kurt se rebatendo foi no quarto de Sebastian. O castanho procurou por algumas gavetas erradas, mas logo achou um short. Kurt colocou os polegares dentro da calça e a calça. Quando o castanho estava com o corpo dobrado e com as mãos no chão, alguém o abraçou por trás...

– Então foi por isso que você mandou "trocar" de roupa? — Kurt se virou para abraçar Sebastian. Que na verdade, era Robert. Por instinto natural, o castanho empurrou o sogro tão forte, que o homem chegou a cambalear e derrubar alguns pertences de Sebastian.

Robert encarou Kurt dos pés a cabeça com um olhar de desejo. Kurt percebeu que as calças ainda estavam abaixadas. Kurt subiu as calças, guardou o short de Sebastian e passou correndo pelo o sogro. Quando Kurt chegou a sala, Sebastian estranhou.

– Ué, não colocou o short porque? — Perguntou o mais alto indo abraçar o namorado. Kurt tomou um susto, chegando a se afastar. — O que foi Kurt? Parece que viu um fantasma.- Disse Sebastian. Kurt parecia estar ouvindo vozes que só ele conseguia ouvir, porque o castanho se abraçava e olhava para todos os cantos freneticamente.

– N-não, e-eu estou legal. É só falta de costume de usar calças para dançar, mas vou continuar assim. — Kurt logo deu um selinho em Sebastian e se posicionou para começar a dançar. — Vamos?

Sebastian achou muito estranho, mas preferiu continuar.

Na quarta semana, quando ensaiamos na sexta, já que no sábado seria a apresentação; foi o pior dia da minha vida. Pior que todos aqueles que tive que passar pelo bullying sem você. E foi naquela noite que eu formei a minha mente sobre o que o seu pai queria e o que deveria fazer.

Os dois estavam ensaiando com as roupas que usariam na apresentação para ver se haveria algum problema com os movimentos. Na ultima vez, Robert e Augustus assistiram. Ao termino, os aplausos dos dois pares de mãos encheram a sala espelhada. Augustus foi o primeiro e o único ir até os dois.

– Parabéns, meninos! Isso foi incrível. Vocês trabalharam tão bem juntos. — Kurt se encostou em Sebastian e os dois sorriram para Augustus. — Precisamos comemorar. Vem, Bas, me ajude aqui na cozinha. — Augustus puxou a mão do filho para fora da sala. Kurt sorriu para a cena.

– Parabéns, Kurt. — Disse Robert com as mãos nos bolsos. — Você dançou muito bem. Tem forte chances de ganhar amanhã. — Kurt se virou para ficar de costas para Robert.

– N-na verdade, Sebastian e eu dançamos be-

– O que você acha um papel na Broadway? — Kurt levantou a cabeça e encarou o homem através dos espelhos. — Porque como você sabe, eu sou bastante conhecido por alguns diretores... — Robert foi se aproximando de Kurt e tocou o braço do castanho. — O que você acha? — Dizia alisando o braço do genro.

– S-seria, ótimo mas...

– Você só teria que fazer umas coisinhas por mim. — Ele sussurrou no ouvido de Kurt. O castanho saiu do lado do homem. — Ah, vamos lá, Kurt. É uma chance de entrar para a Broadway. Seu maior sonho!

– Não, prefiro merecer um papel pelo meu talento, não por te fazer favores sujos. — Kurt levantou o queixo.

– Mas você vai... — Robert foi se aproximando.

– Se afasta de mim ou eu conto tudo para Sebastian. — Ameaçou Kurt.

– Vai, conta! Será que ele vai acreditar em você ao invés do pai dele? Conta. Porque eu tenho certeza que você só não contou até hoje, por medo. — Agora os dois estavam frente a frente. Robert era centímetros maior que Sebastian, mas não intimidava Kurt, não agora, com a adrenalina correndo pelas veias do castanho.

– Voltamos. — Disse Sebastian entrando na sala com um sorriso enorme, taças de vidro e de Augustus.

Eles estouraram uma garrafa de champanhe e brindaram.

– Aos meninos! — Brandou Augustus e todos repetiram. Robert encarou Kurt enquanto bebia o líquido na taça.

[...]

– Então foi isso. Sebastian, eu te amei demais. Por mim e por você, estaríamos casados no fim da faculdade, mas eu não poderia viver em um relacionamento, onde eu teria medo do meu sogro ou de ficar na casa do meu namorado.

Sebastian não tinha o que falar. Ele tinha os olhos marejados e vermelhos, os cabelos bagunçados, respiração desregular e estava totalmente perplexo. O castanho mais alto se levantou do sofá, e começou a andar de um lado para o outro com a mão coçando o queixo.

– V-você... Você está em dizendo que meu pai foi capaz de assediar meu próprio namorado? — Sebastian tinha a voz quebrada e tremula.

– E-eu sei que é difícil de acreditar, mas Sebastian, eu queria que tudo tivesse sido diferente. — Sebastian via sinceridade nas palavras de Kurt. — Naquela noite de sexta, eu pedia para que algum sinal me fizesse mudar de ideia, para pudéssemos ficarmos juntos, mas nada aconteceu, eu sentia que algo pior iria acontecer se eu não tivesse me separado de você e eu não queria te machucar. — Kurt já ameaçava a chorar.

– Não queria me machucar? Kurt, você terminou comigo na véspera do Natal sem motivo e vem me dizer que não queria me machucar? Que tipo de idiota é você? — Sebastian se alterava.

– Eu tive que fazer aquilo a força! Antes que o louco do seu pai tentasse alguma, você descobrisse e nós terminássemos de uma maneira terrível. Sebastian, eu confesso que eu tive medo, tive medo de que se decepcionasse comigo e nunca mais me dirigisse a palavra...

– Então porque você não me contou? — Berrou Sebastian.

– Porque você não iria duvidar do caráter do seu pai, assim como está fazendo agora! — Gritou Kurt de volta. Sebastian teve um tempo para respirar.

– E Adam? Se foi tão especial, como você se recuperou tão fácil? — Sebastian fazia a pergunta que por diversas vezes se imaginou fazendo, mas jamais pensou que fosse dessa maneira.

– Adam era o único aluno na qual o seu pai não se envolveria ou tentaria destruir. Ele seria capaz de atacar um genro, mas não um sobrinho. — Sebastian fechou os olhos com toda a força e depois se sentou para tentar se acalmar. — Sebastian, você não imagina o quanto eu me senti mal naquele dia. Eu-

– Kurt, você não sabe de nada mesmo. — Disse Sebastian de repente.

– Como assim? — Kurt estava confuso.

– Quando... Quando eu cheguei em casa naquele dia, totalmente acabado e destruído, meu pai, Augustus, me perguntou o que havia acontecido... Eu respondi que havia terminado com você. Você saiu como o bonzinho, para que meus pais me dessem apoio para nós voltarmos, para que eu saísse daquela cama, saísse do colo do meu pai, para poder lutar pelo o cara que eu amava e não fraquejasse com "E se". — Sebastian tinha os cotovelos sobre os joelhos e os olhos em Kurt, que não sabia o que responder. — Foi isso até um dia que meu pai cansou de ver o filho sofrer e foi falar com o ex-genro, no qual já estava com o sobrinho dele. Foi só ai, que eu vi que não tinha porque eu continuar com isso. Kurt, por meses eu chorei, por exatos dois meses eu chorei. Tentei te fazer uma surpresa no dia dos namorados, para voltarmos, mas era tarde, porque o filho da mãe do meu primo, já estava com você.

Kurt estava chorando. Ele sempre odiava ver Sebastian sofrer ou chorar.

– Eu nunca te esqueci, Bas. Eu achei que cantando "Being Alive" naquela primeira aula, a música com a qual você se declarou para mim, dentro daquela sala de coral, te faria perceber isso. — Kurt mexia no cabelo de Sebastian.

– Eu sempre soube. Mas e o que mudaria? Você não voltaria pra mim...

– Sebastian, você sempre foi e sempre será a minha fraqueza. Pensar no meu passado com você, me faz me sentir mal, ter aulas com seu pai, me lembra dias que eu quero esquecer, nós podemos estar separados, mas você nunca morreu em mim, sempre vivo; seu cheiro, seu sorriso, sua boca. Eu tive certeza absoluta disso quando dançamos aquela maldita música de novo, quando você me tocou depois de tanto tempo. Eu fiquei revoltado por ter que dançar com você de novo, não por você, mas por mim, por passar mais tempo com você, por me lembrar mais e mais de como foi o meu primeiro amor com você. Sebastian, eu ainda te amo. Eu nunca disse que não.

Sebastian se virou para Kurt.

– Por mais horrível que foi a dor de ficar longe de você, te ver com outras pessoas, por mais duradouro que foram os meus choros, por mais tentações que eu tenha tido, eu sempre fui fiel à você Kurt, assim como o meu coração. — Sebastian pegou a mão de Kurt e colocou no peito dele. — Eu sempre vou te amar. Desse jeito.

Sebastian lentamente se aproximou de Kurt. Mesmo sabendo que alguma coisa no seu cérebro estava dizendo para parar, Kurt também se aproximou de Sebastian até que os lábios dos dois se juntavam novamente. Ao tocar dos lábios, Sebastian não perdeu tempo de aprofundar o beijo com Kurt, e já foi colocando a mão na nuca do menor dos castanhos. Kurt respondeu ao beijo de Sebastian, mas não moveu nada do pescoço para baixo. Kurt sentiu como se toda sua volta tivesse se transformado na sala do coral da antiga escola, onde havia sido o primeiro beijo dos dois rapazes.

Quando ficaram sem folego, Kurt chorava, mas era uma mistura de sentimentos que nem ele conseguia decifrar cada um separadamente. Kurt sentiu algo estranho no rosto, mas logo percebeu que estava chorando novamente e apenas deixou as lágrimas rolarem. Sebastian fez a primeira coisa que lhe veio a mente: foi pegar Kurt no colo e deitado em seus braços, ninando, como se Kurt fosse um tipo de criança e isso foi até que os dois dormissem.

Notas finais
Eu como shipper de Kurtbastian estou jogado. Mais três capítulos para o fim de AB. E não me odeiem, viu? Como amor, Jimmy.