Notas iniciais
Olá. Finalmente o grande dia chegou, ou pelo menos metade dele. O que eu quero dizer é: hoje, nesse capítulo, será revelado a metade do grande segredo de Kurt Hummel. Preciso dizer que essa fic se passa em 2013, ou seja, eles estão em Dezembro de 2013 em Londres. Boa leitura

Depois daquele dia, nada foi igual no relacionamento de Kurt e Blaine. Os dois mal se viam, mesmo sendo o começo das tarefas e eles estivessem apenas escolhendo as músicas, era muita correria. Os momentos que eles conversavam eram curtos, em meio alguma aula, no corredor ou no intervalo, depois da escola, Kurt iria ensaiar com Sebastian e Blaine com o resto da sala, já que eles combinaram de dançarem todos juntos.

Mesmo que Kurt e Sebastian tivessem um cronograma de ensaios, ao finais de semana, era um caos total:

Kurt estava com Blaine, Nick e Jeff em um restaurante conversando animadamente. Obviamente os dois casais não se desgrudavam um do outro, principalmente Kurt e Blaine, pelo o simples fato de mal poderem ficar juntos durante a semana.

Kurt e Blaine estavam conversando bem perto um do outro, fazendo piadinhas ou caricias. O que era pra ser uma reunião para os quatro amigos, estava se tornando um encontro de casais. Blaine estava começando subir a mão sobre a perna de Kurt por debaixo da mesa, porém foi interrompido.

– Os pombinhos podem se controlar?! Vocês se veem na escola, Blaine leva Kurt para a LU, Jeff e eu nos vemos somente em casa, nem por isso estamos nesse fogo. — Disse Nick com Jeff apoiado sobre ele. Blaine mostrou a língua para Nick e Kurt deu risada com a cabeça caída sobre o ombro de Blaine.

– Duas perguntas, primeira: vocês já... ?- Perguntou Jeff se endireitando na cadeira.

– Ai meu Deus, Jeff. Que tipo de pergunta é essa? — Nick corou um pouco. Jeff rolou os olhos, porque Nick nunca foi dos mais puritanos e ele sabia disso mais do que ninguém.

– Bom... Já... — Kurt corou com um sorriso bobo no rosto.

– Então há quanto vocês não fazem? — Jeff perguntou. Nick engasgou com seu suco. Ninguém entendia muito bem onde ele estava querendo chegar.

– Há algumas semanas? Do tipo duas e meia? — Blaine dizia enquanto calculava em sua mente. — Bom, você já fez suas perguntas, agora eu te pergunto: aonde você quer chegar com tudo isso? — Agora todos os olhos eram voltados para Jeff.

– Simples, eu descobri que vai haver um Festival de Inverno na LU e que os senhores Hummel-Anderson irão dançar. E também descobri que dançarão separadamente, sendo assim, vocês não tiveram muita intimidade nesse tempo. — Jeff colocou o cotovelo em cima da mesa e a mão no queixo, sorrindo para o casal em sua frente.

– Jeff, você está fazendo Publicidade ou já está trabalhando para o FBI? — Kurt mal podia acreditar. A mesa acabou caindo na gargalhada. Kurt parou de rir no momento que sentiu o celular vibrar no bolso. Enquanto os outros meninos ficaram rindo e bebendo, Kurt foi atender o telefone longe deles.

Blaine viu o namorado se afastar da mesa e atender o telefone. O moreno conseguiu ver que Kurt estava um pouco nervoso no telefone e em um momento até arriscou olhar para ele. O americano não estava entendendo nada. Kurt respirou fundo, concordou com a cabeça e desligou o telefone. O castanho voltou para a mesa de cabeça baixa.

– Pessoal, hoje um imprevisto, vou precisar ir embora. — Kurt iria continuar, mas foi cortado.

– O que houve? — Perguntou Blaine.

– Nada com que tenham que se preocupar. Principalmente você Blaine. — Kurt passou a mão pela mandíbula do namorado. — Mas eu preciso ir. — Kurt recolheu suas coisas, deixou o dinheiro do que havia consumido com Blaine. — Nick e Jeff, se acontecer qualquer coisa com Blaine, culparei você. Cuidem do meu bebê. — Kurt gargalhou e beijou os lábios de Blaine. Logo depois o castanho saiu.

Blaine não tinha o que falar, ele estava sem reação. Tantas perguntas rodavam na cabeça dele: quem poderia ser, porque estava ligando essa hora da noite para o namorado dele, porque o Kurt nem mesmo pediu carona, porque ele estava bravo ao telefone. Blaine parecia que estava com um erro no cérebro.

Mas para o azar de Blaine, aquele não foi o primeiro sábado que ele dormiu sem o namorado:

Kurt e Blaine estavam no sofá da casa de Blaine. Várias velas ao redor, todas as luzes apagadas, os dois estava sozinhos na casa e já haviam tido um jantar romântico.

– Sabe o que eu mais gosto sobre você? — Perguntou Blaine enquanto fazia carinho no braço de Kurt e os dois tinham os narizes colados. Kurt negou com a cabeça enquanto encarava os lábios de Blaine. — Seus olhos. O modo como eles mudam de cor com passar dos dias e como eles ficam diferentes a cada expressão que muda em seu rosto. Como eles conseguem ser lindos iluminados, pela luz do sol, pela luz da lua ou simplesmente pelas luzes dessas velas, me sinto vendo as estrelas refletidas no mar.

Kurt parecia estar sem folego com aquelas palavras. Era a coisa mais linda e emocionante que já haviam contado sobre ele. Kurt não aguentou e beijou Blaine. Kurt acabara ficando por cima de Blaine no sofá. Os dois passavam as mãos por cada pedaço do corpo do outro, se beijavam como se aquilo fosse uma coisa natural, como respirar. Provavelmente, a grande fonte de calor daquela sala, não era as velas e sim os dois.

Com o ritmo frenético que os dois estavam, Kurt nem percebeu seu telefone tocando, quando percebeu, parou de beijar Blaine e foi atender. Blaine respirou fundo para não se alterar muito. Kurt saiu de cima de Blaine e foi para a cozinha. Blaine ainda "empolgado" com a situação, se sentou no sofá e colocou os cotovelos sobre os joelhos e as mãos no rosto.

Depois de alguns bons cinco minutos, Kurt voltou da cozinha e parou no arco entre a sala e o corredor. Blaine percebeu que Kurt estava na parado no arco da sala, levantou o rosto, cobrindo apenas o nariz e a boca, que estava aberta e com a cabeça reta, direcionou a pupila dos olhos para o namorado.

– Eu... E-eu vou precisar ir embora... — Kurt disse e esperou alguma reação de Blaine. O moreno se levantou, passou por Kurt e subiu as escadas.

O castanho sabia que Blaine não havia subido para buscar um casaco ou coisa parecida, ele simplesmente foi dormir. Kurt respirou fundo, apagou as velas, pegou seu sobretudo, sua bolsa e saiu da casa do moreno dando pelo menos uma ultima olhada para a escada. Kurt novamente respirou fundo e foi embora.

[...]

Blaine havia dormindo mais do que bravo. No outro dia, ele continuava bravo. Acordou de mal humor. O moreno consultou o celular e havia uma mensagem. Blaine conferiu qual seria a desculpa de Kurt dessa semana.

"Me perdoa. Eu sinto muito. Eu sei que não vai adiantar muito pedir isso, mas não fique bravo comigo, você sabe o quanto eu odiei parar aquilo tanto quanto você. Quando ler, e sentir vontade de me escrever, por favor, faça.
– K"

Blaine teve que apertar o celular em sua mão para não jogar na parede do quarto. Com aquela mensagem ele havia ficado mais bravo ainda. Desde que Kurt começou a receber essas ligações misteriosas o castanho não havia contado de quem eram e isso deixava Blaine uma pilha de nervos. Blaine conferiu a hora que a mensagem havia sido mandada e foi às 3 horas da manhã. Blaine ficou com mais perguntas em sua mente.

Blaine limpou a mente e foi tomar café da manhã. O castanho escovou os dentes e lavou o rosto. Blaine desceu as escadas com seu moletom da Dalton, calças de moletom e suas pantufas de uma gatinha roxa. O moreno percebeu que ainda continuava sozinho em casa, então iria buscar algo para comer no "Bonjour, Oliver". Blaine foi até a sala pegar as chaves do carro, quando viu que as velas tinham sido apagadas. O americano ficou um bom tempo encarando aquilo. Pelo menos Kurt ainda se importava com alguma parte do bem estar dele.

Blaine limpou a mente e foi buscar seu desejum.

[...]

Blaine passou o dia inteiro sozinho. Quando ele voltou da rua, acabou voltando com mais do que esperava; ele voltou com o café da manhã, sorvete, chocolate e vários doces.

O americano passou o dia sentado no sofá, assistindo televisão, comendo sorvete com doces que ele havia colocado dentro do pote. O moreno estava parecendo uma daquelas meninas depressivas com o fim do namoro. Sendo que ele nem havia brigado com o próprio namorado.

Quando mais tarde foi ficando, mais desleixado Blaine foi ficando. Foi se afundando mais no sofá, se sujando mais, com os olhos mais caídos. Blaine estava ficando um horror. Quando eram quase sete horas da noite, Blaine escutou a porta sendo aberta e pela hora, imaginou que fosse Nick e Jeff. Uma figura apareceu no arco. Blaine se virou para figura e encarou os olhos do namorado. O moreno rapidamente se ajeitou no sofá, se sentando ereto.

– O-o que você está fazendo aqui? — Perguntou Blaine limpando os cantos da boca.

– Vim visitar meu namorado. — Kurt disse calmamente com os braços cruzados na altura do peito. Blaine não disse mais nada. Kurt se aproximou do sofá e sentou do lado de Blaine. O moreno tinha até vergonha de estar desse jeito perto do castanho. — Você está nesse estado por quê? — Blaine olhou como ele estava acabado.

– Tirei o dia de folga. — Blaine agora tinha uma carranca.

– Inclusive de banhos? — Blaine encarou Kurt nada feliz. Kurt foi se aproximando do namorado e deu um beijo em seus lábios. — Me desculpa por ontem, eu realmente não queria ter saído daquele jeito é que o Sebastian-

– E eu posso saber o que o Sebastian tem a ver com tudo isso? — Blaine interrompeu Kurt no momento em que o nome foi terminado. Kurt não tinha resposta. Ele abria e fechava a boca procurando de algum modo se explicar, mas nada saia. Ele suava frio e tinha os olhos arregalados. Blaine estava sério. Kurt ficou sem responder até que o telefone dele tocou. Kurt tirou o celular do bolso e viu que era Sebastian. Em um movimento rápido, Blaine pegou o celular de Kurt e jogou na parede. Kurt estava começando a se assustar. — O que o Sebastian tem a ver com isso, Kurt? — Blaine estava com os olhos vermelhos. — Kurt... Eu só vou perguntar uma vez e eu quero que você seja muito sincero. Essas ligações... São do Sebastian? — Depois de um tempo, Kurt concordou com a cabeça. — Eu sabia! — Blaine levantou e começou a andar pela sala.

– M-mas não pense que eu estou fazendo algo contra o nosso relacionamento! — Kurt agora estava de pé.

– Como não? Toda vez que ele te liga, você atende longe de mim, como se quisesse me esconder alguma coisa. — Kurt arregalou os olhos. — Ai meu Deus, você está me escondendo alguma coisa! Kurt fala logo. O que está havendo?

– Bom... É mais complicado do que parece...

– Então conta, porque temos tempo. — Blaine cruzou os braços. Aquilo parecia um ringue de luta, cada um de um lado, se encarando como se fosse pular um em cima do outro.

– Nos finais de semana, Sebastian deu para querer ensaiar. — Blaine pareceu se acalmar.

– E qual é o motivo de você atender os telefonemas dele longe de mim? Eu sei que ele dá em cima de você, mas eu não vou te obrigar a não fazer um trabalho que vale metade da sua nota. — Blaine tinha as mãos na cintura agora

– Como eu disse, é mais complicado do que parece. Blaine o que eu vou te dizer agora, não pode abalar de forma alguma nossa relação. Você me promete isso. — Meio desconfiado e com uma das mãos atrás das costas, Blaine concordou. — Quando ainda estava na escola... E-eu namorei Sebastian. — Blaine estendeu umas das mãos para Kurt e a outra ele colocou sobre a boca. Blaine estava totalmente chocado. — Nós começamos a namorar em Setembro de 2011. Nós tivemos um caso durante as férias de verão... Quando voltamos, Sebastian quis oficializar e me pediu em namoro.

Era horrível para Kurt relembrar do seu passado de tal forma. Ele detestava fazer aquilo, mas se fosse para o bem do relacionamento presente dele, ele faria. Blaine agora havia sentado e respirava ofegantemente.

– E... E como isso terminou? — Questionou Blaine ainda encarando o chão.

– Eu e Sebastian terminamos o ensino médio e fomos para a LU. Na época foi fácil para nós dois, já que tínhamos os mesmos sonhos e vontade e os pais de Sebastian trabalhavam na LU. Em Setembro de 2012, Sebastian e eu fizemos um ano de namoro. — Blaine tentou não vomitar nessa parte. — Nós estávamos animados com a escola e tudo mais. Quando chegou Dezembro, o diretor Thompson propôs a mesma coisa que esse ano: O Festival de Inverno. Sebastian e eu estávamos tão animados e pedimos ao Robert, o que poderíamos fazer para ganhar. Robert disse que um casal gay teria fortes chances de ganhar e ser algo revolucionário e inovador, ele deu a sugestão da música, de onde ensaiar e até se prontificou em nos ajudar com a coreografia. — Kurt tomou folego por um momento. Ele dizia tudo lentamente e encarava as pontas dos dedos, que estava em seu colo. — Quando chegou o dia vinte e quatro, também chegou o dia da apresentação, as coisas entre mim e Sebastian estavam difíceis, mas mesmo assim dançamos e ganhamos. No fim da noite, quando Sebastian e eu estávamos no corredor da entrada do meu apartamento, eu terminei com ele... — Kurt se sentia tão mal por lembrar os acontecimentos daquele dia e os motivos que o levaram a acabar com algo que ele tanto amava e preservava. — Sebastian mal acreditou quando eu disse, achou que era brincadeira, mas depois entendeu que era sério. Ele queria ir embora e disse que conversaríamos no outro dia, mas eu disse que ele deveria se dar ao trabalho de vir no outro dia, que eu já estava decido. Ele me pediu de joelhos desculpas por qualquer coisa que ele já tivesse feito e não se lembrava, implorou para eu não acabar com a coisa que ele mais amava, chorou por não conseguir viver sem mim. Sebastian disse como tudo em nossa relação era bom, disse sobre ter acabado de ganharmos uma competição de dança, onde todos puderam ver nossa química, também disse que eu não era o rapaz que sempre amo ele, o rapaz que naquele momento estava acabando com o coração dele, em plena véspera de Natal. Quando ele terminou, me virei para minha casa, abri a porta e me despedi. Sebastian me parou, do bolso dele, ele tirou meu presente de Natal. Eu o peguei, mas quando estava prestes a fechar a porta, Sebastian me segurou e me beijou pela ultima vez, o beijo que conseguiu ser mais doce e terno do que o nosso primeiro, então quando ele terminou, fechei a porta. Acabei não abrindo o presente, mas naquela noite, quem se abriu foi meu coração, junto com todas as lágrimas que caíram sobre meu travesseiro. E o pior é que aquela não foi nem de longe a ultima noite que chorei por Sebastian.

Quando Kurt terminou, ele estava em lágrimas. Blaine estava duro e pretrificado, parecia uma estátua. Depois de um bom tempo que Blaine percebeu que Kurt havia parado com a história e estava chorando. Blaine não percebeu, mas também estava chorando. O moreno levantou, foi até a porta e a abriu. Kurt entendeu e chorou mais ainda. O castanho se levantou ainda chorando e foi para a porta. Blaine encarava o chão e soluçava. Kurt parou na frente de Blaine e ficou o encarando esperando algo dele.

– Só preciso... Fi-ficar sozinho. — Blaine disse em meio aos soluços. Agora era Kurt quem estava chorando. Blaine finalmente olhou para o namorado que chorava de cabeça baixa. Blaine tomou coragem e beijou o topo da cabeça de Kurt. O castanho finalmente saiu da porta. Enquanto andava pelas ruas de Londres, Kurt só pensou em uma coisa:

De novo não.– Kurt colocou o casaco mais perto do corpo e foi chorando pelas ruas gélidas.

Notas finais
tuitem: #TretaIsComing Espero que estejam morrendo.