Notas iniciais
Depois de todo este tempo com Desafio dos 42, criamos uma boa amizade, então aqui estamos nós, postando mais esta fic... Desta vez é um tema mais sério u.u
Esta fic é um pouco diferente do que estamos acostumadas a escrever.
Esperamos que gostem desta nova história ^-^

Toská, Rússia

03 de agosto de 1997

07:51 A.M.

A garota havia sido levada às pressas ao hospital, sentia fortes contrações e a bolsa havia estourado. Um parto pode ser um pouco desumano para uma adolescente de quinze anos, mas ela deu à luz uma menina saudável e muito parecida com o pai.

Ah, o pai... Aquele cafajeste que lhe fez uma promessa de reencontrá-la e não cumpriu. Apenas sumiu sem deixar rastros. Nem uma pista, nem mesmo um número... Era como se ele nunca tivesse existido.

Ela estava sozinha e sua filha era a única coisa que tinha, embora tenha sido fruto de uma aventura, apenas sexo sem compromisso com seu colega de classe. Nada de sentimentos, era apenas uma relação carnal cuja única finalidade era o prazer de ambos.

Agora estava ali, com Haruka em seus braços, sem saber como fazer para criá-la.

Chegou a pensar em abortar quando percebeu que o pai da menina havia sumido e sua família passou a discriminá-la com pressões psicológicas.

Estava com medo de ser mãe sozinha, também não poderia dar tudo o que uma criança, segundo ela, merecia. Por outro lado, não queria tirar a vida de uma inocente.

Mas ela aguentou a pressão, e passou a amar aquela que foi totalmente fruto de um descuido de adolescentes, sua filha.

Estava sozinha no quarto do hospital, a bebê recém-nascida dormia no berçário e estava totalmente protegida, mas alguma coisa dizia que ela corria perigo.

Respirou fundo e sentou-se com cuidado na cama, colocou uma mecha dos cabelos loiros atrás da orelha e apertou o botão ao lado da cama para chamar a enfermeira.

Logo apareceu a mulher vestida de branco e aparentemente preocupada.

— Aconteceu alguma coisa? – Indagou a mulher.

— Quero ver minha filha. – Respondeu a menina tão nova que já era mãe.

— Vamos até o berçário e você poderá vê-la.

A loira então desceu da cama, achando até estranho o fato de que sua barriga já não pesava mais, e foi levada, em uma cadeira de rodas, pela enfermeira até o berçário com os recém-nascidos.

Ao chegarem lá, viram um movimento intenso de pessoas por lá. Tanto a enfermeira quanto a adolescente ficaram preocupadas com o que poderia ter acontecido.

Foi algo sem precedentes dentro daquele hospital e, com certeza, alguém de dentro ajudou a cometer o crime, pois as câmeras de segurança foram todas desligadas no momento e ninguém pegou os culpados.

A loira sentiu seu sangue gelar em suas veias quando ouviu a notícia de que Haruka, sua filha, havia sido sequestrada.

Sentiu dor para tê-la e agora por perdê-la.

[···]

Toská, Rússia

12 de fevereiro de 2016

02:38 A.M.

— A entrega disso é de extrema importância. Não falhe em sua primeira missão, Uzume. Caso o contrário, irá se arrepender pelo resto de sua vida. – Fugaku, líder de uma máfia incrivelmente poderosa, avisou para a mais nova subordinada.

— Não precisa se preocupar. – Falou a menina calmamente, dando um sorriso de canto. Com seus olhos escuros como a noite, seguiu o movimento do vidro do motorista se fechando e Fugaku indo embora em seu Audi Q7 negro. Ela apertou a alça da maleta, sob sua mão enluvada, com uma moderada força e, entre as sombras das ruas mal iluminadas, foi se esgueirando até o local para onde deveria ir.

Estava deveras animada. Esta sensação de estar fazendo algo ilegal lhe proporcionava uma adrenalina incrível. Era gostoso.

Se tinha receio de ser pega pelas autoridades? Óbvio que sim. Mas isso apenas dava um gostinho de “quero mais”.

Porém ela não corria perigo, estava muito tarde da noite e, aliás, quem desconfiaria de uma linda e jovem garota, com uma maleta rosa, indo para um parquinho?

Realmente o seu chefe pensava em tudo. Ao adentrar o parquinho, dirigiu-se a um pequeno lago que havia por ali. As crianças amavam alimentar os peixes. A jovem passou pelos brinquedos e lembrou-se de que sempre quis ir para aquele parque, porém quase nunca podia sair de casa, devido ao envolvimento de seu pai com o crime organizado de Toská, apenas podia ir à escola. Chegando ao lago, deixou a maleta rosa embaixo do único banco que havia por perto, assim como lhe foi ordenado. Tudo estava fácil demais e isso a estava incomodando.

Desconfiada, deu as costas, caminhando para fora dali. Sentia-se sendo seguida. Levou discretamente a mão até a P220 Elite que estava no cós de sua calça. Os passos foram diminuindo aos poucos, enquanto tirava a arma de sua cintura devagar. Antes que pudesse fazer mais alguma coisa, ouviu o barulho do destrave de uma segunda arma e sentiu o cano frio encostando em sua nuca.

— Vira devagar, garota. E deixa a arma onde eu possa ver. – Um homem falou. Uzume olhou por cima do ombro, vendo o cara se afastando em uns três pequenos passos, ainda mantendo uma arma apontada para ela. Virou-se lentamente e com a mesma velocidade foi colocando a arma no chão. – Boa menina. Agora levanta!

Mas ela não se entregaria assim tão facilmente. Com a outra mão, segurou a dele, e houve um disparo. Não a acertou.

Chutou a perna de apoio do rapaz e ele caiu, batendo as costas violentamente no solo. O barulho abafado foi como o início da melodia de uma música. Uzume pegou sua arma e, em um rápido movimento, sentou em cima do homem caído.

Mandou para ele o olhar mais frio que sabia fazer e passou o cano de sua P220 pelo pescoço do rapaz até chegar no queixo. Ele começava a tremer e mantinha os olhos arregalados. Só havia visto expressões assim em filmes e, tinha que confessar, ela estava amando ver isso pessoalmente. E ainda por sua causa. Com a mão direita, abriu a boca de sua primeira vítima a força, e lá dentro colocou o cano da arma bem perto da garganta.

— Seu cabelo é feio... – Comentou com nojo. – E a única solução para ele, é a morte. – Abriu um sorriso maldoso, destravando a arma e não tendo piedade alguma em puxar o gatilho.

Graças ao silenciador que havia colocado em sua arma, o barulho não foi alto.

A menina se levantou do corpo, enquanto guardava sua arma, e olhou as horas que marcava em seu relógio de bolso, exatamente três horas. Pegou a arma que estava com ele e levou consigo.

Puxou o homem pela jaqueta e o arrastou até o lago, devido ao seu peso, jogando-o no mesmo. Não podia deixar um cadáver ao relento.

Olhou para o lado e notou uma mochila preta. Foi até ela e a abriu. Seu chefe queria exatamente o que estava ali dentro: dinheiro. Só que, infelizmente, ela teria que voltar com duas maletas. Afinal, acontecera um trágico acidente com o futuro dono da mala rosa. É... Fugaku teria que encontrar outro comprador para aquela arma disfarçada de furadeira.

[...]

O homem estava muito orgulhoso com o desempenho de Uzume que, mesmo com a pouca idade, já se mostrava melhor do que o pai. Pelo menos Fugaku, que nunca se deu muito bem com seu caçula, via assim.

— Você assassinou aquele homem a sangue frio, Uzume. – Sorriu de canto, tragou seu caro charuto e o afastou dos lábios. – Sei que me dará o orgulho que seu pai não deu.

A adolescente sorriu abertamente e seus olhos de ônix brilharam com o elogio, pois, se existe uma pessoa nesse mundo que ela faz questão de orgulhar, essa pessoa é Fugaku Uchiha.

Seu sonho sempre foi fazer parte da Amaterasu, mas seu pai, com quem mora desde os doze anos, é totalmente contra isso, portanto ela adotou o pseudônimo Uzume, assim seu pai – também membro da Amaterasu – não saberia que Uzume é, na verdade, Sarada.

— Obrigada, vovô! – Agradeceu, mas recebeu um olhar de desaprovação do homem à sua frente.

— Aqui eu não sou seu avô. – Falou com um tom de voz um pouco mais severo e a menina assentiu. Ele não podia misturar as coisas. – Também não se esqueça de que aqui você é Uzume.

— Eu não vou me esquecer... – Sorriu. – Isso significa que eu tô dentro?

— Também tem outro detalhe. – Fugaku praticamente interrompeu a adolescente, apoiando os cotovelos sobre a mesa. – Sasuke não pode saber de nada, você precisa ser discreta, Uzume.

— Seria mais fácil se eu ainda morasse com o senhor. – Murmurou, unindo as sobrancelhas, formando, em seu rosto, uma expressão de desgosto.

— Já conversamos sobre isso. – Suspirou, expirando a fumaça que havia sido inspirada pelo charuto.

— Sabe que eu não gosto de morar com aquele homem! – Aumentou o tom de voz e bateu com o pé no chão. Fugaku sabia que não seria fácil controlar a personalidade forte da menina, mas estava disposto a arriscar. – Ele vai ser uma pedra no meu sapato!

— Isso até que vai ser bom para você. – Sorriu de canto. – Se conseguir ficar na máfia passando despercebida pelo Sasuke, então estará provando que tem talento e que eu terei algum retorno com a sua presença aqui.

— Tudo bem... – Suspirou derrotada.

Uzume, ou melhor, Sarada Uchiha nunca teve um bom relacionamento com o pai e com motivos de sobra... Para começar, ele nunca foi um pai de verdade e só foi descobrir a existência da filha quando a menina já estava com três anos de idade. Ele nunca teve jeito para cuidar da garota e muito menos foi um pai carinhoso.

Cresceu na casa dos avós até os doze anos de idade e sempre quis fazer parte da máfia, mas Sasuke dizia que a ideia era maluca e que não queria sua filha metida com isso, mas o que ele não sabia era que seu próprio pai pretendia colocar Sarada na máfia, até mesmo como uma forma de contrariá-lo e mostrar quem era o líder.

— Então, Uzume... – O homem se levantou, apoiando as duas mãos sobre a mesa. – A partir de hoje, você é um membro da Amaterasu.

Notas finais
A fanfic será postada semanalmente, nas quartas, se não houver imprevisto (esperamos que não ocorra).
No mais, esperamos que tenham gostado ;******