Notas iniciais
Como prometido, capítulo na quarta... Não especificamos horários hahahha Agradecemos a todos que estão acompanhando, a todos que favoritaram e comentaram. Aproveitem o capítulo.

Toská, Rússia

12 de fevereiro de 2016

07:20 A.M.

Era uma manhã fria em Toská. A cidade já estava bastante movimentada. Pessoas iam trabalhar. Outras apenas passeavam com seus filhos.

Em um certo parquinho, algumas crianças brincavam, sendo observados por suas mães.

Um garotinho brincava próximo ao lago, jogando comida para os peixes. Porém ele notou que havia poucos peixes em relação ao que estava habituado.

A criança, com sua curiosidade natural, pegou um graveto que estava jogado na grama e se aproximou mais da água. Mergulhou o graveto onde antes jogava comida e sentiu algo duro impedindo a completa passagem da madeira na água.

Pôs um pé na água e se agachou, conseguindo uma visão melhor do que havia ali. Porém, a imagem que viu iria lhe causar pesadelos por muito tempo.

Era um homem. Sua mandíbula estava estourada, olhos arregalados e brancos como olhos de peixe morto; os cabelos estavam em uma mistura nojenta de sangue e água; a pele estava pálida, um pouco azulada, devido à água gelada.

O garotinho ficou assustado e começou a chorar. Correu o mais rápido que pôde atrás de sua mãe, que vigiava sua irmã mais nova brincando no balanço. Estava com muito medo e confuso por conta da visão que tivera. Mal sabia ele, o que realmente havia acontecido.

[...]

Sarada mal se cabia de tanta felicidade, finalmente conseguira entrar para a Amaterasu, como sempre quis, e orgulhou seu avô. É claro que a menina sabia que aquele homem havia sido contratado para enfrentá-la. Aquilo tudo não havia passado de um teste, por isso mesmo fez questão de deixar Fugaku impressionado ao matar o sujeito sem dó nem piedade.

Afinal de contas, isso é a máfia. Ninguém tem piedade de ninguém e o negócio é matar ou morrer.

Ou você caça ou é a presa.

Chegou em casa exausta, retirou as luvas negras e as guardou no bolso da calça antes de fechar a porta de madeira atrás de si. Tudo que queria era ir para seu quarto e se jogar em sua cama, mas assim que chegou na sala viu seu pai sentado no sofá, como naquelas cenas de filme em que a menina chega em casa e é surpreendida pelo pai que acende um abajur no momento em que ela coloca os pés dentro de casa.

— Que susto! – Berrou, levando uma de suas mãos até o peito. – O que faz aqui?

— O que você fazia na rua até uma hora dessas? Já está de manhã. – Arqueou uma sobrancelha.

— Estava com o Boruto. Dormi lá. – Deu de ombros e fez menção de sair da sala, mas foi impedida pela voz irritada do pai.

— Estava com o Boruto? – Ironizou. – Engraçado... – Exibiu o iPhone dourado, que Sarada preferiu deixar em casa antes de sair. – Seu namorado chiclete te ligou umas duzentas vezes, Sarada.

— Quem te deu o direito de entrar no meu quarto? – Tomou, furiosa, o celular da mão de seu pai irritante. – Que merda, já falei pra não mexer nas minhas coisas.

— Essa casa é minha e eu entro onde eu quiser. – Cruzou os braços em frente ao corpo. – E outra, essa porra estava tocando e o barulho irritante não me deixava em paz! Manda esse infeliz do teu namorado arrumar uma louça pra lavar, um quintal pra capinar, uma punheta pra bater. – Sarada revirou os olhos. – Qualquer coisa, menos ficar ligando para atrapalhar meu sono!

— Você é ridículo! – Bufou, caminhando em direção ao seu quarto.

Mas Sasuke segurou em seu braço quando ela passou por perto do sofá de couro onde ele estava sentado.

— A senhorita ainda não me disse onde estava, Sarada.

— Que saco! – Bateu o pé no chão. – Eu já sou maior de idade, sabia?

— Eu ainda sou seu pai, sabia? – Sorriu de canto só para irritar a menina. – Não pense que vai colocar as asinhas de fora só porque tem dezoito anos, Sarada. Eu sou seu pai e você me deve satisfações.

— Pai porra nenhuma! – Com raiva, Sarada puxou o braço com força, fazendo Sasuke largá-la. – Por que você esperou eu crescer pra me trazer pra morar com você e decidir ser meu pai? Poderia ter me deixado com os meus avós, eu não me importaria.

— Claro, porque eu sei muito bem lidar com crianças. – Ironizou. – Sarada, já conversamos sobre isso.

A menina achava realmente ridículos os motivos que levaram seu pai a deixá-la até os doze anos com os avós e depois levá-la para morar consigo. Sasuke dizia que não tinha jeito e nem estrutura pra cuidar de uma criança pequena, ainda mais porque ele foi pai ainda na adolescência.

— Dane-se, você não é pai? – Perguntou retoricamente. – Então, deveria ter agido como tal e assumido as suas responsabilidades, mas eu nunca estive em primeiro plano na sua vida!

Sasuke suspirou pesadamente e massageou as têmporas. Sabia que Sarada provavelmente agiria assim quando estivesse mais velha, mas ele não tinha total culpa nessa história.

— Sarada, você está com dezoito anos. – Disse o moreno. – Você se imagina sendo mãe?

— Óbvio que não. – A adolescente fez o sinal da cruz. – Credo.

— Então, eu tinha justamente essa idade quando... – O homem suspirou e abaixou o olhar. – Quando conheci você.

Sarada sempre foi revoltada com o fato de que Sasuke a conheceu apenas quando ela já estava com três anos de idade. O que leva um pai a largar sua filha por três anos e ir morar em outro país? Bem, ela não sabia, assim como também não sabia nada sobre sua mãe além do nome.

Sakura Haruno foi a mulher que a abandonou. Além do abandono da mãe ainda teve o abandono do pai; este pelo menos voltou, mas nunca foi um pai de verdade.

— Você é um ótimo exemplo de pai, Sasuke! – Ironizou, com um pouco de mágoa em seu tom de voz. – Se me permite, eu vou pro meu quarto.

Ignorando completamente seu progenitor, Sarada foi direto para seu quarto, deixando pra trás um Sasuke que remoía seu passado por alguns segundos.

— Espera! – Gritou em vão, visto que a morena já havia ido para o quarto. – Sarada, você não disse onde estava... – Bufou. – Merda! O que eu faço com essa menina?

[...]

Toská, Rússia

12 de fevereiro 2016

08:37 A.M.

Hinata Uzumaki é uma policial da área criminalística de 41 anos. Estava em seu dia de folga, mas ocorreu um assassinato que ela precisava investigar.

Um homem fora encontrado no lago do parque de Toská por uma criança que brincava no local. As testemunhas chamaram a polícia e Hinata se dirigiu ao lugar.

Maldição! Logo hoje em que ela completaria 20 anos de casada.

— E então, o que temos? – Perguntou assim que chegou para um de seus assistentes.

— O nome da vítima é Kisame Hoshigaki. Foi morto durante a madrugada, provavelmente. Tiro na garganta. A bala alojada na nuca foi para a balística.

A mulher agradeceu pela informação e observou a vítima deitada no chão sendo investigada.

— Kabuto. – Chamou o legista. – O que encontrou?

— Quase nada. – Suspirou chateado. – Não há digitais pelo corpo dele e nem um fio de cabelo do possível assassino.

— Nem mesmo sinal de luta?

— Bem... A jaqueta vermelha que ele usava estava rasgada nas costas. — Mostrou o pedaço que pegou num pacote lacrado. – Só irei descobrir mais quando levá-lo ao meu laboratório.

— O que é isso? – Apontou para uma parte da sacolinha.

— Pedrinhas. Estavam grudadas com o pano rasgado.

— Cocaína?

— Não, são apenas as pedrinhas do pavimento. Havia resquícios de grama também. Ele foi arrastado até o lago.

— Muito provavelmente o assassino não teve força o suficiente, ou seja, ele pesa menos que a vítima... – Deduziu e Kabuto concordou.

Um assassinato no meio da madrugada. É o horário preferido de quem gosta de fazer coisas ilícitas. Provavelmente algo relacionado com algum tipo de tráfico, mas qual especificamente?

Hinata conhecia bem a área, sabia que não tinha câmeras por perto e, por ter sido à noite, não haveria testemunhas.

A mulher caminhou até uma árvore que estava por perto. Para ela, qualquer coisa poderia entregar o culpado. Acabou encontrando um pequeno furo nela. Era uma bala.

A retirou com uma pinça e analisou a pista com cuidado.

Não havia sangue. Foram dois disparos?

Ou seria uma arma diferente?

[...]

Toská, Rússia

12 de fevereiro 2016

07:52 P.M.

Hinata sabia que seu marido a esperava para fazer um programa legal no dia do aniversário de casamento, ele havia feito uma reserva num restaurante cinco estrelas e com certeza a levaria num motel para fechar a noite com chave de ouro. Infelizmente, Hinata precisou decepcionar seu marido, pois passou muito tempo investigando sobre o caso e debatendo-o com Kabuto, consequentemente chegou em casa exausta, sem conseguir pensar em jantar romântico e muito menos em sexo.

— Já vi que a nossa noite foi pro ralo. – Disse Naruto, marido de Hinata, assim que a morena entrou em casa. – Mais um caso cabuloso pra investigar?

— Amor, desculpa. – Falou, sentando-se no sofá ao lado do loiro, vendo sua expressão triste por causa do aniversário de casamento não comemorado. – É o meu trabalho, você sabe disso.

— Eu ganho bem o suficiente para sustentar essa casa, pagar a escola da Himawari... – Suspirou. – Enfim, você não precisa trabalhar...

— Naruto... – Ela o cortou, falando seriamente. – Eu gosto de ter o meu próprio dinheiro, amo o meu trabalho e não vou largá-lo. Já falamos sobre isso.

— Ok! – Levantou as mãos em sinal de rendição. – Você venceu.

— Cadê as crianças?

— Já estão dormindo. – Respondeu-lhe o homem que, no auge dos seus 41 anos, ainda conseguia ser super charmoso e atrair olhares como quando era mais jovem. – O Boruto ficou com cara de cu o dia todinho, parece que não conseguiu falar com a Sarada de jeito nenhum e ele queria aproveitar o fim de semana pra sair com ela. Já a Himawari, bem, ficou brincando com as bonecas dela durante a tarde.

— Ah sim... Espero que não tenha acontecido nada sério com a Sarada pra ela ter sumido dessa forma.

— E então, o que aconteceu dessa vez? – O loiro indagou curioso, como já tinha perdido o jantar e o motel, poderia pelo menos conversar com a esposa a sós.

— Encontraram um corpo boiando no lago...

— Assassinato? – O homem perguntou e Hinata assentiu.

— Justo naquele lago onde crianças costumam brincar. Inclusive foi uma criança que encontrou o corpo. – Soltou um longo suspiro, pegando uma almofada para colocar sobre as pernas. – A vítima se chama Kisame Hoshigaki.

— Deve ser metido em algum tráfico. – Naruto deu de ombros, sabia que a esposa não podia falar muito sobre os casos.

— O problema maior é que eu não sei por onde começar. – Hinata bufou.

— Procura uma boca de fumo. – O loiro desdenhou e riu.

— Sim, com certeza. – Hinata riu também.

— Amor, esquece um pouco do trabalho. – Pediu o Uzumaki de sorriso fácil. – Vamos dormir, você precisa descansar, amanhã você pensa nisso, ok? – Deu-lhe um beijo rápido nos lábios. – Não se traz problemas do trabalho pra casa, assim como não se leva problemas pessoais pro trabalho.

— Certo. – A morena dos olhos perolados deu-se por vencida.

[...]

Toská, Rússia

12 de fevereiro 2016

08:24 P.M.

Sarada não podia negar que seu estômago estava gritando de fome. Embora estivesse cansada por virar a noite em claro, não estava com sono.

Olhou o celular e pensou em ligar para Boruto, mas, conhecendo bem o seu namorado, a morena sabia que ele provavelmente estaria dormindo às 9:00 numa sexta.

Ouviu seu estômago roncar e levantou da cama contra a sua vontade, indo em direção à cozinha onde, infelizmente, se encontrou com Sasuke que fazia um misto quente.

— Ora essa, pensei que estivesse cansada... – O Uchiha comentou indiferente. – Quer que eu faça um misto pra você também?

Embora não se desse muito bem com a filha de personalidade forte na maior parte do tempo, Sasuke até tentava ser simpático e conversar civilizadamente com a adolescente, mas isso sempre foi uma missão impossível.

— Não quero nada. – Respondeu secamente, sentando-se numa cadeira e apoiando ambos os cotovelos sobre a mesa para esperar que Sasuke terminasse seu sanduíche, então ela comeria sozinha. – Pode comer.

— Que garota difícil... – Murmurou, ainda de costas para a menina, apoiado no armário onde estava a sanduicheira.

Sarada não era feliz ali, não gostava de seu progenitor e por muitas vezes pensava na mãe e tinha vontade de saber algo além do nome.

Todos sempre disseram que Sarada foi abandonada por sua mãe. A jovem só acreditava nessa história pelo simples fato de que ela foi contada primeiramente por Fugaku e Mikoto, porque se tivesse sido contada apenas por Sasuke, com certeza a garota não acreditaria.

— Sasuke... – Chamou com a voz baixa e um pouco triste, diferente do tom que ela costuma usar quando se dirige ao seu pai.

O moreno até se assustou, uma vez que Sarada puxar algum assunto com ele era muito raro, sendo que geralmente é pra brigar por alguma coisa.

— O que foi? – Indagou curioso, virando-se para a filha com uma cara de "Quem é você e o que fez com a verdadeira Sarada?".

— Você por acaso tem alguma foto da minha mãe?

Sasuke suspirou pesadamente, virando-se novamente para a sanduicheira, cuja luzinha vermelha já havia acendido, indicando que seu sanduíche estava pronto.

Há muito tempo Sarada não perguntava sobre sua progenitora e Sasuke pensou que o assunto havia sido esquecido, mas com certeza não foi. Ele sempre teve medo disso. Sabia que, quando Sarada crescesse, iria querer saber mais detalhes sobre a mãe.

Infelizmente maiores detalhes jamais poderiam ser dados e Sasuke fazia isso pensando na filha. Ela já tinha idade o suficiente para entender tudo, mas a menina ficaria decepcionada com as duas pessoas que ela mais ama no mundo: Fugaku e Mikoto.

— Por que eu teria alguma foto dela, Sarada? – A resposta indiferente de Sasuke fez o coração da menina doer, por mais que ela não demonstrasse. – Foi apenas uma aventura que eu tive na escola, eu sequer gostava dela e ela também não gostava de mim.

Realmente não é legal saber do próprio pai que você foi fruto de nada mais, nada menos que sexo sem compromisso.

Sarada não foi fruto de um amor, não foi feita e muito menos planejada por um casal apaixonado... Ela sequer foi desejada. Ela foi um erro que, se Sasuke pudesse voltar no tempo, provavelmente apagaria.

— Vocês ficavam juntos só por sexo?

— É... – Sasuke deu de ombros. – Éramos jovens e imaturos. A sua mãe era fácil e eu aproveitei.

— Você fala da minha mãe como se estivesse falando de uma pessoa qualquer.

— E ela foi uma pessoa qualquer, tanto que eu sequer a reconheceria caso a visse recentemente. – Isso realmente era uma verdade. Sasuke jamais gostou de Sakura e a sua lembrança dela é de uma menina magrela e um pouco desengonçada, embora bonita, mas não a reconheceria caso a visse mais madura. – Posso saber o motivo de estar me perguntando isso agora?

— Sei lá... – Deu de ombros. – Eu só pensei nela... Por que ela me abandonou?

— Porque os pais dela não aceitaram a gravidez, então, ou ela dava você ou ia pra rua. Acho que foi isso.

— Então ela me entregou por necessidade, não porque não me queria.

— Sério? – Ironizou. – Agora explica o motivo de ela nunca ter vindo atrás de você.

Sarada perdeu o sorriso mínimo que tinha se formado em seus lábios. Realmente, se sua mãe a tivesse entregado por necessidade, com certeza estaria por perto, sendo que seus avós não iriam privá-la de ver sua mãe. Isso prova que Sakura a abandonou para nunca mais vê-la.

— Você é mesmo um incompetente. – Ralhou a menina. – Não soube nem escolher uma mãe pra mim.

— Você teve é sorte, menina. – Retrucou, pegando seu sanduíche com um guardanapo para então comê-lo. – Você foi bem-criada e sempre teve tudo que quis... Quer dizer, bem criada em partes.

— Está me chamando de mal-educada? – Arqueou uma sobrancelha e Sasuke deu de ombros ao mesmo tempo que dava uma mordida no seu misto quente. – Pois saiba que, se eu herdei isso de alguém, foi de você.

"Engana-se, garota." Pensou o Uchiha, sorrindo de canto.

Sarada nunca se pareceu muito com sua mãe na aparência, embora tivesse alguns traços da Haruno, mas seu jeito petulante havia sido, sem sombra de dúvidas, herdado de sua progenitora.

— Tá rindo de que? – Ela aumentou o tom de voz ao ver o sorriso que havia brotado nos lábios do moreno.

— Isso foi apenas falta de surra na infância. – Falou indiferente.

— Então você também não apanhou o suficiente. – Retrucou.

A menina sempre teve uma resposta na ponta da língua para Sasuke, assim como sua mãe que, embora fosse uma adolescente fácil na época em que tiveram um caso, jamais abaixou a cabeça para ele.

— Ah, garota, não enche meu saco. – Bufou. — Vai perturbar aquele grude do teu namorado, vai.

Sasuke sempre dava um jeito de mudar de assunto quando Sarada falava sobre Sakura ou sobre qualquer outro assunto que a fizesse falar de sua mãe tão misteriosa e enigmática.

— Meu namorado não é insuportável como você.

— Ah não. – Falou irônico. – Só a voz dele já dói os tímpanos.

— Desculpas aí, tímpanos de seda. – Debochou.

— Tá me chamando de fresco?

— Tô! – Cruzou os braços em frente ao corpo. – E tenho certeza de que esse seu papinho de odiar o Boruto é só para implicar comigo.

— Como se eu me importasse com quem você namora ou deixa de namorar. – A forma indiferente de Sasuke falar às vezes magoava sua filha, embora ela não demonstrasse. Não que Sasuke não a ame, mas ele a ama do jeito dele; ou seja, não demonstra. – Eu só não suporto aquela lagartixa loira colocando os pés no sofá.

— Falou que nem mulherzinha agora. – A menina riu e Sasuke fez uma careta.

— Foda-se. – Tentou manter sua indiferença para Sarada não perceber que a provocação funcionou. – Quem comprou o sofá fui eu, não quero que o Boruto coloque os cascos dele em cima.

— Você é desprezível. – Encarou o moreno com os olhos semicerrados, balançando a cabeça em sinal negativo. – Quem sabe eu me case com o Boruto e vá morar com ele... – A adolescente sorriu de canto, falando como quem não quer nada.

— Ah é, e vão viver de que? – Indagou de forma debochada, o que fez o sangue da menina ferver, uma vez que ela estava proibida de dizer que entrou pra Amaterasu. – Seu namoradinho vai vender o corpo dele na esquina?

— Quanta maturidade. – Revirou os olhos.

— Digo o mesmo para você, com esse seu papinho ridículo de adolescente rebelde que vai sair de casa. Acorda, menina!

— Nossa, meu papai tem ciúmes de mim. – Fingiu emoção. – Que lindo...

— Obrigado, eu sei que eu sou lindo. – Provocou como se fosse um adolescente brigando com outra adolescente.

— Você acha bonito ser feio? – Arqueou uma sobrancelha. – Cara, você tem uma bunda de galinha na cabeça.

— Para de falar do meu cabelo! Isso é sexy.

— Sexy? – A garota caiu na gargalhada. – Que ridículo, um velho metido a novinho... Já deve estar quase sofrendo com osteoporose, artrite, artrose e fica falando como se estivesse no auge dos seus vinte aninhos.

— A minha alma é jovem. E eu tenho apenas 33 anos, não sou velho. – Retrucou. – E outra, você fala do meu cabelo, mas já reparou no do seu namorado? Parece um cacho de banana.

— Eu gosto de banana. – Deu de ombros.

— Espero que esteja falando do sentido denotativo...

— Já chega de discutir com você, velho chato! – A menina levantou da cadeira, caminhou até a geladeira e pegou uma maçã. – Vou pra casa do Boruto, não quero passar o fim de semana inteiro olhando pra sua cara!

— Vai lá com o seu cacho de banana ambulante, vai! – Falou enquanto a sua filha saía de casa, batendo a porta com força. – Ah, Sakura, você não tem noção do problema que você deu para minha vida.

Notas finais
Esperamos que tenham gostado ;******