Notas iniciais
Atrasadas novamente... So sorry... Enfim, estava ocupada e acabei deixando o capítulo de lado... Estudos em primeiro lugar u.u Enjoy!

Toská, Rússia

06 de setembro de 2016

11:13 AM

Entrou no apartamento e respirou fundo enquanto olhava ao redor. Estava tudo exatamente do mesmo jeito que deixou quando se mudou para a casa do namorado.

As cortinas brancas da sala permitiam que os raios solares passassem por elas, era uma manhã um pouco quente.

Deixou a única mala que estava consigo no chão e foi abrir as janelas. Sasuke chegou logo atrás com outras malas. Sarada era empurrada em sua cadeira de rodas por um enfermeiro. Um homem bastante educado e atencioso com a adolescente, um estagiário.

— Quer ir para o quarto? – Sorriu para a menina.

— Não. – Fechou a cara. – Estou cansada de ficar deitada.

— Sakura, onde coloco as malas? – Perguntou Sasuke.

— Apenas deixe em qualquer lugar. – Deu de ombros enquanto olhava a paisagem.

O Uchiha fez como ela pediu e ficou ao seu lado, tocando em seu ombro. A olhou de relance e soltou um suspiro antes de soltá-la.

Aparência cansada, cabelos desgrenhados, palidez... Sakura realmente estava em seu limite. A forma como ela olhava para os prédios, era como se quisesse se jogar e acabar com tudo.

Sasuke também não estava da melhor forma, estava inclusive mais pálido, o cabelo sujo e comprido, e seus olhos mais escuros ainda, resultado de noites mal dormidas.

Olhou para a filha e viu que o enfermeiro fazia massagem na perna dela, com o objetivo de estimular os nervos.

— O que faremos, Sasuke? – Perguntou a Haruno sem olhar para ele. – Sarada mais cedo ou mais tarde irá nos cobrar...

— Eu sei. – Lamentou. – Me dê mais tempo para pensar.

— Você não tem tanto tempo assim, Sasuke. – O encarou e em seguida a sua filha. – Ela não tem.

Sakura se afastou do homem, mas ele segurou o seu braço com força. A olhou por um tempo e diminuiu o aperto.

— Ela precisa de você, agora mais do que nunca. – Disse ele em baixo tom.

— Ela nunca precisou. – Rebateu. – Eu não sou nada para...

— Não diga isso. – A puxou para si.

— É a verdade, Sasuke. – Disse de cabeça baixa. – Ela nunca viu nem vai me ver como mãe, nada do que eu disser será suficiente.

— Você já tentou? – Ela o olhou. – Não desista dela, por favor. É a nossa filha.

— Eu tenho muito medo. – Sua voz embargou. – Vê-la nesse estado...

— Você já passou por isso, você, mais do que ninguém, entende a dor dela. – Pegou em seu rosto. – Converse com ela, por favor, antes que se arrependa de não o ter feito.

Sasuke se afastou da mulher e se dirigiu à sala para pegar as compras, era hora do almoço. A Haruno mexeu nos cabelos e respirou fundo.

O Uchiha entrou na cozinha e pôs as sacolas sobre a bancada. Ligou a geladeira e foi guardando. Ao terminar, voltou para a bancada e se apoiou nela.

“Eu não aguento mais, pai, eu quero morrer”, as palavras de sua filha eram constantes em sua mente.

“Meu amor não é suficiente para ela, nem o seu é”, e as palavras da rosada também.

Em alguns momentos pensou: “como Sarada é egoísta”, mas não. Ela pensava nos pais constantemente, se preocupava com eles e os ama, sabe que fará falta. Mas sua dor é tanta que nada disso é suficiente.

Ele não é suficiente e chegou a acusar a filha de egoísmo. Ele é quem a quer viva para o bem dele. Em algum momento pensou nela e como ela?

Viver sem uma mãe por 18 anos, viver uma mentira contada pelas pessoas que tanto ama, perder uma irmã, ver o namorado perder a família por sua culpa, quase perder a mãe pela mesma causa, ser torturada física e mentalmente pelo mesmo motivo... Não, ele nunca tentou pensar como ela.

Sarada já se levantou tantas outras vezes e caiu muitas outras, ela já está cansada.

Sentia-se um pai inútil. Não a protegeu, não a guiou, não a amou no tempo certo, não exerceu autoridade quando devia, sempre falhando.

Este é o último pedido que sua filha faz e que ele pode atender... Mas é um absurdo. Ele a ama demais para simplesmente aceitar a eutanásia.

Não importa o quanto lute, aquilo que amamos sempre fará parte de nós. Perder a Sarada é como perder mais da metade do que ele é. Um vazio que nunca mais será preenchido.

Olhou para a janela aberta da cozinha e uma brisa bateu em seu rosto, era leve, fechou os olhos para aproveitar. Quando abriu, viu sua mulher caminhando lentamente até a filha.

Mas ele tinha uma esperança, e esta tem nome: Sakura. Só ela agora podia ser tudo o que a garota precisava.

Sakura se sentou no sofá perto da filha que se mantinha inexpressiva, da mesma forma que estava desde que acordou do coma induzido.

— Pode nos deixar sozinhas? – Ela olhou para o homem ruivo recém-contratado para cuidar de Sarada e este apenas se retirou sem dizer uma única palavra.

Sarada olhava para alguns cantos daquele apartamento tão desconhecido por ela.

Sasuke e Sakura concordaram que era melhor irem para o apartamento da Haruno, uma vez que Sarada se sentiria mais segura lá devido ao fato de Naruto já ter entrado na casa se Sasuke. O convite de Itachi para que fossem morar com ele ainda estava de pé, mas o casal resolveu ignorar. Nem Sasuke e nem Sarada ficariam confortáveis morando na casa onde Mikoto e Fugaku faleceram... Na verdade até o próprio Itachi pensava em vender a casa e ir para um lugar menor.

Sakura queria conversar com a filha, mas não sabia como iniciar um assunto. Sarada estava frágil e ficou ainda mais calada depois que Sasuke negou o pedido dela ainda no hospital.

Por já ter tentado suicídio uma vez, Sakura conseguia compreender a filha, mas seu amor por ela não conseguia deixar essa ideia de eutanásia entrar em sua cabeça! Estava confusa... Sarada estava morrendo aos poucos e era uma coisa muito dolorosa de se ver. Seu coração batia, mas era como se já não estivesse mais viva.

— Como está se sentindo? – Sakura mandou a pergunta mais clichê que poderia mandar. No fundo, estava insegura sobre as palavras que usaria com Sarada.

O silêncio se instalou por uns segundos entre as duas e Sakura recebeu apenas um dar de ombros como resposta.

Soltou um longo suspiro... Sarada não estava facilitando. A rosada chegou a pensar que os psicólogos do hospital poderiam conseguir mudar um pouco a cabeça de Sarada, mas estava enganada.

— Já convenceu o meu pai? – Sarada questionou após um período torturante de silêncio entre ela e sua progenitora.

— Ele está pensando no caso.

— Você também não aceitou, não é? – Olhou para a rosada com seu semblante inexpressivo de sempre. – Você mente pra si mesma... Quer fazer de conta que aceitou, que isso vai ser melhor pra mim, mas no fundo não quer aceitar.

— Sarada, eu te amo.

— Eu sei. E é por isso que você não quer que eu morra... O seu egoísmo é maior do que seu amor por mim e sabe por quê? Porque, mesmo sabendo como eu me sinto, você só quer me manter viva porque me ama. E o mesmo vale para o Sasuke.

— Você...

— Sakura. – Interrompeu. – Você já tentou tirar sua própria vida. Você não pode julgar minha escolha, porque sabe como eu me sinto.

— É diferente, querida...

— O que é diferente? Por que é diferente?

— Eu não tinha ninguém. A única pessoa que importava pra mim, você, me rejeitou. Eu estava sozinha... – Falou com dor no coração. – Mas você tem a mim, também tem o Sasuke, seu tio Itachi... Nós te amamos muito e queremos o melhor pra você. – Explicou. – Sarada, você é preciosa para nós. Mesmo que eu também tenha tentado tirar minha própria vida, e teria conseguido se Sasuke não tivesse me encontrado por acaso, são duas situações diferentes.

— E como você acha que eu vou viver o resto da minha vida olhando pro meu pai e lembrando que ele perdeu um braço por minha causa? Como você acha que eu vou viver olhando pra você e lembrar da Haruka?

— Foi uma fatalidade... A culpa não foi sua, Sarada.

— Tudo começou por causa da morte do Kisame. Sakura, eu sou uma assassina.

— Você foi ingênua, querida. Todo mundo deixa a ingenuidade falar mais alto pelo menos uma vez na vida.

— O problema é que as consequências foram desastrosas. Várias pessoas morreram por causa disso.

As duas respiraram fundo, mas a Uchiha continuou:

— Eu poderia ter me entregado para a polícia e tudo isso poderia ter sido evitado… – Comentou em baixo tom.

— Não há como prever o futuro, minha filha. – Colocou uma mexa atrás da orelha dela. – Eu sei o quanto está sendo difícil para você, mas temos a chance de começar uma nova vida, até em outro país, se você quiser. – Sorriu amarelo. – Vamos unir forças e vencer essa luta.

— Eu deveria ter saído da Amaterasu quando meu pai descobriu, ele me alertou, fiz as coisas que fiz por vontade própria. – Murmurou. – Mas quando eu percebi que minhas ações estavam se virando contra mim, fiquei com medo e parei, só que era tarde demais. Karin, Hinata, Himawari, Naruto... Nenhum deles merecia passar por isso, eram pessoas comuns... O Boruto, eu acabei com a vida que ele poderia ter tido. Como posso pensar no meu futuro se destruí o futuro de outros? – Seus olhos lacrimejaram. – Foi quando eu me toquei que, aquele homem que matei também era alguém comum, era alguém que precisava de ajuda assim como eu para sair desse mundo criminoso.

— Sarada, você era só uma criança.

— Eu já passei da idade de ser presa, Sakura... Eu tinha plena consciência do que eu estava fazendo. – Encarou a mãe. – Antes, eu tive prazer em ver aquele homem morrer, a expressão que ele fez... Agora só sinto nojo, nojo de mim mesma, de quem eu sou, de quem eu me tornei.

A Haruno abaixou a cabeça e apertou levemente as mãos da filha. Era hora de ouvi-la.

— Eu amo vocês e sei mais do que ninguém o quanto vocês me amam. – Olhou para suas pernas imóveis. – Caso contrário, meu pai não teria arriscado a própria vida para me salvar, você teria desistido de mim quando eu te critiquei diversas vezes. – Abaixou a cabeça. – Eu penso o tempo todo em vocês e me pergunto se farei falta. – Sakura segurou em suas mãos. – Mas é difícil, sabe? Eu olho pra você e só vejo a Haruka, olho para o papai e só vejo que ele ficou assim por minha culpa... – A rosada iria abrir a boca, mas a morena continuou. – Não adianta dizer que foi uma fatalidade, porque nós duas sabemos que podíamos ter evitado tudo isso muito antes.

— Nunca é tarde para mudar, minha filha. – Pegou na nuca da adolescente. – Eu perdi tudo na minha vida e nunca entendi o motivo, meus pais, amigos, o Sasuke, você... Eu perdi você quando ainda bebê. O mundo tirava as coisas de mim, tudo o que era mais importante, e eu não entendia o porquê. Me sentia um lixo, queria morrer.

— É o que eu quero agora. – Chorou. – Eu acordo de manhã e me lamento por não ter morrido na madrugada, cada dia que passa é mais insuportável. Eu revivo aquelas cenas na minha cabeça o tempo todo, eu estou farta. – Fungou. – Mas se eu morrer, eu nunca mais vou me lembrar de vocês e nada do que vocês fizeram por mim que foi realmente lindo... Eu sou uma covarde.

— Nunca é tarde demais para recomeçar, meu bem. – Abraçou a adolescente. – Quem me ensinou isso foi você, quando te vi depois de todos aqueles anos, eu soube que ainda vale à pena lutar... Eu não superei nada daquilo, eu admito, ainda é uma cicatriz muito fresca, mas eu continuo lutando, continuo me levantando porque eu tenho você e o seu pai. – Beijou sua testa. – Você tem a mim e ao Sasuke. Pode parecer egoísmo da nossa parte, mas dane-se, por favor, não desista de nós.

— Eu também não quero perder vocês. – Secou o rosto, em vão. – Mas é muito difícil, Sakura... Sinto que esta dor nunca irá embora.

— A vida é uma série de tragédias e com curtos comerciais de felicidade. – Citou. – Peço a você que sinta felicidade nesses comerciais e aproveite comigo e com o seu pai. – Se afastou da menina, pegou em seu rosto e olhou no fundo de seus olhos. – Eu demorei oito meses para formar o seu coraçãozinho, não deixe que alguém venha e o destrua em poucos dias.

Sakura se levantou do sofá e foi até a cozinha ajudar o namorado. Queria deixar a filha pensando um pouco, ela precisava de um tempo. Mesmo que doesse ficar afastada dela só alguns metros...

— Eu cuido a partir daqui. – O moreno se virou um pouco assustado para ela.

— Você me assustou.

— Vá falar com ela também. – O empurrou para fora da cozinha, falando baixo. – Ela também precisa de um pai.

A rosada se afastou e o moreno ficou calado. O que iria dizer? O que tinha que dizer? Enquanto pensava, acabou se assustando com o barulho do destrave de uma arma.

Virou-se bruscamente temendo que fosse sua filha tentando cometer alguma outra loucura, mas não. A arma estava apontada contra ela, em sua cabeça.

Sasuke engoliu em seco, o enfermeiro tirou a barba e o cabelo falsos muito bem implantados e sorriu de canto, tornando a apontar para a adolescente com a mão direita. Balançou o rosto, fazendo os óculos caírem.

Sarada estava com a boca tapada pela outra mão do “enfermeiro”, antes resmungava tentando se soltar, mas ao ver sobre quem se tratava de fato, se calou perplexa.

— Naruto. – Sasuke falou com a voz trêmula, mas tentava soar firme.

— Olá de novo, Uchiha. – Disse animado. – Vejo que saiu inteiro daquela explosão, ou quase isso. – Olhou para a ausência do braço esquerdo.

Sakura apareceu correndo da cozinha ao identificar a voz do Uzumaki, mas travou ao ver que ele apontava a arma para sua filha.

— Por que não se sentam, senhor e senhora Uchiha? Gostaria de conversar um pouco com vocês. – Apontou com mão esquerda para as cadeiras.

— Pai... – Sarada murmurou com o olhar assustado. Um pedido mudo de “me ajuda”.

— Diga o que quer e solte minha filha. – Sakura apertou forte a faca que tinha em suas mãos. Não que fosse matá-lo, não tinha coragem, mas precisava se segurar em algo mesmo que não fixo.

Naruto, vendo que eles não iriam se sentar, respirou fundo.

— Quando eu estava torturando a filha de vocês... – Sentiu a garota ao seu lado estremecer. – Fiz algumas perguntas do tipo: você matou o Kisame Hoshigaki?

— Ela estava seguindo ordens. – Defendeu Sasuke.

— Do seu pai, certo? – O moreno ficou calado. – Ah, qual é? Eu sei que vocês trabalham numa máfia. – Revirou os olhos.

— Então você... – Sakura balbuciou surpresa.

— Sim, eu fui solto por Fugaku Uchiha. – Suspirou. – O meu plano era matar vocês e que a polícia descobrisse que foi o teu pai quem me soltou, mas estou decepcionado... Hinata teria descoberto que ele estava envolvido desde o acontecimento... Mas, felizmente, aconteceu algo melhor. Você o matou. Obrigado, Sasuke. Poupou meu trabalho.

— Você estava esperando o meu pai morrer para agir... – Concluiu o moreno.

— Oh, você é mais esperto do que pensei. – Riu. – O maldito me soltou e conversamos, ele ofereceu tudo o que eu precisava... Dinheiro, carro, disfarce, uma identidade falsa e até essa arma aqui. – A balançou displicentemente e tornou a apontar para a cadeirante. – Fiquei hospedado por um tempo no Izanagi até aquela explosão.

— Para onde foi depois? – Perguntou Sakura.

— Fiquei num hotel luxuoso, nem lembro o nome. Mas sabia que era o local mais improvável que a polícia e o seu pai procurariam.

— O que ele disse? – Perguntou Sasuke.

— Ele não iria falar, mas eu exigi explicações, não é normal um pai querer o filho morto. – Suspirou. – Disse que você era um mafioso e que matou minha esposa e filha, mas o seu pai era burro o suficiente para acreditar que eu pensaria que ele não estava envolvido. Ele tinha pose de mafioso, um merda.

— Por que foi trabalhar com ele? – A rosada se aproximou um pouco. – Se sabia disso, poderia ter contado pra polícia!

— Eles não dariam ouvidos a um louco! – Disse com amargura. – Eu seria colocado naquele inferno de Woodhaven de novo. E eu tinha uma oportunidade para destruir a vida de vocês, era um bom negócio... Iria matar vocês e ele seria preso. Felizmente, ele morreu, o que é melhor ainda.

— Mas eu não o matei. – Acrescentou.

— Olha, eu sei que ele era um velho ridículo, mas ataque cardíaco? – Bufou. – Não sou idiota, ele era um homem rico, a saúde dele devia ser ótima.

— Minha mãe o matou. – Mordeu o lábio inferior ao perceber o olhar de Sarada, ficou chocada com a notícia.

— É, ele devia ser muito amado. – Debochou. – Traído e morto pela própria esposa.

— Traído? – Indagou Sarada e seus pais morderam os lábios.

— Não sabia? Ela traiu Fugaku com Madara Uchiha. – Sorriu. – Fugaku já estava planejando me soltar desde o dia do julgamento, mesmo eu indo para a cadeia ou para o manicômio, só esperou a poeira abaixar. – Tornou a olhar para o moreno. – Nem você nem Sarada morreriam numa “missão”, assim o seu verdadeiro pai não iria acusá-lo, seriam mortos por um doido. O crime perfeito.

— “Verdadeiro pai”? – A Uchiha, trêmula, perguntou em baixo tom, mais para si mesma, mas Naruto a escutou.

— Sim, o seu pai é filho bastardo da Mikoto com Madara. – Olhou para o outro com um sorriso, mas logo fez uma expressão de tédio. – Ah, então você sabia.

— Isso é verdade, pai? – Não obteve resposta. – Por que não me disse?

— Eu iria falar.

— Quando?

— É, Sasuke, quando? – Provocou o loiro. – A julgar pela cara da sua namorada ali, ela também já sabia.

A morena olhou para sua progenitora a qual somente abaixou a cabeça.

— Veja como os seus pais mentem para você. – Cochichou no ouvido dela.

— Eu iria dizer assim que houvesse uma oportunidade boa, em algum momento de paz. – Se defendeu o Uchiha.

— “Paz”? – Riu o Uzumaki. – Você acha que vai ter paz, Sasuke? Depois de matar a minha família, como consegue dormir? – Vociferou. – Você viu, Sasuke! Viu a sua filha morrendo na sua frente! Me diz qual foi a sensação! Como é ter a pessoa que você mais ama ser retirada de você?

Sarada estava assustada com o homem ao seu lado, e se ele atirasse nela?

Sasuke permaneceu calado e abaixou a cabeça.

— Foi péssimo. – Murmurou.

— Diga mais alto!

— Foi péssimo! – Gritou.

— Então me diz como acha que eu me sinto. – Diminuiu o tom. – Eu perdi tudo, você perdeu um braço. Um mísero braço. – Travou o maxilar. – Eu preferia ter as minhas pernas arrancadas a ter que perder toda a minha família.

Um silêncio permaneceu no recinto. Sasuke não tinha como rebater.

— Como elas morreram? – Perguntou o Uzumaki. – Ao menos lhes deu uma morte rápida? – O moreno ficou calado e isso o irritou. – Como?

— Pai!

— Sua irmã, Karin, baleada no estômago e na cabeça, queimei o corpo. – Respondeu nervoso, revivendo as cenas. Naruto franziu os lábios contendo o ódio. – Himawari, sua filha, tiro na cabeça... – Parou de falar um pouco para olhar para o loiro que segurava o choro. – Sua esposa, Hinata... Também baleada na cabeça.

Sakura olhou surpresa para o moreno. Ele mentiu sobre a morte da policial, esperava que ele dissesse a verdade. O loiro merecia saber, mas não podia. Sua filha estava na mira, se soubesse o que de fato aconteceu, seria questão de segundos até que ela estivesse morta.

O Uzumaki abriu a boca para dizer algo, mas se conteve, ele ainda não havia dito tudo.

— Qual foi o fim que você deu a elas? O que fez com os corpos?

Sasuke ficou calado e fechou os olhos, também continha lágrimas.

— O que você fez? – O loiro não resistiu e chorou.

— Queimadas, como sua irmã.

— Assassino... – Murmurou e Sarada se encolheu ao ouvir tal palavra. – ASSASSINO!

Segurou a cabeça da adolescente e prensou a arma contra ela, seus pais ficaram assustados e se aproximaram, mas Naruto ameaçou puxar o gatilho e eles pararam.

A Uchiha gritava em pânico. O seu maior medo bem ali, ao seu lado. Chorava em desespero.

— Por favor, solte-a! – Sakura suplicou.

— Você é pior do que imaginei, Uchiha! – O homem chorava. – ERA UMA CRIANÇA! A PORRA DE UMA CRIANÇA!

— Eu não queria que fosse assim! – Replicou também em prantos.

— Guarde as suas lágrimas para quando sua filha morrer! – Bateu a pistola na cabeça da Uchiha e ela parou de gritar, estava suada e agitada. Ela poderia acabar tendo uma crise bem ali.

O golpe abriu um pequeno corte o que fez Sakura se desesperar.

— Se sabe o quão doloroso é perder alguém, por que faz isso? – Perguntou ela. – Você está louco!

— Quando se vive numa alcateia, se aprende a uivar.

— O Boruto... – Tentou Sarada, tremia muito. – Você não viu o pedido que ele fez na televisão?

— Eu vi. – Respondeu um pouco menos nervoso. – E pensei em me entregar, como ele pediu, mas eu realmente queria vocês mortos! Não posso suportar o fato de saber que ele está vivendo um inferno por culpa de vocês, faço isso por ele.

— E depois de nos matar? O seu filho não vai ter mais ninguém! – Disse Sasuke. – Ele ainda precisa de você!

— Ninguém precisa de um pai louco. – Havia dor em sua voz.

— Nós já aprendemos a lição. – Se manifestou Sakura, colocava a mão esquerda sobre a barriga. – Você tirou ela de mim, lembra?

— “Ela”... – Seu olhar mudou para compaixão. – Então era uma menina.

— Sim, seria uma menina muito saudável. – Suspirou ela.

— Mas vocês mereceram. – Sorriu maquiavélico. – Vocês só entenderão a minha dor quando passarem pelo mesmo.

Apontou a arma contra a cabeça da Sarada, estava prestes a puxar o gatilho quando fora empurrado pela Haruno.

— Mas o que...? – Bradou enquanto segurava os braços dela. – Me solta!

Desferiu um golpe em sua face, o que a fez perder o equilíbrio e cair onde estava o sofá.

Sasuke havia corrido para proteger Sarada, puxou-a da cadeira para o chão quando viu que Naruto se preparava para mirar na adolescente. A protegeu com o seu corpo.

O loiro estava agitado e quando puxou o gatilho, o tiro acertou a coxa esquerda da Haruno. Ela havia entrado na frente.

Grunhiu de dor, mas permaneceu em pé e avançou para cima do homem com o intuito de derrubá-lo no chão com o peso de seu corpo.

Quando Sasuke abriu os olhos temendo pelo pior, após ouvir o barulho de alguém caindo depois do disparo e o grito de Sakura, olhou assustado para os dois caídos um sobre o outro.

Sarada protegia a própria cabeça e só abriu os olhos quando Sasuke se mexeu bruscamente. Quando viu a mesma cena que o seu pai, quase entrou em desespero.

Sakura soltou um grito e retirou a faca sem pensar duas vezes, a lançando para longe.

— Perdão... – Falou num fio de voz com os olhos arregalados.

Saiu de cima do corpo caído e pressionou suas mãos contra o ferimento. Tentava estancar, mas não estava surtindo efeito.

— Meu Deus! – Murmurou em pânico e em lágrimas. – Me perdoe, eu não queria...

Por um momento o loiro achou cômico e Sasuke estranhou aquele pequeno sorriso nos lábios do homem que com certeza sentia muita dor. Ele estava perdendo muito sangue e rápido. A rosada parecia nem ligar para a dor em sua coxa.

Naruto não compreendia. Ele tentou acabar com os Uchiha; Torturou Sarada de formas terríveis; arrancou o braço de Sasuke com um cutelo e depois queimou o local; fez com que Sakura perdesse a filha tão esperada... Então por quê? Por que ela pedia perdão?

— Isso não faz sentido. – Falou com um pouco de dificuldade. – Você deveria me querer morto.

— Eu não... – Soluçou.

— Ridícula. – Bufou. – Não sei se você é muito idiota ou se é boa demais.

— Sasuke... – A rosada olhou para o moreno que, assim como Sarada, estava em estado de choque. – Liga pra emergência. Liga agora!

— Não tem mais jeito... – Sasuke falou baixinho, mas num tom audível, então Sakura olhou aflita para a filha que mantinha seus olhos fixos no homem jogado no chão ao seu lado.

— Tudo bem... – Naruto sorriu. – É o fim... Eu seria condenado à morte de qualquer jeito, então que diferença faz? – Ele fez uma careta por conta da dor, mas logo em seguida suspirou pesadamente e fechou seus olhos. – Haruka... Espero que ela e Himawari sejam boas amigas do outro lado...

— Não, por favor! – Chorou mais ainda.

Naruto fez uma careta de dor e segurou numa das mãos da rosada que pressionava seu peito. Ela estava fazendo muita força.

Os grandes olhos azuis fitaram o teto branco enquanto que um filme parecia passar diante dele. Naruto então parou de respirar. Estava morto.

Sua mão ainda segurava a dela. Sakura abaixou a cabeça e parou de apertar a ferida. Soluçava muito.

Iria levar as mãos ao rosto para enxugar as lágrimas, mas ao ver o sangue, se assustou e deu outro grito.

Sasuke foi para perto de sua mulher e tentou confortá-la, mas ela o afastou com o corpo e correu aos tropeços para o banheiro. O movimento brusco assustou o homem, mas ele logo entendeu ao ouvir o som de alguém fazendo força para vomitar.

Soltou um suspiro e ajoelhou ao lado do Uzumaki. Sarada acompanhou os seus movimentos com os olhos e ele sorriu para ela. Não era a primeira pessoa que Sarada viu morrer, mas aquela morte foi a mais chocante com certeza.

— Desculpa por ter mentido para você. – Disse num sussurro para o homem já morto. – Eu dei... sua filha e sua esposa aos cães... Hinata ainda estava viva. – Dizia com dificuldade. – Apesar das coisas que você fez, eu espero que você possa ir para o mesmo lugar que elas, onde eu não mereço ir. – Fechou os olhos dele. – Descanse em paz...

Apesar de estar mais aliviado, Sasuke ainda estava muito tenso. Sarada o olhou fazendo um pedido mudo e ele captou a mensagem. Foi até a menina e a colocou de volta na cadeira de rodas.

Beijou sua testa e correu até o banheiro, onde Sakura esfregava com força suas mãos na pia.

Os olhos de uma pessoa assustada e boca trêmula, murmurando algo que ele não compreendia. Suas mãos estavam vermelhas com um pouco de sangue, mas já não eram de Naruto e sim dela, tamanha a força que fazia. O sangue na coxa escorria por suas pernas, aquilo com certeza estava doendo.

Sasuke desligou a torneira e a puxou para si, a apertando num abraço. Sakura cravou as unhas nas costas dele e chorou num som abafado.

Ela estava tremendo muito. Não precisava dizer absolutamente nada, e sim estar apenas ali presente.

Lentamente, foi tirando a rosada do banheiro e a levando até o quarto mais próximo, que era o de hóspedes. A colocou na cama e secou o seu rosto.

Ele ouviu um barulho atrás de si e viu que era Sarada. A morena olhou para sua progenitora, nunca a viu tão assustada e apavorada. Abaixou a cabeça e ficou pensando... Sua mãe nunca mataria ninguém por querer, ao contrário de Sarada, ela sentiu repulsa do que fez. Sakura era boa demais e ela invejava isso na mãe.

Mordeu o lábio inferior e pensou no Boruto. Agora o garoto perdeu o pai. Ela destruiu a vida daquele que amava. Embora a morte de Naruto tenha sido um alívio, já não precisava mais se preocupar com inimigos, ela teria que conviver com mais este fardo. Ou talvez ela desistisse antes do fim...

Sasuke olhou para suas duas mulheres e respirou fundo, contendo sua angústia. É duro demais ver aqueles que amamos definhando daquele jeito sem poder fazer nada.

Soltou um suspiro quando ouviu o som da sirene. A polícia e/ou ambulância havia chegado. Algum vizinho, preocupado, deve ter ligado para eles depois do som do disparo.

[...]

Toská, Rússia

06 de setembro de 2016

02:58 PM

— Uma facada no peito, causa da morte: perda de sangue. – Disse Kabuto.

— O rosto da Haruno estava roxo, ele bateu nela e depois atirou... – Shikamaru disse olhando para o corpo morto do Uzumaki.

— Considerando isso, o que ele fez contra a família Uchiha e o estado em que a Haruno estava, a ação dela foi em legítima defesa. – Puxou o lençol branco e cobriu o rosto do loiro. – Você está bem?

— Não pior do que um certo alguém vai estar... – Suspirou. – Obrigado pelo trabalho, Kabuto.

O grisalho assentiu e o Nara se afastou em direção a sua sala. Massageou as têmporas e ignorou o cumprimento de Ino, ou talvez nem tenha visto.

Sentou em sua cadeira e puxou a primeira gaveta. Ali estava o distintivo de Hinata, sua ex companheira de investigação.

Seus olhos marejaram por um tempo, mas tratou de segurar as lágrimas. Com o objeto em mãos, pegou o telefone e discou o número de Boruto.

O que ele diria? Como daria esta notícia?

— Alô? – A voz do garoto fez com que o policial quisesse chorar.

— Sou eu, Boruto. – Sua voz soou baixa.

— Shikamaru. – Disse num tom amigável. – Como está?

— Trago notícias do seu pai.

— Ele apareceu? – Não obtendo resposta, prosseguiu. – Ele se entregou?

O silêncio ainda permaneceu e o loiro logo desfez o sorriso que estava em seu rosto. Uma cara de dor se formou.

— Ele atacou a Sarada de novo? – Seus lábios torceram.

— Ela está bem. – Shikamaru não aguentou as lágrimas e sua voz de choro foi percebida pelo Uzumaki. – Naruto está morto.

Nara pôde ouvir um gemido de um garoto chorando, tudo o que conseguiu dizer antes de desligar foi um “sinto muito”.

Boruto se ajoelhou no chão e chorou como nunca antes, e de novo, a dor da perda o atingia novamente. Kushina, que viu a cena, correu até o garoto e o abraçou, havia entendido tudo ao ver o neto chorando daquela forma. A dor chega para todos.

Shikamaru se levantou da cadeira, ainda chorando, e saiu da sala e caminhou até um grande mural logo na entrada do local de trabalho.

Era um mural de vidro com vários distintivos de policiais que morreram. Colocou o de Hinata com muita dor ao lado do de Karin, foi necessário fazer um novo para esta.

Sentou-se no chão e abaixou a cabeça. Não pôde salvar ninguém.

[...]

Toská, Rússia

06 de setembro de 2016

10:02 PM

Sakura estava sentada com a perna esquerda esticada na cama, o local latejava. A bala foi facilmente retirada, não foi necessária uma cirurgia.

Sarada entrou e se aproximou com a cadeira de rodas e tocou em sua mão, a rosada sequer havia notado a filha até então. Mas ela a afastou, estava com nojo de si mesma. Não queria que sua filha a tocasse.

Depois de alguns minutos de silêncio, Sarada se pronunciou:

— Como você está? – Perguntou à mulher.

Passando as mãos nos cabelos úmidos, soltou um suspiro sôfrego.

— Não consigo esquecer... aquilo.

A menina abaixou a cabeça e mordeu o lábio inferior. Sua mãe com certeza não sabia lidar com isso.

— Você acha que eu sou uma assassina?

Na hora, Sakura nem percebeu que esta pergunta machucou a filha. Ela não matou porque quis, ao contrário dela.

— O juiz entenderá como legítima defesa, você só queria nos proteger. – Acalmou a mais velha. – Obrigada por se arriscar e não desistir de mim.

— Eu sou horrível.

— Não foi culpa sua. – Se viu num déjà vu, mas agora ela quem consolava a mãe e não o contrário. – Pensa que foi por uma causa maior.

— É assim que você... – Não concluiu. Percebeu que seria uma pergunta idiota.

Mas Sarada já sabia o que ela queria saber, e realmente, agradeceu por ela não ter concluído.

— Perdão...

— Como está o seu rosto? – Mudou de assunto.

— Um pouco inchado. – Tocou levemente a região. – Mas isso é o de menos, eu matei uma pessoa.

— Não se sinta uma pessoa horrível, Sakura. – Disse. – Você salvou a minha vida, as nossas vidas, isso é tudo o que importa agora.

Sasuke estava entrando no quarto, mas ao ver que as duas conversavam, se retirou e foi até a sala, onde Madara estava e o recebeu como um pai recebe um filho.

A mais velha deu um sorriso sarcástico e mexeu nos dedos das mãos, que estavam enfaixadas.

— Eu salvei vidas? Eu tirei uma.

— Alguém morreria cedo ou tarde, mas é melhor um do que três... Ou quatro, mais tarde ele com certeza seria morto.

— Isso não justifica! – Se exaltou um pouco e sua perna reclamou.

— Você está bem? – Perguntou preocupada. – Posso chamar o papai e vamos ao médico...

— Eu não quero ir ao hospital. – Bufou apertando o ferimento. – Não quero voltar lá nunca mais.

A bala havia acertado um pouco mais para a lateral da coxa, na parte interna. É um local sensível e o efeito dos remédios estava passando.

Frustrada, Sakura chorou. Talvez de dor, talvez de angústia, ou quem sabe as duas coisas...

Levou as mãos ao rosto, não conseguia afastar o rosto de Naruto de sua mente, poderia dizer que ainda sentia o contato físico. Olhou para suas mãos e as apertou com força, se pudesse, arrancaria elas ali mesmo.

— Sakura. – Sarada tentou tocar em seu braço, mas sua mãe a afastou com brusquidão.

— Não me toque! Eu estou imunda! – Bradou.

— Você é normal, Sakura! – Pegou nas mãos da mulher a força. – Não importa o que os outros digam ou o que você pensa, você é normal.

— Eu matei...

— Eu também matei! – Replicou.

A Haruno ficou em silêncio por um tempo. Não concordava de maneira alguma com sua filha, mas entendia os motivos dela.

— Eu te amo tanto, minha pequena. – Respirou fundo. – Quando eu vi o que ele poderia fazer, não pensei duas vezes antes de afastá-lo, mas não achei que fosse acontecer o que aconteceu...

— Você poderia ter deixado, acabaríamos com tudo isso de uma vez. – Abaixou o rosto. – Tudo, enfim, estaria resolvido.

— Ele já estava com a arma... apontada para sua cabeça... Então, como eu cheguei a tempo? Ele poderia ter facilmente puxado o gatilho antes de eu chegar... Então, por quê?

— Ele hesitou. – Olhou para ela e percebeu o seu incômodo.

Sakura pôs a mão na boca e conteve um choro. No fim, mesmo querendo muito, ele não teve coragem de matar Sarada. Ele ainda tinha humanidade dentro de si, já ela, nem pensou nas consequências.

— Eu sei como é matar alguém, Sakura. – Comentou baixinho. – Na hora, eu gostei... Mas agora o que eu sinto é o mesmo que você.

A rosada inclinou a cabeça para trás e respirou fundo. Mesmo que tenha salvado a vida de sua filha, matou outra pessoa que também amava alguém. Não importa a causa, um assassinato é um assassinato. Dos dois jeitos alguém morre.

Olhou para sua própria mão e fechou os olhos. Já estava limpa, mas só conseguia ver sangue. Nunca se sentiu tão imunda daquele jeito, nem quando trabalhava vendendo o próprio corpo para pessoas estranhas.

Sarada não estava se sentindo bem ali, mas precisava estar presente. Sua mãe esqueceu a si mesma por ela, era o mínimo que podia fazer para retribuir.

O passado lhe assombrava. Com a morte do Naruto, e agora fora de perigo, sua vontade de morrer aumentou. Se sentia responsável pela morte dele, pela morte da família de Boruto.

“Será que ele já está sabendo?”, se perguntava. No fundo, queria que ele nunca soubesse.

“Como ele consegue viver com toda essa dor?”, sabia que o garoto não estava desistindo da vida como ela.

Queria vê-lo, perguntar a ele, precisava de um motivo para lutar e viver. Toda vez que olhava para os seus pais, além do amor, só via desgraça na vida deles, e tudo por culpa dela. Talvez Boruto fosse a resposta para a solução de seus problemas.

Perdida nos próprios pensamentos, olhou para o ferimento na coxa de sua mãe. Foi por ela, foi por amor.

“Sinto muito por ser uma péssima filha”, este pensamento era algo frequente em sua mente. Não se sentia digna dos pais que tinha, os quais fizeram o impossível por ela.

— O que acontece depois que morremos? – Sakura soltou a pergunta. – Apodrecemos, viramos restos, e tudo sobre nós se vai... Mas e a nossa alma? Existe mesmo céu e inferno?

— Por que está dizendo isso? – Indagou sem olhá-la nos olhos.

— Eu terei paz do outro lado?

Um silêncio profundo se instaurou naquele cômodo e a adolescente pôde entender completamente os significados daquelas palavras na boca de Sakura.

— Aqui ou lá, espero que tenhamos essa paz juntas. – Respondeu.