Notas iniciais
Então... Pedimos perdão pelo atraso. Aconteceram tantas coisas nesses últimos meses que simplesmente não conseguimos tempo para atualizar. É o último capítulo, galera! Agradecemos a todos que comentaram, favoritaram, acompanharam e recomendaram essa fanfic que, caramba, deu um trabalho do caramba! Mas valeu muito a pena! Mais agradecimentos nas notas finais. Boa leitura ^-^

Toská, Rússia
07 de setembro de 2016
09:42 AM

Sentou-se num banco e soltou um suspiro por trás da máscara que cobria o seu rosto. Ficou conhecido depois da transmissão ao vivo que fez na cidade e seria um problema se algum repórter quisesse lhe fazer perguntas, ainda mais agora.

Carregava sua única bagagem nas costas, uma mochila com algumas mudas de roupa. Não tinha pretensões de permanecer por mais tempo.

Na televisão, além dos horários dos vôos, passava as reportagens do dia. Mais especificamente sobre “O Degolador”, o seu falecido pai.

Uma mulher já de idade e com os cabelos brancos pegou em sua mão, pedindo para que se levantasse. E assim o fez.

Boruto era claramente mais alto do que sua avó, Kushina. Ela tocou em sua face e sorriu, o abraçou e o confortou.

— Boruto? — Um senhor chamou pelo garoto, era Minato.

Havia anos que não se viam, então o abraço, além de conforto, foi de saudade.

O homem podia até ser divorciado, mas Kushina era a mãe de seu filho que agora estava morto, então ele a abraçou fortemente. Tinham esperanças de que Karin estivesse viva de algum jeito, mas com a notícia de que Naruto atacou os Uchiha pela segunda vez, começaram a duvidar.

Não trocaram muitas palavras, queriam evitar o máximo possível falar sobre o que aconteceu. Nunca foi e nunca será fácil superar a morte dos filhos que se tanto ama, foge completamente do ciclo natural das coisas.

Entraram no carro e foram direto para o cemitério Jardins de Toská. Durante o trajeto, Boruto foi vendo os lugares tão conhecidos por ele…

A famosa escola de sua infância, onde aprendeu a história de seu país, ou melhor, de sua cidade natal. O hospital onde nasceu, o shopping favorito...

Pensou em sua ex e se perguntava se ela estava bem. Ele ainda a amava depois de tudo. Ela viu a morte de seu pai, com certeza isso deve ter sido chocante para ela, no pensamento dele. Queria saber se o seu pai havia dito algo, ela e os outros dois — Sasuke e Sakura — relataram que Naruto simplesmente atacou sem dizer uma palavra. Mas ele não acreditava nisso.

Queria saber se ele viu o vídeo e deu alguma importância para ele, ao seu pedido. Se sentia um fracasso, não conseguiu salvar ninguém.

Encostou a cabeça na janela e abaixou a máscara de sua boca. Os carros voltaram a transitar mais e as fronteiras foram abertas novamente. Tudo voltou ao normal.

[...]

Em frente ao corpo do pai, Boruto segurou a mão dele e chorou. Frio.

Sua mãe estava debruçada sobre o filho e chorava bastante, ela estava em seu limite. Minato passava as mãos nas costas dela, em vão, mas ele também precisava de um consolo.

Boruto tentou não olhar para a face do pai, não queria ter aquele rosto pálido e sem vida para sempre em sua mente, mas não conseguiu e falhou. Se retirou dali e se sentou num banco do lado de fora.

Deixou as lágrimas rolarem, tudo parecia se repetir. Essa dor que se recusava a ir embora cada vez mais aumentava.

Por vezes a morte parece o caminho menos doloroso. Queria sentir o abraço daqueles que se foram, mas sabe que nunca mais os terá de volta.

O seu rosto estava exposto e algumas pessoas que vieram visitar os seus entes queridos, viram sua face e fizeram comentários maldosos em sussurros.

“O mundo está melhor sem aquele maldito”.

“O corpo dele deveria ser queimado e não enterrado, não é digno disso”.

“Deveriam ficar de olho nesse garoto, ele pode acabar querendo matar inocentes também”.

Ninguém mais parecia ter respeito pela dor do outro. Ninguém se importava, nem nunca se importaria.

O que Sarada diria? Ela diria “bem feito” também? Ela tinha esse direito, mas será que diria?

Viu o corpo de seu pai sendo carregado num caixão, um automóvel o levava até o local que seria enterrado. Seu avô fez um gesto o chamando e ele foi até ele.

Não havia orador, o corpo foi simplesmente colocado debaixo da terra, estava tudo acabado.

Kushina quase desmaiou, mas foi levada até uma sombra pelos dois ali presentes. Talvez a forte emoção ou o calor do dia, ou os dois… Minato também estava sem forças física e emocionalmente.

O mais novo foi até a lápide do pai e observou com atenção. Quais foram suas últimas palavras? Realmente queria saber.

Toská, Rússia
07 de setembro de 2016
10:40 AM

Sasuke estava no carro e Sakura ao seu lado, Sarada estava no banco de trás. A adolescente olhava para a entrada e saída do cemitério, parecia refletir algo. Sakura olhava para o mesmo lugar, desviou e murmurou um “sinto muito”.

A mulher deu partida e foi em direção à sua casa. Sasuke olhava diversas vezes para sua filha por cima do ombro, ela estava pensativa desde que entrou no carro. Queria perguntar, mas sabia que aquele momento era só dela.

Sakura estacionou na parte sem cobertura do condomínio e ajudou a adolescente a sentar na cadeira de rodas com o apoio de Sasuke. Enquanto a colocava no lugar e tinha certeza que estava segura, o Uchiha olhou ao redor e viu Madara ali, ao lado de seu carro casual.

— Sakura. — A mulher o olhou. — Leve a Sarada até lá em cima, eu já subo.

— Não quero entrar lá, Sasuke. — A rosada o segurou pelo braço. — Por favor.

— É o meu pai. — Fez um gesto com a cabeça, apontando. — Logo estarei com vocês.

Beijou a testa de ambas e andou a passos largos em direção a Madara.

— Itachi disse que virá aqui em uma hora, disse que queria resolver uma coisa antes. — Disse o Uchiha mais velho. — Vamos caminhar um pouco.

Resolveram andar pelo condomínio mesmo, não queriam se afastar muito.

— O julgamento acontecerá amanhã. — Comentou Madara. — Não precisa se preocupar, com certeza será julgado como legítima defesa.

— Queria que ela percebesse isso…

— Como ela está?

— Se sente culpada, não há nada que eu ou Sarada diga que a faça mudar de ideia. — Soltou um suspiro. — Ela é uma pessoa muito boa.

— E minha neta?

— Ela parece perdida nos pensamentos. — Refletiu. — Por que ela se sente tão culpada por tudo isso? Quem fez mais merda fui eu, não ela.

— Pessoas que ela amava morreram por culpa dela, o amor pode curar, mas também machuca. — Respirou fundo. Lembrou de Mikoto.

— Eu deveria morrer. — Parou de andar e olhou para os próprios pés.

O seu pai parou em sua frente e segurou em seu ombro.

— Está tudo acabado, filho, é hora de levantar a cabeça e seguir em frente. — Seu tom de voz era profundo. — Comece uma nova vida em outro estado, ou até mesmo outro país. Recomece.

— Queria tanto que elas também desejassem isso… — Respirou fundo.

Madara ficou em silêncio por um tempo e depois abraçou o filho. Era tudo o que podia fazer naquele momento por ele. Palavras não curam a dor de um coração que se partiu.

[...]

Deitada na cama dos pais, Sarada olhava para o teto e se perdia novamente nos pensamentos.

Lembrou-se do seu quarto, onde havia vários pôsteres de bandas que gostava. Os presentes que recebeu de Boruto também estavam lá.

As palavras dele ainda estavam em sua mente, a expressão dele de quando foi embora, o último sorriso…

Fechou os olhos e sentiu a cama afundar um pouco, era sua mãe se sentando.

Passou as mãos nos cabelos da adolescente, mas logo recuou ao lembrar de Naruto. Olhou para sua palma e suspirou tentando afastar as memórias.

— Como… — Começou a jovem. — Como se sentiu quando tentou se matar?

— Foram tantas vezes que tentei… — Sorriu sem humor.

— Depois que eu te rejeitei.

Sakura colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha e respirou fundo.

— Eu fiquei um bom tempo pensando se pulava ou não naquele lago. — Disse num tom baixo. — Eu… Eu queria acabar com toda aquela dor, mas não queria esquecer os bons momentos que passei com você. — Mostrou um singelo sorriso para a filha. — Mesmo doendo muito, eu ainda queria ser aceita por você… Mas… Eu não fazia diferença. Então, pulei.

Sarada a olhou com atenção, queria saber tudo.

— Eu chorei, fui covarde até para me matar, eu segurei a respiração. — Mordeu o lábio inferior. — Eu desisti de ficar pensando e deixei que a morte me consumisse… Todo mundo já havia desistido de mim, então, para quê continuar lutando?

Sarada segurou a mão da rosada com força, não iria soltá-la caso Sakura ameaçasse afastá-la. A Haruno reprimiu o choro e deitou ao lado da mais nova, a qual simplesmente a abraçou.

“Eu sinto muito”, era o que queria dizer à mãe.

Desde que Sakura tentou suicídio, Sarada se perguntava como que ela se sentiu. Alguém quase morreu por causa de palavras que ela disse.

Sempre rejeitou sua mãe, mas ela não desistiu. Se sentia muito culpada por ser uma filha tão egoísta.

Sempre achou Sakura uma mulher muito forte e complexa. Frágil em tantos momentos, vulnerável à palavras, mas ela lutou. Queria ser como ela, mas não podia.

Acabou adormecendo. Sakura tocou na face de Sarada e sorriu ao deixar um carinho em sua bochecha. Ainda estava com nojo de si, mas não podia evitar de tocá-la.

Levantou-se da cama e foi até a cômoda do quarto, abriu a primeira gaveta e encontrou sua Colt. Olhou bem para a arma antes de pegá-la.

Toská, Rússia
07 de setembro de 2016
11:31 AM

Itachi estava diante de algumas papeladas, mas não mexia com elas. Na verdade, acabou se distraindo com algo que encontrou na internet.

Estava assinando o desligamento de Sarada e Sasuke Uchiha da máfia. Era o mínimo que podia fazer por eles, principalmente por sua sobrinha querida.

Não conseguia resolver os assuntos pendentes sem pensar no quão mal Sarada está. Acabou pesquisando sobre depressão, queria saber o que podia fazer para ajudar. Foi quando encontrou uma informação sobre uma cirurgia chamada cingulotomia.

Consistia em remover parte do cíngulo anterior dorsal, responsável pela sensação de dor agoniante. Ao removê-la, pacientes disseram que ainda sentem dor e sabem apontar onde é e qual sua intensidade, mas que a dor agora não incomoda. Esse tipo de cirurgia tem efeito tanto em pacientes com dores crônicas, tanto com depressão.

Há critérios de seleção, só se pode fazer tal cirurgia se nenhum outro método deu efeito significativo, mas Itachi nem deu muita atenção a isso.

Ele é mais do que bilionário e, se tem uma coisa que aprendeu com o seu pai, é que dinheiro compra qualquer coisa.

Levantou-se da cadeira, deixando vários papéis caírem. Praguejou, mas ignorou. Pegou a chave do carro que estava na gaveta e correu para a garagem.

Precisava dar essa notícia para Sarada. Tinha quase certeza de que ela não lhe daria atenção, mas precisava tentar.

Ligou o carro e deu partida. Finalmente para dar uma boa notícia.

Toská, Rússia
07 de setembro de 2016
11:31 AM

Sasuke entrou em casa e caminhou até o quarto de sua mulher, encostou na porta e viu Sarada deitada na cama.

Tocava Bohemian Rhapsody no recinto. O Uchiha mostrou um sorriso pequeno para Sakura que estava sentada numa poltrona ali mesmo. Sarada adorava esta música.

Algumas vezes, a música simplesmente descreve a nossa vida. Era o que estava acontecendo ali.

Sakura levantou de onde estava e foi até o homem. O abraçou e foi retribuída.

— Acabe logo com isso, Sasuke. — A Haruno se afastou e colocou o revólver na mão dele. — Não vamos voltar mais para esse mundo.

A rosada deitou na cama e abraçou sua filha, encostando suas testas.

O homem olhou para a arma em sua mão e pensou em tudo o que havia feito até então. Roubado, matado, destruiu a vida de famílias e a própria. Por causa de suas escolhas, sua família agora estava acabada.

Esperava que elas tivessem, do outro lado, a paz que ele não teria.

O celular que havia esquecido sobre o criado-mudo antes de sair, agora vibrava. Itachi ligava para ele.

Pensou se atenderia ou não. Seria algo importante? Seria ele dando a notícia de que desligou ele e Sarada da máfia? Bom, não importava mais, sua família já havia tomado uma decisão.

Às vezes, amar também é desistir. Isso não é covardia ou fraqueza, não importa o que as pessoas digam. Ninguém nunca entenderá a dor do outro até que passe pela mesma situação.

Aquela arma era a última coisa que o ligava a máfia, era hora de acabar com ela. Acabou com o crime. Acabou com a infelicidade. Era hora da paz reinar, era isso o que todos ali decidiram.

E o dia terminou vermelho como o pôr do sol.

Notas finais
Em nome de todas as autoras, estamos muito felizes por terem acompanhado a história e aguardado pacientemente por esses últimos capítulos que acabaram atrasando Hehehe! Estamos com mais um projeto em andamento e com uma temática bem diferente de Amaterasu. Amantes da comédia, alegrem-se, vamos tentar superar DD42 (IMPOSSÍVEL!). Deixamos muitas dicas de qual será esse novo tema durante Amaterasu inteira, quem captou já deve suspeitar qual é. Beijos! *u*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!