Amaterasu
38 Capítulo 37
Notas iniciais
Toská, Rússia
03 de setembro de 2016
09:59 PM
O homem estava sentado em cima da cama enquanto escrevia num papel, ora ou outra desenhava em um caderno algo parecido com uma planta de uma casa.
Viu a janela ao seu lado esquerdo e se levantou para abri-la e deixar o vento fresco entrar, visto que ficaria frio demais caso ligasse o ar-condicionado.
Voltou a se sentar e continuou anotando e desenhando o que fazia. Retirou os óculos por um momento e resolveu ligar a televisão.
Não passava nada interessante, a não ser o jornal da cidade. Roubos, acidentes de trânsito e clima eram coisas que eram noticiadas.
Levantou-se da cama e foi escovar os dentes para poder ir dormir e deixou a televisão ligada.
Morre hoje, nesse sábado de manhã, um dos homens mais ricos da Rússia, Fugaku Uchiha.
Enxaguou a boca e tornou a escovar.
Segundo os peritos, o Uchiha sofreu um ataque cardíaco após dar um tiro na esposa por desconfiar que estava sendo traído. O seu filho mais velho afirma: “meu pai sempre teve ciúmes da minha mãe”.
Retirou as lentes verdes, dando lugar aos belos olhos azuis, e as deixou no local apropriado.
As testemunhas, Sasuke e Madara Uchiha, disseram que assim que chegaram no escritório viram os dois discutindo e, ao tentarem impedir, Fugaku teria atirado contra a esposa por um ataque de ciúmes. Mikoto Uchiha não resistiu e morreu no local.
Puxou a peruca ruiva, revelando os seus fios loiros.
Nenhuma das duas testemunhas deram mais informações além dessas. Estavam desolados.
Com os dentes perfeitos, sorriu diante do espelho com a notícia após tirar a barba falsa e caminhou em direção à cama. Desligou a televisão e pegou o seu desenho que minutos atrás estava fazendo.
— Hora de se mexer. — Riu o Uzumaki.
Toská, Rússia
04 de setembro de 2016
08:45 AM
Foi um momento terrível e nada poderia prepará-lo para aquilo. Ver sua mãe dentro de um caixão e vê-la sendo enterrada foi demais para Sasuke.
O moreno se arrependia por não ter se despedido e por ter dito tão poucas vezes para sua mãe que a amava incondicionalmente. Mas outro sentimento forte também era a gratidão por tudo que Mikoto já havia feito, pelo sacrifício dela em função dos filhos.
Para o enterro de Fugaku e Mikoto compareceram apenas alguns membros da família e amigos mais íntimos. Os seguranças contratados por Itachi mantinham os curiosos longe. As notícias voam.
Sasuke se abaixou, pondo ambos os joelhos sobre o chão gramado, então encarou a lápide recém-colocada e passou sua mão pelo epitáfio.
Soltou um longo suspiro, ainda inconformado com o fato de que o corpo de sua mãe agora jazia em sono eterno.
"Mikoto Uchiha. 09/11/1957 — 03/09/2016"
— A Sarada não quis vir mesmo? – Sasuke ouviu a voz de seu irmão atrás de si e se levantou rapidamente o encarando.
— Não. Nem fiz questão de que ela viesse.
— Como foi a reação dela? – Indagou o Uchiha que, assim como seu irmão, estava com os olhos um pouco vermelhos e o rosto inchado.
— Sakura disse que não foi muito boa. – Contou. – Eu não tive coragem de dizer a ela e muito menos de presenciar o momento em que ela ficou sabendo.
— E como ela ficou desde então?
— Quieta. – Sasuke falou com dor na alma. – Se antes ela já estava fechada, piorou. Mas seria covardia esconder a verdade dela, até porque ela acabaria sabendo de outro jeito e seria pior.
— Nossos pais se foram... Agora nós temos que dar apoio um ao outro, meu irmão. Você e a Sarada são a família que eu tenho. – Suspirou. – Precisamos ficar unidos mais do que tudo.
— Unidos... – Sasuke riu sem humor. – Quem diria, hein? – Itachi encarou com curiosidade o mais novo. – Você me detestava.
— Eu nunca te detestei, eu só nunca demonstrei gostar de você. Mas isso não quer dizer que eu te detestava... – Itachi esboçou um sorriso mínimo, mesmo que a dor da perda dos pais ainda o consumisse. – Você é meu irmão, Sasuke. Nós temos o mesmo sangue.
"Nós temos o mesmo sangue" não seria o termo mais correto a ser empregado, todavia, Itachi não sabia que seu irmão na verdade era meio-irmão e Sasuke queria que continuasse assim.
— Se você diz... – Sasuke falou com indiferença, fitando a lápide de sua mãe.
— Sabe... Mamãe gostava muito de você. — Se posicionou ao lado do mais novo, olhando na mesma direção que Sasuke. — Confesso que às vezes ficava com ciúmes.
— Talvez fossem os privilégios de filho caçula. – Sasuke deu de ombros. – Você teve seus privilégios de primogênito.
— No fundo, eu nunca consegui entender direito a implicância do papai com você. – Suspirou.
— Ele só queria um filho. – Explicou a história que lhe fora contada para justificar o porquê de Fugaku odiá-lo. – Eu fui indesejado, você não.
— É um motivo ridículo, mas nunca perdi meu tempo tentando entender a cabeça do nosso pai.
"Se você soubesse o verdadeiro motivo, meu irmão... Se você soubesse...", pensou o caçula.
Mesmo que tivesse passado a vida achando que tinha um monstro no lugar de um pai, seu verdadeiro pai estava zelando por ele o tempo todo, tal como sua mãe. Mesmo que Sasuke não tenha crescido da maneira mais feliz do mundo, mesmo com todas as desgraças que já aconteceram em sua vida, ele teve sorte por ter Madara como pai... Graças a isso ainda estava vivo.
— Ela... Ela sempre foi uma mãe tão maravilhosa... — Sasuke falou contendo o choro.
— É verdade... — Itachi pôs a mão no ombro de seu irmão. — Mesmo quando brigava conosco era um doce.
— Sim... — Assentiu, sentindo que iria chorar.
Itachi permaneceu em silêncio. Sabia que aquele momento era difícil para o irmão dada às situações que ele está passando.
Perder a filha, um braço, sua menina estava morrendo aos poucos, e agora seus pais se foram. Ele inevitavelmente pensaria em tudo o que vem dando errado e viveria as dores novamente.
Olhou para o nome de Mikoto e se perguntou o que ela faria para consolar o filho. Mas um carinho de mãe não pode ser substituído.
— Eu não aguento mais isso, Itachi. — Franziu o cenho, deixando algumas lágrimas escorrerem.
— Irmãozinho, tenha fé.
— Fé? — Encarou o irmão. — Depois de tudo o que aconteceu recentemente... O aborto da Sakura, o estado da Sarada e a morte da mamãe, acho que perdi a fé.
— Não diga isso. A Sarada vai voltar a andar, eu tenho certeza que vai. — Falou esperançoso. — Ela sempre foi tão teimosa e cabeça dura como você, então ela não vai se render tão fácil. Ela é uma Uchiha!
— Uma Uchiha que está se entregando... — Falou com tristeza. — Por enquanto ela tá do mesmo jeito. Não tem sensibilidade e não tem movimento algum nas pernas. A força de vontade dela seria indispensável para recuperação, mas ela parece não se importar mais com nada e isso machuca tanto a mim quanto a Sakura, tira a nossa esperança.
— Eu acredito que ela vai melhorar. — Itachi falou confiante. — Eu andei pesquisando, sabe... A fisioterapia faz milagre, sabia? Não desanima, ela vai melhorar e quando ela perceber que está melhorando com certeza vai se alegrar e vai ter algo pelo quê lutar. Guarde minhas palavras, Sasuke.
— Espero que você esteja certo, meu irmão.
— Confie em mim, Sasuke. Vai dar tudo certo. — Ele encarou o túmulo da mãe, sua lápide e as várias flores sobre o local. Era triste, mas ele precisava dar apoio ao irmão, precisava ser forte por ele. — Diga para a minha sobrinha que irei vê-la em breve. — O mais novo assentiu. — E, antes de ir embora, quero te propor uma coisa.
— Me propor o quê? — Questionou curioso.
— Vá morar lá em casa. — Foi direto. — Naruto já entrou na sua casa, esqueceu? A Sarada com certeza não vai querer ir pra lá depois que receber alta. É mais seguro para sua família e de quebra eu não fico sozinho naquela casa enorme.
— Conversarei com a Sakura, pode deixar. Obrigado pelo convite.
— Ora, aquela casa era do nosso pai, então é tão sua quanto minha.
— Pensarei na proposta. Mais uma vez, obrigado.
Itachi virou as costas e foi embora, deixando Sasuke sozinho. Ele preferia que o irmão tivesse continuado ali. Não queria ir embora naquele momento, mas pensou em fazer isso. Ficar ali, sobre o local onde sua progenitora estava enterrada, não lhe era agradável por lhe trazer pensamentos depressivos. Queria fazer qualquer coisa para ocupar a sua mente, mas tudo lhe lembrava de sua mãe ou de sua filha que não estava numa situação muito boa. Chegou até a pensar em ir para o hospital e pedir para qualquer médico lhe receitar algum sedativo que o fizesse dormir por uns três dias seguidos.
Não sabia o que fazer, se sentia sem chão. Os pensamentos machucavam, mas ele não tinha controle sobre isso.
Era um paradoxo medonho: Quanto mais ele lembrava dos momentos felizes ao lado da mãe, mais triste ficava, mais a saudade apertava e com ela vinha o desespero de saber que nunca mais veria o rosto de Mikoto pessoalmente, que não sentiria seu cheiro ou ouviria sua voz sempre tão doce.
Ela se foi, e se foi para sempre.
— Sasuke? — O moreno se espantou ao ouvir uma voz masculina seguida de um toque em seu ombro.
Olhou para trás e viu seu progenitor ali. Estava com o rosto levemente inchado e vermelho.
— Madara?
— Eu tinha ido me despedir do Obito e quando voltei, vi que você conversava com o seu irmão. Eu não quis atrapalhar.
— Meu irmão me chamou pra ir morar com ele na casa que era do Fugaku. — Contou. — Isso é estranho. Ele sequer era meu pai, vou me sentir um intruso.
— Para todos os efeitos, ele era o seu pai. — Respondeu. — E você, como filho, é herdeiro.
— Eu não sei o que vou fazer... — Bagunçou os cabelos. — Me sinto impotente. Me sinto um inútil. — Ele fechou os olhos e sentiu as lágrimas molharem seus cílios. — Eu vi a Sarada desfalecer nos meus braços. Vi a Sakura perder a Haruka. Vi minha mãe morrer na minha frente... — Sasuke então encarou o mais velho. — O que eu fiz?
— Não foi culpa sua, foi uma fatalidade. Há coisas que acontecem e que estão além do nosso alcance. — O homem segurou os ombros do filho e o virou para si. — Eu poderia ter dado a minha vida pela dela.
— Você faria isso?
— Você faria pela Sakura? — Retrucou.
— Sim, eu a amo. — Sasuke respondeu.
— E eu amei sua mãe. Muito mesmo.
— Eu percebi isso... — Suspirou. — Foi muita injustiça que ela não tenha podido ficar ao seu lado.
— Mikoto era uma mulher admirável.
— Eu devo minha vida a vocês dois, em todos os sentidos.
— Você é pai, Sasuke. Você sabe que qualquer sacrifício é válido por um filho.
— Eu nunca fui para a Sarada metade do que vocês foram pra mim... — Sasuke então se sentou sobre os calcanhares e pegou uma flor vermelha que estava sobre o túmulo de Mikoto. — Ela vai fazer muita falta.
— Sim, vai... — Madara sentou ao lado do filho. — Mas acredito que ela esteja num lugar muito melhor agora. Mikoto cumpriu a missão dela e agora se foi…
— Se eu soubesse dessa história toda entre vocês mais cedo, teria feito faculdade e ficaria longe da máfia.
— Eu vi potencial em você ainda muito cedo, Sasuke, sabia que você poderia se tornar um membro precioso se fosse bem orientado. Mas eu não queria você à mercê do Fugaku... Infelizmente nem eu e nem sua mãe pudemos fazer nada para evitar sua entrada na Amaterasu.
— Ela insistiu tanto... — Sasuke falou com remorso. — Ela implorou pra que eu fizesse faculdade e ficasse longe da máfia, mas eu não ouvi... — Novamente o moreno voltou a derramar lágrimas. — Eu devia ter escutado minha mãe. Tanta coisa poderia ter sido evitada se eu tivesse estudado para ganhar a vida honestamente. Eu poderia até ter voltado para os Estados Unidos com a Sarada e ficado longe dessa sujeira toda, mas não... — Falou amargamente. — Eu quis isso... Eu não era uma pessoa ruim, mas me corrompi.
— O poder é tão excitante quanto o amor, eu descobri isso. — Disse Madara. — A Amaterasu corrompeu não apenas você, meu filho. Corrompeu os Uchiha a partir do momento em que foi criada.
Pai e filho permaneceram ali por mais alguns minutos, mas em silêncio. Não podiam ficar lá para sempre, então Madara o levou para o hospital e seguiu para sua casa em Toská.
Sasuke, ainda abalado e vestido com roupas pretas, foi para o quarto da filha e entrou após bater na porta.
A menina, que poderia ter sido liberada pelos médicos para ver o funeral caso quisesse, preferiu ficar no hospital. Não estava preparada para ver sua avó sendo enterrada. Estava tão abalada quanto Sasuke.
— Sasuke... — Sakura se levantou da poltrona onde estava sentada, caminhou até o Uchiha que estava de pé ao lado da cama da filha e o abraçou. — Você demorou.
— Eu só estava... Só estava me despedindo da minha mãe.
Sarada encarou seu progenitor, igualmente triste.
— Como foi lá? — Questionou a Haruno.
— Triste, como todo e qualquer enterro. — Ele encarou a filha que também sofria com aquele trágico acontecimento. — E você, como está?
— Como acha que eu estaria? — Rebateu. — Eu não quero falar sobre a morte da vovó.
Sasuke e Sakura compreendiam a dor da menina. Então não falaram nada, apenas sentaram juntos no pequeno sofá bege enquanto Sarada estava quieta com sua dor. Ela olhava para a televisão ligada, mas sequer prestava atenção no que estava passando. Sua cabeça estava em outro lugar.
Após alguns minutos de silêncio naquele quarto, Sarada pegou o controle da televisão e desligou o aparelho. Ela encarou os pais como se quisesse dizer algo, deixando ambos curiosos.
— Pai... A Sakura conversou com você sobre o meu pedido?
Sasuke uniu as sobrancelhas, nitidamente confuso; enquanto que o sangue da rosada gelou em suas veias. Ela pensou que sua filha já tivesse esquecido essa história toda de eutanásia e suicídio assistido.
— Que pedido? — Indagou o homem.
— Ela não falou... — Sarada não escondia seu desgosto para com a mãe. — Eu sabia. Você não me leva a sério, não é, Sakura?
— Sarada, acalme-se. — A Haruno implorou, quase gaguejando. — Eu ia falar, mas o Sasuke tinha acabado de ver a mãe dele morrer. Não dava pra jogar essa bomba na cabeça dele assim!
— Pois se você não joga a bomba, eu jogo.
— Do que vocês estão falando? — Questionou confuso.
— A Sarada quer morrer! — Sakura falou um pouco alterada e com lágrimas nos olhos.
Sasuke arregalou os olhos, encarando a rosada como se esperasse que ela dissesse que aquilo não era verdade. Olhou para Sarada em seguida e ela não parecia estar de brincadeira.
— Sarada... — O homem franziu o cenho. Não sabia o que pensar diante daquilo — Filha, você está ficando louca?
— Louca eu vou ficar se continuar desse jeito! Eu não aguento mais, pai! — Ela elevou seu tom de voz. — Você não faz ideia do que eu passei nas mãos do Naruto. Eu ainda sonho com aquilo quase toda noite! Tudo isso que aconteceu foi por culpa minha e eu não mereço continuar vivendo!
— Não, Sarada. — Ele respondeu sem hesitar, então se levantou do sofá e foi pra mais perto da filha. — Isso não faz sentido! Não tem porquê você querer dar fim à sua vida.
— “Não tem porquê”? Eu não aguento mais viver assim. — Bradou.
— Porra, eu quase te perdi uma vez! Não vou permitir que aconteça de novo!
— Eu... Eu não quero viver com essa culpa. — Falou chorosa. — Eu não quero que o Naruto me machuque de novo.
— Ele não vai te machucar de novo! — Sakura interferiu pegando na mão da garota.
— Ele vai, ele vai... — Insistiu a adolescente. — Ninguém pegou ele ainda. Com certeza o Naruto está só esperando a oportunidade e vai me machucar de novo quando tiver a chance. — Soluçou. — Eu não quero que ele me machuque de novo, não quero!
O medo da menina era quase palpável e Sasuke percebeu o quanto Naruto foi capaz de traumatizar sua filha. Ela já não era mais a mesma Sarada.
— Ninguém vai te machucar. — Sasuke tentou transmitir confiança para a filha — Eu prometo, Sarada, nada vai acontecer…
— Você prometeu isso da outra vez e veja só no que deu! — Brigou. — Eu não acredito mais em suas promessas! São palavras vazias, ditas da boca pra fora! Você não pode garantir que o Naruto não vai mais tocar em mim, pai!
— Sarada, por favor! — Implorou o homem.
— “Por favor” digo eu! — A Uchiha gritou. — Pare de fazer promessas que você sabe que não pode cumprir. Veja as promessas que você fez e o que aconteceu! A Haruka morreu e a nossa vida virou um inferno!
— Pare com isso, Sarada. — Ordenou Sakura.
— Não! Pare com isso você! — Rebateu afastando com violência o contato de sua progenitora. — Pare de agir como se tudo fosse melhorar, porque não vai! Eu não quero continuar vivendo, eu não tenho mais motivos pra isso e se vocês não permitirem, eu mesma faço!
— Pare com isso. — Disse o moreno, mais sério. — Não tem conversa, entendeu? Tira isso da sua cabeça.
— Não adianta negar, pai. Vocês vão me perder de qualquer jeito, pois eu não pensaria duas vezes antes de me matar... Eu já amadureci essa ideia e não sou mais criança. Estou certa do que eu quero e ninguém vai me impedir.
— Eu não quero ver você morrer!
— Isso é o que você quer! Você já perguntou alguma vez na vida o que eu quero?! — O encarou com raiva. — Você já pensou em mim uma vez sequer?! Você nunca fez nada por mim, pai! Nunca!
— Eu... — Não contendo suas lágrimas, Sasuke as deixou rolar. — Eu não sei o que dizer... Eu preciso... — Sua respiração estava acelerada, não conseguiu dizer.
Sasuke abriu a porta do quarto e se retirou rapidamente em prantos. Esbarrou em algumas pessoas e não pediu desculpas, não estava na hora de ser educado.
Raiva, ira, ódio, dor, amor, agonia… Uma explosão de sentimentos tomava conta dele.
Sua filha, sua amada e mais preciosa filha queria morrer. Como ele simplesmente poderia concordar com isso?
Chutou uma lixeira que estava pelo caminho e continuou correndo para fora do hospital. Queria sair dali e nunca mais voltar.
Algumas pessoas protestaram a atitude dele, mas não foram atrás.
O homem parou assim que chegou perto de uma árvore e desferiu golpes com o pé direito na mesma. Gritava “droga!” cada vez mais alto, mas acabou por parar assim que se machucou.
Ajoelhou-se em frente àquela árvore e se curvou chorando. Gritou agoniado, não pela dor física, mas emocional.
Puxou um pouco da grama que havia ali numa tentativa de dissipar o que sentia, o mesmo que Sarada fazia.
Tossiu em meio às lágrimas e soluçou em seguida.
— Mãe, me ajuda! — Dizia para si mesmo.
Sempre que precisava, ela estava lá, se lamentou por nunca ter dado valor. E agora, num momento em que ele tanto precisa, ela não está mais ali e em lugar nenhum. O que diria ela? Que conselho daria? O que faria nesta situação?
— Sasuke! — A Haruno foi atrás dele assim que a enfermeira chegou no quarto da Sarada, não arriscaria deixar a menina sozinha novamente, mas acabou travando ao ver o moreno chorar.
Um dos homens mais fortes que ela conhecia, que sempre aguentava as coisas muitas vezes em silêncio, estava ali, chorando desesperado, completamente sem chão. Não teve uma ideia melhor, tudo o que fez foi abraçá-lo.
O Uchiha chorou alto em seus braços, sua cabeça era afagada. Não era suficiente, Sakura não era suficiente para ele e ela sabia disso. E por se sentir inútil, também chorou.
— Oh, Sasuke… — O apertou contra si. — Por favor, vamos fazer o que ela pede.
— Não, nunca! — Protestou. — Eu não posso perdê-la, Sakura, não posso!
— Nós já a perdemos! — Rebateu. — Já sabemos disso há muito tempo, só nos recusamos a ver o óbvio.
— Como pode concordar com isso? — A afastou com brusquidão, a olhando nos olhos. — Você não ama a sua própria filha?
— É exatamente por amá-la que estou concordando. — Segurou em seu rosto. — Sasuke, ela está sofrendo, deixar que ela viva só porque NÓS a amamos será pior para ela! Eu prefiro minha filha morta, do que viva e sofrendo sem eu poder fazer nada!
— Não acredito no que estou ouvindo… — Afastou a mão dela de sua face. — Como pode ser tão egoísta pensando em si mesma?
A mulher arregalou os olhos, era um impasse. Se deixasse a filha morrer, era egoísmo, mas se a deixasse viver, também seria. O que fazer nesta situação?
— Você a perdeu uma vez, como pode concordar com isso? — Elevou o tom de voz. — Você simplesmente esqueceu o que passou?
— É claro que não esqueci! — Gritou.
— Então, por quê?!
— Porque eu não sei mais o que fazer! — Bradou. — Me diga, o que eu faço?! Minha filha está morrendo! Morrendo, Sasuke! E eu não posso fazer nada para evitar isso! Meu amor não é suficiente para ela, nem o seu! — O moreno abaixou a cabeça. — Se eu pudesse tomar a dor dela para mim, eu faria. Eu morreria por ela, eu juro! Mas se morrer é a única forma dela parar de sofrer, que escolha eu tenho? — Soluçou e o homem permaneceu em silêncio. — Me diga, Sasuke!
— Eu não sei… — Levantou a cabeça e mais lágrimas escorriam de seus olhos. Sua voz soava em sussurro. — Eu nunca sei de nada.
Sakura o aninhou novamente em seus braços e beijou sua testa.
— Por favor, considere isso. — Cochichou.
Se eles permitirem a eutanásia, seria uma prova de amor ou descrença? Seria egoísmo ou misericórdia? Não sabiam dizer, ninguém sabia.
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