Amaterasu
37 Capítulo 36
Notas iniciais
Toská, Rússia
03 de setembro de 2016
09:51 A.M.
Entrou pelo portão da mansão e estacionou em frente à entrada. Soltou o seu cinto de segurança e o do filho que estava no carona, o qual agradeceu.
Madara encostou a cabeça no banco e soltou um suspiro. Sasuke repetiu o gesto.
— Está nervoso? – Indagou o mais velho.
— Ansioso, preocupado, aflito, desesperado... – Enumerou nos dedos. – Deve ter mais alguns que eu esqueci.
Madara retirou a chave da ignição e entregou para o manobrista ali presente após sair do veículo. Enquanto isso, Sasuke abriu a porta e ficou olhando para a mansão.
— Nunca entendi o porquê de o Fugaku ter uma casa tão chamativa.
— Ele gosta de esbanjar a riqueza que tem. – Respondeu enquanto o filho se levantava do banco e ficou ao seu lado.
Sasuke olhou para Madara com uma sobrancelha erguida e depois para o Aston Martin atrás de si, voltou para o pai.
— O meu caso é diferente, eu realmente gosto de carros. – Respondeu a pergunta muda do moreno.
Os dois riram um pouco, mas logo Sasuke ficou tenso novamente. O Uchiha mais velho deu dois tapinhas nas costas do outro e subiu as escadas em direção à mansão.
Ambos seguiram apressadamente para o segundo andar e nem deram atenção para Shizune que insistia em dizer que Fugaku estava ocupado e não queria ser interrompido. Assim que Madara disse que era uma emergência, ela se calou.
Entraram no escritório sem bater e viram que Fugaku conversava com Mikoto. A mulher se surpreendeu com a entrada repentina dos dois e por um momento esboçou um pequeno sorriso tímido para Madara.
— Mãe? O que faz aqui? – Perguntou Sasuke confuso.
— Estava conversando com o seu pai, e, por incrível que pareça, de maneira civilizada. – Olhou para o cônjuge e só o viu revirando os olhos.
— Parece que vocês dois faltaram às aulas de boas maneiras. – Bufou o Uchiha, se dirigindo aos outros dois. – Qual é o problema de bater antes de entrar?
— Eu quero que você tire o meu filho e a minha neta da Amaterasu. – Disse Madara, por fim.
— Ora, seu... – Fugaku arregalou os olhos, enfurecido. – Você contou para ele?
— Eu contei. – Se manifestou Mikoto um pouco surpresa, não esperava que seu amante dissesse a verdade.
— Por que fez isso, sua estúpida? – Vociferou.
— Acho bom você abaixar o tom quando for falar com ela e fazer o que eu mando quanto ao Sasuke e à Sarada. – Ordenou seu primo.
— Ah, que lindo. – Riu em escárnio. – A família toda unida contra mim, só faltou a Sarada. Pena que ela não está aqui, não é, Sasuke?
O mais novo apertou com força a sua mão e travou o maxilar. Por um momento desejou socar a face do homem que sorria em deboche.
— Sinto muito em dizer isso, mas é impossível. – Disse enquanto bebericava o seu café. – Esses dois já sabem demais, quem garante que eles não vão me dedurar para a polícia?
— Eu só quero paz para mim e minha família. – Se manifestou o caçula. – Eu e Sarada estamos impossibilitados de fazer qualquer missão.
— Ainda tem a vadia da sua namorada. Aliás, cadê ela? – Riu sem humor. – Eu deveria matá-la, é outra que também sabe demais.
— Não ouse chegar perto dela. – Disse seriamente e isso fez com que Fugaku até estremece um pouco, mas sem perder a pose. – Não tenho mais motivos para não fazer nada contra você, se for preciso te matar, farei.
— Você e mais quem? Você perdeu um braço! Além de bastardo e inútil, é um aleijado.
— Não preciso de dois braços para atirar, assim como não precisei quando bati em você.
— Cuidado, bastardo... – Replicou perdendo a paciência. – Você só está vivo porque eu deixo.
— Ele está vivo porque você tem medo dele. – Disse Madara. – A existência dele te faz se sentir inferior, mas adivinha? Você é inferior mesmo.
— Cale-se! – Bateu na mesa.
— Fugaku, não acha que perdeu desta vez? – Mikoto indagou friamente. – Já passou do ridículo, parece uma criança, até pior.
— Não quero ouvir isso da boca de uma meretriz.
— Liberte nosso filho e a nossa neta. – Se pôs entre o amante e Sasuke. – Faça isso enquanto tem tempo.
— Não farei e ninguém vai me obrigar! – Sua respiração começou a ficar descompassada. – Não podem fazer nada contra mim ou... ou a polícia vai prender vocês!
— Eu não ligo em ser preso se isso significa trazer paz para minha família que você há tanto tenta destruir. – Afirmou Sasuke.
Fugaku começou a ficar trêmulo, seu coração estava acelerado, amaldiçoava-se por isso. Pegou mais uma vez a xícara e bebeu o seu conteúdo. Enquanto bebia, se prendeu ao olhar de sua esposa que lhe trazia tanto nervosismo, era escuro, fatal e superior, deveras superior. A mesma coisa que lhe atraiu a ela, agora o matava lentamente.
Abaixou a xícara até o prato e continuou encarando a ela. Estava suando, se sentia pressionado. Que olhar era aquele que o fazia perder o ar? Sua ficha foi caindo aos poucos. Seu coração pulsava com força, machucava. Não conseguia respirar.
Num movimento rápido, onde ninguém conseguiu impedir, Fugaku pegou a arma que estava em sua cintura e atirou.
A única reação que conseguiram ter antes do disparo foi de arregalarem os olhos. O tiro acertou Mikoto. Madara conseguiu segurar o corpo da amada antes que atingisse no chão.
Sasuke até se aproximou um pouco antes de Fugaku disparar, mas não chegou nem perto. Segurou o homem que caiu sentado em sua poltrona e estava preparado para, logo em seguida, usar a mesma arma que atingiu Mikoto contra ele. No entanto, Fugaku o olhava com medo e tremia muito, estava tendo um ataque cardíaco.
Acompanhou o olhar do homem para a xícara e apenas ficou assistindo ele desfalecer em sua frente.
Caiu em si quando ouviu Madara chamar por Mikoto pela quinta vez. Olhou para trás e viu Itachi na porta completamente sem reação, há quanto tempo estava ali?
— Mikoto! – Gritou o Uchiha mais velho.
Ele pressionava o peito dela na tentativa de estancar o sangramento.
— Ei, fala comigo! – Pediu o homem assustado.
— Mãe, olha pra mim! – Sasuke se agachou e tentava conversar com a mulher, também estava apavorado. – Itachi, chama uma ambulância! – Gritou para o irmão. – ITACHI!
O Uchiha balançou a cabeça de um lado para o outro para acordar e puxo o celular do bolso para fazer a ligação.
— Mãe, mãe, por favor! – Sasuke olhou para sua progenitora com lágrimas nos olhos. – Meu Deus, o que é isso?
Mikoto olhava para os dois e mal conseguia ouvi-los. Não sentia mais a dor da bala.
Queria falar, mas sequer tinha forças, estava com sono, e toda vez que fechava os olhos, Madara tratava de mantê-la acordada.
— Escuta, você vai ficar bem. – O homem continuava pressionando o local que não parava de sangrar. – Tenta conversar comigo, por favor, precisamos de você!
Sasuke retirou a camisa rapidamente e entregou para o pai para que ele usasse para parar o sangramento, e assim o fez.
Uma pequena lágrima escorreu dos olhos da mulher. Odiava ver os dois homens que amava chorando, se amaldiçoava por não conseguir mais escutar e nem falar.
Estava tudo muito claro, suas pupilas dilataram e logo tudo escureceu, parou de respirar e seu corpo amoleceu.
Madara sentiu o corpo da amada mais leve. Que dor era aquela?
Sasuke chamou por ela mais três vezes, mas não obteve resposta como nenhuma das outras. Quem havia morrido era ela, mas ele já não sentia mais nenhuma vontade de viver.
Até disse em sussurro um “me leva com você”. Seu mundo parou ali.
Madara encostou sua testa na dela e a abraçou em prantos. Perdeu a mulher que mais amava no mundo quando pensou que tudo poderia começar.
Itachi se aproximou aos poucos, a dor parecia acompanhar o ritmo. Ao ver os dois ali, chorando desesperadamente, pôs a mão na boca e não conseguiu chegar mais perto.
Viu o seu pai sentado na cadeira e com os olhos abertos e sem vida. Correu até ele e tentou medir a pulsação, tarde demais, também estava morto.
— O que aconteceu aqui? – Virou-se para o irmão caçula. Tremia muito.
Sasuke não respondeu, talvez nem tenha escutado. Estava sentindo a maior dor que já sentira na vida. Madara compartilhava do mesmo sentimento.
Itachi encostou as costas na parede e deslizou caindo sentado. Curvou-se como um bebê e chorou.
Não pararam nem depois que a equipe médica chegou.
[...]
Itachi levou seu irmão até o hospital. Ambos estavam abalados depois do que presenciaram. Os irmãos estavam com o rosto inchado, resultado do quanto choraram. Sasuke queria falar com Sakura, ela devia estar preocupada com a demora e Sasuke, mesmo que já tivesse comprado um celular novo, sequer lembrou-se de pegá-lo antes de ir até a casa de Fugaku.
— Você vai ficar aí mesmo? – Itachi perguntou para o irmão assim que estacionou o carro.
— Vou. – Assentiu.
— Você... – O moreno soltou o cinto de segurança do irmão caçula. – Você vai contar para a Sarada?
— Não sei... – Sasuke sentiu um nó na garganta e novamente vontade de chorar. – Não sei se consigo...
— Tudo bem, irmãozinho... – Suspirou. – Ela não precisa saber agora. Só iria piorar tudo. Minha sobrinha está muito frágil.
— Todos os noticiários do país vão relatar isso... Não quero que a Sarada saiba dessa forma.
— Então boa sorte. – Itachi tocou no ombro do irmão. – Fique tranquilo. Madara e eu tomaremos todas as providências necessárias para o enterro do papai e da mamãe.
— Ok... Qualquer coisa me liga.
Sasuke saiu do carro do irmão e entrou no hospital, seguindo para o quarto da filha.
Pôs sua mão na maçaneta e hesitou em abri-la.
Qual seria a reação de Sarada? Com certeza não seria boa, quanto a isso não havia dúvidas. Mas ela choraria histericamente ou se fecharia ainda mais?
Sasuke saiu da cena do crime na primeira oportunidade. Sabia que a mãe estava morta e não suportaria ver os paramédicos colocarem o corpo dela dentro de um saco. Precisaria prestar algum depoimento, claro, mas estava abalado demais para isso. Toská inteira já sabia o que havia acontecido com a família de Sasuke, portanto, era aceitável que após a morte de Mikoto ele não estivesse na menor condição de relatar o que viu.
Quando pediu para o irmão levá-lo até o hospital, Sasuke sequer se lembrou de que havia retirado sua camisa para Madara tentar estancar o sangue de Mikoto. Itachi lhe emprestou uma camisa branca de mangas compridas antes de levá-lo até o hospital.
O moreno suspirou pesadamente e bateu na porta do quarto, afinal de contas alguma enfermeira poderia estar dando banho em Sarada ou trocando a menina. Então escutou a voz de Sakura dizer "entre" e assim o fez.
A rosada estava de pé ao lado da cama da filha, que dormia profundamente. Sarada não tinha muito que fazer e era medicada diariamente, então dormia bastante.
O moreno fitou as duas. Estava inexpressivo. Não chorava, mas seu rosto inchado deixava óbvio que o havia feito.
— Sasuke, o que aconteceu? – A mulher uniu as sobrancelhas. – Por que está com essa cara e por que trocou de camisa?
— Eu... Eu preciso conversar com você. – O Uchiha olhou para a filha que dormia tranquilamente. – Vamos lá pra fora... Deixe a Sarada dormindo.
Sakura olhou para a jovem e suspirou. Sabia que ela não ia acordar tão cedo, então não teria problema deixá-la sozinha por poucos minutos.
Ela assentiu e acompanhou o Uchiha até um pequeno jardim que dava ao hospital um ar mais alegre e bonito. Sasuke se sentou num banco de madeira e Sakura sentou ao seu lado.
Sakura estava preocupada. Queria saber o que tinha acontecido para abalar o moreno daquela forma. Ela ainda estava chocada com o pedido da filha, contudo não pretendia contar para Sasuke. Pelo menos não por enquanto, uma vez que ela própria não havia conseguido digerir aquilo tudo, sem falar que aquela não era uma notícia que se dá a um pai assim do nada.
— Você pode me contar o que aconteceu pra te deixar tão abalado? – A Haruno quebrou o silêncio.
— Madara e eu fomos até a casa do Fugaku... Nós queríamos apenas ameaçá-lo, era essa a nossa intenção. Minha... – Sasuke suspirou pesadamente e sentiu os olhos arderem. – Minha mãe estava conversando com ele quando chegamos. Não sei do que se tratava, mas parecia ser uma conversa civilizada. Nós começamos a discutir, pois o Fugaku se recusou a tirar Sarada e eu da Amaterasu. Até que ele começou a passar mal... – Sasuke estreitou os olhos, encarando um ponto qualquer em sua frente, como se estivesse revivendo o acontecido. – Ele respirava com dificuldade e, do nada, sacou a arma e atirou na minha mãe... – Uma lágrima então escorreu pelo rosto do Uchiha. – Fugaku caiu morto. Minha mãe também... Minha mãe morreu na minha frente, nos braços do meu pai.
Sakura ficou sem palavras... Sim, estava aliviada por saber que Fugaku estava morto, mas saber da morte de Mikoto foi um choque grande.
Sasuke era apegado à mãe e a amava muito. Por muito tempo não entendia o porquê de Mikoto ter sido tão protetora para com ele, mas, após descobrir sua paternidade, tudo fez sentido para Sasuke. Sua mãe abriu mão de ficar ao lado do homem por quem era apaixonada por causa do filho mais velho e aguentou diversas humilhações dentro de casa por causa do filho mais novo. Ela abriu mão de muita coisa por causa de Sasuke e Itachi, não merecia o fim que teve.
— Sasuke... – Sakura colocou a mão sobre o ombro dele. Se antes já pensava em não contar sobre o pedido de Sarada, agora tinha certeza de que não o faria. – Eu... Eu não sei o que dizer...
— Não diga nada, só me abrace.
Sakura abraçou o moreno. Sabia que ele precisava de colo, estava sem chão. Mas ainda não era o suficiente. Nenhum colo ou abraço poderia substituir os de sua mãe.
A rosada não sabia como conseguia dar forças para Sasuke, visto que ela também estava destruída por dentro, mas via o quanto o Uchiha estava abalado e agora precisava dela mais do que nunca.
Acabar de perder a mãe e saber que a filha pediu por eutanásia seria demais pra ele. Depois de tudo que aconteceu, a última coisa que Sasuke precisava era ver sua amada mãe morrer bem na sua frente.
— A Sarada... – Sakura quebrou o silêncio após alguns minutos. – Vamos contar para ela logo?
— Não... – Sasuke se desprendeu do abraço da Haruno e a olhou nos olhos. – A Sarada já tá sofrendo tanto. Minha mãe a criou, vai ser um choque imenso saber que ela morreu... – Ele abaixou o olhar. – Se bem que vai sair nos noticiários.
— Exatamente, Sasuke.
— Mas ela precisa saber agora?
— Sasuke, até hoje à noite a notícia estará em tudo quanto é jornal da Rússia. Sarada vê televisão, ela vai saber.
— É melhor saber por nós. – Sasuke assentiu. – Mas eu... Eu não vou conseguir, Sakura.
— Eu conto. – Disse a rosada. – Prometo que vou falar com jeitinho.
Sasuke ficou calado por uns segundos, então soltou um longo suspiro e fitou o chão.
— Depois de tantos anos, não me surpreendo que minha mãe tenha envenenado o Fugaku...
— Ela... Ela tinha os motivos dela. – Comentou. – Será que não vão suspeitar de você ou do Madara?
— Isso é o de menos. – Deu de ombros. – Podemos pagar um legista pra dizer que ele só teve uma parada cardíaca.
— Sasuke, eu... – A mulher fez um carinho de leve na bochecha do moreno. – Não há palavras para amenizar sua dor. Nada do que eu te diga vai mudar o que você está sentido, então vou te poupar disso. – Ela deu um beijo na bochecha de Sasuke. – Só saiba que eu sempre estarei do seu lado, caso precise de um ombro pra chorar ou de alguém com quem queira desabafar... Você quem sabe.
— Obrigado, Sakura. – O moreno forçou um sorriso. Sabia o quanto sua amada estava sofrendo e ainda assim fazia de tudo para manter-se firme e forte.
— Eu vou falar com a Sarada. – A mulher se levantou. – Fique aqui por enquanto. Tome um ar fresco, ponha a cabeça no lugar e vá ver a Sarada quando se sentir à vontade.
O moreno assentiu, então Sakura foi até o quarto da filha, deixando Sasuke sozinho com seu luto.
Ela entrou no quarto de Sarada, a menina estava acordando.
Aproximou-se da cama e passou a mão pelos cabelos negro da adolescente.
— Oi... – Falou risonha a Haruno.
— Sakura? – Ela esfregou os olhos. – Eu falei que não queria dormir... – Resmungou.
— Ninguém te deu calmantes, você só sentiu sono mesmo. – Comentou divertida. – Quer que eu sente a cama um pouquinho?
— Tanto faz. – Sarada deu de ombros. Ultimamente nada fazia diferença pra ela.
Sakura então mexeu na cama, deixando a filha meio sentada. Embora não saísse da cama, Sarada mudava bastante de posição, afinal, não era bom para ela ficar o tempo inteiro deitada na mesma posição, poderia acabar criando úlceras por contato.
— Melhorou? – Indagou, mas Sarada ficou calada. – Sarada... Preciso conversar com você.
— É sobre o pedido que eu fiz? Você conversou com meu pai? Vocês resolveram aceitar?
O coração da Haruno doeu. Realmente Sarada estava certa do que queria.
— Não é isso, Sarada. É sobre sua avó e seu avô.
— O que tem eles?
— Seu avô, Fugaku, ele... Ele atirou na sua avó e teve uma parada cardíaca logo em seguida.
— Meu avô morreu? – Franziu um pouco as sobrancelhas, confusa.
— Sim.
A menina abaixou a cabeça surpresa, isso a chocou por mais que não o amasse mais.
— E minha avó? Ela está bem, não é? – Indagou preocupada, mas o silêncio de Sakura começou a desesperá-la. – Não é? – Perguntou com a voz mais firme e Sakura, mais uma vez, ficou em silêncio. – Sakura! – Aumentou seu tom de voz.
— Infelizmente não, meu amor. – Falou com pesar. – Sua avó não resistiu.
Um filme passou pela cabeça de Sarada enquanto a última frase dita por sua mãe ecoava em sua mente.
Sua avó, a figura materna que teve em sua vida durante anos, estava morta... Não havia o que ser feito, Sarada jamais veria Mikoto novamente.
As lágrimas brotaram nos olhos da menina e escorreram pelo seu rosto pálido.
Ela nada disse ou questionou, apenas chorou.
Sakura, assim como foi com Sasuke, sabia que não havia palavras para confortar a dor da perda, ela devia apenas respeitar aquele momento.
— A minha avó... – Sussurrou. – Não... Não é justo... – Soluçou. – Ela não...
— Sarada... – Sakura olhou preocupada para a filha, pois sabia que a reação da Uchiha não seria boa.
— Deveria ter sido eu... – Murmurou.
Sarada apertou a mão, como já era de costume. Sequer percebia que fazia aquilo.
— Não. Não deveria ter sido você. – Sakura segurou as lágrimas, pois doía ver sua filha daquele jeito. – Se Deus permitiu que você vivesse, Sarada, é porque há motivos para que você esteja viva...
— Deus? – Ela encarou a mãe. – Deus já virou as costas pra isso tudo há muito tempo, Sakura!
Sakura ficou sem palavras. Desde que sua filha foi dada como morta há dezenove anos, a rosada parou de crer em qualquer figura divina. Ela havia perdido a fé em tudo, uma vez que o mundo foi tão injusto com ela, uma criança de apenas quinze anos, sem motivo algum. Mas recentemente se agarrava àquilo para que Sarada ficasse bem.
— Sua avó não iria gostar de ver você chorando.
— Uma vez, quando eu tinha mais ou menos uns cinco anos de idade, eu tive um pesadelo e a vovó me acordou. – Murmurou, olhando para um ponto fixo na parede branca. – Ela se levantou de madrugada e foi para o meu quarto, deitou comigo em minha cama após vasculhar o quarto inteiro para garantir que lá não tinha monstros... – Riu sem humor. – Ela disse “Dorme, pode dormir. Eu vou estar sempre ao seu lado e não vou deixar nada de ruim acontecer.”, então eu adormeci e quando acordei no dia seguinte, ela ainda estava ali ao meu lado. – Soluçou. – Eu me senti segura. Ela disse que ficaria comigo e ficou, não deixou nada acontecer... Eu sabia que podia confiar nela e acreditei que ela sempre estaria lá para mim, para me acalmar após um pesadelo e para estar ao meu lado até o dia seguinte... – Sarada chorou mais ainda. – Mas era mentira. Eu me iludi ao pensar que ela sempre estaria lá pra mim, que seria meu porto seguro. Ela não está mais aqui.
— Filha, as pessoas não são imortais. Mikoto... – Suspirou. – Mesmo que eu tenha tido raiva dela pelo que aconteceu quando você nasceu, sou obrigada a concordar que ela era uma boa pessoa. Ela criou você. Te deu amor e carinho, nunca te deixou faltar nada. Ela realmente foi uma mãe pra você... – Abaixou o olhar. – A mãe que eu não pude ser.
— Eu... Eu não aguento mais, Sakura...
— Querida, essa dor vai passar. Acredite.
— Não vai... Não vai...
— Pensa nisso como uma ferida, ok. – Falou com a voz doce. – Dói quando está aberta, mas aos poucos vai cicatrizando. Algumas deixam marcas, mas, independente do tamanho, chega uma hora que já não dói mais.
— Dezoito anos... – Ela olhou para a sua progenitora. – A ferida deixada pelo meu desaparecimento fechou?
Mais uma vez a rosada ficou sem resposta. A ferida nunca havia fechado, ela chorava a morte da filha e nutria um ódio imenso pelo Uchiha ano após ano.
— São casos diferentes.
— Não! Você acreditava ter perdido sua filha, e eu perdi minha avó. É a mesma coisa!
Sakura temia que a descoberta sobre a morte de Mikoto fortalecesse o desejo de Sarada. Ela havia colocado na cabeça que a única saída era a morte e, conhecendo o gênio de sua filha, ela não mudaria de ideia tão facilmente.
Mas Sakura deveria considerar essa loucura? Sasuke com certeza não aceitaria. Aquilo era uma insanidade. Sarada estava frágil, mas poderia superar tudo aquilo com o passar do tempo... Não poderia?
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