Notas iniciais
So sorry pela demora... Eu estava doente esses dias e acabei demorando pra revisar o capítulo =/ Enfim, vamos ao capítulo u.u

Moscou, Rússia

26 de maio de 2016

07:07 P.M.

Saindo do Aeroporto Internacional Sheremetievo, Sasuke chamou um táxi rapidamente e rumou para o seu destino. Fora uma viagem de última hora, então só foi com o celular e a carteira.

Já fazia duas semanas que soubera da verdade, apenas teve a ação de ir falar com Madara agora. Não havia planejado, apenas saiu de casa com o objetivo de comprá-las.

Disse o endereço para o homem ao seu lado e escorou a cabeça na janela. O vidro estava gelado, ajudava a aliviar a dor que sentia.

“Fugaku não é o seu pai”

Esta notícia o deixou pensativo. Por anos tentou agradar um homem que sequer era seu pai. Estava aliviado por isso, mas não conseguia evitar ficar irritado ao deduzir que seus esforços para conseguir a aprovação do “pai” foram o mesmo que nada.

Riu sem humor ao perceber que “tomava do próprio veneno”, pagando pelo o que fez com Sarada.

Sentiu o celular vibrar no bolso da frente da calça e o atendeu. Era a Haruno.

— Oi.

— Onde você está? – Perguntou rapidamente.

— Eu estou bem e você? – Bufou.

— Responde a minha pergunta. – Revirou os olhos.

— Moscou.

— Moscou, Sasuke? – Indignou-se. – E você nem fala nada?

— Estou falando agora, oras.

— Porque eu perguntei, não se faça de sonso. – Rebateu.

— Coloca no viva voz. – O Uchiha escutou a voz de sua filha. A rosada fez como a mais nova pediu. – O que você tá fazendo aí num momento tão importante?

— O que aconteceu? Já nasceu? – Brincou.

— Fomos à clínica escutar o coração da Haruka. – Respondeu a adolescente.

— …

— Sasuke, você está aí? – Perguntou a Haruno.

— “Haruka”? – Indagou. – Mas vai ser menino.

— Sasuke, pare de ser teimoso, já dissemos que será uma menina. – Sarada riu.

— Mas como foi? – Perguntou interessado. – Está com saúde? E você, Sakura, tá se alimentando direito? Sarada, não a deixe fazer nenhum esforço físico.

— Oh, que bonitinho, está todo cuidadoso. – Debochou a Uchiha.

Sasuke corou um pouco, mas logo sorriu diante da situação. O amor deixava as pessoas idiotas, era o que ele sempre dizia.

“Veja só, agora eu sou um idiota”, riu de seu pensamento infantil.

— Está bem e com saúde. Eu apenas preciso tomar cuidado porque já tenho uma idade um pouco avançada.

— Certo. – Suspirou aliviado.

— Compramos uma roupinha. – Comentou sua filha. – É linda!

— Mas já? Podiam ter me esperado! – Fingiu chateação.

— Azar o seu. – Riu. – Comprei croissants para você, mas já que não está aqui, irei comer.

Por um momento o homem ficou chateado, afinal amava a iguaria francesa, mas logo passou ao perceber que Sarada havia comprado pensando nele. Era um motivo bobo, mas o fez sorrir de orelha a orelha.

— Mas enfim, o que faz aí em Moscou que você teve que viajar rapidamente? – Perguntou Sakura.

— Depois te conto.

— Sasuke... – Foi interrompida.

— Sério, prometo. É que agora não dá pra falar. – Olhou discretamente para o taxista.

— E eu? – Sarada se meteu.

— É assunto de adultos, criança. – Rebateu o Uchiha.

— Não vou nem te responder. – A morena revirou os olhos. – Você volta quando?

— Amanhã, quem sabe. – Deu de ombros. – Não sei quanto tempo vou demorar. Aliás, acabei de chegar onde queria...

— Certo. – Suspirou a rosada. – Bom, não vamos mais atrapalhar. Até logo.

— Desliga primeiro.

— Tá, tchau. – E o fez.

Sasuke permaneceu com o celular no ouvido, o taxista balançou a cabeça no sentido negativo e riu.

— Ah, sua vaca! – Murmurou chateado.

Sasuke saiu do carro após pagar a corrida e gravou bem sua placa.

“Nunca mais pego este táxi”, pensou.

O moreno se virou para a mansão e respirou fundo antes de dar o primeiro passo. Seu coração acelerou um pouco, estava ansioso, preocupado, um misto de emoções.

Soltou o ar de uma vez antes de apertar a campainha.

Olhou em volta e percebeu que o Aston Martin DB9 prateado estava estacionado no quintal, indicando que o Uchiha estava em casa.

Caminhou até o automóvel e o analisou. Sasuke se preocupava em comprar coisas de luxo dentro dos padrões normais de riqueza, somente para não levantar suspeitas e interesses da mídia. Mas pelo visto, Madara não se preocupava com isso.

Olhou a parte de dentro pelo vidro da janela e ficou encantado com tamanha tecnologia.

— Gostou? – Ouviu uma voz familiar atrás de si.

Virou-se rapidamente, e encarou o homem a sua frente. Cabelos compridos e tão parecidos com os seus, olhos profundos como a noite. Se antes se achava parecido apenas com a mãe, agora via que tinha traços do pai.

— Sim, é incrível. – Virou a face para o carro novamente.

Madara sorriu com o comentário.

— É o meu carro favorito. – Disse enquanto rodeava o veículo. – Há outras versões mais recentes, mas este é o que mais gosto... 517 cavalos de potência, motor 5.9 V12, e chega facilmente do zero aos cem quilômetros por hora em apenas quatro segundos.

Sasuke assobiou impressionado. Era realmente muito luxo.

— Se não me engano, seu aniversário está chegando... Quem sabe eu lhe dê um de presente. – Sorriu.

— Posso muito bem comprar um com o meu próprio dinheiro. – Retribuiu.

— É claro que pode. – Soltou um riso anasalado. – O que faz aqui? – Perguntou por fim. – Não costuma me visitar, ainda mais sem avisar... E imagino que não tenha vindo para falar do meu carro.

Sasuke riu baixinho, mas logo tornou séria sua expressão.

— Nós precisamos conversar, pai.

O moreno mais velho ficou surpreso diante da revelação, mas não demonstrou muito. Seus olhos apenas se abriram um pouco mais, e logo voltaram ao normal.

— Vamos entrar, faz frio aqui fora. – Passou pelo mais novo e foi até a porta de casa.

Assim que Sasuke entrou, Madara fechou a porta e caminhou até a sala.

Piso de madeira envernizado, um ambiente aconchegante devido à cor quente da parede, vinho. A televisão curvada e os sofás acolchoados num tom bege, dava um toque de nobreza.

Sentou-se num dos sofás e Madara ao seu lado um pouco mais afastado.

— Engraçado você ter um carro daqueles, mas ter uma decoração tão simples. – Comentou o mais novo observando o cômodo.

— O que posso fazer se sou apaixonado por automóveis? – Sorriu. – Os transportes russos não são muito bons, gostaria de mudar isso quando subir mais na política.

— Deseja ser presidente?

— Talvez. – Disse num tom sugestivo.

O silêncio permaneceu por um tempo, Sasuke disse que precisavam conversar, mas a verdade é que nem sabia o que falar.

— Quem lhe contou foi sua mãe? – Começou o Uchiha mais velho.

— Sim, acho que meu pai nunca me diria isso. – Respondeu. – Quero dizer, meu primo.

— Isso é verdade. – Suspirou e se calou por uns instantes. – Por que ela te contou?

— Ela achou que era a hora... – Desviou o olhar. – Na verdade, acho que ela só me disse isso para matar Fugaku de uma vez.

— E você fará isso?

— Não posso fazer algo tão impensado como isto. – Se remexeu desconfortável. – É estranho pensar que ele sequer tem o mesmo sangue que o meu, minha ficha ainda não caiu.

— Sente raiva de nós? Eu e sua mãe? – Perguntou um pouco receoso.

— Honestamente, eu não sei. – Franziu o cenho e começou a mexer com as mãos. – Minha mãe explicou tudo o que aconteceu, eu compreendi tudo, de verdade... Mas ainda me incomoda.

— Tem o direito de se sentir assim, mas se for odiar um de nós dois, que seja eu. Sua mãe lhe protegeu com toda a força que tinha, sabe disso.

— Você a ama?

— Amo.

Sasuke já sabia a resposta, mas não esperava que ele confirmasse tão rápido.

Mostrou um singelo sorriso e voltou a focar em suas mãos.

— Eu também amo uma mulher. E sei que faria de tudo para protegê-la, e também à Sarada. – Olhou para o Uchiha. – Vocês cuidaram de mim, obrigado.

— Eu falhei muitas vezes. – Suspirou. – Disse ao Fugaku que se tentasse matar você ou sua mãe, não responderia por mim. E ele te colocou muitas vezes em perigo, sempre que ia tirar satisfações ele sorria cinicamente e dizia: “você disse matar, e não ferir”. – Encarou o mais novo. – Era para eu ter mudado a minha ameaça, mas você entrou na Amaterasu e fazia de tudo para que seu pai o reconhecesse, não se importando em fazer missões perigosas. Não me ouviria a menos que descobrisse a verdade.

Isso é verdade. Mikoto disse várias vezes ao filho e chorou muitas outras implorando para que não aceitasse ou caísse nos jogos de Fugaku. Mas ele nunca a escutou, queria provar o seu valor para o ele.

— Houve uma vez em que ele exagerou. – Prosseguiu o moreno. – Você voltou com ferimentos horríveis, inconsciente e em estado grave. – Suspirou. – Mikoto se desesperou, achávamos que você não sobreviveria. Foi a primeira vez que fiz um ato impensável...

— Como assim?

— Eu tentei matar o meu primo. Brigamos feio naquele dia... – Encarou o filho. – Foi uma discussão terrível, se Obito não estivesse lá, eu teria sido preso e provavelmente, a família inteira seria condenada.

— Eu lembro que houve uma vez em que me machuquei seriamente numa missão... Agora entendo o porquê de ele ter ficado com ainda mais ódio de mim. Não era só porque sobrevivi, era porque você tentou matá-lo por minha causa.

— Sinto muito por tudo o que te fiz passar. – Disse sinceramente.

— Você tentou me proteger, não lhe culpo. – Sorriu. – Eu mesmo faria uma loucura se ele ousasse fazer algo contra minha filha.

— Não espere ele fazer algo para você tomar uma decisão. Não cometa o mesmo erro que cometi, pelo bem da Sarada. – O alertou.

— Não quero que ele faça nada à Sakura, muito menos à minha filha. – Respirou fundo. – Mas confesso que não sei o que fazer.

— Sakura, é? – Sorriu. – Sabia que era ela a tal mulher que você estava apaixonado. Estavam tendo um caso e acabou se apaixonando. – Desviou o olhar por uns instantes. – Também a fiz sofrer, eu imagino.

— Por causa do sequestro da Sarada? – Madara assentiu. – Aliás, como fez aquilo? Sempre quis saber.

— Fugaku descobriu que Mikoto fazia visitas constantes numa pousada a fim de saber se a Haruno estava sendo bem tratada, mandou Itachi retirar informações da dona do local e descobriu a data de nascimento. – Explicou. – Tive alguns meses para planejar tudo, por isso que consegui executar tudo mesmo com o nascimento prematuro. Obito é hacker, por isso o tenho ao meu lado com o objetivo de conseguir informações importantes tanto da política, quanto de assuntos que envolvam a Amaterasu. Ele invadiu o sistema do hospital e desligou as câmeras e as luzes.

— E como tiraram minha filha de lá?

— Isso era o de menos. Só precisei pagar uma enfermeira e sumir com ela depois. A segurança daquele hospital era péssima na época. – Deu de ombros. – Era de madrugada e estava escuro. Ela conseguiu sair com tranquilidade e entregar a menina para Itachi.

— Não acredito que foi tão simples assim. – Falou impressionado.

— Acredite, foi. Mas me arrependo muito, se pudesse voltar atrás, teria falado com a garota e negociado. – Suspirou. – Aquele sequestro foi desnecessário, mas Fugaku adora lhe contrariar.

— Ela não merecia isso.

— Nem você. Eram duas crianças. – Se levantou indo até a cozinha, Sasuke o seguiu.

— Sarada cresceu acreditando que foi abandonada. – Falou um pouco irritado. – Meu pai me odeia tanto assim ao ponto de prejudicar inocentes?

— Você é fruto de uma traição. – Encarou o homem enquanto pegava um copo d’água. – Fugaku olha pra você e se sente inferior, se sente humilhado. Enquanto você não descobrir que não é filho dele, ele se sentirá no comando, você não poderá fazer nada contra ele. Mas agora que você sabe, não o deixe saber disso. – Bebeu o líquido do recipiente. – Ele tem medo de você, e assim que descobrir que você sabe toda a verdade, ele fará alguma loucura.

— Medo de mim? Por quê?

— Porque você é o meu filho.

Fugaku sempre temeu o primo. Era o único homem que nunca ousaria enfrentar. Mikoto se envolveu com ele e teve um filho, aquele teve seu orgulho ferido, já que odiava perder para Madara.

Ao olhar para o bastardo de sua esposa, se sentia ameaçado e humilhado. O mataria se Madara não o tivesse ameaçado caso matasse Sasuke, tudo porque o temia.

Não podia fazer o que queria, era como se fosse obrigado a obedecer ao primo e ao próprio filho. As teimosias de Sasuke quando criança lhes pareciam como atos de rebeldia, isso era inaceitável.

Sabia que o filho não tentava nada contra si somente por ser filho e ter o mesmo sangue. Por isso nunca contou a verdade. Apenas pela própria segurança. Tinha medo de que quando Sasuke soubesse a verdade, viesse matá-lo.

O Uchiha mais novo permaneceu em silêncio. Não sabia o que dizer. Não fazia ideia de que todo o ódio que seu pai tinha de si era somente por ter medo dele.

O mais velho pegou outro copo e o encheu para Sasuke. Este pegou e bebeu.

Olhou para o objeto vazio, estava sem saber o que pensar. Sua dor de cabeça apenas aumentou. Franziu o cenho e respirou fundo após bagunçar os cabelos.

— O que eu faço? – Sua voz saiu um pouco trêmula.

— Se livre dele.

— O quê? – Elevou um pouco a voz. – Acabamos de sair de um julgamento que nossa família estava envolvida, se meu pai morrer...

— Não disse que era agora. – O interrompeu. – Espere um tempo.

— E minha casa vai ficar em perigo durante este período? – Soava irônico.

— Tenha paciência. – Disse calmamente. – A vida é como um imenso jogo de xadrez: difícil, mas se for bem jogado, é xeque-mate, vitória! Observe Fugaku e suas táticas, leve-o para uma armadilha, o cerque, e o elimine.

— Não consigo fazer isso sozinho.

— Quem disse que estará só? – Sorriu. – Você pode não me aceitar como pai, pode ter ódio de mim, pode não concordar com minha linha de pensamento e como crio meus planos. – Disse seriamente. – Mas você é o meu filho, nada e nem ninguém vai mudar isso, nem mesmo Fugaku, ninguém vai me impedir de cuidar de você. Já observei demais o meu primo, está na hora de lhe ensinar também.

[...]

Moscou, URSS.

20 de agosto de 1990.

3:00 P.M.

Mikoto já havia avisado para Madara que Fugaku logo chegaria em Moscou com os garotos. Como de costume, o líder da Amaterasu sempre levava o primogênito e futuro líder da organização criminosa. Dizia que Itachi, desde novo, precisava ir se familiarizando com a vida de um mafioso. No entanto, Sasuke havia insistido e chorado para ir junto, uma vez que o caçula sempre se sentia excluído. Mikoto disse para Fugaku levá-lo, visto que não suportava ver seu pequenino triste, mas Sasuke ficaria com Madara.

Fugaku não queria levar o garoto, mas, uma vez que Madara já estava ciente de que Sasuke queria ir para Moscou, exigiu ficar com o menino. Mikoto sempre esteve ciente de que seu marido temia o primo e que não teria coragem de contrariá-lo.

Fugaku ficaria com Itachi num hotel. Madara, por educação, até convidou o primo mais velho para ficar em seu apartamento, mas este recusou.

O pequeno Sasuke não compreendia por que não poderia ficar com o pai e o irmão. Insistiu, mas não teve jeito.

Estava sozinho no banco de trás do Volga GAZ-24 de Fugaku, enquanto seu irmão mais velho, já com 13 anos, estava na frente. Estavam indo ao apartamento de Madara.

— Mas o Sasuke não vai ficar conosco por quê? – Itachi perguntou curioso, deixando seu irmãozinho ainda mais emburrado.

— Porque você vai comigo resolver uns assuntos. – Respondeu calmamente, mas por dentro estava fervendo de raiva. – O Sasuke é muito criança, vai ficar entediado e não vai entender nada das nossas reuniões.

— Mas quando o Itachi tinha a minha idade, ele já vinha com o senhor. – O mais novo falou com a voz chorosa, passando o dedo pelo vidro da janela.

— Você sempre foi um bebezão, não pode se comparar com o Itachi. – Fugaku respondeu com a voz mais séria. Até mesmo o tom que usava com os meninos era diferente.

O garoto abaixou a cabeça. Fugaku sempre dava um jeito de inferiorizá-lo de alguma forma.

— Papai, eu quero ficar com o senhor e com o Itachi... – Pediu com a voz manhosa e os olhinhos vermelhos.

— Engole o choro, Sasuke! – Vociferou o mais velho. – Que merda, tudo que você sabe fazer é chorar.

Sasuke suspirou e segurou as lágrimas teimosas. Escorou a cabeça no vidro da janela e ficou calado. Sabia que não adiantaria de nada discutir naquele momento.

Itachi permaneceu quieto. Não gostava de ver seu irmãozinho daquele jeito, mas, em partes, precisava concordar com Fugaku. Sasuke era dramático demais. Todavia, Itachi também tinha que concordar que a culpa não era totalmente de seu irmão caçula, uma vez que Fugaku nunca o tratou bem e ele era só uma criança, obviamente que choraria por isso.

Mas, no fundo, o jeito de Sasuke irritava seu irmão. Itachi se sentia superior por sempre ter privilégios. Mikoto às vezes parecia preferir o caçula, mas nunca excluiu o primogênito, diferente do que Fugaku fazia com o mais novo.

Sasuke nasceu quando Itachi tinha apenas cinco anos. De início o garoto amou a ideia de ter alguém para brincar, mas logo passou a detestar isso. Por mais que Itachi sempre tenha sido apegado ao pai, foi inevitável que sentisse ciúme da mãe quando o irmão caçula veio ao mundo. O ciúme logo passou, mas ver a forma que Fugaku tratava Sasuke desde bebê foi um incentivo para Itachi criar birra para com o irmão. Não odiava o irmão, apenas se sentia superior e se irritava facilmente com o mais novo.

Após alguns minutos de absoluto silêncio, o carro foi estacionado em frente ao prédio onde Madara morava. O Uchiha já estava lá na frente, esperando por Sasuke que logo desceu do automóvel.

Fugaku abriu o porta-malas e retirou a mala não muito pesada do menino, Madara se aproximou para ajudar com a bagagem.

— Oi Sasuke, tudo bem? – Madara se abaixou na altura do garoto, mas ele não respondeu nada. Estava com a cara fechada.

— Responda! – Ordenou Fugaku quando Madara se levantou. – Moleque mal criado.

— Oi... – Falou com a voz baixa, triste. Queria ficar com o pai e o irmão.

— Deixa ele. – Madara então pegou a mala de Sasuke. – É só uma criança.

— Uma criança insuportável. – Murmurou Fugaku, fazendo Sasuke bufar.

— Que mal educado... – Itachi balançou a cabeça em sinal negativo, como se repreendesse o irmão.

— Ei, pirralho... – Madara bagunçou os cabelos de Itachi com a mão, mas o rapazinho não gostou daquilo e se afastou num movimento brusco. – Nossa, seu cabelo tá enorme. E você cresceu...

— Não me chame de pirralho. Não sou mais criança. – Falou com rompante.

Madara nunca gostou muito do primogênito de seu primo. O garoto desde novo já parecia ter o gênio ruim, era mimado, arrogante e Fugaku o criava para ser uma cópia de si. Madara não compreendia como uma criança nascida de Mikoto poderia ser daquele jeito. Temia que, com a convivência, Sasuke ficasse assim.

— Venho buscar o Sasuke no dia combinado. – Fugaku falou indiferente.

Era um absurdo que não repreendesse o filho. A falta de educação de Itachi sem dúvidas ultrapassou a de Sasuke, mas Fugaku não fez nada. Itachi era uma criança arrogante e estava se tornando um adolescente pior ainda. Mesmo quando Mikoto ia repreendê-lo, Fugaku não deixava e brigava com a esposa.

Não havia dúvidas de que Fugaku estragara o primogênito.

— Tudo bem. – Madara suspirou. Preferia evitar qualquer tipo de briga na frente das crianças. – Cuidarei bem do Sasuke.

— Papai, quando o senhor vem me buscar? – Indagou o pequenino.

— De novo, Sasuke? – Itachi questionou impaciente. – Já é a terceira vez que você pergunta isso. – Bufou. – O papai já não disse que vamos passar cinco dias em Moscou?

— Não é isso, Itachi. – Disse Sasuke. – Você disse que o papai sempre te leva pra passear quando vocês viajam. Eu quero ir junto!

— Tsc... – Fugaku revirou os olhos e riu debochadamente. – Venho te buscar no dia de ir embora. – O mais velho viu lágrimas brotarem nos olhinhos de Sasuke e se irritou. – Sem show, sem birra, sem escândalo e sem choro... – Falou pausadamente, o que soou como uma ameaça para Sasuke. Mas é claro que Fugaku não faria nada. Não na frente de Madara. – Se comporte e seja obediente.

Antes que Fugaku virasse as costas para ir embora, Sasuke pulou em cima do homem que acreditava ser seu pai e o abraçou. Fugaku não retribuiu o gesto, pelo contrário, aquilo o irritou. O simples fato de Sasuke, fruto de uma traição, existir o irritava.

— Nossa, quanto drama. – Itachi falou enojado. – Sasuke, são só cinco dias, não cinco anos.

— Garoto, já chega. – Impaciente, Fugaku segurou nos braços do menor e o afastou de si. – Vamos, Itachi.

Ambos viraram as costas e foram embora. Os olhinhos negros se enchiam de lágrimas à medida que o carro de seu pai se afastava.

— Sasuke. – Madara chamou o garoto que enxugou suas lágrimas antes de se virar para ele. – Vamos entrar.

Sasuke apenas assentiu. Já não tinha mais jeito e não queria chorar ou fazer qualquer tipo de birra. Temia que Madara contasse para Fugaku e este o castigasse quando voltassem para Toská.

O silêncio reinou enquanto ambos estavam no elevador. Madara morava no sexto andar, apartamento 604.

O lugar era pequeno, mas impecável. Madara morava sozinho, portanto não via necessidade de ter uma casa muito grande, mas, futuramente, pretendia comprar uma casa com espaço para guardar os carros que queria comprar quando conseguisse o cargo que almejava.

Levou Sasuke até o quarto de hóspedes, onde o garoto dormiria durante os cinco dias que ficaria em Moscou.

O garoto tirou os tênis e ficou apenas com as meias. Olhou ao redor. O quarto era pequeno e aconchegante, mas não gostava da ideia de dormir fora de sua casa, ainda mais sozinho.

— Quer fazer um lanche? – Madara quebrou o silêncio e, mesmo que sério, Sasuke assentiu.

Quando soube que seu filho ficaria em sua casa, O Uchiha comprou algumas guloseimas que crianças gostam de comer para agradar o pequenino.

Sasuke então acompanhou Madara rumo à cozinha. Passando pelo corredor, o garoto viu uma porta aberta e, curioso, olhou. Viu algumas prateleiras de madeira lotadas com miniaturas de carros.

Sem pensar duas vezes, o pequeno Uchiha correu para dentro do cômodo que era o escritório de Madara.

— Uau... – Ficou na pontinha dos pés para olhar as miniaturas que estavam no alto. Seus olhos até brilharam com a visão. – Que show!

— Gostou? – Madara questionou com um sorriso de canto, então Sasuke olhou para trás e assentiu. – Sou fascinado por carros.

— Deu pra perceber. – Falou empolgado, então Madara o pegou no colo para que conseguisse ver melhor a coleção. – Posso pegar? – Indagou receoso.

— À vontade.

Sasuke então pegou um Chevrolet Impala 1967 preto e o analisou minuciosamente. Os olhinhos negros brilhavam enquanto ele, totalmente concentrado, olhava cada detalhe do carrinho.

Após analisar o Impala, Sasuke pegou um modelo diferente, dessa vez um Opala Diplomata azul. Novamente o analisou cuidadosamente, como se procurasse algum defeito ou algo do tipo.

Madara percebeu que Sasuke havia herdado isso dele, era detalhista e gostava de analisar as coisas com calma... Talvez um dom cujo desperdício poderia ser até considerado um pecado.

Não tinha nada a ver com o fato de Sasuke ser seu filho biológico, mas Madara via em Sasuke muito mais potencial do que em Itachi. Poderia se tornar um grande líder futuramente se seus dons fossem bem explorados, mas não sabia se o queria na Amaterasu.

— Não são carrinhos de brinquedo comuns... – Sasuke comentou, ainda concentrado no modelo em suas mãos. – Parecem de verdade. Têm até placa e os pedais.

Ele havia observado até mesmo os detalhes de dentro da miniatura pelo vidro transparente. Era incrível como aquele garoto reparava nos mínimos detalhes de tudo a sua volta.

Sem dúvidas um traço da personalidade de seu pai biológico que fora herdado.

— Ah, sim... – Madara riu. – É porque não são carrinhos de brinquedo, são itens para colecionadores. – Sasuke encarou seu progenitor após devolver para a prateleira o carro que estava em sua mão. – Eles são idênticos a um carro de verdade, mas são pequenos.

— São muito legais. – Sasuke passou novamente os olhos por uma das prateleiras, completamente encantado. – Nunca vi estes modelos.

Sasuke pegou mais uma miniatura, um Ford Mustang 1967 branco.

Madara achou um máximo seu filho ter gostado de sua coleção. Estava adorando compartilhar aquele momento com ele, por mais que Sasuke não soubesse de nada sobre os laços sanguíneos que compartilhavam.

— Esse é um dos meus favoritos. – Comentou o homem. – Comprei todas estas miniaturas em viagens para o exterior. Não são vendidos aqui na Rússia.

A União Soviética estava passando por um período de tensão, após uma grande crise e uma corrida armamentista contra os Estados Unidos, principalmente. No ano anterior, a chamada Guerra Fria finalmente tivera um fim com a queda do Muro de Berlim.

Após os fracassos da Glasnost e Perestroika a URSS aparentemente chegaria ao fim. Madara via nisso a grande chance da família Uchiha voltar a se erguer na política.

— Podemos construir uma pista pra eles? – Indagou, ainda concentrado na miniatura que segurava.

— É melhor não. – Madara sorriu sem graça. Seria um problema se Sasuke inventasse de querer brincar com sua coleção que valia uma fortuna. – Eles são delicados e extremamente caros. Não são de brinquedo. – Explicou. – Mas nós podemos ir numa loja de brinquedos e comprar alguns carrinhos pra você.

— Que legal! – Falou empolgado, logo em seguida colocou o carrinho de volta na prateleira. Não havia dúvidas de que era uma criança cuidadosa. – Eu quero carrinhos!

— Você gosta mesmo de carrinhos... – Madara então colocou o garoto no chão. Sasuke já estava um pouquinho pesado pra ficar muito tempo no colo.

— Gosto demais!

— Agora vamos pra cozinha. Acho que você quer um sorvete... – Falou pensativo.

— Eu quero! Eu quero um sorvete!

Sasuke, com toda a sua empolgação infantil, acompanhou Madara até a cozinha, onde o mais velho entregou um sorvete da GUM, o sorvete mais famoso do país, Sasuke sempre quis prová-lo. O garoto então se sentou para poder comer, afinal, qual criança em sã consciência resiste a um sorvete?

Observando o garoto sério enquanto comia, Madara notou que, embora fosse extremamente parecido com Mikoto, tinha alguns dos seus traços. Lembrava um pouco a si mesmo e seu irmão Izuna.

— Como está indo na escola, Sasuke? – Madara perguntou enquanto se sentava de frente para o mais novo.

— Eu sei ler perfeitamente. – Indagou orgulhoso de si mesmo. – Sou o melhor da turma, estou começando a ver as ciências.

— Nossa, isso é ótimo... – Elogiou. – Está bem próximo do retorno às aulas, certo?

— Sim.... – O mais novo fechou a cara depois de responder. – Por que o Itachi pode viajar com o papai e eu não? – Fez beicinho. – Eu sou ótimo na escola... O Itachi já sofreu várias punições, sabia? – Indagou como se estivesse falando de um crime absurdo. – Então por que ele pode viajar com o papai pra todo canto e eu não?

— Porque ele é malcriado e falta às aulas. Mas sua mãe tem juízo, não permitiria que faltasse aula. E você é muito mais inteligente do que o seu irmão.

— Sou? – Arregalou os olhos, impressionado com o que acabara de ouvir.

— É.

— O papai não diz isso. – Levou uma colherada de sorvete até a boca.

— Seu pai é um tolo. – Bufou. – Você não deve ligar para o que ele diz.

— Mamãe diz a mesma coisa.

—Então, você deve escutar sua mãe. – Falou risonho. – As mães sempre têm razão, sabia disso?

— E os pais não?

— Nem sempre. – O moreno pegou um guardanapo e usou para limpar a boca e as bochechas de Sasuke que estavam sujas de sorvete. – Às vezes os pais são uns tolos, por isso as mães existem.

— Madara... – Sasuke abaixou o olhar, nitidamente triste. – Por que meu pai não gosta de mim?

— Quem disse isso? – Uniu as sobrancelhas.

— Ninguém. Mas eu vejo.

— Aquele é o jeito do Fugaku. – Deu de ombros. – Não liga pra isso.

— Mas ele trata o Itachi bem. Por que me trata mal se também sou filho dele?

Madara ficou sem resposta. Não havia o que responder, visto que, de fato, Fugaku sempre odiou Sasuke desde o dia em que ele nasceu.

Mas como explicar isso para uma criança? Sasuke jamais poderia saber quem é seu verdadeiro pai e isso não seria difícil de esconder. Todavia, o pequenino já percebia que não era querido por Fugaku e isso mexia com sua cabecinha.

Não há modos para dizer a um garoto pequeno que o homem que ele acredita ser seu pai o odeia simplesmente pelo fato de ele existir.

Mesmo com a pouca idade, Sasuke percebia perfeitamente as coisas que aconteciam ao seu redor. Era inocente, mas não bobo.

— Vamos parar de falar daquele velho chato. – Madara falou num tom divertido. – Vamos aproveitar esses cinco dias que ficaremos sem ele.

— E nós vamos fazer o quê?

— Você escolhe. Podemos ir à GUM, lá tem uma loja de brinquedos. Algum parque. Sabia que este ano abriu um McDonald’s na Praça Vermelha? Podemos ir a alguma pista de gelo... Aqui tem mais opções do que em Toská.

— McDonald’s? – Perguntou confuso.

— Sim, uma lanchonete americana. Os produtos capitalistas estão começando a entrar aqui.

— Quero ir a uma pista de gelo e depois ao McDonald’s! – Falou empolgado.

— Podemos ir. – Assentiu. – Nós temos cinco dias para aproveitar.

Foram cinco dias realmente bem aproveitados. Sasuke nunca pensou que passar um tempo com seu primo Madara pudesse ser tão divertido, sem falar que o mais velho se apegou bastante ao garoto.

Passou a se perguntar se o melhor a se fazer quando Sasuke nasceu deveria ter sido lutar para ficar ao lado de Mikoto e, consequentemente, criar seu filho. Um garoto doce, esperto e inteligente... Era realmente uma pena ser "filho" de Fugaku.

E Sasuke, ao final desses cinco dias, voltou para Toská se perguntando por que seu pai não era como Madara.

[...]

Toská, Rússia

27 de maio de 2016

07:36 A.M.

Sasuke passou o dia na casa de Madara em Moscou e este lhe contou mais detalhes sobre sua história com Mikoto e sobre o que aconteceu quando Sasuke nasceu. O mais velho ensinou-lhe algumas coisas que Fugaku nunca o ensinou. Falou-lhe sobre como lidar melhor com o líder da Amaterasu.

Tinham tanto o que falar, nem parecia que não sabia como começar a conversa sobre o assunto.

Sasuke não conseguia parar de pensar nas palavras de Madara e associá-las com as de Mikoto. As histórias contadas por ambos faziam todo o sentido e se encaixavam perfeitamente.

Não podia deixar Fugaku saber sobre sua descoberta, isso era o mesmo que entregar as cabeças de sua filha e de sua amada numa bandeja para ele.

Estava nervoso. Sabia que, justamente por ser fruto de uma traição, Fugaku o odiava desde bebê e que não tinha nada que o impedisse de matá-lo, ainda não o tinha feito por medo de Madara, mas Fugaku era louco e completamente imprevisível. Sasuke não duvidava que ele fosse capaz de matá-lo mesmo que isso custasse sua vida, uma vez que morreria feliz e satisfeito.

Sabia o que Sakura diria caso soubesse dessa história. "Mate aquele velho", com certeza seriam as palavras dela. Não podia fazer nada impensado, não podia ir pela cabeça da rosada. Se fosse tomar alguma decisão, precisava analisar as coisas detalhadamente, com calma. Precisaria ser o crime perfeito, uma vez que se tratava do líder da Amaterasu e se alguém desconfiasse que Sasuke tirou a vida de Fugaku, seu irmão seria o primeiro a querer sua cabeça. Isso sem falar nos outros membros da organização.

Precisava pensar em algo perfeito, algo que não deixasse marcas, provas ou pistas de que foi um assassinato. Tudo deveria parecer que foi um acidente. Não podia simplesmente chegar na casa de seus pais e dar um tiro na cabeça de Fugaku, isso seria loucura demais. Madara garantiu que o ajudaria com isto. E desde que a Hyuuga começara a persegui-los, soube que ninguém melhor do que ele e a detetive Yamanaka, a infiltrada, para cobrir evidências.

Contudo, mesmo sabendo que Sakura provavelmente o aconselharia a fazer isso, Sasuke se sentia na obrigação de se abrir para ela.

Sakura estava morando em sua casa, iria dar-lhe outro filho e precisava saber da ameaça que os rondava. Pensou seriamente em não contar nada, uma vez que Sakura ficaria nervosa e isso poderia não ser bom para o bebê. Só que seria uma falta de consideração muito grande. Sakura merecia saber a verdade!

Ele chegou em casa ainda bem cedo, uma vez que saíra de Moscou antes do sol nascer. Sakura e Sarada com certeza ainda estavam dormindo, então o moreno foi para seu quarto, tomou um banho quente e demorado, então se deitou em sua cama.

Virou para um lado, virou para o outro, deitou-se de bruços e de barriga para cima... Nada! Nenhuma posição lhe parecia confortável e, por mais cansado que estivesse, não conseguia dormir. Não conseguiu dormir na casa de Madara e também não conseguia na sua.

Sakura acordou mais cedo do que o de costume. Sentia muito sono por causa da gravidez e sabia que era algo perfeitamente normal, uma vez que era do mesmo jeito quando estava esperando Sarada.

Levantou-se e foi fazer sua higiene matinal. Saiu do banheiro e foi direto para a cozinha. Seu estômago estava roncando, agora comia por dois.

Fez um sanduíche de queijo com peito de peru. Não estava com desejo de comer nada muito maluco, embora tenha usado geleia de uva no lugar de manteiga para fazer o sanduíche. Nunca havia sentido tanta vontade de misturar coisas doces e salgadas.

Tomou um copo de leite e decidiu voltar para o quarto assim que terminou de comer. Sarada estava dormindo, a diarista tinha limpado toda a casa no dia anterior, então não tinha nada pra fazer ali e ainda era muito cedo para começar a preparar o almoço.

Mas, passando pela sala, a Haruno viu a carteira de Sasuke sobre o móvel de vidro na sala. Sorriu contente ao perceber que ele já estava em casa. Não esperava que fosse chegar tão cedo.

Subiu as escadas rapidamente e foi até o quarto do moreno. Queria saber por que ele foi para Moscou sem aviso prévio.

Chegou à frente do quarto de Sasuke e viu que a porta estava meio aberta. Entrou discretamente, sem fazer barulho. O enorme quarto estava iluminado apenas pela luz do sol que penetrava pela janela cuja cortina estava parcialmente aberta, o que lhe dava a visão do homem parado de costas para a porta, de frente para um móvel onde várias garrafas de bebidas caras ficavam não somente de decoração.

Sakura entrou no quarto e fechou a porta, foi quando Sasuke notou a presença de alguém naquele quarto e se virou para a rosada.

A ausência de uma camisa revelava algumas cicatrizes presentes no corpo de Sasuke. Facadas, tiros ou simplesmente marcas de luta... Um pouco de cada. Sakura preferia não saber de maiores detalhes, mas era óbvio que quinze anos na máfia deixariam marcas.

— Sasuke... – Olhou para a mão esquerda do moreno e viu um copo com bebida. – Por que está bebendo?

— Ora, porque me deu vontade. – Respondeu indiferente e tomou um gole da bebida em seu copo. – Talvez me ajude a dormir.

Sakura notou no rosto de Sasuke as olheiras que não estavam ali antes do moreno viajar. Com certeza, por algum motivo, não dormia desde que saiu de Toská.

— O que aconteceu? – Sakura se aproximou do moreno e tocou em seu rosto. – Porra, estou preocupada contigo. Você foi falar com a sua mãe, ficou esquivo por duas semanas e depois foi pra Moscou do nada, agora volta desse jeito! O que aconteceu?

— A ameaça é pior do que eu pensava... – Suspirou após tomar um gole de bebida e deixar o copo sobre o móvel. – Eu acho que realmente estamos vulneráveis, mas acredito que Madara... – Suspirou. – Eu não sei mais de nada!

O moreno sentou sobre a cama, apoiando os cotovelos sobre os joelhos. Soltou um longo suspiro e bagunçou os cabelos negros.

— Sasuke, explica direito o que está acontecendo! – A mulher praticamente implorou, sentando ao lado do Uchiha.

— A Sarada não foi a única a ser enganada a vida toda... – Suspirou pesadamente o homem. – Descobri que eu realmente não sabia nada sobre mim mesmo.

— Sasuke... – Sakura contorceu o rosto em total confusão. – O que você conversou com sua mãe? Do que está falando? Por que foi pra Moscou?

— O Fugaku não é meu pai. – Sasuke foi direto ao ponto e Sakura arregalou os olhos verdes, boquiaberta, ainda processando o que acabara de ouvir. – Minha mãe me contou isso naquele dia, depois que você descobriu estar grávida, e eu fui pra Moscou ontem para conversar com meu pai biológico... Fugaku não é meu pai.

— Sasuke... – A voz da rosada saiu quase que como um sussurro. – Sua mãe... Ela traía o Fugaku?

— Ela o traiu com o Madara durante três anos. – Respondeu, deixando Sakura chocada. – E adivinha no que deu essa traição? – Questionou com falsa animação. – Eu devo ter sido algum tipo de carrasco na outra vida e estou pagando por isso nessa.

— Madara não é seu primo?

— Até então eu pensei que fosse, mas não, ele é meu pai. Fugaku é meu primo.

— Que loucura, Sasuke... – Ela tocou no ombro do Uchiha como se quisesse consolá-lo. – Bem, agora as coisas fazem sentido. Fugaku tinha um motivo pra te odiar, embora isso seja ridículo, já que você não tem culpa disso.

— Por causa de três dias... – Balbuciou amargurado. – Se o plano da minha mãe tivesse dado certo, nada disso teria acontecido. Minha vida não teria sido um inferno, tampouco a dela.

— Três dias? Plano? – Uniu as sobrancelhas. – Você não está falando coisa com coisa, Sasuke.

— Para o Fugaku não perceber que eu não era uma criança prematura, minha mãe decidiu ir pra Finlândia e passar uns meses por lá. – Explicou. – Mas eu acabei nascendo três dias antes de ela viajar. Por isso, porque eu nasci alguns dias antes, aquele monstro soube que não teria como eu ser filho dele e transformou tanto a minha vida quanto a vida da minha mãe num inferno.

— Esse homem é odiável! – Falou secamente. – Por que não pedir um divórcio quando soube da traição? Por que transformar a vida de vocês num inferno? Pelo que você falou, aquele homem era terrível desde a sua infância.

— Como você mesma disse, ele é odiável! – Bufou. – Sabe, ele nunca levantou a mão pro Itachi. Nunca! Nem quando ele fugia da escola, ou quando tirava notas baixas, tampouco quando ele fazia alguma peripécia típica de crianças... Agora quando era eu, ah, aí a coisa mudava de figura. Mas o Itachi sempre foi o filho perfeito!

— Você chegou mesmo a falar que ele tratava vocês dois de forma diferente.

— Muito diferente. – Enfatizou. – O Itachi podia jogar bola dentro de casa, subir sujo no sofá, quebrar qualquer coisa. Mas ai de mim se o Fugaku encontrasse um brinquedo meu jogado pela casa. – Sorriu sem humor. – Lembro-me de um brinquedo bem pequeno que esqueci de guardar. Na verdade não esqueci, só não o vi quando fui guardar minhas coisas. Ele pisou no brinquedo, sentiu o incômodo na sola do sapato.

— Ele brigou com você por isso? – Deduziu a rosada, então Sasuke assentiu com a cabeça.

— Eu tinha cinco anos de idade. – Explicou indignado. – Ele me encarou com ódio, me xingou e depois me bateu, falando que eu deveria ser mais organizado. Minha mãe sempre se metia no meio, mas na maioria das vezes ele acabava descontando nela também. Minha infância foi terrível, pra mim o Fugaku era como um vilão, não um herói como toda criança vê o pai.

— Ele brigava comigo sempre que eu fazia xixi na roupa quando era criança. – Sasuke tomou um gole de sua bebida antes de prosseguir. – Eu era muito novinho, não lembro muito bem, mas lembro dele me batendo. Quando eu estava doente era a mesma coisa. Uma vez eu vomitei e ele me bateu. Foi uma surra memorável, com direito a cintadas. – Falou com desprezo e tomou mais um gole de sua bebida.

— Eu nunca odiei tanto esse homem. – Sakura falou com raiva. — Puta merda, você era uma criança. Toda criança já esqueceu um brinquedo espalhado, já vomitou no chão ou fez xixi na roupa, isso é normal... – A rosada se sentia triste por Sasuke e, ao mesmo tempo, sentia ódio pelo Uchiha mais velho. – Você era só uma criança... Uma criança!

— Uma criança que fazia ele se lembrar que já foi traído.

— Ainda assim, que culpa você tem? – Rebateu. – Nenhuma, você não tem culpa de nada.

— Ele me odeia mais do que eu pensava. – Suspirou com pesar. – Eu sou filho do Madara, fruto de uma traição, e ainda o contrariei quando permiti que você contasse a verdade pra Sarada. Ele deve estar querendo a minha cabeça e é só uma questão de tempo para que ele consiga.

— Já que vocês não são pai e filho, não há nada que o impeça de fazer algo contra você ou... – Estreitou os olhos e cerrou os punhos. – Contra a Sarada...

— Eu não sei como as coisas vão ficar. – Admitiu. – Estou com medo, um pouco confuso... – Respirou fundo. – Mas é como se um peso tivesse sido tirado das minhas costas.

Sasuke sempre se perguntou o porquê de Fugaku odiá-lo tanto sem motivo. Sempre se sentiu inferior ao irmão por causa do tratamento diferente que o patriarca da família dava a ambos desde crianças. Mas agora as coisas ficaram claras, totalmente transparentes. Mesmo que Sasuke não tivesse culpa dos erros dos pais, Fugaku tinha um motivo para odiá-lo. Sasuke nasceu por causa de uma traição, Fugaku sempre se lembrava disso ao olhar para ele desde bebê. Não conseguia esquecer o que sua esposa fez.

Sasuke também conseguia compreender mais coisas, como o motivo de Mikoto não deixá-lo viajar sem ela quando Fugaku ia apenas com Itachi. O garoto, ainda muito pequeno, chorava ao ver o pai sair pra viajar com seu irmão e não o levava porque sua mãe não deixava. Sasuke nunca saía com Fugaku se Mikoto não estivesse por perto. Agora conseguia compreender o receio que Mikoto tinha de deixá-lo sozinho com o marido. Agora compreendia o porquê de sua mãe ser sempre tão protetora.

A única vez que Mikoto deixou Sasuke viajar com Itachi e Fugaku, sem ela por perto, foi numa viagem que fizeram para Moscou. A mulher avisou a Madara com antecedência e este ficou de olho no garoto de oito anos o tempo todo. Ele o recebeu como hóspede em seu apartamento, enquanto Fugaku ficava em um hotel com Itachi.

— Sasuke, eu posso imaginar como você está se sentindo agora. – A rosada abraçou o moreno e ele retribuiu o gesto. Sentia-se como uma criança que estava precisando de colo.

— Uma pessoa que eu amo tanto me enganou a vida toda. – Suspirou. – Acho que agora eu sei o que a Sarada sentiu quando lhe foi contada a verdade. Com a diferença que eu tenho maturidade pra compreender o porquê de tudo ter acontecido como aconteceu.

— Uma mãe é capaz de tudo pra proteger seus filhos. Tudo. – Desprendeu-se do abraço e olhou nos olhos do Uchiha. – Sua mãe com certeza teve os motivos dela pra ter omitido isso por esse tempo todo. Não dá pra voltar e mudar o que já foi feito, você também não pode se culpar por ter transformado a sua vida e a vida da sua mãe num inferno só por ter nascido uns dias antes de ela viajar, isso é ridículo. Você não tem culpa de nada, era um bebê, pelo amor de Deus! – A mulher aumentou seu tom de voz. – Passou, tá? Ficou no passado. Você agora é um adulto e não mora mais com aquele miserável, não tem mais que aturá-lo.

— Você tá certa, eu não tenho que ficar pensando no passado. – O homem levou sua mão direita até o ventre da rosada sentada a sua frente. – Tenho que pensar no futuro. É ele que me aguarda.

Sakura sorriu docemente, o que acabou arrancando um sorriso mínimo de Sasuke.

— Você tá feliz por isso, não é? – Questionou com a voz mansa.

— É uma vida nova que vai nascer, mas pra mim significa muito mais que isso. – Sorriu de canto, ainda com sua mão sobre o ventre da rosada. – É o começo de uma vida nova pra mim também. Não vou cometer com essa criança os mesmos erros que cometi com a Sarada. Esse bebê não terá um pai mafioso. Estou inativo na Amaterasu e pretendo largar de vez. – Sakura sorriu ao ouvir isso. – São duas novas vidas que vão nascer, porque eu vou mudar pelo meu filho. Serei alguém melhor.

— Você não sabe como eu fico feliz ao ouvir isso. Não tenho dúvidas de que você será um ótimo pai.

— Não quero mais cometer erros com as pessoas que eu amo. Vou me esforçar pra ser o melhor pai que essa criança poderá ter.

— Sabe... – Sakura esboçou um largo sorriso, como uma criança empolgada. – Ontem fiz a segunda ultrassonografia e deu pra ouvir o coraçãozinho do bebê. A Sarada ficou toda boba... – Ela abaixou a cabeça e corou levemente. – Sarada diz que está certa de que é uma menina e quer que se chame Haruka.

— O nome que seria dela... – A voz do homem saiu quase como um sussurro e ele abaixou o olhar, mas logo encarou a rosada com um sorriso de canto. – Eu apoio a ideia, mas tenho certeza de que é um menino.

— Ora essa, eu sou a mãe. – Sakura falou divertida. – Tenho certeza de que é uma menina. Quando estava esperando Sarada também tive essa certeza.

— Será que não tem um casal aí dentro? – Indagou curioso, fazendo Sakura gargalhar.

— Sasuke, é só um bebê! – Repondeu. – Daria pra saber se fossem gêmeos.

— Tá, você venceu, é só um. – Ele levantou as mãos em sinal de rendição. – Um menino.

— Menina. – Retrucou.

— Então vamos fazer o seguinte: Se for uma menina, depois a gente faz um menino. E se for um menino, depois a gente faz uma menina. Pronto, aí os dois ficam felizes, problema resolvido.

— Sasuke! – Boquiaberta, mas não contendo a risada, Sakura deu uma tapa de leve no ombro do moreno. – Acha que eu sou o que, uma vaca? – Bufou. – Só pode. Está me confundindo com uma vaca e achando que é um touro reprodutor. – Revirou os olhos, fazendo o Uchiha rir. – Pelo menos arranquei uma risada de alguém.

— Você é uma boba! – Sasuke então deu um beijo na bochecha da Haruno. – Mas é sério. Quero mais filhos depois desse.

— E vai fazer com quem? – Arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços em frente ao corpo.

— Adivinha... – Sorriu malicioso.

— Não tenho mais idade e nem disposição pra ficar parindo todo ano. – Bufou. – Tenha dó.

— Tudo bem. – Rendeu-se. – Só mais dois.

— Sasuke!

— Tá bom, tá bom...

[...]

Sasuke se sentiu mais leve após desabafar com a rosada. Realmente precisava daquilo. Talvez tenha sido isso, ou simplesmente o fato de que bebeu um pouco além da conta e acabou ficando meio tonto, mas conseguiu dormir.

Acordou por volta das 16:30, já estava bem tarde e sentia fome. Resolveu então ir fazer um lanche, visto que já era muito tarde pra almoçar e muito cedo pra jantar.

Passando pela porta do quarto de Sarada, Sasuke percebeu que ainda não tinha visto a filha desde que chegou de Moscou. Ela podia não dar a mínima, mas seu pai estava com saudades, apesar te ter sido apenas um dia.

Nem se deu ao trabalho de bater na porta, simplesmente abriu e viu a adolescente sentada de frente para a escrivaninha, com o iPad ligado e vários livros espalhados. Se sua memória estivesse boa, Sasuke podia ter certeza de que ela estava usando seu fichário do ensino médio.

— Sarada? – Indagou meio confuso.

— Hã? – A menina falou meio aérea, sem ao menos retirar os olhos de seja lá o que estivesse lendo.

— Você tá muito ocupada? É que eu...

— Shiii. – Sarada o interrompeu antes que terminasse de falar. – Silêncio, tô tentando me concentrar!

— Tá lendo o que? – Sasuke se aproximou da filha e viu que ela lia algumas anotações sobre química orgânica.

O moreno lembrava-se vagamente daquilo, gostava de química em sua época de estudante, mas já fazia muito tempo que não via, portanto acabou se esquecendo de algumas coisas, embora se lembrasse de alguns conceitos.

— Tô estudando.

— Estudando? – Uniu as sobrancelhas.

— É. – Bufou, então finalmente olhou para seu pai. – Sabe, eu pretendo ser médica um dia, então preciso estudar se quiser entrar numa faculdade.

— Isso é sério? – O moreno arregalou os olhos.

— Muito sério. – Assentiu. – Não quero mais trabalhar na Amaterasu... Um dia eu vou sair e quero seguir meu sonho. Quero ser uma boa irmã, um bom exemplo.

Sasuke sentiu um alívio tremendo ao ouvir que sua filha queria sair da organização criminosa e uma felicidade enorme ao ouvir que ela pretendia se formar e ser um bom exemplo para o irmão ou irmã que viria.

— Isso me deixa feliz. – Sorriu.

— Mas... – Murmurou entristecida. – Se eu sair, o vovô vai matar a Sakura...

O moreno franziu o cenho. Fugaku não hesitaria em matar a Haruno, isso era fato, ele fez aquela visita à rosada, só não contava com a presença de Sarada ali. A garota resolveu permanecer na organização para proteger a vida da mãe.

— Vamos dar um jeito nisso... Você vai conseguir realizar seu sonho, doutora Sarada.

— Ora, Sasuke... – Sorriu meio desconcertada. – Primeiro eu preciso entrar numa Universidade. Se não conseguir este ano, tento no ano que vem.

— E se não conseguir no ano que vem, tenta no próximo. – Aconselhou. – O importante é não desistir nunca, filha.

— Eu não vou desistir, pois é meu sonho!

Sonhos... Sasuke não podia deixar de se sentir frustrado por ter tido seus sonhos interrompidos por querer tentar impressionar Fugaku. Era fascinado por aviões quando mais novo, pensou até em ser engenheiro, mas seu grande sonho era pilotar. Entretanto, maior do que sua vontade de ser piloto e ganhar a vida honestamente, era a vontade de provar para Fugaku que ele era tão digno de ser um membro da Amaterasu quanto Itachi. Para isso, assim que concluiu o ensino médio, largou os estudos para viver uma vida de mafioso.

Já era tarde demais para ele, mas não para Sarada.

— É assim que se fala. – Sasuke esboçou um sorriso sincero. – E não importa o que aconteça, se é seu sonho, não deixe de correr atrás dele.

— Esse conselho... – Sarada encarou seu progenitor com a face séria. – Me parece o conselho de alguém que já fez merda e não quer que eu faça também... – Falou pensativa e Sasuke soltou um riso anasalado.

— Meu erro foi largar meu sonho de lado pra entrar numa máfia. – Admitiu. – Você também fez isso, mas, ao contrário de mim, voltou atrás.

"Se eu ouvisse os conselhos da minha mãe...", pensou o Uchiha.

— E se eu não conseguir? – Perguntou receosa. – Sasuke, e se eu não conseguir? Medicina é um curso muito concorrido e é difícil demais pra conseguir uma vaga.

— Mas você ainda nem tentou! – O moreno falou indignado. – Filha, não se pode desistir de um sonho antes de dar a ele a chance de se tornar realidade.

— Você fez isso.

— E você quer cometer o mesmo erro que eu? – Arqueou uma sobrancelha. – Quer se evolver com a Amaterasu como eu me envolvi?

— Eu vi o quanto uma máfia pode ser cruel... – Abaixou o olhar. – Karin, Naruto, Hinata, Himawari... – Suspirou com pesar. – Boruto... – Sentiu um nó na garganta, mas nenhuma lágrima foi vista. – Eu não quero mais fazer isso. Matar pessoas inocentes, destruir famílias... Não quero.

Sarada matou Kisame a sangue frio quando entrou para a Amaterasu. Talvez o que tenha chocado a menina não tenha sido o fato de inocentes morrerem, uma vez que ela sempre soube a realidade de uma máfia, mas o fato de que pessoas próximas a ela, pessoas de quem ela gostava, tiveram suas vidas completamente destruídas.

— Você deve achar que eu sou um monstro, né? – Disse cabisbaixo.

— No fundo você é bom, Sasuke. – Sorriu minimamente. – Eu vejo isso em você. Só se deixou corromper, só isso.

— Talvez seja isso. – Deu de ombros. – Talvez se eu tivesse crescido de uma maneira diferente, se eu tivesse... – Balançou a cabeça em sinal negativo. – Ah, deixa pra lá.

— O que é? – Indagou curiosa.

— Nada.

— Sasuke, tem alguma coisa perturbando você?

Sasuke não podia contar sobre sua descoberta para Sarada. Chegou a pensas seriamente nisso, mas ele e Sakura estavam cientes, então não tinha um porquê para ela saber de tudo... Não agora.

Não havia necessidade.

— Eu tô cansado da viagem, só isso. – Respondeu. – Não consigo dormir no avião, minha coluna tá acabada... – Isso de fato não era mentira.

— Coisas de velho. – Sarada riu e Sasuke revirou os olhos. – E por que você foi pra Moscou?

— Madara queria conversar comigo, disse que era urgente. Conversamos um pouco sobre política... Ele queria me incluir também. – Mentiu. – Mas acho que não vou me meter nisso.

— Ah sim...

— Enfim, vou te deixar estudar.

Sasuke então saiu do quarto da filha e foi direto para a cozinha, onde Sakura tirava do forno algo realmente muito cheiroso.

— Sasuke, que susto! – Falou quando viu o moreno, então colocou a fôrma de vidro sobre a mesa.

— Seja lá o que for isso, está cheirando muito bem. – Falou com água na boca.

— Torta de atum, quer um pedaço?

— Se quero! – Empolgado, o moreno pegou um prato no armário enquanto Sakura cortava uma fatia da torta que ainda estava bem quente.

— Imaginei que você fosse acordar morrendo de fome. – Disse risonha enquanto colocava a fatia no prato de Sasuke. – Por isso fiz essa torta.

— Nossa, você me mima demais. – Deu uma garfada na torta, assoprou um pouco porque estava quente e levou à boca. – Tá ótima, já pode casar.

— Bobo. – Revirou os olhos. – Tem razão, estou te mimando demais, mas até que você tá merecendo isso ultimamente.

— E o que eu faço pra merecer mais disso? – Perguntou divertido.

— Seja um bom garoto.

— Você acha que eu sou um cachorrinho? – Olhou a rosada indignado.

— Sasuke, você me mata! – Ela caiu na gargalhada.

— Sabe... Sarada está estudando no quarto dela.

— Estudando? – Indagou confusa.

— É. – Assentiu. – Ela quer entrar numa faculdade e cursar medicina. Disse que quer ser um bom exemplo como irmã.

— Isso é ótimo! – A rosada falou contente, com os olhos brilhando. – Nossa filha finalmente tá tomando jeito. – Sorriu. – Ela está querendo tomar um rumo na vida, isso é maravilhoso, Sasuke... Vocês dois querem mudar pelo bebê. – Olhou ternamente para o Uchiha. – Você tinha razão, o bebê veio mesmo na hora certa.

— Eu te disse! É mais do que apenas uma vida, é um recomeço para nossa família. – Suspirou. – Eu só espero que a Sarada não desista do sonho de ser médica. Descobri que coisas ruins acontecem quando se deixa um sonho para trás.

— Eu nunca realizei meu sonho de ser médica e você nunca realizou seu sonho de ser piloto. – Suspirou pesadamente. – Mas eu tenho fé de que a nossa filha vai realizar o sonho dela e vai nos deixar muito orgulhosos.

— Eu não tenho dúvidas disso. – Sorriu de canto. – E não é só a Sarada quem nos dará motivos para nos orgulharmos.

— É... – Sakura levou as mãos até seu ventre. – Nossa bebezinha também.

— Você está crente de que é uma menina, né? – Bufou. – Eu não estou contando muito com isso.

— Espere mais uns dois meses e você vai ter a prova. – Piscou um olho para o Uchiha. – Sinto que é menina.

— É o que nós vamos ver...