Amaterasu
28 Capítulo 27
Notas iniciais
Toská, Rússia
07 de junho de 2016
03:56 P.M.
O dia estava nublado, mas não chovia. O verão havia chegado e, apesar do tempo escuro, os dias estavam quentes.
E em dias quentes, após o almoço, sempre bate uma preguiça.
Era esta a situação em que o Uchiha e sua filha se encontravam no sofá, completamente esparramados.
Sakura lia “A Garota no Trem”, e hora ou outra olhava para os dois.
Estava feliz por eles finalmente estarem se dando bem, agindo como uma verdadeira família.
Sua gravidez aconteceu na hora certa. Em um momento de paz, onde a polícia não estava mais em seu caminho e nem Fugaku. Apesar da ameaça dele, Sasuke lhe garantiu de que nada de ruim aconteceria. Isso a tranquilizava, mas não a deixava menos atenta.
Olhou para o homem e sua primogênita e os comparou. Realmente, Sarada era Sasuke de saia. Embora apresentasse alguns traços seus, nada se comparava a genética do pai.
Alisou seu ventre de dois meses e se perguntou com quem o bebê mais iria se parecer. Era justo que agora fosse com ela, certo?
O Uchiha se remexeu murmurando algo incompreensível e acordou.
— Babão. – Resmungou a rosada e o moreno logo limpou a boca com a palma da mão. A mulher riu.
— Há quanto tempo estou dormindo?
— Você só cochilou. – Voltou sua leitura.
Sasuke olhou para o lado e viu sua filha dormindo no mesmo sofá que ele estava. Embora afastada e encolhida num canto, ele ficou feliz ao ver que passou um tempo com ela mesmo que dormindo.
— Vou levá-la para o quarto...
— Sasuke, ela já é adulta. – Falou como se fosse óbvio. – Acorde-a.
— Ela está dormindo. – Franziu o cenho.
— Você está mimando ela. – Sorriu. – Ela vai passar a dormir no sofá mais vezes só para você a levar para o quarto.
— Sarada não é mais uma criança. – A Haruno o olhou com uma cara de “Foi o que eu acabei de dizer”. – Mas ela está cansada...
Sakura revirou os olhos e riu. Sasuke estava sendo um pai muito babão ao perceber o quão ausente foi na vida da filha. Mas entendia o lado dele, uma vez que também a mimou quando descobriu a verdade.
Acompanhou o moreno que carregava a adolescente nos braços até o quarto. Ele a colocou com tanto cuidado na cama para não acordá-la que parecia que se tratava de um recém-nascido.
Sakura estava encostada na porta e ficou observando o homem. Ele estava mudando.
Não sabia ao certo o que estava se passando na mente e no coração do Uchiha, mas sentia que era algo bom. Se tornou um pai de verdade.
Seria por causa da gravidez? O desejo de ser melhor?
Ou porque estava apaixonado?
Sakura já não podia mais descartar esta opção. Uma vez que já dormiu com muitos homens, sabia muito bem quando eles a cortejavam. Ela conhece e entende a linguagem corporal.
O ato de conversar olhando para os olhos, boca, traços do corpo da pessoa, virar-se para ela e sorrir por qualquer coisa que a envolva... Sasuke fazia tudo isso e mais.
Estava gostando de ser tratada assim, era uma sensação boa. Sentia-se finalmente amada depois de tudo o que passou.
— O que foi? – O moreno perguntou, tirando a rosada de seus pensamentos.
— Quando você quer, você consegue. – Sorriu. – Está se tornando um bom pai.
O Uchiha não conseguiu evitar sorrir bobamente. Não só porque ele amava a Sakura e gostava de ser elogiado por ela, ou porque estava orgulhoso de si mesmo, era mais porque ele finalmente estava tendo o momento de paz que tanto aspirava.
Sasuke se aproximou da mulher e tocou em sua barriga.
— Estarei melhor ainda quando ele nascer.
— É menina. – Revirou os olhos.
— Você não sabe ainda. – Riu.
Beijou a testa da Haruno e desceu novamente as escadas.
Sakura tocou sua testa e soltou um suspiro. Sentia-se mal por não retribuir os sentimentos do mais novo, mas não podia evitar gostar de ser tratada assim.
— Céus, como sou egoísta. – Riu sem humor.
Deu uma última olhada para Sarada antes de fechar a porta e saiu.
Estava pensando muito nisso nos últimos dias. Sasuke a cortejava, e ela gostava, mas não o amava.
Ao chegar ao andar de baixo, viu o Uchiha retirando os pratos da mesa. Também estava se tornando mais responsável.
Ora, ele é um homem muito bonito, bom em quase tudo o que faz, é atencioso com ela e com a filha, inteligente... Então por que não se permitir apaixonar? Já morava com ele mesmo, não tinha nada a perder.
— Sasuke. – Puxou um banquinho perto da bancada da cozinha e se sentou enquanto ele lavava a louça.
— Sim?
— Em um mês terei minha próxima consulta. – Respirou fundo e ele se virou para ela. – Quer ir comigo?
— Está se sentindo bem?
— Apenas rotina de pré-natal. Em dois meses poderei descobrir o sexo do bebê. – Alisou sua barriga. – Ou melhor, confirmar, porque eu já sei que é menina.
— Ora, por que não vamos hoje ou semana que vem? – Indagou. – Sei que precisa ter no mínimo quatro meses para saber, mas podemos ir ao menos para ouvir o coração de novo, ou somente ver. – Sorriu minimamente. – Eu quero muito isso, já que não pude ir da última vez.
Não pôde estar com ela quando Sarada nasceu, mas desta vez seria diferente, queria estar presente em todas as consultas. Não queria perder mais nada.
— Certo. – Retribuiu. – Vou agendar um dia.
— Obrigado. – Deu a volta na bancada e se sentou perto da rosada. – Sakura, estive pensando nisso há algum tempo, desde minha conversa com meu pai biológico... – Mordeu o lábio inferior um pouco nervoso. – E os seus pais?
— O que tem eles? – Seu semblante se tornou mais sério.
— Na certidão de Sarada tem o meu nome e o dos meus pais, mas não tem os seus... – Foi interrompido.
— Sasuke, não vou colocar o nome deles na certidão do meu bebê. – Franziu o cenho irritada. – Eles nem devem saber que eu ainda existo.
— Sakura, eles precisam saber. – Segurou as mãos da mulher.
— Saber o quê? Que eu engravidei de novo do mesmo garoto que me abandonou na adolescência? – Percebendo o que havia dito e que isto magoou o moreno, diminuiu o tom da voz. – Desculpa. – Suspirou. – Mas eu não vou dizer nada a eles.
— Sakura, acima de tudo, eles são os seus pais.
— Ah, são? – Perguntou com sarcasmo. – Se eles não tivessem me abandonado, eu não teria que comer o pão que o diabo amassou! Não seria prostituta, talvez teria me casado por amor e não por interesse, não teria tentado me matar, não teria tentado te matar, não teria que escutar as merdas que Fugaku disse para mim...
— Minha família também tem culpa. – A interrompeu. – Sakura, seus pais terem te abandonado ou não, não impediria o sequestro da Sarada.
— Impediria. – Replicou. – Porque aquele velho sabe que fiquei vulnerável ao descobrir que fui expulsa de casa e passei a morar numa pousada! Se não tivessem me abandonado, não teria a Sarada tirada de mim!
— Como pode ter tanta certeza disso?
— Sasuke, a única pessoa que eu contei na vida quando seria o nascimento da minha filha foi para a dona daquela pousada! – Rebateu. – Então foi culpa dos meus pais sim!
— Eu entendo que você esteja chateada com eles. – Respirou fundo. – Mas não deveria dar uma segunda chance?
— Você daria uma segunda chance para Fugaku, Sasuke?
— O meu caso é diferente.
— “O meu caso é diferente”. – Falou imitando a voz do moreno com ironia. – É fácil falar e dar conselhos para os outros, né? Mas olhar para o próprio umbigo ninguém quer.
A Haruno se levantou com muita raiva, mas ele a segurou no braço.
— Ainda não terminamos.
— Eu terminei. – Desvencilhou-se. – Este assunto acaba aqui.
— Sakura, me escuta!
— Sasuke, não! – Gritou. – Eu não quero mais vê-los! Nunca mais! O que eles fizeram comigo não tem perdão!
— Eles podem estar sofrendo, entenda isso. – Replicou ainda mantendo a calma. – Quando estudava com você, sempre me dizia o quão legais eles eram, contava suas viagens juntos, os momentos que passaram... Eu acho normal que um pai fique irado com o filho quando fazem alguma besteira e acabam falando o que não deviam. Minha mãe ficou decepcionada comigo quando disse que havia engravidado uma adolescente. Mas quando voltei para a Rússia, ela me recebeu com carinho e morria de saudades de mim. – Respirou fundo. – Seus pais cometeram um erro e isso acabou lhe trazendo muitos problemas, mas eles podem estar arrependidos. Você os amava muito e eles também te amavam. Não é possível que não tenha sobrado nada.
— Eu nunca irei perdoá-los! Nunca! – Sua voz começou a ficar embargada.
— Isso a gente resolve com o tempo. – Segurou no rosto da mulher. – Precisa esclarecer as coisas entre vocês. Não os julgue assim, eles podem ter mudado.
— Eu fui largada, Sasuke. – Lágrimas escorreram pelo seu rosto e passaram pelas mãos do Uchiha. – Eu só tinha eles na minha vida depois que você sumiu. Sabia que podia contar com eles porque eram meus pais, mas eles me xingaram, me expulsaram e disseram que não sou filha deles. Tudo por causa de religião! E por causa deles, até hoje me pergunto se algum dia alguém me amou! – Fungou. – Acha que a única vez que tentei me matar foi quando Sarada me rejeitou? Não, tentei tantas que perdi a conta. E tudo o que me impedia de fazê-lo era porque desejava ver você morto depois de me abandonar!
Sasuke abraçou a mulher chorosa e sentiu seu peito doer. Havia causado dor numa pessoa que muito ama, e isso gerou muitos traumas para ela.
— Desculpa. – Pediu sinceramente. – Eu sinto muito.
Agarrou a blusa do moreno e afundou o rosto em seu peito. Andava mais sentimental nas últimas semanas, seriam os hormônios?
Havia perdoado Sasuke há tempos, mas isso apenas quando escutou a história da boca dele.
— “O lobo sempre será o vilão na versão da Chapeuzinho”. – Repetiu uma velha frase e se afastou dele após se acalmar. – Falarei com eles.
Sasuke abriu um sorriso mínimo. Sabia que ela só iria fazer isto por causa dele, não por ela. Por mais que doesse, ela se arriscaria.
— Obrigado. – Disse num tom baixo, mas audível.
— Mas será apenas para registrar o nome deles, nada além disso! – Deixou claro.
— É suficiente.
[...]
Toská, Rússia
08 de junho de 2016
05:20 P.M.
Era quarta-feira e Sakura se encontrava ansiosa, nervosa, e com receio de reencontrar os pais.
Estava torcendo para que eles tivessem se mudado, afinal, passaram-se dezenove anos. Mas não, eles ainda estavam na mesma casa.
— Eles não estão em casa. – Disse assim que Sasuke destravou seu Audi S8.
— Sakura, por favor. – Repreendeu a rosada. – O carro deles está na garagem.
— Meus pais não tinham um Jetta. Não são eles quem está morando aí.
— Sakura, em 97 ainda não tinha montadoras estrangeiras na Rússia. – Revirou os olhos. – Caso tenha esquecido, já se passaram dezenove anos.
A Haruno cedeu e saiu do carro com sua bolsa da Louis Vuitton.
— Não vai comigo? – Perguntou receosa pelo vidro do carro.
— Ei, relaxa. – Pegou no queixo dela. – Não quero atrapalhar o momento de vocês. Vou esperar aqui fora.
— Tá. – Suspirou. Não iria insistir.
Virou-se para a casa de número 256 e caminhou até a porta. Havia procurado por eles nas redes sociais e as fotos mais recentes eram nesta casa. Não haviam mudado apesar dos 19 anos.
Levou sua mão até a campainha e deu meia volta. Sasuke a repreendeu de longe com o olhar e ela bufou.
Ora, não tinha culpa. Estava nervosa. Nem queria estar ali.
Olhou para cima na esperança de acontecer qualquer coisa que a impedisse de falar com eles.
Sasuke deu uma buzinada de leve e gesticulou dizendo “anda logo!”.
Revirou os olhos e tocou a campainha. Suas mãos estavam suando, tremia e sentia um calafrio percorrer sua coluna.
Deu umas batidinhas de leve no rosto e a porta fora aberta.
Dela saiu uma senhora com cabelos claros com poucos fios loiros, estava um pouco acima do peso e apesar da idade, 66 anos, aparentava ter um pouco menos. Era sua mãe, Mebuki Haruno.
A idosa olhou sua filha de cima embaixo e não a reconheceu.
— Pois não? – Indagou. – É uma vizinha nova?
— Não, vim visitar você e seu esposo. – Falou num fio de voz, estava nervosa.
— Visitar? – Estranhou.
— Quem está aí? – Kizashi, pai da Sakura, apareceu.
Estava com 68 anos, mas aparentava ter mais devido a um problema pulmonar que teve. O cabelo antes castanho agora era cinza e ralo, usava uma muleta para manter-se em pé e estava com uns óculos.
— Querido, não fique andando à toa. – A matriarca o repreendeu.
— Ora, Mebuki, eu já estou melhor há anos. – Rebateu. – Quem é esta moça?
— Gostaria de falar com vocês em privado, mãe, pai. – Disse por fim.
Fechou os olhos. Estava crente de que eles iriam odiá-la, mas no fundo queria ser aceita. Por mais que tenha doído, e ela nunca os perdoaria, queria que ao menos tivessem se arrependido.
Só queria ter a certeza de que aquele amor que recebeu deles na infância não foi uma mentira.
— Sakura? – A mãe a olhou surpresa de cima a baixo novamente.
— Sou eu. – Respondeu com voz mansa.
Kizashi piscou freneticamente e ficou tonto, quando as duas mulheres perceberam foram acudi-lo.
O levaram até o sofá e Mebuki foi pegar água.
— Pai, o senhor está bem? – Perguntou após sentar-se num pufe ali presente.
— Aqui, beba. – A outra retornou com um copo em suas mãos.
Após ingerir, o homem tocou no rosto de sua filha. Era como se quisesse relembrar os traços dela.
— É você mesmo? – Sua voz era trêmula. – Ainda está viva?
A Haruno sorriu minimamente e respirou fundo antes de assentir. Então eles realmente pensaram que ela estava morta.
A senhora fechou a porta depois de ver um Audi estacionado em frente a sua casa.
— Aquele carro é seu? – Perguntou enquanto se sentava ao lado do marido.
— É. – Bom, ela morava com Sasuke, então pertence a ela também, certo?
Percebeu que sua mãe a tratava com certa frieza, mas relevou.
— Onde você estava este tempo todo depois de nos roubar? – Franziu o cenho.
Engoliu em seco. Para viajar para a Holanda, Sakura teve de roubar dinheiro dos pais, não lhe admirava que sua mãe ainda se lembrasse.
— Fui para a Holanda recomeçar minha vida. – Disse em tom baixo, estava mais nervosa do que quando Fugaku apontou uma arma contra si.
— Holanda? – Kizashi franziu o cenho.
— Depois do que aconteceu... – Gesticulou querendo se referir à gravidez aos quatorze. – Passei a morar numa pousada até o nascimento da criança. – Travou o maxilar. – Provavelmente ficaram sabendo que ela foi sequestrada.
— Sim, lemos nos jornais. – Afirmou o pai.
— Ela foi dada como morta, e como eu não tinha lugar nenhum para ficar. Fugi para outro país, a fim de esquecer tudo e de todos.
— E por que voltou? – Sua mãe perguntou após um suspiro. – Veio nos roubar de novo? Somos velhos.
— Mebuki. – Seu esposo a repreendeu.
— Sobre isso... – Passou a mão por entre os cabelos. – Não me arrependo, afinal, foi o que salvou minha vida.
— “Salvou a sua vida”? – A mais velha perguntou com sarcasmo.
— Vocês me abandonaram, não neguem isso. – Ergueu sua cabeça, não iria rebaixar-se. – Quando mais precisei de vocês, me deram as costas.
— Você envergonhou nossa família, Sakura. – Kizashi disse com calma. – Você se envolveu sexualmente fora de um casamento e nem sabia quem era o pai. Sabe quanto abominamos a prostituição.
— E foi esta “abominação” que me ajudou mais do que vocês. – Rebateu.
— Nem tudo o que nos faz feliz é o certo. – Treplicou. – Diga-me quanto tempo isto te salvou.
— Eu conhecia o pai da minha filha. – Olhou para o homem. – Mas ele acabou sendo exilado pelos pais, então pensei que tivesse me abandonado. Eu só tinha vocês e ainda assim me negaram. Não tinha lugar para ficar, então passei a morar numa pousada até o nascimento do bebê. – Riu sem humor. – Mas ela foi tomada de mim, estava tudo sendo uma merda. Roubei vocês e fui para a Holanda. – Umedeceu os lábios e respirou fundo. – Para me sustentar, tive que me prostituir.
Sakura percebeu o olhar de desgosto dos pais. Eles sempre condenavam tal imoralidade.
— Foram os piores anos da minha vida, mas graças a isso, pude me casar com um bom marido, embora corrupto.
— Casou-se com um político? – Mebuki arregalou seus olhos verdes e a mais nova assentiu.
— Não tive filhos e ele acabou falecendo.
— Isso significa que a herança ficou para você. – Deduziu seu pai.
— Sim.
Os pais se entreolharam e viraram-se para ela.
— Você está melhor? – Mebuki pegou na mão da filha. A rosada estranho o contato, mas não afastou. – Quando chegou da Holanda? Veio disfarçada? – Apontou para os cabelos se referindo à cor deles.
— Há uns quatro meses. E meu cabelo é assim porque eu gosto da cor. – Desviou o olhar para algum canto da casa. – Vim encontrar o homem que me “abandonou”. – Fez sinal de aspas com os dedos.
— Você disse que o conhecia, quem é? E por que não disse nada? – Perguntou seu pai.
— Eu estava assustada e com medo de que fizessem algo contra ele, éramos bons amigos. – Respirou fundo. – O nome dele é Sasuke Uchiha e...
— Uchiha? – Sua mãe lhe interrompeu incrédula. – Filha, ele é pai de uma garota de dezoito anos, li isso recentemente nos jornais, ela não seria sua...
— Sim. – Agora a Haruno lhe interrompeu. – Sarada Uchiha, minha filha e do Sasuke está viva.
— Como isso é possível? – Kizashi murmurou ainda impressionado.
— Fiquei sabendo que esta notícia será divulgada depois de aprovada. – Colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha. – Mas no geral, descobriram que eu estava grávida de um Uchiha e sequestraram minha filha com o objetivo de extorsão. Eles pagaram, mas quando tentaram entrar em contato comigo, já havia viajado.
— Então você descobriu há pouco tempo que ela é sua filha? – Indagou o grisalho.
— Sim, e descobri que o Uchiha também não estava sabendo, foi privado de tudo.
Sakura ainda não gostava da história falsa. Queria que os familiares de Sasuke pagassem pelo o que fizeram com ela, mas Sarada também sairia no prejuízo. Somente por amor à filha, aprovou a ideia.
— Você o perdoou? – Disse sua mãe se afastando.
— Sim, ele era inocente nesta história. – Sorriu minimamente. – Estamos morando juntos por enquanto.
— Sério? – Mebuki sorriu. – Então está em um lugar seguro.
“Uma ova”, pensou. Afinal, Fugaku não lhe dava paz.
A mulher permaneceu calada. Não havia mais nada a dizer senão o pedido do nome deles na certidão de nascimento do futuro bebê. Mas não sabia como entrar no assunto.
Sua garganta formou um nó, se sentiu uma criança. Não queria estar ali.
Olhou para a porta na expectativa de que Sasuke entrasse e a ajudasse. Mas nada.
— Filha. – Sua mãe chamou sua atenção. – Nós ainda estamos muito bravos por você ter se envolvido com alguém antes de se casar, não havia motivos para você ter feito isso. Por que se envolveu com os prazeres da carne?
Sakura, ao lado dos pais, sempre foi uma garota feliz, não precisava de sexo para isso. Mas também era muito curiosa nesses assuntos. Pensou que se fosse apenas uma vez, não teria problema. Mas Sasuke não somente lhe deu prazer, como também lhe deu uma amizade e um conforto sem igual. O desapego era difícil.
— Curiosidade apenas. – Deu de ombros.
— Mas nós também erramos. – Kizashi se pronunciou antes que sua esposa dissesse algo de errado. – Por nossa culpa, você se sentiu abandonada e teve que fugir para longe. Sentimos muito mesmo.
— Estávamos muito irritados, mas isto não justifica. – Mebuki abaixou sua cabeça. – Pedimos perdão, você não precisa aceitar, mas entenda o nosso lado também como pais.
— Entender? – Riu irônica. – Vocês tentaram entender meu lado naquela época?
— Sakura, você também é mãe. – Repreendeu seu pai. – Nenhum pai quer ver seu filho se desviando do caminho que ensinou. Ficamos desapontados, erramos, mas você também errou. – Respirou fundo. – Não sabe o quanto foi difícil para nós dois quando nos demos conta da nossa besteira.
— Nós te amamos, querida. – A idosa abraçou sua filha com os olhos lacrimejando. – Desculpa por tudo, sinto muito pelo o que você passou. Nem imagino a sua dor.
Sakura travou o maxilar e franziu o cenho. Queria chorar. Recuperaria o amor que perdeu?
Ainda não havia os perdoado, e não o faria tão cedo. Mas foi um grande alívio saber que o amor que recebia deles não foi uma ilusão.
Mebuki se afastou sorrindo, seu rosto já estava seco e a Haruno estranhou.
— Quer dizer que você está namorando um Uchiha? – Indagou feliz.
— Não exatamente, estamos juntos por causa de nossa filha. – Franziu o cenho.
— Mas ele é um homem rico, por que não se casam? – Perguntou Kizashi. – Pensão não será mais um problema.
— Dinheiro não é necessário. – Deu de ombros. – Meu marido era rico e a herança veio para mim.
— Mas o Uchiha é pai da sua filha, faria mais sentido se ficassem juntos. – Insistiu a idosa.
— Ainda estou de luto pelo meu marido. – Mentiu. Queria falar logo o que veio falar e ir embora, não estava confortável ali.
— Claro, entendemos. – O homem falou um pouco chateado.
— Vamos direto ao assunto. Não vim aqui para contar o que aconteceu comigo e nem saber a opinião de vocês. – Seu tom era frio. – Vim falar sobre minha filha.
— Ela está doente? – Perguntou a mulher. – Não temos dinheiro para...
— Ela não está doente. – Interrompeu. – E mesmo que estivesse, não preciso do dinheiro de vocês.
— É verdade, você é rica. – Lembrou Kizashi sorrindo. – Então o que aconteceu com ela?
— Estou falando da minha outra filha. – Os pais a olharam confusos.
A rosada pegou sua bolsa e retirou dela um envelope. Entregou a eles. Era o último exame, com imagens da ultrassonografia.
— Estou grávida de novo do Uchiha. – Disse por fim.
Os adultos olharam para o papel, mas nem se atentaram muito a isso.
— “Sakura Van der Bilt”? – O Haruno falou impressionado. – Você era casada com um dos homens mais ricos da Holanda?
— Ouviram o que eu disse? – Perguntou um pouco irritada. Queria acabar logo com isso.
— Grávida? Sakura, isso é maravilhoso! – Mebuki falou emocionada.
— Ah, sério? – Perguntou sarcástica. – Pensei que abominassem relações fora do casamento.
— M-Mas um filho é sempre uma bênção. – Tentou contornar Kizashi.
— Não foi o que me pareceu há 19 anos.
— Enfim... – A Haruno mais velha cortou meio sem graça. – Por que resolveu nos dizer isso?
— Sasuke me sugeriu que colocasse o nome de vocês na certidão de nascimento do meu bebê, já que a Sarada não tem. – Deu de ombros.
— Claro que aceitamos! – O homem sorriu. – Queremos muito conhecer a sua família e estar perto dela.
— Ótimo. – Se levantou após pegar o papel e colocá-lo de novo no envelope. – Quando estiver para nascer, entro em contato.
— Por quê? – Perguntou a mais velha. – Somos uma família agora, temos que ficar juntos.
— Queremos conhecer o rapaz.
— Não acho que será uma boa ideia. – Tentou contornar.
Os pais a seguiram até a porta e Mebuki lhe impediu de sair.
— Sakura, ele é um homem milionário... Não poderia pedir a ele que...
— Eu sabia. – Desvencilhou-se com desprezo. – Essa falsa emoção de vocês era tudo por causa do dinheiro.
— Cla-Claro que não! – Kizashi gaguejou. – É só que eu sou um homem doente e não tenho dinheiro suficiente para meu tratamento.
— Vocês dois são doentes! – Abriu a porta irritada. – Não precisam mais dar o nome de vocês!
— Sakura, não seja mimada! – Rebateu sua mãe.
— Mimada? – Riu em escárnio. – Eu venho até aqui esclarecer tudo o que aconteceu, queria saber o lado de vocês, queria saber o porquê de terem me odiado tanto, e então percebo que era tudo fachada e interesse!
Sakura ia em direção ao carro, mas seus pais permaneceram na porta, irritados.
— O seu pai vai morrer se não ajudar! – Bradou a mulher.
— Pois que morra! Você e ele! – Replicou furiosa. – Vocês não se importam comigo, nunca se importaram! Por que eu deveria?
O Uchiha franziu o cenho diante da situação, estava preparado para sair do carro, mas viu que a rosada entrou antes, batendo a porta com violência.
— Vamos embora! – Ordenou ao moreno.
Sem contestar, Sasuke deu partida. Sakura tremia de puro ódio, estava chorando de irritação.
Colocou sua mão sobre a dela, a qual retirou rapidamente.
— Sakura... – Tentou dizer algo, mas foi interrompido.
— Eu disse que não era uma boa ideia! – Bradou. – Mas parece que você não me escuta! Não pode ter um momento de paz que você logo arruma algum problema!
— Achei que seria uma boa.
— Adivinha só, não foi! – Replicou chorosa.
— Não queria que fosse assim. – Disse com voz mansa. – Sinto muito.
Sasuke sentia uma dor no coração por ver a Haruno chorar por algo que foi culpa dele. Não sabia mais o que dizer, e sentia que se o fizesse apenas pioraria a situação.
Por outro lado, Sakura sabia que não seria aceita novamente pelos pais, mas no fundo tinha esperanças. Por mais que ela não fosse perdoá-los, queria acreditar que a sua infância não foi uma mentira, que em algum momento foi amada. Agora já não tinha certeza de mais nada.
Ambos ficaram em silêncio no trajeto da casa dos pais de Sakura até a casa do Uchiha.
O moreno queria conversar, mas, na situação que a Haruno estava ali naquele momento, ele sabia que não teria conversa. Ela estava realmente chateada e ele não podia deixar de se culpar por isso.
Desceu do carro furiosa, entrou em casa e subiu as escadas rapidamente para o quarto. Sasuke estava sem reação e se sentia de mãos atadas.
— O que foi isso? – Sarada, que passava pela sala no momento em que os pais chegaram, perguntou quando viu a forma com que Sakura entrou e subiu as escadas. – Você fez alguma merda pra magoá-la, Sasuke? – Virou-se para o Uchiha. – Ai de você se alguma coisa acontecer com a minha irmãzinha por causa disso.
— Eu não fiz nada, Sarada! – Respondeu após deixar suas chaves e sua carteira no móvel de vidro da sala. – Sakura foi conversar com os pais para que o bebê tenha o nome dos avós maternos na certidão. – Suspirou. – Mas as coisas pelo visto não foram muito boas.
— Claro que não foram, afinal ela foi expulsa de casa por eles quando estava grávida de mim. – Respondeu. – Com certeza rolou uma briga.
— Sakura guarda tanta mágoa deles e eu ainda insisti pra que ela fosse lá. – Falou com pesar, sentindo-se culpado por Sakura ter ficado triste após a conversa com os pais. – Eu só faço cagada mesmo!
— Nisso nós temos que concordar, Sasuke. – Falou de uma forma descontraída e Sasuke apenas revirou os olhos. Não queria iniciar uma discussão ridícula com Sarada. – Então... Vou falar com a Sakura pra ver se está tudo bem.
Sasuke assentiu. Talvez ela ouvisse a filha, talvez desabafasse com ela.
A morena parou de frente para a porta do quarto de hóspedes que agora era o quarto de sua mãe, então bateu na porta, mas ninguém respondeu. Bateu de novo, mas nada.
— Sakura? – Disse a menina. – Ei, sou eu. Abre aqui, vai...
— Sarada, por favor, eu preciso de um tempo sozinha. – Pela voz, não havia dúvidas de que a rosada estava chorando.
Preocupada com o estado emocional da mãe que já havia inclusive tentado suicídio, Sarada girou a maçaneta da porta, mas estava trancada.
— Poxa, por favor... – Insistiu. – Tô preocupada contigo.
— Eu só quero um tempo sozinha, só isso... – Fungou. – Por favor...
Sarada se deu por vencida. Não adiantaria insistir, ainda mais porque a porta estava trancada.
A menina foi para o seu quarto, pois precisava estudar bastante se quisesse entrar numa Universidade. Contudo, só conseguia pensar em sua mãe. Sakura estava sofrendo demais, com certeza teve uma briga horrorosa com os pais.
Sasuke se sentia mal, afinal, se ele não tivesse insistido para Sakura ir falar com os pais, a rosada não estaria em prantos naquele momento. A culpa foi toda dele!
O moreno também insistiu para que ela abrisse a porta do quarto, mas obteve o mesmo insucesso que sua filha. Pensou até mesmo em arrombar a porta, mas precisava concordar que a Haruno merecia um tempo sozinha para esfriar a cabeça e pôr as ideias no lugar.
Só rezava para que ela não fizesse nenhuma loucura.
Após um tempo, Sarada desceu para fazer um lanche na cozinha, foi quando, ao passar pela sala, se deparou com Sakura ali. Isso não seria um problema se a Haruno não estivesse bebendo.
Ela estava parada próxima à mesa de centro, onde estava uma das garrafas de vinho da pequena adega que tinham em casa da qual, Sarada notou, estava faltando quase metade do conteúdo.
— Sakura! – Sarada correu até sua mãe e arregalou os olhos ao ver que ela estava com uma taça de vinho vazia na mão. – Sakura, você é louca?
— O que foi? – Franziu o cenho e olhou indignada para a primogênita. Seus olhos estavam inchados, Sakura chorou muito. – Eu estou precisando disso!
— Não, você não está! – A adolescente bateu na mão da Haruno, derrubando e quebrando a taça. – Isso é a última coisa que você precisa nesse momento.
— Por que você fez isso, Sarada? – Indagou furiosa.
— Porque você está grávida, sua louca! – Sarada também aumentou seu tom de voz e Sakura se acalmou. A rosada havia até se esquecido de que não podia beber.
Sasuke havia aparecido no alto da escada, ao ouvir o barulho de cristal quebrando e os gritos das duas, mas ao perceber do que se tratava, voltou. Se aparecesse na frente de Sakura, iria piorar a situação, os dois iriam brigar e não queria mais brigar com a rosada. Era o culpado de ela estar chorando naquele momento. Esperava que Sarada conseguisse acalmar a mais velha.
— É verdade... – Suspirou com pesar e levou ambas as mãos até a testa. – Merda... – Murmurou.
— Tá mais calma? – Indagou a menina.
— Não... – Admitiu. – Mas tô tentando.
— O que aconteceu hoje, Sakura?
— O que aconteceu foi que eu descobri que a minha vida inteira foi uma grande merda! – Falou enquanto se sentava no sofá da sala, ainda abalada e furiosa pelo reencontro com os pais. – Meus pais me odeiam!
— Mesmo depois de tanto tempo eles ainda guardam mágoa de você? – Sarada se sentou ao lado da mãe.
— Ah, claro que não. – Respondeu ironicamente. – Eles ficaram super felizes quando souberam que eu fui a única herdeira de um dos homens mais ricos da Holanda, e mais felizes ainda quando disse que eu estou morando com o pai dos meus filhos e que ainda por cima ele é milionário! – Bufou. – Interesseiros, é isso que eles são.
— Sakura, eu não consigo acreditar nisso... – Sarada ficou boquiaberta. – Foram dezenove anos longe dos seus pais... Mesmo que eles tenham errado em não te apoiar, mas podem ter se arrependido.
— O cacete! – Exclamou. – Se eu estivesse pobre, morando com um homem pobre, eles teriam me enxotado pra fora daquela casa! Eu mostrei meu exame de gravidez e sabe no que eles repararam? – Riu em escárnio. – No meu sobrenome, Van Der Bilt... Grande merda!
— Sakura, se acalma.
— Meus pais sempre foram muito apegados à religião e aos princípios bíblicos... Pra eles, sexo é só depois do casamento. Naquela época eles disseram que eu os envergonhava e me expulsaram de casa, me chamaram de prostituta por eu ter me relacionado com um colega de classe antes de me casar. – Revirou os olhos. – Hoje só faltaram pular de alegria quando eu disse que esperava outra criança do Sasuke. – Bufou. – E daí que nós não somos casados, eu estou morando na casa dele e fiquei grávida novamente? – Questionou retoricamente. – Por que se importar com princípios quando se tem dinheiro?
— Sinto dizer, mas seus pais não prestam. – Sarada estava furiosa depois do que acabara de ouvir. Depois dessa, perdeu qualquer vontade que tinha de conhecer seus avós maternos.
— Obrigada pela sinceridade, mas agora isso não é uma surpresa. – Riu sem humor. – Tenho certeza de que se eu tivesse dito naquela época quem era o garoto que tinha me engravidado, ah, com certeza tudo teria sido bem diferente.
— Eles não sabiam sobre o Sasuke?
— Sasuke tinha sumido, que diferença ia fazer? – Deu de ombros. – Eu tinha medo de contar. Disse apenas que era um colega de classe e eles disseram que eu não sabia nem quem era o pai do meu filho.
— Sakura, esquece seus pais... – Falou com a voz mansa. – Ficar pensando neles agora não vai adiantar de nada.
— Sabe, até os meus quatorze anos... Até eu contar pra eles que estava grávida, tudo era muito diferente... – Sorriu bobamente enquanto lágrimas brotavam em seus olhos. – Eles eram pais extremamente amorosos, carinhosos... Eu era realmente amada. Mas parece que tudo foi uma ilusão, entende? Meus pais não me amam, eu fui apenas iludida.
— Mas nós te amamos, Sakura. – Sarada sorriu de canto, o sorriso idêntico ao do pai. – Você já é parte da nossa família e essa casa não seria mais a mesma sem você.
— Você diz isso da boca pra fora. – Falou com indiferença, enxugando as lágrimas que escorriam em sua face.
Sakura se sentia desacreditada em qualquer chance que tivesse de ser amada depois da conversa com os pais. Se os próprios pais não a amavam, por que teria o amor de sua filha que passou dezoito anos acreditando que havia sido abandonada por si?
— Não é, Sakura. – Insistiu. – Nós gostamos muito de você, Sasuke e eu, de verdade. Você pode não ser querida pelos seus pais, o que é uma pena, mas é querida aqui nessa casa.
Deveria acreditar? Estava confusa, mas a sinceridade na voz de Sarada era perceptível. Queria acreditar... Acreditava, mas ainda tinha medo.
— Isso me conforta... – Falou sinceramente. – Eu te amo muito, Sarada, muito mesmo. Você e sua irmãzinha que vai nascer.
— E o Sasuke? – Indagou curiosa. – Você o ama, não é?
— Eu gosto muito do Sasuke, mas... – Mordeu o lábio inferior. – É diferente. É difícil, complicado.
— O que é complicado, Sakura?
— Já falamos sobre isso, Sarada... No fundo eu tenho medo, embora não tenha dúvidas dos sentimentos do seu pai mesmo que ele não tenha dito nada. – Admitiu. – Sei que estaremos ligados um ao outro pelo resto da vida, pois temos filhos juntos, mas... – Suspirou pesadamente. – E se ele enjoar de mim? E se me trair como meu marido fazia? Sasuke é um cafajeste nato...
— As pessoas mudam. – Disse a adolescente. – Qual é, Sakura? Vocês tiveram um caso na adolescência, eram amigos e tiveram um caso... Você com certeza tinha outros amigos e Sasuke com certeza tinha outras amigas, então por que escolheram um ao outro? Devia rolar uma química, sei lá...
— Sarada... – Sakura não conteve um sorriso. – Mais virgindades foram perdidas pela curiosidade do que pelo amor. Foi o nosso caso. – Deu de ombros. – Éramos duas crianças, o que sabíamos sobre sentimentos?
— Não sabiam, mas aqui estão, morando na mesma casa e aguardando mais uma criança. – Argumentou. – Você pode chamar de coincidência, mas eu chamo de destino! Você ama o Sasuke, mas não consegue ver isso porque a insegurança está vendando seus olhos. Só precisa de um empurrãozinho, Sakura...
— A senhorita anda vendo muito filmes de romance... – Deu um apertão de leve no nariz da mais nova.
— Credo, odeio esses filmes. – Falou enojada. – Mas eu tenho certeza de que você está na ponta do fio vermelho do Sasuke e ele está na ponta do seu!
— Fio vermelho? – Contorceu o rosto em total confusão. – Que fio é esse, menina?
— Akai Ito. – Respondeu. – Uma lenda japonesa que diz que, quando nascemos, somos ligados a nossa alma gêmea por um fio vermelho.
— É uma história muito bonita, mas não creio que seja verdade.
— É um fio invisível. As pessoas têm a mania de acreditar só no que os olhos podem ver. – Suspirou. – Muitas não acreditam mais no amor, você é uma delas.
— Eu não sei se deveria. – Admitiu cabisbaixa. – Tenho medo de não conseguir correspondê-lo como ele merece... – Levantou o olhar e encarou a filha. – Nem mesmo meus pais me amam como eu pensei que amavam, por que eu deveria confiar no amor de um homem?
— Você não pode desacreditar no amor só porque alguém não soube amá-la. Pensa bem, você pode estar jogando pela janela a chance de ser feliz. O Sasuke te ama e as pessoas costumam lutar por aquilo que amam, mas ninguém insiste pelo resto da vida. Se você não arriscar, nunca vai saber como poderiam ter sido felizes, como poderiam ter se amado...
— E se eu me machucar? – Perguntou com lágrimas nos olhos. – E se eu acabar despedaçada novamente?
— A gente junta os caquinhos um por um.
Sakura viu em Sarada não somente sua filha, como também uma amiga e confidente.
— Obrigada. – Emocionada, Sakura abraçou a menor. – Eu prometo que eu vou tentar dar uma chance para o Sasuke... Eu vou tentar.
— Já é um começo... – Desprendeu-se do abraço da rosada e a olhou nos olhos após enxugar as lágrimas que caíam pelo seu rosto. – Agora, por favor, não chore mais.
— Não dá. – Sakura deitou-se, colocando sua cabeça sobre as pernas da filha. – Eu só consigo pensar nesse encontro que tive com meus pais. Foi decepcionante. Eu preferia nunca mais vê-los, deveria não ter dado ouvidos ao Sasuke. No fundo, bem lá no fundo mesmo, eu sentia que isso tudo não ia dar em boa coisa.
— Então vou mudar meu conselho. – Sarada falou pensativa enquanto brincava com os cabelos rosados de sua progenitora. – Chora. Chora mesmo... Alivia. – Sorriu de canto. – Às vezes faz bem chorar.
As duas ficaram em silêncio, Sarada não tinha muito que dizer, mas sabia que, muitas vezes, a única coisa que alivia uma dor profunda são as lágrimas. Ela passou por isso na pele quando a família de Boruto foi desintegrada por causa da sua.
Sakura logo cochilou no colo de Sarada e a Uchiha mais nova tinha medo até de se mexer. Não queria acordar sua mãe.
Olhou para o rosto adormecido da mulher após colocar uma mecha dos cabelos rosados atrás da orelha dela. Embora fosse extremamente parecida com seu pai, Sarada não podia negar que tinha os traços da Haruno. O formato dos olhos, das sobrancelhas e do rosto, e até mesmo a testa um pouco avantajada que Sarada sempre odiou por ter sido o motivo de alguns apelidos desagradáveis durante a sua infância. No entanto, a cor dos olhos e cabelos, os lábios e o nariz haviam sido herdados de seu pai. Ela era uma mistura perfeita de ambos os pais.
Sasuke apareceu na sala e viu as duas no sofá, Sakura dormindo e Sarada acariciando seus cabelos.
— Sara...
— Shiii! – A adolescente o interrompeu. – Não vê que ela está dormindo?
— Ela está melhor? – Falou mais baixo dessa vez, quase sussurrando.
— Ela ainda tá magoada e, em partes, a culpa disso é sua.
— Obrigado por me lembrar disso... – Ironizou. – Enfim... – Suspirou pesadamente e bagunçou os cabelos. – Ela não pode dormir desse jeito, vai acabar acordando com a coluna doendo.
— Alguém bem que poderia ser um cavalheiro e levar a Sakura lá pra cima... – A menina disse num tom sugestivo e Sasuke bufou.
— Indireta recebida com sucesso, Sarada. – Revirou os olhos. – Se você não sabe, eu já ia fazer isso.
— Ora, pois faça.
Sasuke tomou cuidado com os cacos de vidro no chão e se aproximou do sofá, então pegou em seus braços a rosada que sequer resmungou. Andava bastante dorminhoca por causa da gravidez, sem falar que seu sono estava mais pesado do que o normal.
Subiu as escadas com ela e resolveu não colocá-la no quarto de hóspedes, mas em seu próprio quarto. Sua cama king size era mais espaçosa e confortável do que a de casal do outro quarto, com certeza era melhor para a futura mamãe dormir.
— Você tá mudando por causa dela, né? – Sarada indagou quando, após deixar a rosada adormecida sobre a cama e cobri-la com um edredom não muito grosso, Sasuke apagou a luz e ambos saíram do quarto.
— Não somente por causa dela. – Admitiu o moreno. – Por você, pelo bebê que está por vir... Por mim mesmo.
Sarada sorriu ao notar que Sasuke não negava seus sentimentos para com a rosada.
— A Sakura ter aparecido realmente mudou nossas vidas de cabeça pra baixo, mas admito que foi bom. Mesmo com todos os acontecimentos, fico feliz que a minha mãe, mesmo que tenha demorado, apareceu.
— Eu também fico feliz. – Sasuke esboçou um sorriso bobo. – Se não bastasse ela ter feito de mim, de nós, pessoas melhores, ainda vai nos dar uma imensa alegria... Imagine só como vai estar essa casa daqui a uns três anos.
— Com uma menininha loirinha correndo pra todo lado. – A Uchiha falou sorridente.
— Loirinha? – Sasuke arqueou uma sobrancelha.
— Sim. – Assentiu. – A Haruka vai ser loira e vai ter os olhos verdes, como a Sakura.
— Também acho que a criança vai se parecer com ela, mas vai ser um menino.
— Você não perde por esperar... – Estreitou os olhos. – Minha intuição de irmã mais velha e a intuição de mãe da Sakura dizem que é uma menina e vai se chamar Haruka! É mais do que justo nomeá-la assim.
— Mas vai ser menino... – Provocou.
— Se... – Enfatizou. – Se for um menino, está decretado que vai se chamar Satoshi!
— Ora essa, você está decidindo os possíveis nomes do bebê assim do nada? – Cruzou os braços em frente ao corpo. – Vem cá, quem são os pais dessa relação?
— Satoshi lembra o meu nome, o seu e o da Sakura. – Argumentou. – É justo que o bebê não saia da família do "Sa". A não ser que seja menina, porque aí vai se chamar Haruka, e eu tenho certeza de que é menina, então não precisaremos usar o nome masculino que eu sugeri.
— Mereço... – Revirou os olhos.
— Agora eu vou estudar. – Suspirou e foi caminhando em direção ao seu quarto. – E cuide da Sakura quando ela acordar. Ela tá sensível, não esqueça.
Sasuke sabia disso perfeitamente. Não deixaria a rosada sozinha, nunca.
Mesmo tendo ficado longe dos pais por quase dezenove anos, mesmo com o ódio que passou a sentir deles depois de ter sido expulsa de casa, Sakura ainda sentia, lá no fundo, a falta daquele amor.
Ficou sozinha, perdeu tudo, passou a ser vendida como mercadoria e casou por interesse... Não havia dúvidas de que o amor na vida de Sakura simplesmente não existiu mais desde o momento em que ela revelou para seus pais que seria mãe aos quatorze anos.
Mas Sasuke estava disposto a compensar isso. Poderia dar à Sakura todo o amor do mundo. Não somente ele, mas Sarada e o bebê também.
Com certeza, dentro daquela casa, a Haruno estaria sempre rodeada de amor e carinho.
Abriu um pouquinho a porta do quarto, olhando com devoção para a rosada adormecida. Realmente estava profundamente apaixonado por ela, já não conseguia esconder ou mentir para si mesmo.
Sakura estava na outra ponta do seu fio vermelho, como Sarada disse.
— Tsc. – Revirou os olhos. – Que idiotice... – Falou para si mesmo após tal pensamento. Ora essa, desde quando um homem adulto acredita nessas lendas ridículas?
Virou as costas e foi para a sala, não tinha nada pra fazer e há tempos não fazia nada na Amaterasu, estava inativo. Agradecia por isso.
Não queria acordar Sakura, então tinha que abrir mão de assistir em seu quarto para assistir na sala. Não era tão confortável quanto, mas a sala de sua casa não tinha uma televisão à toa.
Passando completamente distraído pela sala, ainda por cima mexendo no celular, Sasuke, infelizmente, esqueceu-se dos cacos de cristal pelo chão e acabou pisando neles, o que resultou num belo machucado em seu pé.
— Argh! Cacete! – Gritou tão alto que até ele próprio se assustou. Andou com dificuldade até o sofá, agradecendo por ter machucado apenas um pé, e sentou no sofá. – Caralho, quem diabos quebrou essa taça e não apanhou os cacos? – Resmungou, olhando para o pé que sangrava um pouco. Pelo menos não foi um caco grande, caso contrário precisaria ir a um hospital.
— O que foi isso? – Sakura e Sarada disseram em uníssono, descendo juntas as escadas.
Mesmo o sono de Sakura estando bem pesado por conta da gravidez, Sasuke conseguiu acordá-la. Realmente gritou bem alto.
— Tem caco de vidro no chão, cuidado vocês duas. – Ele alertou, ainda fazendo careta por conta da dor.
— Ih, merda... – Sarada falou meio desconcertada sentando-se ao lado do pai no sofá, enquanto Sakura permaneceu de pé de frente para o Uchiha.
— Deixa eu ver isso aqui... – Sakura então analisou o ferimento no pé do moreno. – Relaxa, não foi profundo. Basta lavar bem e fazer um curativo.
— Tá doendo pra cacete! – Resmungou.
— Parece que nunca levou um tiro na vida. – Revirou os olhos verdes.
— Olha aqui, o fato de eu já ter levado tiros, e até mesmo facadas, durante a minha vida não diminui a minha sensibilidade à dor. – Rebateu. – Porra, isso me cortou.
— Só cortou, o vidro nem entrou no seu pé. – Sarada se manifestou. – Tá de boa, Sasuke.
— Vem cá, posso saber qual das duas quebrou a taça e por quê? – Perguntou impaciente o homem.
— A culpa foi minha, Sasuke. – Admitiu a adolescente. – Derrubei a taça da mão da Sakura ao invés de só tomar dela.
— Por que você fez isso? – Ele indagou desconfiado e a rosada mordeu o lábio inferior.
Havia visto as duas gritando após ouvir o som do vidro quebrando, mas não vira a rosada bebendo nem notara a garrafa de vinho sobre a mesa de centro.
— Eu estava bebendo... – A mulher admitiu envergonhada, olhando para a garrafa que ainda estava onde deixou.
Sasuke seguiu o olhar da mulher, logo percebeu que estava faltando quase metade do vinho. O moreno voltou seu olhar para a rosada com desapontamento.
— Porra, Sakura... – Falou chateado. – Você disse que sua gravidez é um pouco arriscada e ainda tem coragem de beber?
— Desculpa. – Disse ela. – Eu estava tão magoada que nem lembrei que estou grávida. – Admitiu. – Eu não faria isso em sã consciência.
— Então deixe sua consciência sempre ativa. – O homem falou sério e Sakura, mesmo se sentindo uma adolescente que levava bronca do pai, preferiu não responder para não se chatear mais. A última coisa que precisava era de uma briga com Sasuke. – Sua médica não iria gostar de saber disso. Eu não gostei de saber disso.
— Já que minha gravidez é arriscada, você deveria ter pensado no meu psicológico antes de sugerir que eu me encontrasse com os meus pais. – Ela até tentou se controlar, mas não conseguiu. Abaixar a cabeça nunca fez seu tipo, ainda mais para Sasuke. Ela não fazia isso na adolescência e não faria agora. – Não seja hipócrita, Sasuke!
— Eu já pedi desculpas... – Tentou manter-se calmo, pois não queria brigas. – Eu não tinha como imaginar que você ficaria abalada daquele jeito, mas você sabe que bebidas alcoólicas não fazem bem para o bebê!
— Eu já falei que não me lembrei de bebê algum quando fiz aquilo! – A mulher aumentou seu tom de voz. – Por que você é tão cabeça dura? Se você não tivesse insistido pra eu ir atrás dos meus pais, garanto que eu não teria bebido nada, tampouco você teria cortado o pé!
— Isso não vai levar ninguém a lugar nenhum... – Sasuke travou o maxilar, se controlando para não falar mais nada, e se levantou do sofá. – A melhor coisa que eu posso fazer agora é um curativo nesse pé.
O homem subiu as escadas com um pouco de dificuldade e foi para seu quarto. Só se jogou na cama, não via necessidade de fazer um curativo ali. Doía um pouco, mas não era nada insuportável e havia sido um corte um tanto quanto pequeno. Embora sangrasse, Sasuke sequer se deu ao trabalho de lavar.
Quando Sasuke saiu da sala, Sakura soltou um suspiro alto e sentou-se no sofá, levou as mãos até os cabelos e os bagunçou.
— Sabe aquela história de "Vou dar uma chance pro Sasuke"? – Sarada indagou como quem não quer nada. – Pois é, já começou com o pé esquerdo.
— Argh, ele é muito difícil! – Rosnou entredentes. – Não tenho culpa!
— Sakura, entenda o lado do Sasuke. – Tocou no ombro da mãe. – Ele tá preocupado com você e com o bebê.
— Não, ele não tá preocupado comigo! – Bufou. – Se o Sasuke se preocupasse comigo, ele não teria insistido pra eu ir falar com os meus pais. Se eu não estivesse grávida e quisesse beber até cair no chão, ele com certeza não estaria nem aí.
— Sakura, é óbvio que ele está preocupado com o bebê, que pai não estaria? – Indagou retoricamente. – Mas isso não significa que Sasuke não se preocupe com você. Ele ficou nervoso, mas quem não fica? Quem não ficaria numa situação dessas?
— Eu tenho que me acalmar. – Respirou fundo. – Às vezes eu sou explosiva demais.
— Nisso você e Sasuke combinam. – Falou divertida. – Acho que, se o Sasuke não tivesse colocado logo um ponto final naquela discussão, essa sala viraria o cenário de uma guerra.
— É, tenho que admitir que foi maduro da parte dele. – Suspirou. – E infantil da minha dizer aquelas coisas... – Abaixou o olhar. – Ele não insistiria pra eu falar com meus pais se soubesse do resultado.
— Relaxa. – Sarada sorriu de canto. – Sakura, todo mundo perde a cabeça de vez em quando. Também já tive várias discussões bestas com o Boruto e depois me dei conta do quanto fui infantil.
— Você amava mesmo aquele garoto, né? – A mulher questionou com um sorriso mínimo.
— Ainda amo. – Falou sem nem pensar duas vezes. – Mas a vida não segue o curso que nós queremos, ela tem vontade própria. – Riu sem humor.
— Eu que o diga...
— Pois é. – A menina esboçou um sorriso torto. – Quando eu conheci aquele bobalhão na detenção da escola, juro que jamais passou pela minha cabeça que em pouco tempo eu aprenderia a amá-lo... Tampouco passou pela minha cabeça que seríamos separados de uma forma tão cruel.
— São as consequências da vida, Sarada...
— Eu entendo isso. – Assentiu. – Mas os erros não foram somente meus. Tive minha parcela de culpa, mas não foi tão grande assim.
— Sei que você está falando do Sasuke. – Comentou a Haruno. – Mas você entende que, nessa história toda, muita coisa ruim que ele fez foi para proteger você? – A morena assentiu. – Também não engoli essa história, mas o que posso fazer?
— Vocês se sacrificaram por minha causa.
— E faríamos isso mil vezes com o maior prazer. – Respondeu com a voz doce. – Sasuke, mesmo que nunca tenha demonstrado muito, sempre amou você. Agora ele está mudando, quer demonstrar que se importa. Ele quer mostrar aquilo que sempre sentiu por você. E eu, bem, te amei desde que você ainda vivia dentro de mim e, mesmo quando pensei que você estivesse morta, nunca deixei de pensar em você. Nunca deixei de te amar, filha... – Ela fez um carinho delicado no rosto da menina que corou levemente. – Nunca duvide do amor incondicional que seu pai e eu sentimos por você. Nunca duvide do que somos capazes... Mataríamos e morreríamos por você, Sarada.
— Bem... – A Uchiha ficou um pouco desconcertada e ajeitou os óculos de armação vermelha. – Acho que você deve desculpas para alguém.
— É verdade. – Sakura soltou um suspiro alto antes de se levantar. – Falei demais, não é? – Sarada assentiu. – Eu vou falar com o Sasuke.
A rosada subiu as escadas e foi até o quarto do Uchiha, abriu a porta lentamente e entrou no local, onde Sasuke estava deitado na cama enquanto assistia a um filme qualquer.
Aproximou-se em silêncio e olhou para o pé machucado do moreno. Sasuke permaneceu com os olhos fixos na televisão, como se Sakura não estivesse ali.
— Precisa lavar. – Disse.
— Hum? – Ele sequer olhou para a mulher. Permanecia indiferente.
— Eu disse que precisa lavar o machucado. – Falou mais alto.
— Aham...
— Não seja criança! – Bufou irritada, mas depois tratou de se controlar. Estava ali pra se desculpar, não para brigar mais ainda com o moreno que até então estava sendo tão bom pra ela. – Perdão... – Bufou. – É que às vezes você me irrita, caramba.
— Você veio aqui pra me insultar?
— Não. – Ela se sentou ao lado do Uchiha na cama. – Vim pedir desculpas. Sarada abriu meus olhos, não te culpo por ter me dado aquela bronca. Eu até que mereci.
— A Sarada me defendeu? – Arqueou uma sobrancelha e finalmente olhou para Sakura. – Sério?
— Muito sério.
— Bem... – Suspirou, então pegou o controle no criado mudo e desligou a televisão. – Eu também precisava daquela bronca. Você não queria ver seus pais e eu insisti como um pirralho mimado.
— Acho que nós dois somos pirralhos mimados.
— É, nós somos. – Ele riu. – Desculpa por ter falado daquele jeito com você. Eu não quis ser grosso.
— Tudo bem. Eu deveria ter lembrado que não posso beber.
— Não te culpo por estar com a cabeça quente e fora do lugar. – Suspirou. – Acho que, no seu lugar, eu não faria algo diferente.
— Vamos passar uma borracha nisso. – Sakura levou sua mão até o rosto de Sasuke e fez um leve carinho em sua bochecha. – Não quero mais brigar com você.
— Também não quero mais brigar com você. – Sasuke aproximou seu rosto do dela, chegando a encostar seus narizes. – Sakura...
Sakura sabia o que estava prestes a acontecer e permaneceu ali, o moreno chegou mais perto até que seus lábios se tocaram.
Ela não gostava do Uchiha de uma forma romântica, como ele gostava dela, mas havia prometido que lhe daria uma chance. Talvez devesse se permitir apaixonar. Talvez devesse deixar de lado as inseguranças que lhe cegavam... Deveria se entregar.
— Sasuke... – Sakura se afastou do moreno quando, entre os beijos quentes e insanos, Sasuke passeava com as mãos por dentro de sua blusa.
— O que foi? – Indagou um pouco insatisfeito. Imaginou que chegariam nos finalmentes, mas Sakura não parecia estar disposta.
— Seu pé.
— Deixa meu pé. – Sasuke tentou beijá-la novamente, mas Sakura se afastou. – Sério isso?
— Não é que eu não tenha apreciado ter sido beijada de surpresa... – Isso era verdade, Sakura de fato gostou da iniciativa do moreno. No entanto, sabia onde ele queria chegar e não pretendia transar com Sasuke naquele momento. – É que seu pé ainda tá sangrando. Precisa de um curativo.
— Faz pra mim? – Pediu. – Detesto fazer essas coisas. É um saco quando me machuco e preciso fazer curativos.
— Você tem material pra curativo?
— Sakura, eu trabalho numa máfia. – O moreno não conteve um riso. – Nunca viu minhas cicatrizes? Eu vivo me machucando, então é claro que aqui tem material pra curativo.
Obviamente que Sakura já tinha visto as cicatrizes e não gostava delas. Ficava imaginando como havia conseguido cada uma, desde as menores e quase imperceptíveis até as maiores. Imaginava a dor física que deveriam ter causado ao Uchiha e ficava com ainda mais ódio de Fugaku só de pensar que ele mandava o mais novo para missões perigosas só para tentar se livrar dele sem precisar sujar as próprias mãos.
— Onde fica? – Indagou a rosada.
— Abre o meu guarda-roupa. Primeira gaveta.
Sakura então levantou para pegar a caixinha de primeiros socorros que Sasuke guardava em seu quarto.
Mesmo que o homem tenha resmungado quando a rosada mexeu no machucado para fazer o curativo, ela o fez com todo o carinho.
Não era somente Sasuke quem se preocupava em cuidar de Sakura, ela também cuidava dele com carinho e de bom grado.
A porta do quarto foi aberta de repente. Sarada entrou segurando o celular do pai.
— Esqueceu seu celular lá em baixo, o vovô tá ligando. Bem adulto de sua parte a foto que usa pra ele. – Riu e entregou o aparelho e sentou-se ao lado da mãe, que terminava o curativo.
O Uchiha fechou a cara quando viu o nome de Fugaku e a imagem de um demônio.
— Alô! – Falou secamente.
— Sabe que em dois meses teremos nosso evento beneficente anual.
— Sim, Madara me falou.
— “Madara”? – Indagou.
— Fala logo o que você quer. – Bufou.
— O evento vai acontecer dia 6 de agosto às dezenove horas. Não marque nada nesse dia. Quero a família toda lá meia hora antes. – Disse calmamente. – Ai de você se chegar depois.
— É um baile de gala, certo? – O homem do outro lado da linha confirmou com um murmuro.
— Arranje uma acompanhante, de preferência que não seja uma prostituta.
— Já acabou? – Sasuke já estava perdendo a paciência.
— Vai ser no Centro de Convenções Romanov.
Dito isto, o mais novo finalizou a chamada. Jogou o celular para o lado, o qual acabou caindo no chão.
— Bosta! – Praguejou.
— O que ele queria? – Sakura tentou entrar no assunto.
— Evento beneficente. – Suspirou. – É uma coisa que minha família faz para se passar de boa na sociedade.
— Mas não é uma festa de gala? – Franziu o cenho.
— Haverá um leilão, o dinheiro arrecadado será doado para atendimento aos deficientes. – Explicou.
— Eu tenho que ir? – Perguntou Sarada.
— Todo mundo.
As duas mulheres se entreolharam e respiraram fundo.
— Bom, vou precisar comprar um vestido, então. – Tentou animar a rosada. – Quer ir comigo, filha?
— Claro, por que não? – Deu de ombros tentando se animar.
— Você já não tem roupas demais, Sakura? – Sasuke ergueu uma sobrancelha.
— Sasuke, eu não vou repetir uma roupa em um evento de gala. – Revirou os olhos.
— “No evento”? Você nunca repete uma roupa. – Comentou. – Bem que você podia doar suas roupas, ou fazer um bazar, já que não vai usar nenhuma de novo.
— Das minhas roupas cuido eu, ok? – Resmungou. – E você... – A Haruno apontou para o moreno. – Vai descansar, não vá se machucar de novo.
O Uchiha riu e acenou para as duas que saíram do recinto.
Temia que Fugaku estivesse planejando algo, mas confiava no plano de Madara, não iria se intimidar logo agora que descobriu a fraqueza do homem que amaldiçoou sua vida.
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