Notas iniciais
Desta vez não postamos meia noite. Falamos para não se acostumarem u.u Na próxima quarta-feira é possível que o capítulo atrase, devido a uma viagem que uma das autoras estará fazendo - a quem atualiza e revisa -, então já estejam avisados de antemão Sem mais delongas, boa leitura.

O Uchiha abriu os olhos lentamente, se acostumando com a claridade. Notou ainda estar no hospital.

Olhou em volta e, de relance, viu que a rosada permanecera ao seu lado. Sorriu em deboche, preparado para perguntar se ela estava arrependida e por isso estava cuidando dele. Mas, assim que encarou a mulher, seu sorriso desapareceu.

Sakura estava comendo uma linguiça assada.

Sasuke estranhou o fato dela estar comendo dentro do quarto hospitalar.

— Permitiram que comesse dentro do quarto? Pra que tipo de hospital você me trouxe? – Perguntou à Haruno.

— Para um que me permitisse dar um tratamento especial ao... – Sakura respondeu, mostrando o garfo com um pedaço da linguiça. – Little Sasuke. – Ela sorriu cinicamente e pôs aquele pedaço na boca.

O moreno arregalou os olhos assustado e retirou o cobertor de cima de si, logo levantando as vestes e puxando a cueca. Sua respiração ficou pesada e seu coração acelerou quando deu por falta de seu pênis.

O grito do Uchiha pode ser ouvido por grande parte do hospital.

[...]

Toská, Rússia

02 de março de 2016

08:03 A.M.

O Uchiha não queria ter dormido, mas os remédios para dor o deixavam um tanto quanto entorpecido, então acabou pegando no sono.

O motivo de não querer dormir era simples: estava receoso quanto à mulher ao seu lado.

Sakura Haruno não era mais aquela garota nerd bonitinha que conhecera na escola. Agora era uma mulher perigosa que andava armada. Sasuke temia pela sua vida perto daquela mulher. Ele não tirava a razão da Haruno em querer dar uma lição nele, mas apontar uma arma para seu membro passava dos limites do castigo que merecia.

O moreno acordou sobressaltado, sentando-se na maca e olhando para a rosada, que estava sentada em uma cadeira ao lado de seu leito. Ela tranquilamente lia uma revista de medicina qualquer.

A mulher ergueu os olhos verdes para ele e abaixou a revista.

— Resolvi ficar, caso você tivesse uma parada, eu não perdesse o show. – Ela mostrou um falso sorriso doce.

A respiração do Uchiha ficou pesada e seu coração acelerou. Livrou-se do lençol, levantou a camisola hospitalar e olhou dentro da cueca. Seu alívio foi grande ao ver que estava inteiro. Suspirou e se recostou novamente no travesseiro. Fora apenas um pesadelo.

Sakura acompanhou o momento com uma expressão que demonstrava receio, dúvida e deboche.

— O que foi isso? – Perguntou ao moreno.

— Nada. – Ele respondeu.

— Certo... – Ela ainda demonstrava receio. – O médico disse que vinha te liberar quando você acordasse. – Informou.

— Ótimo, quanto antes ele fizer isso, mais rápido me livro de você.

— Ótimo! Então eu te deixo aqui sem meio de transporte, sem celular e sem dinheiro. O hospital deve ter o número do seu pai em alguma lista telefônica... Ele vai adorar saber que o filhinho caçula sofreu um tiro em um bar do subúrbio. – Ela sorriu presunçosa, já se levantando.

— Espera! – O Uchiha se apressou. – Me leva pra ca... O quê? Bar do subúrbio? – Franziu o cenho.

— Foi a primeira coisa que pensei. – Deu de ombros.

— Vadia! – Rosnou.

Sakura se aproximou da cama e se curvou sobre o moreno, como se fosse beijá-lo.

— Não tenho pena de atirar em você de novo, Uchiha.

— Se continuar com esse joguinho, não permitirei que veja a Sarada. – Rebateu.

— Ela tem meu número e, pelo que notei, ela não respeita muito suas vontades. – Sorriu superior.

— Droga... Só me dá a porra de uma carona pra casa. – Bufou derrotado.

— Eu não ouvi “por favor”... – Cantarolou.

Sasuke olhou para a Haruno com ódio exalando de suas feições.

— Sério, Sakura? – A rosada assentiu e ele bufou, revirando os olhos. – Por favor... – Falou com nojo. – Faça a caridade de me levar para casa.

— Vejo que vou adorar tudo isso. – Ela riu. – Eu te dou carona. – Deu tapinhas no rosto do Uchiha.

Não demoraram a sair do hospital. Sakura o ajudou a caminhar até seu Mercedes e logo estavam no caminho até a casa do Uchiha.

Ele estava com o cenho franzido e, vez ou outra, olhava para a bolsa da Haruno, no banco de trás, se certificando de que o revólver não estava acessível a ponto dele não ter tempo de se defender.

— Tira essa carinha emburrada desse rostinho bonitinho. – Ela sorriu em deboche, apertando a bochecha do moreno.

Ele afastou a mão dela de si. Sua vontade era de atirar e dar a ela o mesmo destino de Karin, mas sabia que, apesar de ter sido torturado no dia anterior, a maior vítima era a Haruno.

Sasuke sabia que ela queria fazê-lo sofrer ainda mais, e tinha muitos motivos para fazê-lo, mas havia dado a ele o benefício da dúvida. Ele tinha uma segunda chance para fazer o certo e não iria desperdiçá-la.

Se a história que ela havia contado na noite anterior era verdade, ele não tinha nenhum direito de impedir que ela visse a própria filha.

— Sakura... – Chamou com a voz calma. Ela murmurou um "hum", indicando que ele continuasse. – Eu não vou te impedir de ver a Sarada, por mais que queira te matar no momento.

— Muita gentileza de sua parte. – Ela sorriu de lado.

Sakura estacionou na frente da casa do Uchiha e ambos desceram. Sasuke suspirou frustrado quando viu a Haruno pegar a bolsa.

— Não há necessidade de você ficar mais um minuto perto de mim hoje. – O Uchiha comentou.

— Você disse que não vai me impedir de ver a Sarada! — Ela rebateu.

— Sarada deve estar dormindo. – Ele revirou os olhos.

— Vou embora se ela estiver dormindo.

Sasuke suspirou e abriu a porta. Assim que entraram viram Sarada sentada no sofá. Ela estava com uma aparência péssima, aparentemente havia chorado.

A jovem não percebeu a entrada dos dois.

— Isso tudo é por causa do Boruto? – Sasuke perguntou, andando com certa dificuldade, devido ao tiro, até a filha. – Não é saudável ficar se lastimando.

Sarada olhou para Sasuke e para a perna dele, ao perceber que o pai estava manquejando.u

— Se machucou de novo? – Resmungou. – Você é muito inútil.

Sakura prendeu o riso e Sasuke franziu o cenho.

Mas logo ele tratou de se acalmar.

— Eu tropecei... – Mentiu, dando de ombros.

Fazia dois dias que Sarada estava naquela situação por causa do término com Boruto, então mentiu para vê-la sorrir. Se havia uma coisa que deixava Sarada feliz, Sasuke acreditava ser o fato de ele parecer um idiota... E funcionou. Sarada mostrou um mínimo sorriso para o seu progenitor, mesmo que ela tenha percebido que ele mentiu.

— Você é tão estúpido...

— Não quer sair um pouco para tentar se alegrar, Sarada? – Sakura se pronunciou.

A mais nova se virou para a Haruno e ergueu uma sobrancelha, virando-se para Sasuke de novo. Ela ficou pensativa. Já que Sasuke não havia dormido em casa, estava com Izanami ali e mentira sobre o motivo de estar manquejando, ela deduziu que ele esteve com a puta chique durante a noite, se divertindo e...

Sarada segurou uma risada.

— Não me diga que você deslocou o quadril enquanto transavam... – Sarada gargalhou.

Sakura riu da constatação da filha e Sasuke franziu o cenho irritado. Mas tratou de se acalmar, vendo que aquilo fez Sarada rir sinceramente.

— Acontece... – Murmurou a contragosto, mas ainda queria ver Sarada rindo.

— Isso é brochante, Sasuke... – Olhou para ele risonha.

— Você não tem ideia de quanto. – Sakura provocou, lançando um olhar desafiador ao Uchiha.

Sasuke franziu o cenho para a Haruno. Não bastasse Sarada o provocando, agora teria que aguentar Sakura, e esta não apenas o provocava, como também o ameaçava.

— Já concertou seu carro, Sarada? – A rosada perguntou sentando-se ao lado da menina.

Sarada olhou nervosa para Sasuke, não havia contado a ele sobre seu quase acidente.

— Concertou? – Ele ergueu uma sobrancelha. – Agora que ela falou, o seu carro não está aqui desde segunda. Que história é essa de concerto?

A Haruno olhou de um Uchiha para o outro. Eles realmente não se davam bem, Sarada sequer falou que quase sofrera um acidente.

— Talvez eu tenha batido o carro em um poste e possivelmente esqueci de te falar. – Sarada sorriu sem graça.

— Você o que? – Sasuke gritou.

— Ei, não grita com ela, ela não tem culpa. Um maluco entrou de vez na frente dela. – Sakura a defendeu.

— Que seja, mas ela deveria ter me contado... – Continuou gritando. – Você não se machucou? Está bem? – Seu tom mudou para preocupado, enquanto analisava o corpo da mais nova.

Sarada se surpreendeu pela preocupação de seu progenitor.

— Já fazem dois dias, Sasuke, pareço machucada? – Perguntou retoricamente.

— Porra, Sarada... Você deveria ter me dito algo. – Passou a mão pelo rosto, frustrado. – E você estava lá também? Passou a noite comigo e sequer pensou em me falar isso? – Apontou acusatoriamente para a Haruno.

— Sério que você queria que eu falasse sobre um quase acidente enquanto dava tratamento especial ao seu pênis? – Arqueou uma sobrancelha.

— Me poupem dos detalhes, por favor! – Sarada fingiu sentir nojo.

— Sem falar que achei que ela tinha te contado. – Deu de ombros.

— Eu tô bem, ok? Não me machuquei e a Izanami me trouxe pra casa. – A mais nova resolveu encerrar o assunto.

— E onde está... – Sasuke começou a falar, mas foi interrompido.

— Você chamou pra sair. – Falou para Izanami, impedindo que Sasuke continuasse o assunto. – A proposta ainda está de pé? Podemos ir os três juntos.

Sakura e Sasuke se entreolharam em desgosto com a proposta de irem juntos.

— Tudo bem... Mas toma um banho primeiro, parece que não sai daí há dias. – Sakura repreendeu Sarada pela aparência destruída da mesma.

Sarada sorriu sem graça, visto que realmente estava ali desde o dia anterior e não havia dormido, tomado banho ou comido algo. Saiu do canto, subindo as escadas e alargando o sorriso. Ainda pensava sobre ter Izanami como madrasta, ainda mais depois da reclamação que recebera agora.

— Não fala do meu pênis na frente da Sarada, ela ainda é uma criança. – Sasuke reclamou.

— Não quer que ela saiba que você sofre de disfunção erétil aos trinta e três anos? – Riu em deboche.

— Não quero que ela saiba que a minha puta chique é a mãe louca dela... Não ainda... – Completou ao ver o olhar assassino de Sakura para si.

[...]

Quando Sarada deu a ideia de irem os três juntos ao cinema, Sasuke não curtiu muito, porém, Sakura amou a sugestão. Ele, definitivamente, não podia deixar a filha sozinha com a mãe maluca. Mas havia uma coisa boa em tudo isso: Ele ficaria sentado por algumas horas, comendo pipoca e bebendo refrigerante. Tudo seria mais suportável assim. Ou foi isso o que ele pensou...

— Eu nunca vou perdoar vocês por não terem escolhido uma sala V.I.P. – Bufou, enchendo a mão de pipoca e colocando na boca. Mastigou com má vontade, vendo a sala completamente lotada.

— Pare de reclamar, Sasuke! – Sarada brigou. – Pelo menos conseguimos ficar aqui em cima.

— Foi realmente uma sorte ter três cadeiras disponíveis aqui. E ainda bem no meio da tela. Sabe que quase todo mundo gosta da fileira mais alta. – Sakura comentou.

— Isso foi péssimo! – Ele exclamou, remexendo-se desconfortavelmente na poltrona. – Foi um verdadeiro sacrifício subir essas escadas com a minha perna desse jeito.

— Mas que frouxo... – Sarada revirou os olhos, colocando a mão dentro do balde de pipoca.

O moreno iria reclamar esta atitude da filha, afinal, ele quem pagou a pipoca. Mas mudou de ideia ao perceber que se o fizesse estaria sendo infantil e não ajudaria em nada com em seu relacionamento com sua filha.

— Você sequer aguenta uma noite de sexo? – Sakura debochou e colocou a mão no balde de pipoca.

— Nem pensar! – Sasuke bateu na mão dela, que reclamou chamando-o de bruto. – Eu estou sendo obrigado a ver esse filme de terror ridículo, ficar em uma sala "não V.I.P." lotada e ainda subi esse inferno de escadas até aqui em cima com a perna dolorida. Nem a pau que vou dividir a pipoca com você. Foi eu que comprei. – Falou com indignação, comendo mais pipoca.

— Ninguém está te algemando nessa cadeira e apontando uma arma para a sua cabeça. – Sakura falou risonha, olhando exatamente para o volume na calça do Uchiha. Como estava escuro, Sarada não percebeu.

Ele tinha entendido a referência e o duplo sentido. Sasuke olhou para a rosada, praguejando alguma coisa inaudível.

Sarada pegou pipoca outra vez e o Uchiha suspirou.

— Eu estou incrivelmente em desvantagem no meio de vocês duas. – Apoiou o cotovelo no braço da cadeira e segurou o rosto com a mão. Não iria reclamar com Sarada.

— Fiquem quietos, o filme já vai começar. – Cochichou a adolescente.

— Sarada, neste filme o boneco nem é assombrado. É o próprio garoto que está vivo e mora escondido na casa. – Disse seu pai, entediado.

— Porra, Sasuke! – Sarada exclamou, levantando-se em um rompante. Por reflexo, acabou atirando o balde de pipoca para a frente, fazendo-o cair em cima de algumas pessoas que estavam na fileira da frente deles. Começaram a reclamar e a se levantarem chateados, gritando e brigando com Sarada. – Ai, desculpa gente. – Sentou-se sem jeito.

— Ah... – Sakura tampou o rosto com a mão enquanto as pessoas continuavam indignadas. Logo viram um homem se aproximando com uma lanterna na mão, mirando a luz nos três.

— Vocês causaram a maior confusão. Por favor, queiram se retirar da sala. – Falou.

— Eu nem fiz nada. – A rosada reclamou.

— Por favor, não pedirei novamente. Não quero ter que chamar os seguranças.

— Viu o que você fez, Sarada? – Sasuke brigou, mas internamente estava com um sorriso vitorioso.

— Cala a boca! – Murmurou levantando-se. – Boa sorte descendo essas escadas sozinho. – Virou as costas, passando na frente das pessoas até chegar na escada.

— Que merda! – O Uchiha praguejou novamente, levantando-se com dificuldade.

— Eu ajudo você. – Sakura se prontificou.

— Não, obrigado. Capaz de você me jogar da escada. – Ele revirou os olhos.

Ela riu.

— Eu não seria tão burra de fazer algo assim na frente de tantas pessoas e da Sarada.

Ao passarem pelas pessoas que estavam sentadas e terminarem de descer as escadas, os três saíram da sala.

— Eu nunca te perdoarei por isso, Sasuke. – Sarada comentou emburrada enquanto andavam pelo shopping.

— Eu te fiz um favor. Aquele filme é horrível.

— Foda-se, eu queria assistir. – Retrucou.

— Não ligo. – Ele deu de ombros, irritando ainda mais a filha.

Ele deu de ombros, irritando ainda mais a filha.

— Izanami, me ajuda. – A menina suspirou inconformada, fazendo a mais velha soltar uma risada.

— Nunca me diverti tanto. Muita adrenalina ser expulsa da sala. – Riu mais. – Isso é mais ou menos uma sorte tipo 1 de 6. – Olhou marota para o Uchiha. – Quero dizer... Isto é difícil de acontecer. – Sorriu, disfarçando.

— Eu sei o que está fazendo. Pode parar. – Sasuke esbarrou no braço de Sakura, resmungando para que só ela pudesse ouvir. Ela apenas riu mais.

— Os dois estão me escondendo alguma coisa. – A morena estreitou os olhos.

— Não é coisa que uma criança deva saber. – Sasuke retrucou, mas Sarada não se importou com isso.

— Você está na defensiva. – Concluiu. – Mas tudo bem, não quero saber. Aposto que tem a ver com essa perna machucada, e eu prefiro acreditar que deslocou o quadril enquanto transava. Me diverte mais. – Deu de ombros. – Vou comprar sorvete, querem também? – Perguntou ao pararem em frente a uma sorveteria que havia ali.

— Sim. – O pai afirmou, sentando-se a uma mesa.

— Eu também quero. – Sakura quis também.

— Então me dá o dinheiro que eu vou comprar. – Esticou a mão para Sasuke.

— Achei que iria pagar. – Resmungou pegando a carteira no bolso de trás da calça e tirando o dinheiro.

— No dia que eu pagar alguma coisa pra você, pode me internar em um sanatório. Já estou fazendo um imenso favor de ficar na fila. Vão querer quais sorvetes?

— Banana Split. – Ambos responderam. Sarada assentiu, virando as costas e indo fazer os pedidos. Ela só queria que Sasuke e Sakura ficassem um tempo a sós, do contrário ela nunca iria enfrentar fila.

— É zoado. – Sakura comentou.

— O seu cabelo rosa? Concordo. – Sasuke disse indiferente.

— Não é isso. – Ela revirou os olhos. – Só é estranho a gente tomar sorvete nesse frio.

— Sorvete é sorvete, estou nem aí.

— É... – Concordou cruzando os braços em cima da mesa.

O Uchiha estava incomodado com o silêncio. Sentia que deveria dizer algo, mas não sabia o que especificamente. Acabou por agradecê-la, e Sakura, sem entender, perguntou o motivo.

— É a primeira vez em muitos anos que saio com minha filha para nos divertir. E eu tenho certeza que ela fez isto por sua causa.

— Você realmente é um inútil. – Bufou revirando os olhos. Mas no fundo estava feliz, e isto transpareceu em seu singelo sorriso.

Sarada estava gostando dela.

Ficaram em silêncio até a Uchiha chegar com uma bandeja.

— Sinto muito, só dava pra fazer uma Banana Split. Terão que dividir. – Disse tomando seu Milk Shake de morango. Na verdade, trazer apenas um pedido fazia parte do plano para que os dois dividissem o alimento. – Ah, eu peguei o troco para mim. – Falou. Sasuke a olhou indignado. – So sorry, taxa de serviço.

— Ok... – Ele revirou os olhos, pegando uma colher e começando a comer o sorvete. – Credo, isso aqui é pistache? – Fez uma careta.

— É, eu tive que escolher os sabores.

— Eu gosto... – Sakura falou comendo o sorvete verde. – O que foi Sasuke? Não vai comer? Está tão traumatizado por causa de bolas?

— Não. Só estou vendo o quanto verde combina com você. Olhos verdes, sorvete verde... Tem gente que nasce destinada a essas coisas. Muu... – Implicou também.

— Está me chamando de vaca? – Estreitou os olhos.

— Eu não, mas se a consciência pesa... – Deu uma colherada no sorvete de chocolate.

Sarada percebeu o clima hostil dos adultos se alfinetando. Estava até se divertindo um pouco com isso.

— Vocês dois parecem um casal assim. – Comentou como quem não quer nada.

— Deus me livre, Sarada. Não quero a minha filha sendo chamada de bezerrinha.

— Você é um búfalo, então não faz muita diferença. – A rosada levantou os ombros.

A tarde toda foi assim. Cada um dos dois atacando o outro com palavras. A adolescente apenas observava. Precisava de informações se quisesse juntar os dois. Tinha que estudar o comportamento de ambos para com o outro. E, precisava admitir, era muito engraçado tudo isso. Com os dois, seus problemas quase iam embora. Poucas vezes naquela tarde se pegou pensando em Boruto. Seu objetivo era outro, e seria uma boa ação depois de muito tempo. Não queria ajudar seu pai – talvez só um pouco –, apenas iria gostar de ter uma madrasta como Izanami.

[...]

Toská, Rússia

03 de janeiro de 1997

07:30 A.M.

O garoto estava nervoso e ainda chocado após a descoberta. Ainda nem tinha completado quinze anos e já seria pai... Pai! Sem dúvida era novo demais para isso. Como iria criar e educar uma criança?

Bem, isso poderia ser pensado depois, primeiro precisava conversar com os pais sobre a gravidez de Sakura.

Ah, Sakura... Quando um garoto tão novo e com os hormônios a flor da pele descobre o que é sexo – na prática – simplesmente não pensa nas consequências. Os preservativos eram esquecidos na maioria das vezes que o casalzinho transava às escondidas... Agora eles apenas estavam colhendo o que plantaram.

Embora estivesse de férias, Sasuke não havida dormido absolutamente nada durante a noite, ruminando o que havia descoberto no dia anterior.

Ainda não acreditava que havia concebido uma criança, um ser vivo, juntamente com Sakura. Pensar nisso era maluco demais.

Precisava falar com seu pai e sua mãe, com certeza ambos estariam tomando café da manhã naquele horário, então Sasuke aproveitou para falar de uma vez.

— Ora essa, caiu da cama? – Mikoto perguntou com a voz divertida quando viu seu caçula, mas o sorriso em seu rosto se perdeu assim que notou a expressão preocupada do garoto. – Filho, o que aconteceu?

— Pai, mãe... – Suspirou. – Eu preciso muito falar com vocês. É um assunto bastante delicado, que envolve a minha vida e a vida de outra pessoa também.

Mikoto sentiu que o assunto era sério, enquanto Fugaku se manteve indiferente. Nunca levava seu caçula a sério mesmo, não seria agora que levaria.

— Pode falar, querido. – A mulher falou calmamente, esperando que Sasuke prosseguisse.

Ele olhou para Fugaku, que estava mais preocupado com sua xícara de chá do que com seja lá qual fosse a baboseira que Sasuke tivesse para dizer... Provavelmente algum papo de moleque mimado que vive na barra da saia da mãe.

Sasuke abaixou o olhar por uns segundos, pois esperava pelo menos um ar de preocupação vindo de seu progenitor, mas nada... Bem, não adiantava esperar que Fugaku demonstrasse alguma coisa, ele tinha que falar de uma vez.

— Eu estava ficando com uma garota da minha turma... – Esfregou uma mão na outra, nitidamente nervoso. – Sabe... Já faz alguns meses e...

— Você está namorando, amor? – Mikoto interrompeu o filho, se mostrando feliz por ele. Naquele momento, na cabeça da mulher, Sasuke estava com medo de falar que estava namorando e acabar levando uma bronca dos pais.

— Não é isso! – Bufou o garoto. – Eu não tô namorando com ninguém...

— Então pare de fazer rodeios e fale logo o que você quer! – Fugaku falou sem paciência, não aguentando mais a frescura do filho.

O coração de Sasuke estava acelerado, suas mãos suavam e ele sentia vontade de chorar, mas conseguia controlar.

— Eu engravidei a garota. – Falou de uma vez e seus pais o olharam chocados.

— Filho... – Mikoto levou a mão até o peito após engasgar com a própria saliva. – O que você falou?

— A garota com quem eu estava ficando... – Abaixou o olhar, não querendo olhar para sua mãe e muito menos para seu pai. – Ela tá grávida... E o filho é meu.

— Você só pode estar de brincadeira! – Fugaku bateu as mãos com força na mesa e se levantou. – Eu não acredito que você foi irresponsável a esse ponto.

— Amor, você é uma criança! – A matriarca ainda estava incrédula, mas mantinha a calma.

— É um moleque irresponsável! – Fugaku berrou, segurando com força no braço de Sasuke.

— Ai, pai, tá doendo... – Ele fez uma careta por causa da dor.

— Eu devia te espancar, era isso que eu devia fazer! – Vociferou o mais velho. – Porra, quer transar? Transa, mas pensa com a cabeça de cima e não com a de baixo! Seja responsável!

— Fugaku, agora não tem jeito! – Mikoto levantou, tentando separar os dois. – Solta o Sasuke, você tá machucando ele! – Gritou, mas em vão. – A culpa também é sua! Deveria ter conversado sobre isso com ele antes, não agora!

— E você, que é mãe, não falou por quê? – O homem rebateu, ainda mais alterado. Enquanto isso Sasuke implorava para que seu pai o soltasse, mas Fugaku estava cada vez mais nervoso e só ficava com mais raiva cada vez que Sasuke abria a boca para dizer o que quer que fosse.

— Ele é um garoto, você é pai! – Mikoto falou, também nervosa. – Falar sobre sexo pra ele e orientá-lo era papel seu, que também é homem, não meu!

— E agora, o que eu faço com você? – O mais velho rosnou entre dentes, encarando o filho que lutava contra as lágrimas.

— Que gritaria é essa? – Itachi apareceu, com cara de sono e todo descabelado. – Porra, eu tava tendo um sonho erótico tão bom... – Bocejou. – Qual é o motivo da briga?

— Esse irresponsável do seu irmão... – Com raiva, Fugaku largou o braço do caçula de uma forma tão rude que fez o garoto cair sentado no chão. – Engravidou uma colega de classe, dá pra acreditar?

— Não acredito que tive meu sono interrompido por causa do Sasuke! – O rapaz falou com a voz sonolenta e Mikoto revirou os olhos. Itachi nunca levava nada a sério e o fato de que seu irmãozinho seria pai aos quinze anos parecia a coisa mais natural do mundo. – Porra, Sasuke... Não sabe colocar uma camisinha nesse pinto não? E essa garota não sabe o que é uma pílula do dia seguinte?

— Foi um acidente! – O Uchiha mais novo explicou com a voz chorosa após se levantar do chão.

— Como pode ter sido um acidente, merda? – Morrendo de raiva, Fugaku começou a retirar o cinto da calça e Sasuke já se preparava para a surra que com certeza levaria, mas, por sorte, Mikoto se pôs na frente do filho mais novo.

— Sasuke agiu de maneira irresponsável. Sim, isso é verdade. – A mulher falou firme e seu marido parou o que estava fazendo. – Mas todo mundo erra, todo mundo faz besteira. Não podemos julgá-lo e você não pode castigá-lo dessa forma. O Sasuke é só uma criança.

— Criança que faz criança não é mais criança! – Debochou Itachi, pegando um pedaço de bolo de laranja que estava sobre a mesa.

— Ele é só uma criança? – Fugaku arqueou uma sobrancelha. – É por isso que esse moleque sempre foi assim! Você o mima demais, protege de tudo. Mikoto, o Sasuke nunca vai crescer se você continuar agindo dessa forma com ele.

— Você não vai encostar um dedo no meu filho! – Mikoto falou séria, mas Fugaku não gostou de ser desafiado daquela forma pela própria esposa.

— Não vou? – O mais velho sorriu de maneira debochada. – Seu filho? Nosso filho, tão meu quanto seu.

Após dizer isso, Fugaku empurrou Mikoto para que ela saísse da frente de Sasuke. Claro que ele não a machucou, mas, por ser bem mais forte, conseguiu tirá-la do caminho com facilidade.

Irado, o Uchiha segurou o caçula pela orelha e o puxou até seu quarto. Já dentro do cômodo, Fugaku fechou a porta e trancou para que Mikoto não entrasse. A mulher ficou apenas batendo do lado de fora e implorando para que seu marido não fizesse nada de ruim com Sasuke.

Assim que trancou a porta e colocou a chave no bolso – afinal, Sasuke poderia tentar correr e destrancar a porta para fugir do castigo –, Fugaku jogou o filho com violência no chão e o garoto bateu com a cabeça no guarda roupa.

— Ai... – O adolescente colocou as mãos sobre o local da pancada, sem falar que sua orelha também estava doendo. – Pai, para com isso... – Ele pediu com a voz trêmula ao ver que Fugaku retirava o cinto da calça.

— Você só me dá desgosto! – O homem falou seriamente, caminhando lentamente para perto do caçula que ia se encolhendo no canto. – Quando eu penso que você não pode aprontar mais nada, você me aparece com uma dessa.

— Desculpa... – Sasuke falou baixinho, quase que como um sussurro, sentindo as lágrimas caírem pelo seu rosto. – Foi um descuido...

— Eu falei pra Mikoto que queria só um filho, mas ela insistiu na história de ter mais um e olha só a merda que deu! – Raivoso, Fugaku bateu com o cinto nas pernas do filho e ele deixou escapar um grito doloroso.

— Fugaku, para com isso! – Mikoto gritava do outro lado da porta.

— Eu devia ter feito logo uma vasectomia assim que o Itachi nasceu, pra evitar um desgosto que nem você!

Sasuke não sabia dizer o que doía mais, se eram as cintadas ou as palavras proferidas por seu pai.

Quando o mais velho já havia descarregado toda a sua raiva no caçula, saiu do quarto do garoto, mas trancou a porta pelo lado de fora, impedindo até mesmo Mikoto de entrar.

O casal discutiu, não somente por causa da atitude impulsiva e violenta de Fugaku, mas também porque eles seriam avós. Por mais irresponsável que Sasuke tenha sido, a criança que iria nascer não tinha culpa de nada.

Alguma atitude precisava ser tomada, mas Fugaku não queria envolver a mãe da criança nisso – nem mesmo o próprio Sasuke –, até porque a família Uchiha é envolvida com o crime organizado, então, quanto menos pessoas de fora, melhor.

Enquanto isso Sasuke apenas chorava quieto em sua cama. Chorava de raiva, não por outra coisa, uma vez que a dor da surra já havia passado.

Foi nesse dia que Sasuke jurou para si mesmo que jamais deixaria seu pai levantar a mão para ele novamente.

O rapazinho viu a porta de seu quarto ser destrancada, logo em seguida Mikoto entrou no cômodo levando uma bandeja com comida. A mulher colocou a bandeja sobre o criado mudo e depois sentou-se na cama ao lado do filho que estava deitado, fazendo carinho em seu rosto.

— Eu trouxe seu almoço. – Falou docemente.

Sasuke fitou o rosto da mãe e, pelo rosto inchado e olhos vermelhos, concluiu que ela estava chorando.

— Não tô com fome... – Respondeu indiferente.

— Você não pode ficar sem comer, filho! – Insistiu. – Come só um pouquinho.

— A senhora e o papai brigaram por minha causa, não é?

— Não! – Negou com a cabeça. – Nós não brigamos por sua causa. Brigamos por causa da atitude do seu pai.

— Mas brigaram do mesmo jeito e ele fez a senhora chorar! – O garoto falou cabisbaixo. – Não gosto de ver a senhora chorando.

— Ele te machucou muito? – Indagou, visto que o braço de Sasuke, onde Fugaku tinha apertado mais cedo, estava marcado e com certeza dolorido.

— Acho que o que mais me machucou foram as palavras dele. – O moreno riu sem humor. – Ele nunca me quis, não é?

— Não diga isso, Sasuke. Seu pai estava nervoso e disse aquelas coisas da boca pra fora.

— Mãe, não tente me enganar! – O semblante triste do Uchiha mais novo partia o coração de sua mãe. – Ele nunca escondeu que só queria um filho, por isso que o Itachi sempre foi o preferido dele... Vocês só me tiveram porque a senhora insistiu nisso.

— Primeiro: Não existe essa história de filho preferido. E segundo... – A morena deu um beijo na bochecha de Sasuke. – Eu insisti pra ter você e não me arrependo disso.

Nesse momento Fugaku entrou no quarto ainda com raiva, então Sasuke, assustado, se sentou rapidamente e escorou as costas na cabeceira da cama.

— Quero o nome completo da garota que você engravidou. – Fugaku falou autoritário e Sasuke hesitou por um instante. – Fale!

— Sakura Haruno.

— Como ela é?

— Ela é loira. – Disse Sasuke. – Cabelos lisos, longos, e olhos verdes.

— Tudo bem... – Suspirou o mais velho. – Arrume suas malas. Você vai para os Estados Unidos amanhã.

— O que? – O rapazinho questionou surpreso.

— Fugaku, eu ainda não tinha conversado com ele sobre isso. – Mikoto rebateu.

— Eu não quero ir...

— Você não tem que querer! – Vociferou Fugaku. – Quem sabe longe daqui você me dê menos dor de cabeça. E aproveite para aperfeiçoar seu inglês, porque está péssimo. E quem sabe essa criança compense os anos que eu perdi tentando fazer você aprender alguma coisa que preste.

— Eu não quero ir! – Berrou o garoto. – Mãe, não deixa. Por favor.

— Eu vou pegar sua transferência agora à tarde e te matricular num colégio interno o mais rápido possível. – Enfatizou a parte do colégio interno. – Só de garotos, pra evitar que você faça mais filhos.

— Mas e a Sakura? – Indagou aflito o mais novo. – Eu disse que não a abandonaria. O que vai acontecer se eu sumir? Ela vai ter que encarar os pais sozinha...

— Vai fazer o que, casar com ela? – O patriarca questionou com um sorriso debochado no rosto. – Você é só um moleque irresponsável, Sasuke, acha que criar filho é brincadeira?

— Eu não vou casar com ela, mas vamos ter um filho! – Respondeu. – Filho é vínculo pro resto da vida, independente de estarmos juntos ou não. Eu não posso deixar a Sakura sozinha e ir para os Estados Unidos.

— Ok, então! – Fugaku levantou as mãos em sinal de rendição. – Eu desisto de te mandar pra fora do país, mas você vai assumir cem por cento das responsabilidades.

— O que quer dizer com isso? – Sasuke indagou receoso, pois coisa boa não haveria de ser.

— Você quer ser papai de família, então assuma as responsabilidades por completo! – Falou autoritário. – Arrume as suas coisas e vá embora dessa casa. Fique com a mãe do seu filho como você quer, se vira pra sustentar a garota e a criança e não conte conosco pra absolutamente nada.

— Fugaku, pare com essa pressão psicológica! – Mikoto implorou apreensiva.

— A decisão é sua, Sasuke... – O homem sorriu de canto para provocar o filho e tentar induzi-lo a optar por viajar para o exterior. – Vá para os Estados Unidos, termine os estudos e continue com a vida confortável que sempre teve. Ou saia de casa agora, fique ao lado da mãe do seu filho e se vira pra conseguir se manter e sustentar a criança.

Sasuke se via entre a cruz e a espada.

Como dois pirralhos cuidariam sozinhos de um bebê? Era óbvio que ambos precisariam do apoio dos pais, mas, se Sasuke optasse por ficar ao lado de Sakura, seria como cortar totalmente o laço com os Uchiha.

Viajar para os Estados Unidos para estudar realmente é uma oportunidade de ouro e ele aceitaria tranquilamente se um filho seu não estivesse crescendo no útero da Haruno.

— Amor... – Mikoto segurou nas mãos do garoto e olhou em seus olhos. – Não deixaremos seu filho desamparado, acredite na mamãe.

— Tá bom, eu vou... – Respondeu.

— Ótima decisão! – Fugaku falou vitorioso.

— Com uma condição. – Sasuke falou firme e Fugaku se mostrou interessado na condição dele, embora não fosse mudar de ideia. Sasuke iria terminar o ensino médio nos Estados Unidos, querendo ele ou não. A pressão psicológica foi só pra ele ter a falsa ilusão de que tinha outra escolha. – Assim que eu terminar os estudos e voltar para a Rússia, quero fazer parte da Amaterasu.

— Sasuke... – Mikoto falou receosa, visto que também foi contra a entrada do primogênito na máfia, mas nada pôde fazer com relação a isso.

— Feito! – Fugaku respondeu. – Você volta e já tem emprego garantido.

— Filho, você não prefere fazer uma faculdade? Temos condições pra mandar você para as melhores Universidades, você pode escolher qualquer curso. Medicina, Engenharia, Arquitetura, Direito... Você escolhe, pode seguir a carreira que quiser. – Propôs a mulher, mas Sasuke não deu ouvidos.

— Não! – Respondeu. – Eu vou fazer parte da Amaterasu e provar que também sou digno.

— Assim espero! – Dito isso, Fugaku virou as costas e saiu do quarto.

Embora se mostrasse forte na frente de seu progenitor, Sasuke se sentia sem chão.

O que Sakura pensaria dele?

Mas até que estava tranquilo, pois confiava em sua mãe e sabia que realmente seu filho não ficaria desamparado.

Já a sós com Mikoto no quarto, Sasuke a abraçou forte e teve o gesto retribuído por ela.

— Eu vou sentir sua falta! – O rapazinho falou com a voz abafada.

— Eu também. – Mikoto lhe deu um beijo na testa, se controlando para não chorar na frente do caçula. – Mas vai ser bom pra você.

— Mãe, as aulas estão quase voltando, vai lá na escola e procura a Sakura. – Pediu. – Ela é magrinha, um pouco mais baixa que eu. Tem o cabelo grande, liso, é loira e tem os olhos verdes. Fala com ela, diz que eu não a abandonei, mas que fui embora porque não tive escolha.

— Pode deixar! – Assentiu. – Seu pai e eu vamos dar um jeito nisso.

— Não. Não mete o papai nisso, por favor.

— Sasuke, nós temos que tomar uma posição. – Mikoto falou, mais séria dessa vez. – Você e a mãe do seu filho são duas crianças. Relaxa, nós vamos dar um jeito nisso.

— Por que eu fui tão burro? – Ele bateu na própria testa, ainda inconformado com a forma que as coisas mudaram tanto por causa de um serzinho que sequer tinha o formato de gente. – Eu não pensei que isso fosse acontecer... – Murmurou. – Putz, eu não acredito nisso!

— Uma gravidez é tão fácil de se evitar, mas vocês dois foram irresponsáveis. – Embora repreendesse o filho, Mikoto demonstrava-se compreensiva, visto que a criança já havia sido concebida e já não havia mais o que se fazer com relação a isso. – Só que, mesmo assim, eu fico feliz por você querer ficar ao lado da mãe do seu filho e não deixa-los desamparados. Muitos adolescentes na situação de vocês optariam por abortar.

Sasuke sentiu um nó na garganta ao ouvir as palavras de sua mãe.

— Eu propus isso pra ela... – Falou envergonhado e Mikoto arregalou os olhos.

— Sasuke... – A decepção da mulher era quase palpável, mas, na situação de Sasuke, até que esse pensamento foi compreensível.

— Eu sei que foi loucura, mãe! Mas eu fiquei desesperado, com muito medo...

— Ainda bem que você tomou a decisão mais correta, filho.

— Mas agora o papai tá com raiva e vai me mandar pra um colégio interno. – Falou com tristeza, abaixando o olhar. Infelizmente isso foi uma consequência e Sasuke tinha que aprender a arcar com as consequências de seus atos.

— Veja pelo lado bom, filho... – Sorriu a morena. – Vai morar num país diferente, conhecer pessoas diferentes, aperfeiçoar seu inglês e estudar numa escola excelente.

— Vai ser uma prisão!

— Não vai não. No início pode ser ruim, mas depois você acostuma.

— Sabe qual é o lado bom que eu vejo aí? – Indagou de maneira retórica. – Vou ficar três anos longe do papai. Quando voltar, vou entrar pra Amaterasu e ir embora dessa casa.

Esse era o único lado positivo que Sasuke estava vendo. Já voltaria maior de idade e com emprego garantido, então não precisaria mais aguentar humilhações dentro de casa.

— Bem, vamos arrumar suas malas? – Mikoto perguntou risonha, já se levantando da cama. – Temos muita coisa pra arrumar. Quer ajuda?

— Sim, eu quero! – Sasuke se levantou para acompanhar a mãe que já estava abrindo as portas do guarda roupa.

Seriam três longos anos, mas Sasuke aguentaria, já que não sentiria falta do pai ou do irmão mais velho. Apenas a saudade da mãe apertaria, mas ele não morreria por ficar longe dela.

E, claro, esperava encontrar com Sakura para que ambos se acertarem e para ver seu filho quando retornasse, mas jamais imaginou que as coisas tomariam o rumo que tomaram, visto que sua filha foi sequestrada ainda recém-nascida e Sakura sumiu do mapa.

Às vezes Sasuke se perguntava se ter optado por ir embora de casa e ficar ao lado de Sakura, ainda adolescente, não teria sido a melhor opção.

[...]

Toská, Rússia

02 de março de 2016

11:57 A.M.

Era uma manhã tranquila, não estava tão fria como de costume, afinal, a primavera havia chegado.

Hinata levantou-se preguiçosa da cama e se arrastou até a cozinha, sendo guiada pelo maravilhoso cheiro de comida.

— Bom dia... – Disse entre bocejos enquanto abraçava as costas do marido que estava de frente para o fogão.

— Boa tarde, você quis dizer. – Virou-se e retribuiu o gesto. – Dormiu bem?

— Como um bebê. – Riu. – Por que não foi trabalhar?

— Não preciso bater o cartão, eu sou o dono. – Brincou. – Na verdade, eu queria aproveitar que você está em casa para nos divertimos um pouco... Boruto está na faculdade e a Himawari vai chegar daqui a pouco. Pelas minhas contas, temos 15 minutos...

— É o suficiente. – Puxou o marido para um beijo.

Não havia tempo para romantismo, estavam com pressa. Naruto conseguiu desligar o fogão e, sem soltar os lábios da esposa, foi andando até o sofá.

Ele a deitou rapidamente sob si e retirou a camisa. Hinata fez o mesmo. Não iria rolar preliminares, o desejo era muito.

Quando já estavam retirando as calças, a campainha fora tocada.

— Himawari já chegou? – A morena indagou surpresa.

— Merda. – Praguejou o loiro enquanto ria. – Acho que fiz as contas erradas...

A Hyuuga riu e tornou a vestir seu pijama, e o homem foi atender a porta.

— Delegado Nara? – O loiro exclamou ao ver o chefe de sua esposa.

Hinata, ouvindo isso, correu para o quarto se vestir de maneira descente para se receber uma visita.

— Desculpe o incômodo. – Disse o moreno em gentileza. – Sua esposa está?

— Sim, entre. – Abriu passagem e o guiou até a sala de estar. – Pode se sentar.

— Obrigado.

Shikamaru trajava uma blusa branca coberta por um blazer da mesma cor de sua calça, preto. Estava um pouco impaciente, o que era muito raro.

Hinata demorou mais uns dois minutos e, ao chegar, cumprimentou o Nara com um sorriso e um abraço.

— Veio me absolver? – Perguntou esperançosa enquanto se assentava de frente para ele.

— Na verdade não. – Suspirou e a morena o acompanhou. – Quero fazer uma pergunta, e só podia ser pessoalmente.

— Bom, creio que é sério, então vou voltar pra cozinha. – Disse Naruto, mas o outro o impediu.

— Isso o envolve também. – Alertou. – Indiretamente, mas envolve.

— Certo. O que é? – Indagou o Uzumaki.

— É sobre Karin Uzumaki. – Hinata gelou. Ele teria descoberto que sua cunhada estava envolvida com o caso Uchiha? – Vocês tiveram alguma notícia dela?

— Ela está trabalhando, não? – Hinata franziu o cenho.

— Hoje é o terceiro dia que ela falta, também não atende as ligações e não está em casa.

— Ela pode ter viajado... – Possibilitou Naruto.

— Ela teria me dito, se este fosse o caso. – Suspirou Nara. – Seu último acesso no WhatsApp e sua última ligação foi há três dias, bem como seu desaparecimento. Eu investiguei isso.

— Para quem foi a última chamada? – Perguntou a Hyuuga. Na verdade, queria apenas comprovar se era quem ela pensava.

— Para você. – Respondeu.

O Uzumaki encarou a esposa surpreso. Não que ele duvidasse que ela estava envolvida, mas porque Hinata parecia tão surpresa quanto ele.

— Como assim para mim?

— Isto é o que eu gostaria de saber.

— Espera aí, está acusando minha mulher?

— Naruto, por favor. – Interrompeu o marido. – Shikamaru, este registro foi de que horas?

— Uma conversa de 12 minutos às três da tarde. No telefone fixo.

— Ah, sim. Eu me lembro. – Suspirou. – Ela dizia que se sentia culpada pelo meu afastamento, estava consolando ela.

— Se sentia culpada? – O Nara franziu o cenho. – Por que ela te deu provas falsas?

— Não eram falsas. – Murmurou baixinho.

— Será que ela resolveu sumir do mapa e cometer suicídio?

— Não diga tolices. Minha irmã não é uma covarde. – Bufou o loiro. – Ela não é do tipo que foge das responsabilidades. Você sabe disso.

— O que eu sei é que Karin Uzumaki está desaparecida. Não consegui nem mesmo rastrear o celular dela. – Respirou fundo. – Lamento em dizer isto, Hinata, mas você é a principal suspeita.

— Como pode dizer isto? – Naruto se levantou. – Ela trabalha com você há anos, sempre resolveu os casos criminais, e Karin faz parte da nossa família. Por que ela tem que ser a suspeita?

— Acredite, eu confio na Hinata. – Bufou. – Mas eu trabalho com perícia e envolver minhas relações pessoais com o meu serviço não é nada ético.

— Ele está certo, meu amor. – A morena se levantou e virou o rosto dele para si. – Está tudo bem. Karin está viva.

— Espero que sim. – O loiro se retirou assim que a campainha fora tocada.

— "Karin está viva"? – Shikamaru repetiu a fala da mulher.

— É o que eu mais quero. – Suspirou bagunçando os cabelos. – Mas eu tenho medo que alguém a tenha matado...

— Quem?

Hinata suspirou. Ela sabia muito bem, só podia ser ele. O maldito Uchiha.

Mas não poderia dizer tal coisa para seu superior, ou realmente seria tachada de louca por acusar alguém que foi inocentado.

— Amaterasu... – A Hyuuga disse baixinho e se assustou com suas próprias palavras.

Será que esta organização que os bandidos menores falavam realmente existia? E pior, Sasuke e Sarada faziam parte dela?

— Disse que não acreditava neste boato. – O rapaz cruzou os braços esperando uma resposta.

— Karin já capturou dezenas de homens que sempre diziam o mesmo para ela. Será que vieram para matá-la?

— Realmente está acreditando nesta lenda?

Antes que pudesse responder, ela foi interrompida por um grito infantil.

— Mamãe! – Himawari havia chegado com um largo sorriso e a abraçou.

— Oi, minha pequena. – Beijou a filha. – Chegou bem?

— Sim. O que tem para o almoço?

— Pergunte ao papai. – Apontou para Naruto e a menina foi até seu progenitor.

— Hinata. – Shikamaru atraiu a atenção da moça para si. – Tome cuidado. Se a Amaterasu realmente existe e foram atrás da Karin, é capaz que venham atrás de você também.

— Estou ciente. – Sorriu amigavelmente.

Apertaram a mão um do outro e Nara se retirou despedindo-se do patriarca.

A Hyuuga se sentou no sofá e tremia bastante. Até então nunca considerou que esta facção realmente pudesse existir. Pela primeira vez temia o desconhecido.

Naruto, percebendo isto, se aproximou da mulher e lhe beijou a testa.

— Seja forte. – Sussurrou. – Você precisa ser forte. Você é a rainha da casa, se a rainha não for forte, o reino cairá.

— Mas que raios de comparação foi essa? – Perguntou rindo e o loiro a abraçou.

— Significa que esta casa depende de você. Somos uma família. E uma família está sempre unida, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza...

— Esta rainha é covarde.

— Mesmo? – Fingiu surpresa. – Himawari, sua mamãe é fraca?

— Não! – Disse enquanto ficava entre os dois. – A mamãe é incrível! Quando crescer quero ser como ela!

A matriarca riu e abraçou os dois em conjunto. Definitivamente, por sua família Hinata lutaria até o fim.

— Eu amo você. – Murmurou baixinho.

— Também te amamos. – Naruto beijou a bochecha da esposa.