Notas iniciais
So sorry pela demora... Como a Safa... Digo, Hitari Amai falou no capítulo passado, eu viajei e não tivemos como postar antes. Enfim, vamos ao capítulo =D

Toská, Rússia

02 de março de 2016

03:34 P.M.

Sasuke achou que se livraria de Sakura quando o desastroso passeio no cinema acabasse, mas a mãe de sua filha não iria embora tão cedo. Ela fez questão de entrar na residência do Uchiha sem ao menos ser convidada, como se fosse bastante íntima do moreno. Sarada adorou isso.

— Vou tomar um banho. – A adolescente comentou quando os três estavam na sala. – Sasuke, seja educado e faça companhia para a Izanami.

Dito isso, Sarada foi correndo escada a cima e Sasuke ficou parado no meio da sala com cara de bobo enquanto a rosada já se sentava no sofá.

Sarada fez isso estrategicamente. Não iria tomar banho, foi apenas ficar de bobeira no seu quarto para que os pombinhos ficassem mais à vontade.

— Senta aqui Sasuke, seja educado e me faça. – Provocou com um sorriso de canto, dando batidinhas no sofá. Sasuke nada fez. – Que foi? Tem medo de mim, é? – A mulher começou a rir. – Ora essa, eu sou uma mulher delicada, jamais faria nada que te machucasse.

— Cínica! – Bufou, sentando-se no outro sofá.

Ele fez uma careta, sentiu um leve desconforto na perna, então a esticou e colocou uma almofada por baixo da coxa que havia sido baleada.

— Dói? – Sakura questionou.

— Não. – Ironizou o Uchiha. – Eu levei um tiro, passei por uma cirurgia, estou com pontos na perna, mas a sensação até que é boa.

— Que bom... – Ela sorriu de orelha a orelha. – Então você não se importará de levar outro, não é?

— Bruxa cor de rosa... – Murmurou. – Agora eu já sei pra quem a Sarada puxou. – Suspirou. – Agora eu vou ter que aguentar duas...

— Você é um traste! – A rosada pegou uma almofada e, sem dó e nem piedade, jogou no homem. – "Agora eu vou ter que aguentar duas"... – Imitou com deboche a voz masculina. – A sua filha é um fardo, por acaso?

— Não é isso, sua bruta! – Rosnou. – Você leva as coisas ao pé da letra demais.

— Mudando de assunto, quando você vai finalmente contar para a Sarada que eu sou a mãe dela?

Sasuke gelou na hora. Sabia que não poderia fugir desse momento e que Sakura, após tanto tempo sofrendo por causa da filha que havia sido dada como morta, cobraria alguma atitude dele.

Mas a verdade é que nem mesmo o moreno sabia como contaria tudo para a filha... Com certeza ela tiraria satisfações com Fugaku e Mikoto, consequentemente geraria mais conflitos entre Sasuke e seu pai, isso sem falar que a própria Mikoto ficaria contra ele, uma vez que haviam combinado de nunca tocar nesse assunto com Sarada.

A menina foi enganada durante toda a vida, isso somado à sua personalidade explosiva, com certeza não resultaria numa boa reação por parte dela no momento em que a verdade fosse revelada.

— Sakura, calma! – Ele sussurrou como se Sarada, que estava longe da sala de estar, fosse escutar a conversa de ambos. – A Sarada gosta de você e só isso já soma alguns pontos a seu favor. Mas, ainda assim, vai ser difícil contar tudo.

— Sasuke, eu esperei por dezoito anos... – Abaixou o olhar e Sasuke percebeu sua tristeza.

— Mas vai perder sua filha se agir sem pensar direito. – Aconselhou. – Vamos com calma, ok?

Após alguns segundos em silêncio, a rosada voltou a falar.

— Sabe, eu estive pensando... – A mulher falou como quem não quer nada e o Uchiha ficou desconfiado. – Eu nunca consegui compreender como a minha Haruka foi sequestrada de uma forma tão misteriosa...

— Haruka? – Sasuke a interrompeu, encarando a mulher com uma expressão confusa. – Esse nome é estranho. Ainda bem que a minha mãe tem bom gosto para nomes. Prefiro Sarada. – Deu de ombros.

— Tanto faz! – Bufou, já irritada com a infantilidade de Sasuke. Aquilo só poderia ser de propósito para irritá-la, não havia outra explicação. – A questão é que a minha filha simplesmente evaporou da superfície terrestre. Estranho, não?

— O que você quer insinuar? – Sua expressão logo ficou séria. – Fale logo, pare de fazer rodeios.

— Uma família normal me procuraria para conversar comigo sobre a criança que teríamos. – Ela falou num tom indiferente e Sasuke teve um mal pressentimento. – Mas a sua família não. As coisas foram resolvidas com um sequestro... – Sorriu de canto. – Bem comum isso, não acha? – Indagou num tom irônico e igualmente divertido.

— Ainda não entendi aonde você quer chegar.

— Com o que exatamente a sua família trabalha, Sasuke?

— Somos donos de um Casino e uma casa noturna. – Falou como se fosse óbvio, mas, pela expressão no rosto da rosada, estava claro que ela não havia se convencido disso.

— Eu era esposa de um político e sei que pessoas muito ricas às vezes são metidas com várias coisas erradas. Porque, quando se tem tudo, o muito acaba se tornando pouco. – Seu tom de voz ficou mais sério. – Isso não se aplica apenas a pessoas envolvidas com política, também pode se aplicar a empresários mundialmente famosos, como, por exemplo, os donos do Casino mais conhecido no mundo.

Ele sabia que Sakura poderia ser encrenca, mas seu bom senso falou mais alto e ele não achou prudente matá-la, embora sentisse vontade de fazê-lo.

A inteligência de Sakura realmente surpreendeu o homem. Não havia dúvidas de que ele precisaria ter muito cuidado com ela, pelo bem da Amaterasu.

— Está duvidando da honestidade da minha família? – Fingiu surpresa, falando como se tivesse sido ofendido ou algo do tipo.

— Estou! – Respondeu convicta. – Entraram no hospital, roubaram minha filha, ninguém viu ou ouviu nada, assim como as câmeras também não pegaram nada porque estavam desligadas. Eu não estava na casa dos meus pais durante grande parte da minha gravidez porque fui expulsa quando contei que seria mãe, então como chegaram em mim? Sarada não nasceu de nove meses, ainda assim, coincidentemente, souberam o dia exato do nascimento dela, assim como esperaram a hora certa para roubá-la de mim. Como isso foi possível?

— A Sarada não nasceu de nove meses? – Indagou desentendido e Sakura revirou os olhos, visto que essa foi a única coisa que esse Uchiha inútil conseguiu absorver de tudo que ela havia dito.

— Sasuke! – Vociferou. – Não seja infantil!

— Olha aqui, não sei o que você está querendo insinuar, mas pode parar. – Ele estava nitidamente irritado. – Sakura, eu já falei que estava nos Estados Unidos, não sabia direito o que acontecia aqui na Rússia. Foi uma surpresa saber que a Sarada estava com os meus pais e eu já te contei isso, então não fique querendo insinuar que eu estava por trás desse sequestro.

— Isso eu já entendi, que enquanto você estudava no exterior eu estava comendo o pão que o diabo amassou! – Rosnou. – Não precisa explicar novamente, eu já entendi que você não estava aqui quando a Sarada nasceu. – A mulher estava ficando impaciente. – O que realmente não entendo é como planejaram um sequestro tão perfeito... Qualquer um deixaria algum rastro, alguma impressão digital, alguma testemunha... Isso não é possível! Como sequestraram um recém-nascido desse jeito?

— A segurança do hospital deixou a desejar. – Deu de ombros. – Simples assim.

— Não é simples assim! – Tacou outra almofada no Uchiha.

— Ei! – Repreendeu. – Se você vem na minha casa pra ficar...

— Amaterasu? – As palavras ditas por Sakura fizeram a frase de Sasuke morrer no ar. Seu coração bateu mais forte e ele simplesmente não sabia o que responder.

— Amaterasu? – O homem se controlou para não gaguejar. – Tá falando sério? – Riu, como se aquilo fosse um absurdo. – Criatura, isso não passa de uma lenda.

— Tem certeza? – Arqueou uma sobrancelha. – Eu realmente acredito que eles existam. E podem estar em qualquer lugar, inclusive aqui em Toská.

— Você é lunática, vai se tratar!

— Amaterasu ou não, sua família é envolvida com o crime organizado, eu tenho certeza disso! – Acusou, apontando o dedo para Sasuke.

— Prove! – Sorriu com deboche, fazendo o sangue de Sakura ferver nas veias.

— Então você admite?

— Não. Mas, se você tem tanta certeza, deve ter alguma prova que possa nos incriminar. – Mais uma vez as palavras de Sasuke a deixaram irritada. – Mas você deveria tomar muito cuidado. Se tem tanta certeza de que a minha família é envolvida com a máfia, deveria ter mais cuidado com o que diz pra mim.

— Eu não tenho medo de você, seu babaca! – Bufou. – Eu já imaginava isso, que os Uchiha podem ter algum envolvimento com o crime, mesmo antes de voltar para a Rússia. Cheguei a essa conclusão há muito tempo.

— Então por que se arrisca tanto? – Sasuke não camuflou sua curiosidade. – Achava que Sarada, ou melhor, Haruka, estava morta. Você não me procurou por causa da sua filha, porque não sabia que ela estava comigo. Se afirma que os Uchiha são perigosos, por que se arriscou?

— Porque, mesmo que custasse a minha vida, eu queria me vingar de você. – O ódio da Haruno era quase palpável. – Eu jurei que, nem que fosse a última coisa que eu fizesse, me vingaria de você. Porque se você não tivesse me abandonado, nada disso teria acontecido.

De fato, o maior motivo pela expulsão de Sakura da casa de seus pais foi o sumiço de Sasuke. Como ela iria explicar que o pai de seu filho havia simplesmente sumido do mapa? Obviamente que seus pais imaginaram que nem mesmo ela sabia quem era o pai da criança.

Se Sasuke tivesse ficado ao lado dela, se tivesse conversado com os pais dela pra resolver tudo como deveria ser resolvido, Sakura não teria sido expulsa, tampouco Haruka haveria sido sequestrada.

— Você dá muito pouco valor a sua vida, não acha? – Questionou o moreno.

— Eu não tinha motivos pra viver, Sasuke... – Falou amargurada. – Quando estava grávida, o que me motivava a continuar era a Haruka, mas ela foi tirada de mim. Depois disso, o que me motivou a continuar vivendo foi pensar que um dia iria fazer você pagar por tudo! Mas e depois? Eu fui abandonada por meus pais, pensava que a minha filha estava morta... Eu não tinha ninguém. Então, depois de me vingar, por que eu viveria?

Não havia dúvidas de que Sakura ainda guardava um ódio imenso do Uchiha, mais ainda de sua família.

Acontece que, nessa história toda, Sasuke foi tão vítima quanto ela. Ele realmente não teve escolha.

— Mesmo que eu não tenha culpa, peço desculpas pelo que te aconteceu. – As palavras do Uchiha foram realmente sinceras, até Sakura se surpreendeu. – Você sofreu muito e eu não pude fazer nada. Sei que fui um covarde por não ter enfrentado meu pai, mas eu era um menino ainda.

— Seu pai é um monstro.

— E você acha que eu não sei disso? – Bufou. – Ele colocou a Sarada contra mim a vida toda. É claro que não fui o melhor pai do mundo. Na verdade estou bem longe disso... No lugar da Sarada, eu também me odiaria.

— Sei que dificilmente ganharei o amor da minha filha após esses dezoito anos, mas pelo menos quero que ela me aceite como mãe.

— Mas você precisa ser paciente. Sarada não vai aceitar isso tão facilmente, acredite. Ela é bem difícil de lidar... Tal como a mãe dela.

Sakura corou levemente e não conseguiu evitar isso.

— Agora ela é minha única razão de continuar vivendo. – Abaixou o olhar, fitando o chão. – Não posso perdê-la novamente. Eu não posso.

— Você não vai perdê-la... – Respondeu firmemente. – Confia em mim.

— Eu já confiei em você, Sasuke! – A angústia facilmente notável no tom de voz da Haruno fez o coração de Sasuke doer. Não porque ele tenha algum tipo de sentimento por ela, mas por tudo que ela passou. – Veja só no que deu...

— A única coisa que eu posso fazer é pedir desculpas... Acredite ou não, eu também sofri bastante.

— Sofreu? – Riu com sarcasmo. – Você estava nos Estados Unidos, com certeza estudando num dos melhores colégios internos do mundo. Um sofrimento desses eu também queria. – Bufou, cruzando os braços em frente ao corpo. – Enquanto isso eu estava trabalhando como prostituta para sobreviver. Então não venha me falar de sofrimento, Sasuke! Você não sabe o que é isso.

— Eu sofria por pensar em você, sua estúpida! – O moreno aumentou seu tom de voz, mas logo tratou de se acalmar, visto que Sarada poderia acabar ouvindo a discussão. – Sofria por pensar que você estaria sozinha durante a gravidez, que daria a luz sem eu estar por perto. – As palavras de Sasuke realmente deixaram a rosada sem reação. Ela jamais imaginou isso da parte dele. – Por mais que tenha fugido da minha responsabilidade quando voltei para Toská, eu sofria de pensar que não veria o nascimento do meu filho.

— Quem vê até pensa que você é uma pessoa sensível... – Riu com desdém. – Você perdeu o nascimento da sua filha, seus primeiros anos de vida, e ainda jogou a responsabilidade para seus pais por doze anos!

— Fui imaturo, mas nunca falei que não amo a minha filha. – Retrucou. – Eu tinha dezoito anos e uma filha de três, então me diga como eu moraria sozinho com ela? Como eu iria educar e cuidar de uma criança tão pequena? Confesso que, por ela estar com meus pais, me acomodei e não dei a atenção que ela precisava. Me arrependo disso e sei que mereço esse "tratamento especial" que a Sarada me dá.

— Ainda bem que você reconhece.

Nesse momento um pigarreio chamou a atenção dos dois, então ambos olharam para a adolescente que estava descendo a escada e parou na frente dos dois.

— Por que vocês estão assim tão afastados? – Perguntou com decepção. – Ora essa, Sasuke, a Izanami não morde. – Comentou enquanto se sentava ao lado da rosada e Sasuke murmurou um "faz coisa muito pior". – Você não precisa ter medo dela.

— Minha perna está doendo porque alguém me obrigou a caminhar pelo shopping. – Revirou os olhos. – Preciso esticá-la.

— Sua perna está doendo porque você é um velho que já sofre de osteoporose e deslocou o quadril enquanto transava. – A provocação de Sarada irritou seu progenitor, mas ele preferia que a filha acreditasse que ele se machucou enquanto transava.

— Você nem imagina de que mais ele sofre. – Sakura falou num tom de brincadeira e as duas começaram a rir ao mesmo tempo em que uma carranca se formou no rosto de Sasuke.

Ele se lembrou da "disfunção erétil". Não que ele realmente sofra disso antes dos trinta e quatro anos, mas nenhum ser humano em sã consciência conseguiria manter o membro ereto sabendo que tem uma arma apontada para ele.

— Que seja! – Deu de ombros. – Preciso manter minha perna esticada.

— O sofá é espaçoso. – Disse a menina. – Izanami, o Sasuke está com dor. Por que não faz uma massagem nele?

— Não, obrigado! – O moreno quase engasgou com a própria saliva, arregalando os olhos com certo pânico, visto que aquela lesão em sua perna era culpa da rosada. – Ela pode ficar aí quietinha, longe de mim.

— Não seja tímido... – A rosada falou num tom de brincadeira, se divertindo muito com a situação. – Você tá dodói, Sasuke. – Ela se levantou e então se sentou no mesmo sofá que Sasuke, colocando as pernas do moreno em seu colo. – Tá mais confortável assim?

Apesar de estar mais confortável, ele jamais admitiria.

— Não me toca, jararaca cor de rosa! – Rosnou entre dentes.

— Nossa, você acha que eu seria capaz de te machucar? – Fingiu tristeza, mas por dentro estava dando várias gargalhadas.

— Nunca se sabe... – Falou com certo receio. – Sua mão está perto demais do meu curativo...

— Você quer que ela suba um pouquinho? – Mordeu o lábio inferior e Sasuke teria achado aquilo extremamente sensual se a situação fosse outra.

Lentamente a mão da rosada subiu, aproximando-se da intimidade do moreno. A primeira coisa que passou na cabeça de Sasuke foi a lembrança do pesadelo que tivera quando estava internado.

O coitado do Little Sasuke ficou traumatizado e o Uchiha temia que ele não conseguisse subir nunca mais.

— Olha o nível que as coisas estão chegando! – Falou meio desesperado, fazendo Sakura dar gargalhadas. – Cuidado com essa mão, sua naja de salto alto!

— Vocês são estranhos... – Sarada uniu as sobrancelhas. – Vocês poderiam fazer ou insinuar certas coisas num momento em que eu não esteja por perto. Eu agradeceria demais.

— Seu pai é um bobo, Sarada. – A mais velha riu, finalmente afastando a mão da intimidade do homem, o que o deixou extremamente aliviado. – Ele entende tudo como uma ameaça, credo. – Ela fez um biquinho infantil, fazendo Sasuke bufar.

— Sim, ele é um bobo. – A morena concordou e Sasuke fechou a cara.

— Agora são as duas contra mim? – Suspirou. – Isso não vai acabar bem...

— Vai sim! – Respondeu-lhe Sarada.

— É... – Concordou a rosada. – Na pior das hipóteses você só vai parar num sanatório.

— Eu acho que essa seria a melhor das hipóteses... – Suspirou pesadamente o Uchiha.

— Você fala como se a Izanami fosse algum tipo de psicopata. – Estranhou a menina. – Por acaso ela te amarra na cama pra te bater com um chicote?

— Faz coisa pior... – Estreitou os olhos para a rosada e falou baixo, mas num tom que deu para a sua filha entender.

— Que fetiche estranho... – A morena falou enojada. – Cuidado, viu? Daqui a pouco você acorda e ela vai estar ao seu lado comendo uma linguiça que não é linguiça.

Sasuke sentiu seu sangue gelar nas veias e, por incrível que pareça, o Uchiha que não é religioso nem nada fez o sinal da cruz.

— Eu entendi a referência. – A rosada caiu na gargalhada e Sasuke empalideceu mais ainda, ficando da cor de uma folha de papel.

— Eu preciso parar de assistir Game of Thrones... Aquele episódio me deixou impressionado demais. – Murmurou, preocupado com o fato de que Sakura entendeu a referência. Vai que ela tenha algumas ideias cruéis e resolva testar com ele... – E você, mocinha, não deveria assistir esse tipo de coisa! – Estreitou os olhos para Sarada. – Vamos mudar de assunto, por favor. Não me sinto confortável falando dessas coisas.

— Onw, tadinho, ele não tá confortável! – A mais velha falou com uma voz infantil e apertou as bochechas de Sasuke.

Nesse momento o moreno imaginou a bela cena de uma espécie de ave gigante aparecendo do nada, destruindo o telhado da casa e bicando a rosada... As mortes do Kenny também lhe deram boas ideias e imaginar isso estava sendo confortante.

— Senhor, me leve agora! – Implorou o moreno, fazendo as duas mulheres rirem.

— Sasuke, você é tão dramático. – Disse sua filha, se divertindo com a situação e contente pelo momento romântico que estava presenciando. Sim, romântico, pois Sasuke Uchiha não seria mais doce ou carinhoso do que aquilo, portanto, Sarada considerava aquela cena algo realmente romântico.

— Sarada, você sabe que homem é um bicho mole. – Sakura sorriu de canto e Sasuke entendeu o que ela realmente quis dizer com "mole". Talvez nem fosse mesmo isso, mas ele via maldade em toda e qualquer palavra que saísse da boca da Haruno. – Sente uma dorzinha de cabeça e já tá morrendo... Qualquer coisinha é motivo pra estar prostrado na cama.

Poxa vida, Sasuke levou um tiro, foi operado, estava com pontos na perna, sentindo dor... Será que o coitado não tinha o direito de fazer um pequeno drama?

Claro, para Sarada, ele havia deslocado o quadril no momento do rala e rola, mas a maldita rosada sabia o real motivo de sua lesão e ainda fazia questão de provocá-lo.

— Com licença. – Com um pouco de dificuldade e fazendo várias caretas, Sasuke se levantou do sofá. – Preciso tomar meu remédio.

— Reposição de Cálcio? – Sarada indagou risonha e Sasuke quase mordeu a língua para não dar uma resposta à altura para a filha. Afinal, o moreno estava tentando se dar bem com Sarada, então precisava demonstrar o mínimo de maturidade que fosse.

Com vontade de retrucar – o que provavelmente desencadearia uma discussão ridícula, na qual Sasuke e Sarada mais parecem duas crianças –, Sasuke virou as costas e foi tomar o remédio que o médico havia receitado quando lhe deu alta do hospital. Ainda teve que ignorar um comentário pra lá de ridículo e desnecessário que "Izanami" fez sobre ele precisar tomar estimulante sexual. Sua vontade foi de matá-la, mas pelo menos aquilo fez Sarada rir.

A situação era irritante para Sasuke, mas Sarada estava se divertindo e parecia até ter esquecido sobre o término do namoro com Boruto.

Sasuke não sabia dizer se era coincidência ou se, lá no seu subconsciente, Sarada, de alguma forma, sabe que Izanami é sua mãe, visto que a menina aprendeu a gostar da rosada muito rápido, algo realmente raro.

Se aquilo era algum laço inquebrável, alguma ligação entre mãe e filha ou não, Sasuke não se importava. A única coisa que importava era que Sarada realmente gostava de Izanami e estava claramente tentando dar uma de cupido. Isso era bom, pois, se ela queria a rosada como madrasta, iria gostar de saber que ela é sua mãe... Bem, Sasuke esperava que as coisas fossem fáceis assim, mas conhecia o gênio da filha e tinha ciência de que as coisas seriam mais difíceis do que ele poderia imaginar.

[...]

Toská, Rússia

23 de março de 1997

07:09 A.M.

Fugaku estava na sala de jantar juntamente com o seu primogênito comendo suas refeições. O silêncio pairava no local.

O patriarca agradecia muito por Sasuke não estar mais ali. Fazia um pouco mais de dois meses que o menino partira para os Estados Unidos.

Minutos depois, Mikoto entrou na sala e se assentou à mesa para comer.

— Onde estava? – Indagou o Uchiha mais velho.

— No quarto, assistindo as notícias. – Deu de ombros e seu marido riu.

Vinha notando que sua esposa saía sempre às quatro da tarde e chegava às sete há 16 dias. Acabou por persegui-la e ver o que a mesma fazia.

— Com estas roupas? – Replicou e a mulher nada disse. – O que fazia naquela pousada?

— Não é da sua conta. – Treplicou calmamente enquanto comia.

— Você anda me traindo? – Seu tom ficou sério. – O Sasuke já foi, agora é você quem me trará problemas?

— Por que você não fica quieto e come? Vai acabar engasgando assim... – Murmurou.

— Olha bem como você fala comigo, mulher. Senão eu...

— "Senão" o quê? – O interrompeu. – Vai me mandar para a América como fez com o Sasuke?

— Não mude de assunto e me responda! O quê fazia naquela pousada? – Aumentou o tom de voz.

— Estava fazendo algo pelo meu filho, coisa que você não faz!

— O Sasuke? – Riu em deboche. – Eu fiz algo por ele. Quem paga as contas, as roupas que ele usa sou eu.

— Isso não é mais do que sua obrigação! – Parou de comer e o olhou furiosa. – Admita que está feliz por ele estar longe! Você não age como pai, Fugaku! Nunca agiu!

— Vocês poderiam parar de discutir? – Itachi finalmente se pronunciou. – Estão deixando minha janta com um gosto horrível.

Mikoto tornou a comer e seu marido fez o mesmo.

— O que Sasuke te pediu? – Insistiu mais calmo.

— Não vou dizer.

— Eu sou seu marido, e eu exijo saber.

— Pergunte a ele. Quem sabe assim você converse com o menino pela primeira vez na vida, ao invés de gritar. – Disse irônica enquanto bebia seu vinho.

— Qual o seu problema?

— Você. A causa de tudo, como sempre. – Terminou seu prato.

— Eu? Sou assim por causa do patético do seu filho. Sou assim porque você insistiu em ter um segundo filho, e olhe a merda que deu!

Furiosa, a Uchiha pegou o garfo e lançou sobre o marido, o cabo do utensílio acabou pegando no peito dele.

— Ficou louca? – Vociferou o homem.

— Eu devia ter mirado mais para cima... – Resmungou.

— Eu não admito que tenha esta atitude comigo, Mikoto! – Levantou-se bruscamente.

— Então por que casou comigo? Não foi porque você queria um herdeiro e não poderia ser de qualquer mulher? Eu já te dei dois, não precisamos mais ficar juntos. – Debochou.

— Se não fosse por mim, você ainda seria aquela pobretona.

— Sim, eu devo te agradecer por isso. – Sorriu se levantando da mesa. – Agora eu sou rica, tenho dinheiro e um carro de luxo, tenho tudo o que mais desejei na palma da minha mão. Não casei por amor, casei por causa do dinheiro. E por isso eu te escolhi.

— Então pare de reclamar, a escolha foi sua.

— Tem razão. Eu quero divórcio.

Um silêncio reinou por longos minutos entre os dois. Apenas um pequeno sorriso se formou nos lábios de Itachi.

— Não. – Fugaku respondeu e Mikoto sorriu vitoriosa.

— Então aguenta calado.

— Se separarmos, você vai voltar a ser pobre.

— Pare com esta falsa empatia. – Apontou a faca para ele. – A verdade é que você não tem escolha. Eu posso muito bem contar após o divórcio que você pertence a uma organização criminosa. Você seria mais pobre do que eu, se for preso.

O patriarca travou o maxilar. Aquela mulher era mais esperta do que imaginava.

— Eu posso muito bem matá-la. – Ele não desistiria tão fácil, ainda tinha seu orgulho.

— Então mate. – Sorriu em escárnio. – Você será o principal suspeito da polícia após o assassinato. Eu sei que você não é burro. Após o divórcio você esperaria um tempo para me matar, exatamente para a polícia não suspeitar. E, enquanto isto, eu já teria espalhado para todo o país que você é o líder da Amaterasu. Não seria agradável para você.

— Condenaria a própria família?

— Você já a condenou há muito tempo. – Disse enquanto se retirava.

O Uchiha socou a mesa. Aquela mulher o desafiou pela primeira vez na vida, e ele não tinha uma resposta para as ameaças dela.

— A propósito... – A morena chamou a atenção do esposo enquanto passava pela porta. – Eu finjo ter orgasmo.

E saiu.

Itachi riu baixinho e se levantou em direção à saída.

— Aquela vadia... – Ouviu o pai murmurar. – Itachi, descubra o que ela está fazendo indo àquela pousada!

— Tenho mais o que fazer do que ficar de olho no que a mulher de outro homem faz.

E com esta resposta, Itachi se retirou.

Fugaku estava enfurecido. Tanto pela atitude da mulher, quanto pela do filho.

— Parece que gostam de me contrariar. – Bufou.

Estava decidido. Iria descobrir o que Mikoto fazia naquele lugar e que favor era este que Sasuke pediu.

[...]

O Uchiha conferia o celular a todo instante vendo se receberia alguma mensagem ou ligação de um de seus "cães".

Fugaku ainda estava irritado com a atitude da esposa. Não teve outra escolha senão mandar um infiltrado naquela pousada.

Ouviu uma batida na porta de seu escritório e autorizou a entrada.

— Diga, Shizune. O que descobriu? – Perguntou à mulher impacientemente.

— Aparentemente, sua esposa está indo visitar a dona da pousada. – Foi direta.

— Aparentemente? – Arqueou uma sobrancelha.

— Acredito que ela a esteja “visitando” à procura de outra pessoa.

— Quem?

— Não queria parecer suspeita aos olhos da dona do local, então não perguntei muitas coisas.

— Mas o que ela disse? – Franziu o cenho.

— O nome da dona é Tsunade Senju. Perguntei se ela conhecia alguma pessoa chamada Mikoto, ela afirmou e completou dizendo que era uma ótima pessoa. Tanto que pediu para que acolhesse uma menina.

— Acolher uma menina? – Arregalou os olhos. – É esta criança que Mikoto está procurando?

— Acredito que sim.

Fugaku levantou-se de sua cadeira e olhou para a larga janela atrás de si. Levou uma mão ao queixo e ficou pensativo.

Pedido. Sasuke. Acolher. Menina.

Definitivamente se tratava de Sakura Haruno, a pessoa quem seu caçula engravidou.

— Shizune. – Virou-se para a mulher. – Chame meu filho.

A morena dos cabelos curtos se curvou em reverência e se retirou do local. Minutos depois, Itachi adentrou à sala.

— Diga.

— Itachi, preciso que me faça um favor. – O jovem fez um sinal para que o mais velho prosseguisse. – Sabe aquela pousada que sua mãe anda frequentando?

— Se for me pedir para ficar espionando…

— Cale a boca e preste atenção. – Interrompeu a fala do mais novo. – Mikoto está atrás da Sakura.

— Quem é essa? – Franziu o cenho.

— A garota que o inútil do seu irmão engravidou.

— Ah, sim. E daí? Você se importa com isso?

— Como assim? – Franziu o cenho.

— Por que está preocupado como se isso o atingisse?

Esta pergunta deixou o patriarca pensativo. Ora, ele poderia muito bem deixar a menina de lado e seguir sua vida. Não era nada preocupante.

— Não acha que já passou da hora de você parar de ficar contrariando o meu irmão? Tudo o que ele faz você reclama. Ele foi irresponsável, mas isso é problema dele. Não seu.

Fugaku balançou a cabeça no sentido negativo. Não. Definitivamente os seus motivos estavam além de seus conflitos com Sasuke.

Era Mikoto. Não iria tolerar ser desafiado e ameaçado pela própria esposa. A faria se arrepender do que havia dito.

— Aquele moleque envergonhou o nome da família. – Replicou o Uchiha. – É claro que é problema meu.

— Não é do seu feitio agir com imprudência e pelas emoções. — Franziu o cenho. — A tal Sakura pode muito bem ter mentido para conseguir o dinheiro de nossa família. Não sabemos se a criança é realmente filha do Sasuke.

De fato, a Haruno poderia sequer estar grávida ou o filho nem ser do jovem garoto. Poderia ser o famoso “golpe da barriga”.

— Duvido que uma criança de 15 anos mentiria sobre isso só por dinheiro… — Apostou o mais velho.

— Minha mãe não fez isso? – Debochou. – Você realmente foi iludido pensando que a conseguiu, mas foi ela quem lhe escolheu. Patético.

Irritado com isso, Fugaku pegou o porta-lápis e jogou no filho, o qual desviou com tranquilidade.

— Mas o filho que ela esperava aos 20 anos realmente era meu! Era você.

— Você acha que ela não planejou isso? Era tudo para conseguir sua riqueza, só você não percebe isso... – Sorriu cinicamente. – Ou você simplesmente não quer acreditar que foi usado?

— Eu lhe permiti entrar neste mundo e posso lhe tirar dele. – Ameaçou. – Tome cuidado com o que fala.

— Enfim, diga logo o que quer.

— Mikoto está planejando fazer com que Sakura seja acolhida pela tal dona da pousada, Tsunade Senju. O que muito provavelmente foi um pedido do Sasuke. – Explicou. – Preciso que entre em contato com esta mulher e consiga informações sobre a menina. Assim saberemos se a criança é realmente do seu irmão, e a partir daí poderemos agir.

— Entendo. – Disse enquanto se retirava do escritório. – Mas já vou avisando: farei do meu jeito.

— Como quiser.

[…]

Toská, Rússia

03 de março de 2016

08:21 A.M.

A Hyuuga estava pensativa, sua cunhada havia simplesmente desaparecido sem deixar notícias ou pistas.

Karin não é do tipo que faz algo sem informar. Com certeza avisaria se fosse viajar ou estaria se lastimando se estivesse doente. Isso comprovava que algo estava estranho.

Nem mesmo o celular dela pôde ser rastreado, segundo Shikamaru. Ninguém desaparece do nada, e Hinata sabia disso.

A morena suspeitava de alguém. E não precisava pensar muito para descobrir quem era.

— Você acha mesmo que o pai da Sarada tem alguma coisa com o sumiço da Karin? – Naruto perguntou com uma expressão séria.

— Eu não acho, Naruto, tenho certeza. – Hinata disse convicta, porém os traços de preocupação não deixavam o seu rosto. – Ele provavelmente descobriu que Karin o investigava e fez alguma coisa para impedir que a situação piorasse para o lado dele. – Suspirou, encostando as costas no sofá da sala, onde ela e o cônjuge estavam sentados conversando.

— Se o que você diz é verdade, e eu acredito piamente que seja, precisamos avisar a alguém! – O loiro exclamou. Ele sabia que a intuição de sua esposa nunca estava errada. Além do mais, havia vários motivos para o Uchiha querer dar um fim a sua família. – Devemos contatar o seu chefe e avisá-lo de que... – Hinata o interrompeu.

— Naruto, eu fui afastada da polícia por não ter provas suficientes. Você e o Shikamaru podem acreditar em minhas intuições, mas isso não é suficiente para um mandado de prisão. Meu próprio chefe disse isso ainda há pouco. – Explicou olhando para o teto de sua sala. Sentia-se inútil por não conseguir fazer nada para ajudar seus entes queridos.

— Então o que faremos? Não posso me conformar em ficar parado diante desta situação.

— Farei o que uma boa detetive faz. – Levantou-se determinada. – Procurar pistas. E desta vez, colocarei o Uchiha atrás das grades.

O loiro assentiu e depositou um beijo nos lábios da esposa.

— Se precisar de qualquer coisa, fale comigo.

— Fique com as crianças. Não quero que elas saibam disso e que nossa família corre perigo. Neste momento é melhor que fiquem calmas.

— Certo.

Hinata sabia que precisava fazer algo urgentemente. Eles estavam correndo contra o tempo para poder salvar Karin.

Adentrou o seu quarto e fechou a porta atrás de si. Sentou-se à escrivaninha e ligou o notebook. Entrou no Google e na barra de pesquisas escreveu "família Uchiha". Como era uma família muito conhecida por causa do casino e da casa noturna, não seria difícil encontrar algo sobre eles.

Não custou nada para achar notícias a respeito. Clicou na primeira opção que apareceu e leu todo o artigo.

Ali falava várias coisas sobre vários Uchiha diferentes, porém, ela parou de descer a página quando leu o específico nome que procurava. Sasuke Uchiha...

"Filho caçula de Fugaku e Mikoto Uchiha e irmão de Itachi Uchiha. Tem uma filha cuja mãe é totalmente desconhecida".

Pulou as partes irrelevantes e procurou algo que parecesse ao menos um pouco suspeito. Não demorou a encontrar.

"Não se sabe ao certo quando esta família começou a enriquecer, mas o fato é que tanto o casino quanto a casa noturna recebem vários políticos e famosos".

Apareceram também algumas fotos e nomes dessas pessoas que já frequentaram os estabelecimentos e ainda frequentam constantemente.

Aquilo ainda não era o bastante. Hinata não podia fazer muita coisa com esse tipo de informação, portanto resolveu pesquisar essas pessoas mais a fundo. Procurou saber mais sobre esses políticos e descobriu que a maior parte era envolvida com corrupção, porte ilegal de armas e/ou de pessoas.

Isso foi o bastante para conseguir formular uma teoria. Ligando as armas aos casos de Deidara e Kisame e as pessoas ao desaparecimento de Karin, tudo fazia um pequeno e terrível sentido em sua cabeça. Não eram exatamente provas, mas o bastante para se criar uma suspeita. E isso não a tranquilizou nem um pouco.

Desligou o notebook e pegou o celular que estava ao lado. Precisava mesmo falar com Shikamaru. Discou o número deste e depois de um tempo chamando ele atendeu dizendo um "oi" com a mesma voz preguiçosa de sempre.

— Shikamaru, sou eu, Hinata. – Apresentou-se ao telefone. – Eu preciso falar com você sobre a Karin.

— Descobriu algo? – Se mostrou interessado.

— Sim, mas tem que ser pessoalmente.

— Venha à minha casa às dezoito horas, estarei te esperando.

— Obrigada. Até mais. – Desligou.

Hinata precisava agir rápido. Em sua cabeça só haviam três estados em que a Karin poderia estar: mantida em cativeiro; sendo vítima de tráfico de pessoas; ou, na pior das hipóteses, morta.

De qualquer maneira tinha de ser rápida para pôr Sasuke Uchiha atrás das grades. Este homem é mais perigoso do que ela havia imaginado. E se a Amaterasu realmente existe e ele faz parte dela, temia pelo futuro se sua família.