Notas iniciais
So sorry pelo atraso, tivemos a semana cheia e não deu pra postar ontem... Mas o capítulo está enorme pra compensar ;D

Toská, Rússia

22 de fevereiro de 2016

09:36 A.M.

Seu objetivo ali não era somente visitar sua cunhada que levara um tiro de raspão na orelha enquanto estava trabalhando, Karin também tinha algumas informações para ela.

Talvez o suficiente para ela chegar à conclusão de que a família Uchiha realmente não é uma boa influência, por mais que, aparentemente, não tivessem nenhum negócio ilegal.

Foi atendida por Boruto, seu afilhado além de sobrinho, assim que chegou na casa. Naruto precisou resolver algo no restaurante, mas voltaria logo, enquanto isso Himawari estava grudada na mãe e ainda muito impressionada com o que aconteceu.

Algumas coisas são muito complicadas para uma criança entender.

— Posso entrar? – A ruiva deu duas batidas na porta do quarto e abriu um pouquinho, expondo seu rosto.

— Tia! – A pequena Uzumaki saiu da cama onde estava ao lado da mãe e correu para abraçar a tia. – Por que a senhora nunca mais me levou pra comer doces e tomar sorvete no shopping?

— Karin... – Hinata sorriu de canto e sentou-se, usando os travesseiros para apoiar as costas. – Você anda estragando a minha filha? – Questionou com uma risada divertida e Himawari ficou sem jeito, visto que ela e Karin prometiam que a menina não comeria doces além da conta quando saíam juntas.

Karin nunca teve filhos, e nem pretendia, portanto amava mimar os sobrinhos.

— Só um pouquinho. – A ruiva pegou Himawari no colo e lhe deu um beijinho estralado na bochecha. – Afinal, essa é a função dos tios, não é?

— Se for assim, então a tia Hanabi e o tio Neji estão me devendo muitos doces. – A menina cruzou os braços em frente ao corpo e inflou as bochechas, demonstrando toda a sua indignação para com seus tios por parte de mãe que nunca a levaram para tomar um sorvete sequer.

— Hima... – Karin colocou a sobrinha no chão. – Vai brincar lá fora, a tia tem um assunto de adulto para conversar com sua mamãe.

— Adultos... – Revirou os olhinhos, já caminhando em direção a saída do quarto. – Sempre excluindo as crianças de tudo...

As duas mulheres riram da garota, mas tornaram a ficar sérias assim que a porta foi fechada.

Karin caminhou até a cama de casal e sentou-se ao lado de Hinata.

— Tem alguma informação importante pra mim? – Hinata questionou.

— Tenho, mas primeiro eu quero saber como você está.

— Apesar de tudo, estou bem. – Suspirou. – Nesses anos de carreira, não é a primeira vez que uma bala pega de raspão em mim... Enfim, já estou pronta pra outra. – Respondeu a mulher que, mesmo sabendo os perigos de sua profissão, é simplesmente apaixonada pelo que faz.

— É bom saber disso. – Sorriu. – Bem, não vou fazer rodeios... Andei investigando o tal Sasuke de perto, ainda não fizemos contato, mas a impressão que tive é que ele nada mais é do que um adolescente no corpo de um adulto.

— Explique isso melhor. – Hinata se mostrou interessada.

— Ele passa a noite fora, ou está no Casino ou na casa noturna, durante o dia não sai de casa... Bom, pelo menos nesse curto período de tempo que eu o observei, ele não saiu.

— Isso até que é natural, até porque o Sasuke é um dos donos do Casino e da casa noturna.

— Eu entrei na casa noturna, Hinata. – A seriedade no tom de voz da ruiva fez Hinata prestar ainda mais atenção em cada detalhe daquela história. – Ele não estava trabalhando, estava curtindo a noite com a namorada, como se tivesse dezoito anos de idade.

— Ele tem uma namorada? – Arqueou uma sobrancelha. – Sarada nunca contou sobre uma madrasta. Bem, pode ser alguma peguete.

— Embora a mulher seja muito bonita, não era nenhuma menina novinha. Dou uns trinta anos no máximo. – Supôs, então deu uma risada que deixou Hinata curiosa. – Engraçado, o que leva uma mulher dessa idade a pintar os cabelos de rosa?

— Rosa? – Hinata indagou incrédula, pois realmente é estranho imaginar uma mulher madura com os cabelos coloridos. Se fosse uma adolescente seria mais comum, até porque a própria Hinata teve sua fase "rebelde", mas uma mulher de aparentemente trinta anos? – O que eu posso dizer? Gosto não se discute.

— Ela e o Sasuke saíram de lá de madrugada e foram pra um motel. – Contou. – Provavelmente amanheceram lá.

— Então quer dizer que o sogro do Boruto não faz nada além de curtir as noitadas? – Questionou pensativa. – Mais alguma coisa?

— Tinha muita gente usando drogas lá. – Contou.

— Será que adquiriram lá mesmo?

— Provavelmente...

— Minha nossa... – Hinata falou horrorizada. – É esse o tipo de negócio que a Sarada quer herdar?

— Se isso já acontece na casa noturna, o que não acontece dentro do Casino? E outra, quem garante que a Sarada nunca frequentou esses lugares?

— Tem coisa errada aí, eu tô sentindo. – Sua intuição falava mais alto do que nunca. – Karin, aproxime-se desse homem, o mais rápido possível.

— Ganhar a confiança de um homem como ele não vai ser difícil. – A mulher cruzou as pernas sensualmente e jogou os cabelos para o lado, fazendo Hinata rir. – O problema maior vai ser a namorada... – Suspirou. – E se eles tiverem algo sério?

— Karin, me poupe! – Bufou. – Que tipo de casal maduro, com um relacionamento sério, tem um encontro num lugar como esse?

— É, pode ser só fogo de palha. – Assentiu.

— E mesmo que eles estejam noivos, aquela cara de cafajeste não me engana... Use todos os seus artifícios, descubra mais sobre Sasuke e o resto dos Uchiha.

— Pode deixar, eu nunca faço as coisas pela metade e meus trabalhos são todos bem feitos. Eu vou descobrir tudo que você precisa saber.

[...]

Toská, Rússia

22 de fevereiro de 2016

01:43 P.M.

Na sala de jantar, todos comiam silenciosamente, concentrados em seu próprio almoço, só se escutava o jornal dando as notícias do dia.

A família estava reunida na casa de Sasuke a pedido de Sarada, ela queria que o seu avô se acertasse com seu pai depois da última discussão. Claro, pensando apenas em Fugaku, nunca em Sasuke.

Mas não estava dando certo, já que ambos sequer se olhavam.

— Sarada, desligue a televisão. – Pediu seu avô.

— Espere. – Disse o caçula.

Há 6 dias houve um tiroteio bem aqui, na área oeste de Toská. Tratava-se de um conflito de policiais com um grupo de criminosos denominados “Samehada”. – Dizia a repórter.

Fugaku se interessou, afinal, se tratava de um grupo que ele fornecia armas.

Algumas testemunhas disseram que os policiais tentaram negociar, mas mesmo assim o tiroteio ocorreu. Houve um total de 15 mortos, sendo 7 policiais e 8 bandidos. Só uma pessoa foi ferida, a policial Hinata Hyuuga. A polícia manteve as informações em sigilo até agora e...

— Olha, Sasuke! – Sarada bateu no ombro do pai como se ele não estivesse prestando atenção. – A mãe do Boruto...

— Ela levou um tiro na orelha, será que está bem? – Perguntou à menina que estava surpresa.

— Eu vou ligar para o Boruto. – Levantou-se apressadamente.

— Ei, termine o almoço! – Ordenou Mikoto que foi ignorada. – Humpf!

— Pai. – Sasuke suspirou enquanto olhava o seu progenitor. – Aquela tal de Hinata Hyuuga é a mãe do namoradinho da Sarada... Ela é policial.

— Sim, eu percebi. – Tomou uma expressão séria. – Mas o que tem?

— No início do mês, Kisame foi morto, creio que não é coincidência ela ter ido atrás dos Samehada. – Disse convicto. – Ela está chegando muito próximo da Amaterasu.

— Não se exalte por isso, não há como ela chegar até nós. – Disse Fugaku.

— ... O líder dos Samehada, Zabuza Momochi, foi levado sob custódia pela polícia... — Prosseguiu a repórter.

— ... Ainda acha isso? – Indagou o mais novo. Já que ele percebeu que seu pai ficou intrigado com esta última notícia. – Aquele demônio pode nos dedurar. Nunca fui com a cara dele.

— Meu pai. – Itachi se pronunciou assim que terminou seu almoço. – Creio que já é hora de você contar ao Sasuke o que se passa.

O Uchiha mais velho respirou fundo e encarou o seu caçula que não entendia nada.

— Você está certo. – Suspirou. – Sobre o Zabuza, não se preocupe, ele será calado antes que possa falar. – Sua voz soava ameaçadora. – A tal Hyuuga, eu mesmo tomarei as devidas providências.

— Só isso? – Insistiu o caçula.

— Eu aceitei a Sarada como membro da Amaterasu.

— VOCÊ O QUÊ? – Levantou-se histérico. – Com que direito?

— Eu posso! – Se pôs de pé e forçou a vós.

— Eu sou o pai da Sarada, não é você quem decide!

— Você nunca agiu como um pai, Sasuke! – Devolveu.

— Parem de brigar! – A matriarca se fez pronunciou.

— Porque eu não queria ser um pai tão patético como você foi comigo! – Treplicou. – Eu não aceito minha filha envolvida nisso! Não quero que ela suje as mãos de sangue.

— Ela já sujou. Quem você acha que matou Kisame? – Itachi falou.

— E você concordou com isso?

— Ora, por que não? Sarada sempre foi melhor que você. – Seu irmão disse de forma calma.

— Porque eu não permito! Eu sei o que é melhor para ela!

— Se soubesse, ficaria calado. – O patriarca cuspiu tais palavras no filho caçula.

Tudo ocorreu muito rápido. Tudo o que se ouviu foi um forte impacto dado no rosto de Fugaku. Sasuke lhe deu um soco firme no nariz.

— Cale-se, velho estúpido. – Vociferou.

Na mesma velocidade que seu rosto fora acertado, o Uchiha mais velho quebrou um dos pratos sobre o filho, abrindo um pequeno corte na testa do mesmo.

Houve um grito de Mikoto implorando para que parassem de brigar. Itachi continuava indiferente àquilo tudo.

— Parem com isso! – Sarada se pôs entre os dois homens que se atracavam e empurrou o pai com lágrimas nos olhos. – Vá embora!

— Que história é essa de você ter entrado na máfia? – Gritou alterado.

— Eu faço o que eu quiser! Já sou maior de idade e você não é o meu pai, nunca vai ser! – Disse enquanto o empurrava. – Vá embora, Sasuke! E não volte mais!

Suas estruturas se desfizeram naquele momento.

— Sarada, mais respeito com o seu pai! – Mikoto ralhou com a neta. Já estava farta de vê-la menosprezando o progenitor.

— Eu não tenho pai... – Murmurou.

— Não diga asneiras! – A matriarca da família se estressou, pronta para continuar o sermão.

— Mikoto. – Fugaku chamou, com a mesma pose e voz prepotente de sempre. Não esboçava nenhum sentimento além de fúria e simplesmente não ligou para o nariz sangrando e, provavelmente, quebrado. Tantos anos na máfia que um nariz fraturado chegava a ser quase nada. – Deixe-a. Ela tem razão. Com um pai inútil desses, é mais digno ser órfã.

Um silêncio se fez presente. Todos estavam com os nervos à flor da pele, exceto Itachi, que tomava seu vinho calmamente.

— Venha comigo, vovô. – Sarada se pronunciou depois de um tempo olhando para os olhos chateados do pai. Passou por este e foi até o seu avô, segurando em seu braço. – Vamos ao meu quarto, irei limpar o seu rosto. – Ambos deram as costas para os outros e foram caminhando para a porta.

— Sarada Uchiha, volte aqui! – Sasuke exclamou. Ainda não estava conformado, apesar de que o soco que deu em seu pai foi libertador. – Ainda não terminamos nossa conversa. – Esmurrou a mesa, sentindo-se completamente ignorado.

Bufando, passou as mãos nos cabelos. Estava tremendo em raiva. Exaltou-se demais ao descobrir que a filha estava fazendo parte de tudo isso.

— Filho, acalme-se um pouco. – Sua mãe falou aproximando-se dele. – Sarada não agiu certo, mas ficar nervoso só vai piorar a situação. Não é, Itachi? – Olhou para o primogênito, procurando uma mínima ajuda que fosse.

— Hm... – Itachi resmungou enquanto passava um guardanapo na boca e olhava, em seguida, para o relógio de pulso. – Hoje tenho a tarde sem nada para fazer... – Levantou-se da mesa. – Verei séries. Boa sorte. — Pôs as mãos nos bolsos da calça, e sem se importar com nada do que havia acontecido, saiu dali.

— Bem, Itachi sempre foi muito na dele. – Mikoto olhou sem graça para o caçula. – Agora, por que não conversamos um pouco?

[...]

— Melhor ir ao hospital ver isso. – Sarada comentou, passando um lenço úmido no rosto de seu avô, nas partes que estavam sujas de sangue.

— Isso não é importante. – Comentou indiferente, olhando pelo canto do olho para sua neta que, apesar de forte, possuía o olhar lacrimejante. Suspirou. Nunca se deu bem com sentimentalismo. – Não ligue para o imbecil do Sasuke. – Disse, fazendo Sarada prestar atenção nas suas palavras. – Eu deixei você fazer parte da Amaterasu e é isso que conta. Sasuke nunca ligou para você e agora se acha no direito de mandar em alguma coisa. – Falou rude, sem medir as palavras. A Uchiha abaixou minimamente a cabeça, fazendo a sombra de sua franja cobrir um pouco os seus olhos.

— Eu sei que ele não se importa e apenas quer fazer cena. – Por mais que tenha tentado esconder a frustração, seu avô notou a tristeza em sua voz. Fugaku ficou, pela primeira vez, desde que se lembra, sem saber o que fazer. Definitivamente não era bom com essas coisas. Mexer com armas e matar pessoas era muito mais fácil. – Sasuke às vezes parece tentar se esforçar para ser um pai se verdade. – Ela continuou, suspirando. – Mas já é tarde demais.

Um pequeno silêncio se instaurou, enquanto Sarada colocava pequenas ligaduras provisórias no nariz do avô.

— Ele agora quer correr atrás e ser um pai de verdade. Eu nunca fui um exemplo de pai ideal, mas nunca abandonei minhas crias na casa dos avós até completarem doze anos. – Falou. Sarada se sentiu um pouco mal ao ouvir aquilo. Fugaku não estava ajudando muito. – Uma vez a Mikoto me disse que ser pai não é um direito, é uma dádiva.

— Você não gota do Sasuke. – A mais nova lembrou.

— Não é que eu não goste. – Confessou. – Eu só acho ele um insuportável que não faz nada direito. – Estava se sentindo ridículo ao falar coisas assim para alguém, mas Sarada é a sua neta querida, tinha que ao menos tentar ser gentil. – Mas ele nunca vai mudar. Vai morrer sendo um idiota. Apenas continue ignorando e fazendo o seu trabalho na Amaterasu. Siga meus passos e terá sucesso na vida.

— Certo. – Ela sorriu de canto, dando um abraço em Fugaku, que meio desengonçado e sem jeito, retribuiu.

[...]

Sasuke sentou-se no sofá da sala e sua mãe sentou-se ao seu lado. Era perceptível que o homem estava frustrado, pois nada escapava dos olhos de sua mãe que o conhecia tão bem.

— Meu pai me odeia e, pra variar, minha filha me odeia também. – Lamentou o Uchiha.

— Seu pai não te odeia, ele só é um pouco rígido, mas é o jeito dele. – Mikoto tentou defender seu marido, mas até mesmo ela tinha dúvidas sobre o sentimento de Fugaku para com o filho, pois ele sempre preferiu o primogênito, enquanto o caçula apenas levava broncas. Talvez por ter a personalidade parecida com a do pai, enquanto Itachi sempre foi mais tranquilo. – E a Sarada, bem, ela está naquela fase...

— Mãe... – Ele a interrompeu. – Não adianta tentar me iludir com palavras, pois a realidade bate na minha porta todos os dias.

— Filho, com relação ao seu pai, eu não sei o que dizer. – Admitiu, lembrando da relação difícil entre pai e filho desde sempre. Sasuke era daquelas crianças que fazia de tudo para chamar atenção, uma vez que percebia que seu pai preferia o Itachi, então aprontava todas tanto na escola quanto em casa. O resultado era apenas broncas, surras e castigos. – Mas, com relação à Sarada, bem, poderia ter sido diferente e você sabe disso.

— Eu jamais teria sido metade do que vocês foram para a Sarada. – Confessou. – Eu tinha dezoito anos, uma filha de três, como queria que eu fosse pai e mãe ao mesmo tempo? – Questionou indignado. – Eu não queria que ela fosse criada por babás.

— Mesmo assim, naquela época, Sarada era louca por você e você não deu a atenção que ela precisava. – Argumentou a mulher. – Acabou que ela foi esquecendo que tem pai, sem falar na mágoa.

— A senhora sabe que meu pai me sobrecarregava na Amaterasu, às vezes me dava tarefas que eu precisava ficar fora por vários dias. – Suspirou. – Sem falar nas cobranças por parte dele e do Itachi... Eu ficava frustrado, sobrecarregado... Depois liguei o foda-se, pois percebi que não adiantava de nada tentar agradar os dois.

— Mas os filhos sempre têm que estar em primeiro lugar na vida dos pais, você sabia?

— Agora eu sei. – Admitiu cabisbaixo. – Depois de um tempo, eu passei a amar a Sarada, mas nunca soube lidar com ela... Nunca! – Bufou. – Eu chegava na casa da senhora e ela me chamava para brincar de boneca. – Revirou os olhos, fazendo Mikoto rir. – Se fosse um menino, poderia ter sido diferente.

— Sasuke, não invente desculpas para justificar sua ausência. – Repreendeu a mulher. – Até porque a Sarada não brincou de boneca até os doze anos de idade.

— Mas aí ela já me odiava. – Lamentou. – Mãe, se eu pudesse voltar no tempo com a experiência que tenho hoje, com certeza teria feito tudo diferente.

— Não tem jeito, Sasuke. – Insistiu. – Mas, por que você não tenta se abrir com ela? Seja franco.

—Ser franco? – Indagou com um certo deboche em seu tom de voz. – Eu teria que contar toda a verdade para ela! – Enfatizou a última parte. – Isso não seria legal, seria?

— Não seja radical.

— A senhora sabe que eu estou falando a verdade. – Argumentou. – Ela iria me encher de perguntas, não teria como enrolar. Do jeito que a Sarada é, com certeza iria querer ir atrás da mãe. – Mikoto assentiu, pois Sasuke realmente estava com a razão nessa parte. – E outra, prefiro que ela tenha raiva de mim... – O moreno abaixou o olhar. – Imagina só a decepção da Sarada se souber o que a senhora e o papai fizeram com ela e com a mãe dela.

— Eu não sei por que concordei com isso na época. – A Uchiha se lamentou. – Me sinto um monstro por isso.

— A senhora conhece o marido que tem e sabe que nada do que tivesse dito iria mudar a cabeça dele. – Bufou. – Mas poderiam ter pelo menos me avisado.

— Essa maluquice foi ideia do seu irmão e seu pai acatou. – Explicou a mulher e Sasuke murmurou um "Tinha que ser". – Ele não pediu minha opinião, simplesmente anunciou o que iria fazer, mas eu admiro que não fiz nada para tentar mudar a cabeça dele... – Ela abaixou o olhar. – Uma conversa civilizada com a garota poderia resolver, mas o Fugaku preferiu tomar medidas mais drásticas.

— Aquele homem é um monstro! – As palavras que Sasuke proferiu até chocaram Mikoto, mas não era de se admirar que ele pense assim. – Eu jamais teria aceitado isso... Jamais.

— Eu sou mãe, como acha que eu me sinto diante da situação? – Indagou. – Hoje me arrependo, claro, mas já faz dezoito anos e não podemos mudar o que já foi feito.

— Não podemos. – O semblante triste de Sasuke não passou despercebido por sua mãe. – Porra, não é que eu não ame minha filha... Eu só não sei lidar com ela.

— Sarada é mesmo uma garota difícil. – Concordou a mulher. – Mas no fundo é uma manteiga derretida. Vocês podem se entender, talvez se você falar com ela...

— Mãe. – Sasuke alterou um pouco o tom de voz, mas sem perder o controle. – Não tem conversa com a Sarada, sem falar que ela não me leva a sério... – Ele suspirou pesadamente e uniu as sobrancelhas. – Será que a senhora não vê? Ela não me respeita, sequer me chama de pai.

— Respeito é algo que você precisa impor, Sasuke! – Ela falou com a voz firme. – Pare de agir como um adolescente quando estiver com ela, mas também não fale com ela apenas para brigar.

— Como o meu pai sempre fez comigo? – A pergunta do moreno fez o coração de Mikoto falhar por uns instantes.

É fato, Fugaku, na maioria das vezes, falava com Sasuke apenas para dar broncas, isso desde sua infância.

Sim, ele aprontava muito e merecia as broncas, surras e os castigos que levava, mas Fugaku não percebia que o filho sempre fazia aquilo para chamar atenção porque tinha ciúmes do irmão mais velho.

— É... – Assentiu cabisbaixa. – Não seja para Sarada o pai que Fugaku foi pra você.

— Eu falhei como pai e sei disso. – Lamentou-se o Uchiha.

— Ainda não está tarde pra correr atrás do prejuízo, Sasuke. – A mulher falou docemente e Sasuke, mesmo pessimista, assentiu.

— É... Quem sabe.

[...]

Toská, Rússia

31 de julho de 2002

10:07 A.M.

A pequenina sorriu abertamente quando percebeu a presença de seu pai na mansão, não sabia por que ele não tinha ido direto no quarto para vê-la, mas estava feliz por ele estar lá.

— Papai! – Entrou na cozinha correndo, onde Sasuke conversava com Mikoto, e pulou no colo do moreno. – Você veio me ver, você veio me ver! – Berrou alegre, torturando os tímpanos de seu pai.

— Sarada, fale mais baixo... – Ele colocou a menina no chão e sentou-se numa cadeira. – Mãe, ela não deveria estar na escolinha de balé?

— Ela teve febre ontem, então achei melhor que ela ficasse em casa hoje. – Respondeu a mulher.

— Mas ela está bem? – Embora tivesse ficado preocupado, Sasuke pareceu indiferente.

Bem, é o jeito dele e isso ninguém pode mudar. Sasuke nunca foi do tipo de pessoa que demonstra o que está sentindo. Ele é péssimo nisso.

— Sim, ela melhorou. – Respondeu Mikoto, então Sasuke assentiu, afinal, se sua mãe disse que ela estava bem, então ela realmente estava bem.

— Papai... – Chamou a pequenina. – Sábado eu vou fazer cinco anos. – Ela mostrou a mãozinha aberta. – A vovó falou que vai fazer uma festinha para mim e vai convidar os meus coleguinhas. Você vem, né?

— Quem sabe... – Ele suspirou pesadamente e então sua mãe o repreendeu com o olhar. – Vou fazer o possível para vir.

— Papai... – Sarada fez beicinho, então pegou na não do pai e começou a sacudi-la. – Você não veio ano passado, tem que vir nesse ano!

— Eu comprei uma boneca para você, não tá de bom tamanho?

— Mas eu não quero só o presente! – Ela insistiu, batendo o pezinho no chão. – Quero você comigo!

— Seu pai vem sim, Sarada. – Mikoto falou com a voz firme, olhando para Sasuke como se estivesse dando uma ordem para ele. – Pode ter certeza de que esse ano ele estará lá.

— Oba! – Comemorou a menina que logo agarrou no braço do pai. – Papai, brinca comigo?

— Sarada, não estou aqui para brincar. – O Uchiha estava começando a ficar nervoso com a insistência da menina. – Vim conversar com a sua avó e já estou de saída.

Nessa época, Sasuke vivia sobrecarregado na Amaterasu. Fugaku e Itachi cobravam muito dele e é claro que Sasuke fazia de tudo para ganhar pelo menos um único elogio... Mas sempre era repreendido por alguma coisa.

— Por quê? – A decepção da garota era quase palpável.

— Porque eu estou trabalhando, não estou à toa! – Ele alterou seu tom de voz e Sarada ficou assustada.

Sasuke agiu por impulso e sequer esperou tal reação da menina que já estava com lágrimas nos olhos. Ele encarou sua progenitora que o olhava com indignação, como se o mandasse concertar o que fez.

— Você gritou comigo... – Sarada falou com a voz chorosa, então Sasuke suspirou pesadamente antes de se levantar e pegá-la no colo.

— O papai tá ocupado, Sarada. – Dessa vez, Sasuke pareceu estar mais calmo. – Sinto muito. Fica pra próxima, tudo bem?

— Mas sempre fica pra próxima. – Murmurou, fazendo aquele biquinho que derretia qualquer um... Menos seu pai.

— Eu prometo que vou tirar folga no dia do seu aniversário, tá bom? – Sasuke perguntou e então um largo sorriso se formou no rostinho angelical de Sarada. – Vamos passar o dia todo juntos. Vou te levar no cinema e depois vamos tomar sorvete, tá bom assim?

— Tá ótimo!

— Estou perdoado?

— Sim, você está perdoado.

Infelizmente Sasuke nunca cumpria nenhuma promessa que fazia para a filha. Ele foi perdendo Sarada aos poucos e nem se deu conta disso... Quando percebeu, já era tarde demais e o arrependimento jamais o faria voltar no tempo.

Quando se lembrava da infância de Sarada, Sasuke simplesmente não conseguia se perdoar por ter deixado o amor de sua filha se desintegrar aos poucos.

Assim como a Sarada de dezoito anos não sabe lidar com seu pai, Sasuke também não sabia lidar com a Sarada criança... Isso resultou num péssimo relacionamento entre pai e filha.

[...]

Toská, Rússia

22 de fevereiro de 2016

02:11 P.M.

O homem entrou no quarto da filha assim que Fugaku e Mikoto foram embora. A adolescente estava deitada na cama, com fones nos ouvidos e parecia viajar ao som de alguma música que Sasuke conseguia ouvir por causa do volume alto.

— Sarada... – Ele chamou, mas Sarada continuou de olhos fechados, balançando a cabeça no ritmo da música enquanto tocava sua bateria invisível com baquetas invisíveis. Sasuke revirou os olhos. – Sarada! – Aumentou o tom de voz, dessa vez cutucando a menina que fez uma expressão de desânimo ao vê-lo em seu quarto.

— Como ousa me interromper na melhor parte da música? – Resmungou enquanto tirava os fones dos ouvidos e dava pausa na música. – O que quer aqui, Sasuke?

— Que história é essa de que a senhorita entrou pra Amaterasu? – Indagou com a voz firme, mas não alterada, puxando uma cadeira de rodinhas para sentar-se de frente para a filha que continuava deitada sobre a cama.

— Você se importa? – Indagou indiferente.

— Sim, eu me importo! – Falou convicto. – Não quero que você se meta com isso... – Suspirou. – Uma vez você disse que se interessava por medicina, por que não procura uma faculdade boa? Você é inteligente, conseguiria entrar em qualquer uma.

— Não quero mais. – Respondeu. – Quero ficar na Amaterasu, eu gosto de ser Uzume de vez em quando.

— Uzume? – O Uchiha arqueou uma sobrancelha.

— O nome falso que escolhi.

Sasuke ficou um pouco surpreso na hora... Então sua filha já tinha pensado nos mínimos detalhes, inclusive num nome falso que foi provavelmente escolhido para que ele não soubesse que Sarada era um membro da Máfia.

— Pois não precisará mais usá-lo. – Informou-lhe o moreno. – Você vai sair desse negócio e voltar a estudar.

— É ruim, hein!

— É pro seu próprio bem e um dia você vai me agradecer.

— E desde quando você pensa no meu bem? – Sarada sentou-se com as pernas e braços cruzados, encarando o moreno com a face séria.

— Não diga que eu não me importo, Sarada. Você não sabe o que diz.

— Não? – Uniu as sobrancelhas. Sua incredulidade era quase palpável em seu tom de voz. – Um pai ausente como você não deve se importar. Nem uma mãe que preste você soube escolher pra mim, ela me abandonou e você me largou por doze anos com meus avós, sem falar que só foi me conhecer aos três anos de idade!

— Eu tive meus motivos. – Falou pausadamente, tentando se controlar. Sasuke não podia simplesmente dizer para a filha que não sabia que ela estava com Fugaku e Mikoto, pois queria evitar perguntas que pudessem deixá-lo em maus lençóis. – Eu fui embora para estudar, Sarada, e sabia que você estaria bem com meus pais.

Sarada, embora saiba que Sasuke a conheceu apenas aos três anos, era muito pequena na época, portanto, não se lembra da expressão de surpresa do Uchiha ao vê-la.

Na cabeça da menina, Sasuke foi embora por três anos e a largou com os avós... A menina sentia-se duplamente abandonada.

— Não se faça de inocente. – Retrucou. – Você queria era fugir da responsabilidade... Você é mestre nisso, pois, mesmo depois que voltou, fugiu.

Isso não é totalmente mentira.

Sasuke tinha apenas dezoito anos quando se viu de frente para a filha. Era assustador pensar em criá-la. Criança precisa de cuidados, precisa ser ensinada e Sasuke não só queria fugir disso, como também não se sentia capacitado para tal papel.

— Eu era muito novo na época, como você queria que eu fosse pai e mãe ao mesmo tempo?

— Poderia pelo menos ter me dado atenção quando eu implorava por isso.

As palavras de Sarada foram como uma lâmina afiada no peito de Sasuke. Ele fez com sua filha o mesmo que Fugaku fez com ele... Ignorou.

A garota implorava por atenção quando criança, mas ele raramente estava disponível para ela, isso sem falar no seu jeito sempre frio e distante que às vezes até assustava a menina assim como Fugaku o assustava.

— Sinto muito por não poder voltar no tempo. – Lamentou-se. – Hoje eu vejo que errei, admito.

Sarada se surpreendeu, pois Sasuke jamais tinha se humilhado daquele jeito para ela. Talvez fosse resultado da conversa que Mikoto tivera com ele.

— É foda querer dar uma de papai preocupado após dezoito anos. – A indiferença de Sarada chegava a doer.

Como uma pessoa conseguia ser tão fria?

— Pois é. – Atuando muito bem, Sasuke não deixou transparecer que aquelas palavras o abalaram. – E, como seu papai preocupado, eu te proíbo de fazer parte da Máfia.

— Já era. Minhas mãos já ficaram sujas de sangue, sabia? – Indagou num tom de deboche, como se tirar a vida de um ser humano não fosse nada. – Já me envolvi demais.

— Sarada, por favor... – Falou em tom de aviso, depois soltou um longo suspiro. – Você diz que seu avô é melhor do que eu, mas não acho que aceitá-la na máfia seja uma prova de que ele se preocupa de verdade com você.

— Por que diz isso? – Perguntou curiosa. – Ele liga pra mim. Liga para as minhas vontades.

— Fazer todas as vontades de alguém não é prova de amor. – Explicou. – Ele está te comprando. – Franziu as sobrancelhas. – É como dar o que uma criança quer só porque ela está fazendo birra. Você acha que a acalmou porque ela parou de chorar, mas na verdade você a está estragando, mimando.

— E você é um especialista em como lidar com crianças, não é? – Sarada ironizou com deboche, mas Sasuke seguiu o conselho de sua mãe e não se alterou.

Nada de broncas... Ele precisava ser firme com Sarada, mas sem brigar com ela.

— Não vamos mudar de assunto. – Suspirou, desviando o olhar para os vários pôsteres de bandas de rock colados na parede do quarto da filha. – Você não deveria seguir os passos do seu avô.

— E eu deveria seguir os de quem, seus? – Falou com desdém, então Sasuke a encarou, com os braços cruzados em frente ao corpo e uma sobrancelha arqueada.

Ele conhece a filha bem o suficiente para saber que a única forma de afastá-la da Amaterasu seria deixá-la em cativeiro, amarrada e amordaçada... O que não parecia uma má ideia.

— Desisto... – Ele se rendeu, levantando-se da cadeira. – Continue na Amaterasu, mas não venha reclamar quando descobrir que a máfia é um lugar cruel e não recomendável para mocinhas.

Dito isso, Sasuke saiu do quarto, deixando Sarada com um sorriso vitorioso nos lábios.

[...]

Toská, Rússia

22 de fevereiro de 2016

22:29 P.M.

Mais uma vez o Uchiha estava na casa noturna, encarando as adolescentes que dançavam ali com roupas curtas e, hora ou outra, encarando a tela do celular, procurando nos seus contatos do WhatsApp o número de Izanami.

A relação de ambos não passava de sexo pago, apenas isso, mas Sasuke estava gostando de ficar com ela.

O mais estranho era que Sasuke sentia como se aqueles olhos esmeraldinos fossem familiares, mas, com certeza, devia ser só impressão, afinal, de onde ele conheceria Izanami?

Sem ao menos imaginar que estava sendo estrategicamente observado, percebeu a aproximação de uma ruiva muito atraente, então guardou o celular na hora.

A ligação para Izanami poderia ficar para depois.

A ruiva sentou ao lado dele para pedir uma bebida no bar, o homem sequer disfarçou a olhada generosa que deu nas pernas grossas e expostas da mulher.

— Dois Manhattans! – Sasuke falou para o barman antes que a ruiva abrisse a boca para fazer seu pedido. – Por minha conta. – Ele sorriu de canto e desviou o olhar para ela. – Gosta de Manhattan?

— Sim. – Assentiu com um sorriso. – Era exatamente o que eu ia pedir.

Ela arrastou o banco para mais perto do Uchiha que olhou para seu generoso decote antes de voltar seu olhar para os olhos carmim que o fitavam.

— Qual é o seu nome? – Sasuke questionou interessado e Karin comemorou internamente, pois seu plano já estava dando certo.

Já estava na cara que Sasuke era um cafajeste da pior espécie.

— Karin. – Ela sorriu timidamente. – E você?

Karin não diria para o sogro de seu sobrinho que ela é uma Uzumaki... Seria como entregar um cordeiro para o lobo.

— Sasuke Uchiha. – O homem respondeu, então a mulher se mostrou surpresa.

— Sério que estou sendo acompanhada por um dos donos do estabelecimento? – A Uzumaki mordeu o lábio inferior como quem não quer nada. – Nossa, isso realmente não é algo que acontece todos os dias.

O garçom trouxe as bebidas de ambos, então cada um pegou uma taça.

— Por que a surpresa? – Arqueou uma sobrancelha, levando a taça de Manhattan até os lábios para tomar um gole da bebida.

— Não sei... – A mulher deu de ombros com um sorriso de canto, fitando a cereja no fundo da sua taça. – Então você está trabalhando? – Questionou divertida. – Não pensei que pudesse beber em horário de expediente.

— Nossa. – O moreno riu do comentário. – Eu sou um dos donos, não devo satisfações a ninguém. Posso fazer o que eu quiser, sabia?

— Isso parece ótimo. – Ela tomou um gole da bebida, mas deixou, propositadamente, cair um pouco sobre seu colo. — Minha nossa, como sou desastrada! – Lamentou-se, colocando a taça sobre o balcão e pegando um guardanapo para limpar aquilo.

— Permita-me. – Sasuke então tomou o guardanapo da delicada mão de Karin para limpar a região próxima ao decote dela, onde estava molhado.

— Obrigada. – A Uzumaki sorriu docemente. – Você foi muito gentil... – Seu tom de voz tinha uma pitada de segundas intenções, então ela mordeu o canto do lábio inferior quando o olhar de Sasuke novamente se encontrou com o seu. – Gentil até demais, não acha?

Percebendo que a mulher queria o mesmo que ele, Sasuke largou o guardanapo e puxou a ruiva para um beijo.

Karin não ia simplesmente chegar em Sasuke e lançar diversas perguntas que o fariam ficar desconfiado, primeiro ela precisava ganhar a confiança dele... E qual é a melhor forma de ganhar a confiança de um cafajeste do que seduzindo? Parecia um pouco antiético, mas ela nunca mediu esforços para cumprir uma missão.

O plano estava indo bem, Sasuke não tinha desconfiança alguma e até estava gostando de ter a ruiva ali com ele... Talvez não precisasse de Izanami naquela noite.

O beijo foi interrompido pelo incômodo que Sasuke sentiu quando seu iPhone vibrou no bolso, então ele pegou o aparelho e bufou um tanto quanto irritado ao ver que era Izanami.

Sim, ele havia dito que talvez os dois se encontrariam naquela noite, mas foi um talvez. Pra que ficar insistindo tanto?

— Saco...! – Praguejou antes ignorar a ligação e desligar o celular.

— Namorada? – Karin perguntou com certo desânimo, pois o nome de Izanami não passou despercebido por ela, assim como a foto da mulher dos cabelos rosados.

Mesmo que Karin não tivesse visto a rosada de perto, com certeza Sasuke não conheceria mais de uma mulher com os cabelos pintados de rosa.

— Não precisamos falar sobre isso. – Ele tentou contornar o assunto, pois Karin não precisava saber que Izanami é uma prostituta. Entretanto, tal reação por parte do moreno só fez Karin ter certeza de que ele tem um relacionamento sério com a tal Izanami dos cabelos rosados...

"Então ele é um cafajeste que trai a namorada com qualquer uma que dê mole..." pensou a ruiva, analisando aquele homem que, por mais que não prestasse, era lindo pra cacete!

— Não quero pensar em outra mulher por enquanto. – Sasuke comentou após a ruiva ter ficado alguns segundos em silêncio, tirando-a de seus pensamentos.

Sim, Sasuke não presta... Cachorro, galinha, cafajeste, sem vergonha... Enfim, todos os adjetivos se encaixam.

— Que bom. – Sorriu de canto, pegando a cereja de dentro do seu Manhattan, levando a fruta até a boca.

— Sabe... – O homem sussurrou no ouvido de Karin, fazendo seus pelos se arrepiarem instantaneamente. – Está muito barulhento aqui, por que não vamos para um local mais reservado?

— Por mim, tudo bem. – Assentiu, por mais que percebesse onde aquilo iria parar.

Àquela altura do campeonato, Karin não podia simplesmente cair fora, sem falar que ir pra cama com aquele homem não seria sacrifício nenhum.

Sasuke jamais pensou que Karin fosse uma policial e que estivesse ali apenas para investigá-lo, então não tomou muito cuidado com a Glock42 que escondia no tornozelo.

Ele não fazia muita questão de esconder a arma na hora de se despir, até porque nenhuma mulher que vai pra cama com ele fica reparando nisso, e se repara, não liga, afinal, Sasuke é milionário e pode andar armado por medo de assalto ou algo do tipo.

Mas a Glock42 não passou despercebida pela mulher que estava atenta, procurando alguma tatuagem ou algo que parecesse suspeito... E encontrou!

Por que Sasuke andaria com uma arma escondida no tornozelo? Ficou a dúvida... Por mais que aquilo fosse ilegal, poderia ser realmente por medo de algum assalto, já que o homem é muito rico. Mas e se não fosse?

Karin ficou acordada, por mais que Sasuke a tivesse deixado cansada, ela não dormiu naquela enorme cama de motel. Entretanto, o homem, achando que a ruiva fosse uma qualquer, dormiu tranquilamente ao lado dela.

Ele não carregava dinheiro consigo, então, mesmo que Karin fosse uma golpista a fim de depenar o pato, sairia de mãos abanando.

Levantou-se devagar e ainda despida, pegou a calcinha preta rendada no chão e vestiu, logo depois foi vasculhar as roupas do homem que a fez ter o melhor orgasmo de sua vida.

Ela não podia levar aquilo para o lado pessoal, estava ali apenas para investigá-lo... Se bem que aquela transa valeu muito a pena.

Mexendo no casaco preto que Sasuke estava usando, Karin encontrou outra arma, uma USP Compact... Então o Uchiha andava bem armado mesmo, com duas armas escondidas nas roupas.

Então a Glock42 era só uma extra, ele tinha outra arma guardada num lugar estratégico, embora também fosse bem escondida.

— A Hinata estava certa... – Sussurrou para si mesma, então desviou o olhar para o homem adormecido sobre a cama. – Esse homem não é boa gente... É pior do que ela pensava...

Guardou a arma com cuidado e no mesmo lugar para que ele não notasse a diferença, então voltou para a cama, mas não dormiu pois não estava se sentindo segura.

Ela esperaria Sasuke acordar, então iria embora para informar a Hinata o que descobrira.

[...]

Moscou, Rússia

23 de fevereiro de 2016

07:10 A.M.

Fugaku fizera viagem de última hora para a capital russa. O frio ainda era maior do que o de Toská. O termômetro marcava quatro graus negativos. Após desembarcar no terminal A do Aeroporto Internacional Sheremetievo, a 29 km da capital, o homem chamou um táxi.

Chegando ao seu destino, uma mansão luxuosa um pouco afastada da cidade, Fugaku pagou ao taxista sem esperar o troco, precisava tratar daquele assunto urgentemente.

Os seguranças admitiram sua entrada.

Na sala, foi recepcionado por Obito Uchiha, um primo distante seu e braço direito do homem a quem procurava, Madara Uchiha.

— Fugaku... – O mais jovem cumprimentou. – Madara te espera no escritório.

O mais velho foi guiado até onde o cômodo, onde chegou a tempo de ouvir a conversa de Madara com um homem desconhecido.

— Você me ajuda com meus objetivos e continua liderando os seus negócios. Não se rebaixará a ninguém enquanto tiver minha proteção.

— Eu aprecio a sua... Generosidade, mas não vou colaborar com um corrupto!

— Acho que não fui claro... O mundo é uma máfia, Yahiko, e, apesar de todos se sentirem autônomos, só há um patrono ao qual todas as outras presidências devem clemência. Eu posso roubar tudo de você, eu posso controlar sua rede e usá-la ao meu favor, posso usar ameaças, posso matar você e colocar o Obito em seu lugar... Mas estou sendo bonzinho e propondo um simples acordo.

Yahiko trincou o maxilar e olhou para Obito. O Uchiha trabalhava para si, mas o homem agora percebia que fora manipulado até dar o cargo de vice-presidente de sua rede de televisão para o moreno. Não havia escapatória. Madara era um homem frio e não mediria esforços para conseguir o que queria. Aquele homem tinha mais poder do que imaginara.

— Tem a minha palavra. – Yahiko estendeu a mão para Madara.

— É uma boa escolha. Vai ser ótimo fazer negócios com você. Entrarei em contato em breve. – O Uchiha sorriu vitorioso. – Obito, leve-o até a saída.

— Claro. – Obito acenou e se retirou da sala sendo seguido por Yahiko.

Após os dois saírem, Madara contornou sua mesa e abraçou Fugaku.

— A que devo sua visita, meu primo? Você não me pede nada há pouco mais de dezoito anos.

— Apenas peço sua ajuda em caso de emergência.

— Deixe-me adivinhar... É sobre o tiroteio? Fiquei sabendo que a Samehada apareceu nos noticiários locais de Toská.

— Exato... Se sabe disso, já sabe o que vou te pedir. – Fugaku o olhou sério.

— A polícia está se aproximando da Amaterasu. Eles levaram Zabuza, ele pode nos dedurar.

— Mate-o!

— Não seja estúpido! Se o Demônio da sei lá o quê for morto, a polícia pode associar a outro grupo de criminosos. Que somos nós.

— Você está certo. – Suspirou estressado. – Mas meu filho disse algo sobre um certo integrante dos malditos. – Jogou um papel com uma foto sobre o colo do Madara.

O homem analisou a foto e Fugaku prosseguiu:

— Quero que vigie esta pessoa. Matá-la também seria suspeito. Mantenha os olhos bem atentos sobre ela. Será que consegue controle sobre a mídia local para encobrir nossos rastros?

— Até parece que não sabe com quem está falando. – Madara desdenhou. – Farei de tudo para apagar as provas contra nós e, se esta pessoa mostrar qualquer movimento duvidoso, não hesitarei.

— Por isso gosto do seu serviço. – Fugaku sorriu de lado e apertou a mão do homem a sua frente, fechando o contrato.

Madara sorriu, enquanto Fugaku se retirava. Ele analisou a foto deixada mais uma vez.

Na imagem, o rosto de Hinata Hyuuga.