Amaterasu
8 Capítulo 07
Notas iniciais
Toská, Rússia
23 de fevereiro de 2016
07:27 A.M.
Hinata se arrumava rapidamente, tropeçando em todos os móveis.
— Porcaria! – Praguejou ao bater o dedo mindinho na quina da parede.
Não tinha tempo para se preocupar com a dor, estava atrasada e isso poderia ser descontado de seu salário – por mais que ela recebesse bem.
— Droga, Naruto! Olha o que você fez! – Disse enquanto lhe tacava uma toalha de rosto.
— Nossa, a gente podia fazer isto todas as manhãs. – O homem disse sorridente enquanto se levantava da cama, sua esposa revirou os olhos.
Ela se deixou ser seduzida pelo marido e acabou fazendo sexo com o mesmo, isso acabou a atrasando para o serviço. Não que ela não tenha gostado, pelo contrário, mas como ela justificaria o atraso para o chefe? É um assunto muito íntimo.
— Você me enganou. – Fingiu chateação, mas seu sorriso não o enganava.
— Será que acordamos as crianças? – Naruto a abraçou enquanto dava leve mordiscadas pelo pescoço.
— Aqueles dois são que nem você, dormem feito pedra. – O afastou, pois sentia cócegas. – Tenho que ir, beijo.
Não deu tempo para ele se despedir, saiu do quarto correndo e só conseguiu pegar uma maçã enquanto passava pela cozinha para a garagem.
Sua orelha ferida já estava melhor, os mimos de seu marido preocupado acabaram ajudando.
Tinha de agradecer ao Kiba por ter chegado na hora certa, impedido que Zabuza atirasse em sua cabeça. Caso contrário, estaria morta.
Ao chegar no local de trabalho e estacionar do pior jeito possível, bateu o ponto, entrou em seu escritório e pegou seu jaleco enquanto ia para a sala de necropsia.
— Hinata. – Kabuto sorriu ao ver a colega entrando e foi abraçá-la. – Nossa, você assustou todo mundo!
— Bom te ver. – Retribuiu o carinho. – Desculpa por isso.
— Tudo bem, o mais importante é que esteja viva. – Suspirou aliviado. – Tem certeza que aguenta trabalhar?
— Só arrancou um pedaço. – Disse enquanto colocava a mão sobre a orelha protegida pelo curativo. – Ainda posso colocar brincos.
O rapaz riu enquanto ajeitava os óculos redondos e puxava uma gaveta de um de seus armários. Mas não era uma gaveta comum, era uma que conservava os corpos. E nesta estava o corpo de Deidara.
— Eu analisei o corpo dele e descobri mais algumas coisas. – A mulher o mandou prosseguir. – Como dito antes, o assassino é canhoto, e agora descobri que se trata de um homem.
— Sério? – Exclamou surpresa.
— Sim, veja. – Mostrou o rosto da vítima. – Há uma marca de pancada, foi um soco. E a julgar pelo tamanho, é uma mão masculina.
— Pode ser uma mulher de mãos grandes. – Deu de ombros.
— Lutadora de Karatê. – Brincou. – Porque o soco trincou uma parte do crânio.
— Certo, me convenceu. – Levantou as mãos rendida. – Mais alguma coisa?
— Provavelmente Deidara devia dinheiro para um grupo de traficantes. Já que em seu sangue foi encontrado altas doses de cocaína e outras drogas.
— Bem, isto explica o cheiro de dinheiro naquele pote de biscoito. – Refletiu.
— Ah, voltamos a cena do crime esta semana e encontramos mais uma arma, tinha as digitais dele. Estava embaixo do sofá.
— Qual era?
Kabuto segurou um riso e Hinata não compreendeu, até o mesmo mostrar uma pistola que estava sobre uma das mesas da sala.
— Fala sério, né? – Hinata revirou os olhos.
— Se o objetivo dele era brincar, ele estava no caminho certo. Quem errou foi o assassino.
Kabuto apontou a arma de Airsoft que pertencia a Deidara. Seu projétil é de plástico, o maior perigo é se pegar no olho de alguém.
— Provavelmente ele blefava pra se defender, a ponta está pintada. – Hinata observou e riu.
— Sim... Ele falhou.
— E a Ayame?
— Já foi enterrada, ela era uma inocente que acabou se envolvendo.
— A curiosidade matou o gato. – Suspirou e Kabuto assentiu. – Obrigada pelas informações.
— Ei! – A chamou antes que ela fechasse a porta. – O chefe quer falar com você.
"Droga", pensou. Provavelmente iria reclamar do atraso dela. Tentou agir como se nada tivesse acontecido, mas não deu muito certo.
Caminhou até a sala de seu superior e adentrou, pedindo licença.
— Se você pensa que vou te repreender pelo atraso, está enganada. – Disse com um sorriso, o que fez a mulher suspirar aliviada. – Te chamei porque queria saber como você está.
— Estou bem, obrigada. Vou sobreviver. – Respondeu risonha.
— Sente-se. – Mandou Shikamaru. – Há um assunto que quero tratar com você.
— É sobre Zabuza Momochi? – Disse enquanto se assentava.
— Sim. Eu pedi a imprensa que mantivesse a notícia em segredo, para que ninguém invadisse sua casa e tentassem te matar ou a sua família. Seria problemático.
Shikamaru sempre gostou do que faz, mas evita a todo custo coisas que ele julga como "problemáticas", ele detesta se desgastar demais por algo.
— O interrogatório começou, mas ele ainda não abriu a boca. Ele está disposto a se sacrificar. – Explicou o rapaz.
— Nenhum ser humano ama alguém mais do que a si mesmo, coloque a vida dele em risco e ele falará.
— Às vezes é melhor ser temido do que amado, porque quando se teme, há respeito. E Zabuza teme este alguém desconhecido. Não é amor.
— E o fornecedor não se importa de perder um cliente?
— É mais provável que ele venha matar o cliente. – Suspirou. – Mas ele não seria idiota ao ponto de fazer isto, só facilitaria para o encontrarmos.
— De fato. – Recostou na cadeira confortável e parecia pensativa. – Perguntaram algo sobre Kisame Hoshigaki?
— Ele afirmou que era seu braço direito, mas nada além disso.
— Provavelmente naquela madrugada em que foi morto, Zabuza havia dado esta missão para que buscasse algo com o seu fornecedor.
— Talvez as armas... Isto quer dizer que o fornecedor matou o seu cliente. – Pôs o dedo indicador sobre a têmpora.
— E mesmo assim ele não o dedura... Zabuza com certeza sabe disso. – Suspirou ela. – Será que o cara que estamos procurando é tão perigoso assim?
— Uma coisa sabemos, ele é temido.
Após conversar com o chefe, Hinata tinha a certeza de que era um caso bem mais complexo do que imaginava.
Entrou em seu escritório tão concentrada em achar uma solução, que nem notou a cunhada que estava apossada de sua poltrona.
— Apareceu! – Comemorou a mulher.
— Que susto, Karin! – Pôs a mão no peito. – O que está fazendo aqui?
— Vim apresentar o meu relatório.
Karin se levantou da poltrona, dando lugar para Hinata sentar, então caminhou até uma cadeira que ficava de frente para a mesa da Hyuuga e se sentou.
— Eu sei que é desnecessário, mas eu gostaria de ressaltar que aquele homem é muito bom de cama. – Karin se abanou e Hinata ficou de queixo caído.
Aquilo não era de se espantar vindo de sua cunhada, mas assim, no primeiro encontro? Foi rápido demais até para ela.
— Eu não acredito nisso... – Suspirou a morena. – E você nem tirou proveito, né? – Ironizou.
— Ora essa, o Sasuke é um homem belíssimo! – Afirmou. – Mas esse sacrifício foi em nome da investigação que estou fazendo. – Hinata revirou os olhos, pois Karin com certeza gostara da noite que tivera com o sogro de Boruto. Isso estava óbvio. – Ora, o cara é um cafajeste, estava cheio de segundas intenções... Enfim.
— Descobriu alguma coisa, Karin? – Insistiu ansiosa, pois odiava quando Karin ficava fazendo rodeios daquela forma.
— A namorada do Sasuke se chama Izanami, ela ligou pra ele quando estávamos juntos e deu pra ver. – Contou.
— Ele transou contigo, mas tem namorada? – Hinata pareceu desconfiada, se bem que Sasuke parece mesmo ser desse tipo, ela só não conseguia se conformar com o fato de que sua cunhada foi para cama com um homem comprometido.
— Aquele homem é um sem vergonha da pior espécie!
— Ele afirmou que tem namorada? – A morena enfatizou a pergunta.
— Ele não afirmou, mas pela reação que teve quando eu perguntei, é bem provável que seja.
— É só isso? – Hinata indagou com desgosto, pois não estava conseguindo acreditar que Karin estava ali apenas para falar sobre a possível namorada do Sasuke.
— O Sasuke anda com duas armas, uma escondida na roupa e outra no tornozelo.
Hinata levou um susto.
Em Toská é ilegal andar com armas, por que Sasuke andaria armado?
É verdade que ele é um homem muito rico, que pode muito bem ser vítima de um assalto ou de algum sequestro relâmpago, mas por que não contratar um segurança?
E outra, se Sasuke tem porte de armas, com certeza ele sabe como usá-las.
— É estranho ele andar armado... – A morena comentou pensativa, apoiando ambos os cotovelos sobre a mesa. – Duas, ainda por cima... Uma dentro da roupa, um lugar estratégico, onde fica fácil para sacar a arma em qualquer momento... A outra no tornozelo, provavelmente de reserva pro caso de ele ser desarmado. – A mulher sorriu de canto e encarou a ruiva. – Estranho, não acha?
— Você falou com tanta certeza que me deu até medo.
— Karin, esse pessoal que é metido com armas e drogas geralmente anda armado. – Explicou Hinata e Karin assentiu. – Pro caso de haver algum confronto com algum outro grupo rival... As armas sempre ficam escondidas em locais estratégicos e eles geralmente andam com mais de uma arma. – A mulher soltou um longo suspiro e fechou os olhos por alguns segundos. – Por que Sasuke andaria com uma arma escondida no tornozelo? – A morena abriu os olhos e encarou a ruiva que ajeitava os óculos de armação escura. – Isso não me cheira bem.
— Peguei o número dele. – A ruiva sorriu vitoriosa. – Conseguir um novo encontro pode ser fácil. Garanto tentar descobrir mais coisas.
— Faça melhor... – Hinata estalou os dedos, como se tivesse acabado de ter uma ideia brilhante. – Descubra aonde mora essa tal de Izanami, talvez possamos conseguir alguma coisa com ela.
— Acha que ela sabe de alguma coisa? – Karin arqueou uma sobrancelha. – E se ela souber, acha que vai abrir o bico?
— Não custa tentar.
— Certo! – A ruiva se levantou da cadeira. – Próximo passo: Encontrar Izanami.
[...]
Toská, Rússia
23 de fevereiro de 2016
05:24 P.M.
Fugaku havia dado mais uma missão para Uzume. Desta vez ela iria entregar uma pequena quantidade de cocaína em troca de bastante dinheiro. Dirigia a caminho do shopping, onde deveria se encontrar com o comprador.
Um lugar onde praticamente está cheio de gente todo dia não é muito comum para este tipo de negócio. Bem, é isso que qualquer um pensaria, mas ela entende muito bem como funciona a cabeça dos Uchiha. Pensam nas coisas mais prováveis e improváveis. Quem desconfiaria que alguém entregaria drogas em um shopping? Qualquer pessoa pensaria que é burrice até para o mais reles traficante. E esse é o ponto: Fazer os outros acreditarem que não é nada de mais.
Assim que encontrou uma vaga no estacionamento, suspirou. Olhou para a sacola que estava ao seu lado, no banco do passageiro, e soltou um riso anasalado. Isso às vezes chegava a ser hilário. Pegou a sacola e saiu do carro. Deveria se encontrar com um cara na praça de alimentação, na frente de uma doceria. Fugaku havia dito que Uzume ia saber quem era o comprador assim que seus olhos batessem nele. Pelo que soube, o homem era um tanto quanto diferente.
Durante seu trajeto viu várias pessoas esquisitas. Emos, punks, góticos, patricinhas, pessoas com cabelos coloridos... Todos eram deveras estranhos na sua humilde opinião. Aproximou-se da doceria e olhou pela vitrine os doces que ali estavam. Dentro da lojinha viu um rapaz comendo brownie. Esse definitivamente era o mais estranho. Parecia que estava metido com drogas. E como ele estava de perfil, pôde perceber o mais diferente nele. Ou o certo seria "neles"?
Eram gêmeos siameses. Possuíam os cabelos de cor cinza-azulado – cada um possuía uma franja com o lado oposto ao do outro, cobrindo um dos olhos –, lápis de olho e batom turquesa. Realmente não se vê pessoas assim todos os dias. Na hora Uzume se tocou, aquele era o cara que procurava. Então, realmente estavam metidos com drogas.
Ela entrou no estabelecimento e se aproximou do rapaz que comia, olhando para uma prateleira de guloseimas. Parou ao lado dele e pigarreou.
— Sakon, olha o que temos aqui. – O de trás falou. A voz dele era profunda. Apesar de serem idênticos, aquele aparentava, de longe, ser o mais sinistro. – Pele branca como de defunto, cabelos e olhos negros. Parece com uma Uchiha.
— Então deve ser uma Uchiha, Ukon. – O da frente respondeu. – O que estávamos esperando. – Sorriu. – Bem, na verdade eu esperava mais do que uma simples menininha. – Olhou Uzume dos pés à cabeça.
— Peguem, imbecis. – Esticou a sacola para eles. – Confiram.
Sakon pegou o que lhe era estendido e abriu para ver o que tinha dentro. Aparentemente eram pirulitos, não muitos deles, mas por dentro eram cocaína. Uzume não sabia ao certo quantos "doces" haviam ali.
Não era à toa que admirava tanto o seu chefe. Apesar de um homem sério, a imaginação de Fugaku não deixava a desejar.
— Não precisamos contar, Uchiha. – Respondeu. – Somos velhos fregueses. – Sorriu de canto, debochado.
— Sim. – Ukon falou, entregando-lhe uma outra sacola, muito maior. – Feliz Páscoa adiantado. – Sorriu estranho e inclinou a cabeça ligeiramente para baixo.
Quando os gêmeos saíram da doceria, Uzume viu o que lhe haviam entregue e sorriu, andando de volta para o carro. Mais um trabalho bem feito para o seu avô se orgulhar. Sentou no automóvel e pegou o primeiro ovo de páscoa que bateu os olhos naquele saco. Tirou o papel e viu notas e notas de dinheiro enrolado.
Realmente essas pessoas tinham uma imaginação mais fértil do que muita gente de bem por aí.
Agora iria se encontrar com Boruto, como combinado. Aproveitara a missão e marcara com o namorado para se encontrarem às seis. Apenas precisou guardar os “ovos” primeiro, sabia que o loiro tinha um grande apetite e, com certeza, pediria um.
Assim que entrou no Shopping novamente, seu celular vibrou, ela o pegou e abriu o aplicativo do WhatsApp.
Mais uma vez Boruto lhe deu um bolo por causa de algum assunto da faculdade.
Sarada soltou um longo suspiro e bloqueou a tela do celular após visualizar a mensagem do namorado.
— É, ele não vem... – Deu de ombros, agindo de forma indiferente, já que não era a primeira vez que aquilo acontecia.
Embora amasse medicina, Sarada sabia que deveria escolher entre a faculdade e a máfia, já que não teria tempo para ambos.
Estava sozinha. Iria se encontrar com Boruto para irem ao cinema, agora ela não sabia o que iria fazer. Provavelmente voltaria para casa ou aproveitaria para fazer compras e torrar o bom dinheiro que já tinha ganhado desde que entrou para a Amaterasu.
Definitivamente, Sarada não queria fazer outra coisa de sua vida, pois nenhuma profissão lhe daria tão boa remuneração para que ela sempre vivesse no mesmo luxo que foi acostumada desde que nasceu.
Ela sentou-se em um banco e, em meio a suas divagações, lembrou-se da conversa que teve com Sasuke. Seu pai jamais se mostrou tão maduro, jamais fora tão sincero com ela, mas a Uchiha acreditava que tinha algo por trás disso, uma vez que ele não faria aquilo à toa.
Na cabeça de Sarada, Sasuke só queria colocá-la contra Fugaku para que ela saísse da máfia, mas a menina infelizmente nunca percebeu que, desde que ela era criança, sempre aconteceu o contrário. Fugaku é quem a coloca contra Sasuke.
Sasuke, pela primeira vez, pareceu se preocupar verdadeiramente com ela. Mas Sarada já se decepcionara tanto com seu progenitor que era até difícil de acreditar que o moreno estava sendo totalmente sincero.
— Olha, que surpresa! – Uma voz feminina tirou Sarada de seus pensamentos, então a adolescente olhou para o lado e viu uma figura dos cabelos rosados.
— Izanami! – Arregalou os olhos, ajeitando os óculos de armação vermelha. – Que coincidência.
Sarada analisou aquela mulher da cabeça aos pés. Bem vestida, cabelo arrumado, roupas, sapatos e bolsa de marca... Não dava pra dizer que Izanami era uma prostituta, mas sim uma mulher fina e rica... Muito rica.
Seus clientes a pagavam tão bem assim?
— Você parece meio triste... – Comentou, sentando-se ao lado da menina. – O que houve?
— É o meu pai... Nós nunca nos demos bem e sempre há desentendimentos entre a gente. – Sarada falou tão naturalmente que sequer percebeu que chamou Sasuke de pai. Bem, embora ela não considerasse, Sasuke sempre foi seu pai biológico e nenhuma birra da garota poderia mudar isso.
Izanami acreditava que Sarada era irmã de Sasuke, uma vez que a garota não o respeitava e o chamava pelo nome, então compreendeu o porquê de ela morar com o "irmão mais velho".
— Sei que isso é difícil. Acredite, já briguei muito com os meus pais quando era adolescente. – Contou. – Mas, por que você não tenta se entender com ele?
— Não tem jeito, ele não me leva a sério e isso é recíproco. – Bufou, cruzando os braços em frente ao corpo.
— E a sua mãe?
— Minha mãe? – Sarada sorriu sem humor. – Nunca pude contar com ela pra nada.
Izanami sentiu compaixão pela menina, ela sabe o que é não ser levada a sério pelos pais, tal como sabe o que é não se dar bem com eles.
— Sinto muito, Sarada.
— E você? Não deveria estar com o Sasuke? – A morena sorriu de canto, encarando Izanami que ficou com as bochechas levemente coradas.
— Ora essa... – A mulher pareceu meio sem graça. – Eu não passo o tempo todo grudada com ele.
— Entendo... – A morena soltou um longo suspiro. – Numa hora dessas, aquele inútil deve estar babando no travesseiro.
— Ai ai... – A rosada não conseguiu conter o riso diante de tal implicância típica de irmãos. – Você adora implicar com ele, não é?
— Fazer o quê? – Deu de ombros. – Essa é a minha função: Infernizar a vida do Sasuke e implicar com ele até a morte.
— Você se parece muito com ele. – Comentou, olhando para a menina que é quase uma versão feminina do Uchiha e que lembra muito ele quando adolescente.
— Credo! – Sarada caiu na gargalhada, tirando os óculos para limpar as lentes na beirada da blusa. – Argh! Como é ruim não enxergar direito.
— Você tem miopia? – Questionou.
— E astigmatismo... – Completou a morena, enquanto colocava novamente os óculos no rosto. – É péssimo.
— Ah, eu sei bem disso...
— Ué, você também tem? – A curiosidade de Sarada era quase palpável, visto que a acompanhante de luxo de seu pai não usava óculos. Bem, podia ser que ela estivesse usando lentes.
— Tive, mas fiz a cirurgia de correção há alguns anos. – Contou.
A rosada usou óculos nos tempos de escola, mas depois acabou optando pelas lentes de contato até fazer a cirurgia, já que ela não gostava de usar óculos, até mesmo por causa das piadinhas dos colegas de classe.
Sarada olhou meio desconfiada para a mulher, já que essa cirurgia que é feita a laser não é tão barata, sem contar que Izanami é uma puta chique, como a Uchiha costuma dizer.
As roupas, sapatos e bolsas caras podiam muito bem ser presentes de clientes ricos como Sasuke. Mas que tipo de cliente pagaria uma cirurgia? E mais, com certeza Izanami não é casada e deve morar sozinha, então obviamente tem suas despesas... Sem falar que ela parecia tudo, menos uma prostituta.
— Quando eu tiver 21 anos, posso até fazer, mas tenho um pouco de medo. – Admitiu, fazendo Izanami rir.
— Não precisa, é tranquilo. – Falou, levantando-se do banco. – Então, o que acha de comprarmos um sorvete para te animar?
— Curti a ideia.
As duas foram juntas até a sorveteria, logo depois decidiram ir às compras e Sarada se surpreendeu com a quantidade de cartões de crédito que Izanami tinha.
Pelo visto, uma acompanhante de luxo ganha muitíssimo bem usando apenas o corpo.
Sarada, assim como Izanami, estava de carro, então ambas foram juntas até o estacionamento para então poderem ir embora.
— Foi divertido passar esse tempinho com você, Sarada.
— Digo o mesmo! – Respondeu a jovem que, de fato, gostara muito da companhia da rosada mesmo que por poucas horas.
A Uchiha se surpreendeu quando Izanami pegou as chaves na bolsa e caminhou em direção a um Mercedes Classe S AMG. Definitivamente essa mulher é muito rica.
— Será que ela tem alguma outra profissão e é acompanhante de luxo nas horas vagas ou será que tem um marido muito rico e põe uns chifres nele só por esporte? – Sarada pensou alto, mas é claro que não deixou a mulher ouvir.
Ela balançou a cabeça em sinal negativo para espantar tais pensamentos. Acima de tudo, Izanami era legal... Legal demais para o traste do Sasuke.
Izanami deu duas buzinadas para Sarada e a mesma acenou, então a rosada foi embora e a adolescente foi para seu Jaguar XE.
Chegando em casa, Sarada teve a péssima visão de Sasuke jogado no sofá da sala, sem camisa, só com uma calça de moletom verde musgo e um par de meias brancas.
— Onde a senhorita estava? – Ele perguntou para a filha que saiu de casa sem sequer falar com ele.
— Estava no Shopping... – Respondeu, sentando-se no outro sofá para ver aquele pedaço do filme que ela adorava e que seu progenitor estava assistindo.
— Com o cacho de bananas ambulante? – Questionou o Uchiha.
— Não... – Sarada respondeu sem sequer tirar os olhos da televisão. – Com a Izanami...
— Muito engraçado, Sarada. – Debochou com falsa animação.
Ora essa, o que sua filha estaria fazendo no Shopping com sua acompanhante de luxo?
— Duvida? – Sorriu de canto para provocá-lo. – Pergunta para ela então.
— Por que diabos você estaria com a Izanami no Shopping? – Indagou num tom de voz mais sério.
— Encontrei ela lá por acaso. – Deu de ombros. – Olha, tá valendo a pena ser acompanhante de luxo. Pelo visto, aquela puta chique tá nadando em dinheiro.
— Primeiro a menina inventa de entrar na máfia, e agora isso. – Murmurou, batendo na própria testa. – Eu vou te mandar pra um convento!
— Ih, já não posso mais fazer voto de castidade. – Riu baixinho.
— O quê? – Sasuke questionou desconfiado, arqueando uma sobrancelha.
— Nada não... – Respondeu, ainda rindo da cara de seu progenitor. – A Izanami usava óculos, sabia?
— E eu com isso? – Perguntou com indiferença.
— Nada, só comentei.
— Uhum...
Sasuke, mesmo que sem querer, acabou imaginado Izanami de óculos e mais uma vez lhe vieram lembranças estranhas daqueles olhos verdes... Era como se ele se lembrasse dela de algum lugar, mas não conseguisse se lembrar de onde.
— Sasuke, a minha mãe usava óculos? – A pergunta de Sarada deixou Sasuke um pouco intrigado. Ela nunca tinha perguntado isso.
— Acho que não... – Respondeu meio inseguro, uma vez que a lembrança de Sakura era muito distante na mente dele e a única coisa de que Sasuke ainda consegue se lembrar é de uma menina sem muitas curvas dos cabelos lisos e claros. – Ou sim... Bem, podia ser que ela usasse só pra ler... – Falou um pouco confuso, tentando se lembrar da garota com quem teve um caso na escola. – Eu não prestava atenção nela dentro da sala de aula.
— Você é um cretino! – Bufou a morena. – Como não se lembra da minha mãe?
Dezoito anos se passaram, Sasuke sequer foi apaixonado por Sakura, então dificilmente se pegava pensando nela. Com o passar dos anos, a lembrança da Haruno foi ficando cada vez mais distante, sem falar que ele sequer conseguia vê-la em Sarada, uma vez que sua filha herdou as características dos Uchiha.
A única coisa que Sasuke se lembra com exatidão é da personalidade forte e do jeito petulante que Sakura tinha. Ao contrário das outras meninas que eram loucas pelo Uchiha, Sakura não lambia o chão por onde ele passava e não abaixava a cabeça sob quaisquer circunstâncias.
Nisso Sarada se parecia muito com ela.
Talvez Sasuke tenha tido um caso com Sakura não só por ela ser fácil, mas por ela ser diferente das outras garotas da escola. Por ela não ser apaixonada por ele, então não envolveria sentimento, seria apenas sexo sem compromisso.
— Sarada, já faz tanto tempo... – Ele explicou. – Eu não consigo me lembrar direito do rosto da sua mãe.
— Mas, quando uma pessoa marca nossa vida, nós não esquecemos. Pode passar o tempo que for.
— Ela não foi um grande amor, Sarada. – Disse Sasuke. – Apenas um caso que eu tive quando era pirralho.
Sarada ficou triste, mas Sasuke sequer percebeu isso.
Mesmo que Sakura lhe tenha dado Sarada, Sasuke agia como se ela fosse uma pessoa qualquer. Como se fosse insignificante.
A menina se levantou do sofá, deixando Sasuke sozinho. Mas, quando passou perto da estante, viu um cartão chamativo e o pegou para vê-lo melhor.
Analisou o objeto e riu, logo em seguida encarou o homem que continuava jogado no sofá.
— Qual é a necessidade de deixar cartões de motel espalhados pela casa? – Questionou a mais nova.
— O quê? – Sasuke olhou para ela e viu o cartão em sua mão. Era do motel que ele tinha ido com Karin. – Ah, deixa isso aí.
— Tá bom! – Ela colocou o cartão de volta no lugar. – Mas, quer um conselho? – Perguntou de maneira retórica. – Da próxima vez, procura um motel melhorzinho, porque esse aqui é horrível.
Dito isso, Sarada foi para seu quarto e Sasuke quase deu um pulo do sofá com tamanho susto que levou.
Estava com os olhos arregalados enquanto sua mente processava o que sua filha havia dito.
Bem, para bom entendedor, meia palavra basta.
— Sarada! – Berrou. – Desde quando você conhece os motéis da cidade? Sarada! Eu vou castrar seu namorado!
Claro que o que Sasuke disse foi em vão, pois Sarada estava pouco se importando com isso, apenas ouvia os berros de seu quarto e ria freneticamente do chilique de Sasuke.
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