Amaterasu
6 Capítulo 05
Notas iniciais
Toská, Rússia
16 de fevereiro de 2016
07:19 A.M.
Terça, temperatura média de 5°C, estava até quente para um inverno russo. Era difícil levantar cedo para cumprir compromissos. A cama era mais agradável.
Sasuke tinha um conchavo, a ordem da filha, de conhecer os pais de seu futuro genro, coisa que ele julgava ser desnecessário, mas Sarada o obrigou.
— Já está pronto? – A menina perguntou enquanto pegava a chave de seu carro.
— Sim, mas vamos no meu carro. – Disse indo à garagem.
— Negativo. Não quero que eles pensem que sou dependente de você.
— Mas você é. – Revirou os olhos. – O único que trabalha nesta casa sou eu.
A Uchiha ficava frustrada em não poder dizer que fazia parte da Amaterasu e provar que o pai estava errado. Tinha que ser discreta.
O moreno sorriu vitorioso ao ver que a menina guardou as chaves e entrou em seu carro sem contestar.
Deu a partida e foi rumo à casa dos Uzumaki, sendo direcionado pela filha. Afinal, ele não sabia o caminho.
Era uma vizinhança simples, classe média, e isso atraiu vários olhares curiosos assim que Sasuke estacionou seu Audi S8 em frente à casa do Boruto.
O homem murmurou algo como "pobres" enquanto era direcionado pelo genro à casa dele.
— Oi, desculpa pedir para você vir aqui de repente. – Naruto o cumprimentou. – Mas minha esposa vivia insistindo que deveríamos conhecer os pais da Sarada. E eu só tive tempo hoje.
— Tudo bem, ele ia ficar dormindo o dia inteiro mesmo. – Sarada respondeu no lugar do pai.
— Sentem-se. – Disse o loiro amigavelmente.
— Obrigado. – Sasuke suspirou.
— Desculpe a demora. – Hinata apareceu com uma bandeja em mãos. – Estava fazendo uns biscoitinhos.
— Não precisava se incomodar. – Disse enquanto pegava um biscoito.
— Sarada! – Himawari apareceu e pulou no colo da morena. – Você veio brincar comigo?
— Dá um tempo, Himawari. Estamos ocupados. – Disse seu irmão mais velho.
— Tudo bem, será melhor deixarmos nossos pais a sós. – Sarada falou. Era apenas uma desculpa para que não ficasse ao lado do seu progenitor. – Vamos brincar.
Os mais jovens se retiraram e os adultos ficaram ali, para conversar.
— Então, Uchiha... – Pigarreou Naruto. – Você tem uma bela filha, ela é muito doce.
— "Doce"... – Repetiu num murmuro com ironia.
— Ela não faz nenhuma faculdade? – Perguntou a Hinata.
— Ela queria medicina, mas optou por herdar o meu negócio.
— Ah, você tem alguma empresa? – O Uzumaki se interessou.
— Mais ou menos... Eu sou um dos donos do cassino Izanagi, e da casa noturna, Tsukuyomi. – Deu de ombros.
— Bem, isso explica a riqueza de vocês. – Riu o loiro descontraído. – Eu trabalho no restaurante Kyuubi, minha esposa é policial.
— Policial? – Sasuke se mostrou interessado. – Em que parte? – Encarou a mulher de relance enquanto bebia seu suco.
— Criminalística. – A morena respondeu desinteressada.
— Deve ser um trabalho difícil.
— Nem tanto. Gosto do que faço.
— Não tem medo? – Pegou outro biscoito.
— Não. – Analisou o homem a sua frente com desconfiança. – Onde está a sua esposa? – Perguntou por perguntar, ela já sabia a resposta.
— A mãe da Sarada a abandonou quando ela ainda era bebê.
— Desculpe ser intrometido, mas... Você não é muito novo para ser pai de uma menina de 18 anos? – Indagou o patriarca da família.
— Sim, nós tínhamos 15 anos quando minha filha nasceu. Um descuido de adolescentes.
— Ah, entendo. – Suspirou. – Mas este descuido gerou a melhor nora que eu poderia pedir. – Sorriu.
Sasuke devolveu o sorriso meio sem ter o que dizer. Ele gostava da filha, mas sabia que não era recíproco. Se sentia inseguro às vezes.
Hinata sabia disso por meio do filho. Já que Boruto afirmou que o pai de sua namorada e ela brigavam bastante.
E isso deixou a Uzumaki desconfiada. Pai e filha que não se relacionam bem, mas mesmo assim ela queria herdar o negócio do Uchiha. Parecia contraditório.
Por volta da hora do almoço, Sasuke e Sarada voltaram para casa. Boruto tinha faculdade e Himawari continuou brincando com suas bonecas.
— O que foi aquilo? – Naruto perguntou ao se encostar na porta da cozinha.
— O quê? – Sua esposa parou de lavar a louça e o encarou de relance.
— Aquela troca de olhares com o pai da Sarada.
— Amor. – Ela riu. – Por que o ciúme?
— Você não entendeu. – Revirou os olhos. – Conheço bem aquela cara. É a expressão que você faz sempre que duvida de alguém. Acha que o Uchiha não é uma boa pessoa?
— Você me conhece muito bem, né? – Tornou sua atenção à louça suja. – Alguém que trabalha com cassino ou casa noturna não pode ser boa gente. Normalmente estão envolvidas em algum crime.
— Deve ser impressão sua. – O rapaz se posicionou atrás da mulher e massageou seus ombros. – Está estressada. Seu trabalho está te desgastando.
— Talvez... – Lavou as mãos e se virou para o marido. – Mas mesmo assim, me preocupo muito com o Boruto e com quem ele se envolve. Ele mal abre a boca quando pergunto algo. Se estiver doente, eu nem sei.
— Fique tranquila. Nosso menino não é idiota. – Beijou a esposa.
— Tem razão. – Retribuiu o gesto.
Talvez seu marido estivesse certo ao dizer que ela necessitava de descanso. O trabalho ficou bem cansativo nos últimos dias.
Tudo o que se ouvia na cozinha era o som de seus beijos e do arroz cozinhando. Fazia tempo que não tinham um momento íntimo, um momento só dos dois.
— Eca! – Uma voz infantil se fez presente e o casal se separou na mesma hora.
— Filha. – Hinata riu sem graça enquanto ajeitava a blusa que seu marido havia levantado até os seios. – O almoço sai daqui a pouco.
— O Poo quer água. – Mostrou seu ursinho de pelúcia.
Naruto pegou o copo de plásticos que Himawari tomava e o entregou cheio para a menina.
— Vê se não derrama. – Alertou.
A criança pegou o objeto e correu para o quarto, derramando boa parte no chão, o que fez Naruto suspirar.
— Onde estávamos? – Resolveu ignorar e voltou sua atenção para a mulher ao seu lado.
— Desculpa. – Afastou os lábios do marido com os dedos. – O dever me chama. – Mostrou a mensagem no WhatsApp que acabara de receber. Era o seu chefe, Shikamaru.
— Acho que eu e o seu patrão precisamos ter uma conversinha. – Fez bico e ela o beijou sorridente.
— Mais tarde, ok? Vigie o arroz. – Se retirou da cozinha e foi se preparar para o trabalho.
Hoje ela precisava ter uma "conversa" com o líder do grupo Samehada, o qual Haku falara.
[...]
Sua intuição nunca falhava, Hinata sabia que Sasuke não era uma boa influência, consequentemente, Sarada também não era.
Claro que ela podia estar julgando mal o homem, não é porque ele é um dos donos de um casino que está envolvido diretamente com algum crime. Mas, ainda assim, ela precisava estar com a consciência completamente limpa.
O Uchiha com certeza desconfiaria se a própria Hinata se aproximasse dele na intenção de investigá-lo. Ficaria muito óbvio, sem falar que, o que ela ganharia com isso?
Hinata precisava de alguém, uma pessoa tão boa quanto ela, para fazer esse favor de investigar o Uchiha mais de perto e garantir que ele não tem envolvimento com coisas ilegais.
Após acertar os detalhes da missão com Shikamaru, caminhou a passos apressados até a sala de sua amiga, cunhada e colega de trabalho, sabia que a ruiva a ajudaria no que fosse necessário.
— Karin! – Entrou na sala da ruiva sem ao menos bater. Os olhos carmim fitaram a morena preocupada que estava parada perto da porta. – Você me deve um favor e eu vou cobrar.
— Você está péssima... – Sincera como sempre, a Uzumaki olhou novamente para a tela do computador. – Fiquei sabendo que você anda investigando uns casos bem complicados.
Karin é meia irmã de Naruto, filha mais nova de Kushina. Os pais de Naruto se divorciaram quando ele ainda era muito novo, poucos anos depois a matriarca se casou novamente e Karin era fruto deste novo relacionamento. Apesar de tudo, os dois se davam bem.
— Sim, mas outra coisa anda me perturbando. – A morena fechou a porta atrás de si, caminhou até a mesa de Karin e se sentou numa cadeira de frente para ela. – Você conhece a Sarada, não é?
— A namoradinha do Boruto? – Karin sorriu de canto. – Sim, conheci a garota no aniversário da Himawari. Ela é um doce. Por quê?
— O pai dela é um dos donos de um Casino e de uma casa noturna, Izanagi e Tsukyomi. – Contou, percebendo o olhar curioso de sua cunhada.
— Ela é da família Uchiha? – Arqueou uma sobrancelha, não escondendo sua surpresa. – É uma família bem rica.
— Rica até demais. – Suspirou, passando os olhos pelos vários enfeites que estavam sobre a bagunçada mesa da ruiva. – Acha que eles são uma boa influência para o Boruto?
— Provavelmente não. – Respondeu sem pensar duas vezes. – Mas por que tanta preocupação? Seu filho tem juízo e sabe com quem se mete.
— Esse povo geralmente é metido com muita coisa errada e você sabe disso.
— Nunca recebemos nenhuma denúncia e você sabe que todo mundo é inocente até que se prove o contrário.
— Eu só quero ficar com a consciência limpa, Karin. – Explicou. – Mas eu sou mãe do Boruto, vai ser estranho se eu me aproximar do Sasuke.
— E você quer que eu use todo o meu encanto para arrancar alguma coisa dele? – A Uzumaki questionou de forma retórica, não escondendo um sorriso.
Karin sempre foi supercompetente, mas nunca mediu esforços para conseguir alguma coisa, podendo até mesmo tentar seduzir algum suspeito para ganhar sua confiança.
— Quero que você descubra qualquer coisa sobre ele. – Respondeu. – Estou com uma pulga atrás da orelha, não fui muito com a cara daquele homem... Pode ser que eu esteja errada, mas preciso garantir que meu filho não está se metendo em um ninho de cobras.
— O que você sabe sobre ele?
— Bem, ele é pai solteiro e, pelo que o Boruto diz, Sasuke não se dá bem com Sarada... Entretanto, disse que ela não quis fazer faculdade de medicina e optou por herdar o negócio dele.
— A menina não se dá bem com o pai e deixou de fazer um curso que gosta pra herdar o negócio dele? – Questionou desconfiada. – Meio contraditório isso...
— Pensei exatamente isso. – Falou pensativa. – Ou talvez eles não se deem bem pelo fato de que Sasuke é muito novo. Ele disse que tinha quinze anos quando a Sarada nasceu, vai ver não teve muita cabeça para cuidar dela.
— E a mãe da menina?
— Segundo o Sasuke, a mãe da Sarada a abandonou recém-nascida.
— Que família, hein! – Riu a ruiva. – Já pude perceber que não se trata de uma família comum, mas não tem muita coisa suspeita.
— Karin, eu só preciso saber se os Uchiha mexem com algo ilegal. Esse negócio de dono de casino não me cheira bem.
— Tudo bem. – Assentiu a Uzumaki. – Eu vou descobrir qual é a desse Sasuke e se a família dele é ou não uma má influência para o meu sobrinho e afilhado do coração.
— Muito obrigada, Karin. – Hinata sorriu agradecida. – Ah, mais uma coisa, isso é confidencial.
— Entendo...
— É uma investigação pessoal, nada envolvendo a polícia. Sei que você é discreta e é a única que pode me ajudar com isso.
— Pode deixar. – Assentiu. – Não contarei nada para ninguém.
[...]
Toská, Rússia
16 de Fevereiro de 2016
10:54 P.M.
Área oeste de Toská, o lugar mais sujo da cidade. Era possível sentir o cheiro de maconha e outras drogas por todo lado. Hinata estava dentro do próprio carro para não levantar suspeitas. Os traficantes do lado de fora apenas observavam.
Parou o Honda Civic em frente a um bar. De acordo com algumas informações que Shikamaru conseguira, alguns integrantes da Samehada frequentavam o local.
A morena estava com roupas que fugiam de seu estilo, sendo mais apertadas, para que se misturasse melhor naquele lugar. Prendeu os longos cabelos no alto e pôs sua arma no coldre escondido pela jaqueta. Havia grandes chances de haver conflito. Pegou a mala com dinheiro falso, desceu do carro e se dirigiu ao bar.
Olhou ao redor, verificando se os policiais que Shikamaru mandara para a missão junto a ela estavam lá. Conseguiu visualizar sete deles espalhados, mas sabia que havia mais. Olhou novamente, procurando alguém com a tatuagem da Samehada, mas seria difícil, em um país tão frio, encontrar uma pessoa com a pele à mostra.
Resolveu perguntar a qualquer um. Viu uma mesa ocupada por três deles, bebendo, conversando sobre algo que parecia ter muita graça, visto que riam alto. A morena se aproximou da mesa.
— Conhecem este homem? – Foi simples, curta e direta. Mostrou a eles uma foto de Kisame Hoshigaki.
— Não. – Riu um deles, visivelmente alterado por causa da droga.
— Moça, passa a maleta. – Outro levantou-se e se aproximou mais da Hyuuga.
— Se afasta. – Kiba Inuzuka, um dos parceiros de Hinata, encostou o cano da arma na nuca do rapaz que se aproximava, da forma mais discreta possível.
— A pessoa nem pode mais levar a vida desonestamente... – Resmungou se afastando. – Eu só estava assaltando ela.
— Hyuuga, não vamos encontrar nada aqui. – Kiba cochichou para a mulher.
— Ainda não. – Replicou. – E esta tatuagem? Conhecem?
— Ah, sim! Os Samehada... Os mais filhas da puta daqui. – Um dos abordados respondeu enquanto tragava o seu cigarro.
— Onde os encontramos?
— Tia, Olhe ao redor. Tudo isso pertence a eles.
— Onde está o líder?
— Fala do Sr. Momochi? Eles estão em um grupo lá em cima. O líder é aquele com o paletó cinza. – Apontou para um grupo em uma parte mais alta do bar. – Mas eu vou logo avisando, ele é um homem cruel, não é à toa que o chamam de Demônio da Névoa Oculta. Cuidado ao fazerem negócios com ele.
Hinata e Kiba seguiram caminho em direção ao grupo.
— Ele é mesmo cruel... Cruelmente feio. – Kiba sussurrou. – Faz jus ao apelido “Demônio”.
Hinata segurou o riso.
Quando estavam chegando mais perto. Dois homens grandes barraram o caminho dos dois.
— Queremos negociar com o Sr. Momochi. – Hinata mostrou o dinheiro dentro da maleta.
Os homens olharam o conteúdo e a deixaram passar. Um deles sussurrou algo no ouvido do líder.
— Ora, ora... Vejo que estão com pressa, já estão com o dinheiro. – Zabuza sorriu.
Os dentes eram pontiagudos. Hinata pensou que aquele fosse o motivo do apelido do homem.
— O que pode nos oferecer? Sei que vende armas, senhor. – A mulher indagou.
— As coisas não funcionam assim. Preciso falar com o fornecedor. Sou apenas uma ponte, senhorita.
— E quando o senhor receberá mais mercadoria?
— Não posso te dar esta informação. Entro em contato quando chegar. – Ele olhou para os dois policiais friamente.
— Entendo.
Hinata olhou desconfiada para um outro homem que se aproximou de Zabuza. Ele mostrou alguma coisa no celular para o líder e falou algo em seu ouvido.
— Para o que a senhorita quer nossa mercadoria?
— Com todo o respeito, senhor, mas isso não cabe ao seu conhecimento.
— É da minha conta quando uma policial vem até meu território comprar minha mercadoria.
Hinata engoliu em seco. Fora descoberta.
— Nem todo policial tem boa índole, senhor Momochi.
— Policiais sem uma boa índole não chegam onde você chegou, Hyuuga.
— Isso é o que o senhor pensa.
A Hyuuga tentava a todo custo continuar o diálogo sem mostrar sua verdadeira intenção.
— Não farei negócios com a senhorita, retire-se do meu território e não abra a sua boca e, só assim, a senhorita pode continuar com a sua vida.
— Eles estão em maioria, vamos logo embora. – Kiba sussurrou no ouvido da parceira.
— Não liga para a morte do seu parceiro, senhor Momochi? – Hinata ignorou o amigo.
— Se fosse esperta, você também não ligaria. Com certeza não vai gostar de se meter com aquele tipo de gente. – Zabuza respondeu.
— Eu não sou medrosa. – Hinata o olhou friamente e se virou para sair.
O líder da Samehada sorriu sadicamente quando a Hyuuga virou as costas. Ele sacou sua arma e a apontou para a nuca exposta da mulher.
— Como ousa me insultar? – Ele falou friamente em meio a um sorriso.
Um disparo foi ouvido e o local logo foi tomado por um caos. Homens e mulheres brigando em todos os cantos, alguns fugiam, outros se escondiam.
— Iruka! – Kiba gritou.
O disparo fora em Iruka, que ergueu a arma para proteger a Hyuuga, o que custou sua vida. Um dos homens de Zabuza havia atirado nele.
Hinata se virou, já com armas em mãos e atirou na cabeça do mesmo capanga que atirara em Iruka. O corpo caiu no chão sem vida.
A morena não deixou se abalar pela perda de um companheiro. Ela continuou atirando nos homens que obstruíam seu caminho até Zabuza, enquanto ele fugia por um corredor mais ao fundo.
— Me deem cobertura! – Gritou sem ter a certeza de que seria ouvida.
Vários disparos podiam ser ouvidos no local em meio à gritaria dos que estavam alheios à situação.
Shino, outro dos parceiros de Hinata, se uniu a Kiba, protegendo a Hyuuga dos capangas do Demônio da Névoa Oculta.
A mulher chegou ao corredor, vendo algumas portas. Começou a abri-las, uma por uma.
As duas primeiras eram banheiros. Algumas pessoas estavam encolhidas ali, implorando para que não fossem mortas.
A outra estava trancada, provavelmente Zabuza não estaria ali, mas arrombou mesmo assim, vendo ser um tipo de escritório, provavelmente do dono do estabelecimento. A última porta dava para fora do bar, em um beco escuro.
Hinata olhou ao redor, havia algumas caixas de lixo e uma lixeira industrial tipo container.
Em passos lentos, dirigiu-se até a lixeira, para olhar se ele estava lá, foi quando sentiu uma forte pancada na nuca, a derrubando. Sua arma caiu um pouco afastada de sua mão. Sua visão girava devido ao impacto, se sentia tonta.
Ouviu o destrave de uma arma e se virou para cima, vendo Zabuza apontar uma arma para si.
— Vai me agradecer por te matar. Assim não se envolverá com meu fornecedor.
A Hyuuga estava zonza e não viu direito o que aconteceu, ouviu a porta ser aberta ao mesmo tempo de disparos.
Sentiu uma dor enorme na cabeça devido ao barulho alto da arma perto de si e uma dor aguda do lado esquerdo de seu rosto.
Pode ouvir a voz de Kiba chamando seu nome, mas sua visão escureceu e acabou perdendo os sentidos.
[...]
Toská, Rússia
21 de fevereiro de 2016
09:46 P.M.
Karin, graças a ajuda da tecnologia, encontrou uma foto de Sasuke na internet. A família Uchiha é muito rica, consequentemente seu nome é conhecido, então encontrar uma foto de um membro de tal família no Google Imagens não foi algo difícil.
Ela o viu sair da casa noturna pela manhã e o seguiu até sua casa, descobrindo assim seu endereço, então passou a vigiá-lo para conhecer sua rotina.
Chegou à conclusão de que Sasuke é um verdadeiro playboy. Sai à noite, vai para o Casino ou para a casa noturna, volta para casa pela manhã e, aparentemente, dorme o dia inteiro. Parecia um adolescente e não um homem de 33 anos.
Conhecendo um pouco sobre a rotina do homem, que era a mesma há cinco dias, Karin não encontrou nada muito suspeito, afinal, um dos donos de um casino e uma casa noturna obviamente só poderia trabalhar à noite, mas ele sequer põe os pés nos estabelecimentos durante o dia... Pelo menos durante aqueles dias, Sasuke só ficou em casa durante a manhã e a tarde.
Mas a Uzumaki teria que vigiar mais de perto. Ainda não estava na hora de ir se aproximando para ganhar a confiança do homem e, consequentemente, ganhar informações que seriam preciosas para Hinata.
Com um visual típico de quem vai para a balada, calça de couro justa, blusa preta de mangas compridas, saltos altos e maquiagem forte; Karin entrou na casa noturna como alguém que não queria nada além de aproveitar a noite, mas na verdade estava ali para observar mais de perto um dos donos do lugar.
Sasuke não parecia nada suspeito aos olhos de Karin, a ruiva estava convencida de que aquilo não passava de uma implicância de Hinata para com a família da namoradinha de seu primogênito, mas isso não apaga o fato de que a morena tinha pelo menos um pouquinho de razão nessa história toda... Enfim, não custava nada investigar, afinal, Sasuke não parecia uma boa influência ainda que não se metesse com coisas ilegais.
O homem se sentou em frente ao bar e pediu uma bebida. Olhava descaradamente para as adolescentes que dançavam loucamente naquele lugar, usando roupas curtas como se o inverno na Rússia não fosse castigador.
“Está quente aqui...” A mulher sentiu a temperatura subir. Talvez por conta da grande quantidade de gente naquele lugar, ou talvez algum aquecedor existisse ali. “Vamos lá, Sasuke... Você esconde alguma coisa?”
Ela ainda não tinha visto nada de comprometedor, mas sabia que Hinata nunca dava ponto sem nó e que suas suspeitas nunca eram sem motivo. A morena nasceu para ser policial e parecia ter uma espécie de sexto sentido.
Sasuke pareceu sentir um incômodo, olhou para os lados e então abaixou-se rapidamente para ajeitar alguma coisa em seu tornozelo direito. mas Karin não conseguiu ver o que era... Bem, talvez a meia.
Foi quando uma figura rosada entrou no campo de visão da policial, seus olhos castanho avermelhados fixaram-se na mulher nitidamente fina, bem vestida e bonita.
“Uma namorada, hm...?” Pensou consigo mesma, afinal, a última coisa que pensaria é que aquela mulher tão elegante pudesse ser, na verdade, uma prostituta.
A mulher dos cabelos estranhamente rosados tomou os lábios do Uchiha e o puxou para a pista de dança.
Ficou óbvio que Sasuke estava ali para curtir e não para trabalhar, pois ele e a namorada juntos mais pareciam dois adolescentes curtindo uma balada.
— Ele não está trabalhando. – Falou indignada a ruiva. – Minha cunhada não vai gostar de saber que o pai da nora dela é um festeiro que passa a noite na farra e dorme o dia inteiro. – Bufou. – Esse homem não trabalha não?
— Falando sozinha, gatinha? – Ouviu uma voz masculina atrás de si, então virou-se, dando de cara com um rapazinho de mais ou menos vinte anos de idade... Lindo, mas Karin não estava ali para aproveitar, muito menos para cuidar de crianças. – Quer dançar?
— Desculpa, pensei que isso aqui fosse uma casa noturna e não uma creche. – Retrucou a mulher que, embora estivesse com trinta e cinco anos, humilhava muitas meninas de vinte.
— Eu posso ser jovem, mas não sou inexperiente. – Sorriu malicioso o rapaz. – Se você me der uma chance, nós podemos dar uma viajada legal...
Foi quando Karin, que antes mantinha sua atenção apenas em Sasuke, notou que Ecstasy, Lança Perfume e LSD rolavam soltos por ali.
Quem estaria fornecendo aquelas drogas?
— Não estou interessada. – A ruiva respondeu curta e grossa, então o rapaz deu meia volta e foi procurar alguma outra mulher para paquerar.
Aquele lugar era horrível, e quem pode garantir que a própria Sarada nunca esteve ali? Afinal, ela quer herdar os negócios do pai, certo? O Casino não devia ser melhor do que aquilo.
Sasuke e a mulher dos cabelos rosados saíram da casa noturna por volta das 2:30, Karin os seguiu discretamente e ambos foram para um motel, o que deixou ainda mais claro que os dois têm um caso.
Provavelmente sairiam de lá pela manhã, então a Uzumaki resolveu ir embora para dormir o restinho da noite. Pelo menos aquele sono perdido valera a pena, uma vez que ela tinha algumas informações para Hinata.
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