Amaterasu
24 Capítulo 23
Notas iniciais
Toská, Rússia
29 de março de 2016
00:29 P.M.
Boruto quis entrar em sua casa, mas foi impedido por Shikamaru. O local deveria ser examinado primeiro, depois o loiro poderia entrar para pegar seus objetos pessoais.
Deixava as lágrimas caírem enquanto a viatura onde seu pai estava ia se afastando até, enfim, dobrar a esquina e sumir de suas vistas.
Não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Sua mãe e sua irmã poderiam estar em cárcere privado ou, até mesmo, mortas, enquanto seu pai era acusado de tudo isso.
Após alguns minutos se recuperando do acontecido, dentro do carro de Shikamaru, Boruto foi surpreendido quando o Nara apareceu do nada e entrou no automóvel.
Não fez questão de esconder que estava chorando. Não precisava se fazer de forte naquela situação. Só queria acordar daquele pesadelo horrível.
— Pra onde vai me levar? – Questionou o Uzumaki, cujos olhos estavam completamente inchados por causa do choro.
— Os pais de Hinata moram em São Petersburgo, sua avó paterna vive em Moscou e seu avô paterno sequer mora na Rússia... E, devido às condições, você não poderia ficar com seus avós paternos mesmo que eles morassem aqui... – Suspirou enquanto dava partida no carro.
Seus avós paternos sequer eram russos. Minato era de descendência Alemã, nascido na Alemanha. Kushina, embora nascida no Canadá, tinha a mãe russa. Boruto pouco tinha contato com os avós que não moravam em Toská desde antes de seus pais casarem, tampouco sabia como nacionalidades tão diferentes se cruzaram.
Eles se separaram quando Naruto era bem pequeno, então Kushina se envolveu com outro homem e teve Karin, mas o homem faleceu quando a meia-irmã de Naruto tinha apenas quatro anos. Kushina ficou solteira novamente, mas sempre mantinha contato com Minato por causa de Naruto.
— Vou ficar com qual dos meus tios? – Boruto questionou, uma vez que, se seus avós não moravam em Toská, obviamente que ficaria com algum outro parente.
— Neji. – Respondeu o homem que dirigia. – Ele já foi avisado. Liguei tanto pra ele quanto pra Hanabi.
O rapaz assentiu e escorou a cabeça no vidro da janela. Sabia que iria demorar, pois Toská era uma cidade enorme e o bairro em que seu tio morava era muito longe do que Boruto morava. Quase na saída da cidade.
Após 40 minutos de carro, Shikamaru estacionou seu SW4 em frente à casa de Neji.
Boruto foi recebido pelos tios e também pela prima. Não os via há muito tempo. Talvez as vidas corridas e também a distância os tenha separado.
Karin era a tia mais próxima de Boruto e Himawari. Eles sempre preferiram à ruiva, mas não significa que não amassem os outros dois.
— Boruto, meu amor! – Hanabi, irmã caçula de Hinata, recebeu o sobrinho com um abraço apertado. Assim como Neji, a morena também estava com os olhos um pouco inchados, uma vez que já tinham recebido a notícia da possível morte de Hinata e Himawari, assim como a prisão de Naruto. – Eu sinto muito por tudo isso, querido.
— Eu não sabia que a senhora estaria aqui, tia Hanabi. – Ele comentou sem graça enquanto caminhavam em direção à sala.
— Vim correndo assim que soube que você viria para cá. – Explicou. – A minha ficha ainda não caiu.
— Nem a minha... – Neji se manifestou.
— Delegado. – Tenten, esposa de Neji, chamou a atenção do homem que havia levado seu sobrinho até sua casa. – O que vai acontecer com o Naruto?
— Bem... – Shikamaru pareceu meio desconcertado e olhou sem jeito para Boruto, uma vez que ele estava profundamente abalado ainda.
— Akemi. – Neji chamou a filha que, embora estivesse presente, não havia se manifestado.
Akemi era a filha de Neji e Tenten, tinha 16 anos, a pele clara, cabelos castanhos longos e lisos, e os olhos perolados como os dos irmãos Hyuuga. A adolescente lembrava muito a tia, Hanabi, até mais do que a própria filha dela.
— O que foi? – Questionou a Hyuuga mais nova.
— Leve o Boruto lá pra cima. – Respondeu. – Mostre o quarto de hóspedes pra ele.
— Ele já conhece o quarto de hóspedes. – Respondeu, louca para escutar o que os adultos tinham pra dizer. Ela não estava totalmente a par da situação.
— Akemi, não discute. – Tenten repreendeu sua filha e esta apenas cruzou os braços em frente ao corpo.
— Vamos Boruto. – Chamou o primo e caminhou em direção às escadas.
Boruto queria saber o que iria acontecer com seu pai, mas ao mesmo tempo não queria. Estava confuso, machucado... Talvez devesse ser melhor conversar com seus tios depois que tudo já estivesse claro para eles. Por isso resolveu acompanhar a prima.
Fazia tanto tempo que não se viam, aquele momento era pra ser feliz e divertido, infelizmente as circunstâncias não eram das melhores.
— Agora podemos conversar melhor. – Neji se sentou no sofá e suspirou pesadamente assim que as crianças subiram as escadas. – Não nos esconda nada, senhor Delegado.
— Bem... – O Nara se sentou no sofá de frente para Neji, então encarou com seriedade o irmão de sua amiga. – Provavelmente Hinata e Himawari estão mortas, mas podem estar apenas presas em algum lugar.
— Ora, então mande procurá-las, você é o delegado! – Hanabi falou um pouco alterada.
— As coisas não são assim, senhora Hyuuga. – Shikamaru explicou. – Não temos ideia do lugar para onde Naruto pode ter levado as duas. Sem falar que muito provavelmente estão mortas, então os corpos devem estar escondidos em algum lugar, ou nem existem mais.
— Minha irmã... Minha sobrinha... – Hanabi chorava abraçada com Tenten.
Neji não queria acreditar. Tinha fé, esperanças de que sua irmã ainda estivesse viva.
Todos gostavam tanto de Naruto desde a época em que ele e Hinata não eram nada mais do que amigos. Ninguém imaginaria que o loiro fosse fazer algo desse tipo.
— Outra pessoa pode estar querendo incriminar o Naruto. – Supôs o Hyuuga. – Hinata era policial, devia ter várias pessoas querendo a cabeça dela.
— Não é assim, Neji. – O delegado explicou. – Temos provas. Temos uma testemunha totalmente confiável, ela viu Naruto matar dois policiais com tiros e colocar Hinata e Himawari num carro.
— Ora, se Naruto atirou em dois policiais, por que deixou essa tal testemunha viva? – Neji tentava encontrar qualquer furo na história, qualquer coisa que pudesse inocentar o loiro.
Eles se conheciam há muito tempo, foram amigos de colégio. Neji simplesmente não conseguia acreditar.
— Ele não a matou, mas não significa que não tenha atirado nela também. – Explicou.
— Eu nunca imaginei nem que o Naruto sabia como segurar numa arma, quem dirá como matar uma pessoa. – Hanabi falou chorosa e com raiva.
— Delegado, o senhor é amigo da Hinata há anos. – Disse Neji. – Sabe como os dois sempre foram apaixonados um pelo outro. Por que ele faria uma coisa dessas com a esposa e a própria filha?
— Senhor Hyuuga, eu trabalho com provas. – Respondeu. – Me dói ter que prender um amigo, mas, segundo as evidências, Naruto não é quem aparenta ser. – Suspirou com pesar. – Ele pode ter algum distúrbio de personalidade, algum problema mental. Não é incomum ligarmos a televisão e testemunharmos notícias de pais que matam os próprios filhos ou vice e versa. Isso acontece, são pessoas doentes.
— Está querendo dizer que o Naruto é algum tipo de psicopata? – Tenten uniu as sobrancelhas, ainda abraçada com Hanabi para consolar a cunhada que tanto chorava.
— Estou. – Assentiu. – Inclusive ele se tornou principal suspeito pelo desaparecimento de Karin Uzumaki, que está desaparecida há mais de um mês e provavelmente morta.
— A própria irmã... – Hanabi sussurrou boquiaberta, em choque. – A irmã... A esposa... A filha... – Fechou os olhos e deixou grossas lágrimas caírem. – Esse homem é um monstro!
— Existe a chance de Naruto ser condenado à morte? – Tenten questionou preocupada, pensando na reação que Boruto teria caso isso realmente acontecesse.
— Ele será julgado o quanto antes. – Respondeu Shikamaru. – Pode ser que ele seja mandado para algum manicômio e passe o resto da vida lá, isso se for provado que ele tem algum distúrbio mental. Caso contrário, o destino do Naruto será o corredor da morte.
— Pois que seja esse o destino dele! – Hanabi falou amargamente. – Ele matou minha irmã e minha sobrinha.
— Ainda não temos certeza de que elas estão mortas... – Shikamaru soltou um longo suspiro. – Mas, se Naruto for mesmo o responsável por esses crimes, Hinata e Himawari tiveram o mesmo destino que Karin teve.
— Ela ainda não foi encontrada? – Tenten perguntou.
— Não. – Shikamaru balançou a cabeça em sinal negativo. – Mas se ela está morta, o corpo nunca foi encontrado. Deve estar num lugar muito afastado, se for mesmo isso, provavelmente foi esquartejado ou virou cinzas... Seja como for, ela está muito bem escondida.
— Como um ser humano tem sangue frio pra fazer uma barbaridade dessas? – Neji questionou incrédulo, sendo forçado por tais evidências a acreditar que Naruto realmente tenha sido capaz de assassinar sua irmã e sua sobrinha.
— Existe todo tipo de gente nesse mundo, senhor Hyuuga. – Shikamaru se levantou do sofá e colocou as mãos nos bolsos da calça. – Preciso ir. Ligo para avisar quando Boruto puder ir até a casa dele para buscar suas coisas. Podem deixar que eu mesmo o levo lá.
[...]
Toská, Rússia
03 de abril de 2016
00:23 P.M.
Estava chovendo de leve neste domingo. Parecia que até os céus choravam.
Boruto estava com a cabeça encostada na janela do carona e observava o pouco movimento de carros. Olhando na expectativa de que algo interessante acontecesse.
Shikamaru até ligou o ar-condicionado numa temperatura agradável, colocou uma música de fundo e tentou puxar assunto com o menino na esperança dele se sentir mais confortável. Mas o que fazer para animar alguém com a alma abatida?
Dirigia com calma para a casa do garoto. Ele iria pegar suas roupas e objetos pessoais porque a partir de hoje moraria com os tios.
Nara estacionou o SW4 em frente à casa de número 23 e esperou o menino descer.
Boruto saiu do automóvel e ultrapassou uma faixa amarela. Caminhou até a porta e observou a maçaneta quebrada. Resultado de um arrombamento feito com o pé. Respirou fundo, abriu e entrou.
A primeira coisa que percebeu foi o sofá virado. A mesinha de centro estava bagunçada e havia sangue no chão.
Imaginou como tudo ali aconteceu. Viu as marcas de tiro nas paredes e nos móveis. Mas toda vez que tentava criar uma cena, ela era bloqueada pelo sorriso de seu pai.
Havia provas, fatos comprovados de que Naruto foi quem matou sua família e fez tudo aquilo. Mas Boruto não conseguia ver isso, talvez porque ele era o seu pai, ou porque ele queria acreditar que o homem era inocente.
Caminhou para mais dentro de casa e viu algumas fotos da família em cima do rack. Todos sorrindo, alegres, noutra ele estava com a cara suja de chocolate junto com a irmã. Segurou o choro e foi à cozinha. Queria se afastar daquelas memórias.
Viu um copo de Frozen em cima da bancada da cozinha. Não aguentou e se pôs a chorar de joelhos.
Na manhã daquele dia, Himawari estava doente e ele resolveu fazer um achocolatado para a menina, a qual reclamou que estava muito doce. E ele havia colocado naquele copo.
Sua irmã estava morta por culpa dele, não havia nada que tirasse isso de sua cabeça.
“Se ao menos eu tivesse obedecido minha mãe de não sair de casa, talvez Himawari estivesse viva”, pensou. E infelizmente estava certo.
O plano inicial era que ele seria usado e não a menina, mas ele não sabia disso.
Levantou-se do chão e enxugou as lágrimas. Saiu daquele ambiente e rumou para o seu quarto.
Ao subir a escada e passar pelo corredor, Boruto passou pelo quarto dos pais e ali ficou. Olhou para dentro do cômodo e entrou.
Mais fotos. Desta vez do casal.
Olhou os porta-retratos sobre o criado-mudo e se sentou na cama para observar melhor.
Naruto e Hinata casando. Sua mãe estava mais jovem e muito bonita, seu pai sorria largamente. Chorava até mais do que a própria noiva.
O adolescente olhou e sorriu minimamente. Mas abaixou o objeto.
Olhou ao redor e imaginou eles ali. Rindo como sempre, falando sobre trabalho e sobre os filhos... Assuntos estes que afirmava ser entediante, mas agora era interessante.
Levantou-se indo em direção ao guarda-roupa, abriu a gaveta do meio e dali retirou o seu celular.
Sabia que sua mãe o escondia ali porque ele procurou. Mas não pegava porque sua irmã o ameaçava dizendo que iria contar.
Riu baixinho e sem humor. A menina sempre foi a “certinha” da casa, e isso o irritava. E agora, sentia falta disso.
Boruto meteu o aparelho no bolso, saiu do cômodo e passou pelo quarto da irmã, mas nem ousou entrar. Só de olhar, começou a chorar. Entrou por fim, no seu.
Cama desarrumada, mesa de estudos bagunçada, as roupas no guarda-roupa estavam jogadas de qualquer jeito...
Seus pais viviam insistindo para que arrumasse o ambiente, e ele sempre respondia com um “daqui a pouco”.
“Da próxima vez em que eu voltar no seu quarto e ele ainda estiver bagunçado, eu vou jogar tudo no chão! Não tô brincando!”, riu ele. Neste dia, ele não fez isso e ela realmente jogou tudo no chão.
Pegou uma mala laranja empoeirada debaixo da cama e deu umas batidinhas, gerando um espirro. Colocou sobre a cama e abriu. Pensou o que colocaria ali dentro.
Abriu suas gavetas e dobrou as roupas para enfim colocá-las na mala. Sentiu o perfume de uma delas e lembrou que aquele era o sabão em pó que Hinata mais gostava.
“Mantenha suas roupas limpas, você não tem nenhuma empregada dentro de casa!”, murmurou baixinho. Era uma fala constante de sua mãe.
Após escolher todas as roupas que queria, foi à suíte e pegou seus produtos de higiene pessoal, colocou todos na mesma mala.
Saiu do quarto e voltou para a sala.
Seu coração apertou ao perceber que era hora do adeus.
Não adeus à casa. E sim às memórias felizes, à família, ao passado...
Deixou as lágrimas rolarem por seu rosto e sentou-se no chão.
Estava sozinho e com medo. Sua mãe e sua irmã estavam mortas, seu pai foi preso. As pessoas que ele mais amava no mundo não estavam mais ali. Perdeu sua base. Teria que começar do zero e isso o assustava. Tinha medo de não conseguir ou perder tudo de novo.
“Eu sou um covarde”, dizia para si mesmo.
Encolheu-se no chão e chorou amargamente.
Em sua cabeça, milhões de perguntas sem respostas. Só queria que aquilo tudo acabasse, que fosse apenas um sonho horrível.
Puxou os cabelos na tentativa de acordar. Tentou gritar, mas só conseguia abrir e fechar a boca. Estava à beira do desespero e não havia uma única mão para lhe salvar.
Era tudo real. Um pesadelo que virou realidade.
Levantou-se num rompante, foi até o rack e num passe de ira, derrubou tudo o que se encontrava sobre ele.
O barulho de vidro caindo no chão chamou sua atenção para um porta-retratos.
Pegou o objeto quebrado e retirou a foto com cuidado.
Nela estavam ele e a família num piquenique. Himawari devia ter uns 5 anos e teve o pé mordido por uma formiga, chorava feito criancinha. Sua mãe ria da situação e seu pai, babão como sempre, tentava em vão fazer a menina rir. Era uma selfie tirada por Boruto, que se divertia com o que estava acontecendo.
Secou as lágrimas de seu rosto e sorriu.
Passou a mão esquerda sobre a foto, como se pudesse sentir o contato com quem estava nela. Atrás dela estava escrito o que havia acontecido naquele dia.
Um pensamento tomou conta de sua mente:
— O mundo é cruel, mas é belo...
Um motivo para continuar. Seguir em frente. Lutar.
Pegou sua mala e saiu de casa. Havia parado de chover. O porta-malas do SW4 já estava aberto.
Colocou a bagagem dentro e o fechou. Deu a volta e adentrou o carro.
Seu rosto estava vermelho por conta das lágrimas, mas não estava mais sem expressão como antes. E Shikamaru percebeu isso.
Desistiu de perguntar ao ver a foto na mão do adolescente. Já sabia o que havia acontecido e sorriu aliviado. O garoto estava levando uma lembrança, sinal de que ele ainda não desistiu de viver.
Deu partida no carro e rumou para a casa dos tios do menino. Não era muito longe, mas mesmo assim o trajeto foi em total silêncio. Sabia que Boruto precisava de um tempo a sós consigo mesmo.
Chegou à residência de número 1803 e parou o carro.
O Uzumaki pegou sua mala e agradeceu o delegado num sussurro, o qual recebeu um “Fique bem” como resposta.
[...]
Toská, Rússia
07 de abril de 2016
07:58 A.M.
Naruto foi retirado da viatura. Olhou para a grandiosa construção da Corte de Toská em um estilo neorrenascentista. No pátio, à frente da entrada principal, havia uma estátua de Têmis, a deusa-guardiã do juramento dos homens e da lei. O interior do prédio não ficava muito atrás da beleza de seu exterior.
Dois oficiais o escoltavam para seu julgamento. Estava algemado, sendo levado pelos corredores, até chegar a uma porta dupla de madeira.
Adentrou a sala junto aos oficiais. Olhou ao redor, vendo a família Uchiha ali. Seu olhar cruzou com o de Sarada. Ela aparentava tristeza. Sentiu seu sangue ferver, aquela garota era uma assassina e estava ali, livre de qualquer acusação.
Voltou-se para o outro lado, vendo Boruto e a família de sua esposa.
Havia também alguns jornalistas prontos para passar aquela desgraça ao público.
Os guardas o guiaram até uma mesa onde um homem de cabelos castanhos estava sentado, ele usava óculos escuros mesmo em ambiente fechado. Um dos oficiais chamou atenção dele.
— Oh, senhor Uzumaki, sou Shino Aburame, seu advogado. – Se apresentou.
Naruto havia o contratado de última hora, não o conhecia direito. Notou que o advogado era cego, estava com uma bengala e não o olhava.
O Uzumaki sentou-se ao lado do Aburame.
Na mesa ao lado havia outro homem de cabelos castanhos e olhos negros, um pouco estranho.
Finalmente o juiz apareceu, cabelos grisalhos e olhos castanhos avermelhados. Era inexpressivo, Naruto sentiu medo com o olhar dele.
Na verdade sentia medo de tudo ali. Estava sendo julgado pela morte da esposa e da filha, certamente não teria simpatia de ninguém.
Sentia-se perdido. Não sabia como aquilo tudo chegou àquele ponto.
Sua família estava morta mesmo? Por que ele era o principal acusado? A família Uchiha deveria estar no lugar dele... Ou sua esposa estava errada? Por que aquela família desprezível estava ali em seu julgamento?
Eram tantas perguntas sem resposta que passavam em sua mente.
O juiz se apresentou como Tobirama Senju.
— Caso de número 37. Nele estarei julgando o réu, senhor Naruto Uzumaki, dono do restaurante Kyuubi, culpado por sequestro e homicídio da meia-irmã, Karin Uzumaki, da esposa, Hinata Hyuuga, e da filha, Himawari Uzumaki. Culpado também pelo homicídio de quatorze membros do corpo policial da cidade de Toská. – Apresentou o caso.
Naruto sentiu uma enorme dor com a citação dos nomes das mulheres. Sentiu-se confuso pela morte de policiais. Sequer havia se encontrado com tantos policiais em sua vida.
Estava sendo acusado injustamente, mas, aparentemente, quase ninguém ali parecia acreditar nisso. Estava sozinho. Sentia vontade de chorar. Tudo estava dando errado desde que sua esposa começou a investigar os Uchiha.
— O carro do senhor Uzumaki foi visto deixando o local da residência de sua meia-irmã, Karin Uzumaki, no mesmo dia que a mesma desapareceu, tornando-o o principal suspeito como sequestrador e assassino.
— O-o quê? Eu não a vi naquele d...
— O senhor ainda não tem a palavra. Exijo ordem! – O juiz interrompeu o loiro. – Há uma sobrevivente no tiroteio em sua residência, ela é testemunha de que o senhor levou Hinata Hyuuga e Himawari Uzumaki para algum local desconhecido, as duas não foram vistas desde então. Nenhum corpo foi encontrado. A testemunha também afirma que o senhor matou os detetives Kakuzu e Hidan.
Naruto queria protestar. Nada daquilo era verdade. Não matou ninguém. Muito menos as três familiares. Eram as mulheres que mais amava, juntamente a sua mãe.
Será que seus pais sabiam o que estava havendo ali? Provavelmente sua mãe derrubaria a corte inteira para provar que aquilo era tudo mentira.
— Doze corpos de oficiais da justiça foram encontrados na fazenda dos Uchiha. Todos lavados e degolados. Junto a estes, foi encontrado o distintivo de Karin Uzumaki. A arma do crime estava no local, uma faca de chef que bate com os utensílios de sua casa.
Franziu o cenho diante de tal acusação. Doze corpos. Doze!
Era um número grande, como podem achar que apenas ele fez aquilo tudo só?
— Onde estava no horário do tiroteio, senhor Uzumaki? – O juiz o encarou.
— Eu não estava em casa naquela manhã. Estava em uma reunião com uma nova investidora, Shizune Katou. – Respondeu tentando parecer firme.
— Diante de tal afirmativa, estarei passando a palavra para o Promotor, Yamato, para que apresente as testemunhas de acusação.
Naruto observou o homem da mesa ao lado levantar-se. Ele parou um pouco mais à frente.
— Meritíssimo senhor juiz, Tobirama Senju, pelo qual eu saúdo os demais presentes. – Saudou. – De acordo com as informações que me foram passadas, os Uchiha foram suspeitos em outros casos de assassinato, que já foram resolvidos. Pelo que parece, o senhor Uzumaki estava tentando incriminá-los para sair impune das atrocidades que cometeu. Shizune Katou é funcionária dos Uchiha há muitos anos, trabalha como contadora para eles. Sendo assim, a conclusão que pode ser tomada é de que o senhor Uzumaki realmente está tentando incriminar os Uchiha. Gostaria de chamá-la como primeira testemunha.
Algumas pessoas viraram para trás, acompanhando a mulher morena que acabara de adentrar a sala, escoltada por um policial.
A mulher sentou-se em uma cadeira ao lado do juiz, o local reservado para as testemunhas.
— Senhorita Katou, conhece este homem? – Yamato perguntou, apontando para Naruto.
Shizune ergueu o olhar, parecia nervosa por estar ali.
— Sim, é o dono de um restaurante onde comi algumas vezes. – Respondeu.
— Quanto é o seu salário? – Continuou as perguntas.
— Protesto! Pergunta irrelevante. – Shino Aburame interrompeu.
— Promotor... – O juiz alertou.
— Ela é uma contadora e o senhor Uzumaki afirma que ela quis investir no restaurante dele, neste caso, o salário dela é relevante, meritíssimo. – O acusador contornou a situação.
— Protesto negado. – Bateu o malhete.
— Continuando, pode responder a pergunta? – Yamato a olhou.
— Eu recebo entre três e quatro salários mínimos. – Respondeu timidamente.
Yamato pegou uma pequena calculadora comum e digitou algo.
— Quatro salários mínimos resultam em 34.620 rublos. Apesar de ser um bom dinheiro, se este é o máximo que ganha, levando em consideração algumas contas existentes para pagar na casa, transporte e alimentação, não é suficiente para tornar-se um investidor de um restaurante de duas estrelas como o Kyuubi.
— Não trabalho com investimentos, senhor.
O Uzumaki cerrou os punhos ao ouvir aquilo, ela estava mentindo. O promotor trabalha para os Uchiha também? Como aquilo poderia ser possível? Ninguém via que aquela mulher estava mentindo? De fato era uma boa atriz, mas era uma mentira enorme.
— Onde estava na manhã da terça-feira, dia 29 de março do corrente ano? – Yamanto andava lentamente pelo recinto.
— Durante as manhãs eu descanso, já que trabalho à noite no casino. Acredito que nesse dia eu estivesse fazendo isso... Dependendo do horário, claro, às vezes acordo mais tarde, às vezes mais cedo.
— Não havia nenhuma reunião naquele dia? Quero dizer, com alguém de fora do casino?
— Não senhor, não participo de reuniões pelos Uchiha ou nada do tipo, apenas ajudo nas finanças.
— Protesto! Ela pode estar mentindo pelos Uchiha, é funcionária deles. – Shino levantou-se mais uma vez. – Como vai provar que está falando a verdade?
— Protesto aceito. – Tobirama voltou-se para Yamato. – Há algo que comprove o que foi dito pela senhorita Katou?
— Conseguimos pegar a agenda dela, alguns documentos e datas de acesso à Netflix. – Yamato entregou alguns papeis.
O juiz analisou.
— E quem garante que ninguém usou no lugar dela? – O Aburame perguntou.
— Bem, estava sendo usado na Smart TV dela. Como ela mora só, deduz-se que era ela quem estava usando. É a prova de que ela não saiu de casa naquela manhã.
— Ela estava comigo! – Virou-se para Shizune. – Você jurou, por sua honra, dizer toda a verdade e só a verdade! Então não minta, você estava comigo! – Naruto gritou, levantando-se em um rompante.
Shizune o olhou assustada.
Um dos policias bateu na parte de trás do joelho do Uzumaki, fazendo-o se sentar novamente.
— Exijo ordem, senhor Uzumaki! – Alertou o juiz. – Prossiga, Promotor Yamato.
O moreno acenou com a cabeça e olhou novamente para a mulher.
— Senhorita Katou, quando você visitava o Kyuubi, levava algum tipo de documento que indicasse em que trabalhava? – O promotor voltou a fazer seu questionamento.
— Geralmente eu ia apenas almoçar ou jantar, mas já ocorreu de ter algum trabalho extra e eu levava algumas planilhas de finanças do casino. Elas sempre vêm com a logo do Izanagi.
— Como podem ver, esta era uma pergunta necessária. – Yamato caminhou lentamente de frente para o júri. – Estamos falando de um homem que queria colocar a culpa de seus crimes nos Uchiha. Se ele viu que Shizune Katou trabalhava para a família, ele pode ter usado isso como artifício para acusá-los. – Parou de caminhar e olhou para a morena. – Obrigado, senhorita Katou. Não tenho mais perguntas, meritíssimo. – Acenou levemente para Tobirama.
Naruto ficou nervoso diante daquilo. Era tudo mentira, ela estava com ele, ela tinha conversado com ele sobre o investimento. Teve vontade de gritar novamente, mas sabia que aquela atitude apenas pioraria sua situação.
— Alguma pergunta da defesa? – O Senju indagou. – A testemunha está dispensada.
Shizune acenou com a cabeça e saiu de seu lugar, passou pela plateia ainda de cabeça baixa e se retirou do recinto.
O Aburame levantou-se de seu lugar e dirigiu-se à frente.
— Meritíssimo senhor juiz... Bom dia a todos. Gostaria de fazer uma pergunta ao meu cliente. Senhor Uzumaki, o senhor afirma que teve uma reunião com uma nova investidora na manhã do dia 29 de março do corrente ano. Como a reunião foi marcada e onde ela ocorreu?
— E-ela estava em meu restaurante e nós conversamos, marcamos lá mesmo e fizemos a reunião em minha sala. – Naruto respondeu.
— Diante disso, devo supor que havia várias testemunhas desta conversa. Vou começar chamando Konohamaru Sarutobi, que trabalha como garçom no restaurante Kyuubi. – O Aburame informou.
Um homem de cabelos castanhos e olhos escuros adentrou a sala, escoltado, e dirigiu-se ao assento das testemunhas. Aparentava ter, no máximo, 25 anos.
— Senhor Sarutobi, o senhor estava presente em alguma das vezes em que a senhorita Katou esteve no restaurante?
— Sim, eu a atendi na maioria das vezes. – Confirmou.
— Viu o gerente, o senhor Uzumaki, conversar alguma vez com a mulher? – Continuou.
— Ah, sim, algumas vezes ele conversou com ela.
— E sobre a reunião, o senhor viu quando os dois fizeram esta reunião no dia 29 do mês passado?
— Eu lembro que o senhor Uzumaki saiu cedo do restaurante, mas não vi se ele foi para a sala dele... Ela fica nos fundos... Talvez algum cozinheiro tenha visto. Eu fico apenas servindo às mesas.
Naruto se martirizou por não avisar aos funcionários sobre a reunião, queria fazer surpresa sobre a investidora. Iria avisar apenas quando fosse algo certo. Aquilo iria piorar sua situação, torceu para que algum cozinheiro tivesse sido curioso a ponto de espiar sua sala.
Yamato sorriu diante da expressão preocupada do Uzumaki e das afirmativas do advogado de defesa. Aparentemente ele não era tão bom no que fazia. Sentiu que venceria aquele caso.
— O senhor Uzumaki apresentava algum comportamento estranho no restaurante, senhor Sarutobi? Ele era um bom chefe? – Shino mudou o rumo das perguntas. Aquele garoto não parecia que iria ajudar muito.
— Ele sempre foi um ótimo chefe. Sempre sorridente, preocupado com a qualidade da comida. Nunca faltou com seus funcionários. Eu o admirava muito, mas... – Baixou a cabeça e se encolheu um pouco. – Foi um choque ouvir sobre o que aconteceu... Ainda não consigo acreditar.
Naruto sentiu a tristeza lhe invadir, mesmo Konohamaru, um dos funcionários que mais era próximo de si, acreditava naquela história?
— Encerro minhas perguntas. – O Aburame resolveu sentar-se.
— O promotor tem alguma pergunta? – Tobirama olhou para Yamato.
— Sim, meritíssimo... – Levantou-se e dirigiu-se à frente. Encarou o Sarutobi. – O restaurante tem câmeras?
— Sim, há câmeras no salão, na cozinha e nos fundos. – Konohamaru respondeu.
— E nenhuma delas captou o dia da reunião? – Ergueu uma sobrancelha.
— A câmera dos fundos estava quebrada, uns garotos malcriados atiraram umas pedras nos fundos, acabaram quebrando a câmera. – Sorriu sem graça. – Mas as do salão filmaram as vezes que a Shizune foi lá.
— O seu chefe sempre está no restaurante? – Prosseguiu.
— Sim, ele sempre está lá. É atencioso com os clientes e sempre interage com os funcionários.
Naruto engoliu em seco, nas últimas semanas ele estava mais ausente devido aos problemas de Hinata, ficava em casa para consolar a esposa. Pelo menos Konohamaru não falara sobre isso.
— Não tenho mais perguntas. – Encerrou, mas permaneceu de pé.
Konohamaru levantou-se e deixou a sala.
— Aparentemente não há provas de que o senhor Uzumaki estava nesta reunião, então podemos continuar com as acusações. – Yamato voltou a falar, dirigindo-se a sua mesa e pegando alguns papéis. – Aqui estão fotos das balas utilizadas no crime, bem como um pente de balas do mesmo modelo encontrado no carro do senhor Uzumaki. – Mostrou algumas fotos. – Balas de calibre .380 ACP atiradas, possivelmente, por uma pistola Taurus. Foram feitos testes para saber se nas mãos do senhor Uzumaki havia algum resíduo de disparo. Os testes resultaram em positivo e com o mesmo composto usado pelas pistolas da marca.
— Eu nunc...
Naruto iria gritar, mas foi impedido pelo advogado de defesa.
— É certo que os testes podem dar errado, mas foram feitos mais de um e uma das pessoas em quem Naruto atirou sobreviveu. Ela será a próxima testemunha que irei chamar. Detetive Ino Yamanaka.
As portas foram abertas, revelando a mulher loira escoltada por um policial. Ela se dirigiu ao assento e se acomodou. Já tinha experiências com julgamentos, sabia o que estava por vir.
Imaginava diversas perguntas que poderiam ser feita a ela tanto pela promotoria quanto pela defesa, estava preparada para o que viesse. Olhou para a família Uchiha sentada na plateia.
Madara, totalmente inexpressivo. Aquele era o homem para o qual trabalhava de verdade. Fora treinada por ele, treinada para ser uma agente dupla. Havia aprendido muito com ele.
Ao lado dele estava Mikoto Uchiha, esposa de Fugaku, nunca tinha visto ela, mas ela é tão bela quanto o que Madara descreveu, ou mais, mesmo com a idade avançada. Uma mulher elegante.
Logo ao lado estava Itachi, o filho mais velho de Fugaku e, possivelmente, o próximo líder da Amaterasu. Aquele que continuaria o reinado de terror do crime organizado da cidade de Toská.
Ao lado dele estava a Uchiha mais jovem, Sarada, filha de Sasuke. Extremamente parecida com o pai, exceto pelos olhos. Ela estava triste e Ino sabia o motivo: O pai de seu namorado estava sendo julgado por algo que a família dela fez. Sasuke já havia dito que a garota tinha a bondade da mãe, mas fora corrompida por Fugaku.
Abraçando levemente a mais nova estava a mulher de cabelos rosados que fora interrogada pelo delegado outro dia. Era visível o desconforto dela. Aquilo era extremamente errado, Ino sabia e não se importava, mas a Haruno se importava. E ali estavam os mesmo olhos da jovem Uchiha. Olhos expressivos e transparentes.
Do outro lado viu os familiares de Hinata. Neji e Hanabi Hyuuga, irmãos da detetive. Via raiva no olhar deles. Um homem tão bom como o Uzumaki, era difícil de acreditar, mas eles estavam acreditando.
Bem como Boruto. Era nítido o quão abatido ele estava. Ino quase sentiu pena, afinal ele havia perdido a mãe e a irmã, sem falar na tia, e o pai estava sendo culpado por tudo.
Se segurou para não sorrir com o sucesso do plano de Madara. A mente daquele homem era complexa. Ele almejava poder, não importava em quem precisasse pisar. Não permitia que os erros do primo, Fugaku, atrapalhassem seus planos na política. Fazia de tudo para não manchar seu nome.
Era essa a função da Yamanaka, ajudá-lo a chegar ao topo.
— Detetive Yamanaka, o que houve na manhã do dia 29 de março? – Yamato perguntou.
A loira suspeitava que aquela seria a primeira pergunta, afinal ela estava presente no tiroteio. Fora ela quem culpou o Uzumaki.
Olhou para ele. Os olhos azuis de ambos se cruzaram. Apenas ele, além dos Uchiha, sabia que aquilo tudo não passava de uma mentira. Sabia que era inocente, mas ele não conseguia provar... Ele jamais conseguiria.
“Poder é poder”, sorriu internamente.
Poder era algo que os Uchiha tinham de sobra. Era quase impossível derrubá-los. Talvez fosse mesmo impossível.
— Estava em uma reunião com a equipe que trabalhava nos casos de assassinato do mês de fevereiro. Os casos de Kisame Hoshigaki e Deidara. O delegado Nara, eu, Hidan, Kakuzu e Hinata. – Começou os relatos.
Estava acostumada a fingir. Fingia nervosismo, tristeza pela morte dos colegas “queridos”. Contava os fatos iniciais naturalmente, aquela parte era real.
— Falávamos de possíveis traições dentro do corpo policial de Toská. Hinata era suspeita de matar Karin Uzumaki. Os motivos são confidencias, não posso expô-los diante da plateia. – Falou o mínimo possível. – Devido a suspeita, o delegado resolveu retirar o porte legal de arma e o distintivo da Hyuuga até que tivéssemos provas dos reais fatos. – Suspirou, preparando-se para a transição da realidade para as mentiras. – Ela deixou o documento e o distintivo, mas levou a arma. Não sei o que ela queria, mas... Bem, ela estava um pouco paranoica em relação aos Uchiha, queria culpa-los pelos assassinatos, apesar de não haver provas contra eles. O delegado Nara pediu para que Hidan Kakuzu e eu fôssemos atrás dela, para impedir qualquer besteira que ela pudesse fazer.
“Ela havia passado na casa de Sasuke Uchiha, mas nada aconteceu, de acordo com ele, apenas uma discussão. Acusações contra ele. Então seguimos para a casa dela. Onde a encontramos discutindo com o senhor Uzumaki. Havia sinais de combate. Quando chegamos, Naruto brigou com Hidan, Kakuzu e eu nos recusamos a atirar, pois podia ferir nosso amigo. Então...”
Ino fingiu não conseguir prosseguir. Fingiu achar aquela cena horrível. A cena imaginária. Conseguia visualizar cada parte falsa em sua mente, seria horrível de verdade. Seus olhos encheram de lágrimas.
— Então o senhor Uzumaki atirou em Kakuzu, logo em seguida no Hidan. Ele também atirou em mim antes de sair com a Hinata e a Himawari. – Sua voz estava embargada. Perdera três colegas “queridos”, estaria arrasada se não passasse de um teatro. – Eu não consegui reagir por causa da dor. Pouco tempo depois os reforços chegaram e... – Olhou para o réu. Ele tremia, não sabia exatamente o que ele sentia. Talvez raiva, tristeza, frustração. Ela estava ali, mentindo descaradamente na frente da corte e Naruto sabia disso perfeitamente. – Poucos minutos depois, Naruto chegou, fingindo que nada havia acontecido. O que ele não esperava, talvez, fosse que eu não estivesse viva. – Abaixou o olhar, fingindo sentir a dor da perda dos parceiros.
Fingia o tempo inteiro não suportar olhar para o loiro, mas na realidade queria rir de tudo aquilo. Um inocente que não conseguia provar sua inocência. Era força do hábito se fingir de inocente. Quanta maldade e injustiça não fazia por puro hábito?
Ino olhou para os jornalistas, eles anotavam algumas coisas em seus blocos.
Era natural de Moscou, mas sabia que Toská era uma cidade tranquila, o maior escândalo ocorrido fora o atentado contra os Uchiha, no qual Izuna, irmão de Madara fora morto. Depois de mais de 18 anos, finalmente algo grande ocorria, um suposto serial killer, culpado pela morte de 15 membros da polícia. Aqueles jornalistas teriam uma ótima história para contar.
— Acredito ser o suficiente. – Yamato se pronunciou. – Obrigado, detetive Yamanaka.
O promotor voltou ao seu lugar, enquanto Shino levantava-se e seguia para a frente.
— Há alguma outra testemunha do tiroteio? Temos apenas a palavra de uma mulher que sobreviveu a um tiroteio. Onde foi o tiro, em sua cintura? Acho um pouco suspeito que apenas a senhorita tenha sobrevivido. Não acha, detetive Yamanaka? – Shino atacou com tudo que tinha.
— Além de mim, que passei pelo tiroteio? Vestígios de disparo na mão do senhor Uzumaki, um pente no carro dele com as mesmas balas que mataram meus colegas e funcionários que disseram que ele saiu mais cedo do trabalho. Eu não sou um cidadão qualquer, senhor Aburame, trabalho na justiça há anos, está duvidando da minha palavra? – Ino fingiu irritação, aquilo seria uma ofensa se ela não fosse uma agente dupla.
— Você é responsável pela prisão de alguns políticos, o que permitiu Madara Uchiha de subir em sua carreira. – O Aburame apontou.
— Sou responsável pela prisão de políticos corruptos. – A loira olhou friamente para o advogado cego. – Não me acuse de corrupção.
— Protesto! – Yamato falou. – Não há nenhuma evidência de algum tipo de contato entre ela e qualquer um dos Uchiha.
— Dinheiro é poder, detetive Yamanaka, ele pode facilmente comprar alguém. – Continuou a acusação.
— Senhor Aburame, se não há mais perguntas, volte para o seu lugar. – O juiz alertou.
Era visível que o advogado queria denegrir a imagem da detetive Yamanaka. O juiz já ouvira falar da competência de Ino, quantos casos resolvidos no nome dela. Não permitiria que denegrissem imagem de qualquer oficial em seu tribunal.
Shino voltou ao seu lugar.
Naruto olhava para a Yamanaka. Ela trabalhara ao lado de Hinata, mas era claro que também estava ao lado dos Uchiha. Por que aquela família precisava tirar tudo dele se tinham tudo?
— Você trabalha para eles! – Se levantou. – Se você é mesmo honesta, fale a verdade! Eles te subornaram? Hinata e Himawari ainda estão vivas? – Não suportava aquilo. Se Ino estava sob ameaça, nenhum lugar melhor para falar do que na frente da corte, com os Uchiha na vista de todos. – Eu sou inocente, eu não fiz isso com minha esposa, eu a amava mais do que tudo... – Os policiais o seguraram, fazendo-o voltar para a cadeira. – Por favor, não faz isso! Se eles te ameaçam, fale a verdade!
— Você atirou em mim! Você é um monstro que matou a própria família. – Ino rebateu com a voz embargada. – Como pode enganar todo mundo? Hinata te amava...
— Ordem! – Tobirama bateu o malhete. – Retirem a senhorita Yamanaka do tribunal.
A loira levantou-se, as lágrimas escorriam por seu rosto. Encolheu-se, fingindo desconforto, quando passou ao lado de onde Naruto estava. Foi escoltada para fora.
— A sessão está encerrada por hoje. Estaremos novamente reunidos no dia 14 do corrente mês, no mesmo horário. – O Senju bateu o malhete, encerrando a corte.
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