Amaterasu
18 Capítulo 17
Notas iniciais
Toská, Rússia
15 de março de 2016
10:45 A.M.
Esfregava as mãos uma na outra, nem mesmo as luvas negras as deixavam menos geladas, uma vez que estava extremamente nervosa.
Não sabia nem como começaria uma conversa com seu avô, só sabia que precisava confrontá-lo.
Sasuke fez o favor de falar com Boruto e seu namoro não teria sido reatado se não fosse por seu pai inútil... Não mais tão inútil assim. Sasuke merecia um voto de confiança, já que demonstrou preocupação para com a filha.
Alguma coisa havia mudado em Sasuke e Sarada se alegrava ao pensar que isso estava diretamente relacionado com Izanami, sua futura madrasta.
Parou de frente para o escritório do avô, segurou na maçaneta da porta e demorou alguns segundos para girá-la e enfim entrar no cômodo.
— Sarada? – Fugaku desviou o olhar da tela do notebook para a neta, retirando os óculos de grau que usava e deixando-o sobre a mesa. – Parece séria... Aconteceu alguma coisa?
— Estive pensando seriamente em enterrar minha carreira como membro na Amaterasu. – Falou seriamente, mas sem alterar o tom de voz, o que fez Fugaku trincar o maxilar e pensar que aquilo poderia ter o dedo de seu caçula... Sarada queria muito entrar na máfia, por que sairia depois de tão pouco tempo?
— Você não acha que sabe demais pra deixar a máfia assim, sem mais nem menos? – Arqueou uma sobrancelha.
— Eu não sei... – Abaixou o olhar, deixando clara sua confusão.
Fugaku tinha certeza de que Sasuke havia colocado alguma coisa na cabeça de Sarada e isso não seria nada bom. Se ele usava a menina como um álibi, não poderia nem pensar no fato de ela ficar do lado de Sasuke.
— O que aquele inútil do Sasuke te falou? – A morena arregalou os olhos ao ouvir a voz furiosa de seu avô.
— Por que o senhor me usa apenas pra fazer entregas? – Respondeu com outra pergunta. – Nenhum Uchiha deveria fazer esse serviço.
— Lembre-se de que você não é iniciante. Você precisa de alguns anos para ganhar experiência, não posso mandá-la pra fazer trabalhos que você não dará conta. Por mais talentosa que você seja.
— Então por que com o Sasuke era diferente? – A petulância de Sarada deixou seu avô com o sangue fervendo de raiva, visto que ela jamais o havia enfrentado antes. – Eu me lembro.
Lembrava-se das vezes que já ouviu sua avó brigar com seu avô por ele mandar Sasuke para missões que exigiam mais experiência, colocando em risco a vida do rapaz.
— Sarada... – Cerrou os punhos. – Não fale assim comigo.
— Só me responde isso, por que com o Sasuke era diferente?
— Foi um erro e não quero cometê-lo com você. – Explicou. – Vale ressaltar que Sasuke é um incompetente.
— Não sei se quero essa vida pra mim... – Murmurou baixinho.
— Sasuke está fazendo sua cabeça, Sarada? – Questionou com a voz mais calma, mas ainda demonstrando fúria. – Parece que é isso mesmo. – Bufou. – Você pode estar pensando agora que eu te uso e que minto pra você, mas não é por aí.
Fugaku sorriu malicioso. Queria despertar a curiosidade da neta e não podia se precipitar. Tinha que saber até onde Sarada estava ciente sobre Sakura Haruno.
Sasuke poderia sequer estar tendo mesmo um caso com Sakura – o que, para Fugaku, era uma suposição um pouco improvável se levado em consideração o lado cafajeste de Sasuke –, mas era fato que eles estavam mantendo contato.
Sarada estava tendo contato com a mãe? Sabia que sua mãe estava mantendo contato com seu pai ou estava completamente por fora de tudo?
Fugaku tinha que saber, mas sem despejar tudo na cabeça da garota.
— Ele não te contou que sua mãe está em Toská? – Indagou com certo deboche em seu tom de voz e Sarada sentiu seu sangue gelar nas veias.
Sua mãe em Toská? Por que Sasuke saberia disso e não contaria nada?
A primeira coisa que passou pela cabeça de Sarada foi que Sasuke não queria que ela se encontrasse com sua mãe biológica, mas a garota sempre quis fazer isso. Sempre quis questioná-la e saber o porquê do abandono.
— Isso é sério? – A adolescente perguntou com a voz meio engasgada e Fugaku teve a certeza de que sua neta não estava ciente da situação, embora pudesse já ter tido contato com Sakura.
— Fontes confiáveis disseram que sim, Sakura Haruno está em Toská. – Assentiu.
— E quem garante que o Sasuke sabe sobre ela?
— Ah, ele sabe... Com certeza sabe, mas você não sabia. – Respondeu. – Confia mesmo no seu pai, Sarada?
— O senhor está supondo isso ou tem certeza?
— Sasuke está, possivelmente, tendo um caso com Sakura Haruno. – Contou. – Foi o que me informaram.
Fervendo de raiva, Sarada virou as costas e saiu correndo do escritório de seu avô, esbarrando em Itachi no momento em que saiu pela porta.
— Tão delicada quanto um rinoceronte... – Suspirou. – E nem pede desculpas. É filha do Sasuke mesmo! – Bufou e entrou no cômodo, fechando a porta em seguida. – Qual foi a onda? Ela está naqueles dias e veio descontar em nós?
— Poupe-me dessas suas colocações sem sentido, Itachi. – Rosnou o mais velho. – Sasuke fez a cabeça da Sarada, ela estava querendo deixar a Amaterasu.
— Sério? – Arregalou os olhos. – Ela voltou com aquela ideia de fazer medicina?
— Não. – Respondeu. – Sasuke falou alguma coisa pra ela, tanto que veio me questionar o porquê de eu usá-la apenas para entregas.
— Uma hora ela iria perceber. – Sentou-se confortavelmente sobre a cadeira de frente para a mesa de seu progenitor e começou a brincar com o porta-lápis. – Pai, você só aceitou a Sarada na Amaterasu pra confrontar o Sasuke. Confessa que nunca a quis na máfia.
— Onde mulher mete o nariz só dá merda. – Ralhou. – Ela me é útil, mas nunca subirá dentro da Amaterasu, a não ser que demonstre ser boa de verdade, ao contrário do pai dela, que só me dá dor de cabeça.
— O que é bem difícil, já que tudo começou com a morte do Kisame... – Suspirou. – Aquela morte foi desnecessária.
— Não se esqueça do Deidara e aquela garota que seu irmão matou. – Retrucou. Não importa que Fugaku tenha induzido Sarada, uma adolescente sem experiência, a matar Kisame. A culpa sempre era de Sasuke. – Aquelas mortes foram realmente desnecessárias e Sasuke deu mais provas a polícia do que Sarada, isso depois de quinze anos trabalhando na Amaterasu! Se o Sasuke prestasse pra alguma coisa, se ele tivesse ensinado alguma coisa que preste pra filha dele...
— Vem cá. – Interrompeu. – Isso tudo é porque o Madara sempre defende o Sasuke?
— Não. – Respondeu sem êxito. – É porque tudo isso está acontecendo por causa do seu irmão.
— E o senhor acha que a Sarada vai dar ouvidos ao Sasuke e sair da Amaterasu?
— Com certeza não. – Sorriu de canto. – Sarada está confusa, mas, enquanto ela tiver mágoa do pai, eu posso manipulá-la como eu quiser...
Sarada dirigia feito louca pelas ruas, por duas vezes quase bateu seu carro. Sentia um nó em sua garganta e uma vontade imensa de chorar. Ansiava por confrontar seu pai.
Entrou em casa furiosa, subiu as escadas rapidamente e abriu a porta do quarto de Sasuke com violência, acendendo a luz logo em seguida.
Nem pensou na possibilidade de Sasuke estar com uma mulher na cama, mas por sorte ele estava só dormindo mesmo.
— Acorda! – Berrou furiosa e Sasuke abriu os olhos meio confuso, ainda voltando para a realidade após ter sido tirado de seu sono da forma mais cruel possível.
— Hã? – Ele se sentou meio tonto e, ao perceber que estava só de cueca, puxou o cobertor até a altura do umbigo.
O aquecedor deixava o quarto com um clima gostoso e ele se sentia bem em não precisar ficar empacotado.
— Você me enganou! – Rosnou entredentes e Sasuke contorceu seu rosto em total confusão.
— Enganei você?
— Por que você não me contou que está saindo com Sakura Haruno? – Berrou.
Pra piorar, na cabeça de Sarada, Sasuke estava traindo Izanami... Ok, ela era apenas uma prostituta e Sasuke não precisava ser fiel a ela, mas, ainda assim, a garota estava destruída.
— De onde você tirou isso, Sarada?
— Meu avô me contou! – Ela falou e Sasuke sentiu um arrepio na espinha. Então Fugaku já sabia... Bem, não era de se admirar. – Por que, Sasuke? Por que você não falou nada? Sabe que eu sempre quis conhecer minha mãe e falar com ela, então por que está tendo um caso com ela e não me contou?
Sasuke então chegou à conclusão de que Sarada sabia que Sakura estava tendo um caso com ele, mas nem imaginava que sua mãe e Izanami eram a mesma pessoa... Isso era bom.
Sarada também não conseguia se conformar com o fato de que sua mãe havia procurado por Sasuke, mas, pelo visto, sequer quis saber dela.
— Sarada, se acalma... – Sasuke falou tranquilamente, tentando se manter calmo também. – Você...
— Você está tendo um caso com a minha mãe! – Berrou histérica, Sasuke jamais a tinha visto daquela forma. – O que vai acontecer agora? Vai engravidar ela de novo e dar outro bebê para os meus avós criarem? É isso, Sasuke?
— Não é assim e abaixa esse tom de voz! – Mandou com autoridade. – Eu pretendia te apresentar pra ela, só estava esperando uma hora certa! Eu não imaginei que seu avô fosse descobrir.
— Estava esperando a hora certa? – Riu com deboche. – Mais dezoito anos, Sasuke? Estava esperando a minha mãe sumir de novo pra lembrar que iria me apresentar pra ela?
— E você me leva a sério, por acaso? – Questionou sério, mantendo o mesmo tom de voz da filha. – Você me escuta, vê relevância em algo que eu digo? – Arqueou uma sobrancelha. – Estou tendo a prova que não. Você sequer me deixa explicar, já chega me atirando pedras sem ouvir minha versão dos fatos e isso acontece não é de hoje, Sarada! – Ela arregalou os olhos e ficou sem reação, pois jamais havia visto Sasuke se impor daquela forma. – Eu estava esperando o momento certo pra te falar justamente pra você não ter essa reação! Eu penso em você, acredite ou não. Mas na sua cabeça eu sou o ser humano mais egoísta da face da terra, mas lembre-se de que você me julga sem jamais ter me dado ouvidos! Você só escuta seu avô e sabe que ele me odeia, esperava que ele falasse bem de mim?
— Ele me falou a verdade. – Falou entredentes. – Você está tendo mesmo um caso com a minha mãe... – Sarada não conseguiu segurar as lágrimas.
— Ela quer te conhecer, Sarada.
— Vocês nem devem pensar em mim quando estão juntos! – Bradou. – Vai me enganar como fazia quando eu era criança, Sasuke?
— Me dá um voto de confiança. – Pediu com sinceridade. – É só o que eu te peço... Confia em mim só mais uma vez e eu prometo que não vou mais te decepcionar. Faremos o certo dessa vez, Sarada.
— E você... – Ela abaixou o olhar. – Vai deixar a Izanami pra ficar com a Sakura?
Ele suspirou e sentiu vontade de rir, pois mal sabia a menina que Sakura e Izanami eram a mesma pessoa, mas queria a rosada por perto quando fosse contar tudo pra Sarada, inclusive que ela foi sequestrada quando nasceu... Ele precisava pensar muito bem nas palavras que usaria para contar isso, visto que Sarada ficaria machucada ao saber que foi arrancada dos braços de sua mãe ainda recém-nascida e todos mentiram para ela a vida inteira.
— Conversaremos sobre isso quando você conhecer sua mãe.
— Só mais uma vez. – Falou com o semblante sério. – Só vou confiar em você mais uma vez, se me decepcionar já era.
Sarada deu as costas ao pai e saiu do quarto, batendo forte a porta.
Sasuke suspirou pesadamente, passando as mãos pelo cabelo nervoso. Se Fugaku sabia, Sakura não estava segura, e ele, certamente, colocaria coisas na cabeça de Sarada e sua filha rejeitaria a mãe.
Ouviu seu celular tocar e viu que era seu pai.
— Alô!
— Me encontre em meu escritório em uma hora. – Fugaku falou e desligou.
Pôs o celular no canto novamente e bufou, levantando-se. Depois resolveria as coisas com Sakura e Sarada. Tinha que adiantar o momento da verdade, graças a seu pai. Sabia que seria difícil lidar com a reação da filha, mas era o certo a se fazer.
[...]
Dirigia irritado pelas ruas de Toská. Seu pai provavelmente o mandaria em um trabalho suicida. Com certeza ele estava irritado por saber que ele estava tendo contado om Sakura e, muito provavelmente, Sarada havia conversado com ele sobre o que falaram após o jantar “romântico” no sábado.
Adentrou os portões da propriedade de seu pai e deixou seu Audi mal estacionado mesmo na frente da mansão. Não estava com paciência para seu pai.
Aparentemente sua mãe não estava em casa, já que não teve abraços e beijos na sua chegada. Foi direto ao escritório de seu pai. Entrou sem bater, bufando irritado e fechou a porta com força.
Toda a sua irritação aumentou quando se virou para a mesa de seu pai e viu Sakura sentada de frente para Fugaku. Ela tinha fúria no olhar. Mas o que o deixava mais irado era o fato de que havia dois subordinados de seu pai com armas apontadas para a mulher.
— Sente-se, Sasuke. Temos assuntos para conversar. – O mais velho falou.
— O que ela faz aqui? – Perguntou em fúria.
— Ora, apenas estávamos tendo uma conversa civilizada. – Sorriu em deboche.
— Quero ver se vai sorrir assim quando tiver uma arma apontada para a sua cabeça. – Sakura falou com a voz fria.
Um arrepio passou pela coluna de Sasuke. A Haruno já havia dito que não tinha motivos para viver, mas ele não esperava que ela tivesse tão pouco amor à vida. Falar daquele jeito com Fugaku tendo duas armas apontadas para ela era pedir para morrer. Por sorte, os tiros não vieram.
— Sente-se, Sasuke, ou sua namoradinha sofrerá um tiro... – Sasuke permaneceu imóvel. – Eu não estou blefando. – Um dos homens acionou o cão da pistola. Sasuke então se dirigiu à cadeira ao lado da rosada e de frente para o patriarca. – Ótimo, agora podemos conversar.
— O que quer com a gente, velho idiota? – Sasuke esbravejou.
— Como deve saber, filho... – Falou a última palavra com escárnio. – Suas atitudes incompetentes nos levaram a sermos perseguidos pela polícia.
Sasuke ficou ainda mais nervoso, olhou para o lado e viu o cenho franzido de Sakura. Ela desconfiava de que os Uchiha eram uma máfia. Naquela conversa ela teria a certeza.
— A morte de Kisame foi o estopim. A culpa é sua! – Sasuke rebateu.
Não queria citar o nome de Sarada, queria poupar Sakura daquela informação, mas temia que seu pai falasse.
— Você estava tendo um caso com uma policial, Sasuke. Você é muito inocente para um homem de 33 anos, com quinze anos de experiência na máfia. – Fugaku olhou para a Haruno, vendo a surpresa em meio à fúria. – Ora, sua namorada não sabia? Outra inocente, como acha que Sarada veio parar em nossas mãos?
— Vocês a sequestraram, monstro, isso eu sei! – Esbravejou.
— Porra! Fica quieta, não tem medo de morrer? – Sasuke falou entredentes.
— Não seja estúpido, se ele quisesse me matar eu não estaria aqui agora. – Ela rebateu.
— Você tem razão... – O mais velho chamou a atenção dos dois e fez sinal para que seus subordinados abaixassem as armas. – Bem, vamos aos negócios. Madara pôs um infiltrado na polícia e ele disse que a Hyuuga suspeita de que fomos nós quem sequestrou a... Que nome você deu a ela, mesmo? – Sakura ficou calada. – Não importa. O que importa é que este infiltrado implantou provas falsas de que Sarada foi sequestrada por Nagato e Sasori Akasuna, com a ajuda de Konan, lembra-se dela?
— Sim, me lembro. – Sasuke respondeu seco. – E já estou a par destas provas falsas.
Fugaku estreitou os olhos. Então Madara também informava Sasuke diretamente?
— E ela? – Olhou para Sakura.
— Não havia falado nada ainda.
— Ótimo, vamos inteirá-la do assunto. – Fugaku sorriu.
A história falsa criada pelo infiltrado de Madara foi contada, detalhe por detalhe, a Haruno.
— Então vocês são mesmo uma máfia. Eu não vou ajuda-los. Vocês merecem ser presos pelo que fizeram. – Respondeu, demonstrando todo o seu desprezo para com o homem a sua frente. – Não vou fazer parte de um crime organizado, se eu tiver a oportunidade, falarei a verdade.
Bastou um olhar de Fugaku como sinal para os dois homens ali. Um deles segurou os braços da mulher para trás, enquanto o outro passou uma faca na lateral da cintura dela. Sakura gritou em dor.
Sasuke se levantou sem pensar e socou o maxilar do que a segurava. Logo sentiu um braço apertar seu pescoço e, em um golpe, derrubou o outro subordinado no chão. Logo sacou a USP que trazia em seu casaco e apontou-a para Fugaku.
— Disse que não a queria morta. – Estava ofegante. Logo ouviu armas atrás de si serem destravadas.
— E não quero, precisamos dela para nos safar da culpa. – Sorriu. – Não disse nada sobre machuca-la.
— Não vou ajudar! – Sakura esbravejou. Estava com as mãos sobre o corte, tentando estancar o sangramento.
— Abaixe a arma, filho, ou quer que ela sinta mais dor? – Olhou em desafio para o mais novo. A contra gosto, Sasuke abaixou a arma. – Haruno, se você não nos ajudar, este incompetente também será preso.
— Eu não me importo com ele!
— Tão inútil que a própria namorada não se importa. – Riu. – Então, vamos tentar outra coisa. – Fingiu estar pensando. – Se você não nos ajudar, Sarada também será presa. – Sakura arregalou os olhos. – E ela será levada para o corredor da morte, afinal ela...
— Calado, monstro! – Sasuke gritou enquanto segurava o pai pelo colarinho e o socava.
Os dois subordinados seguraram o Uchiha mais novo, que ficou se debatendo.
Fugaku limpou o sangue que escorria por seu queixo.
— Ela o quê? – A Haruno perguntou em um fio de voz.
— Ora, Sasuke, ela é a mãe de Sarada, merece saber tudo sobre a filha, não é? – Voltou seu olhar para a rosada. – Ela assassinou um homem a meu pedido.
— Desgraçado! – Sasuke gritou. Nunca o perdoaria por ter feito sua filha tornar-se assassina.
— É verdade, Sasuke? – Sakura o olhou.
Ele parou de se debater ao ver que a dor no olhar dela não era por causa do ferimento. Sequer conseguia imaginar a dor dela. Uma mãe que teve sua filha tomada de seus braços e, agora, descobria que a menina fazia parte do mesmo grupo que a sequestrou e havia matado alguém por eles.
Abaixou o olhar. Não conseguia mais encará-la.
— Sim.
— Você deixou que isso acontecesse? – A voz feminina soou embargada.
— É claro que não! – Gritou. – É tudo culpa desse velho.
— Sasuke nunca cuidou de sua filha, Haruno. Como eu disse, é um incompetente. – Falou calmamente. – Vai nos ajudar?
A rosada permanecia calada, digerindo aquela informação.
— Que tal fazermos melhor? Ela adoraria fazer trabalhos mais difíceis e tem muita gente que adoraria matar qualquer um com sobrenome Uchiha. O que acha de eu mandá-la matar uma dessas pessoas? Ela é talentosa, mas com certeza não voltaria viva.
— Você não faria isso. – Sasuke trincou o maxilar.
— Espero não precisar fazer, vai depender dela. – Olhou para a mulher a sua frente.
— Sakura... – O mais novo a olhou como em um pedido de desculpas.
— Eu vou ajudar... – Murmurou.
Fugaku sorriu.
— Ótimo! Obrigado pela sua colaboração.
Finalmente soltaram Sasuke e ele ajudou Sakura a se levantar.
— Mais uma coisa... – Chamou a atenção dos dois. – Se vocês falarem para Sarada a verdade sobre você, Haruno, você não viverá para saber se terá o perdão de sua filha. Estão dispensados.
O Uchiha mais novo sentiu a mulher em seus braços tremer. Sua ira era quase palpável, mas ali também havia medo e dor.
— Minhas palavras ainda estão de pé. Se acontecer algo a Sarada, eu te mato. – Falou friamente, antes de sair com a Haruno.
Queria matar Fugaku ali, naquele momento, por tratar Sarada daquela maneira e por fazer tais ameaças à Sakura, a maior vítima daquela história. Mas não a deixaria perto dele nem mais um minuto. Ela já estava abalada demais e, pelas conversas que tivera anteriormente com a mulher, sabia que ela poderia jogar a vida fora sem pensar muito.
Levou a rosada até seu Audi e a deixou no banco do carona, logo em seguida também entrou.
— Vou te levar a um hospital. – Falou dando a partida.
— Não precisa... Só me leva pra casa. – Murmurou.
— Sakura... – Suspirou. – Caso não tenha notado, você está sangrando.
— Isso não é o que mais me dói agora, Sasuke. – Olhou para Sasuke com decepção no olhar, o moreno mantinha os olhos fixos na rua, mas sabia que a rosada estava triste. – Não creio que você deixou as coisas tomarem o rumo que tomaram... Não foi surpresa descobrir que vocês formam uma máfia, mas saber que a minha filha faz parte disso e que matou uma pessoa... – Ela sentiu as lágrimas caírem por sua face. – Isso doeu mais do que qualquer facada.
Sasuke permaneceu em silêncio, pois realmente não tinha ideia do que dizer, até porque estava dirigindo e não podia se desconcentrar.
Ignorando completamente o pedido da mulher que queria ir para sua casa, Sasuke dirigiu para o hospital.
Desceu rapidamente e foi ajudar Sakura a descer. Ela não queria ir para aquele hospital, justamente o que Sarada nasceu, mas estava sentindo dor e perdendo sangue.
Pegou a mulher em seus braços e foi até a emergência, onde ela foi rapidamente atendida e precisou de alguns pontos. Por sorte não foi nada grave, pois a facada havia sido bem superficial, apenas para assustá-la mesmo.
— Esse ambiente me trás péssimas recordações. – Comentou enquanto olhava ao redor naquela sala de emergência. Estava bem calmo, havia apenas mais dois pacientes. – Foi neste hospital que a Haruka nasceu.
— O nome dela agora é Sarada. – Lembrou o Uchiha que se sentou na beirada da maca de Sakura, ficando de frente para ela.
— Como se eu me esquecesse disso. – Bufou.
— Bem... Vou te deixar em casa.
Sasuke ajudou a rosada a descer da maca e foram caminhando para o carro do moreno.
O caminho até o condomínio que Sakura morava foi silencioso. Sasuke tentava focar no trânsito e a Haruno olhava o caminho pela janela.
O Uchiha fez questão de acompanha-la até o apartamento. Assim que entraram, ela foi direto para o quarto e deitou-se em sua cama.
— Sakura... – Suspirou, passando a mão pelos cabelos. – Sobre o que aconteceu hoje...
— Eu quero estourar os miolos daquele monstro que você chama de pai! – A mulher o interrompeu. – Ele transformou minha filha numa assassina!
— Também me sinto da mesma forma, mas contrariar meu pai não é uma boa ideia...
— Covarde! – Novamente ela não o deixou terminar sua frase. – É isso que você é, Sasuke! Sempre com medo do papaizinho, como um moleque medroso.
— Ele tem a Sarada ao lado dele e pode fazer o que quiser com ela, a qualquer momento! – Explicou. – Sakura, ele é capaz de colocar os caprichos dele acima da própria família e temo pela vida de Sarada.
— Como tem tanta certeza? Ele poderia estar blefando.
— Ele já colocou minha vida em risco sem motivo algum, por puro capricho, porque ele queria jogar na minha cara que eu não conseguia fazer nada... Mas é claro, eram trabalhos que exigiam experiência e, às vezes, duas ou três pessoas, mas ele mandava apenas eu.
— Que tipo de monstro não zela pela vida do próprio filho?
— Ele zela sim, pela vida do Itachi... Pois considera somente ele como filho.
— Sasuke... – Falou entredentes, com fúria. – Você me conhece e sabe que eu posso fazer uma loucura!
— Loucuras agora não, por favor. – Pediu com paciência, sem se alterar. – Sarada descobriu que eu e a mãe dela estamos tendo um caso, mas não sabe que é você. – Contou. – Ela ficou furiosa e eu disse que a apresentaria para a mãe. No entanto, acho que é melhor não falarmos nada agora.
— Não! – Protestou, se sentando de vez, sentindo uma pontada de dor no local do corte. – Agora eu faço questão de contar! Sarada vai saber, amanhã mesmo, que eu sou a mãe dela.
— Sakura, se acalma. – Sasuke estava ficando impaciente, pois Sakura não estava em condições de ficar se alterando daquela forma. – Você ouviu o que meu pai disse, é melhor ninguém falar nada pra Sarada.
— Ele não precisa saber.
— Sakura, por favor. – Implorou. – Não sabemos qual será a reação da Sarada, é melhor esperar.
— Sasuke, você já me pediu pra esperar demais! – Novamente ela deixou as lágrimas rolarem.
— Se você continuar se alterando desse jeito, eu juro, vou te dar um sedativo.
— Sasuke! – Bradou em prantos. – Eu passei estes dezoito anos achando que ela estava morta! Não é o seu pai que vai me fazer andar pra trás agora, você está me entendendo? Se você não ficar do meu lado, não ligo, eu conto pra ela de qualquer forma. Eu quero, eu preciso contar a verdade, eu não aguento mais ficar com isso entalado na minha garganta!
— Você não tem amor à vida?
— Não, não tenho! – Respondeu ainda alterada. – Você sabe que não! Eu vou contar a verdade pra Sarada, não me importo com o que você diga e não me importo com as ameaças do seu pai!
— Tudo bem. – Ele assentiu após soltar um suspiro alto. Sabia que nada do que dissesse mudaria a cabeça da geniosa Haruno. – Falamos com ela quando você for liberada do interrogatório amanhã.
— Você vai ficar ao meu lado, Sasuke? – Questionou um pouco mais calma, ainda com a voz chorosa e Sasuke assentiu.
— Vou. – Dito isso, o moreno sentou-se de frente para Sakura, chegando mais perto e a puxou para um abraço. – E eu te prometo que não deixarei meu pai ou os capangas deles chegarem perto de você. – Beijou a testa da rosada. – Ninguém vai fazer nada de mal com você.
Por mais que tivessem suas desavenças, sabiam que, a partir dali, precisavam se unir. Sasuke sabia que deveria proteger a mãe de sua filha, ela foi uma grande vítima nessa história toda e merecia contar a verdade para Sarada, por mais que tal atitude fosse inconsequente.
Sakura sentiu-se protegida pelos braços fortes do Uchiha... Estava um pouco fragilizada após os acontecimentos daquele dia, mas, mesmo que por apenas esse motivo, ela não queria que Sasuke a soltasse tão cedo.
— Sasuke... – Sussurrou quase que involuntariamente e ergueu o olhar, então ele foi fisgado pelo olhar esmeraldino da Haruno.
Numa atitude um tanto quanto impensável, Sasuke deixou seus instintos tomarem as rédeas da situação e levou a mão até o queixo de Sakura, logo aproximou seus lábios dos dela e a beijou.
Ela foi surpreendida pelo beijo. Não sentia nada por ele e, provavelmente, ele não sentia nada por ela. Mas seu emocional estava abalado após ter descoberto que sua filha havia matado alguém, então, mesmo não retribuindo, ela não o afastou de si.
Foi um beijo rápido, quase apenas um selinho, mas a Haruno pôde sentir que havia carinho naquele gesto.
— Desculpe... – Sasuke falou com a voz baixa e com o rosto ainda bem próximo do dela assim que se afastaram. – Eu me deixei levar, perdão.
— Tudo bem. – Sakura falou e então Sasuke se levantou da cama e foi se sentar numa poltrona bege que estava posicionada perto da cama. – Você não vai pra sua casa?
— Não. – Negou com a cabeça. – Eu vou passar o resto do dia aqui com você, pra garantir que não fará nenhuma loucura. Amanhã, depois do interrogatório, iremos juntos até a minha casa para conversarmos com a Sarada.
— E quem foi que disse que eu te aceito em meu apartamento?
— Tá com medo de mim? – Questionou com um sorriso de canto que fez Sakura bufar. – Fica tranquila.
— Não preciso de babá. – Cruzou os braços em frente ao corpo e Sasuke riu. Agora era ela quem estava sendo infantil.
— Não importa. – Deu de ombros. – Ficarei aqui com você.
— Faça como quiser. – Falou indiferente. Ajeitou seu travesseiro para que ficasse mais confortável e deitou sua cabeça sobre ele. – Durma bem nessa poltrona, Sasuke.
O homem se levantou e caminhou até um armário embutido na parede, abriu e retirou de lá um cobertor, iria dormir, mesmo tendo acordado há pouco tempo, aquela conversa tinha causado dor de cabeça.
— E ainda age como se fosse o dono. – A Haruno revirou os olhos.
Sasuke ignorou e voltou para o que seria a sua cama, se deitou após retirar os sapatos e se contorceu todo até encontrar uma posição mais ou menos confortável.
— Durma bem, Sakura.
[...]
Toská, Rússia
16 de marca de 2016
09:59 A.M.
Fugaku sabia que logo seria chamado para ser interrogado. Apesar de incomodado por estar sentado em uma cadeira na sala de interrogatório da delegacia, apenas demonstrava a indiferença que era sua característica marcante.
Sabia que não precisava se preocupar com nada. Madara havia contado para ele e o resto de sua família sobre a história falsa que o infiltrado tinha criado para despistar a polícia. Tudo estaria por conta da competência do infiltrado, sua parte era apenas ser interrogado.
Olhou para a porta no exato momento em que foi aberta e uma figura entrou na pequena sala. Ele não tinha uma aparência agradável e o olhar não dizia exatamente de que lado estava. A única coisa que Fugaku queria saber era a identidade do maldito que Madara enviou. Do jeito que estava, não poderia simplesmente jogar as palavras ao vento. Precisava ser minucioso principalmente com a expressão e não vacilar. Mas isso nunca havia ocorrido, então não era um problema.
— Fugaku Uchiha. – O homem cumprimentou, sentando-se na outra cadeira e cruzando os braços sobre a mesa que estava entre eles. – Uchiha... Esse nome não para de correr por aqui. – Comentou parecendo bem familiarizado. Fugaku não saberia dizer se era por estar fazendo o interrogatório ou por outra coisa. Talvez ele só gostasse dessa função. – Meu nome é Kakuzu, mas não sei se isso deve interessar ao senhor.
— Eu só quero responder as benditas perguntas e ir embora. Eu sou um homem de negócios muito ocupado. – O Uchiha disse incomodado pela demora. Encostou as costas no encosto da cadeira de ferro extremamente desconfortável e esperou.
— Que tipo de negócios o senhor se refere? – Kakuzu começou a fazer as perguntas, iniciando com uma bem óbvia.
— Creio que a polícia deve saber que eu sou dono de um casino e de uma casa noturna. Preciso cuidar do que me pertence.
— Claro que sim. O senhor tem toda a razão. – Concordou. – Sabe o porquê de ter sido chamado?
— Por causa da minha neta, suponho. – Olhou pelo canto do olho para o vidro espelhado da sala, observando Kakuzu refletido. Não conseguia ver o lado de fora, mas tinha total certeza de que o delegado, a Hyuuga e mais algumas pessoas estavam assistindo.
— Sim. Sabemos que ela é a filha sequestrada de Sakura Haruno. Quero saber a história dessa menina. Parece ser muito interessante...
— Não há muita coisa para se falar. – Deu de ombros. – Sabíamos que esta tal Haruno estava grávida do meu filho Sasuke. A acompanhávamos de longe. Pouco tempo depois de Sarada nascer, soubemos que havia sido sequestrada.
— Por que observavam a Haruno de longe? Não poderiam simplesmente ter acolhido ela em sua residência durante a gravidez? – Kakuzu focou em Sakura. Precisava de todas as respostas possíveis.
— Essa gravidez não nos agradava. – Fugaku confessou. – Mas pelo nosso filho, minha esposa deu um jeito de nunca faltar nada para a menina.
— Entendo. Por favor, prossiga.
— Certo... Recebemos um pedido de resgate de dois de nossos sócios, Nagato e Sasori Akasuna. Queriam muito dinheiro em troca de Sarada. Não queríamos que nada de ruim acontecesse com ela, pois apesar de tudo ela tem o meu sangue. Demos o dinheiro e nos deram a recém-nascida intacta, como haviam dito.
— Então, se conseguiu a sua neta de volta, por que não contatou a mãe dela?
— Veja pelo ponto de vista da minha família: A Haruno não tinha condições para cuidar da filha, sem contar que era perigoso. Sarada poderia ser sequestrada outra vez se estivesse nas mãos da Sakura. Ela era só uma menina, não poderia cuidar e assegurar uma vida segura ao bebê, nem pra ela mesma.
— Você tem razão. Mas acho que a Haruno merecia saber o paradeiro da filha.
— Sim, pensamos em contar. Porém, simplesmente perdemos o paradeiro dela. Não a encontramos mais.
— Me diga, sabe algum interesse dos Akasuna em sequestrar uma recém-nascida? E como sabiam que era uma Uchiha?
— Não sei muito sobre eles, tudo o que sei é que eles tinham raiva do meu primo Madara e acabaram matando o irmão dele, Izuna Uchiha. Madara estava começando a vida como político, obviamente que deveria ter alguns inimigos.
— Então acha que queriam se vingar? De que exatamente?
— Talvez de alguma promessa de político. Não me meto nos assuntos do meu primo. Devem ter percebido que Madara estava crescendo e eles não. É uma possibilidade, sem contar que também sou um Uchiha rico. Agora, sobre saberem da minha neta eu posso responder com total certeza. Uma integrante desse grupo, uma tal de Konan, estava namorando com o meu primogênito na época em que a Haruno estava grávida. Conseguiu informações de dentro da família. Ter permitido a entrada dela em minha casa foi um erro. Incrível como as pessoas podem nos enganar. – Fugaku falou normalmente, do jeito que lhe foi instruído pelo primo. Era uma história bem simples até.
— Entendo. Sinto muito pela morte de seu primo Izuna. – Deu os pêsames. Fugaku apenas agradeceu com um balançar de cabeça.
— A vida segue. – Falou. – E eu gostaria de seguir para os meus compromissos.
— Ainda há mais perguntas. Por que mandou seu filho para os Estados Unidos?
— Como disse, a gravidez da Haruno não me agradou. Num momento de fúria o mandei para o exterior sem pensar. Mas o mantive lá por outros motivos, além, é claro, de ser uma melhor educação do que a que temos na Rússia. Com todos os acontecimentos rondando nossa família, a morte do Izuna e o sequestro de Sarada, sequer contamos isso a ele até que voltasse.
— Por que esconder isso dele? – Kakuzu perguntou.
— Suponho que não tenha filhos. Pai nenhum gostaria de envolver seus filhos em problemas deste nível, sem falar que o Sasuke tinha apenas 15 anos. Contei sobre isso apenas quando ele retornou. Ainda há mais perguntas? Estou começando a achar que querem me incriminar pelo sequestro de minha própria neta.
— Desculpe-me, por favor. Só preciso que me responda mais uma última pergunta.
— Então faça.
— O senhor sabe que, a provável namorada do seu filho caçula é, na verdade, Sakura Haruno? – Jogou a pergunta diretamente.
— Sim. Isso já chegou aos meus ouvidos. Mas não sei no que isso poderia mudar alguma coisa. – Levantou-se da cadeira. – Posso ir?
— Sim. Realmente me desculpe por comer o seu tempo. – Kakuzu desculpou-se, acompanhando o Uchiha até a saída da sala. – Obrigado por sua boa vontade em colaborar conosco e sinto muito pelo transtorno.
Fugaku assentiu com a cabeça, saindo do local. Assim como esperava, havia pessoas observando o interrogatório. O delegado Shikamaru e a Hyuuga estavam lá.
O oficial Inuzuka o escoltou até a saída. Saiu da delegacia com uma calma digna de gente que não tem nada a esconder. Tudo foi absurdamente tranquilo, tudo correu perfeitamente conforme o plano. Ele realmente não precisava se preocupar com nada. Os dados estavam lançados e todos já dançavam conforme a música.
[...]
Toská, Rússia
16 de março de 2016
03:27 P.M.
Estacionou seu Mercedes S AMG de qualquer jeito em frente ao departamento de polícia e entrou no local.
Fora chamada na tarde anterior para comparecer a um interrogatório, o motivo não lhe foi revelado, pois diziam que era confidencial. Mas ela sabia muito bem sobre o que se tratava por causa do pai do Sasuke que lhe contou que isto poderia acontecer.
Sakura foi guiada por Kiba Inuzuka até uma pequena sala acinzentada com uma mesa e duas cadeiras de metal. Havia uma janela ali, era espelhada, e outra porta além da que tinha entrado.
Assentou-se em uma das cadeiras e aguardou. Kiba saiu da sala e logo em seguida Hinata entrou.
A Haruno se levantou para cumprimentar a outra, a qual rejeitou amigavelmente.
— Bom... – Disse a morena enquanto se sentava. – Faz tempo que não nos vemos, não é mesmo?
— Eu te conheço? – Franziu o cenho.
— Sou aquela mulher que caminhava do seu lado e tropeçou.
— Ah... – “A idiota”, pensou. – Me lembrei.
— Quero esclarecer umas coisinhas.
Do lado de fora, na janela, estavam os três investigadores de Moscou e Shikamaru ouvindo a conversa.
— Eu e minha equipe pesquisamos sobre você e descobrimos certas coisas. – A rosada pediu para que prosseguisse. – Primeiro: seu nome é Sakura Van der Bilt, ou deveria dizer Sakura Haruno?
A interrogada engoliu em seco e começou a estalar os dedos. Já sabia o que estava por vir.
— Onde quer chegar?
— É aí que entra o segundo ponto. – Suspirou. – Seja franca, saberei que está mentindo se o fizer. Você é a adolescente de 18 anos atrás que teve a filha recém-nascida sequestrada no hospital?
Respirando fundo, controlando as emoções, Sakura confirmou que sim.
Após obter a resposta, Shikamaru adentrou a sala e tocou no ombro de sua colega de trabalho.
— Deixe o resto comigo. – Disse ele.
A Hyuuga trocou de lugar com o Nara e saiu. Queria muito fazer este interrogatório, mas seu chefe a proibiu alegando que ela estava agindo pelas emoções e não profissionalmente. Poderia acabar perguntando coisas desnecessárias e até mesmo gritar com a Haruno.
Para evitar isto, preferiu ele mesmo fazer as indagações.
Vendo que a rosada estava tensa, pegou a jarra de água que ali estava e lhe entregou um copo cheio.
— Obrigada. – Agradeceu enquanto bebia.
— Senhora Van der Bilt, por que “sumiu” do mapa? – Simples, curto e direto.
— Já que a polícia não resolvia o meu problema, resolvi sair do país para evitar comentários do tipo “vejam, uma meretriz”. – Falou confiante.
— Não acha que seria mais fácil se houvesse dito que o pai de sua filha é na verdade Sasuke Uchiha?
— Não sei do que está falando. – Desviou o olhar.
O homem colocou uma pasta aberta sobre a mesa e retirou fotos e registros.
— Em 1997, você deu à luz a Haruka Haruno, ela foi sequestrada e você foi para a Holanda. – Apontou para uma impressão de jornal. – Casou-se com Jiraiya Van der Bilt, ficou viúva e agora voltou para Toská. E veja que incrível... – Mostrou uma outra foto. – Você está saindo com Sasuke, o pai de sua filha.
— Está querendo dizer que aquele sequestro foi uma armação? Que eu havia pensado em tudo aquilo? – Travou o maxilar furiosa.
— Bom, então você confirma que Sasuke é o pai daquela criança. – A rosada bufou. – Por que não relatou isso?
— Eu achei que ele tinha me abandonado na época! Não queria que ninguém soubesse e nem achei que ele iria me ajudar.
— Poderíamos ter uma pista se tivéssemos procurado com os Uchiha. – Deu de ombros.
Sakura respirou fundo. O delegado Nara era mais esperto do que ela pensava. Só em saber o nome do garoto que a engravidou ele formou uma teoria.
Se tivesse dito naquela época quem era o pai de sua filha, poderia ter tido ela de volta. Sarada não estaria nesta máfia, Sasuke a ajudaria a cuidar da menina, e principalmente, não ouviria as merdas que Fugaku disse a ela.
“Se arrependimento matasse...”, lamentou profundamente.
Agora não poderia dizer toda a verdade simplesmente porque sua filha iria presa e, na pior das hipóteses, ir parar no corredor da morte.
— Aliás, estou curioso... Se ele te abandonou, por que está com ele agora?
— Tudo por causa da minha filha. – Respondeu simplesmente. – Quero ficar próxima dela.
— E como sabe que ela é sua filha?
— Ele mesmo me contou.
— E como ele está com ela? – Arqueou a sobrancelha. – Ela foi sequestrada, certo? Como ela foi parar nas mãos do Uchiha sendo que você mesma disse que ele a abandonou quando deu a notícia de que estava grávida?
— Eu disse que pensei que ele tivesse me abandonado, mas ele não o fez. Bem, uns caras queriam dinheiro em troca da Sarada. Extorsão. – Lembrou-se da história contada por Fugaku. – Sasuke me disse isso.
— Se ele não te abandonou, por que ele não entrou em contato com você depois de ter recuperado a filha? – Inclinou o corpo para frente.
— Sasuke estava nos Estados Unidos, não estava sabendo. Os Uchiha não queriam envolver crianças no assunto enquanto os sequestradores estivessem atrás deles, seria perigoso, por isso não contaram a ele também.
— Quem te falou isso?
— O Sasuke.
— E acredita nele?
— Eu não era qualquer uma na vida dele antes de ficar grávida, éramos amigos, eu sei que ele foi sincero comigo. Ele foi estudar nos Estados Unidos em um colégio interno e eu fugi pra Holanda, perdemos contato, não tinha como nos falarmos. O que mais quer pra acreditar que ele não falou comigo porque não tinha como? Traga o histórico do ensino médio dele e o cafetão que me contratou? – Olhou com raiva para o Nara.
— Você sabe que está falando com o delegado? Controle seus modos. – Rebateu sério.
— Então para de bater na mesma tecla e continue as perguntas.
— Por que a família dele não entrou em contato com você? – Shikamaru continuou, ainda irritado por ela ser petulante mesmo estando diante de uma autoridade.
— Como eu disse, eles não queriam envolver crianças, quando tentaram falar comigo eu já tinha “sumido” da cidade. – Explicou.
— Mas você só foi embora quando a sua filha foi dada como morta, um mês depois. Eles sabiam onde te encontrar. – O delegado usou a abertura que encontrou.
— Os Uchiha são donos de um casino, e as pessoas têm visão errada sobre donos de casino, graças aos filmes americanos envolvendo máfia. – Sakura estava séria, olhando nos olhos de Shikamaru. – Eles estavam esperando a poeira baixar para falarem comigo, ou então eles seriam alvo das investigações. Sabe, senhor delegado, pessoa que não trabalham com a lei sofrem isso por causa dos estereótipos, o senhor é um homem da lei não deve saber como é se sentir assim.
— Se eles estivessem certos, não teriam motivos para temer isso. – O moreno rebateu.
— Espera... O senhor está procurando provas para incriminá-los? – Sakura fingiu confusão e indignação. – É isso que estou entendendo. Aparentemente, pelas suas reações para com minhas palavras, você deve saber mais do que eu sobre a verdade. Então, mesmo que vocês estejam sabendo da verdade, estão incriminando a família da minha filha? Eles estavam mesmo certos em esperarem, até eu teria os culpado na época.
— Estamos tentando resolver o caso do sequestro de sua filha, senhora. Também devo lembrar-lhe mais uma vez que você está falando com uma autoridade, deve controlar seus modos.
— Então dê por encerrado, vocês já sabem o que aconteceu de verdade e eu acredito neles, os Uchiha não sequestraram minha filha.
— Há furos na história, senhora.
— Sasuke me disse que os culpados foram presos, é verdade?
— Os possíveis culpados. – Shikamaru corrigiu. – E, sim, é verdade, eles foram para o corredor da morte e já tiveram sua pena cumprida.
— Então tudo o que você tem somos nós, certo? Tudo o que pode fazer é perguntar aos Uchiha o motivo de não terem me falado nada. Eu entendo os motivos deles. Eu confio nas pessoas que cuidaram tão bem da minha filha por dezoito anos. – Sakura fingiu sentir gratidão por isso. – O que vi em suas perguntas é que está tratando os Uchiha como criminosos mesmo antes de provar se eles são ou não, por que não tenta vê-los como pessoas que queriam proteger dois adolescentes e um bebê? É isso que vejo neles. – Era difícil falar naqueles monstros como pessoas boas, mas a vida de Sarada estava em jogo. Faria qualquer coisa por ela. – Por que motivos eles sequestrariam minha filha? Eu não tinha nada a oferecer. Sem falar que Haruka era família deles também, eles teriam contato com ela sem precisarem disso.
A mulher soou sincera. As últimas palavras dela estavam em sua mente. Realmente, seria, no mínimo, estranho que eles sequestrassem alguém da própria família. Shikamaru acreditava que os Uchiha eram inocentes do sequestro, mas ainda havia outras acusações.
— E a garota? Ela aceitou que você é a mãe dela? – Sakura gelou com a pergunta. – Digo, já se passaram 18 anos, ela simplesmente concordou e te aceitou como mãe?
A Haruno não sabia o que dizer. Ainda à noite ela falaria a verdade para Sarada junto com o Uchiha. Poderia haver rejeição por parte da menina.
Shikamaru percebeu que a mulher estava incomodada, olhava para um lado e para o outro como se buscasse a resposta.
— Ela ainda não sabe? – Perguntou o moreno e a mulher nada respondeu. – Ela ao menos sabe que foi sequestrada?
— Não. – Respondeu baixo.
O homem respirou fundo e soltou o ar de uma vez. Olhou para o espelho de observação, onde sabia que Hinata ouvia tudo atentamente ao lado dos membros transferidos.
— O Uchiha apresenta comportamentos estranhos? – Voltou sua atenção à Haruno. Se ela namorava o Uchiha, passava parte de seu tempo com ele, poderia ter notado alguma coisa.
— Não entendi sua pergunta. – Sakura o olhou confusa.
— Sair à noite e voltar tempos depois sem ser visto. – Sugeriu.
— Ele trabalha à noite, administrando o Izanagi e a Tsukuyomi, ou curtindo neles. Não sai todas as noites, às vezes sai comigo, às vezes ficamos em casa mesmo... À vezes sai para comer ou simplesmente dorme. Não vejo nada de estranho nele, a não ser que é um pouco infantil para a idade que tem.
Shikamaru quis rir diante da resposta.
Guardou as impressões e fotos novamente na pasta e a deixou sobre a mesa.
Cruzou os dedos e se aproximou mais ainda de Sakura.
O homem suspirou. Queria ouvir a história na versão da mulher para ver se batia com as provas recebidas. Mas ela já sabia da extorsão, não havia evidências contrárias.
— Você confia mesmo nele? – Olhou de relance.
— É difícil confiar depois de tudo pelo que passei, mas ele disse a verdade. Me contou a história toda e eu pesquisei um pouco, tudo fazia sentido.
Shikamaru assentiu e se levantou. A conversa estava finalizada para a felicidade da mulher. Já não aguentava mais dizer tantas mentiras a ordem de Fugaku.
— Só mais uma pergunta: você já ouviu falar da Amaterasu?
— Acho que ouvi sobre ela em algum documentário. – Sakura falou pensativa.
— Documentário? – Shikamaru ficou confuso.
— Sim, era sobre o Xintoísmo... Mas o que isso tem a ver com o seu trabalho? – A Haruno fez a melhor cara de confusão que pôde.
— Nada. – O Nara corou, percebendo o quão ridícula sua pergunta soou naquela situação.
O homem pegou sua pasta e a dispensou. O Inuzuka adentrou à sala e a levou em segurança até a saída.
Shikamaru foi para a sala de observação, onde os demais estavam.
— Viram? – Suspirou Kakuzu. – Não há provas contrárias.
— Ainda não entendo o porquê dos próprios Uchiha terem resolvido o caso do sequestro e não terem dito nada para a polícia depois. – Bufou Hinata. – Esse caso ficou anos na gaveta sendo que já estava solucionado.
— Acredito que eles queriam evitar novas possíveis ameaças. – Explicou Hidan. – Isso com certeza teria saído na mídia.
— Não vamos divulgar isto. – O Nara alertou. – Mas acredito que eles sejam inocentes.
— Inocentes? – A morena gritou o interrompendo.
— Sobre o sequestro, sim, Hinata.
A Hyuuga franziu o cenho.
— Se estas informações vazarem, a mídia nos trará muitos problemas. – Disse a Yamanaka e todos concordaram em manter tudo em sigilo absoluto.
Enquanto isso, do lado de fora da delegacia, Sakura praguejava fortemente contra a família Uchiha.
Jurou que da próxima vez que se encontrasse com Fugaku o mataria. Teve que mentir e sustentar as provas falsas dadas pelo infiltrado, tudo porque temia que sua filha fosse presa e/ou morta. Aquele homem comprovou que é frio, só se importa com si mesmo e o dinheiro, se perdesse um desses dois não hesitaria em matar um membro da própria família.
Mas agora não tinha tempo para pensar em várias maneiras de tortura contra ele, precisava ir à casa de Sasuke para que contassem a verdade para Sarada.
Tinha medo de ser rejeitada, se isso acontecesse, não haveria mais motivo para viver. Mas não podia evitar ficar ansiosa, esperou anos por isso.
[...]
Sakura dirigia rápido pelas ruas até a casa do Uchiha. Estacionou novamente de qualquer maneira em frente à casa de Sasuke. Pensava nas palavras que usaria para falar com Sarada.
Apertou a campainha e não demorou para que o moreno abrisse a porta.
— Você veio mesmo...
— Esperava que eu não viesse? – Ergueu uma sobrancelha.
— Sim, esperava que você percebesse que corre risco de vida contando isso agora. Só pra refrescar sua memória: meu pai disse que ia te matar caso contasse a verdade pra Sarada. – Sasuke falou irritado.
— Só pra refrescar sua memória: eu disse que não ligo. – Rebateu.
O Uchiha apenas conseguia pensar que Sarada reagiria da pior maneira possível. Estavam sendo muito precipitados, mas não podia culpar a Haruno, entendia o lado dela, só não gostava da ideia de que ela estava praticamente jogando a vida fora, visto que estava sob ameaça de Fugaku.
— Fique aí... – Sasuke falou quando Sakura terminou de entrar e ela o olhou confusa. – Vou chamá-la.
— Por que eu deveria ficar aqui? – Indagou com a voz um pouco mais alterada.
— Deixa de ser doida. – Ralhou o Uchiha. – Não tem motivo pra você, do jeito que está, ficar subindo escadas.
— Do jeito que estou? – Perguntou confusa.
— Você sofreu uma facada!
— Sasuke... – Soltou um riso nasal. – Eu corri feito uma louca naquele hospital quando descobri que a minha filha havia sumido, e tinha dado à luz há poucas horas... Veja só, estou inteira! Um corte superficial não é nada!
— Eu não vou nem te responder. – Massageou as têmporas. Realmente tudo era motivo para uma briga entre Sasuke e Sakura. – Fique aqui só por alguns minutos, eu vou chamar a Sarada.
Sem ao menos esperar uma resposta vinda da rosada, Sasuke virou as costas e foi até o quarto da filha.
Parou de frente para a porta de madeira coberta por adesivos, o que mais chamava a atenção era uma placa no centro, onde estava escrito "Não entre!".
Levou a mão até a maçaneta, mas pensou que entrar no quarto de Sarada assim poderia desencadear uma briga, até mesmo porque havia a possibilidade da menina estar trocando de roupa ou até mesmo de estar com o namorado. Enfim, o homem não queria pensar nessa segunda hipótese.
Deu duas batidas na porta e logo ouviu a voz da adolescente:
— O que você quer, Sasuke?
Suspirou pesadamente e respondeu:
— Posso entrar?
— Pode.
Ele abriu a porta, mas não entrou no quarto. Viu a filha deitada na cama enquanto jogava em seu celular.
— Sarada... – O semblante sério chamou a atenção da menina que até parou de jogar. – Eu prometi que você conheceria a sua mãe e ela está aqui.
— O que? – Arregalou os olhos e largou o celular sobre a cama antes de se levantar rapidamente. – Sasuke... Isso é sério?
— Sim, é sério.
Não sabia dizer o que estava sentindo. Não estava feliz, já que sua mãe era uma completa desconhecida que a abandonou ainda bebê. Mas estava ansiosa, uma vez que finalmente poderia ter toda a história e ouvi-la da boca de sua mãe biológica.
Pai e filha então desceram as escadas juntos. As mãos de Sarada tremiam por conta do nervosismo, mas ela não queria deixar isso transparecer mesmo sabendo que era inútil.
O rosto da menina se contorceu em total confusão quando ela chegou à sala de sua casa e encontrou ninguém menos que Izanami, "puta chique" de seu progenitor, sentada no sofá.
— Sarada... – A rosada se levantou ao ver a menina que estava sem reação.
— Sasuke. – A morena olhou para o Uchiha que estava parado ao seu lado. – Que tipo de brincadeira é essa? Pensei que você fosse me apresentar a minha mãe.
Por um instante ela até ficou feliz. Pensou que aquilo pudesse ser algum tipo de brincadeira... Sasuke disse que a mãe de Sarada estava ali e, ao chegar à sala, a menina viu Izanami. Isso poderia significar que Sasuke iria se casar com a acompanhante de luxo, fazendo dela madrasta – mãe – de Sarada?
Improvável, mas não impossível.
— Não é brincadeira. – A seriedade na voz de Sasuke fez Sarada sentir seu sangue gelar. – Acredite ou não, Izanami é sua mãe.
— Izanami? – Uniu as sobrancelhas. – Não pode! O nome da minha mãe é Sakura Haruno.
— Eu sou Sakura Haruno. – A rosada se manifestou. – Izanami é apenas um nome falso que eu adotei quando voltei pra Rússia.
— Isso... Isso só pode ser sacanagem! – Riu incrédula, olhando para Sasuke e Sakura.
— Muitas coisas aconteceram nesses dezoito anos. – Sakura começou e Sarada ouviu atentamente, tentando mastigar as informações. – Eu me aproximei do Sasuke com o nome falso, inicialmente ele não me reconheceu e eu jamais imaginei que você fosse filha dele... Pensei que fossem irmãos, eu jamais imaginei que minha filha estaria...
— Como? – Interrompeu com a voz alterada. – Se você é minha mãe mesmo, você me abandonou! Por que fez isso?
— Isso é uma mentira, Sarada. – Sasuke falou antes que Sakura pudesse abrir a boca para responder, então Sarada olhou para ele completamente incrédula. – Filha, seus avós mentiram... Na verdade, todos mentiram pra você, inclusive eu, mas fiz isso pra você não se machucar. Eu jamais imaginei que a sua mãe apareceria depois de tanto tempo...
— Espera... – Com a respiração alterada e as mãos trêmulas, Sarada interrompeu o moreno. – Mentiram pra mim?
— Meu pai me mandou pra um colégio interno assim que eu contei que tinha engravidado a Sakura. Não tive nem escolha, ele me obrigou. – Explicou. Sarada, embora furiosa, resolveu ouvir a história. – Antes de partir, pedi para que minha mãe procurasse a Sakura e falasse com ela, pedi que não a deixasse abandonada porque eu sabia que só voltaria quando terminasse os estudos. Quando retornei, três anos depois, tive uma surpresa ao ver que você estava com meus pais e cheguei a pensar que Sakura tivesse te entregado, mas descobri que você havia sido sequestrada.
— Sequestrada? – Questionou num fio de voz, sentindo lágrimas brotarem em seus olhos.
— Eu procurei muito por Sakura, mas ela tinha sumido. – Completou o Uchiha. – Meus pais preferiram te contar que você havia sido abandonada e eu sustentei a mentira, pois você ficaria destruída se soubesse que seu avô mandou que te arrancassem de sua mãe.
— Eu fui expulsa de casa. – Sakura continuou, então Sarada olhou para ela. – Fiquei sozinha, o Sasuke tinha sumido, eu não sabia o que fazer. Morei por um tempo numa pousada, você era o único motivo que eu ainda tinha pra viver. Mas levaram você do berçário com poucas horas de nascida, ninguém encontrou nada e depois de um tempo foi simplesmente dada como morta. Eu fiquei desamparada, não sabia o que fazer, então, em um momento de loucura, eu fui para a Holanda. Eu não tinha nada, não tinha como voltar, nem motivo para tal, e tive que trabalhar como prostituta pra sobreviver lá, mas tive sorte e me casei com um político que me tirou daquela vida... Eu não o amei e sabia que ele me traía com outras mulheres, mas eu era grata só por ele ter me tirado daquela vida.
— Você é casada? – Questionou a menina que finalmente compreendeu por que Izanami, ou Sakura, tinha tanto dinheiro.
— Viúva. – Respondeu. – Ele morreu e deixou tudo pra mim, já que não teve herdeiros. Eu tinha raiva do Sasuke, pois se ele tivesse ficado ao meu lado nada disso teria acontecido. Eu não teria sido expulsa de casa e não teriam tirado você de mim. – Sarada olhou para seu progenitor e este apenas abaixou o olhar, uma vez que admitia sua parcela de culpa nisso. – Voltei pra me vingar, mas jamais imaginei que a minha filha estaria viva e com ele. Quando descobri, foi um verdadeiro choque. Só que eu ouvi a versão do Sasuke e descobri que ele também foi uma vítima, o verdadeiro monstro é o seu avô!
— Não... – Chocada e aos prantos, Sarada não queria acreditar em tais palavras, embora fizessem sentido. – Por que não me contaram isso antes? Sasuke, por quê? – Encarou com fúria seu progenitor. – Você poderia ter me contado tudo! E você... – Voltou-se para a rosada. – Todo esse tempo que você sai com o Sasuke e frequenta essa casa, por que só falou agora? – Bradou. – Você me fez de idiota!
— Não é isso! – Retrucou a rosada. – Sasuke e eu estávamos esperando o momento certo. Eu não estava mais aguentando isso...
— Meus avós não podem ter feito isso... – A menina gritou e se lembrou de conversa que tiveram sobre a mãe de Sarada quando Mikoto os visitou.
"O lobo sempre será mau se você ouvir apenas a versão da chapéuzinho vermelho...", essas foram as palavras de Izanami naquele dia e agora faziam todo sentido.
Ela sabia que estavam falando dela, jogando palavras falsas, dizendo que ela tinha abandonado a própria filha quando, na verdade, foi um sequestro.
— Eles mentiram, Sarada. – Sasuke respondeu. – Seu tio teve essa ideia, seu avô acatou e sua avó, infelizmente, não fez nada pra impedir.
— Meu tio? – Indagou chocada, pois amava muito seu tio e ele foi, pra Sarada, muito mais pai do que Sasuke. – Ele teve essa ideia doentia? Eu fui enganada por todo mundo durante todo esse tempo?
— Desculpa. – Sasuke falou com sinceridade e tristeza em seu tom de voz. – Filha...
— Não me chama de filha! – Berrou, então olhou novamente para Sakura. – E você não é a minha mãe!
— Sarada... – Franziu o cenho e sentiu as lágrimas quererem sair. – Por favor, entenda meu lado! Você foi dada como morta, eu era uma criança, seu pai havia sumido e eu tinha sido expulsa de casa, o que queria que eu fizesse? – Questionou. – Mesmo com todas as dificuldades, eu jamais te abandonaria. Jamais... Mas você foi tirada de mim.
— Sarada, a Sakura é tão vítima quanto você nessa história. – Sasuke era o único que não havia se alterado ali. Embora estivesse, aparentemente, tranquilo, o homem estava tão abalado emocionalmente quanto as duas mulheres.
— Tem razão! – Berrou furiosa para o Uchiha. – A culpa é sua! Por que sumiu? Se não tivesse ido embora nada disso teria acontecido, seu monstro sem coração!
— Sarada, eu tinha quatorze anos... – Insistiu. – Não tive escolha. Eu era uma criança.
— Mas não foi criança na hora de fazer um filho! – Gritou a menina. – Nem quando se trata da sua filha você tem coragem de enfrentar meu avô, sempre foi covarde e é por causa dessa sua covardia que eu fui tirada da minha mãe! – Ela então olhou furiosa para a sua progenitora. – E você, Sakura ou Izanami... Já nem sei mais quem você é... Depois de tantos anos, só procurou o Sasuke agora e, ainda assim, me fez de idiota, se fazendo de acompanhante de luxo desse outro inútil ao invés de me contar tudo! – Bradou. – Vocês mentiram pra mim! Me enganaram... Estavam ocupados demais, não é? – Debochou. – Estavam trepando ao invés de me contarem a verdade. Mas é claro, porque é do Sasuke que estamos falando e tudo pra ele é mais importante do que a própria filha!
— Sarada, se acalma! – Bradou o Uchiha, fazendo a menina ficar quieta e engolir o choro. – Pensa antes de falar, garota! Você tem noção das merdas que está falando?
— Você tem noção de como eu estou após descobrir que me enganaram durante toda a vida? – Retrucou. – Eu não sei mais quem são vocês... Não confio mais em ninguém.
— Sarada... – Com tristeza em seu tom de voz, Sakura se aproximou da filha. – Eu não peço seu amor, só quero que você me perdoe e que me aceite como sua mãe.
— Nunca! – Respondeu de forma seca. – Você nunca vai ser minha mãe! – Olhou para Sasuke. – E você nunca vai ser meu pai!
— Sarada... – A rosada sentiu uma facada no coração após as palavras da filha que virou as costas e saiu correndo para seu quarto.
Sentiu suas pernas falharem e as lágrimas caírem, sentou-se no chão e abraçou as pernas, deixando grossas lágrimas rolarem.
Sasuke se sentiu dividido. Ir falar com Sarada ou consolar Sakura?
Bem, com certeza a menina já estava trancada no quarto e não abriria a não ser que Sasuke arrombasse a porta, o que não seria uma boa ideia porque só iria provocar ainda mais discussões.
Aproximou-se da rosada que chorava e sentou-se ao seu lado no chão.
— Sakura... – Colocou uma mecha dos cabelos rosados atrás da orelha da Haruno. – Sakura, sabíamos que poderia ser assim. Eu avisei.
— Pensei que ela fosse compreender, que ao menos me desse uma chance. – Fungou, então olhou para Sasuke com os olhos encharcados. – Minha filha me rejeitou, Sasuke.
— Ela me rejeita há muito tempo. – Suspirou. – Espere a poeira abaixar. Nós jogamos uma bomba dessas na cabeça da Sarada e nem demos tempo pra ela digerir isso tudo. Se ponha no lugar dela.
— Por que ela não se coloca no meu lugar? – Retrucou. – Sasuke, eu não tenho culpa do que aconteceu.
— Sabemos disso. – Deu um abraço na rosada que aceitou o gesto. – Você pode vir aqui quando quiser. Talvez ela se arrependa do que disse depois que se acalmar. Adolescentes são impulsivos, amanhã ela já pode estar arrependida do que falou.
Sasuke apenas queria acalmar a rosada, pois conhecia sua filha bem o suficiente pra saber que ela dificilmente se arrependeria e pediria desculpa, ou aceitaria a rosada como mãe. Mesmo que mudasse de ideia, o orgulho típico dos Uchiha não deixaria jamais.
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