Amaterasu
15 Capítulo 14
Toská, Rússia
03 de março de 2016
06:54 P.M.
Dirigindo nas ruas movimentadas de Toská, devido ao horário de pico, Hinata roía as unhas completamente pensativa.
A ansiedade lhe corroía por dentro, estava nervosa e frustrada. Queria resolver o mais rápido possível o desaparecimento de Karin.
— Saco! – Praguejou ao parar no sinal vermelho novamente.
Sua cabeça estava queimando de tanto que pensava. Mil teorias se formavam em sua mente. Mas a que mais prevalecia era de que o Uchiha havia feito algo com sua cunhada.
Depois de pesquisar sobre a família dele e coletar algumas informações e juntar com suas suspeitas, não enxergava outra possibilidade.
A morena conseguiu pegar um atalho, e rumou à casa do Nara. Nem se preocupou em sinalizar ou deixar os pedestres passarem.
Estacionou seu Honda Civic de qualquer jeito perto da casa do amigo e pegou suas anotações.
Nara, que estava na janela, vendo que a antiga colega de trabalho se aproximava do local, resolveu já ir abrindo a porta de entrada. A Hyuuga entrou rapidamente já falando.
— Shikamaru, não vai acreditar no que eu descobri! – Esbarrou no moreno, quase o atropelando.
— Pode entrar. – Revirou os olhos, vendo que a Hyuuga estava com pressa.
Ela riu meio sem jeito e resolveu cumprimentar o rapaz com mais educação enquanto iam até a sala de estar. Ela tinha o péssimo hábito de entrar sem bater na porta e já ir falando quando estava impaciente.
— Temos visitas? – Temari, esposa de Shikamaru, apareceu vindo cumprimentar Hinata com um abraço. – Há quanto tempo não nos vemos? Apareça mais vezes.
— Olá, Temari, como está bonita. – Elogiou sinceramente.
— Obrigada, você também está. – Sorriu. – Shikadai, venha cumprimentar a visita! – Gritou a loira ao filho que estava no sofá à toa.
— Oi. – Gritou de volta, fazendo a loira revirar os olhos e bufar.
— Eu vou bater neste menino… — Suspirou e a Hyuuga riu. – Veio sozinha? Onde está o Boruto?
— Ficou em casa.
Shikamaru simulou uma tosse, chamando a atenção das duas. Claramente pedindo para que parassem com a conversa que ele julgava como “papo de mulher”.
— Não vou atrapalhar. – Riu Temari enquanto se retirava da sala. – Venha, meu filho.
— Pra quê? – Indagou o adolescente.
— Vem logo! Seu pai quer conversar a sós com a Hinata. – Disse impaciente.
Contra sua vontade, o menino se levantou do sofá com muita preguiça e rumou para o quarto junto com a mãe que murmurou algo como “Homens…”.
Nara pediu para que a amiga sentasse e começasse a falar o que descobriu.
— Bom, primeiramente quero que escute tudo até o final sem me interromper. – Shikamaru assentiu e pediu para que a mulher prosseguisse. – Meu principal suspeito ao desaparecimento de Karin é o Sasuke Uchiha.
O rapaz permaneceu com a mesma expressão, o que fez com que a Hyuuga se perguntasse se ele realmente a havia escutado.
— Não vai falar nada? – Franziu o cenho.
— Você disse para não te interromper. – Arqueou uma sobrancelha. Realmente não entendia as mulheres. – Embora eu esteja começando a te achar paranoica em relação a este cara.
— Enfim... – Revirou os olhos. – Eu tenho provas de que pode ser ele.
— Você disse isso anteriormente e acabou sendo afastada…
— Eu não estava errada, tal como não estou agora. – Bufou. – Mas eu não vim falar sobre isso. Vim falar sobre a Karin. – Jogou uns papéis sobre a mesa de centro, os quais foram pegos pelo homem. – Eu resolvi fazer uma pesquisa sobre a família Uchiha.
— “A família enriqueceu misteriosamente, muitos políticos envolvidos com tráfico de armas e pessoas já frequentaram o cassino, não se sabe quem é a mãe de Sarada Uchiha”. – Lia com desinteresse os tópicos feitos pela morena. – E o quê isto tem a ver com Karin?
— No segundo ponto está falando que vários políticos envolvidos com tráficos de pessoas já frequentaram ou frequentam o cassino. Se pensarmos bem, pode ser que Sasuke tenha sequestrado Karin para fazer negócios. – Estremeceu com esta possibilidade.
— Hinata, não sabemos nem se esta família é realmente envolvida com essas coisas. – Suspirou.
— É aí que entra o terceiro ponto. – Sorriu. – Sarada é filha do Sasuke, mas não se sabe quem é a mãe. – Retirou uma impressão de uma foto de sua bolsa e entregou para Shikamaru. – Esta mulher é Sakura Van der Bilt.
— Van der Bilt? – Nara franziu o cenho, já havia escutado este nome nos telejornais.
— É o nome de um dos políticos envolvidos com tráficos de arma que já frequentaram Izanagi, Jiraya Van der Bilt. – O rapaz fez uma expressão como se houvesse lembrado de quem se tratava. – Ele morava na Holanda, casou-se com esta mulher da foto e morreu de infarto. – Tirou outra impressão de sua pasta e mostrou ao amigo, novamente era a mesma mulher. – Esta é Izanami Van der Bilt.
— Gêmeas? – Indagou enquanto comparava as imagens.
— É a mesma pessoa. “Izanami” é um pseudônimo. – Explicou. – Pesquisei sobre esta mulher e descobri que o nome de solteira dela é Sakura Haruno. Soa familiar?
— A garota do caso não solucionado. – Arregalou os olhos, nitidamente surpreso. – Aquela que teve a filha sequestrada há 18 anos e não se sabe quem foi.
— Exatamente a mesma idade de Sarada Uchiha. A menina cujo qual não se sabe quem é a mãe.
— O quê está insinuando? – Perguntou curioso.
— Sakura teve a filha sequestrada e tempos depois viajou para a Holanda, casou e voltou sob o nome Izanami. E agora, esta mesma mulher está envolvida num relacionamento com Sasuke Uchiha, pai de Sarada. Acredito que ela seja a mãe da menina que fora sequestrada.
— Por quê?
— Consegui falar com ela há um tempo, ela não sabia que Sarada era filha de Sasuke, estava muito surpresa quando contei e começou a chorar. Suspeito, não? – Replicou. – Sakura, em alguns de seus depoimentos, não falava de jeito nenhum quem era o pai de sua filha, tal como não é dito quem é a mãe de Sarada.
— Se bem me lembro, Sakura Haruno deu a luz na adolescência e com oito meses de gestação. É realmente muita coincidência sequestrarem um recém-nascido sem saber exatamente quando ele nasceria. – Refletiu o Nara.
— Sem contar que o próprio Uchiha havia me dito que engravidou uma garota aos 15 anos, alertando que os dois eram jovens demais na época. Sarada tem 18 anos, Sasuke tem 33, Izanami também. Sakura tinha exatos 15 anos quando deu a luz à Sarada, tal como o Uchiha. Não só a história, como os números também batem.
— Nossa. – Shikamaru encostou as costas no sofá e respirou profundamente. – Agora só o DNA dirá o contrário. Mas creio que seria estranho demais pedir algo assim.
— Sim. – Hinata repetiu a mesma ação do Nara. – O que eu acho estranho é ele ter sequestrado a própria filha, e como fez aquilo tão bem feito! Shikamaru, ele não deixou nenhuma evidência, nenhuma! Foi um crime perfeito.
— Porque provavelmente não foi decisão dele. – Falou enquanto analisava as anotações feitas pela colega. – Aquele sequestro com certeza não foi feito apenas por uma pessoa. Acredito que Sasuke sequer mesmo participou deste crime. Afinal, na época, ele tinha apenas 15 anos. Mas a família dele, se esta história toda for verdade, com certeza está envolvida em algum crime organizado.
— Amaterasu. – Balbuciou Hinata. – Droga, não é só uma lenda?
— Pelo jeito não. – Lamentou. – Bom, voltando ao assunto inicial…
— Ah, sim. – Se recompôs. – Como eu disse, Sarada muito provavelmente é Haruka, a bebê sequestrada. Minha teoria é que Sasuke tenha sequestrado Karin para envolvê-la no tráfico de pessoas.
— Mas por que a Karin? Pelo o que sei, você me disse que ela estava apenas saindo com ele. – Juntou as sobrancelhas. – Está escondendo algo de mim, Hinata?
A mulher suspirou rendida. Se precisava de ajuda, tinha de confessar tudo.
— Eu pedi à minha cunhada que investigasse o Uchiha em particular. Não engolia a história de que ele é um milionário só com dinheiro de cassino e casa noturna, gente assim sempre é envolvida com crimes. Não queria meu filho envolvido com gente assim.
— Hinata... – Massageou as têmporas demonstrando insatisfação.
— Sei que agi errado, mas eu precisava confirmar minhas suspeitas. Você sabe mais do que ninguém que minhas intuições nunca estão erradas.
— Isso é o que mais me assusta em você. – Riu balançando a cabeça em sentido negativo. – Bom, isso justifica o motivo de você ter pedido um mandado de prisão. Porque, segundo você e ela, ele tinha porte ilegal de arma.
— Sim, Karin as encontrou enquanto fuçava nas coisas dele. Obviamente que não pensávamos que ele tinha alguma ligação com os casos de Deidara e Kisame, nosso objetivo era descobrir a procedência do dinheiro dele, mas acabamos descobrindo mais coisas.
— E como ele conseguiu prever que iríamos lá fazer uma busca?
— Isso é o que me intriga… Mesmo que ele tenha escutado a conversa da Karin comigo pelo telefone, só eu toquei no assunto “mandado”. Ele só ouviria a voz da minha cunhada, não a minha. Só se ele adivinhou, é a única explicação.
— Se Sasuke Uchiha realmente sequestrou Karin Uzumaki, onde ela deve estar?
— Em algum lugar em que muito provavelmente está sendo torturada para dar informações. E na pior das hipóteses, morta.
— Creio que estar morta é a melhor hipótese para ela. – Suspirou.
Hinata bagunçou os longos cabelos. Como diria esta notícia ao marido? As duas possibilidades eram péssimas!
Shikamaru também estava pensativo. Estava preocupado com a Uzumaki, é uma de suas melhores investigadoras, perdendo apenas para a Hyuuga. Odiava perder seus membros.
— Hinata, eu preciso de você de volta na polícia. – Levantou-se rapidamente. – Amanhã mesmo você vai até minha sala pegar seus pertences e voltar a trabalhar. Não estamos falando aqui apenas de um crime, estamos falando dos casos Deidara e Kisame, Karin e Sakura.
— Se a família Uchiha for realmente a tal Amaterasu, o número de crimes aumenta muito mais. – Se levantou.
— Não é “se”, esta família é a Amaterasu. Depois do que falamos aqui não tenho mais dúvidas.
A mulher respirou trêmula, estava assustada e empolgada ao mesmo tempo.
— Não se preocupe. – Ele foi até a amiga e lhe segurou nos ombros. – Garanto segurança a sua família com o seu retorno à criminalística.
— Obrigada. – Suspirou aliviada. – Era o que eu mais temia.
— Não vou arriscar perder outro de meus melhores investigadores, por mais egoísta que soe.
— Eu entendo. – Sorriu agradecida.
— Te acompanho até a porta. Obrigado pelas pistas. – Mostrou os papéis que ela entregou a ele.
A morena assentiu e foi levada até a porta, se despediram com um beijo e um abraço, depois ela foi até o seu carro.
Saiu do bairro e enquanto dirigia, um sorriso maldoso se formou em seus lábios.
— Seus dias estão contados, Uchiha. – Comemorou vitoriosa. – Quem rir por último, ri melhor.
[...]
Toská, Rússia
04 de março de 2016
09:04 A.M.
Sasuke não aparecia há dias e sua mãe estava ficando preocupada. Pensou em ligar, mas achou melhor ir até a casa do filho para falar com ele pessoalmeCante e matar a saudade, claro.
A mulher então pegou as chaves do seu Mercedes GLS AMG e foi até a casa do seu caçula. Chegando lá foi logo atendida pela neta que, pra quem havia terminado um namoro, estava contente demais.
— Olá querida, vejo que está melhor. – Mikoto falou sorridente, visto que Sarada já havia conversado com ela sobre o término do namoro com Boruto e a menina parecia bem pra baixo.
— Estou sim, vó. – Suspirou enquanto dava passagem para a mais velha entrar. – Mas a vida segue...
— Que bom que pensa assim. – Deu um beijo na testa da garota que em seguida fechou a porta atrás de si. – Cadê seu pai?
A menina esboçou um sorriso malicioso e Mikoto ficou desconfiada, assim como também ficou bastante preocupada.
Sarada não gostava do pai, então qual seria o motivo daquele sorriso que parecia vitorioso? Alguma coisa ela tinha aprontado. Esse pensamento só deixava Mikoto mais preocupada.
— Eu não matei meu pai, se é o que a senhora está pensando. E também não aconteceu nada de ruim com ele. – A Uchiha mais velha até suspirou aliviada após tal frase dita pela neta. Sarada riu da expressão de sua avó, então prosseguiu. – Ele está na cozinha com... – Pendeu a cabeça para o lado e sorriu como uma garotinha sonhadora.
— Com...? – A curiosidade da mulher era quase palpável e ela esperava que a neta prosseguisse.
— Vó, eu tô tentando dar uma de cupido, por favor me ajuda! – Sarada uniu as mãos e Mikoto até teve uma pontinha de esperança.
Cupido? Então Sasuke estaria realmente aquietando o facho com uma mulher só ao invés de transar com uma por noite?
— Explique melhor, querida.
— É o seguinte, a Izanami tá aqui e ela é... – A morena mordeu o lábio inferior e Mikoto a olhou com certa curiosidade e insegurança.
Ora, Sarada não poderia dizer que Izanami é uma prostituta... Ok, acompanhante de luxo, mas no fim dá no mesmo!
Enfim, sua avó com certeza reprovaria esse romance que ainda nem aconteceu, mas que Sarada já previa. Mikoto não podia saber, em hipótese alguma, sobre a profissão de Izanami.
Se bem que, a julgar pelo dinheiro de Izanami, Sarada tinha certeza de que ela não era apenas uma acompanhante de luxo, o que até a deixava bastante animada, pois sua avó veria a mulher fina que a rosada é e, com certeza, a aprovaria como futura nora.
— Ela é...? – Mikoto arqueou uma sobrancelha.
— Uma amiga do Sasuke. – Sorriu. – Eu gosto muito dela e acho que ela seria a madrasta perfeita para mim! – Os olhos negros de Sarada brilhavam quando ela falava em Izanami, sem ao menos imaginar que estava falando de sua mãe biológica. – Vó, eu quero muito que ela fique com o Sasuke, por favor me ajuda!
— Ora essa... – Mikoto sorriu alegre. – Eu vou adorar ver meu filho finalmente criando juízo e arrumando alguém.
As duas foram juntas até a cozinha, onde Sasuke estava sentado numa cadeira e com os cotovelos apoiados na mesa e Sakura estava desenformado um bolo de chocolate.
Sasuke tinha que admitir que aquilo estava dando água na boca, mas seria seguro comer? Bem, a Haruno fez o bolo a pedido de Sarada, então é óbvio que a criatura não envenenaria a própria filha.
— Olha quem veio nos visitar! – Sarada alarmou assim que apareceu na cozinha.
Sakura arregalou os olhos ao notar aquela mulher ali. Embora estivesse realmente surpresa, não poderia deixar aquilo transparecer. Ela não era Sakura, mas Izanami, e precisava manter o personagem.
Já Sasuke, bem, o moreno teve uma surpresa ao ver sua progenitora e se levantou de uma vez da cadeira onde estava sentado. Obviamente que sentiu dor na perna, uma vez que ainda nem tinha retirado os pontos da cirurgia.
Grunhiu de dor e colocou ambas as mãos sobre o local do ferimento. Percebendo isso, Mikoto ficou preocupada.
— Sasuke, o que aconteceu? – Aproximou-se do filho que, lentamente, sentou-se novamente na cadeira. – Você está machucado?
— Sabe como é quando um velho com osteoporose vai querer dar uma de novinho... – Suspirou a mais nova. – Só se lasca.
Sarada foi debochada, mas recebeu um olhar de desaprovação de sua avó e, como a menina sempre a respeitou muito, simplesmente ficou quieta.
— Ele se machucou. – Sakura falou, chamando a atenção de Mikoto para si. – Mas a senhora não tem com o que se preocupar, pois ele está se recuperando muito bem.
— Sasuke... – Mikoto olhou nos olhos do filho. – O que aconteceu com sua perna?
— Mãe, relaxa! – Ele respondeu despreocupado. – Nada que nunca tenha acontecido antes.
Mikoto compreendeu na hora e deduziu que foi um tiro. Após quinze anos na máfia, obviamente que Sasuke já havia levado tiros e até mesmo facadas, dentre várias outras coisas. O moreno já conhecia todos os procedimentos do hospital e nem ficava aflito quando precisava ser internado por conta de alguma lesão mais grave.
Ainda se lembrava bem da primeira vez que Sasuke foi parar no hospital por conta de seu trabalho na Amaterasu. Ele tinha apenas um ano de máfia, era inexperiente e Fugaku o mandou para uma missão que era lógico que o rapaz não daria conta. Itachi se ofereceu pra ir, uma vez que as chances de sucesso seriam bem maiores, mas não teve conversa e Sasuke teve que ir. Mikoto, na hora da raiva por seu marido ter feito isso, chegou até mesmo a cogitar a ideia de que Fugaku teria mandado Sasuke para tal missão justamente porque sabia que ele estaria em desvantagem e era inexperiente, portanto tinha maiores chances de acabar morto.
A missão não teve sucesso, mas Sasuke sobreviveu. Por pouco, mas sobreviveu.
Fugaku ficou com ódio por isso, mas dessa vez até Itachi ficou do lado do irmão, visto que até mesmo um criminoso experiente teria altas chances de fracasso... Sasuke teve muita sorte de ter saído vivo.
Após alguns dias inconsciente na UTI, Sasuke acordou e Mikoto implorou para que ele abandonasse a Amaterasu, mas o rapaz, que sequer havia completado vinte anos, recusou.
Sasuke dizia que, custasse o que custasse, iria mostrar para Fugaku que é digno de ser um Uchiha. Por esse motivo, Sasuke aceitava missões difíceis, mesmo sabendo que poderia não dar conta.
Fugaku o pressionava, cobrava demais e dizia que Sasuke não fazia uma missão direito, mas até mesmo o próprio Madara, na época em que Sasuke era mais jovem, chegou a repreender Fugaku por mandar um rapaz sem muita experiência para fazer trabalhos que exigiam pessoas mais habilitadas. Fugaku dizia que aquilo era bom para Sasuke ver como era a vida dentro da máfia, mas Madara sempre retrucava, dizendo que seu primo apenas colocava a vida do filho em risco sem necessidade.
Apesar das missões difíceis, Sasuke, na maioria das vezes, as realizava com sucesso. Ele não se importava em arriscar a vida, sempre voltava machucado, mas dava tudo de si para tentar impressionar o pai. Isso fez com que Madara, que desde a infância de Sasuke dizia que o garoto tinha até mesmo mais potencial que Itachi, percebesse que não estava equivocado. Sasuke tinha talento, só era cobrado um pouco além da conta e isso o prejudicou.
No fim, todas as cicatrizes que Sasuke adquiriu nesses quinze anos de Amaterasu, serviram para fortalecê-lo.
— Vó, pode ficar tranquila! – A voz de Sarada tirou Mikoto de seus pensamentos. – A Izanami está cuidando muito bem do Sasuke.
— Muito obrigada! – Mikoto falou docemente para a rosada que até sentiu seu estômago revirar, uma vez que acreditava que a mãe de Sasuke estava envolvida diretamente com o sequestro de sua filha.
— Disponha. – Atuando muito bem, ela devolveu o sorriso. – O Sasuke é forte. Sabe como é, vaso ruim não quebra.
O Uchiha bufou e revirou os olhos, tentando entender como Sakura conseguia expelir tanto veneno tão naturalmente.
— Cascavel de salto alto. – Murmurou baixinho, quase inaudível.
— O quê? – As três mulheres questionaram em uníssono.
— Nada... – Negou com a cabeça, fitando o bolo aparentemente delicioso que estava sobre a mesa. – Vamos comer?
— Ah sim, com certeza! – Sarada fez questão de pegar pratos e garfos para que todos provassem o bolo que sua futura madrasta havia feito.
Sim, Sarada já considerava Izanami como sua futura madrasta.
Colocou um pedaço em cada prato, todos já estavam sentados à mesa e prontos para provarem o bolo.
— Minha nossa! – Mikoto falou após experimentar o primeiro pedaço. – Ficou ótimo. Melhor do que os meus.
— Mamãe, eu nunca vi a senhora encostar numa panela. – Sasuke revirou os olhos. – Sempre teve várias cozinheiras, nunca precisou nem colocar água pra ferver.
— Filhote, você sabe que eu não nasci em berço de ouro. – Respondeu a mais velha. – Eu sei cozinhar sim, só nunca precisei fazer isso depois que me casei com seu pai.
"Interesse puro!", pensou a Haruno.
Mikoto só poderia ter se casado com aquele monstro por interesse, e de fato havia sido. Afinal, uma mulher bonita consegue seduzir qualquer homem, até mesmo corações de pedra.
Ainda bem jovem, Mikoto ganhou a confiança e o coração de Fugaku e engravidou na primeira oportunidade. Casou-se no início da gravidez, antes que a barriga saliente começasse a aparecer, e conseguiu a vida que sempre sonhou.
É claro que seu casamento não é dos mais felizes, pois ela jamais amou o marido, embora tenha se acostumado com a convivência. Mas esse foi o preço que a mulher pagou.
— É mesmo. – O moreno deu de ombros, voltando a saborear o bolo de chocolate que realmente estava uma delícia.
— Então, Izanami... – Mikoto olhou para a rosada e sorriu de canto. – O que você é para o meu filho?
— Uma amiga bastante íntima. – Deu uma risadinha e olhou para o Uchiha que estava puto da vida.
— Íntima? – Sorriu contente a Uchiha mais velha. – Primeiro que eu nem sabia que o Sasuke tinha amigas. Geralmente as mulheres que entram na vida do Sasuke, saem depois de uma noite.
— Mãe! – Sasuke falou indignado e Sarada riu da reação de seu progenitor.
De fato não era mentira.
— Sasuke, entre para a ceita... – Riu a Uchiha mais nova.
— Eu não... – A frase indignada do moreno morreu no ar. – Ué, que ceita? – Questionou desentendido.
— Aceita que dói menos! – Sarada e Sakura falaram ao mesmo tempo e Sasuke bufou de raiva.
Com certeza aquelas duas estavam conspirando contra a sanidade mental dele, só podia ser isso!
— Izanami, você quer parar de corromper a minha filha? – Questionou o Uchiha.
— Sasuke, deixa de frescura! – Sarada falou de boca cheia enquanto ajeitava os óculos de armação vermelha. – Eu sei que você já é uma pessoa na terceira idade, mas não precisa ser tão rabugento.
— Você quer parar de ficar me chamando de velho? – Retrucou.
— Vocês dois querem parar de ficar brigando na frente da Izanami? – Repreendeu Mikoto, então os dois Uchiha se calaram e apenas trocaram ofensas com o olhar, como se fossem duas crianças.
Sakura já tinha se acostumado com essa relação de gato e rato dos dois, na verdade até achava bastante engraçado. Só o fato de estar perto de sua filha já tornava tudo divertido pra ela... Pela primeira vez em muito tempo, sua vida parecia fazer sentido.
No entanto, Sakura, por mais que estivesse conseguindo disfarçar, estava odiando a presença daquela mulher ali. Por mais que Mikoto Uchiha não estivesse envolvida diretamente no sequestro de Sarada, foi cúmplice de qualquer jeito.
Que tipo de mãe encobre tal coisa? Mikoto tem dois filhos e, ainda assim, teve estômago o suficiente pra aceitar a ideia de separarem uma mãe de sua filha. Sakura não engolia aquilo.
É óbvio que Mikoto, em momento algum, imaginou que estivesse frente a frente com a mãe de sua neta. Sasuke teve medo de que sua mãe reconhecesse a Haruno e acabasse contando para Fugaku, mas Mikoto nem suspeitou.
Viu Sakura aos quatorze anos, ela era uma menina, tinha os cabelos loiros e usava óculos como Sarada. O tempo passou e Sakura mudou bastante, tanto que sequer o próprio Sasuke chegou a reconhecê-la.
— Eu já me acostumei com isso. – Disse a rosada. – Esses dois brigam bastante, não tem jeito.
— Já se acostumou? – Mikoto questionou com um sorriso de canto. Se Izanami já estava acostumada, então provavelmente já vinha convivendo com pai e filha há algum tempo. – Diga, minha jovem, a quanto tempo você conhece o meu filho?
— Bom... – Ela olhou para Sasuke e sorriu para provocá-lo. – Faz pouco tempo, mas sinto como se o conhecesse desde os tempos de escola.
O sangue do moreno gelou! Sakura continuava fazendo de tudo para provocá-lo de alguma forma.
Mikoto e Sarada sorriram cúmplices, sem ao menos imaginar o porquê de Izanami ter dito aquilo.
Não era porque ela estava gostando de Sasuke ou porque já tinha bastante intimidade e afeição para com ele, mas sim porque ela literalmente o conhecia desde os tempos de escola.
— Que bom que vocês se dão bem. – Mikoto esboçou um sorriso sincero, deixando transparecer sua esperança de ver seu filho finalmente com apenas uma mulher.
— Sim. – Sakura sorriu, levando discreta e lentamente sua mão até a coxa machucada do moreno que estava sentado ao seu lado. – Nós dois nos damos super bem. – Deu um leve aperto sobre o machucado coberto pelo curativo e pela calça preta que o moreno usava, então ele se remexeu incomodado na cadeira.
— Sim. – Pigarreou. – Nos damos super bem, mamãe.
— Então, vocês se consideram mais do que amigos? – Mikoto se mostrou visivelmente interessada no assunto e o coração de Sasuke até falhou por uns segundos.
— Bom... – Sakura voltou os olhos esverdeados para Sasuke, mas o homem fingia que nem via. Simplesmente detestava as provocações da Haruno, mas infelizmente não podia se livrar dela como fez com Karin e pretendia fazer com Hinata. – Depende do que se entenda por "mais do que amigos".
— Então vocês...
— Mãe! – Sasuke interrompeu sua progenitora. – Não crie falsas esperanças, tá? Eu não estou namorando com a S... Izanami.
Por um segundo Sasuke quase fez uma besteira horrível. Precisava se acostumar que a rosada era Sakura apenas quando ambos estavam a sós, caso contrário era Izanami.
— Argh, Sasuke, você tá esperando o quê? – Sarada manifestou toda a sua indignação.
— Você está tentando dar uma de cupido, senhorita? – O Uchiha estreitou os olhos para sua filha, cruzando os braços em frente ao corpo.
— Não estou fazendo isso pra você, seu traste! – Retrucou. – Eu jamais faria alguma coisa por você.
Sarada fazia isso para ter uma madrasta de quem gosta, uma figura materna por perto. Tá certo que Izanami teria que carregar uma verdadeira cruz, que é o Sasuke, mas ela poderia aprender a amá-lo, não poderia?
— Sarada, não fale assim com seu pai! – Mikoto repreendeu e a menina cruzou os braços e fechou a cara, murmurando algo como "Ele não é meu pai".
— Deixa, mãe! – Sasuke suspirou rendido. – Eu já me acostumei com isso.
Realmente é triste ouvir um pai dizer que se acostumou com a rejeição de um filho. Mas o que Sasuke poderia fazer, obrigar Sarada a aceitá-lo como pai depois de tudo que ele fez?
Mesmo que já tenha tentado impor respeito – do jeito dele, claro –, Sarada sempre se mostrava irredutível. Sasuke aceitou tal condição, visto que via a rejeição de Sarada como um castigo por não ter sido pai da menina quando ela precisou.
Sakura percebeu o semblante triste do moreno e até sentiu pena. Sasuke merecia? Sim, mas dava pena. Ele se arrependeu e tentava demonstrar que mudou, mas Sarada ainda tinha muita mágoa no coração.
Ela parou pra pensar em como se sentiria se fosse desprezada pela filha... Seria algo realmente triste, então dava pra ter uma noção de como Sasuke se sentia diariamente.
— Pra te animar... – Sorridente, Sakura cortou outra fatia de bolo e colocou no prato de Sasuke. O moreno então a olhou com uma cara de "Que bicho te mordeu?". – Ora essa, coma.
Desconfiado, Sasuke deu uma garfada no bolo e levou até a boca.
O moreno nunca foi muito fã de doces, mas tinha que admitir que aquilo estava divino.
— Sarada, você magoou seu pai! – Mikoto repreendeu a menina que apenas deu de ombros. – Minha nossa, que menina difícil.
— Vejo que a Sarada não se dá bem com o pai... – Comentou a rosada. – Mas e com a mãe, ela se dá bem?
Nesse momento Sasuke engasgou com o bolo e começou a tossir. Sarada murmurou um "idiota" e, por estar mais próxima da geladeira, se levantou para pegar um copo com água para o homem que já estava começando a ficar roxo.
— Sasuke, pode comer devagar. – Sarada repreendeu enquanto entregava o copo ao pai. Ele pegou o objeto e bebeu todo o líquido de uma vez. – Depois morre engasgado e não sabe o porquê.
— E então...? – Sakura insistiu quando o susto já tinha passado e Sasuke já respirava normalmente.
— Eu não tenho mãe... – Sarada falou magoada, embora tentasse manter indiferença. – Ela me abandonou quando eu era bebê.
— Minha nossa! – A mulher arregalou os olhos verdes, fingindo estar surpresa com a história. – E por que ela fez isso?
— A mãe da Sarada era muito nova e não tinha estrutura pra cuidar de uma criança. – Mikoto explicou, deixando Sakura ainda mais indignado e Sasuke ainda mais desesperado. – Foi melhor assim.
— Foi melhor assim? – Sakura arqueou uma sobrancelha.
— Sim! – Mikoto assentiu. – Ela sempre teve tudo do bom e do melhor, estudou na melhor escola da cidade, fez todos os cursos que quis, todas as viagens que sempre sonhou...
— Mas não teve a mãe por perto. – Completou a Haruno.
— Izanami, a mãe da Sarada era uma criança. – Respondeu calmamente a Uchiha, sem ao menos imaginar que estava falando com a mãe de Sarada. – Que vida poderia dar para ela? Sem dúvidas, a melhor decisão que aquela menina tomou foi a de entregar a filha.
— Ela devia ter os motivos dela. – Sarada abaixou o olhar. – Entendo que ela era muito nova e estava com uma responsabilidade muito grande nas costas. Só não entendo por que ela nunca voltou pra me ver... – A menina então voltou seu olhar para a rosada que se controlava para não contar toda a verdade ali. – Sabe, eu prefiro acreditar que a minha mãe está morta do que pensar que ela realmente nunca me quis.
— Eu creio que os motivos podem ter sido outros. – Sakura falou calmamente para a menina. – Uma mãe carrega um filho por nove meses no ventre e, mesmo sem conhecer seu rosto, aprende a amá-lo incondicionalmente. Espera ansiosa para conhecê-lo e tê-lo nos braços, é capaz de matar e morrer por ele... Uma mãe de verdade não faria isso. E, mesmo que não tivesse condições, ainda assim faria o possível e o impossível para criar seu filho.
— Uma mãe de verdade, você falou certo. – Mikoto interrompeu. – Não são todas as mulheres que nascem para ser mães. Esse é um dom nato.
Sakura sentiu seu sangue ferver nas veias e sua vontade de dar um tapa na cara de Mikoto só aumentava.
Era dela que estavam falando! Fizeram Sarada acreditar que sua mãe é um monstro, que a abandonou sem mais nem menos... Que tipo de gente faz isso?
— Nem uma mãe que preste esse traste do Sasuke soube escolher pra mim. – Resmungou a garota.
— Vamos mudar de assunto, sim? – Sasuke sorriu sem graça. – Isso aconteceu há tanto tempo, então por que ficar remoendo isso?
— É verdade. – Sarada concordou. – Não precisamos ficar lembrando que a minha mãe me abandonou.
— Sarada, o lobo sempre será mau se você ouvir somente a versão da chapeuzinho vermelho. – Sakura falou e Sasuke já via a hora de aquilo se tornar uma confusão.
O moreno percebeu que a verdade estava por um triz. Por causa das coisas que foram ditas, Sakura estava com ainda mais raiva e poderia explodir a qualquer momento.
— Sim, há sempre o outro lado da moeda. – Assentiu a menina. – Se eu conhecesse a minha mãe, é lógico que iria querer saber por que ela me largou. Eu não engulo essa de ela ter sumido do mapa.
Sakura sorriu internamente. Isso era um sinal de que, quando a verdade fosse revelada, ela teria uma chance de se explicar para a filha.
— Nossa, olha a hora! – Mikoto alarmou após olhar em seu relógio de pulso. – Sasuke, eu vou indo antes que aquele louco neurótico do seu pai comece a me ligar.
Mikoto se despediu de todos e, mesmo com aquela conversa sem sentido sobre a mãe de Sarada, a mulher tinha que admitir que havia gostado de Izanami. Ela poderia ser a nora perfeita.
Como estratégia para deixar os pombinhos a sós, Sarada foi levar a avó até a porta e depois disso seguiria para seu quarto ou ficaria na sala mesmo. Não queria interromper nada.
Só que o clima na cozinha não ficou nada agradável depois que as duas Uchiha viraram as costas...
— Olha, se na próxima encarnação eu tiver que lidar com gente chata me provocando... – Estreitou os olhos para a rosada que entendeu que aquele "gente chata" foi pra ela. – Podem me puxar, mas eu não saio nem com cesariana!
— Eu poderia quebrar esse prato na sua cabeça, seu traste! – Rosnou entre dentes. – Você e sua família fizeram a minha filha crescer pensando que eu sou um monstro!
— Sakura, eu falei que a Sarada pensa que foi abandonada.
— Fui eu quem não soube escolher um pai que preste pra minha filha! – Sua raiva era quase palpável e sua vontade era de estrangular um certo Uchiha até a morte. – Essa sua família não é flor que se cheire, eu tenho certeza disso! E essa sonsa da sua mãe, se fazendo de boazinha e dizendo na cara de pau que a mãe da Sarada abandonou ela porque não era uma mãe de verdade, sendo que ajudou a sequestrar minha filha!
— Shiii, fala baixo! – Sasuke repreendeu. – Também não é assim, jararaca cor de rosa... Minha mãe não participou disso, embora tenha acatado a ideia.
— Então foi cúmplice.
— Porra, será que você não entendeu que não adianta de nada tentar bater de frente com meu pai? – Questionou de maneira retórica e Sakura cruzou os braços em frente ao corpo. – Ele me mandou para os Estados Unidos independente da minha vontade e da vontade da minha mãe.
— Eu não conheço seu pai, mas o mataria se o visse! – Falou friamente. – Se seu pai aparecer aqui, Sasuke, não sei se conseguirei me controlar como fiz com sua mãe.
— Não se preocupe, pois ele nunca aparecerá aqui. Nunca nos demos bem, então ele não tem motivos para me visitar como a minha mãe fez.
Sasuke ficou preocupado... E se Fugaku aparecesse de surpresa?
Sakura, pelo visto, realmente não conseguiria se conter. E se a rosada, inconsequentemente, sacasse uma arma e atirasse em Fugaku? Ela poderia achar que isso seria uma boa ideia e que resolveria tudo, mas a Haruno não fazia ideia de que o avô de sua neta é um mafioso... Sakura estava brincando com fogo sem ao menos saber disso.
— Ótimo.
— E você, quer fazer o favor de ser mais discreta? – Sussurrou, com medo de que sua filha ouvisse. – Fica aí perguntando sobre a mãe da Sarada e fazendo suposições como se soubesse de alguma coisa.
— Mas eu sei! – Retrucou. – Eu sou mãe dela, esqueceu? Sei muito mais do que sua mamãezinha imagina.
— Cacete, você só não precisa dizer isso. Pelo menos não por enquanto.
— Sasuke, foi difícil me controlar. Porra, era de mim que estavam falando. – Falou cabisbaixa. – Eu não abandonei minha filha... Ela foi tirada de mim...
— Só mais um pouco de paciência, é isso que eu te peço.
— Foram dezoito anos mantendo a paciência. Não acha que já é demais?
— Pra quem esperou dezoito anos, esperar algumas semanas não é nada. – Respondeu o Uchiha. – Sarada está gostando muito de você, tanto que até está tentando ser cupido. – Ambos riram disso, pois Sarada tentar unir seus pais era algo realmente cômico. – Vamos esperar a hora certa e escolher as palavras certas.
— Você tem razão... – Suspirou pesadamente. – Eu posso esperar mais um pouquinho.
[...]
Toská, Rússia
09 de março de 2016
03:24 P.M.
O Uchiha estava inquieto e desconfortável. Sabia que sua filha estava superando o término do relacionamento com Boruto, mas também sabia que estava difícil para ela. Ainda mais porque ela se recusava a jogar os presentes ganhados fora.
Sentia que precisava fazer alguma coisa. Mesmo que isso não fosse da conta dele, como o mesmo julgava. Mas de certa forma eles se separaram por causa de uma decisão que provavelmente Hinata havia tomado, e isso o incluía.
Sentia que a Hyuuga tinha a ver com esta história, acreditava piamente que ela havia dito algo para o filho sobre a família Uchiha ser uma má influência.
Pegou seu Audi S8 e dirigiu até a Universidade de Toská, onde Boruto estuda Engenharia da Computação. Ficou dentro do carro por alguns minutos até ver o Uzumaki sair, por sorte o rapaz estava sozinho, saiu do carro rapidamente e o alcançou antes que o mesmo alcançasse o ponto de ônibus.
— Você?! – Boruto questionou confuso ao ver ali seu ex-sogro.
— Preciso falar com você.
Boruto ficou amedrontado por um segundo e engoliu seco, visto que se lembrou de tudo que sua mãe havia lhe dito com relação à família Uchiha.
— Eu não tenho nada pra falar com você. Preciso ir embora.
Boruto tentou seguir seu caminho para o ponto de ônibus, mas deu dois passos e Sasuke segurou em seu braço, parando-o.
— A Sarada precisa de você, Boruto. – O Uchiha falou calmamente e o loiro abaixou o olhar. Ele também estava sofrendo, mas sentiu que aquilo foi o melhor a se fazer.
— Eu não sinto mais nada pela Sarada.
— Mentira. – Sasuke soltou o braço do garoto. – Tá escrito na sua testa que você gosta dela.
Boruto soltou um longo suspiro e então fitou o rosto do moreno.
— Foi melhor assim.
— Por que foi melhor assim?
Boruto não podia dizer para Sasuke o que Hinata havia lhe dito, mas o homem já tinha quase certeza do real motivo que levou Boruto a terminar o namoro com Sarada.
— Tem... – Gaguejou por um instante, pensando numa desculpa convincente. – Tem outra garota... Eu não gosto da Sarada.
Sasuke soltou um riso anasalado e balançou a cabeça em sinal negativo.
— Você mente mal pra cacete, garoto.
— Você nem se importa com a Sarada, por que veio aqui?
— O fato de eu não me dar bem com a minha filha não significa que eu não goste dela, ou que não me importe. – Explicou. – Boruto, eu sei que a sua mãe tá paranoica, ela deixou isso claro pra mim e tirou, sei lá de onde, que minha família não é boa influência.
— É, eu sei...
— Sabe por que sua mãe foi afastada da polícia? – Arqueou uma sobrancelha. – Porque ela estava certa de que havia armas ilegais na minha casa e foi lá com alguns policiais. Mas estava equivocada, pois eu tenho licença pra porte de armas. Armas essa que a sua mãe afirmava serem ilegais.
— E por que você tem armas em casa?
— Ora essa, sou um homem muito rico e você sabe disso. Não quero andar com seguranças atrás de mim, por isso ando armado.
Boruto parou pra pensar por um momento. Fazia sentido, sem falar que ele já suspeitava que sua mãe estivesse paranoica por não ter ido com a cara de Sasuke quando o conheceu.
— Realmente minha mãe tá paranoica. – Coçou a nuca meio sem jeito.
— Então, garoto... Não deixe que as loucuras da sua mãe atrapalhem sua felicidade e a felicidade da Sarada.
— Boruto, você vem? – Mitsuki, amigo do Uzumaki, perguntou ao amigo assim que o ônibus chegou.
— Pode ir, vou de carona. – Acenou para o colega que assentiu antes de partir. – Acho bom você realmente me dar uma carona. – Voltou sua atenção para o Uchiha.
O moreno revirou os olhos rindo e concordou com a proposta. Seria mais confortável conversar no carro mesmo.
Os rapazes foram até o Audi S8 e entraram sem pressa. O loiro como não está muito acostumado com o automóvel, acabou batendo a porta com muita força.
— Você não tem geladeira em casa? – Indagou o mais velho com raiva.
— Foi mal. – Sorriu sem graça. – Por favor, não atire em mim.
— Palhaço. – Riu enquanto ligava o carro e dava partida. – Escuta, não estou pedindo que volte com ela agora, mas pense nisso.
— Eu disse algumas coisas desnecessárias a ela. Não é o que eu realmente penso, mas minha mãe colocou aquela história toda na minha cabeça e eu fiquei confuso.
— Entendo. Você ficou em dúvida entre acreditar em sua mãe ou em sua namorada. – O menino concordou. – Mas honestamente, eu faria o mesmo que você. Ou melhor, parte disso. Eu escolheria por dar um tempo, não terminaria de uma vez. Você foi pressionando, então entendo sua decisão repentina.
Boruto olhou o rapaz com admiração. Nunca havia parado para conversar com ele direito, mas agora tinha certeza que não havia motivo para sua mãe suspeitar do moreno.
O Uzumaki encarou a paisagem que passava rapidamente do seu lado na janela. Estava pensativo e indeciso.
— Contrariar minha mãe ou buscar minha felicidade? – Perguntou para si mesmo em voz alta.
— Se você está feliz, sua mãe não tem porque lhe contrariar. Afinal, os pais desejam o melhor para os filhos.
— Só porque me faz feliz não significa que é certo. – Disse enquanto subia e descia o vidro do carro com o botão. – Se eu estiver feliz e minha mãe não estiver, minha felicidade seria momentânea.
— Mas... – Sasuke travou os vidros do carro. – Quando os filhos estão felizes os pais também ficam. Muitos pais não concordam com certos relacionamentos de início, mas depois aprovam.
— Mas... – Foi interrompido.
— E outra, sua mãe pediu para você terminar com a Sarada por minha causa. Não tem nada a ver com vocês. – Sorriu convincente. – Deixe o problema dos adultos com os adultos.
Boruto bagunçou os cabelos e ficou mexendo no zíper da mochila. Estava tendo um conflito interno.
— Sarada disse alguma coisa? – Perguntou como quem não quer nada.
— Ela está muito chateada. – Suspirou e isso fez o loiro se sentir culpado. – Ela realmente não entende porque você terminou com tudo.
— Acha que ela me perdoa?
— Você não tem culpa de nada, garoto. Não sei o que você disse para ela, mas você disse que não pensa assim. Se disser a verdade ela vai entender.
O Uchiha parou o carro numa rua um pouco afastada da casa do Uzumaki. Se Hinata estiver em casa e o ver com seu filho, poderia acabar com seus planos.
O jovem agradeceu enquanto saía do carro, tanto pela carona tanto pelos conselhos.
Realmente deveria pensar melhor sobre isso. Não queria de forma alguma terminar um relacionamento de dois anos por conta de uma confusão que sua mãe fizera.
Sasuke observou de longe o menino adentrar a casa e acenou de despedida.
Ficou ali por mais alguns minutos, pensando. Ele definitivamente foi atrás do Uzumaki porque queria que ele voltasse com Sarada. Queria vê-la sorrindo fitando a tela do celular ao receber uma mensagem e exibindo os presentes que ganhava.
Claro que havia outro motivo por trás de suas intenções. Se Boruto voltasse com Sarada, poderia “observar” as ações da Hyuuga com maior precisão. Teria ela na mira.
Mas o principal motivo é porque desejava o melhor para a filha.
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