Notas iniciais
Foi mal a demora... As forças do mal bloquearam nossa imaginação, conseguimos terminar só agora. Enfim, sem mais desculpas, vamos ao capítulo =D

Toská, Rússia

10 de março de 2016

11:00 A.M.

Apenas queria enfiar uma faca no meio da cabeça da pessoa que a atrapalhou no melhor momento da abertura de Game of Thrones. Parece que as pessoas sabem o momento mais inoportuno para tocar a campainha.

Saiu de seu quarto e desceu as escadas contrariada. Não sabia onde seu pai estava e duvidava muito que ele fosse atender a porta com a perna ainda dolorida.

Ao abrir a porta, não conseguiu esconder a cara de surpresa por ver Boruto ali, em sua frente, com um sorriso gentil e desconcertado.

— Boruto...? – Perguntou retoricamente, colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha por reflexo. Não pôde conter um mínimo sorriso. Estava feliz por ver o garoto.

— Oi, Sarada. – Ele olhou para a morena. Não sabia como começar essa conversa. Sarada deveria estar muito magoada. – Para você. Foi meio que de última hora. – Coçou a nuca com uma mão enquanto que com a outra estendeu uma miniatura de um cacto cereus. Era fofinho. A Uchiha ficou confusa com o presente, mas até que gostava de cactos.

— O que está fazendo aqui? Achei que não quisesse mais me ver. – Ela perguntou. Por um lado, queria expulsar o garoto dali por tudo o que ele havia dito para ela, por outro lado, estava morrendo de saudades.

— Eu queria conversar... – Falou.

— Creio que você já me disse tudo. Não preciso ouvir mais nada. – Bufou. Claro que ela não deixaria de se fazer de durona.

— Sarada, por favor, me escuta. Desculpe-me por todas aquelas palavras duras. Eu agi sem pensar. Olhe, este cacto me representa. – Apontou para o presente, fazendo a garota o olhar sem entender. – Todo cacto sonha em ser abraçado, mas por causa de sua aparência, ninguém o faz. Eu disse coisas horríveis a você, criei espinhos em mim mesmo, mas gostaria que me perdoasse e me abraçasse. – Suspirou por fim, olhando para a morena.

Ela não sabia o que dizer ou o que fazer. Achou aquelas palavras lindas e estava morrendo de vontade de abraçar aquele loiro que tanto amava.

— Então por que me disse todas aquelas coisas? – Ela olhou para a miniatura em suas mãos. – Foi muito duro de ouvir. Eu realmente fiquei, e ainda estou, em dúvidas sobre o que você sente por mim. Realmente me ama ou tudo foi apenas fogo de palha? – Perguntou, dessa vez olhando para os orbes azuis do garoto.

— Sarada eu amo você. Não sabe o quanto doeu em eu ter dito aquelas coisas. – Ele suspirou. – Eu estava confuso com alguns acontecimentos e acabei fazendo aquilo sem pensar nas consequências. Esse tempo todo sem você foi uma luta. Eu acabei me deixando levar por alguns comentários e minha cabeça foi se enchendo de coisa. Fiquei sem saber o que fazer.

Sarada ficou um pouco pensativa, revendo as palavras que lhe foram ditas.

— Boruto, para alguém ficar deste jeito e dizer aquelas brutalidades, uma pessoa tem que envenenar a cabeça da outra, e esta tem que aceitar ser envenenada. Entendeu? Precisa de duas pessoas para bailar o tango. Um relacionamento tem como base a confiança.

— Eu sei disso. Se arrependimento matasse! – Passou as mãos pelos cabelos. – Só peço que me perdoe e que me dê outra chance, por favor, Sarada. – Suplicou. Sarada viu sinceridade nos olhos de Boruto, mas precisava botar algumas cartas na mesa.

— Se eu lhe perdoar, promete que se houver algum motivo de desconfiança ou qualquer outra coisa, você vem diretamente comigo tirar a história a limpo? – Arqueou uma sobrancelha.

— Sim. Eu prometo. – Ele disse. – Sempre falarei com você agora, não importa qual seja o assunto. Afinal, você é minha namorada e eu tenho que resolver as nossas coisas com você e do jeito certo.

Minha namorada...

Sarada sorriu minimamente ao ouvir isso.

— Eu nem perdoei ainda. – Brincou, vendo um pequeno espanto passar pelo rosto do rapaz. Ele abriu a boca para falar alguma coisa, mas ela o abraçou antes, o deixando sem respostas. – É papo. Depois de palavras tão lindas seria um crime não perdoar. Além do mais todos merecem uma segunda chance, não é. – Sentiu o abraço ser retribuído.

— Obrigado, Sarada. – Boruto murmurou.

— Não me agradeça. Agradeça aos meus sentimentos, porque se eu não amasse você, meteria um pé na sua bunda. – Bufou, ouvindo o loirinho rir. – E... Sabe, eu adoro cactos.

— É. Eu sei disso. – Ele respondeu. Ele tinha que saber, afinal, passaram dois anos juntos. – Sabe... – Sorriu sem jeito e coçou a nuca enquanto Sarada dava passagem para ele entrar na casa. – Eu tinha uma visão errada do Sasuke.

— Como assim? – Questionou confusa e colocou seu presente sobre a mesinha de centro antes de sentar no sofá da sala, seguida de seu namorado. – O que aconteceu, Boruto?

— Sasuke me procurou.

— O Sasuke? – A incredulidade em seu tom de voz era quase palpável. – Por que diabos aquele traste inútil foi te procurar?

— Não chame ele assim, Sarada! – Repreendeu. – Se estou aqui agora é por causa do seu pai.

— Ele tá te subornando ou ameaçando de algum forma? – Cruzou os braços em frente ao corpo, encarando o Uzumaki com desconfiança no olhar.

— Não é isso não, sua boba... – Ele riu. – Sasuke conversou comigo e me deu conselhos valiosos. Disse também que você estava muito triste com o término do namoro. – Essa parte foi dita por um Boruto meio desconcertado. – Pensei que você estivesse com ódio de mim, mas, pelo que o Sasuke disse, você ainda me amava e sentia a minha falta.

— Sim, eu te amo e senti muito a sua falta. – Falou sincera.

Sarada estava incrédula. Sasuke fez algo útil por ela, sem brincadeira.

Ele, por incrível que pareça, notou a tristeza no olhar da adolescente que tentou camuflar isso dizendo que estava tudo bem e que tinha superado.

Sasuke estava realmente preocupado e demonstrou isso – do jeito dele, mas demonstrou. E não somente isso, ele tomou uma atitude para ver Sarada feliz, coisa que ela podia contar nos dedos quantas vezes ele fez... Foram pouquíssimas.

— O Sasuke se importa com você, Sarada.

— Começo a achar que sim... – Mesmo querendo se fazer de durona, às vezes a morena não consegui disfarçar seu coração mole. – Ele está mudando muito de uns tempos pra cá.

— Sim, ele está... – Dito isso, Boruto esboçou um sorriso malicioso e abraçou a Uchiha. – Por falar no Sasuke, vamos aproveitar que ele não está aqui...

— Boruto! – Ela repreendeu com a voz risonha. – Acho que o Sasuke está no quarto dele e eu não tenho certeza se ele está dormindo.

— Não vamos fazer barulho...

Sarada riu e foi com Boruto para seu quarto. Claro que eles não iriam chegar nos finalmentes, até porque Sasuke poderia ouvir, mas estavam precisando matar a saudade de alguma forma.

Por enquanto, entre os dois, as coisas iriam voltar aos eixos. Ambos estavam felizes e Boruto seria eternamente grato pelo Uchiha mais velho por este ter lhe procurado e aberto seus olhos. Tudo voltaria ao normal. Ou pelo menos era assim que pensavam.

[...]

Toská, Rússia

10 de março de 2016

03:00 P.M.

Hinata chegou ao local de trabalho logo após deixar Himawari na escola e foi diretamente para a sala de seu superior.

Sua rotina de trabalho havia voltado há uns cinco dias, os transferidos de Moscou ainda não sabiam de sua chegada, pois estavam trabalhando num caso à parte.

A notícia do afastamento da Hyuuga chocou toda a polícia, já que ela é uma das melhores investigadores do local. Mas o motivo não era revelado. Apenas os novos membros e pessoas mais íntimas como Kabuto, Kiba e Shikamaru sabiam o porquê. Inclusive Karin.

— Licença. – Pediu enquanto adentrava a sala.

— Hinata! – Ino Yamanaka, que também estava presente, levantou-se surpresa e foi abraçar a morena. – Não me diga que você voltou a trabalhar?

— Voltei. – Sorriu divertida. Realmente a loira lembrava muito seu marido. – Você tinha um caso de assassinato na área sul de Toská, certo? Como foi?

— Consegui resolver. Meus companheiros aqui... – Apontou para Hidan e Kakuzu que ali estavam. – Me ajudaram bastante. O caso agora vai para a justiça.

— Isso é ótimo. – Suspirou. Admirava a Yamanaka, ela veio de Moscou, e já tinha um bom histórico em casos mais complicados.

— É bom te ver de novo, Hyuuga. – Cumprimentou Kakuzu.

— Fico feliz que vamos tê-la ao nosso lado novamente. – Se pronunciou Hidan.

— Bom... – Pigarreou Shikamaru, chamando a atenção dos quatro. – Agora que vocês se reencontraram, Hinata dê as notícias sobre o que conversamos.

— Certo. – A morena se assentou numa cadeira e respirou fundo.

Ino tornou a sentar-se ao lado dos novatos, enquanto Shikamaru se apoiava na mesa, virado para todos.

— Primeiramente, creio que já notaram que Karin Uzumaki anda desaparecida. – Todos assentiram. – Isso tem a ver com os Uchiha.

— Não está inventando isto, está? – Kakuzu franziu o cenho.

— Não. – Não mudou seu tom de voz. – Karin estava investigando em particular sobre Sasuke Uchiha, acabou descobrindo que ele é envolvido com assassinatos. Mas ele não é apenas um assassino, ele também trafica armas e pessoas.

— Como descobriu isso? – Indagou a loira.

— Conhecem Jiraya Van der Bilt?

— Sim, era um político famoso na Holanda. – Disse Hidan. – Ele era envolvido com um desses tráficos que você citou, mas o que isso tem a ver?

— Este homem e mais outros políticos envolvidos com tráficos já visitaram o Casino Izanagi. – Informou.

— Está insinuando que a família Uchiha é envolvida com essas coisas? – Perguntou Kakuzu, o qual obteve uma resposta afirmativa. – E quais são suas provas, se é que as tem?

— Há 18 anos, aqui em Toská, uma garota de 15 anos teve a filha sequestrada num hospital. O nome dessa garota é Sakura Haruno. – Sorriu de canto. – É o nome de solteira da esposa de Jiraya, Sakura Van der Bilt.

— Pode ser apenas nomes parecidos... – Ino levantou uma hipótese.

— Sim, eu considerei isso. Mas o nome de solteira bate com a informação, sem contar que consegui descobrir que Sakura viajou para a Holanda ainda na adolescência. – Cruzou as pernas e os braços. – A bebê sequestrada, filha da Haruno, era ninguém mais do que Sarada Uchiha.

Os novatos presentes arregalaram os olhos completamente surpresos.

— Hinata não está insinuando que Sarada não é filha do Sasuke, e sim que o Uchiha sequestrou a própria filha. – Completou Nara. – Aumentando a suspeita de que a família é envolvida com tráfico de pessoas. Sendo assim, ele foi atrás de Karin ao descobrir que era uma policial que o investigava.

— Por que ele sequestraria o próprio filho? – Perguntou Hidan.

— Isso eu já não sei responder. – Suspirou o moreno. – O fato é que Sasuke Uchiha é o nosso principal suspeito no desaparecimento de Karin Uzumaki e no sequestro da bebê de 18 anos atrás.

— Preciso da ajuda de vocês para colocar a família inteira atrás das grades. – A Hyuuga levantou-se.

— A família inteira? – Retrucou Ino.

— Já ouvimos o nome Uchiha entre os bandidos menores ser pronunciado. Eles eram apontados como “terríveis e temíveis”, assim como Amaterasu.

— Quer dizer que a família dele é uma organização criminosa, uma máfia? – Perguntou Kakuzu, Hinata confirmou. – Amaterasu não é apenas um mito?

— Começo a acreditar que não. – Respirou fundo.

— Diga no que precisa de ajuda e nós faremos. – Ino disse confiante.

— Preciso que investiguem mais a fundo sobre todos os membros Uchiha. – Disse seriamente e todos assentiram.

Contou também sobre Izanami, o que Karin havia descoberto sobre ela e quem de fato era essa mulher. E que ficassem de olho nela também.

— Quem garante que não são irmãs gêmeas? – Questionou a Yamanaka.

— Seria coincidência demais. – Respondeu Shikamaru. – Haruno é o sobrenome de solteira de Sakura, como ela teria uma irmã gêmea com seu sobrenome de casada?

— Ainda não entendo porque Sasuke iria sequestrar a filha. – Hidan falou meio indiferente, batendo de forma ritmada o dedo sobre o braço do sofá.

— O Sasuke não. – Corrigiu a morena. – Ele era um garoto na época. – Explicou. – A família está por trás disso, com certeza.

— Madara Uchiha é um político muito conhecido e influente. – Shikamaru comentou. – Acho bom saber mais sobre este homem. Afinal, mafiosos precisam ser influentes e, se os Uchiha estão envolvidos com o crime organizado, Madara deve ter culpa no cartório.

— Não acho que Madara esteja envolvido com esse tipo de coisa. – Argumentou Kakuzu. – Um homem como ele não se arriscaria tanto.

— É melhor não descartar nenhuma hipótese. – Ino alertou. – Precisamos analisar todas as possibilidades para não haver dúvidas.

— Não há dúvidas! – Hinata falou um pouco alterada e bateu com a mão na mesa, só depois se deu conta do que havia feito então se acalmou. – Desculpe.

— Eu não estou duvidando das suas descobertas, Hyuuga. – Ino falou mais séria, fazendo a outra se sentir uma idiota.

— Mas temos que concordar que há controvérsias nessa história toda e uma delas é esse sequestro. – Hidan se manifestou.

— Eles tiveram motivos pra sequestrar a criança, com certeza tiveram. – Hinata falou convicta. – Eu não vou descansar até ver os Uchiha serem condenados por tudo que fizeram.

Estava nervosa, estava tudo bem diante de seus olhos, só precisava de mais provas. Distribuiu as missões de cada um, trabalho em equipe é essencial agora. Estava otimista, sabia que com a ajuda de Ino, Hidan e Kakuzu conseguiria colocar Sasuke e sua família mafiosa atrás das grades.

Após isso, saiu da sala acompanhada de Shikamaru, deixando Hidan, Kakuzu e Ino na sala, e perguntou sobre a segurança de sua família.

— Não se preocupe. – Sorriu o homem. – Meus oficiais estarão amanhã de manhã vigiando sua casa e familiares. Obviamente que estarão disfarçados.

— Obrigada, Shikamaru. Não sei o que faria sem sua ajuda.

O Nara sorriu de volta e disse que não queria perder mais de “sua família”, já que considerava todos de seu trabalho assim.

[...]

Após Shikamaru e Hinata saírem da sala, os outros três permaneceram, expressões pensativas estavam em seus rostos.

— O que vocês acham de tudo isso? – Hidan perguntou aos demais. – Quero dizer, não são provas, são apenas coincidências.

— A Hinata sempre resolve os casos que lhes são designados. – Ino rebateu.

— Mas ela está se metendo em algo perigoso. – O albino respondeu.

— Não é esse o nosso trabalho? – A loira ergueu uma sobrancelha.

— Nós demos sorte de ele não nos processar depois daquele mandado. – Kakuzu falou indiferente.

— Não acredito que ela esteja errada, ainda mais que o Shikamaru está ao lado dela. – A Yamanaka voltou a defender.

— Nós fomos à casa dele, não havia nada suspeito lá. O cara foi inocentado. – Kakuzu falou.

— Ele é um homem de muitas posses, se continuarmos insistindo nesse erro, ele pode derrubar até mesmo o delegado Nara. – Hidan falou.

— Se ele é mesmo o que a Hinata afirma, talvez ele saiba coisas demais. – A loira deu de ombros.

— O que quer dizer? – Hidan ergueu uma sobrancelha.

— Hinata e Shikamaru não eram as únicas pessoas que sabiam sobre o mandado de busca e prisão do Uchiha. – Apontou.

— Aonde está querendo chegar? – Kakuzu a olhou friamente.

— Dinheiro é poder, e o Uchiha o tem de sobra. Qualquer um poderia ser subornado por ele. – A loira lançou um sorriso malicioso para os dois. – Quem foi que revistou a casa do Uchiha? Será que era alguém de confiança?

— Nós revistamos, Ino! – Hidan se alterou.

— Karin o fez antes... Será que ela é mesmo uma vítima? Talvez ela esteja se escondendo da polícia. – A Yamanaka lançou a dúvida no ar.

— Por que ela iria incriminá-lo, então? – Kakuzu cruzou os braços.

— Com a melhor investigadora fora do jogo e a segunda melhor ao lado deles, os Uchiha se veriam livre da polícia. – Ela olhou seriamente para os dois. – Há também a possibilidade deles serem inocentes e a Karin apenas queira a Hinata fora de jogo por puro interesse hierárquico.

Os dois homens permaneceram calados, pensando naquelas possibilidades.

— A descrição possível dos assassinos de Kisame, Deidara e Ayame batem com o Uchiha e a filha dele. – Kakuzu pontuou.

— O legista pode estar envolvido junto com a Uzumaki para retirar o poder da Hyuuga. – Hidan reletiu. – Quanto a Madara Uchiha, o delegado Nara acha que ele pode ter culpa. Mas, diferente dos demais casos de deputados envolvidos em corrupção, o nome dele nunca foi citado em nada.

— Esse é um caso à parte, ele vive longe do restante da família. Devemos esperar o resultado das investigações sobre os Uchiha aqui em Toská antes de investigarmos uma figura pública e influente como Madara Uchiha. – Kakuzu falou.

— Sim, não podemos fazer nada precipitado. – Ino concordou.

— E o caso do sequestro da filha da Haruno? – Hidan indagou.

— Não há provas que quem a sequestrou foram os Uchiha. – A loira pôs o indicador no queixo.

— Mas a menina está com eles... É coincidência demais. – O albino continuou.

— Extorsão... – Kakuzu sugeriu.

— Quer dizer que alguém pode ter sequestrado um recém-nascido em troca do dinheiro dos Uchiha? – O albino perguntou.

— Nós precisamos investigar tudo mais a fundo pelo bem da polícia. Não sei o que a Hyuuga tem contra os Uchiha, mas ela está cega e não vê outras possibilidades. Temos que conseguir provas concretas antes de executar qualquer ação contra eles. Se a Hyuuga estiver errada novamente, todos nós corremos o risco de perdermos nossos empregos e, até mesmo, sermos presos. – Kakuzu falou.

— Ouvi umas garotas fofocando que o filho dela namorava a filha do Uchiha. Talvez ela seja paranoica. – Hidan deu de ombros. – Não está pronta para deixar o filhinho ter relacionamentos. – Sorriu.

— É possível. – Ino sorriu também. – O que importa é conseguirmos provas sobre o caso.

— E não deixarmos que a polícia caia por conta do ciúme idiota da Hyuuga. – Kakuzu falou.

— Melhor voltar para minha mesa, tenho que ligar para meu encontro de hoje à noite. – Hidan se levantou e saiu.

— Mulherengo... – Os outros dois resmungaram.

— Vou indo também, devemos começar a investigar o quanto antes. – Ino falou, levantando-se.

— Sim... – Kakuzu a seguiu.

Os três seguiam para suas mesas, prontos para começarem a procurar provas concretas no caso Uchiha.

[...]

Toská, Rússia

10 de março de 2016

03:45 P.M.

Boruto estava entretido com o celular enquanto Himawari brincava na pracinha em frente à casa dos Uzumaki. A menina havia insistido muito para o irmão levá-la para brincar, mas o rapaz preferia ficar deitado no sofá enquanto conversava com Sarada pelo WhatsApp. Entretanto, Himawari tanto insistiu que seu irmão perdeu a paciência e resolveu levá-la.

A pequena Uzumaki estava no balanço enquanto Boruto, escorado num tronco de árvore, só prestava atenção na tela do celular e nada mais.

Resolveu marcar um encontro com a namorada, mas sem entrar em maiores detalhes, pois não queria estragar a surpresa. Na verdade nem mesmo o loiro sabia pra onde ia levá-la, mas queria um encontro bem especial – que provavelmente acabaria num motel – para comemorar a volta do namoro.

Sim, ele realmente estava com segundas intenções, uma vez que também sentira falta de Sarada na cama.

Boruto pensou nas palavras de Sasuke e resolveu dar razão para o moreno, mas talvez fosse melhor que Hinata não ficasse sabendo ou aquilo geraria uma enorme confusão.

Só que, como todo e qualquer aparelho eletrônico movido a bateria, a carga do seu celular já estava acabando e logo iria desligar.

Bufou de raiva e revirou os olhos, então finalmente olhou para algo que não fosse a tela do celular e viu sua irmã subindo no escorregador.

— Himawari, vamos embora! – Chamou.

— Boruto... – Uma expressão de desânimo e um beicinho infantil surgiram no rosto da menina. – A gente acabou de chegar... Poxa vida, eu nem brinquei direito.

— Meu celular tá descarregando.

— Ora essa, Boruto... – Sentou-se no brinquedo e escorregou, quase caindo de cara no chão quando seus pés se firmaram na superfície gramada, mas a menina conseguiu se segurar e logo já estava de pé. – Pode ir, eu fico aqui brincando.

— Himawari, não... – Falou em tom de aviso.

— Irmãozão, é só atravessar a rua que eu já tô em casa. – Falou tranquilamente, deslocando-se novamente para o balanço. – Eu vou ficar bem.

Aquela rua era bem segura e jamais houve caso de assalto ou algo do tipo por lá. Pelo horário, logo as crianças das casas vizinhas também iriam brincar ali, então qual seria o problema em deixar Himawari sozinha por um tempo? Era só até o celular ter carga o suficiente para ficar alguns minutos ligado sem o perigo de apagar.

— Ok! – Assentiu rendido e a pequenina comemorou. – Mas tome cuidado. E não fale com estranhos.

— Eu sei que não se deve falar com estranhos, Boruto. – Falou ofendida e o loiro riu antes de virar as costas para entrar em sua casa.

A menina se divertiu por alguns minutos no balanço, até que avistou um ninho de passarinho num galho de uma árvore.

O galho não era tão alto e Himawari conseguiu ver nitidamente que o filhote estava querendo voar, mas obviamente que aquilo não daria certo, visto que o passarinho ainda era muito pequeno.

A garota observou tudo aflita e se aproximou da árvore, mas não tinha altura o suficiente para alcançar o galho e consequentemente impedir a queda desastrosa da pobre ave.

— Tadinho... – Uniu as sobrancelhas aflita e correu para pegar o bichinho que havia caído no chão gramado. – Machucou, passarinho?

— Trágico, não é? – Uma voz rouca falou atrás de Himawari e ela, um pouco surpresa, olhou por cima do ombro.

O homem alto e moreno estava parado atrás da menina, com roupas pretas e as mãos nos bolsos da calça.

A menina estreitou os olhos para a figura masculina atrás de si, tentando reconhecê-lo.

— Você é o pai da Sarada... – Arregalou os olhos azuis e abriu um pequeno sorriso.

— E você é irmã do Boruto... – Sasuke falou simpático e se abaixou, ficando ao lado da menina. — O que faz aqui sozinha?

— Eu estava brincando, daí vi o passarinho cair e fiquei com pena dele. – Falou com tristeza, passando a ponta de seu dedo indicador sobre a cabeça da pequena ave. – Tadinho, ele é filhotinho e caiu.

— Será que a mamãe dele está por aqui? – Indagou com o tom de voz típico de quem está conversando com uma criança.

— Acho que não. – Negou com a cabeça. – A mamãe dele não está aqui.

— Então é por isso que ele caiu... – Sasuke se levantou com um pouquinho de dificuldade por conta da lesão na perna e Himawari também se levantou logo em seguida. – Sabe, coisas muito ruins podem acontecer quando as mamães se separam dos seus filhotinhos.

— Eu percebi...

— É por isso, garotinha... – Sasuke pegou o passarinho das mãos de Himawari e colocou de volta no ninho. – Que as criancinhas não podem ficar sozinhas, porque coisas muito ruins podem acontecer.

— É sério isso, tio? – Questionou um pouco impressionada, olhando ao redor e se certificando de que ela estava totalmente sozinha com Sasuke ali.

— Sim! – Assentiu. – Por isso, pequena... – Ele deu um pequeno aperto no nariz da menina, fazendo-a rir baixinho. – Diga para a sua mamãe nunca te deixar sozinha, porque senão, pode acontecer alguma coisa ruim, como aconteceu com o passarinho.

— Vou falar sim. E também não vou mais ficar sozinha.

— Mas isso não vale só pra você. – Falou num tom de voz divertido para que nada soasse ameaçador, então Himawari lhe lançou um olhar confuso. – Vale para o seu irmão também.

— Mas o meu irmão já é grande, tio.

— Sim, mas seu irmão também é como aquele passarinho. – Abaixou-se para ficar na mesma altura que a menina e a olhou nos olhos. – Se ficar sozinho pode acabar caindo, mas nem sempre alguém está por perto para ver a queda e salvá-lo.

— Obrigada pelo conselho. – Sorridente, Himawari deu um rápido abraço no Uchiha, pensando que ele dizia aquilo por preocupação. – Agora tenho que ir, porque daqui a pouco a minha mãe vai chegar.

— Sua mãe sempre chega nesse horário em casa? – Questionou como quem não quer nada, visto que, se Himawari afirmou que a mãe estava chegando, então sabia dos horários de Hinata.

— Quase sempre. Às vezes ela demora mais, mas o horário dela é esse.

— Então você deve ir embora, pois não queremos problemas com a sua mãe.

— Aham. Tchau, tio! – Assentiu e saiu correndo em direção à sua casa.

Sasuke observou a garota até que ela entrasse em sua casa, então substituiu o sorriso doce por um malicioso.

Seu recado estava dado e obviamente que uma pessoa tão inocente quanto uma criança não entenderia a verdadeira mensagem por trás daquela conversa inocente.

Himawari entrou em casa e não viu seu irmão que estava no quarto, jogado em sua cama enquanto mexia no celular que estava carregando.

Resolveu tomar um banho e depois colocou uma roupa mais confortável. Estava penteando os cabelos quando ouviu o carro de sua mãe entrar na garagem, então largou a escova sobre sua penteadeira e saiu correndo para recepcionar sua progenitora como fazia todos os dias.

— Mamãe! – A pequenina pulou nos braços de Hinata assim que a morena entrou na sala. A mais velha, por sua vez, teve um pouco de dificuldade para pegar a filha.

— Minha nossa, você está pesada. – Beijou a bochecha da filha caçula e a colocou no chão. De fato, Himawari estava começando a passar da idade de ir para o colo.

— Eu tô crescendo, mamãe.

— E também está muito cheirosa.

— Eu passei aquele hidratante que a senhora me deu.

Himawari sempre observava a mãe e acabou ficando tão vaidosa quanto ela.

Via sua progenitora usar cremes, hidratantes, maquiagem e várias outras coisas típicas do universo feminino, então acabou aprendendo.

Fazia questão de ir ao quarto da sua mãe para passar hidratante no corpo toda vez que tomava banho, até que Hinata comprou um só para ela, o que a deixou muito feliz.

Hinata foi até seu quarto e Himawari foi na cola, tagarelando algo sobre o filme que estrearia nos cinemas na próxima semana e que ela estava doida para assistir.

— Ah, mamãe! – Lembrou enquanto Hinata retirava a roupa para se enrolar numa toalha. – Eu brinquei na pracinha hoje.

— Seu irmão ficou com você?

— Mais ou menos... – Sentou-se na cama dos pais, encarando a mulher que prendia os longos cabelos escuros. – Ele voltou pra carregar o celular e eu pedi pra ficar brincando.

— Aquele desmiolado do Boruto te deixou sozinha? – Questionou indignada, levando uma mão até sua cintura.

— Mas eu não fiquei sozinha! – Tratou de se explicar e Hinata imaginou que alguma outra criança da rua também estivesse brincando lá. – Um passarinho caiu do ninho.

— Poxa vida... – Hinata se mostrou penalizada e se sentou ao lado da filha, colocando uma mecha de cabelo da garota atrás da orelha. – Mas ele se machucou muito?

— Não! – Negou com a cabeça. – Um tio muito gentil pegou o bichinho e colocou de volta no ninho. Ele me falou que é isso que acontece quando as mamães deixam os filhos sozinhos, que eles caem e que nem sempre alguém pode estar lá pra ajudar.

— Himawari... – Hinata falou num tom de voz mais sério, repreendendo a filha. – A mamãe já falou que você não pode falar com estranhos.

— Mas ele não era um estranho.

— Não? – Contorceu seu rosto em total confusão.

— Não. Era o pai da Sarada.

Os olhos perolados se arregalaram, a boca fina ficou entreaberta em total surpresa e Hinata sentiu seu coração falhar.

Definitivamente, sua família precisava de proteção da polícia, uma vez que aquela foi uma ameaça bem nítida.

— Ele falou isso? – Hinata quase se engasgou com a própria saliva, mas sempre tentando não parecer abalada.

— Sim... – Assentiu. – Ele disse que é pra senhora não se descuidar de mim e nem do meu irmão, porque se não pode acontecer alguma coisa ruim conosco como aconteceu com o passarinho.

A mulher levou sua mão direita até o peito e sua respiração ficou mais acelerada.

Isso já era um golpe baixo demais. Sasuke era capaz de tudo mesmo, até de ameaçar inocentes.

— Himawari, olha pra mim. – Segurou nos ombros da filha e, nervosa, olhou fundo nos olhos dela. – Aquele homem é muito mau.

— Mamãe, ele não parece mau... – Interrompeu a garota.

— Me escuta! – Hinata aumentou o tom de voz e Himawari ficou um pouco assustada. – Ele é como os vilões dos contos de fadas. Ele se faz de bonzinho e engana as pessoas, mas no fundo ele é pior do que todos aqueles vilões juntos.

— Ele é mais malvado do que a Rainha Má da Branca de Neve?

— Muito mais! – Assentiu. – E mais cruel do que a madrasta da Cinderela.

— Nossa! – A pequenina cobriu a boca com as mãos. – Ele é muito mau...

— Se ele falar com você novamente, não dê ouvidos. Não deixa ele se aproximar de você. E, mais importante, não fique sozinha.

Himawari apenas assentiu e Hinata, após soltar os ombros da filha, soltou um longo suspiro.

"Ele realmente está apelando", pensou.

Sim, de fato estava disposto a tudo para tirar Hinata de seu caminho, até mesmo de ameaçar ou matar – caso se fizesse necessário – inocentes. Essa não seria a primeira e nem a última vez que sangue inocente seria derramado para o bem da Amaterasu.

O alvo era Hinata, mas, a partir do momento em que a mulher se tornou uma ameaça para a máfia, toda a sua família poderia sofrer por causa disso.

Sasuke, ao fazer tal ameaça, tinha duas teorias.

Primeira: Os filhos são, para os pais, mais importes do que tudo no mundo, então Hinata se sentiria na obrigação de deixar os Uchiha em paz, pelo bem dos seus filhos. Por mais que ela tenha se mostrado uma mulher decidida e até mesmo inconsequente – a prova disso foi a pequena "invasão" que ela e outros policiais fizeram na casa dele –, a coisa muda de figura quando sentimentos estão envolvidos. No caso, ameaçar Boruto e Himawari seria uma boa estratégia para que Hinata percebesse que estava se metendo em briga de cachorro grande.

Segunda: Hinata teria certeza mais do que absoluta de que a família Uchiha é perigosa, visto que compreenderia a ameaça. Poderia querer cortar o mal pela raiz e tentar se livrar de vez daquele que ameaçou suas crias. Mas, se Hinata tem sangue frio, Sasuke tem muito mais. E se essa segunda teoria realmente fosse a certa, medidas drásticas precisariam ser tomadas e essa história toda terminaria num grande banho de sangue.

[...]

Moscou, Rússia

10 de março de 2016

04:02 P.M.

Madara estava em seu escritório, vendo algumas papeladas das reuniões da Duma Federal. Havia alguns dias que não recebia notícias de seu subordinado que estava infiltrado na polícia de Toská. A última que havia recebido era a de que Hinata possivelmente havia retornado para a polícia.

— Algo o preocupa, Madara? – Obito perguntou.

— Fugaku é um incompetente, não consegue aliados por conta própria. Ele é prepotente, acha que consegue fazer tudo sozinho. – Pensou alto.

— Ainda é sobre a polícia estar na cola do filho mais novo dele? – O mais novo suspirou.

— Nem o problema de ter uma neta ele foi capaz de resolver. Nunca aceitou ensinar ao Sasuke sobre nossa “profissão” antes dele entrar na Amaterasu. Você sabe o motivo, Obito? – Perguntou sem esperar uma resposta.

— Porque o garoto é um irresponsável? É o que ele sempre diz. – Deu de ombros.

Madara soltou um riso anasalado.

— Sasuke nunca foi irresponsável. Ele sempre foi muito inteligente. Apenas teve o azar de ser filho do Fugaku. Meu primo nunca deu muita atenção ao Sasuke, então o garoto fazia coisas para chamar a atenção dele, então se metia em problemas. Como meu primo é um medroso, achava que aquilo poderia atrair inimigos, consequentemente, atrairia a polícia também.

— Mas ele estava certo, não? – Obito franziu o cenho.

— Sim. Mas, no lugar de ensinar algo ao Sasuke, ele o manteve afastado da Amaterasu... – Madara suspirou e olhou para Obito. – Sasuke sempre mostrou muito potencial, até mais do que o Itachi. Sasuke sabe que nem tudo pode ser feito sozinho, ele sabe formar alianças, coisa que o Fugaku acha desnecessário. Meu priminho tem o pensamento medíocre de que todos devem ser subordinados a ele. – Abriu um sorriso maldoso. – Por isso ele me odeia tanto. – Ajeitou-se na cadeira. – Com o passar do tempo, Fugaku passou a ter medo do Sasuke, por causa do ódio que o mesmo compartilham. Ele teme que o Sasuke veja alguma abertura para mata-lo e tomar seu poder.

— Seria bem a cara do Sasuke fazer isso. – O mais novo riu.

— Fugaku vê na filha do Sasuke um álibi. Enquanto ele a tiver em mãos, o Sasuke nunca fará mal a ele. Então ele a usa para fazer trabalhos que nenhum Uchiha deveria fazer: Entregas. – Suspirou novamente. – Ele a põe em perigo desnecessário. Ela é apenas uma forma de Fugaku contrariar o Sasuke. Ele a coloca contra o próprio pai apenas para proteger a si mesmo. Culpa o Sasuke pelos erros dela. Faz de tudo para diminuir o Sasuke, para que nunca pense que está acima dele.

— E agora está colhendo o que plantou. A polícia está na cola da Amaterasu. – Sorriu de canto.

— E ele culpa o caçula. – Riu em escárnio. – Adoraria que o Sasuke tomasse o poder, ele não cometeria estes mesmos erros. Não mandaria ninguém matar sem necessidade, como Fugaku obrigou Sarada a fazer com aquele integrante da Samehada.

— Acha que o Sasuke é capaz de enfrentar o Fugaku? – Ergueu uma sobrancelha.

— Para um pai e uma mãe de verdade, não há nada mais precioso que seus filhos. Fugaku mexeu com Sarada. Acredito que o Sasuke é sim capaz até mesmo de ma... – Foi interrompido pelo toque do telefone sobre a mesa. Suspirou ao ver o nome de seu subordinado no identificador de chamadas. Colocou o fone em seu ouvido. – Alguma notícia?

— Tenho informações valiosas da polícia sobre o caso Uchiha. – A voz soou séria do outro lado da linha.

— Estou ouvindo...