Amaterasu
12 Capítulo 11
Notas iniciais
Toská, Rússia
29 de fevereiro de 2016
13:43 P.M.
Naquele dia, Sarada se sentia entediada, então resolveu ir até o campus da Universidade de Toská para buscar seu namorado. Ele estava livre pelo resto da tarde e iria chamá-lo ao cinema para ver qualquer filme.
Quando chegou à sala viu Sasuke encarando o pulso com raiva. Revirou os olhos.
— Sério, como conseguiu fazer isso com seu próprio pulso? – Debochou.
O mais velho ergueu o olhar e ergueu uma sobrancelha.
— Não importa. – Observou melhor a filha, vendo que a mesma segurava a chave do carro. – Aonde vai?
— Não importa. – Sorriu e se virou para sair.
Sasuke franziu o cenho, mas se acalmou, lembrando de seu objetivo de se acertar com a filha.
— Tome cuidado.
A mais nova virou a cabeça em choque. Se no dia anterior ele perguntara quem era e o que fez com Sarada, foi a sua vez de se perguntar o mesmo em relação a ele.
Mas balançou a cabeça, achando que tinha ouvido errado.
— O que? – Perguntou.
Sasuke a encarou novamente.
— Tome cuidado. – Repetiu.
— Ok...
A Uchiha saiu de casa com um sorriso nos lábios. Não brigou com seu pai por sair e ele ainda demonstrou preocupação.
Entrou em seu Jaguar e partiu em busca de Boruto.
O campus era um lugar bonito, principalmente na primavera, com os campos floridos. O inverno estava chegando ao fim, mas, apesar de terem começado a derreter, os tapetes de neve ainda cobriam os gramados do local.
Estacionou em frente ao prédio que Boruto estava e o viu saindo com seus amigos, Mitsuki e Shikadai. Não conhecia bem os dois, mas sabia que Shikadai era filho do delegado Nara, chefe da mãe de Boruto.
Saiu do carro e se arrependeu um pouco por deixar o aquecedor, mesmo que fosse apenas por alguns segundos. Acenou para o loiro e estranhou um pouco sua reação.
Ele não sorriu abertamente como sempre fazia, sem falar que desde o dia anterior ele estava a respondendo com mensagens curtas e menos empolgadas. Estava estranho.
Viu o Uzumaki se despedir dos amigos e andar em sua direção.
Sarada sorriu e deu um selinho nele, que foi correspondido, mas, ainda assim, não foi como sempre.
— Que tal irmos ao cinema? – Perguntou.
— Pode ser. – Ele sorriu forçadamente.
— Vamos lá, então.
Os dois entraram no carro. Sarada foi dirigindo. Colocou músicas que Boruto gostava, como sempre fazia. Mas o loiro estava distraído, olhando a rua passar pela janela. O silêncio estava a incomodando. Sabia que havia algo de errado com ele.
— O que houve? Por que está... triste? – O olhou receosa quando parou em um sinal.
— Discuti com minha mãe ontem... – Respondeu distante.
— Nossa... Ela sempre é tão gentil. O que aconteceu?
— Não tô a fim de falar sobre isso. – Ele lançou um sorriso entristecido para ela.
— Tudo bem... Sabe que pode contar comigo para o que precisar. – Falou tentando confortar o namorado.
— Obrigado.
O caminho até o shopping foi silencioso. Sarada estava preocupada com Boruto, ele nunca agia daquele jeito. Não era a primeira vez que ele discutia com a mãe ou o pai.
Haviam acabado de sair do carro quando o loiro segurou sua mão.
— Por que você não faz faculdade também? – Ele olhou em seus olhos.
— Já falamos sobre isso. Eu estou aprendendo os negócios da minha família. – Respondeu estranhando a atitude dele.
— Mas... – Ele abaixou a cabeça. – Você sequer gosta de seu pai.
— Eu já disse que gosto dele, só que... Eu tenho mágoa por ele não ter estado presente.
— Está fazendo isso por vontade dele? Você não queria ser médica e salvar vidas? – Boruto elevou a voz.
Algumas pessoas que passavam no estacionamento olharam para os dois.
— Boruto, por favor, aqui não. Eu já falei sobre isso. Eu estou fazendo porque quero. – Ela falou calmamente, não queria brigar com o loiro.
— Não achei que ligasse tanto para o dinheiro. – Ele a olhou com raiva.
Sarada arregalou os olhos.
— O-o que? Mas eu não... – A morena abaixou o olhar. Qual era o motivo para aquelas perguntas? – Não me diga que é isso que sua mãe pensa de mim. É por isso que está agindo estranho?
— Não estou agindo estranho. Você que sempre agiu assim. Não culpe minha mãe por eu querer me afastar de uma garota fútil e mentirosa.
— Afastar? – A Uchiha finalmente notou no que aquilo ia dar. – Boruto... O que você... Eu não me importo com dinheiro, eu...
— Você não se importa com os outros. – Falou emburrado.
Havia brigado com sua mãe para proteger Sarada, mas não conseguia tirar da mente o que ela falou sobre ela e o pai. Lembrava-se do dia em que começaram a namorar, quando a morena afugentou aquele ladrão armado. Ela sequer ficara com medo naquele dia.
Sua mãe adorava a menina. Mas, desde que começara a investigar as mortes que ocorreram há poucas semanas, ela passara a agir estranho com os Uchiha. Por fim ela falou aquilo.
— Eu me importo com você, Boruto. – Sarada segurou suas mãos.
Ele olhou para a pulseira que havia dado de presente no aniversário dela de dezessete anos, ela nunca a tirou do pulso, assim como o colar com o símbolo da família que Sasuke deu a ela no mesmo dia.
— Você mente sobre si mesma. Não posso mais... Não posso namorar alguém assim. – Ele se livrou das mãos dela. – Se cuide, Sarada.
Ele abaixou a cabeça e se afastou pelo estacionamento, indo para o ponto de táxi.
Sarada se encostou no carro, olhando para o vazio. As lágrimas que sequer percebera que estava segurando, finalmente rolaram por seu rosto. Não conseguia acreditar, até sábado tudo estava bem entre eles. Do nada tudo desmoronou.
Será que ele sabia que ela era criminosa? Balançou a cabeça, não tinha como ele saber.
Entrou novamente no carro, ainda chorando. Queria conversar com alguém, mas não tinha amigos próximos e seu pai não era uma pessoa muito sensível. Deu a partida, desabafaria com sua avó.
Saiu do estacionamento e começou a dirigir. Colocou músicas para animá-la um pouco, o que não foi muito efetivo. As lágrimas dificultavam um pouco durante a condução e, vez ou outra, passava a mão para enxugar o rosto.
Ironicamente, a música Here Without You da banda 3 Doors Down começou a tocar. Sarada socou o painel como se aquilo fosse tirar aquela música ou acabar seu sofrimento. Passou as músicas com paciência desta vez, até chegar em Rock You Like a Hurricane, sua música favorita.
Passou as mãos novamente no rosto, praguejando em murmúrios. Fazendo isso, acabou por tirar um pouco a atenção do trânsito e não viu quando um carro entrou de vez no cruzamento em sua frente.
Como estava indo em alta velocidade, ao pisar fundo no freio perdeu o controle do carro, puxando-o o máximo possível para a direita para desviar do carro em sua frente. Acabou por subir o acostamento e bater a lateral do carro em um poste. Os airbags acionaram.
Estava em choque, mas não estava ferida, nada aconteceu a ela, apenas amassou e arranhou a lateral direita do carro e arrancou o retrovisor, seu lado estava intacto.
Saiu do carro para respirar melhor e viu as pessoas se aglomerando ao seu redor. Alguns já estavam com o celular na mão, prontos para fotografarem o ocorrido. Outros mostravam decepção por não ter acontecido nada de mais. Ela franziu o cenho.
“Sádicos”, pensou olhando as pessoas ao redor.
Olhou para o seu carro, avaliando os estragos.
— Merda. – Praguejou.
Ainda estava ofegante.
— Sarada?
A Uchiha se virou para a dona da voz que já lhe era familiar. Mais uma vez se encontrara com Izanami.
A mulher de cabelos rosa a abraçou, não muito forte, e depois a olhou de cima a baixo, inspecionando seu corpo.
— Você está bem? Não se machucou? O que aconteceu?
Foi bombardeada pelas perguntas da mais velha. Corou um pouco, pois as pessoas ainda olhavam para ela e Izanami não estava sendo muito discreta. Sarada encarou os olhos verdes preocupados da rosada e mais uma vez se pegou pensando em ter uma mãe como ela.
— Estou bem. – Forçou um sorriso, tentando demonstrar que realmente estava bem, mas não conseguia disfarçar que estava destruída.
A Haruno, pela primeira vez, estava vendo Sarada como sua filha de fato... Era até estranho vê-la com outros olhos e sabia que não poderia simplesmente contar toda a verdade de uma vez para a adolescente.
Primeiro ela deveria conquistar a menina, isso sem falar na sua pequena vingança contra o pai dela, depois disso tudo pode acontecer.
— Não. – Ela olhou nos olhos entristecidos de Sarada. – Você não está bem, eu percebo isso.
Não conseguindo mais se fazer de forte, a morena começou a chorar, o que foi como uma facada no coração de Sakura.
— Izanami. – Aos prantos, Sarada abraçou forte a mulher e teve seu gesto retribuído.
— Sarada, se acalma. – Passou a mão pelos lisos cabelos da garota.
Algumas pessoas olhavam curiosas para as duas, mas a grande maioria dos curiosos já havia ido embora ao ver que nada tinha acontecido a quem dirigia o carro.
— Eu não quero me acalmar! – Exclamou alterada a adolescente, ainda abraçada com sua progenitora.
— Você quer me contar o que aconteceu?
— O Boruto terminou comigo... – Suspirou. – Meu namorado. Quer dizer, agora é ex-namorado.
— Mas por que ele terminou com você?
Sarada ficou insegura por um instante.
Por que exatamente Boruto terminou com ela? O loiro não teria como saber que ela é uma criminosa. Hinata, que sempre adorou a namorada do filho, provavelmente colocou minhocas na cabeça do garoto sem motivo algum... Bem, na cabeça de Sarada não havia motivo algum para isso.
Teria outra garota no jogo? Não... Boruto era louco por Sarada e não a trocaria assim.
As palavras do Uzumaki realmente a machucaram e ainda não haviam saído de sua mente.
Fútil... Egoísta... Desde quando ele pensava isso da própria namorada?
— Parece que ele estava de saco cheio do nosso namoro. – Bufou, limpando as lágrimas por baixo dos óculos.
— Sarada, eu sei que dói. – Por um momento, Izanami lhe pareceu mais compreensiva do que Mikoto. – Mas você é nova. No início parece que o chão se abriu, mas, por maior que seja a ferida, ela sempre fecha...
A rosada suspirou e fitou o rosto da filha.
Pensava que jamais fosse sorrir novamente após o sequestro de Haruka, agora conhecida como Sarada, mas não importa o que aconteça, a vida segue... As feridas, por mais profundas que sejam, fecham... Só que, por mais que fechem, algumas deixam cicatrizes para o resto da vida.
Era exatamente isso que Sakura tinha, uma ferida enorme e profunda que demorou para fechar e, quando fechou, deixou uma cicatriz... Sasuke, mesmo após dezoito anos, nunca foi perdoado por ela. E agora, Sakura tinha um motivo ainda maior para odiar o moreno. Claro que ela não fazia ideia de que Sasuke, que era um garoto na época, não teve culpa de absolutamente nada.
— Querida, vamos sair daqui. – Sakura chamou, fazendo Sarada estranhar por um instante. Por que Izanami a chamaria de "querida"? Bem, ela não sabia a resposta, mas também não estava ligando pra isso e não iria perguntar. – Não é legal ficar no meio da rua... Eu te levo pra casa no meu carro e depois você manda alguém vir buscar o seu.
Ainda triste, Sarada assentiu e entrou no carro da rosada.
Sakura, que já tinha chorado muito desde a descoberta de que sua filha está viva, já havia se preparado psicologicamente para reencontrá-la. Não era fácil agir com indiferença, mas era preciso, mesmo se sua intenção fosse contar naquele momento. Sem falar que, provavelmente, Sarada não acreditaria.
Também vale ressaltar que Sarada com certeza não sabia que havia sido sequestrada logo após o seu nascimento, então é claro que Sasuke inventou alguma história para justificar a ausência de sua figura materna. Sakura não poderia descartar a hipótese de que Sarada poderia achar que a mãe biológica está morta, ou a abandonou... Enfim, a rosada criou várias teorias com relação a isso e poderia ser odiada pela própria filha caso jogasse a verdade toda de uma vez na cabeça dela.
— Eu gosto muito dele. – Fungou. – Ele não tem motivos pra fazer isso... Não tem!
— Muitas coisas acontecem em nossas vidas sem explicação alguma. – Explicou a mulher enquanto dirigia rumo à casa de Sasuke. – Infelizmente cabe a nós aprender a lidar com o que o destino reservou. Por mais que seja doloroso, precisamos aprender a conviver com muitas coisas que nos desagradam... Com o tempo, nos acostumamos.
— Eu não quero me acostumar com isso. – Choramingou a Uchiha teimosa. – Eu quero o Boruto...
— Sarada, não fique assim. – A Haruno falou, vendo Sarada triste e com a cabeça escorada no vidro do carro.
— Como não? – Perguntou retoricamente. – Acabei de terminar um relacionamento de dois anos.
— Anime-se. Você é nova, bonita, inteligente... Logo encontrará outra pessoa que lhe fará feliz. – A mulher tentou animar a Uchiha, mas a garota não demonstrava expressão alguma. – Não é o fim do mundo.
— Você tem razão. – Sarada olhou para Izanami, enxugou as lágrimas que ainda caíam e demonstrou-se forte. – Se ele não me quer mais, o que eu posso fazer? Chorar não vai resolver nada.
— É assim que se fala. – Ela esboçou um largo sorriso ao ver que suas palavras confortaram a morena. – Evite pensar nisso e bola pra frente.
— Tem razão. Bola pra frente.
— Não fique triste, Sarada. – O carro foi estacionado em frente à casa de Sasuke, então Sakura tirou um papel e uma caneta de sua bolsa para anotar seu número. – Me liga se precisar conversar.
— Você estaria disposta a ouvir minhas besteiras? – Indagou insegura, temendo que Izanami estivesse fazendo aquilo só por fazer e que poderia acabar incomodando a mulher.
— Não é besteira. – Riu. – Pode me ligar se precisar de qualquer coisa.
Sarada achava estranha essa preocupação repentina de Izanami, mas precisava admitir que gostava disso.
— Tudo bem. – Assentiu e colocou o papel no bolso.
Logo em seguida a jovem abraçou a rosada, deixando-a surpresa com o ato. Sakura sorriu e retribuiu o gesto, Sarada era sua filha e ela queria se aproximar da menina de qualquer forma.
— Tchau, Izanami. – Se despediu, saindo do carro.
— Tchau... – Sakura apoiou a cabeça no volante enquanto observava a Uchiha entrar em casa. – Minha filha...
Ela entrou em casa ainda meio atordoada, embora já se sentisse melhor após sua curta conversa com a puta chique de seu pai.
Foi até a cozinha para beber um pouco de água e acabou encontrando com a última pessoa que gostaria de encontrar: Sasuke.
Se bem que o moreno, mais cedo, parecia estar diferente e preocupado. Sasuke se mostrou preocupado com Sarada, Izanami também... Bem, talvez os dois tenham sido mordidos pelo mesmo bicho afinal de contas.
— O que aconteceu com você? – Sasuke indagou preocupado assim que percebeu a cara de choro da filha.
Ele estava preparando um sanduíche quando a menina entrou na cozinha como um furacão, com o rosto vermelho e os olhos inchados.
— Nada. – Falou indiferente, tirando uma jarra de água da geladeira. – Não precisa se preocupar.
Sarada deixou a jarra sobre a mesa, logo em seguida foi pegar um copo.
Sasuke percebeu que algo havia acontecido, não dava pra negar.
A última vez que vira sua filha com cara de choro foi quando ela ainda era criança. E para variar a culpa havia sido dele.
— Brigou com o Boruto?
Sarada arregalou os olhos, fitando o pai. Tentou ser forte, mas sentia as lágrimas caírem e não conseguiu lutar contra isso.
— Ele terminou comigo... – Falou baixinho, quase que como um sussurro.
— O quê? – Questionou preocupado o Uchiha, visto que Sarada estava realmente chorando. – Sarada, o que aconteceu?
— Ele terminou comigo! – Berrou. – Entendeu agora? Merda!
Ela havia se alterado por um momento, tanto que quase derrubou a jarra com água no chão.
O homem não sabia o que fazer. Nunca soube lidar com a filha, muito menos em seus momentos de tristeza.
Se já não sabia confortá-la na infância após a morte de um bichinho de estimação, saberia confortá-la na adolescência após um término de namoro?
Sasuke não se sentia preparado para isso.
— Eu sinto muito. – Embora não estivesse gostando de ver sua filha triste, Sasuke estava pra lá de satisfeito com a situação. – Mas é até bom. O Boruto não era pra você.
— Ah, e você com certeza está feliz com isso, não é? – Perguntou. Sua raiva era quase palpável. – Nunca gostou do Boruto.
— Eu não gostava dele, mas, independentemente disso, quem namorava com ele era você. – Sasuke respondeu calmo, sem se alterar. – Se esse namoro não deu certo, então é porque não era pra ser. Logo você supera isso.
A morena respirou fundo. Colocou um pouco de água no copo e em seguida tomou todo o líquido transparente.
Ainda estava nervosa, mas tentava se acalmar.
Colocou o copo vazio sobre a pia e depois devolveu a jarra de água para a geladeira.
Parou de frente para a mesa de vidro, fitando seu progenitor que estava sentado numa cadeira, olhando para Sarada como se esperasse algum tipo de resposta.
— Ele me disse coisas horríveis. – Não sabia por que estava contando isso para Sasuke, mas seu orgulho não era o que prevalecia naquele momento. – Por um instante pensei que ele soubesse sobre meu envolvimento com o crime, mas não tem como... – Ela balançou a cabeça em sinal negativo. – Acho que tô delirando.
Então Hinata havia conversado com o filho sobre os Uchiha. Sasuke não sabia se isso era bom ou ruim, mas, pelo menos Boruto estava longe de Sarada.
— E ele sabe?
— Não, claro que não. – Respondeu convicta. – Eu tive essa impressão... – Suspirou. – A mãe dele vinha me tratando diferente. Acho que ela colocou alguma coisa na cabeça dele... Cacete, por que ele discute com a mãe e vem descontar em mim?
Muito provavelmente Boruto jogaria tudo na cara de Sarada se realmente soubesse do envolvimento dela e do pai com o crime, então ele não era considerado uma ameaça. Já Hinata, bem, essa já estava com seu destino traçado... Não somente ela, afinal, Sasuke estava bolando seu plano e precisaria de uma "isca".
— Sarada, a mãe do Boruto é policial. – Ele falou seriamente. – Esse seu namoro não era nada bom, nem pra você e nem pra nossa família.
— Eu não sou tapada como você! – Vociferou.
Sasuke revirou os olhos, afinal, nem passava pela cabeça de Sarada que tudo isso começou após a morte de Kisame. Mas é claro que seu pai também contribuiu com a morte de Deidara.
Enfim, os dois tinham culpa.
— Tanto faz. – Deu de ombros. – O fato é que não dá pra ficar chorando sobre o leite derramado. Você não precisa ficar se lamentando por causa daquele garoto, logo você encontra alguém melhor do que ele e esquece essa história toda.
— Você é um excelente conselheiro. – Ironizou. – Obrigada pela parte que me toca.
— Você vai ver que eu tenho razão. – Ele olhou para o pulso da filha, onde ainda estava a pulseira que ela tanto gostava e que havia sido presente do namorado. – Ficar olhando para os presentes que ele te deu não vai te ajudar a melhorar.
— Não vou radicalizar. – Ela passou o dedão por cima da pulseira, fitando seus detalhes. – Eu gosto dessa pulseira.
— Garotinhas... – Suspirou pesadamente, balançando a cabeça em sinal negativo. – Daqui a alguns anos você olhará para trás e achará graça dessa história toda.
— Eu vou pro meu quarto.
Emburrada, Sarada virou as costas e foi direto para seu quarto, deixando Sasuke sozinho.
Ela sentia que ele estava diferente por algum motivo, mas por quê? Por que Sasuke, após tanto tempo, demonstraria que realmente se importa?
Será que ele finalmente estaria amadurecendo, mudando pra melhor?
A menina se deitou na cama e, por mais abalada que estivesse por conta do fim do namoro, sorriu.
Por algum motivo pensou em Izanami, não sabia por que estava se apegando tanto com uma prostituta.
Cogitou a hipótese de Sasuke realmente ficar com ela, afinal, do ponto de vista de Sarada, não seria uma má ideia ter a rosada como madrasta.
Mas Sasuke nunca teve um único relacionamento sério, apenas rolos com peguetes e prostitutas. Izanami era paga para fazer sexo com ele, então a ideia que misteriosamente passou pela cabeça de Sarada como um mero delírio não teria como ser consumada... Teria?
[...]
Toská, Rússia
29 de fevereiro de 2016
15:21 P.M.
Boruto chegou em casa cabisbaixo por ter terminado com a namorada. Sabia que era a coisa certa a se fazer, afinal, mães não mentem.
Caminhava a passos lentos em direção à sala de estar enquanto retirava seus sapatos e os jogava em qualquer lugar, não estava preocupado com organização.
Estava tão distraído em seus pensamentos que nem notou a presença de Hinata que estava sentada no sofá.
— O que eu falei sobre jogar suas coisas no chão da sala? – Suspirou a mulher em tom amigável.
— Mãe? – Embora estivesse surpreso, sua voz parecia o oposto. – O que está fazendo em casa?
— Tirei o dia de folga. – Deu de ombros. – Venha. – Deu umas batidinhas no sofá indicando para que ele se sentasse.
Sem pensar duas vezes, Boruto se assentou ao lado da mulher e descansou sua cabeça em suas pernas. A morena começou a afagar a cabeça do filho.
— Seu cabelo está grande... – Comentou risonha.
— Corta pra mim?
— Claro. – Sorriu animada. Há tempos o menino não fazia este pedido. – Boruto, por que está triste?
— Terminei com a Sarada. – Sua voz ficou trêmula por um instante.
Hinata sorriu involuntariamente. No fim, seu filho deu ouvidos a ela. Se sentia mais tranquila por causa disso. Mas logo em seguida se arrependeu. Percebeu que Boruto chorava. Se sentiu péssima por sorrir com esta notícia.
— Eu não queria ter feito isto, nem ter dito nada daquilo... – Fungou. – Mas eu não sabia em quem acreditava! Em você, ou nela... Estou perdido.
A mulher permaneceu em silêncio. Naquele momento, só queria escutar as palavras do loiro.
— "Assassina"? – Murmurou. – Não consigo nem imaginar a Sarada assim, mãe. – O menino chorava muito. – Eu nem sei mais quem é a verdadeira Sarada. Depois do que você contou, eu percebi que não sabia de nada. Eu nunca soube.
Hinata puxou o rapaz para um abraço, não muito forte, mas o suficiente para Boruto desabar em lágrimas.
— Sinto muito, meu filho. – Beijou sua testa. – Eu com certeza pressionei você e lhe pedi algo totalmente insensível. Mas entenda que eu nunca faço nada para prejudicar nem você, nem a Himawari. É melhor que você chore agora com boas lembranças do seu relacionamento, do que depois com arrependimentos.
— Fácil falar... – Resmungou.
— Quantos anos você acha que eu tenho? – O afastou brincalhona. – Já tive sua idade, sabia? Eu não namorei só o seu pai.
— O que isso tem a ver? – Enxugou o rosto, curioso.
— Já sofri decepção amorosa. É horrível, sei disso. Mas nada que eu não pude superar. – Apertou o nariz do loiro. – E você é um rapaz bonito, inteligente, forte... – Fez cócegas no rapaz lhe arrancando umas risadas. – Vai arranjar uma pessoa melhor.
— Eu não sei... – Disse inseguro.
— Eu sei. – Riu. – Eu sei de tudo, Boruto. Sou sua mãe.
O Uzumaki riu e recebeu um beijo na bochecha. A Hyuuga se levantou e puxou o rapaz consigo.
— Agora vá lavar esta cara, não quero te ver chorando. Vamos ao parque. – Deu uma piscada.
— Mãe, não tô com ânimo... – Suspirou.
— Ora, vamos! – Sorriu. – Ou você prefere ficar em casa escutando música depressiva, comendo pipoca com brigadeiro e assistindo aqueles filmes de romance bem melosos?
— Parece interessante...
— Não! – Protestou fazendo o menino rir. – Vamos, vai se divertir bastante. Himawari quer muito passear com a gente.
Ainda receoso, Boruto encarou o olhar da mãe. Ela sempre o convencia e desta vez não seria diferente.
— Tudo bem, eu vou. – Cedeu com um sorriso. – Mas com uma condição. Que me conte o verdadeiro motivo de você ter faltado o serviço.
Boruto sabia que a mãe adorava o trabalho, nunca faltou nem mesmo quando estava com febre, sempre se dedicando. Por que de repente ela decidiu "tirar uma folga"?
— Eu fui afastada. – Suspirou, ainda estava chateada. – Não consegui provar um caso.
O loiro abraçou a mulher, embora dissesse "eu sinto muito", Boruto sorria largamente com a notícia. Se sua mãe estava afastada, significa que ficaria um tempo em casa, certo? Passaria mais tempo com ela, algo que não faziam há muito.
— Vou chamar minha irmã. – Despejou um beijo na testa da morena.
Ainda estava chateado, mas sua mãe sempre soube como levantar sua autoestima. Não seria fácil superar o término, mas se dedicaria bastante para isto.
[...]
Toská, Rússia
01 de março de 2016
11:30 P.M.
A mulher já estava com tudo pronto. Estava nervosa, mas precisava ter coragem, afinal, esperou por esse momento durante anos.
Ligou para Sasuke e o moreno logo atendeu, dizendo que estava no Izanagi, então a rosada disse que o encontraria lá.
Calçou um par de botas e pegou sua bolsa preta, onde havia guardado coisas as quais logo daria utilidade, principalmente sua Colt P1841.
Entrou no Casino da família Uchiha e logo viu o moreno parado perto do balcão enquanto tomava um copo de whisky. Um sorriso de canto brotou nos lábios de Sasuke assim que ele percebeu a aproximação da rosada.
Fazia dias que não tinha um encontro com ela e até sentiu falta de suas noites.
— Pensei que tinha esquecido de mim, Sasuke... – Falou com a voz manhosa, logo em seguida deu um selinho nos lábios do moreno.
— Nunca... – Sorriu sacana. – Uma mulher como você não se esquece tão fácil, Izanami.
— Hum... Que bom. – Sorriu de canto a rosada, exalando segundas intenções. – Por que não vamos para um lugar mais reservado?
— Era exatamente isso que eu ia propor. – O homem colocou o copo vazio de volta no balcão e saiu com Izanami rumo ao quarto onde fizeram sexo pela primeira vez no Izanagi.
Sakura estava um pouco trêmula, mas certa do que estava fazendo... Se ela pretendia matá-lo? Não, ela não seria baixa a ponto de assassinar alguém. Tinha planos mais divertidos para aquela noite especial.
Adentraram o quarto e a porta foi trancada. A Haruno se certificou de que não havia câmeras no lugar, tampouco havia gente por lá... Apenas os dois naquele quarto com paredes à prova de som.
Perfeito!
O Uchiha a beijou, daquela forma intensa que somente ele sabe, então Sakura colocou a bolsa no chão e entrelaçou os braços no pescoço do moreno. Ele dava leves mordidas durante o beijo e eles foram andando rapidamente até a cama, onde ele a jogou. Literalmente.
Ficou por cima da mulher, que inverteu as posições quando os beijos quentes deram uma brecha, então sorriu de forma maliciosa e levantou.
Sasuke foi desabotoando sua camisa branca enquanto a mulher abaixava o zíper do vestido longo, ficando apenas de calcinha, sutiã e o par de botas.
Mais do que depressa, Sakura tratou de tirar a calça que Sasuke vestia e logo retirou sua cueca boxer preta, deixando-o completamente nu.
— Pra que essa pressa toda? – Indagou o homem que ainda não estava totalmente excitado, visto que as preliminares foram rápidas até demais.
— Tenho uma surpresa para você. – Sorriu abertamente, caminhando até sua bolsa que estava jogada no chão.
Abriu a bolsa e retirou algumas algemas. Sasuke mordeu o lábio inferior ao ver os objetos eróticos e se animou com a fantasia.
Ele se deitou sobre a cama, onde a mulher prendeu suas mãos e seus pés... Muito bem presos, por sinal.
— Hum... Agora você vai fazer o que quiser comigo? – O desejo de Sasuke era quase palpável, ele realmente estava interessado no fetiche da rosada.
— Você não perde por esperar. – Respondeu com uma voz pra lá de sensual.
Ela subiu na cama, deixando uma perna de cada lado do corpo do Uchiha, então deu início a uma dança sexy que rapidamente o excitou.
Dava alguns beijos delicados em sua barriga e passava a mão delicadamente pelo seu membro já ereto... Tudo para provocá-lo e Sasuke estava adorando.
— Argh! Para com essa tortura, Izanami... – Ele revirou os olhos de prazer ao sentir as mãos femininas passarem levemente por seus testículos.
— A tortura ainda nem começou, Sasuke... – A voz risonha falando no ouvido de Sasuke fez os pelos de seu corpo se arrepiarem.
Ela se levantou da cama e caminhou sem pressa até a bolsa que havia deixado no chão, enquanto isso Sasuke a observava de costas... Ele não via a hora de arrancar aquela calcinha fio dental azul marinho.
Retirou um chicote de dentro da bolsa e subiu novamente na cama, fazendo um estalo com o objeto assim que ficou de pé sobre o Uchiha, com um pé de cada lado do corpo dele.
— Que tal você responder umas perguntinhas... Se mentir, eu te bato. – Comentou risonha.
— O que quer saber? – Mordeu o lábio inferior.
— Qual é o meu nome?
— Izanami. – Sorriu de canto e levou uma chicotada no peito.
— Resposta errada! – Com o pé, ainda calçado com a bota, o apoiou sobre o abdômen do rapaz e foi descendo até o membro do mesmo.
Sasuke a olhou desentendido. Aquele não era o nome dela?
— Então qual é o seu nome? – Riu sádico e levou outra chicotada e uma leve pressionada em seu pênis.
— Só eu pergunto. – Riu. – Vou te lembrar que, a cada resposta errada, a tortura vai aumentando.
— Isso está ficando interessante... – Comentou sorrindo de canto.
Ela desceu da cama, caminhou em direção a sua bolsa e retirou a arma com silenciador e expôs para o moreno, sorrindo como uma criança sapeca.
Sasuke arregalou os olhos por um instante, sem entender que tipo de fetiche estranho era aquele. O que Izanami fazia com uma Colt 1841?
Ela pegou apenas uma bala e colocou no tambor vazio, olhando para Sasuke da forma mais sádica possível, o que fez seu sangue gelar por uns instantes.
— Izanami, que tipo de brincadeira é essa? – Indagou preocupado.
— Izanami? – Riu, caminhando lentamente para perto da cama, observando o Uchiha nu e completamente indefeso ali. – Quem é Izanami? – Apontou a arma para ele.
— Ora essa... – Bufou, revirando os olhos. – Izanami é minha acompanhante de luxo. Aliás, eu não te pago para me prender e apontar uma arma carregada para mim!
— Eu não preciso do seu dinheiro, Sasuke. – Riu sarcástica, passando o cano da arma pelo pênis do homem. – Eu sou muito rica, sabia? Não aceitei esse emprego por dinheiro.
— Por que então? – Berrou. – Que diabos você está fazendo?
— Você é um idiota, Sasuke... – Riu, apontando a arma para o rosto de Sasuke. – Você realmente não se lembra de mim?
— Por que me lembraria de uma prostituta? – Rosnou.
— Você não se lembra... – Ela subiu na cama, aproximando seu rosto do dele como se fosse beijá-lo. – ... Da mãe da sua filha?
O coração de Sasuke bateu mais forte, estava quase saltando pela boca.
Após tantos anos, jamais imaginou que reencontraria a garota com quem teve um caso aos quatorze anos de idade.
Aquilo era surreal! Sakura Haruno estava em sua frente. Ou melhor, estava perto dele o tempo todo e ele sequer notou.
Então agora ele sabia de onde conhecia aqueles olhos verdes... Ela mudou muito, não somente os cabelos, como as feições também. Entretanto, os olhos continuavam os mesmos.
— Sakura... – Falou surpreso, então a rosada afastou seu rosto do dele e sorriu diabolicamente.
— Finalmente me reconheceu, não é? – Arqueou uma sobrancelha, voltando para o lugar onde estava antes, nos pés da cama, sempre apontando a arma para Sasuke.
— Você estava planejando isso! – Vociferou.
— Shiii... Não se altere. – Falou calmamente. – Essas paredes são à prova de som, já me certifiquei. Também não tem ninguém aqui nesse andar, então não adianta gritar, ok? Poupe suas cordas vocais. – O tom de voz de Sakura o amedrontava, Sasuke sabia que aquilo não terminaria bem e não adiantava forçar aquelas algemas, isso apenas o machucava, sem falar que seu pulso direito doía desde a briga com Fugaku. – A noite é uma criança, Sasuke. Temos muito tempo para nos divertir.
— Cachorra, me solta! – Berrou raivoso, puxando com força os braços, numa tentativa inútil de se soltar. Sentiu uma pontada de dor no pulso machucado.
— Já brincou de roleta russa, Sasuke? – Questionou naturalmente, girando o tambor da arma.
A respiração do homem parou por uns segundos. Ele já havia "brincado" disso várias vezes, inclusive já torturou pessoas assim.
Realmente o feitiço estava se voltando contra o feiticeiro.
— Você não teria coragem...
— Quer pagar pra ver? – Rebateu, apontando a arma para o membro dele. – Sasuke, que isso? – Ela fingiu decepção. – Não pensei que você fosse brochar tão rápido...
— Vadia, me tira daqui! – Berrou.
— Acho que vou trazer Viagra da próxima vez. – Brincou como se estivesse tendo uma conversa casual. – Não pensei que alguém sofresse disso aos trinta e três anos... Lamentável.
— Eu tô com uma arma apontada pro meu pau, porra! – Ele se alterou consideravelmente. – Queria que eu estivesse como?
Sakura puxou o gatilho e Sasuke virou o rosto, fechando os olhos, esperando pela dor. Mas esta não veio. A bala não saiu daquela vez.
Ele já conhecia a dor de um tiro, uma vez que estava há quinze anos na máfia e por isso sabia muito bem o que é levar um tiro. Só que ele teve sorte dessa vez e a bala não chegou a sair da arma.
— Nananina não! – Mordeu o lábio inferior, enquanto fazia um gesto negativo com os dedos. – Eu faço as perguntas e você apenas responde. Mas, se você mentir ou se recusar a responder, eu vou puxar o gatilho...
— Não faz isso... – Sasuke tentou manter a calma. – Vamos conversar de forma civilizada.
— Conversar? – Alterada, Sakura deu um tapa no rosto de Sasuke com sua mão livre. Aquilo ardeu e deixou marcada a bochecha esquerda do moreno. – Depois de dezoito anos você quer conversar?
— Sakura...
— Por que me abandonou grávida? – Rosnou entredentes, com a arma apontada para o pênis do Uchiha. – Anda, responde!
— Eu não abandonei você...
— Como não? – Ela sequer o deixou terminar de falar, então puxou o gatilho novamente.
Sasuke se preparou para sentir a dor da bala entrando em seu corpo. Sabia que suas chances de levar um tiro eram de uma em seis, duas tentativas já haviam passado.
— Eu pensava que você tinha apenas me largado, Sasuke... Tudo de ruim aconteceu comigo depois disso. Eu roubei dinheiro dos meus pais, depois que eles me abandonaram também, fui pra Holanda e virei prostituta! Ficava exposta em vitrines como uma mera mercadoria. – Sakura parecia psicótica aos olhos de Sasuke e ele começou a achar que ela realmente teria coragem de matá-lo ali. – Tive sorte de casar com um velho rico. Por amor? Não. – Riu sarcástica. – Porque ele podia me tirar daquela vida. Mas eu nunca tirei da minha cabeça a ideia de me vingar de você. Eu voltei pra Rússia quando o velho morreu. – Ela sorriu de maneira debochada. – Ele não tinha herdeiros, então deixou tudo pra mim. Te encontrar aqui em Toská não foi difícil, na verdade aconteceu quando eu menos esperava.
— Sakura... – Ele falou meio receoso, uma vez que tudo havia sido premeditado pela rosada.
— Naquela noite eu não estava aqui à toa... Estava procurando por você e achei! Você não me reconheceu e isso foi o melhor de tudo, Sasuke... – Sua expressão foi ficando mais raivosa, ela não escondia o ódio que sentia do moreno. – Mas eu não esperava que você estivesse por trás do sequestro da minha filha! – Berrou e, mais uma vez, puxou o gatilho, mas a bala não saiu.
— Eu não sabia do sequestro! – Ele tentou explicar, mas Sakura mal o deixava falar. Estava ficando desesperado. Três tentativas já se foram, suas chances de levar um tiro agora subiram.
— Não sabia? – A mulher começou a rir alto e de forma cínica. – Ela mora com você. A Sarada é minha filha, como você não sabia que ela foi sequestrada no dia em que nasceu?
— Eu juro... Eu não sabia.
— Ah, tadinho... – Fingiu estar penalizada com a situação. – Ele é uma vítima nessa história... Ele não sabia de nada.
Nesse momento o gatilho foi puxado novamente, mas dessa vez Sasuke sentiu uma dor forte na coxa direita e não conteve um grito alto.
— Porra, você é doida? – Sasuke falava com dificuldade por causa da dor que estava sentindo.
— Desculpa... – Ela arregalou os olhos verdes, como se aquilo realmente tivesse acontecido por acidente. – Meu dedo escorregou... Sorry. – Riu baixinho.
— Sakura, por favor... – Ele praticamente implorava. Os olhos fechados e a face contorcia denunciavam o quanto o moreno sentia dor. – Me escuta... Eu fui tão vítima quanto você!
— Você foi vítima? – Com raiva, ela segurou com força no rosto de Sasuke, apertando em suas bochechas. – Como você foi vítima se você esteve com a Sarada durante esses dezoito anos?
— Eu não estava com ela durante esses dezoito anos. – Sua voz saiu um pouco abafada por causa da mão de Sakura que apertava seu rosto, mas suas palavras foram compreensíveis.
— Não esteve? – Indagou desconfiada, finalmente soltando o rosto dele. – Como não?
Sasuke soltou um longo suspiro, sua perna ainda doía e ele não conseguia pensar direito. Jamais pensou que ficaria frente a frente com Sakura e até conseguia compreender os motivos dela.
Ele não podia julgá-la sem saber o que ela passou, mas, pelo visto, Sakura sofreu muito ainda muito nova e é natural que guarde mágoa de Sasuke.
Entretanto, ela o estava julgando sem saber o que aconteceu de fato. Sasuke também passou por muita coisa, embora não tenha sofrido a metade do que Sakura sofreu.
De qualquer forma, a verdade precisava ser dita.
— Naquele dia eu falei com meus pais... – Ele explicou. – Eu não te abandonei, meu pai me mandou para um colégio interno nos Estados Unidos. Eu não tive escolha, Sakura, eu era um moleque e não tinha como bater de frente com o meu pai! – Sasuke estava com a respiração acelerada, mas pelo menos a arma já não estava mais apontada para ele. – Eu tinha intenções de te procurar quando voltasse para a Rússia e, quando voltei, me surpreendi ao ver que a Sarada estava na casa dos meus pais. Eu pensei que eles tivessem te procurado e que você tivesse entregado a menina, mas depois a minha mãe me contou que meu pai havia mandado sequestrá-la.
— Quem me garante que você está falando a verdade? – Sakura ainda estava desconfiada, embora a história fizesse sentido.
— Por que eu inventaria isso? – Berrou. – Sakura, eu era um moleque na época, uma criança... Como estaria por trás de um sequestro?
Sakura abaixou o olhar.
Ela sequer havia pensado direito nisso... Sasuke era um garoto na época, obviamente que tinha que obedecer aos pais.
— Sim, você era muito novo. – Ela retomou sua postura, demonstrando superioridade. Embora estivesse começando a acreditar no pai de sua filha, mostrava-se irredutível. – Você pode não estar por trás do sequestro em si, mas como eu posso ter certeza de que você não sabia disso o tempo todo?
— Eu conheci a Sarada quando ela já tinha quase três anos de idade, pergunte para ela e terá a confirmação dessa história. – Falou impaciente, ainda fazendo caretas por causa da dor em sua coxa. – Não tenho como te provar nesse momento, mas o meu histórico escolar do ensino médio prova que eu estava nos Estados Unidos. Morei lá por três anos, aquilo era como uma prisão, eu não saía nem nas férias.
— Você não me convenceu totalmente... – Comentou, levando o dedo indicador até o queixo, olhando sadicamente para a ferida aberta na perna de Sasuke.
— Caralho, eu te procurei por muito tempo, sabia? – Rosnou entredentes. – Você tinha sumido do mapa, o que eu posso fazer? Admito que tive medo de te encarar, porque eu te devia uma explicação e você poderia não acreditar nas minhas palavras como está acontecendo agora! – Exclamou. – Eu não estou mentindo, se você não quer acreditar, foda-se, o problema é seu! Só me solta daqui, eu preciso de um hospital!
— Abaixa o tom quando falar comigo. – Apontou o revólver na testa do rapaz. – Eu tenho mais nove balas na minha bolsa e não tenho medo de usar!
O Uchiha mal prestava atenção tamanha a dor que sentia. Mas para o seu alívio, teve suas mãos soltas.
— Você é louca! – Murmurou enquanto imprensava a ferida para que parasse de sangrar. – Me leve para o hospital.
— Você não manda em mim. – Deu de ombros enquanto guardava as coisas na bolsa e voltava a se vestir.
— Você está despedida. – Bufou. – Quero você longe de mim e da Sarada!
— Como? – Ela sacou sua arma novamente e rapidamente colocou outra bala, logo em seguida apontou para ele. – Quer levar outro tiro ou só um basta?
O Uchiha segurou o pulso dela e afastou o revolver de seu rosto.
— Você apontou uma arma para mim, como quer que eu te deixe ver minha filha?
— Porque ela é minha filha também! – Rosnou de raiva. – Eu fiquei procurando por ela por muito tempo! Depois que ela foi dada como morta, não sabia mais o que fazer. E agora, quase dezenove anos depois, eu descubro que ela está viva. E com você! Não é você quem vai me impedir agora!
— Tem noção da reação que ela pode ter? Ela pode odiar nós dois! – Soltou o pulso dela, falando com mais calma. – Precisamos conversar civilizadamente. Mas me leva ao hospital primeiro.
Ainda receosa, Sakura respirou fundo e resolveu ajudar. Precisavam chegar numa conclusão. Estava trêmula, queria chorar. Toda raiva, medo, repressão acumulada durante anos estavam prestes a serem liberadas.
E Sasuke percebeu isso. Só com um olhar, ele podia dizer claramente que ela sofreu bastante depois da gravidez.
Sakura Haruno, ou melhor, Sakura Van der Bilt o levou até o hospital. A cirurgia não demorou muito, mas ele precisava ficar durante um tempo para caso de ocorrer alguma infecção.
— Merda! Olha o que você me faz! – Murmurou baixinho para a rosada enquanto se sentava no leito.
— Não me culpe por isso. – Rebateu. – Quando vamos conversar?
— Hoje não. Já me trouxe muitos problemas.
— Até quando vai me fazer esperar? Mais dezenove anos? – Disse irônica.
— O que quer de mim?
— Eu quero a minha filha! – Sua voz falhou por um instante, mas logo se recuperou.
— Fique calma, tá bom? – Suspirou. – Ela é minha filha também.
— Ah, tá bom! – Bufou. – Ela sequer te chama de pai.
O semblante do rapaz mudou na mesma hora. Sabia que a filha guardava muita mágoa dele, mas agora ele finalmente estava conseguindo se redimir de seus erros do passado. Precisava seguir em frente.
— Aliás, por que ela te chama pelo nome? – Indagou duvidosa. – Você sempre foi tão inútil assim?
— Lembra quando eu disse que a conheci somente três anos depois? – Sakura assentiu. – Bom, isso não queria dizer que ela mora comigo desde então...
— Como assim? – Franziu o cenho.
— Como eu ainda era irresponsável... – A mulher confirmou com um "ainda é", o que foi ignorado pelo Sasuke. – Eu não queria cuidar de uma criança. Esperei ela crescer, ela viveu com meus pais e aos 12 anos ela veio morar comigo.
— Você fez o quê? – Sussurrou tamanha a raiva que sentia.
— Eu ainda era um moleque...
— Você parece que nunca mais cresceu, né? – Sua mão tremia. Sua vontade era de dar um soco na face do homem a sua frente. – E ela aceitou isso?
— Obviamente que não, mas minha mãe conseguiu convencê-la.
— Fala sério, você ainda depende de seus pais? – Estava visivelmente decepcionada. – Aliás, o que você falou sobre mim para a Sarada?
— Que você a abandonou... – Falou baixo, mas audível. Virou o rosto, não queria encarar a face da mulher, que provavelmente está irada com isso.
— Como? – Soltou uma risada anasalada. – O que você disse para ela sobre mim? – Em seu tom de voz havia muito ódio. Como Sasuke não virou o rosto, desferiu um tapa forte na face do Uchiha. – Olha pra mim quando estiver falando com você!
— Ei, tenha cuidado com quem está ferido. – Reclamou.
— Dane-se você! Não poderia simplesmente ter dito que eu estava morta se não queria dizer a verdade?
— Se ela tivesse me perguntado desde o início, eu com certeza teria dito isto. – Massageou o rosto dolorido. – Mas ela perguntou aos meus pais, e eles responderam isso. Por isso que disse para que você tenha paciência. Se jogarmos a verdade na cara dela, depois de muitos anos, ela não só vai nos odiar, como também vai odiar aos meus pais.
— Eu estou pouco me lixando para seus pais. – Bufou. – Acho bom você consertar isso, faz parecer que eu sou a vilã da história.
— Como eu disse... Tenha paciência.
Sakura abaixou o olhar e respirou fundo.
— Sasuke... – Sua voz se tornou mansa. – Eu quero muito te matar.
— Obrigado pela parte que me toca. – Revirou os olhos.
— Mas se você morrer, não tenho mais motivos para ficar ao lado da Sarada como Izanami. Então eu vou lhe poupar desta vez. – O encarou seriamente. – Aceite isto como misericórdia.
O moreno suspirou e bagunçou os cabelos.
— Acha que foi fácil para mim também?
— Você estava com a Sarada todos estes anos. Eu não tinha ninguém, Sasuke, ninguém. – Murmurou abalada.
— O que aconteceu com você?
[...]
Toská, Rússia
1997
Quando ligou para a casa do Uchiha pedindo para que se encontrassem nunca imaginou o quanto seria difícil dizer palavras tão simples. Nada saía de sua boca que abria e fechava tentando encontrar um meio para proferir tal notícia. Ela mesma ainda não estava acreditando.
Era complicado, complicado demais!
— Vamos, Sakura, fale logo. Não tenho o dia todo. – Sasuke resmungou sentando-se em um banco que havia ali.
Sakura suspirou, olhando ao redor. Estavam afastados de todas as outras pessoas daquele local. Era melhor assim. Seria mais fácil para contar sem imaginar as pessoas olhando para si e julgando-a.
— Sasuke, eu... – Sentou-se ao lado do moreno, olhando para as mãos cruzadas sobre suas pernas. – Eu nunca pensei que isso fosse acontecer. – Apertou os olhos, sentindo vontade de chorar. Aquele era um assunto deveras delicado.
— Acontecer o que? – O garoto perguntou, começando a ficar impaciente.
— Eu... Eu estou grávida, Sasuke. – Falou baixinho, mas os ouvidos do Uchiha foram capazes de captar a frase.
— O que? – Franziu o cenho, achando ter ouvido errado. – Você pode repetir, por favor? – Perguntou novamente ao ver que Sakura não repetiria. – Acho que não entendi direito...
— Eu estou grávida, Sasuke! – Sakura exclamou, dessa vez olhando diretamente nos olhos negros. – E você é o pai! – Complementou não segurando mais as lágrimas.
Sasuke arregalou os olhos. Sakura não disse aquilo! Ele deveria estar imaginando coisas. Como a garota poderia estar grávida? Isso não era possível. Ou era...? Isso não podia estar acontecendo, não com ele.
Percebendo que o moreno estava desacreditado, Sakura apenas tampou o rosto com ambas as mãos e deixou que o choro saísse de uma vez. Ela estava muito preocupada. Preocupada com o que seus pais fariam e o que falariam. E o silêncio do rapaz ao seu lado não ajudava em nada.
— F-fala alguma coisa! – Exigiu olhando para Sasuke por uma brecha entre seus dedos. Estava desesperada. – Caramba, abre a boca! Me diz o que fazer! – Falou mais alto, sacudindo o moreno pelos ombros, parecendo ter o despertado de algum transe.
— Grávida? – Incrédulo, finalmente disse alguma coisa. – Como você pode estar grávida? – Perguntou, se dando conta da situação. Parecia que o mundo estava despencando em cima de sua cabeça.
— Como você acha que uma mulher fica grávida, Sasuke? – Perguntou tentando não se descontrolar, mas estava difícil. – A gente transou, esqueceu?
— Mas você não tomou nenhum remédio, sua irresponsável? – Sasuke bradou com uma expressão zangada. Simplesmente aquilo era surreal demais.
— Não venha jogar a culpa toda em cima de mim! – Sakura se defendeu. – Você deveria ter se prevenido também!
— Ai meu Deus! – O Uchiha passou as mãos no rosto, olhando para o céu. Essa notícia conseguiu o abalar.
Ambos ficaram em silêncio. Ou quase, já que ele ainda ouvia o choro da loira ao seu lado. Seu coração estava acelerado e não era de um jeito bom. Estava sufocando-o.
— Sasuke, o que... O que eu faço? Como vou... contar isso para os meus pais? – Depois de um tempo, Sakura perguntou entre soluços.
— Você não vai. – Disse de uma vez, ainda pensando em uma solução.
— C-como? – A garota perguntou, respirando fundo e levantando os óculos para poder enxugar os olhos. – Eu não vou conseguir esconder essa gravidez!
A única ideia que Sasuke pensava era o aborto. Era cruel, mas era a única saída. Ele não tinha estômago para sugerir isso, mas precisava.
— Aborta. – Falou, olhando para o nada.
— O que? – Sakura arregalou os olhos. – Abortar? Eu não posso fazer isso!
Sasuke bufou, olhando-a raivoso.
— O que você quer que eu faça então? Você não pode ter esse filho! Eu não posso ser pai! Não ainda!
— Já pensei em aborto, mas simplesmente não posso matar um ser inocente por causa de um descuido nosso!
— Você tem que abortar, Sakura! – Exclamou.
— Não, não, não, não! – Ela voltou a chorar. – Não posso e não consigo fazer isso!
— Escuta! – Sasuke segurou os ombros dela. – Você não tem escolha. E para de chorar que está me irritando! – Aumentou a voz, fazendo Sakura se encolher. Suspirou vendo o quanto ela estava desesperada e sem saber o que fazer. – Eu vou falar com os meus pais e ver o que devemos fazer. Estamos muito nervosos, precisamos pensar com calma.
— E eu? Não quero falar com os meus pais sozinha, Sasuke! O que eu faço?
— Se controla, para de ser tão irritante! – Ele gritou, levantando-se. – Quando você for falar com os seus pais, eu vou estar lá. Tranquila? – Falou com mais calma.
— Jura? – Sakura perguntou novamente, respirando fundo. Sasuke tinha razão, deveriam se acalmar primeiro para depois pensarem melhor sobre o que fazer. Mas de uma coisa ela tinha certeza, não iria abortar essa criança.
— É. Eu falo com você quando tudo estiver resolvido entre minha família. – Deu as costas, saindo de lá. Ele tentava esconder, mas a sua face mostrava o quanto ele estava abalado. Ele não esperava por isso e estava sufocado com tanta pressão. Agora ele estava com a corda no pescoço, por algo que poderia ser facilmente evitado.
Sakura observou ele ir embora. Estava um pouco mais calma, mas a aflição ainda a consumia. Voltou para casa e a partir daquele dia nunca mais teve um minuto de sossego. Sempre se sentia culpada e tinha a impressão de que todos já sabiam da verdade. O que mais lhe matava por dentro era o fato de que o moreno nunca mais havia falado com ela. Ligou diversas vezes para a casa dele, mas ele nunca estava.
A esperança estava no início das aulas. Sempre ficava procurando Sasuke pelo colégio, mas ele passou vários dias sem ir. Não podia ficar escondendo essa gravidez para sempre. Tinha que contar logo para seus pais. Essa ansiedade estava a matando. Depois de uma semana sem o Uchiha aparecer na escola, foi falar com a coordenação e teve a infeliz notícia de que ele havia sido transferido. Apenas isso foi o que falaram. Agora sim ela se via sem chão. Tudo estava sobre suas costas.
Passou mais vários dias se preparando psicologicamente para falar com os seus pais, que eram extremamente religiosos. Quando criou coragem e contou, seu coração ficou em frangalhos ao não saber responder à pergunta sobre quem era o pai. Sasuke sumiu e obviamente não queria saber do filho. Praticamente seus pais a chamaram de prostituta. Ouviu ofensas terríveis naquele dia, levou uma surra como nunca antes e foi expulsa de casa apenas com a roupa do corpo. Sem saber para onde ir e o que fazer, bateu na porta da casa de várias amigas, implorando por um abrigo. Claro que não contava que estava grávida. Ia ser muito mais trabalhoso e ninguém tinha a obrigação de cuidar dela e de seu filho bastardo.
Ninguém que procurou quis ajudá-la. Chorando e se humilhando, foi pedir abrigo em uma pousada. A dona, Tsunade, aceitou por uma condição: Sakura tinha que trabalhar. Trabalhando de faxineira na pousada, dividia o dinheiro entre pagar um quarto e a outra metade ela deixava guardado. Acabou virando muito amiga de Tsunade e recebeu muito apoio da mais velha. Mas claro, nada disso apagava ou escondia o seu presente terrível. Chorava todas as noites em seu quarto e, se não fosse pela criança que estava esperando, já teria tirado sua vida há várias luas. Nunca havia sofrido tanto em sua vida como estava sofrendo agora.
Quando finalmente deu à luz a Haruka, um mês antes do previsto em um parto complicado, tinha certeza de que nada iria piorar. Seu pensamento dizia que tudo ia ficar bem. Porém, sua filha, que rejeitava no início da gravidez, mas que aprendeu a amar, foi sequestrada e dada como morta.
Essa definitivamente foi a parte mais triste de sua história. Só uma mãe sabe como é horrível perder o filho, mesmo por alguns minutos em um supermercado. Nada foi mais destruidor do que depois de tanto sofrimento, descobrir que o motivo, pelo qual passou por tanta coisa, havia escapulido de suas mãos.
Sua filha estava morta para a polícia e ela mesma já havia cansado de procurar. Estava completamente sem esperanças. Seu coração nunca se curaria, mas a dor suavizaria se encontrasse o maldito Uchiha e fizesse ele pagar por tudo o que a fez passar. Estava determinada a isso. Mas não podia mais ficar naquela cidade cheia de seus sofrimentos, mágoas e humilhação.
Pegou o pouco dinheiro que havia juntado na pousada e, sem avisar nada até mesmo para Tsunade, foi embora. Queria sair do país mas o dinheiro era insuficiente. Só havia uma solução para isso.
Foi até a sua antiga casa e, em um momento de descuido, quando sua mãe saiu para deixar o lixo no outro lado da rua, em uma lixeira industrial que fica ao lado de uma lanchonete, aproveitou que a porta estava aberto e entrou na casa. Sua mãe não iria demorar muito. Tinha cinco minutos para fazer tudo. Pegou bastante dinheiro que estava embaixo do colchão da cama dos pais e fuçou atrás do passaporte. Conseguindo tudo, saiu pela janela.
Roubar os pais? Esse era apenas o começo de tudo.
Conseguiu uma passagem e viajou para Amsterdã. Lá acabou virando prostituta, tendo que ficar exposta nas vitrines do Red Light District para poder sobreviver.
Sofreu por muito tempo com promessas falsas e mais desilusões até que finalmente um senhor incrivelmente rico a tirou daquela vida e tomou-lhe como esposa, seu nome era Jiraiya Van der Bilt. Vivia bem onde estava, até que o marido faleceu por uma parada cardíaca e ela resolveu voltar para a Rússia. Por todos esses anos, sua vingança foi pensada com os mínimos detalhes. Sasuke Uchiha iria se arrepender do que a fez passar e ela iria rir muito. Quando ele estivesse no fundo do poço, ela iria virar as costas e ir embora assim como ele fez.
A vingança realmente é um prato que se come frio. Porque ela é incrivelmente saborosa e, se for mal pensada, machuca todos.
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