Notas iniciais
Era pra ter sido postado ontem, mas tivemos um pequeno bloqueio de criatividade para encerrar o capítulo, o que foi resolvido só agora... Foi mal aí, espero que nos perdoem. Em nossa defesa, o capítulo tá grande pra compensar hahahah

Toská, Rússia

24 de fevereiro de 2016

11:58 A.M.

Hinata fora chamada à sala de Shikamaru. Pelo burburinho que ouvira mais cedo ao chegar na delegacia, havia um novo membro, transferido de Moscou.

A primeira coisa que passou por sua cabeça foi o motivo de alguém sair da capital russa para Toská. Apesar de ser uma cidade grande, Toská não se equiparava a Moscou.

A morena bateu na porta e adentrou a sala.

— Queria falar comigo, chefe? – Perguntou.

— Entre, Hinata. – Shikamaru falou.

Se aproximou mais da mesa de seu chefe, olhando a mulher loira que estava sentada em uma das cadeiras que ficava em frente ao móvel. Agora compreendia porque o transferido causara tanto alvoroço entre seus colegas do sexo masculino. Ela era uma mulher muito bonita, alta, loira e de olhos azuis.

— Esta é Ino Yamanaka, foi transferida de Moscou para cá. Quero que a acompanhe em seus primeiros dias. – Shikamaru falou.

— Certo. – Acenou e depois virou-se para a loira. – Muito prazer, sou Hinata Hyuuga.

A Hyuuga estendeu a mão, porém foi surpreendida pelo abraço da loira.

— Muito prazer, espero nos darmos bem. – Ino respondeu.

“Uma versão feminina do Naruto como policial, ótimo...” pensou a morena.

— Ela é a responsável por investigar alguns casos de corrupção dos deputados da Duma Federal. – Shikamaru informou.

Hinata olhou surpresa para Shikamaru. Definitivamente aquela mulher não aparentava tamanha seriedade.

— Hinata... Você já ouviu falar da Amaterasu? – Seu chefe perguntou.

— Sim, já vi alguns detentos falando que são monstros. – Respondeu.

— Será que a tal Amaterasu é responsável por estes assassinatos?

A morena riu.

— Shikamaru, isto é ridículo... É apenas uma história que os bandidos contam para se safarem... E para nos assustarem também.

O Nara ficou pensativo por alguns momentos. Todas as vezes que ouvira o nome Amaterasu, os bandidos estavam assombrados, desesperados.

— Eles sempre falam que se causarem sua ira, eles serão mortos e nunca mais verão a luz, eles apodrecerão e o pânico será semeado... Isso é apenas uma crença xintoísta. – A Hyuuga revirou os olhos.

O moreno suspirou pesadamente.

— Achei que fosse apenas isso, apenas queria outra opinião. Bem, estão dispensadas.

As duas saíram juntas da sala do chefe.

— O que fez você vir até aqui? – Hinata perguntou.

— Fui enviada pelo meu chefe para investigar de perto um dos deputados suspeitos por crime contra o sistema financeiro federal. – Deu de ombros. – Então você está investigando alguns assassinatos?

— Sim, ocorreram dois em menos de 72 horas. Estamos investigando há mais de uma semana. – A Hyuuga comentou.

— Algum suspeito? – Ino perguntou.

— Infelizmente não, mas conseguimos capturar o líder de uma gangue que pode nos informar quem é o culpado. Ele está sendo interrogado.

— Boa sorte com sua investigação. Estarei à disposição se precisar. – A loira sorriu e se afastou.

Hinata era admirada por ser uma grande investigadora, mas sentiu-se diminuída diante da Yamanaka. Aquela mulher estava investigando crimes federais e aparentemente tinha bastante sucesso.

Dirigiu-se até a sala de Kabuto, o mesmo havia dito que a balística tinha notícias.

Pegou seu jaleco e adentrou a sala, vendo que o mesmo analisava o corpo de Kisame.

— Alguma notícia nova? – Perguntou retoricamente.

— A balística descobriu a possível arma do crime. Analisando as deformações deixadas no projétil e testando algumas armas, eles descobriram que, aparentemente, é uma pistola da Sig Sauer. – Kabuto informou.

— Sig Sauer, hein... Não é uma marca barata. – Hinata estreitou os olhos.

— Não há como determinar a altura do atirador, afinal, pela marca de sangue da cena do crime, o Hoshigaki estava no chão. – Kabuto colocou a mão no queixo.

— Mas o atirador era mais fraco e menor que ele, afinal teve que arrastar o corpo. – A morena apontou.

— Ainda tem o ângulo do tiro na árvore... Estava praticamente na mesma altura que a vítima. – O homem lembrou.

— Mas ele errou o tiro. Possivelmente o assassino causou um desvio na pontaria do Kisame.

— É uma possibilidade. – Concordou. – Será que nosso assassino é baixinho?

— Talvez. – Hinata riu. – Você chegou a conhecer a Yamanaka?

— Gostosa... Quero dizer, sim, eu a vi por aí. Ela está investigando crimes federais. Quem dera tê-la ao nosso lado nestes casos. Pesquisei a ficha dela, ela já resolveu alguns crimes de assassinato em Moscou. – Kabuto falou.

— Interessante. Ela disse que estaria disponível se precisássemos. – Deu de ombros. – Ela parece confiável... Não muito discreta, mas confiável. – Riu lembrando-se da comparação que fizera da Yamanaka com seu marido, Naruto. – E sobre o caso do Deidara?

— Estamos parados nele... Quase não há evidências dos assassinos em ambos os casos. A Glock 42 não foi comprada em nenhuma loja da cidade. – Kabuto informou.

— Será que o assassino está envolvido no tráfico de armas? – Hinata se espantou com a informação.

— Nossa, Hinata, essa é sua primeira suposição? – Riu o Yakushi. – Ainda há a possibilidade de ter sido comprada em outra cidade, ele pode ser de fora, pode ser militar.

— Militares não recebem esse tipo de arma...

— É verdade... Mas, há várias outras possibilidades, além do tráfico, que não deixa de ser uma possibilidade também.

— A Samehada está envolvida com o tráfico... Será que o assassino é o mesmo?

— O mesmo não, o assassino do Kisame era pequeno, enquanto o do Deidara, pelo soco em sua mandíbula, não era nada pequeno. Mas pode haver alguma ligação entre os dois. O intervalo de tempo entre os dois foi muito curto. Possivelmente o Deidara estava envolvido em tráfico de drogas, o que aproxima ainda mais ambos os casos. Dois tráficos distintos, mas, ainda assim, tráficos. E há a possibilidade do assassino do Deidara estar envolvido no tráfico de armas também, já que a arma não foi comprada na cidade. Mas pode ser apenas coincidência.

— Nós temos o Zabuza para interrogar. – Sorriu.

— Não parece que ele vai abrir o bico.

— Tudo que um homem possui ele dará por sua vida, inclusive informações.

— Acredito que ele está disposto a perder a vida...

— Não acredito que encarar o fornecedor dele seja pior do que encarar a morte. – Hinata revirou os olhos.

— Bem, estamos tentando. – Kabuto deu de ombros.

— Estou indo, prometi almoçar com o Naruto e as crianças. – Sorriu só de pensar em estar com a família.

— Até mais, Hinata. – Depois de despedir, Kabuto voltou a analisar o corpo do Hoshigaki enquanto cantarolava.

A Hyuuga estremeceu. Apesar de estar acostumada, ainda era estranho ver alguém tão animado por ter um corpo morto para analisar.

[...]

Toská, Rússia

24 de fevereiro de 2016

02:13 P.M.

Fitava a tela do celular pela milésima vez naquele dia. O homem estava realmente curioso com relação àquela ruiva com quem tivera uma noite maravilhosa.

Karin é uma mulher muito bonita e ninguém duvida disso, assim como tem personalidade e parece ser muito interessante.

Sasuke achava que seria um caso de uma noite só, tal como era sempre que alguma mulher bonita lhe dava mole na casa noturna, mas realmente ele havia pensado na ruiva o dia inteiro.

Havia anotado o número do celular dela, assim como sempre anotava o das outras para o caso de precisar. Entretanto, ao contrário das outras para quem Sasuke nunca ligava nem no dia seguinte e nem nunca mais, ele estava realmente querendo rever a ruiva.

— Me sinto um idiota por isso... – Bufou, rindo sem humor, e puxou o número de Karin nos contatos, logo em seguida ligou para a mulher.

Ela estava no trabalho e até pensou em ignorar a ligação e retornar quando chegasse em casa, mas pensou duas vezes e, com um sorriso no rosto, atendeu a ligação.

— Não pensei que fosse me ligar, Sasuke. – Disse a Uzumaki, então um sorriso de canto se formou nos lábios do moreno.

— Hum... Isso quer dizer que você salvou meu número. – Falou satisfeito, visto que tinha anotado seu número num pequeno pedaço de papel e até imaginou que ele poderia ser amassado e posteriormente jogado no fundo de alguma gaveta.

— Por que não salvaria? – Indagou retoricamente. – Afinal, alguém como você não se esquece tão facilmente. – Falou num tom de voz malicioso, imaginando o que teria levado aquele homem a ligar para ela naquele momento.

— Eu gostaria de convidá-la para jantar. – Ele foi direto ao ponto. – Quero conversar um pouco, te conhecer melhor.

A mulher sorriu satisfeita, já que jamais pensou que as coisas poderiam chegar a esse ponto.

Sasuke Uchiha estava se mostrando realmente interessado por ela e isso era ótimo, visto que assim ela poderia conquistar sua confiança mais facilmente e assim extrair informações valiosas dele.

— Proposta interessante... – Falou pensativa.

— Te pego às nove. – O Uchiha falou sem ao menos dar a chance de Karin dizer que sim ou que não. Mas é óbvio que a resposta dela seria positiva.

— Te mando meu endereço por mensagem. – Respondeu.

Sem despedidas, Sasuke desligou o celular e sorriu satisfeito antes de se levantar para ver se ainda tinha camisinhas na carteira... É claro que sua intenção não era apenas conversar com a moça, afinal, ele é Sasuke Uchiha.

Karin ficou impressionada, pois não pensou que Sasuke fosse ligar pra ela, muito menos que isso fosse acontecer tão rápido. É claro que a mulher não estava interessada no moreno, seu único objetivo era apenas investigá-lo para saber com o que exatamente ele é metido... Ma não reclamaria se o encontro terminasse na cama, óbvio, mas Karin tinha que manter os olhos abertos e não confiar em Sasuke.

[...]

Toská, Rússia

24 de fevereiro de 2016

04:27 P.M.

Quarta-feira. Dia de compras no mercado. A cozinha estava ficando sem mantimentos e não havia nada para o jantar desta noite.

Aliás, uma noite muito especial, pois Himawari foi dormir na casa dos tios Neji e Hanabi, e o Boruto sairia com a namorada. Isso deixaria seus pais a sós para tratarem de assuntos de marido e mulher.

— O que teremos para esta noite, chefe? – Hinata perguntou enquanto abraçava as costas do marido que estava virado para a estante.

— Borscht à Russa. – Respondeu enquanto pegava o tempero aneto.

— Adoro suas sopas. – Riu divertida. – Falta algum ingrediente?

— Beterraba. Pode pegar para mim?

— Claro.

Eles estavam na sessão de frutas, legumes e verduras, então ela não se distanciou muito do homem. Mas acabou se encontrando com um "colega" um tanto quanto indesejável.

— Hinata?

— Olá, Uchiha. – Respondeu tentando ser amigável, mas depois daquilo que sua cunhada lhe contou, era muito difícil.

— Como vai? – Sasuke também tentou ser amigável. – Soube que levou um tiro.

— Sim, mas não foi nada grave. – Deu de ombros.

— Cuidado, se ficar metendo o nariz onde não deve vai acabar morrendo.

— Eu sei me cuidar. – Sorriu forçadamente. – E como vai a sua relação com sua filha?

— O mesmo de sempre. – Suspirou.

— Por que não arranja uma namorada? Deve ser difícil ser pai sozinho...

— Não tenho interesse. – Deu de ombros e isto intrigou a morena. Afinal, o que Izanami era de Sasuke?

— Fiquei curiosa sobre o seu trabalho no cassino e na casa noturna... Vocês por acaso não admitem drogas lá dentro, certo?

— Somente bebidas. – Ele mentiu.

— Ah, sim... Pois nestes lugares é comum o abrigo de criminosos.

— A polícia sempre está presente nesses locais para fazer vistoria. Fique à vontade para conferir, caso não confie em minhas palavras. – Sorriu de canto, o que fez a Hyuuga travar o maxilar.

— Amor, a beterra... – Naruto se aproximou e viu ambos conversando. – Olá, Sasuke.

— Tudo bom? – Disse num gesto amigável enquanto apertava a mão do loiro. – Estava conversando com sua esposa.

— Ah, por isso ela demorou. – Riu. – Ei, que tal jantar conosco?

Hinata praticamente olhou indignada para o marido, mas tratou de disfarçar.

— Acho melhor não, Naruto. O Uchiha deve ter coisas a fazer. – É, ela realmente não queria a companhia do moreno.

— Sim, eu tenho. – O rapaz respondeu em deboche. – Preciso trabalhar ainda hoje.

— Mesmo? – O loiro suspirou chateado. – Bom, vamos deixar para outra hora. Mas está convidado a ir para o meu restaurante, faço um desconto especial.

— Obrigado.

— Legal você fazer compras... Quero dizer, você é rico e tal... — Naruto falou.

— Acha que gente rica cria comida do nada? – Sasuke ergueu uma sobrancelha.

— Não é isso, você poderia ter uma empregada para fazer isso, ou algum mordomo. – O loiro se explicou com um sorriso.

— Prefiro fazer eu mesmo. – O moreno deu de ombros.

— Não gosta de manter uma mulher perto por muito tempo? – Hinata sorriu de canto.

— Não confio nos outros. – Sasuke falou sem emoção.

— Um cara rico como você, podem tentar te roubar mesmo... — Naruto riu.

— Deveria ter seguranças... Ou considerar pedir permissão para porte de arma. – Hinata comentou como quem não quer nada, olhando as beterrabas.

Sasuke estreitou os olhos. Aquela conversa estava demorando demais em sua opinião.

— Tento não me envolver no que não é da minha conta. Prefiro ficar em locais da alta sociedade e não em bares do subúrbio. – Sasuke rebateu.

— Algumas pessoas têm que trabalhar, não é mesmo? – A morena encarou o Uchiha.

Naruto, notando o tom hostil que a conversa estava tomando, resolveu intervir.

— Ah, olha só a hora... Foi um prazer encontrar com você, Sasuke. Temos que ir, não é amor? – Abraçou a esposa.

— Claro. Até mais, Uchiha. – Hinata sorriu falsamente, colocando as beterrabas no carrinho.

O Uchiha não falou mais nada, apenas observou o casal se afastar.

No carro, após pagarem a conta e colocarem as compras no porta-malas, o Uzumaki afivelou o cinto, mas não deu partida.

— O que foi? – Indagou a mulher.

— O que foi aquilo? – Devolveu.

— "Aquilo" o quê? – Desviou o olhar.

— Você sabe muito bem do que estou falando. – Bufou. – Já estava vendo a hora de vocês se atacarem com as comidas ali perto. – A mulher riu com o senso de humor do marido. – Não vejo nada engraçado.

— Não vou com a cara dele. – Justificou.

— Mas precisava fazer este jogo de indiretas? Parecia até que você queria tirar algo dele... – Ligou o carro.

Hinata mordeu o lábio inferior. Queria contar o que descobriu sobre o Sasuke pela Karin, mas ele ficaria furioso ao saber que a irmã dele dormiu com o Uchiha e que sua esposa o estava investigando sem consultar sua opinião.

— Não vejo nada de errado nele.

— Só o fato dele ser dono de um cassino, uma casa noturna e sua filha, que o odeia, querer herdar isso, já é muito errado. – Resmungou.

— Tá certo que ele tem um emprego duvidoso, mas não significa que ele seja uma pessoa ruim. – Deu partida enquanto bagunçava os cabelos da esposa. – Você acha que ele já fez algo ilegal?

— Acho. – Murmurou, mas seu marido não escutou.

Só o fato de que no Tsukuyomi as drogas rolavam soltas, já era um crime. Mas ela não tinha nada para comprovar e pedir um mandado de prisão.

Ela tinha um plano em mente, mas tudo dependia de seu primogênito...

[...]

Toská, Rússia

02 de agosto de 2014

10:08 P.M.

Era um sábado do verão russo, mas não um sábado qualquer, era o aniversário de dezessete anos de Sarada.

Sua avó fizera um jantar apenas para a família mais cedo. Depois do jantar saiu com seu amigo, Boruto, para o cinema, onde assistiram Guardiões da Galáxia.

— Melhor filme do Universo Cinematográfico da Marvel. – O loiro comentou animado ao saírem da sala.

— Foi ótimo mesmo. – A morena sorriu. – Mas prefiro O Soldado Invernal.

— Que seja... – Boruto deu de ombros. – Quer ir a algum lugar agora?

Sarada não queria ir para casa. Seu pai não foi ao jantar de seu aniversário. Por mais que ela não quisesse mais a atenção dele, ainda se sentia triste por seu pai não comparecer. Provavelmente o encontraria em casa naquele horário e queria evitar isso a todo custo.

— Podemos caminhar um pouco por aí. Não tenho nada para fazer. – Respondeu.

Os dois foram para o Parque Central. Naquela hora da noite, não havia quase ninguém circulando. Estavam praticamente sozinhos.

Sarada estava um pouco triste por causa de Sasuke, o que não passou despercebido pelo loiro, que se tornara seu melhor amigo no decorrer do ano, desde que os dois estavam juntos na detenção.

— O que houve? – Ele perguntou.

Ela olhou surpresa para ele.

— Nada, por quê? – Mentiu

— Parece triste... – Observou. – Se anima, é seu aniversário!

— Meu pai não foi ao meu aniversário... Ele foi no último. Achei que ele havia mudado, mas acho que foi um engano ele ter ido.

— Seu pai é um idiota por não valorizar a filha que tem. Você é inteligente, bonita, engraçada. – O loiro a abraço pelos ombros. – Não fica assim. Vamos pensar positivo. Você está com o cara mais legal que vai conhecer um dia.

— Ah, é? E quem seria esse cara? – A morena olhou em volta, fingindo não entender.

— Eu, mas é claro! – Sorriu.

— Obrigada, Boruto... – Ela o abraçou.

O Uzumaki corou um pouco com a aproximação repentina. Era fato que ele considerava Sarada mais do que uma amiga.

— E-eu tenho um presente para você... – Ele afastou a morena de si.

— N-não precisava... – A Uchiha corou um pouco.

Ela também gostava do amigo, afinal de contas.

— Eu fiquei me perguntando o que dar para uma garota que tem de tudo e...

— Você leu a trilogia de 50 Tons, Boruto? – Ela ergueu uma sobrancelha, interrompendo o loiro.

— O que? – Ele a olhou desentendido.

— Esquece...

— Certo... Bem, eu pensei em o que dar para uma garota que tem tudo. Então eu pensei: você pode ter tudo, mas não tem tudo. – Enfatizou o “pode”. Ele sorriu, entregando um pequeno embrulho colorido.

Ela pegou o embrulho, mas, quando foi abrir, um homem com o rosto parcialmente coberto tomou o pequeno objeto de suas mãos e apontou uma arma para os dois.

Boruto arregalou os olhos e ergueu as mãos, ficando na frente de Sarada.

— Por favor, não nos machuque, nós vamos entregar tudo. – Gritou.

O loiro entregou seu celular ao homem, bem como seu dinheiro.

— O que? – Sarada franziu o cenho.

— Entregue seu celular. – Ele sussurrou para a garota.

Sarada olhou friamente para o homem mascarado.

— Sarada... Entrega isso, porra! Quer morrer? – Ele falou entredentes, em desespero.

— Passa o celular, mocinha.

O assaltante destravou a arma e encostou o cano na testa da jovem.

Sarada revirou os olhos e o homem estreitou os olhos, não compreendendo a reação da garota.

— Passa lo...

O homem não pode terminar a frase.

A Uchiha segurou rapidamente a mão armada do criminoso e se posicionou atrás do mesmo, dando uma chave de braço. Em seguida chutou a parte de trás do joelho do homem.

Ela apertou o pulso do mascarado, fazendo-o soltar a arma.

— Meu nome é Sarada Uchiha, não acho que queira se meter com minha família. – Ela sussurrou no ouvido dele, para que Boruto não ouvisse.

O homem balançou a cabeça negativamente, em desespero, já ouvira falar do nome Uchiha. Dentre os traficantes da cidade, aquele era o nome mais temido.

Boruto olhava a cena em um misto de medo, surpresa e admiração.

Sarada soltou o assaltante, lançando um olhar frio.

Ignorando o aviso da morena, o homem correu para pegar a arma e a apontou novamente para a menina. Porém foi novamente surpreendido por ela, com um chute no meio de suas pernas.

Automaticamente ele soltou a arma e se ajoelhou com as mãos sobre o local atingido.

“Amador”, pensou a Uchiha, revirando os olhos mais uma vez.

Ela chutou a arma para o meio dos arbustos que havia ali perto e se ajoelhou perto do assaltante, pegando os pertences de Boruto e o seu presente. Por fim, chutou o rosto do homem, que acabou perdendo a consciência.

— Podemos ir? – Sorriu para Boruto, como se nada tivesse acontecido.

Boruto olhava para o mascarado no chão. Estava em choque com a reação de Sarada. As aparências realmente enganavam. A Uchiha aparentava ser apenas uma garota rica que não fazia nada além de compras. Mas ela não era nada disso.

— Boruto? – Ela chamou o amigo.

O olho do assaltante tremeu um pouco. Era apenas um espasmo muscular, mas o loiro se assustou, saindo do choque e começou a correr, puxando a morena consigo, saindo do parque com ela.

Os dois pararam de correr quando chegaram a uma rua um pouco mais movimentada, perto de uma lanchonete.

— Porra! – Ele resmungou, tomando ar. – Onde aprendeu aquilo?

— Aula de defesa pessoal. – Mentiu dando de ombros.

Mentiu apenas em partes, afinal prendera aquilo com seu avô e seu tio.

— Me lembre de nunca te irritar. – Ele a olhou.

— Não corte seu cabelo de uma forma ridícula e tudo fica bem entre a gente. – A morena riu.

Os dois acabaram por entrar na lanchonete, pois o loiro queria descansar, e pediram dois hambúrgueres.

— Acho que pode abrir seu presente agora. – Boruto falou sem graça, coçando a nuca.

— Ah, sim, claro. – Sarada pegou o pequeno embrulho que estava em seu bolso.

Ela o abriu, vendo uma pulseira de cordão acamurçado na cor caramelo. Havia o símbolo do infinito adornando a pulseira, e nas pontas do fecho havia pingentes de coração.

Era lindo, sabia que era um presente barato, diferente de todos os presentes que recebia de seus familiares, sabia também que nunca se desfaria daquela pulseira. Era o presente mais simples e puro que já ganhara na vida, porém era o que possuía o significado mais bonito.

— É lindo. – Falou ainda admirando a peça.

— Bom... Com certeza não está ao nível de sua riqueza, mas... Bem... Tem corações, tem um infinito... Você sabe, é algo romântico... Porque... Bem, eu... – O jovem se atrapalhava entre as palavras. Suas bochechas queimavam.

Sarada o olhou em expectativa, estava corada. Tudo que conseguia pensar era se ele queria o mesmo que ela.

— Eugostodevocê! – Falou rapidamente.

A morena sorriu.

— Eu também gosto de você. – Deu um beijo na bochecha do loiro, que corou mais ainda.

Porém, quando estava se afastando, o loiro segurou sua nuca e deu um beijo em seus lábios. Sarada se surpreendeu com o gesto, mas retribuiu logo. Não era seu primeiro beijo, mas certamente foi o primeiro que a fez se sentir como descreviam nos livros de romance melosos que odiava.

O casal passou pouco tempo na lanchonete. Comeram, conversara e beijaram mais um pouco. Por fim, se despediram e foram para suas casas de táxi, ainda não tinham idade para dirigir.

Sarada suspirou antes de entrar em sua casa, não queria se encontrar com Sasuke. As luzes estavam apagadas, sinal que ele não estava em casa ou estava dormindo.

Se dirigiu para a cozinha para beber água. Ao acender a luz, encontrou um mini bolo coberto de chocolate e morangos sobre a mesa, ao lado havia uma caixa aveludada. Ela abriu e viu um delicado cordão de ouro com um pingente do brasão de sua família. Havia também um pequeno cartão com os dizeres “Feliz aniversário”. Sorriu ao reconhecer a letra de seu pai e, quando se deu conta, estava chorando.

— Droga... – Resmungou.

Não era comum receber presentes de seu pai, ou ao menos ser lembrada por ele. Há anos não recebia presentes, sequer felicitações de seu pai por seu aniversário. Acabou por se emocionar com a demonstração de que ele lembrara dela naquele dia.

[...]

Toská, Rússia

24 de fevereiro de 2016

05:00 P.M.

Achar uma mulher de cabelos róseos não era um imenso desafio, mesmo sendo em uma cidade grande como Toská, ainda mais para uma policial. Sem contar que, pelo o que pôde observar quando viu a mulher pela primeira vez, mesmo sendo rápido e não tão nitidamente, concluiu que era uma pessoa fina e rica. Reconheceu o vestido Dior e, pelo solado vermelho dos sapatos, um par de Louboutin.

Bem, vendo pelo seu próprio ponto de vista, se ela tivesse muito dinheiro, primeiramente não iria trabalhar. Pediria as contas ao chefe Shikamaru e viveria no shopping. Ótimo lugar para começar a procurar uma madame.

Com a sua roupa mais cara e com o jeito mais elegante que conseguia, passou pelas portas automáticas do Golden North Mall, o maior shopping da cidade, e rumou até uma das lojas de seus sonhos, Louis Vuitton. Sempre quis uma bolsa daquelas. Mas teria que vender um rim para poder comprar uma. O máximo que conseguiu foi uma falsificada que comprou em uma lojinha perto de sua casa.

Porém, a loja para qual se dirigia era uma verdadeira filial. As bolsas eram diretamente importadas da empresa original. Toda mulher cheia da grana que se preze iria para lá.

Entrou no estabelecimento e dirigiu-se para uma prateleira cheia de bolsas magníficas. Bem que queria um mandado para apreender todas aquelas peças e levar sob custódia para sua casa.

Quase se esquecendo do real motivo de estar ali, fascinada foi olhar para a arara de roupas. Definitivamente amava Louis Vuitton.

— Com licença... – Ouviu a voz de uma das atendentes e virou-se para olhá-la. – Posso ajudar?

— Ah... – Sorriu sem graça. – Uma amiga minha me disse que tinha lançamentos maravilhosos aqui. Apenas vim dar uma olhadinha.

— Ok. Se precisar de algo, estarei aqui para ajudá-la. – A moça sorriu gentilmente.

— Hm, sim, eu gostaria que me ajudasse em uma coisa. – Soltou a peça de roupa que segurava e ajeitou algumas mechas teimosas de seu cabelo. – A garota de quem falei ainda agora, ela comprou umas coisas belíssimas aqui. Eu gostaria de saber se ainda tem. Eu não sei detalhar muito bem as peças... – Pôs uma mão no queixo, pensativa. – Mas a minha amiga possui os cabelos pintados de rosa e... – Foi interrompida pela moça.

— Eu sei quem é. É a Izanami. – Disse sem delongas. Karin pôde observar que a namorada do Uchiha era bem conhecida por lá. – Shion, vem aqui! – Gritou para uma colega de trabalho, que lia uma revista, encostada no balcão do caixa. A loira levantou a cabeça, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha e rumou em direção da acastanhada que a chamou.

— Algum problema, Matsuri? – Perguntou.

— Shion, essa senhora é amiga da Izanami. Quer saber se ainda tem o que ela comprou ontem. Foi ontem, né? – Olhou para a ruiva, esperando confirmação.

— Por favor, me chame de Karin. – Pediu. – E sim, foi ontem. – Guardou um sorriso amarelo. Não sabia quase nada de Izanami, só ia afirmando as coisas que lhe eram ditas.

— Entendendo. – Shion disse. – Izanami é uma amiga nossa. Sempre ligo para ela quando tem lançamentos e ela vem correndo. Ontem comprou algumas coisas. Eu sempre atendo ela.

— Sim. – Matsuri se meteu. – Ela sempre me dá algumas dicas de como me vestir. Faço questão de ouvir. Ontem ela estava com lindos sapatos Jimmy Choo, um relógio Cartier e que belo vestido Prada. Tem mulheres que simplesmente nascem para arrasar. – Comentou.

Karin apenas ouvia. Qualquer informação, por mais simples que fosse, era uma mina de ouro para sua investigação. Shion mostrava as coisas que Izanami havia comprado e Karin apenas se deprimia vendo o preço das coisas. Apesar de tudo, tinha que admitir que estava adorando fazer aquele favor para Hinata.

Foi somando na cabeça o valor das coisas que mais havia gostado e chegou à conclusão que nunca na vida compraria algo dali, a não ser que vendesse a sua alma. Realmente Izanami era podre de rica.

— Obrigada pela ajuda. Tirei todas as minhas dúvidas com vocês. – Sorriu. – Eu tenho que ir agora. Sou uma pessoa muito ocupada. – Fingiu olhar a hora no celular.

— Nós entendemos. Deve ser realmente ocupada, já que nunca vimos você por aqui. – Matsuri falou.

— Pois é. Para você ver. – Karin riu. – Tchauzinho. – Acenou, caminhando para fora dali.

— Karin. – Dessa vez Shion a chamou. – Avise para a Izanami que as bolsas que ela encomendou chegarão com um pequeno atraso.

Karin arregalou os olhos, mas logo olhou indiferente por sobre os ombros.

— Vocês fazem encomendas? – Perguntou.

— Sim. A pessoa encomenda da LV original, e nós trazemos para cá. Por quê?

— Eu gostaria de ver algumas coisas.

— Nós temos uns catálogos novos. Matsuri, vamos lá em cima pegar. São um pouco pesados.

— Certo. Espere aqui, Karin.

A ruiva observou as duas garotas entrarem por uma porta atrás do balcão e se aproximou. Se Izanami frequentava o local constantemente e ainda fazia encomendas, certamente ela era cadastrada, então deveriam ter o seu endereço em algum lugar, obviamente. O problema é que na loja haviam câmeras de segurança.

Escorou-se sobre o balcão e ficou esperando as atendentes voltarem. Nesse meio tempo, conseguiu ter um plano em mente.

Logo Shion e Matsuri voltaram com quatro catálogos de tamanho considerável. Havia muita coisa linda ali e a mais barata que achou foi uma bolsa que valia mais de cem mil rublos. Adeus dinheiro que estava guardando para um celular novo. Iria comprar aquela bolsa por Hinata e, acima de tudo, pelo sucesso da investigação. Valia o sacrifício.

— Essa bolsa vai demorar apenas alguns dias para chegar. Pedimos esse modelo com bastante antecedência. Várias clientes estão esperando por ela. Quer encomendar uma?

— Sim, por favor.

— Preciso dos seus dados. – A loira abriu a página dos registros de encomendas no computador. Karin prestava bastante atenção em tudo, até que chegou na letra "i". Sorte que o "k" era depois.

— Você pode me dar um copo de água? – Pediu, recebendo o olhar da loira para si.

— Claro, espere um minuto. – Deu as costas e novamente passou pela porta que dava ao provável depósito. Aproveitou que Matsuri estava ocupada ajeitando algumas roupas nas araras e olhou a tela do computador como quem não quer nada, até que achou o nome de Izanami. Discretamente passou a mão no mouse e clicou ali, abrindo os dados dela.

Pegou o celular e discretamente tirou uma foto daquela página. Voltou para a lista de nomes e guardou o aparelho na bolsa, bem a tempo de Shion aparecer com a água.

— Obrigada. – Agradeceu, sorrindo vitoriosa, mas apenas ela sabia a verdadeira intenção daquele sorriso.

Quando finalmente saiu dali, foi o mais rápido possível para o carro. Já tinha o endereço da mulher, agora tudo seria mais fácil.

Dirigiu para o local, que era um condomínio deveras luxuoso com bloco único de 20 andares, estacionou o carro alguns metros antes da entrada, os porteiros sempre paravam pessoas não identificadas, mas nem precisou sair de seu automóvel, pois o seu alvo estava na varanda do décimo sétimo andar falando no telefone. Tudo que precisou foi pegar seu binóculo no porta luvas, equipamento básico para investigações.

Izanami era realmente muito bonita. Não entendia o porquê de o Uchiha trair a namorada. E, aparentemente, ela era uma mulher normal. Gostava de fazer compras, namorar, relaxar... Mas precisava ficar de olho nela. Ninguém que se mete com pessoas de má índole é cem por cento inocente.

E, por falar no Uchiha, não podia demorar muito, tinha um encontro para ir.

[...]

Toská, Rússia

24 de fevereiro de 2016

08:54 P.M.

— Vai pra onde? – Sarada, deitada no sofá da sala, perguntou para seu pai assim que o viu passar por lá todo arrumado.

Com certeza não estava indo fazer nenhum trabalho da Amaterasu.

— Tenho um encontro. – Exibiu-se. – Não tenho hora para voltar.

— E? – Deu de ombros, falando com indiferença. – Vai sair com a sua puta chique?

— Com a Izanami? – Questionou retoricamente e Sarada murmurou um "Não, a vovozinha" da forma mais irônica possível. – Não, desta vez tenho outra companhia.

— Você não presta mesmo. – A morena balançou a cabeça em sinal negativo. – Você podia aquietar o facho e sossegar com alguém.

— Obrigado pelo conselho, mas eu não sou de uma, sou de todas.

— Quanta maturidade. – Bufou, revirando os olhos. – Espelho, espelho meu, existe um pai mais infantil do que o meu?

— Garota, isso é hora de criança estar dormindo. – Retrucou.

— Não vou nem te responder. – Encarou seu progenitor com os olhos semicerrados, demonstrando toda a sua indignação para com ele. – Por que você pelo menos não arruma esse cabelo?

— O que você tem contra o meu cabelo, criatura?

— É feio. – Respondeu simplesmente. – Fica todo espetado para trás, parece uma bunda de galinha. – Olhou rapidamente para seu iPhone pra ver se tinha chegado alguma mensagem de Boruto. – Daqui a pouco sai um pigmeu anão daí de dentro dessa crina.

— Garota, tchau! – Falou bufando de raiva e saiu, deixando uma Sarada que se acabava de rir.

"Meus cabelos não são tão ruins assim, são?", pensou consigo mesmo.

Enfim, ele tinha um assunto mais importante para tratar: Seu encontro com Karin.

Deu mais uma olhada no endereço que ela tinha mandado por mensagem e depois entrou em seu Audi S8 para poder ir buscá-la.

Ele parou em frente ao condomínio que Karin morava e mandou mensagem avisando que havia chegado. Logo a ruiva apareceu, usando um vestido bege um pouco decotado, usava um casaco vermelho por conta do frio, suas pernas estavam cobertas por uma meia calça preta, nos pés calçava sapatos pretos de salto alto e bico fino; os cabelos ruivos estavam soltos e ela não usava óculos, visto que estava com lentes de contato.

Sasuke não a esperou do lado de fora do carro e também não demonstrou grandes gestos de cavalheirismo, pois isso nunca foi de seu feitio, mas fez um breve elogio à mulher assim que ela entrou no carro.

Foram até um restaurante cinco estrelas, o mais caro de Toská. Sasuke se mostrou ser do tipo que esbanja dinheiro, não tendo dó de gastar com seja lá o que for.

O recepcionista pegou os casacos de ambos e o casal foi guiado até uma mesa próxima à janela. Sentaram-se um de frente para o outro e Karin fez questão de quebrar o silêncio assim que Sasuke pediu para o garçom trazer vinho.

— Então, você não deveria estar trabalhando? – Indagou como quem não quer nada, arrancando um riso do homem à sua frente.

— Eu não tenho patrões, Karin. – Respondeu, falando como se aquilo fosse a coisa mais óbvia desse planeta. – Não devo satisfações.

— Então você não vai para a casa noturna para trabalhar? – Arqueou uma sobrancelha.

— Depende... – Deu de ombros. – Mas não estamos aqui para falar de trabalho... Fale-me um pouco sobre você.

— Hum... O que você quer saber?

— Vejamos... – Olhou para a taça à sua frente, onde o garçom despejava um pouco de vinho branco. – Com o que você trabalha?

Karin ficou nervosa por uns segundos, mas conseguiu disfarçar. Pegou a taça onde o garçom havia acabado de colocar o vinho, levou até a boca e tomou um gole enquanto pensava no que dizer.

"Sou policial e estou te investigando a mando da minha cunhada que, por acaso, é mãe do namorado da sua filha.", pensou, mas não seria interessante falar aquilo.

— Não estamos aqui para falar de trabalho. – Retrucou a ruiva.

— Ok... – Ele riu, levantando as mãos em sinal de rendição. – Usando minhas próprias palavras contra mim...

— Claro. – Falou com um sorriso de canto. – Sabe, esse encontro está muito mais agradável do que o outro que tivemos.

— Você acha?

— Sim, claro! – Falou convicta. – Não tem música alta e muito menos adolescentes usando drogas. – Suspirou. – Você aceita isso numa boa dentro da casa noturna?

— Ora essa, são adolescentes sendo adolescentes. – Respondeu indiferente.

"Mas você não tem uma filha adolescente?", pensou Karin, refletindo sobre qual tipo de educação Sarada deve ter tido com aquele homem tão relaxado para algumas coisas.

— Vocês poderiam proibir a entrada dessas coisas, sabe... – Comentou a Uzumaki.

— Não adianta, Karin. – Disse o homem após tomar um gole do seu vinho. – É como na escola, onde é proibido colar, mas todo mundo cola e não importa quantos fiscais estejam na sala, pois sempre se dá um jeito. – Ele riu como se falar sobre as drogas que rolavam soltas na casa noturna que ele é um dos donos fosse natural. Sasuke definitivamente não se importava. – Eles vão levar droga, não adianta.

— Se você diz... – Ela deu de ombros.

— Sabe... – Sasuke levou suas mãos ao encontro das mãos femininas que estavam sobre a mesa. – Eu fiquei pensando naquela noite... – Sorriu malicioso e Karin não evitou de corar, o que não passou despercebido por ele. – Foi uma noite incrível.

— Você me chamou aqui pra falar de sexo? – A mulher fingiu indignação, fazendo o Uchiha rir. – Mas, sabe... – Ela mordeu o lábio inferior, logo em seguida desviou os olhos carmim de cima de suas mãos para os olhos de ônix que a fitavam. – Aquela noite foi realmente incrível.

— Podemos repetir a dose, sabia? – Falou com uma voz sensual que fez Karin se arrepiar.

Que homem era aquele?

Foco... Ela não poderia se deixar levar pelo charme do Uchiha. Sua missão ali era apenas conseguir informações para Hinata, nada além disso.

— Proposta tentadora... – Por baixo da mesa, Karin levou seu pé até a perna do Uchiha, mais especificamente na região do tornozelo e sentiu a arma que estava ali. — Sabe... – Falou de uma forma meio confusa. – Eu percebi que você anda armado...

— Ai ai... – Bufou, não contendo um riso. – Tanta coisa pra reparar, e você vai notar logo isso? – Arqueou uma sobrancelha, demonstrando um pouco de indignação em seu tom de voz, visto que com certeza ela havia reparado na arma no momento em que ele se despiu quando ambos estavam no motel. – Sim, eu ando armado por segurança.

— Fiquei com um pouquinho de medo, sabia?

— Não precisa ter medo. – Sasuke sorriu. – Como falei, isso é apenas por segurança.

— Entendo que você é muito rico... – Comentou. – Mas precisa mesmo de uma arma?

Sim, uma. Karin não iria comentar sobre a arma que encontrou quando foi fuçar as roupas do Uchiha na noite em que ambos estavam no motel.

— É só uma precaução. – Respondeu tranquilamente, levando a taça de vinho branco até a boca.

— Isso até me alivia, afinal, me sinto ainda mais segura com você.

— Isso foi um elogio? – Arqueou uma sobrancelha.

— Sim... – Sorriu de canto. – Aceite como um.

Sasuke não fez questão de disfarçar a olhada generosa no decote da mulher e ainda comentar sobre ter ficado uma marca e deixar a ruiva constrangida.

Karin desviou o olhar por uns instantes para a mesa ao lado que estava vazia, pensando em como mudar de assunto

— Quem é Izanami? – Karin perguntou e Sasuke a olhou desentendido. – Eu vi uma ligação dela, na outra noite... Ela é sua namorada? – A ruiva tratou de explicar.

— Izanami? Não, é apenas um rolo, nada de mais...

"Como pensei, ele é apenas um galinha", disse para si mesma.

— E você? Algum relacionamento? – Sasuke perguntou, bebericando seu vinho.

— Não, prefiro curtir a ter que dar satisfações a alguém.

— Penso do mesmo jeito. – Riu estendendo a taça para o alto.

— Acho que nos daremos muito bem. – Karin bateu levemente sua taça na de Sasuke, fazendo um "tintin" antes de tomarem um gole da bebida.

— Então, tem filhos?

— Sim, tenho uma filha adolescente. – O moreno respondeu e Karin fingiu surpresa, uma vez que ele é um homem muito novo.

— Perdão pela pergunta, mas... Quantos anos você tem? – Ela sorriu sem graça. – Desculpa, mas é porque você não parece ser pai de uma adolescente.

— Tenho trinta e três. – Disse Sasuke. – Fui pai ainda muito novo e o tempo passou muito rápido. – Ele riu nostálgico. – Parece que ainda ontem minha filha estava correndo só de calcinha pela casa e hoje está quase uma mulher feita.

Karin já sabia sobre a relação difícil entre Sasuke e Sarada, mas o homem parecia falar da filha com muito carinho, o que tornava as coisas um tanto quanto contraditórias.

— Você é um pai muito babão, não é? – Indagou divertida.

— Depende do ponto de vista de quem vê. – Suspirou pesadamente. – A verdade é que nossa relação é difícil.

— Deve ser coisa da idade. – Comentou a mulher. – A maioria dos adolescentes passa por essa fase de rebeldia.

"Você não sabe nem a metade", pensou o moreno, visto que ele sabia quem era o culpado pela péssima relação entre ele e a filha... Bem, em partes a culpa também era de Fugaku, mas Sasuke não ficava atrás.

— E a mãe da sua filha? – Indagou. – Você já foi casado?

— Sério isso? – Sasuke não conteve uma gargalhada, afinal, Sasuke Uchiha e casamento não combinam. – Não, não fui casado. Minha filha foi fruto de uma aventura que tive na adolescência.

— Nossa, ser pai na adolescência deve ser complicado...

Sasuke suspirou pesadamente. Ele tinha que admitir que, além de ter conhecido sua filha apenas quando ela estava com três anos, nunca foi um pai de verdade.

Quem ouviu as primeiras palavras e viu os primeiros passos de Sarada? Para quem ela foi mostrar o primeiro dentinho de leite que caiu? Quem foi levá-la no primeiro dia de aula? Quem ia nas reuniões de pais e festinhas da escola? Quem organizava as festas de aniversário? Quem levava e buscava Sarada na escola ou na casa das coleguinhas? Quem passava a noite em claro quando a menina estava doente?

Mikoto, Fugaku ou Itachi. Qualquer um, menos Sasuke, o pai dela.

— Não foi nada fácil mesmo... – Assentiu. – Mas eu não me arrependo disso.

A única coisa de que Sasuke se arrependia era de ter sido imaturo quando Sarada era mais nova, o que fez com que ele acabasse perdendo o amor da menina. Assim como também se arrependia por não ter lutado contra seu pai quando o Uchiha mais velho o mandou para um colégio interno no dia seguinte ao que ele anunciou para a família que seria pai aos quinze anos.

Aquele dia realmente foi terrível, ele não teve escolha, nem mesmo Mikoto conseguiu fazer Fugaku mudar de ideia e Sasuke, que havia prometido para Sakura que assumiria a criança, foi mandado para outro país por três anos.

— E a mãe da sua filha? – Perguntou Karin, tirando o moreno de seus pensamentos. – Vocês se dão bem?

— Não vejo a mãe da minha filha há mais de dezoito anos. – A resposta de Sasuke fez a ruiva arregalar os olhos. – Ela a abandonou, não quis a responsabilidade.

"Ela a abandonou..." Sasuke sentia um aperto no coração toda vez que contava essa mentira. Inclusive o moreno já tentou encontrar a mãe de Sarada, mas não conseguiu, visto que a Haruno parecia ter sumido do mapa.

Estaria viva ou morta?

Bem, Sasuke não sabia e preferiu deixar pra lá, afinal, não saberia como encararia Sakura depois de anos e depois de tudo que aconteceu.

— Poxa vida, que barra! – Disse Karin. – Você foi pai adolescente, e ainda por cima sozinho...

— Não sozinho, pois sempre pude contar com a minha família. – Respondeu o Uchiha. – E você, tem filhos?

— Não, apenas sobrinhos. – Ela deu uma risadinha, pois sempre foi louca pelos sobrinhos e adorava falar deles, entretanto, não tocaria no nome de Boruto e Himawari.

— Hum... Interessante...

Karin estava feliz pelas informações que conseguiu. Já sabia que Izanami não era namorada de Sasuke, mas isso poderia ser mentira do Uchiha. Quem poderia garantir que ele não estava chifrando a namorada?

Izanami poderia sim ser namorada de Sasuke, afinal, ele é um cafajeste e isso está praticamente escrito em sua testa.

Pelo sim ou pelo não, Hinata não poderia deixar de entrar em contato com essa mulher.

Notas finais
Nada mais a declarar u.u