Notas iniciais
Não é pegadinha, estamos realmente postando no início da quarta-feira... Não se acostumem com isso u.u Dedicamos o capítulo à Mrs. Diva... Digo, Mrs. Nobody que, além de nos dá comentários divônicos no SS todo capítulo, nos presenteou com uma recomendação maravilhosa... Amamos vocês ♥ ♥ ♥ ♥ Enfim, vamos ao capítulo...

Toská, Rússia

25 de fevereiro de 2016

06:21 A.M.

A jovem mulher já estava acordada quando seu despertador tocou. Estava com fortes dores de cabeça e não conseguiu dormir direito.

"Deve ser minha menstruação chegando", pensou enquanto respirava fundo.

Olhou para o lado e viu que o Uchiha ainda dormia. Era a segunda vez que ia com ele para a cama para conseguir algo.

Não obteve muito sucesso, apenas comprovações de suas teorias. Ele anda armado para se proteger, tem uma filha com quem não se dava bem, mas falava muito bem dela. Mas ela ainda pensa que ele estava mentindo sobre Izanami ser apenas um caso.

— Já está acordada? – Sasuke murmurou tirando a ruiva de seus pensamentos.

— Na verdade, eu não dormi direito. – Sorriu com simpatia. – Estou com dor de cabeça.

O moreno se levantou e cobriu sua nudez com um roupão branco que estava sobre o cabideiro.

— Minha filha deve ter algum remédio no quarto dela. Pode pegar. Fica no final do corredor.

— Não seria melhor você pegar? Você é o pai dela.

— Ela odeia que eu mexa nas coisas dela. – Bufou. – Pode ir, não tem problema. Estou indo tomar um banho.

— Certo. – Karin se levantou da cama em direção ao quarto de Sarada, já estava vestida com as roupas íntimas.

A porta estava aberta, mas mesmo assim conferiu se a menina possivelmente estaria no local. Mas estava vazio.

Notou que a garota não era muito feminina, visto que havia vários pôsteres de bandas de rock nas paredes e nenhum ídolo Teen. Mas seu objetivo ali não era avaliar isto, e sim conseguir um remédio para sua dor de cabeça.

Em sua casa, Karin guarda os remédios no criado-mudo, então deduziu que Sarada teria pensado na mesma ideia. E estava certa.

No entanto, ali havia apenas pacotes vazios e alguns anticoncepcionais. Vasculhou mais a fundo e se assustou ao encontrar uma arma.

Retirou a gaveta do local e a colocou sobre a cama. Não podia tocar na arma, não queria deixar digitais.

Ficou boquiaberta ao ver que se tratava de uma Sig Sauer, marca nada barata. No cano havia o calibre .45 Auto, e seu nome, P220 Elite.

Onde esta família conseguia essas armas?

Sasuke tem duas, poderia ser que Sarada também tivesse outra.

Olhou embaixo da cama, logo em seguida no pequeno baú que havia em frente a cama, e por fim, terminou na penteadeira. Ali havia uma outra arma.

Assim como a P220, essa também possuía o nome no cano, era uma Desert Eagle de calibre .357.

Estava chocada. Procurava apenas por um remédio e encontrou uma mina.

Correu até o quarto de Sasuke e pegou seu celular, o moreno ainda tomava banho. Tinha de ser rápida.

Voltou para o quarto da menina e fotografou as duas armas e as guardou em seu devido lugar.

Ainda trêmula de empolgação, puxou o número da cunhada e ligou. A chamada caiu na caixa postal, então ligou novamente. A Hyuuga finalmente atendeu.

— Alô?

— Nossa, que lerdeza para atender um telefone! – Bufou fingindo indignação.

— Estava escovando os dentes. – Riu. – Pode falar.

— Estou na casa do Uchiha e...

— A esta hora? Karin, não me diga que dormiu com ele de novo?

— Sim, mas depois eu conto como foi. – Riu ao ouvir a morena dizendo "não quero saber". – Liguei para passar uma informação, não dá pra aguentar até chegar no serviço.

— O que descobriu?

— Sarada também tem duas armas, assim como seu pai.

— Como é? – Não podia acreditar no que acabara de ouvir. – Me explica isso direito.

— Eu tirei fotos, depois te mando. Mas são duas bem caras. Elas estavam no quarto da Sarada, no criado-mudo e na penteadeira.

— A Sarada também usa? – Falou assustada. – Sabia que ela não era inocente. Filho de peixe, peixinho é. – Suspirou. – Karin, por favor, não se envolva mais. Já me ajudou muito. Obrigada.

— Não tem de que, eu estou adorando este serviço.

— Eu sei que está. – Riu maliciosa. – Isso já é suficiente para emitir um mandado. Será que eles também usam drogas?

— Creio que não. Acho que apenas traficam, mas posso verificar se você quiser...

— Não, já é suficiente. Beijos, te vejo no serviço.

— Até mais. – Desligou.

A ruiva estava empolgada com o que descobrira. Seu esforço valera a pena. Esqueceu-se até mesmo da dor de cabeça.

Cumpriu o seu papel com louvor. Sua cunhada agora poderia ficar tranquila e tomar as decisões corretas, pois definitivamente, Sasuke e Sarada não são uma boa companhia para seu filho.

[...]

Enquanto Karin estava contente por sua descoberta, Sasuke estava ruminando o que havia acabado de escutar.

Sentou-se sobre a cama, ainda de toalha, e bagunçou os cabelos negros ainda úmidos. Não estava ficando louco, Karin estava falando com alguém sobre as armas que ele escondia e algo sobre um possível tráfico.

— Merda! – Praguejou irritado, mas tratou de disfarçar quando ouviu os passos da ruiva que se aproximavam do quarto.

Sasuke, assim que saiu do banho, foi atrás de Karin no quarto de Sarada e acabou ouvindo a conversa entre ela e alguém que provavelmente era da polícia.

Mas como essa maldita chegou até ele? Isso é algo que ele não sabia e que teria que descobrir, uma vez que a informação já havia sido dada.

Fugaku com certeza ficaria uma fera com aquilo.

Agora aquelas perguntas sobre as drogas na casa noturna e a arma no tornozelo faziam sentido.

Sua vontade era de matá-la ali mesmo, mas aquilo seria imprudente demais até pra ele.

— Já tomou banho? – A ruiva comentou divertida quando entrou no quarto, tirando Sasuke de seus pensamentos, colocando discretamente o celular no criado mudo para que Sasuke não visse.

Ele realmente não viu, afinal estava meio distraído, mas aquilo não adiantava, visto que ele já havia escutado a conversa toda.

— Sim. – Respondeu da mesma forma de sempre, sem demonstrar o quanto estava furioso. – Por que você não vai tomar um banho também?

— Boa ideia! – Ela concordou, já indo em direção ao banheiro e fechando a porta em seguida.

Assim que Sasuke ouviu o barulho da água caindo, denunciando que o chuveiro havia sido aberto, ele correu até a sala e pegou a bolsa de Karin que estava jogada no sofá.

Pois é, eles já chegaram na casa do Uchiha se despindo, inclusive os sapatos de Karin estavam na sala também, tal como os casacos de ambos.

Abriu a bolsa marrom e encontrou algo que o deixou boquiaberto, mas não tão surpreso: Um distintivo.

— Essa filha da puta é da polícia! – Sussurrou com os olhos arregalados. Logo em seguida olhou o documento de identificação. – Uzumaki? – Seu queixo quase foi parar no chão quando ele leu o sobrenome da mulher. – Ela é parente do cacho de bananas ambulante? – Nesse momento seu coração quase foi parar na garganta. – Hinata?

Agora aquelas alfinetadas de Hinata faziam sentido, Karin estava passando informações para ela. Só podia ser para ela!

Fechou a bolsa novamente e largou sobre o sofá, podendo então olhar melhor para aquele objeto que deixava claro que Karin estava saindo com ele não apenas por sexo.

Aquela ruiva provavelmente havia se aproximado dele a mando de Hinata, Sasuke estava certo disso.

Ele voltou para o quarto rapidamente para que Karin não notasse que ele havia saído do quarto. Vestiu uma roupa apressadamente e estava ajeitando os cabelos quando Karin saiu do banho enrolada numa toalha branca.

— Preciso trabalhar. – Comentou risonha enquanto se vestia rapidamente com as roupas que haviam sido jogadas de qualquer jeito no chão na noite anterior.

— Eu posso te deixar no trabalho... – Ele ofereceu, deixando Karin toda desconcertada.

— Não precisa. – Respondeu meio sem jeito. – Daqui vou para a minha casa, preciso trocar de roupa. – Justificou-se.

— Por falar nisso... – Sasuke demonstrou curiosidade, deitando sobre a cama desarrumada. – Onde você trabalha mesmo?

Karin engoliu em seco, pensou que ele não fosse perguntar isto novamente.

— Sou professora de matemática... – Mentiu descaradamente e Sasuke sentiu vontade de rir, já que sabia da verdade.

Na verdade, a vontade maior era de matá-la mesmo.

Ele se sentia um idiota por ter se deixado seduzir daquela forma... Ele caiu feito um patinho na armadilha de Karin, mas ela não perdia por esperar...

— Interessante. – Comentou. – Você dá aula em qual escola? – Perguntou como quem não quer nada e Karin ficou ainda mais nervosa.

— Minha nossa, olha a hora! – Ela tentou desviar do assunto, olhando a hora no celular. – Preciso ir, meus alunos estão me esperando.

Ela foi saindo apressadamente do cômodo, mas foi impedida pelo Uchiha que segurou em seu braço.

— Eu te levo até sua casa. – Falou gentilmente, como se não soubesse de absolutamente nada.

Para todos os efeitos, Karin realmente era apenas uma professora de matemática com quem Sasuke transou duas vezes.

— Se você insiste... – Ela sorriu timidamente e acompanhou o homem até seu Audi S8, então ele dirigiu tranquilamente até a casa dela, pensando em qual seria seu próximo passo para se livrar daquele encosto.

Hinata, ou outra pessoa da polícia, já sabia sobre as armas que Sasuke e Sarada portavam de forma ilegal. A polícia poderia chegar perto demais da Amaterasu e isso seria desastroso, portanto, medidas deveriam ser tomadas o mais depressa possível, mas Sasuke não podia fazer isso sozinho, sem falar que os outros membros da máfia deveriam ter ciência da situação.

Ele teria que contar tudo para Fugaku, então já se preparava psicologicamente para uma discussão.

[...]

Toská, Rússia

25 de fevereiro de 2016

07:12 A.M.

Ele estava nervoso, muito nervoso. Levou uma bronca feia por causa do ocorrido com o Deidara, e agora isso. Seu pai ia ficar irado, tinha certeza. E dessa vez, não tinha como ele ao menos tentar se defender.

Entrou na casa dos pais com as mãos suando, por isso resolveu deixa-las dentro dos bolsos da calça. Eram sete da manhã e já tinha bomba para a família. Incrível como as coisas ruins aconteciam tão naturalmente.

Seus pais deveriam estar tomando o café da manhã, então seguiu para a sala de jantar. Chegando lá, encontrou a mãe e o pai sentados, comendo em silêncio.

— Bom dia. – Pigarreou, entrando.

— Oh, querido, bom dia! – Mikoto sorriu. – Que surpresa adorável. Não é mesmo, Fugaku?

— Demais... – Fugaku ironizou e revirou os olhos.

— Não ligue para o seu pai rabugento. Sente-se conosco. – Apontou para a cadeira que o filho sempre usava.

— Hm. – Concordou fazendo o que a mãe pediu. Suspirou, pensando em como dar a “agradável” notícia.

— Você está estranho. – Mikoto comentou, estreitando os olhos. – Mais quieto que o normal. Aconteceu algo?

Sasuke cruzou as mãos em cima da mesa e suspirou mais uma vez. Não conseguia esconder de sua mãe o quanto estava bolado.

— Não aconteceu nada. Só estou preocupado com a polícia na nossa cola. – Respondeu, entrando no assunto devagar. Após esta frase, o silêncio reinou por alguns segundos. Criou coragem e resolveu olhar para o pai. Aparentemente o mais velho estava normal. – Pai... O senhor não vai dizer nada? – Jogou a pergunta, indiferente.

— Hm, isso já está resolvido. Logo a Hyuuga não estará mais atrás da gente. – Fez pouco caso. – Ao contrário de você, eu sei resolver um problema com cautela. – Atacou. – E inteligência. – Disse por fim, lembrando de mais uma palavra que deveria ser dita.

O silêncio voltou a reinar. Sasuke estava se preparando psicologicamente para contar o que descobriu. Lembrando que era e sempre deveria ser um homem indiferente e orgulhoso, resolveu desembuchar logo tudo de uma vez.

— Bem, digamos que a Hinata não seja a única policial na nossa pista. – Falou, chamando a atenção dos mais velhos. Fugaku estreitou os olhos, enviando uma pergunta muda. Ele queria saber o porquê daquela frase.

— O que quer dizer com isso, Sasuke? – Mikoto perguntou.

— Talvez eu, hipoteticamente, tenha tido um caso com uma mulher. – Levantou a cabeça, olhando para o pai pelo canto do olho. – E eu tenha sido um tanto quanto descuidado. Essa mulher, hipoteticamente, era uma policial me investigando a mando da Hyuuga. – Parou por um tempo, vendo a respiração do patriarca ficar um pouco acelerada. Respirou fundo e continuou. – Não esqueça que é hipoteticamente. Uma história hipotética, apenas. – Lembrou. – Tá, voltando, e quem sabe ela tenha visto as armas que eu carrego e eu tenha, hipoteticamente, meio que permitido a entrada dela no quarto da Sarada, ocasionando nela descobrindo as armas que a minha filha mantém... No quarto... Dela... – Foi falando a última parte lentamente, ao ver o quanto Fugaku parecia furioso. Mikoto passou a mão no rosto, balançando a cabeça negativamente.

— VOCÊ É UM IDIOTA! – Fugaku gritou, socando a mesa. – Só faz merda! Sempre caindo nas armadilhas! É a vergonha da família! Eu falei para termos apenas um filho Mikoto. – Virou-se para a esposa. – Mas não, você tinha que vir com aquele papo de que iria ser bom ter alguém para o Itachi brincar! Agora olha só no que deu! Isso é o resultado de você colocar ele sempre embaixo da sua saia!

— Agora a culpa é minha? – Perguntou indignada. – Não me bote no meio disso. – Bufou.

— Tem razão. – Olhou para o caçula novamente. Sasuke nada dizia, afinal, ele era o errado na história toda. – Só temos uma pessoa para jogar a culpa. Maldita hora em que te aceitei na Amaterasu! – Espalmou as mãos na mesa, com força, se levantando. – Você é um inútil! Deu outra brecha para a polícia chegar até nós. Já não bastava o caso do imbecil do Deidara?

— Pai, eu... – Tentou se explicar, mas foi interrompido.

— CALE A BOCA! – Fugaku bradou. – CALE A BOCA ANTES QUE EU PUXE UMA ARMA E ESTOURE SUA CABEÇA OCA! – Passou as mãos nos cabelos, muito alterado.

— Fugaku! – Mikoto brigou, mas calou ao receber um olhar mortal do marido. Não adiantava falar com ele agora.

— Eu não tenho culpa. – Sasuke falou de uma vez, para não ser interrompido. O mais velho o olhou debochadamente. – Caramba, eu sou homem! E ela era uma mulher bonita... – Tentou explicar. – Não tinha como eu saber que ela era da polícia!

— Nunca confie em ninguém, NUNCA! Você é um mafioso! UM MAFIOSO! – Se exaltou. – NEM SE ELA FOSSE PALHAÇA DE CIRCO, NUNCA CONFIE EM NINGUÉM! – Aproximou-se do caçula, agarrando a gola da camisa dele. – Levante-se! – Ordenou, puxando o filho para cima e o empurrando. Sasuke tropeçou na perna da cadeira, mas se apoiou na mesa para voltar à estabilidade.

Mikoto tampou o rosto, não querendo ver no que aquilo iria dar. Apenas rezou para Fugaku não fazer nenhuma besteira. Ela nada podia fazer para ajudar o caçula, afinal, nenhum argumento poderia tirar sua culpa.

— VOCÊ É UM SEM JUÍZO! – Fugaku continuou gritando. – NUNCA NA HISTÓRIA DA AMATERASU TEVE ALGUÉM TÃO ZERO À ESQUERDA! SAÍMOS DE UM PROBLEMA E VOCÊ, POUCO SE IMPORTANDO COM A FAMÍLIA, NOS JOGA EM OUTRO!

— Família? Quem é você para falar de família? – Arqueou uma sobrancelha, desafiador.

— QUEM É VOCÊ PARA ME INTERROMPER? – Retrucou. – NÃO OUSE TENTAR AMENIZAR A BURRICE QUE VOCÊ FEZ. DESSA VEZ, ACHO BOM VOCÊ DAR UM JEITO NISSO SOZINHO E SEM CHAMAR ATENÇÃO! CASO CONTRÁRIO, SERÁ EXPULSO DA MÁFIA! – Ameaçou.

Sasuke arregalou os olhos juntamente de Mikoto. Ela olhou boquiaberta para o marido, não acreditando no que os ouvidos captaram.

— Você não pode fazer isso... – Sasuke resmungou.

Fugaku agarrou a gola da camisa do filho novamente, puxando-o para perto de si.

— Então experimenta falhar mais uma vez. – Sussurrou ameaçador, olhando nos olhos de Sasuke.

— Mas que gritaria é essa em plena sete e meia da manhã? – Itachi apareceu, perguntando com uma voz arrastada por ter acabado de acordar. – A pessoa não pode mais nem sonhar que está atirando bolos na própria boca. – Bocejou. Ele usava roupas simples e amarrotadas, os cabelos estavam bagunçados e o rosto inchado pelo sono.

Fugaku empurrou Sasuke e saiu do local, dando passos pesados. Passou por Itachi, esbarrando no ombro dele.

— Já vi que a coisa é séria... – Falou, percebendo o clima hostil.

— O Sasuke... Ele fez uma coisa que não agradou Fugaku. – A matriarca suspirou. – Na verdade, é ruim para todos nós.

— Tinha que ser. – Revirou os olhos. – Eu não quero nem saber das maluquices de “filho mais novo mal compreendido” que o Sasuke faz. Ele só se fode nessa vida. Só espero que isso não me traga problemas, porque senão... – Bocejou mais uma vez, virando-se de costas, caminhando calmamente de volta para o quarto. – Eu acabo com a paz dele. Boa noite. – Resmungou, sumindo da vista da mãe e irmão.

Mikoto revirou os olhos. O primogênito estava pouco se importando com a situação, como sempre...

— Boa noite? – Sasuke perguntou incrédulo.

— Por que eu não pude ter filhos normais, Senhor? – A mulher se levantou, resmungando. – Sasuke. – Virou-se para o filho. – É melhor você sair daqui. Sabe, para evitar mais problemas. – Ela suspirou. – Espero que algum dia tome juízo. – Murmurou, saindo dali.

Sasuke passou as mãos nos cabelos, se xingando mentalmente por ter sido tão burro. Mas ele daria um jeito nisso. Pode apostar que aquela vagabunda iria se ver com ele e se arrepender de um dia ter olhado para a cara de Sasuke Uchiha.

[...]

Toská, Rússia

25 de fevereiro de 2016

07:52 A.M.

Hinata chegou ao trabalho e foi direto falar com Kabuto. Entrou na sala do parceiro sem nem ao menos bater.

— Kabuto, qual é o calibre da bala encontrada na árvore? – Falou apressada, batendo as mãos na mesa do amigo.

— Bom dia para você também.

— Qual é? – Aumentou o tom de voz.

— Uou! – Ergueu as mãos em sua frente como defesa. – Era calibre .357. Agora dá para relaxar?

A morena suspirou e massageou as têmporas.

Era o calibre da Desert Eagle, cuja foto recebera de Karin. E a outra arma era uma P220 Elite, da Sig Sauer, calibre .45. As duas armas da cena do crime de Kisame Hoshigake. As duas estavam no quarto de Sarada, a namorada de seu filho.

— Hinata, está tudo bem? – Kabuto perguntou preocupado.

— Não está nada bem. – Ela suspirou novamente e se sentou.

Ainda não sabia como pedir um mandado de apreensão sem que a integridade de Karin e dela própria fosse questionada.

Ela relembrou do dia anterior, quando discutiam sobre o tamanho do assassino, era menor e mais fraco do que Kisame, tinham certeza. Sarada era magra e tinha, no máximo, um metro e setenta de altura.

Não conseguia acreditar. Seu filho namorava a menina há mais de um ano e ela nunca suspeitara de nada.

E a arma de Sasuke, uma G42, de acordo com Karin, o mesmo modelo encontrado na cena do crime de Deidara. Não podia afirmar que o Uchiha estava envolvido, mas não conseguia deixar de suspeitar dele.

O soco na mandíbula viera de um homem forte, e o Uchiha era um homem forte. Se conseguisse descobrir se ele era canhoto ou destro, iria ajudar, visto que o assassino de Deidara e Ayame era canhoto.

— Quer um chá? – Kabuto observava a Hyuuga.

Hinata nem ouviu o que ele disse, não conseguia parar de pensar em seu filho. Quantas vezes ele não correu risco de vida apenas por estar com Sarada?

— Tenho que ir. – Falou e saiu rapidamente da sala, deixando o Yakushi sem entender nada.

“Shikamaru, Karin teve um encontro com um homem, acabou encontrando armas com ele, as mesmas usadas nos casos de Kisame Hoshigaki, Deidara e Ayame”, pensava a Hyuuga enquanto dirigia-se à sala de Shikamaru.

— Bom dia, Hinata!

Hinata se assustou, visto que estava distraída. Virou-se e viu Ino se aproximando.

— Bom dia, Ino. – Respondeu com bem menos animação que a loira.

— Alguns colegas meus chegaram hoje aqui. Você já os viu?

— Não...

“Droga, não posso mandar prendê-lo sem saber se ele é canhoto...”, a cabeça da Hyuuga trabalhava a mil.

— Parece distraída. – A Yamanka a olhou preocupada.

Hinata sequer ouviu a loira.

— Você está bem? – Ino passou a mão na frente do rosto da outra.

— Ah, o que? – Ela a olhou finalmente.

— Você está bem? – Repetiu.

— Sim... Só estou pensando nos assassinatos. Acredito ter um suspeito.

— Sério? Isso é ótimo. – Ino se animou.

— Não, não é nada bom...

— Qual o problema?

“Karin!”, Hinata pensou na cunhada.

— Ela dormiu com ele, pode ter notado isso... – Murmurou para si mesma, ignorando novamente a Yamanaka. – Preciso ir, com licença. – Falou em tom de desculpa e se afastou.

Entrou na sala da Uzumaki sem bater, não estava para formalidades naquela manhã.

— Veio saber da minha noite? – A ruiva sorriu maliciosa.

— Em algum momento você notou se o Sasuke é destro? – Perguntou sem rodeios.

— Ele anotou o número dele em um papel para mim e...

— Não quero saber o que ele fez, quero saber se ele é destro. – Hinata gritou.

— Se acalma... O cara tem armas, nós temos provas, em breve ele será preso. – Karin rebateu no mesmo tom.

— Ele é destro ou canhoto, Karin?

— Canhoto... Mas, o que isso... – A ruiva começou a falar mas foi abandonada em sua sala. – ... tem a ver? – Suspirou e se recostou em sua cadeira. – Ela vai acabar criando rugas com esse estresse!

Hinata foi rapidamente até a sala de seu chefe e entrou, mais uma vez, sem bater.

— Shikamaru, tenho suspeitos para ambos os... – Parou de falar quando viu dois homens desconhecidos. – Bom dia! – Sorriu sem graça.

— Hinata, estes são Kakuzu e Hidan. Devido às perdas no tiroteio contra a Samehada, pedi auxílio com meus contatos em Moscou. Eles dois e Ino foram enviados para nos ajudar até nos recuperarmos da perda. – Shikamaru apresentou a dupla.

— É um prazer, Hyuuga. Sou Hidan. – Um homem albino falou e estendeu a mão.

O outro homem era moreno e maior do que Hidan.

— É um prazer. – Hinata sorriu e apertou a mão dele. Em seguida apertou a mão de Kakuzu.

— Você falou sobre suspeitos assim que entrou. É sobre os casos que está investigando? Se sim, já pode inteirá-los sobre o assunto. – O Nara se acomodou melhor em sua cadeira.

— Claro... Karin, minha cunhada, teve alguns encontros com um homem e, hoje pela manhã, achou armas no quarto da filha dele que correspondem com as armas do caso de Kisame Hoshigaki. E este homem anda armado ilegalmente. Ele usa uma Glock 42, que é o mesmo modelo do caso de Deidara e Ayame. – Hinata falou.

— A arma foi encontrada na cena do crime, não quer dizer muito. – Shikamaru franziu o cenho.

— Pelas marcas deixadas no corpo de Deidara, o assassino é um homem grande, forte e canhoto. O homem com quem Karin saiu possui estas características. – A Hyuuga detalhou.

— E a filha do cara, bate com as deduções sobre o assassino de Kisame?

— O assassino de Kisame não era muito grande, nem tinha muita força. A menina se enquadra.

— Quem seriam esses dois? – Shikamaru perguntou.

— Sasuke e Sarada Uchiha. – Respondeu.

— Sasuke Uchiha? Deve ser parente de Madara Uchiha. É uma família rica. Pode ser que use apenas por proteção. – Kakuzu se pronunciou pela primeira vez ali.

— Madara Uchiha é um grande político e conseguiu chegar onde chegou conquistando as pessoas. É um cara simpático. Nunca imaginei que a família fosse metida com esse tipo de coisa. – Hidan falou.

Hinata pegou seu celular e abriu as fotos que Karin mandara mais cedo.

— Estas são as armas que Karin encontrou na casa do Uchiha, sem falar que ele não tem permissão para porte de arma. – Falou enquanto mostrava as fotos aos demais presentes. – Acredito que é prova suficiente para um mandado de apreensão e prisão. – Foi firme em suas palavras.

Shikamaru analisou as fotos no celular da Hyuuga.

— E por que Karin não falou diretamente comigo? – Ele ergueu os olhos para a subordinada.

Ela engoliu em seco. Não podia comprometer a integridade das duas.

— Porque sou cunhada dela e ela sempre conversa comigo sobre os homens com quem sai. Além disso, sou a investigadora de dois casos de assassinato e ela sabe disso. – Felizmente conseguiu pensar rápido.

— Mulheres... Sempre compartilham segredos. – Shikamaru suspirou. – Mais alguma coisa?

— Ela entrou na casa noturna, da qual o Sasuke é um dono, e disse que o consumo de drogas ilícitas é permitido lá dentro. Outro ponto importante: a Glock 42 do caso de Deidara e Ayame não foi comprada na cidade, o que abre a possibilidade dos Uchiha estarem envolvidos no tráfico de armas.

O silêncio se prostrou na sala por alguns segundos, enquanto Shikamaru, aparentemente, pensava.

— Você está mesmo certa de tudo isso? – Ele perguntou.

— Sim, não creio que isto seja coincidência. – Ela permaneceu firme, tinha que mostrar que estava certa.

— Está determinada a prendê-lo?

— Sim, senhor.

— Acha que já é hora para isso, mesmo que, se for um equívoco, você possa ser afastada da polícia?

Hinata hesitou brevemente, relembrando de tudo que conseguira sobre os casos, tudo encaixava com Sasuke e Sarada.

— Sim, senhor.

— Entrarei em contato com o juiz. Farei o requerimento para emissão de mandado.

A Hyuuga comemorava por dentro. Conseguiria afastar seu filho daquelas pessoas, conseguiria prender os dois assassinos e encerraria os crimes dos dois Uchiha ali.

— Obrigada, Shikamaru. Bem-vindos, Kakuzu e Hidan. Com licença. – A mulher finalizou e saiu da sala.

Andou tranquilamente até a sala de Karin. Bateu na porta pela primeira vez no dia, sentia-se mais leve naquele momento. Depois de ouvir um “Entre” de Karin, adentrou a sala de sua cunhada.

— Shikamaru vai solicitar um mandado contra o Sasuke e a Sarada. – Sorriu e sentou-se de frente para a ruiva.

— Você já pensou no que vai falar para o Boruto? – Karin ergueu uma sobrancelha.

— Não sei... – Suspirou com pesar. — Não posso chegar e simplesmente dizer "Filho, prendi sua namorada e o pai dela porque são dois assassinos, de nada".

Karin riu do humor da cunhada.

— Mas a verdade precisa ser dita.

— É... Mas eu estou com um plano na cabeça. Acho que vai dar certo.

— Boa sorte então... Fale com ele o quanto antes, ou ele ficará irado com você. – A ruiva alertou.

— Eu sei... – Suspirou novamente. – Descobriu algo sobre a namorada do Sasuke?

— Ela é muito rica e... – Karin mexeu em algo no computador e virou a tela para Hinata. – ... peguei o cadastro dela na Louis Vuitton.

No computador havia a foto que Karin tirara no outro dia, contendo foto de Izanami e alguns dados.

— Nossa, ela é linda, por que diabos ele a traiu com você? – Hinata franziu o cenho.

— Obrigada pela parte que me toca. – A Uzumaki ironizou.

— Desculpa... – Sorriu amarelo.

— Bem, ela é mais velha do que pensei, vai fazer trinta e quatro anos no dia 28 de março. Não tem nenhum crime no nome dela...

— Não ter crimes no nome dela não quer dizer que ela não tenha cometido nenhum. – Hinata falou sem olhar para Karin.

— Paranoica... – A ruiva resmungou revirando os olhos.

— Van der Bilt... É um sobrenome diferente. Ela é estrangeira ou apenas possui descendência? – Perguntou analisando a imagem.

— Não sei, não achei nenhum registro no nome dela... Bom, além de lojas de roupa, bolsas, sapatos, joias...

— Nenhum? – Hinata arregalou os olhos.

— Nada... É como se não existisse Izanami Van der Bilt.

— E você acha que ela não cometeu nenhum crime? Ela namora Sasuke Uchiha, só isso já é um crime! – A Hyuuga se alterou.

— Não exagera, Hina... Crime é não ir pra cama com ele. Sério, é tão bom que começo a pensar que o fato dele transar com várias mulheres é uma boa ação.

Hinata olhou horrorizada para sua cunhada.

— Não exagera, Karin...

A ruiva riu da cara da Hyuuga.

— Ele é desprezível, mas é bom de cama, ok?

— Vou conversar com a tal Izanami... Se é que esse nome é verdadeiro. – Hinata falou e ouvi outro “Paranoica” de Karin. – Quero saber o que ela sabe sobre o Sasuke... E eu não sou paranoica.

— Claro que não. – Karin sorriu.

[...]

Toská, Rússia

25 de fevereiro de 2016

11:34 A.M.

A garota havia dormido na casa de Boruto – não apenas dormido –, mas o loiro precisou ir para a casa de um amigo, pois tinha um trabalho da faculdade para concluir.

Entrou em seu Jaguar XE e ficou por alguns minutos rodando pelas ruas de Toská, não querendo ir para casa. Ela sabia que provavelmente encontraria um Sasuke de ressaca e, na pior das hipóteses, roupas espalhadas pela casa.

Decidiu ir até o shopping, afinal, não precisava mais de mesada –por mais gorda que fosse – por causa do bom dinheiro que já tinha conseguido na máfia, então ela foi fazer algo que sempre gostou: Compras!

Isso estava sendo ótimo, ela não precisava mais esperar sua mesada sair, pois o dinheiro que estava ganhando era quase dez vezes mais, então ela tinha grana para fazer compras quando quisesse.

Sarada nunca teve aquele estilo perua como sua avó Mikoto, ela sempre foi do tipo "calça jeans e camiseta", mas ainda assim não comprava qualquer coisa.

E não era apenas roupas que ela gostava de comprar, na verdade ela nem ligava tanto para isso, ela sempre gostou de cremes e perfumes caros, assim como sempre foi obcecada por sapatos. Sapatilhas, coturnos, tênis, botas... Esse tipo de coisa, mas sem salto e outras frescuras.

Enquanto andava despreocupadamente pelo Golden North Mall, onde só havia lojas de grifes e as redes mais caras de restaurantes. Parou de frente para uma loja da Tiffany & Co. e fitou, através da vitrine, um belo colar de ouro com um pingente de um coração com uma flecha. Achou lindo e quis comprar a joia, mas se esqueceu completamente do colar quando entrou no estabelecimento e viu Izanami olhando alguns brincos que com certeza custavam os olhos da cara.

"Essa mulher anda cagando dinheiro?", pensou a adolescente que se aproximou da rosada, pouco se importando com o colar de coração, motivo pelo qual entrara ali. – Izanami? – Chamou, atraindo a atenção da mulher para si.

— Sarada! – Ela virou-se empolgada para a menina. – Que coincidência encontrá-la aqui.

Sarada notou que Izanami já estava com algumas sacolas de algumas grifes, agora estava comprando joias... Apenas pessoas ricas frequentam esse Shopping já que os preços das coisas não são tão acessíveis.

Será que Izanami era tão bem paga assim? Bem, aquilo podia ser presente de algum cliente para que ela andasse sempre arrumada, afinal, uma acompanhante de luxo não é uma puta de qualquer esquina, ela tem que ser fina... Todavia, Izanami era fina até demais.

A Uchiha deu uma olhada discreta na mulher, podendo ver que as roupas eram, sem dúvidas, de marcas caras.

Cabelos muito bem arrumados, unhas impecáveis, sapatos Jimmy Choo vermelhos de salto, um macacão belíssimo estampado de preto e branco D&G, isso sem falar na bolsa Louis Vuitton. Izanami é uma madame, isso sem sombra de dúvidas.

"Será que ela rouba os clientes?", perguntou-se a morena.

Embora tenha simpatizado bastante com Izanami e sentisse que era uma pessoa boa, Sarada sempre foi muito desconfiada com tudo. Não podia descartar essa hipótese.

— Muita coincidência... – Ela sorriu simpática. – Comprando joias? – Sarada olhou para os modelos de brincos que Izanami escolhia. Três brincos, realmente um mais lindo que o outro.

— Sim. – Suspirou pesadamente, olhando aqueles brincos que praticamente imploravam para ser comprados. – Estou indecisa... – Falou com desânimo, mas logo um sorriso brotou em seus lábios. – Levarei os três.

Sarada arregalou os olhos negros. Izanami tinha tanto dinheiro assim para comprar aquelas três joias caríssimas? Isso sem falar nas sacolas Calvin Klein, M.A.C. e Dior.

— Foi uma ótima escolha. – Sarada ajeitou os óculos, olhando para a mulher que estava empolgada com sua nova aquisição.

Sem dúvidas Izanami era como Sasuke, do tipo que não tem dó de gastar dinheiro adoidado. Mas, para isso, precisa primeiro ter dinheiro adoidado... Sasuke era um membro da máfia, e Izanami, era o que?

— Você também veio comprar joias? – Perguntou a rosada.

— Nem me lembro mais o que vim fazer aqui... – O comentário da Uchiha fez Izanami rir.

— Vamos andar um pouco por aí? – A rosada questionou enquanto passava seu cartão de crédito na máquina.

— Pode ser. – Assentiu.

Ela não podia negar e nem sabia como explicar isso, mas gostava muito de Izanami, como se as duas tivessem algum tipo de laço.

Foram juntas até a praça de alimentação, mais especificamente para uma sorveteria, e pediram dois sundaes, um de baunilha para Izanami e um de chocolate para Sarada.

— Veio fazer compras? – Izanami quebrou o silêncio quando ambas foram até uma mesa vazia e se sentaram uma de frente para a outra.

— Vim andar um pouco. – Contou, apoiando os cotovelos sobre a mesa. – Eu estava na casa do meu namorado, mas ele teve um trabalho da faculdade para fazer e eu fiquei sozinha.

— Hum... Entendo. E você, não faz faculdade?

— Eu ia fazer... – Sarada mordeu o lábio inferior, pensando no que diria para justificar o porquê de não fazer faculdade com quase dezenove anos. Não poderia dizer que optou por entrar na máfia. – Ainda não encontrei um curso que combine comigo, entende? Tenho medo de começar um curso e não gostar.

— Aí é só mudar. – Falou simplesmente. – Você é nova, tem muito tempo. Mas você pensa em fazer o que?

— Pensei em medicina.

Izanami sorriu, lembrando que medicina sempre foi seu grande sonho desde novinha. Infelizmente o destino não foi muito seu amigo e sua vida não tomou o rumo que ela desejava.

— É um curso muito bonito. – Sorriu sincera. – Salvar vidas.

Sarada desviou o olhar para o chão, cabisbaixa. Pensou em fazer um curso para salvar vidas, entretanto estava seguindo o caminho oposto a partir do momento que entrou na máfia, tirando vidas.

— É... – Assentiu a menina.

A garçonete levou os sorvetes das duas, então elas se concentraram nas guloseimas e o silêncio reinou por poucos minutos.

— Então... – Pigarreou a rosada, fitando a camisa que Sarada usava. – É fã do AC/DC?

— Demais! – Os olhos negros brilharam quando Izanami tocou no nome de uma das suas bandas favoritas. – O Angus Young toca muito e a banda continuou foda mesmo depois que o Bon Scott morreu, já que o Brian é um vocalista à altura.

— Concordo plenamente.

— Você também gosta? – Ela indagou surpresa, uma vez que a perua rosada não tem cara de quem curte bater cabeça e viajar nuns solos de guitarra.

— Já tive a sua idade, esqueceu? – A mulher levou uma colher com sorvete até a boca. – AC/DC já era uma banda famosa no meu tempo de adolescente.

— E você gostava de outras bandas de rock? – Questionou interessada.

— Eu era apaixonada por um grupo chamado Guns n’ Roses, conhece? – Respondeu com outra pergunta, levando o dedo indicador até o queixo, fazendo os olhos de Sarada brilharem mais ainda.

— Minha banda favorita! – Sua empolgação era quase palpável. – Eu tenho os DVDs do show deles em Tóquio, no Japão.

— Use Your Illusion?

— Esse mesmo! – Assentiu. – O primeiro tem a capa alaranjada e o segundo tem a capa azul. Nossa, eu morro de ciúmes desses DVDs, tenho mais ciúmes deles do que do Boruto, e já assisti diversas vezes. Sem falar que o Axl era lindo, maravilhoso e muito perfeito quando era novo.

— Sim, ele era realmente lindo. – Concordou a rosada. – Mas sabe quem eu também acho lindo? – Indagou retoricamente. – Sebastian Bach!

— Perfeito! – Sarada esboçou um sorriso de orelha a orelha. – Skid Row é demais.

— Sim, a voz do Sebastian é linda! – Disse Izanami.

— Ah, eu já fui num show do Iron Maiden que teve em Moscou. – Sarada falava como uma criança empolgada. Era a primeira vez que ela tinha com quem compartilhar gostos em comum, pois seu namorado não tinha o mesmo gosto musical que ela. – Foi ano passado. Nossa, foi perfeito.

— É uma banda muito boa. – Assentiu a mulher. – O Bruce tem um vozeirão, isso sem falar no pique que ele tem no palco desde que entrou na banda até hoje.

— É verdade... – A menina pousou o dedo indicador no lábio inferior. – Parando pra pensar, Iron Maiden é uma banda mais velha que você.

— Isso é verdade. – Riu. – Mas isso só prova que música boa não fica velha nunca.

— Você lembrou meu tio agora. – Sarada sorriu ao lembrar-se de Itachi, que foi com quem a menina aprendeu a gostar dessas bandas. – Quando eu estava com treze anos, meu tio quis me levar num show dos Scorpions, mas o traste do meu pai não deixou. – Bufou.

— Nossa... – A mulher arregalou os olhos verdes. — Mas por quê?

— Porque ele disse que não confiava no meu tio. – Respondeu com indignação. – Disse que meu tio ia ficar bebendo e ia se esquecer de mim... Como se aquele inútil se preocupasse comigo.

— Você e seu pai não se dão bem mesmo, não é?

— Não. Ele poderia até ganhar uns pontinhos positivos comigo se me deixasse ir no show, mas ele não se dá bem com meu tio, então não teve conversa. – Sarada se irritava só de lembrar dessa história, uma vez que chorou por quase uma semana por ter perdido o show da banda que tanto gostava, sem falar que Sasuke a trancou no quarto para evitar que ela fugisse. – Isso é meio irônico, já que meu tio foi mais pai pra mim do que meu pai de sangue.

— Você fica triste por isso, né?

— Sinceramente?... Sim.

— Por que não tenta se entender com seu pai, Sarada?

— Prefiro deixar do jeito que está. – Deu de ombros. – Mas não quero ficar falando dele.

— Você não gosta do seu pai?

A menina arregalou os olhos diante da pergunta.

Sarada gosta de Sasuke? Querendo ou não, se não fosse por ele, Sarada não existiria.

A verdade é que nem mesmo a própria Sarada sabe dar uma resposta para tal pergunta, já que ela não tinha certeza sobre o que sentia pelo pai, levando em consideração todas as merdas que o Uchiha fez desde que entrou em sua vida.

— Eu gosto dele sim... – A adolescente assentiu. – Mas eu tenho mágoa, entende?

— Sarada, não é bom guardar mágoa das pessoas. – Suspirou pesadamente. – Mas eu te entendo, sabia? Entendo como é difícil não sentir raiva de uma pessoa quando ela te magoa, quando ela pisa na bola... Eu entendo exatamente como você se sente.

A forma como Izanami falou deixou a morena até assustada. Ela parecia distante e falava pausadamente, como se pensasse em alguém específico, alguém de quem guarda algum tipo de mágoa.

— Por que você diz isso, Izanami?

— Eu já passei por muita coisa nessa vida, Sarada... Já fiz muita besteira também. Já fiz coisas das quais me arrependo e coisas das quais me envergonho muito, mas não tive outra opção... – A seriedade na voz de Izanami deixou Sarada perplexa. Que tipo de mulher ela era? A rosada era uma pessoa confiável? – Eu não sou uma pessoa ruim, mas já fui muito machucada, humilhada... De todas as formas. Só que tudo que aconteceu comigo tem um culpado, uma pessoa que poderia ter mudado o rumo da minha vida se tivesse ficado ao meu lado como prometeu.

— E é dessa pessoa que você guarda mágoa?

— Mágoa não, ódio! – Falou seriamente, sem esconder tal sentimento. – As coisas poderiam ter sido diferentes...

— Não vou ser intrometida a ponto de perguntar o que aconteceu... – Sarada falou meio desconcertada, pensando no que poderia ter acontecido de tão ruim na vida de Izanami.

— Mas eu não posso fazer nada, posso? – A mulher voltou a sorrir docemente. – Vou fazer o que? Encontrar a pessoa e depois matá-la? Destruir a vida dela como ela destruiu a minha? – Ela começou a rir. – Claro que não.

— Você teria que ser muito louca pra fazer isso, Izanami.

— Também acho... Enfim, esse assunto não é agradável. – A mulher tentou mudar o rumo da conversa ao perceber que desabafou com Sarada por impulso, falando tão naturalmente que mal percebeu que falou. – O que você acha de outro sundae?

— Curti a ideia.

A verdade é que, por mais que Sarada tivesse curtido a tarde que passou com Izanami, não conseguiu parar de pensar nas palavras que ela proferiu.

Mas, de uma coisa a menina tinha certeza, Izanami não era apenas uma acompanhante de luxo... Não, com certeza tinha mais coisa por trás dessa história toda.

Ainda assim, um pouco assustada com as palavras da mulher, Sarada não podia negar que gostava muito dela. A adolescente nunca foi de simpatizar tão rápido com as pessoas, mas com Izanami foi muito diferente.

Após se despedirem, cada uma foi para seu carro. Sarada pegou seu iPhone e olhou a hora, percebendo que já estava bem tarde e que o tempo passou sem que ela ao menos percebesse.

— Foi uma tarde divertida! – A Uchiha riu, então encostou a cabeça no volante por alguns segundos após ver Izanami passar com seu Mercedes S AMG e dar uma buzinada para ela. – Se eu tivesse uma mãe, queria que fosse como ela.

Com um sorriso bobo ainda estampado no rosto, Sarada deu partida no carro e foi para casa, se preparando psicologicamente para as perguntas de Sasuke, já que ela ainda não tinha pisado em casa desde o dia anterior.

Mas que se dane o Sasuke, Sarada se divertiu com Izanami e não iria negar que gostaria que isso se repetisse mais vezes.

[...]

Toská, Rússia

25 de fevereiro de 2016

00:13 P.M.

Fugaku sentia ira pelas merdas que Sasuke fizera nas últimas semanas. A polícia estava na cola dele, o que a deixava cada vez mais próxima da Amaterasu.

Não ter recebido informações de Madara sobre seu último pedido o deixava ainda mais frustrado. Seu primo garantiu que manteria a situação sob controle, mas, aparentemente, ele não fez nada.

Não costumava perturbar para saber informações, mas aquela situação exigia isso. Então resolveu ligar para o parente em Moscou. Ligou para o número da casa dele, o mesmo não demorou para atender.

— O que deseja, Fugaku?

— O que está havendo? Você disse que cuidaria da polícia.

— E é o que estou fazendo. Tenho um infiltrado na polícia.

— Apenas um? Não seja tão arrogante, você deveria ter mandado mais gente! – Esbravejou.

— Arrogante? Não me subestime, Fugaku. – Madara sorriu em deboche. – Meu subordinado já estava cuidando de tudo antes mesmo que você se inteirasse sobre a situação. Tenho total confiança sobre ele.

— Espero que tenha razão... Aquele traste do Sasuke não faz nada direito. – Fugaku apertou o telefone na mão e socou a mesa.

Madara soltou uma risada anasalada.

— Quem é o arrogante, agora? – Perguntou retoricamente.

— O que quer dizer? – Franziu o cenho.

— Acha que tudo o que faz é perfeito, Fugaku?

— Meu único erro foi o Sasuke! – Falou entredentes.

— Quem foi que se negou a ensinar o ofício ao próprio filho e, ainda assim, o admitiu no crime organizado? – Madara fez uma pausa e não obteve resposta. – O crime com mais evidências foi a morte do integrante da Samehada... Por falar nisso, quem teve a ideia de mandar uma garotinha de dezoito anos, iniciante, para matar alguém? – Mais uma pausa e nenhuma resposta. – Como pensei... Você é arrogante, Fugaku. Precisa parar de culpar os outros por seus erros. Sasuke não teria sido pego se não fosse por sua implicância com ele.

— Ele dormiu com uma policial... – Fugaku falou em voz baixa.

Estava sendo humilhado por seu primo mais novo e não conseguia aceitar aquilo.

— Uma mulher sedutora faz até o tempo se curvar diante dela. Chamo isso de competência. Porque capacidade, habilidade e inteligência... Isso também seduz.

— Sasuke foi descuidado... Não admito que o proteja! – Gritou.

— E quem é você para admitir ou não que eu faça alguma coisa? – Madara retrucou calmamente.

— Sarada é capacitada, eu mesmo a treinei.

— Você está tornando-a tão arrogante quanto você. Devo pensar que você a tirou da mãe dela apenas para atingir o Sasuke? Apenas para usar a filha dele para mantê-lo longe de você? Me diga, Fugaku, você teme que o Sasuke possa te matar?

As palavras de Madara atingiram o orgulho de Fugaku. Não podia se deixar tratar assim por ele.

— Não diga asneiras! – Esbravejou.

— Serão mesmo asneiras, Fugaku? Vou deixar que pense sobre o assunto.

Fugaku ouviu o som indicando que a ligação fora encerrada. A raiva o consumia. Fora humilhado pelo telefone por seu primo mais novo.

Estava frustrado por todas as coisas que Madara falou. A culpa era do Sasuke e não dele. Não fora arrogância dele, ele não era negligente. Seu filho que era um inútil.

— Merda! – Gritou e socou a mesa.