Amaterasu
5 Capítulo 04
Notas iniciais
Toská, Rússia
15 de fevereiro 2016
03:42 P.M.
Fazia apenas um dia desde que fizera sexo com o Uchiha. Izanami não queria parecer desesperada, mas paciente é uma coisa que ela nunca foi. Observava os números naquele papel, com o celular na mão direita. Pelo que pôde observar, a caligrafia de Sasuke continua a mesma. Belíssima. Isso sem ironia. Ele sempre foi muito perfeccionista para um homem.
Apertou os números e chamou. Sasuke não atendeu de primeira.
Suspirou reiniciando o celular. Isso não faria seu "chefe" atendê-la mais rápido, mas passaria alguns minutos para ela tentar ligar novamente. E assim o fez. Tentou uma segunda chamada e finalmente atenderam. Abriu a boca para falar e apenas ouviu a ligação ser encerrada. Assim, sem mais nem menos.
Isso a deixou com raiva. Quem ele pensava ser para desligar na cara dela? Apesar de que Izanami sabia que Sasuke não tinha ideia de que era ela no outro lado da linha. Ligou uma terceira vez, sem esperar. Já estava ficando impaciente.
— Vai encher o saco da tua mãe! – Ouviu a voz do homem saindo do celular. Ele aparentava estar muito chateado.
— Plena três e quarenta da tarde e já está ranzinza? – Debochou quando ele fez menção de encerrar a chamada, de novo. Sasuke ficou em silencio, tentando reconhecer a voz. Percebendo isso, ela tratou de explicar. – Sou eu, Uchiha. Izanami. Você me deixou o seu número. Creio que não era o do cartão. – Continuou com o deboche. Ela amava isso.
— Ah, é você... – Foi indiferente, já que ainda estava frustrado com o seu pai. Mas é claro que por dentro não pôde deixar de ficar satisfeito.
— Sim, sou eu. Você estava esperando minha ligação, não é mesmo? Ou não me diga que arrumou outra acompanhante...? – Provocou. – Caso seja isso, então devo dizer tchã...
— Encontre-me hoje à noite. – Bufou. – Em frente ao cassino.
— Não se preocupe, querido. Vou fazer o seu estresse aliviar. – Disse, percebendo o quanto ele estava tenso do outro lado da linha.
— Está louca. – Grunhiu, desligando, novamente, na cara da rosada. Mas dessa vez ela não se importou. Apenas sorriu. Sorriu sarcasticamente.
Fazia tempo, mas ela ainda lembrava do gênio do moreno.
[...]
Toská, Rússia
15 de fevereiro 2016
06:09 P.M.
Um caso já é muita coisa para uma policial da área criminalística, quem dirá dois. Hinata estava passando um sufoco com os assassinatos que vem trabalhando. Tinha que negociar o próprio sono.
— Meu Deus... – Ela murmurou enquanto jogava água no rosto pela quinta vez.
Se encarou no espelho por um tempo e ficou pensando seriamente.
Resolveu trabalhar primeiramente com o caso do Kisame.
Uma morte em local público, mas ninguém viu. Tiro na garganta por uma bala .45ACP, o tiro na árvore fora de uma .357 Magnum. As duas armas estão desaparecidas.
O morto tinha passagens pela polícia, e em uma delas recebeu fiança.
— É isso! – Gritou ao chegar numa conclusão. – Preciso ir atrás do doador anônimo. – Disse enquanto saía do banheiro.
Mas como ir atrás de alguém que você não sabe quem é?
— Kabuto. – Chamou o rapaz que estava fazendo a autópsia do corpo de Deidara.
— Logo te dou mais informações sobre o novo caso. – Disse sem tirar os olhos do corte na garganta da vítima.
— Quero saber sobre o Hoshigaki. – Foi direta.
— Eu já lhe disse tudo. – A encarou confuso.
— Ele não tinha mais nada? Nem mesmo um papel com ele, um celular ou alguma tatuagem? – Insistiu.
— Bem... Ele tinha uma tatuagem grande no bíceps esquerdo... – Foi até o computador e procurou no registro de fotos. – Veja, é um tubarão-martelo.
— Tubarão-martelo... – Refletiu. – Será que é algum símbolo de um grupo de bandidos?
— Não é apenas uma tatuagem?
— Não podemos descartar quaisquer evidências. – Disse enquanto analisava a imagem do peixe.
Era comum arruaceiros possuírem uma marca em seus corpos, representando a sua origem.
Hinata saiu da sala do rapaz, o agradecendo, e foi até seu computador pesquisar sobre registros antigos.
Ela jurava já ter visto aquela tatuagem, mas não sabia onde. Tinha certeza que havia prendido uma moça há sete anos com aquela mesma marca.
Agradeceu a Deus por sempre guardar documentos antigos. É como ela sempre diz: Às vezes o passado dá uma luz para o presente.
Era um caso de latrocínio, a culpada fora presa e ainda cumpria pena. Já sabia onde procurar.
Foi até o Centro de Detenção de Toská e logo foi direcionada por um dos guardas a uma sala de visitas.
Sentou-se numa cadeira, e logo depois, uma moça de baixa estatura sentou-se do outro lado. Ela lançou um pequeno sorriso, havia gravado bem o rosto da mulher que a jogara na cadeia.
Ela pegou o telefone ao lado, e a morena repetiu o gesto.
— O que a traz aqui, Hyuuga?
Se não houvesse provas suficientes dos crimes que ela havia cometido, Hinata ainda duvidaria que fosse uma ameaça, a julgar pelo seu jeito elegante.
— Preciso da sua ajuda.
— E o que te faz pensar que eu te ajudaria, querida? Estou aqui por sua culpa.
— Você está preso... Digo, presa porque matou uma pessoa. Está presa como consequência de seus próprios atos.
— Você continua sendo fria. – Ela se aproximou. – Diga em que posso te ajudar.
— Esta tatuagem em suas costas... Sobre o que se trata?
— Está interessada em meu corpo? Sabe que curtimos a mesma fruta, não é?
Hinata estreitou os olhos.
— Responda.
— É de um grupo que fazia parte. – Ela levantou a sua camisa e virou um pouco de costas, mostrando a enorme cicatriz que estava sobre a antiga marca, agora, quase irreconhecível.
— Você se machucou?
— Que fofa, preocupada... – A moça sorriu sarcástica e Hinata fechou a cara. – Eu fiz isso. Eu odeio esta marca.
— O que significa este símbolo?
— É um tubarão-martelo. Representa o grupo "Samehada", significa "pele de tubarão". Todos os membros possuem ela em uma determinada parte do corpo.
Hinata lembrou-se de que Kisame a tinha no braço esquerdo, sendo que, a moça a sua frente a tem nas costas, próxima aos glúteos.
— A minha é bem sugestiva. Eu era a puta do chefe. – Enfatizou bem o verbo no passado. – Mas ele me traiu. Eu era um rapaz, fiz plástica, coloquei peitos, mudei de sexo, tudo para que ele me notasse. O que ele faz? Contrata um hétero breguíssimo, com cara de peixe morto. – Ela enfatizou o "breguíssimo". – Ele me comeu, fez de tudo comigo e me deixou na mão para contratar aquele horroroso... E nem era para sexo!
— Foi tão ruim assim para você? – A Hyuuga sentiu pena por um momento.
— Na verdade era ótimo, o chefe me levava à loucura. – Ela sorriu como se lembrasse dos antigos prazeres.
Hinata baixou o rosto para esconder que segurava uma risada com as declarações da outra. Tinha que se manter profissional.
Ergueu novamente a cabeça e limpou a garganta, se recompondo.
— E quem seria o... Hã... "Hétero breguíssimo com cara de peixe morto"? – Limpou a garganta novamente ante à expressão usada pela detenta.
— Um tal de Salame... Ou seria Kisame? – Ela deu de ombros.
— Kisame? Ele está morto.
— Mesmo? Finalmente uma boa notícia nestes sete anos presa. – Deu uma leve risada. – Pode me dizer como ele morreu?
— Sinto muito. – Continuou a encará-la de maneira profissional.
— Aquele cafona foi preso e o chefe fez questão de pagar a fiança dele. Graças a Deus virou sushi.
— Quem é o chefe de vocês?
— Querida, procure por conta própria. – Sorriu. – Já te dei muitas informações a troco de nada.
— Não deseja vingança? – Disse num tom tentador.
— Se esta vingança me tirar da cadeia, farei questão de ajudar. – Deu de ombros.
A mulher suspirou e olhou para trás. O guarda alertou que o tempo de conversa havia acabado.
— Tudo bem, já consegui o mais importante. – A Hyuuga se levantou ainda no telefone.
— Se você matar o meu chefe ou jogá-lo na prisão, ficarei muito feliz. Desejo tudo de ruim àquele traidor!
— Farei apenas a minha obrigação como detetive. – Voltou com o telefone no gancho e se virou indo até à porta.
— Ei! – A moça gritou e ela parou, a olhando de relance. – Não seja mal-educada!
A mulher respirou profundamente e logo depois soltou um suspiro.
— Obrigada, Haku.
— Não há de quê, querida. – Um sorriso maroto surgiu em seus lábios.
A Hyuuga saiu da delegacia e voltou para o seu local de trabalho.
Estava feliz, finalmente conseguiu uma pista que valia a pena investir. Sentia que estava a uns poucos passos de encontrar o assassino do caso Kisame.
A mulher retornou ao seu local de trabalho, seguindo direto para onde eu colega ainda estaria analisando os corpos.
— Kabuto! Boas notícias!
— Que euforia toda é esta? – Riu descontraído. – Também tenho boas notícias. Mas pode falar primeiro.
— Lembra que eu perguntei sobre a tatuagem e que poderia ser símbolo de algum grupo de bandidos? – O rapaz assentiu. – Então... Eu estava certa! O nome do grupo é Samehada, e se minha teoria estiver certa, alguém do grupo o matou.
— Por que alguém do grupo?
— A pessoa que interroguei fazia parte do bando, e ela apresentava visível ódio ao Hoshigaki. Talvez outros membros também não gostassem dele.
— Pode ser... Mas onde encontraremos este grupo?
— Em qualquer buraco sujo, isso é o de menos. – Deu de ombros. – Você disse que tinha uma boa notícia...
— Ah, sim! Bem, o caso do apartamento do Deidara foi um assassinato.
— Disso eu sei.
— O corte na garganta do rapaz não foi feito pela Ayame. Ela é destra e o corte foi feito da direita para a esquerda. – Falou empolgado. – Tente cortar minha garganta de frente, com a mão direta da direita para a esquerda.
A morena fez o que o rapaz sugeriu e sentiu certa dificuldade.
— O movimento é fechado... – Refletiu.
— Exato. O corte deveria ser aberto, em questão de lógica, já que ela é destra. – Sorriu abertamente. – Nosso assassino é canhoto.
— Está dizendo que o culpado gravou as digitais na mão esquerda dela e a fez atirar na própria cabeça com a direira?
— Exatamente. O assassino é esperto.
— Nem tanto. – Refletiu risonha. – Obrigada pela informação, qualquer coisa me avise. Estarei em minha sala.
— Claro.
Hinata saiu da frente de Kabuto e caminhou até o local que disse que estaria.
Precisava encontrar onde possivelmente o grupo do qual Haku falava.
Já sabia onde começar. A área oeste de Toská. Normalmente há vários grupos de bandidos ali, não seria difícil.
Iria precisar de reforços, uma mulher não pode ir lá sozinha. Seria como uma ovelha numa matilha de lobos.
Contatou seu chefe, Shikamaru, e ele aprovou a ideia de pedir reforços. Se fosse para achar o culpado, deveria arriscar.
[...]
Toská, Rússia
15 de fevereiro de 2016
10:11 P.M.
Precisava ir ao cassino encontrar sua nova funcionária. Ele iria mais tarde, mas havia esquecido completamente de marcar um horário. Estava tão chateado que não pensou nisso.
Tirou o carro da garagem e estava pronto para partir, quando viu alguém escorado em um poste em frente à mansão. Abaixou o vidro da porta do carona para ver melhor, já que o vidro fumê não lhe proporcionava uma boa visão.
— Anda muito avoado, Uchiha. Quase não me viu aqui. – Izanami esboçou um sorriso, se aproximando do carro.
— O que está fazendo aqui? Eu falei para me esperar no cassino. – Falou de dentro do carro, contrariado.
— Ah, eu odeio esperar. Não tenho a menor paciência. – Deu a volta no automóvel, se apoiando na porta do motorista, fazendo Sasuke abaixar o vidro. – E eu não sabia que horas você iria.
— Não lembro de ter dado o meu endereço. – Estreitou os olhos.
— Eu tenho os meus contatos. – Pegou uma mecha de cabelo do moreno, enrolando-a nos dedos. – Que tal me deixar entrar para conhecer a sua humilde casa? – Ironizou. – E o seu quarto, principalmente. – Sussurrou no ouvido do rapaz, dando-lhe um beijo demorado e provocante no pescoço.
Sasuke sorriu de canto, destravando as portas do carro.
— Entra aí. – Com a cabeça, apontou para o seu lado.
— Isso demora demais. – Abriu a porta do motorista, sentando-se no colo de Sasuke e apoiando a costa no peitoral do mesmo.
Ele ficou um pouco surpreso, mas gostou da ousadia.
— Eu te comeria aqui mesmo, se o carro não tivesse sido lavado há pouco tempo. – Comentou, dirigindo novamente para a garagem da mansão.
Ambos saíram do carro, indo para a entrada. Sasuke abriu a porta com a chave e entraram. No hall mesmo Izanami segurou o rosto do Uchiha, dando-lhe um beijo quente. Sasuke retribuiu, segurando a cintura dela com ambas as mãos. Foram andando, distraídos demais para prestar atenção nas coisas em que esbarravam. Encostou a rosada na parede, escorregando a mão direita pela coxa farta e exposta da mulher.
Izanami tirou os saltos e circulou o pescoço do Uchiha com os seus braços. Jogou algumas mechas rosas de cabelo para trás e puxou o lábio inferior do homem. A mão esquerda de Sasuke foi ao interruptor, acendendo as luzes da sala, logo indo para as costas da acompanhante, abrindo o zíper do vestido colado que ela usava. A mulher encostou a cabeça na parede, suspirando de olhos fechados, sentindo a boca do moreno ir para o seu pescoço. Ela desencostou da parede, dando um passo para trás. Esbarrou no braço do sofá, caindo e levando o Uchiha junto, por cima de si.
Antes que os amassos ficassem ainda mais quentes, alguém pigarreou. Os dois olharam na direção de onde o som veio e viram Sarada sentada com o celular em mãos.
— Não se pode mais nem conversar com o namorado em paz. – Ela reclamou, mostrando o WhatsApp aberto.
— Sarada! – Sasuke murmurou, ficando de pé na frente do sofá. Izanami fez o mesmo, ajeitando os cabelos e passando o polegar esquerdo nos cantos da boca para ajeitar o batom.
— Não precisa se explicar, Sasuke. Sua boca manchada com o batom dela já diz tudo. – Sarada debochou.
— Uma ova. Não lhe devo explicações, garotinha. – Contra-atacou.
— Com licença. – Izanami se meteu na conversa. – Será que você poderia fechar aqui pra mim, por favor? – Virou as costas para o moreno, mostrando o zíper aberto do vestido.
— Você não deveria estar dormindo? – Sasuke perguntou para a filha, fechando a roupa da rosada.
— Até parece. Me poupe. – Ela revirou os olhos. – Aliás, por que não me apresenta a sua "amiga"? – Fez aspas com os dedos.
— Sou Izanami. – A rosada se adiantou. – Acompanhante de luxo do Sasuke.
— Ah, uma puta chique. – Sarada riu.
— É. – Izanami acompanhou a risada da menor. – E você? Sasuke é o seu irmão mais velho?
— Nah! Eu sou Sarada. O Sasuke é apenas mais um traste em minha vida. – Terminou a frase e ambas começaram a rir.
— Argh! – Sasuke bufou, olhando nervoso para as duas. Izanami pôs uma mão sobre os lábios, parando a risada.
— Careta... – Sarada revirou os olhos. – Bem, eu vou deixar os dois a sós. Prazer em conhecê-la, Izanami. – Sarada levantou-se. – Boa noite para você. – Olhou para a rosada e depois para Sasuke. – E você, foda-se! – Subiu as escadas, indo para o seu quarto.
— Não dê bola para o que essa guria malcriada fala. – Sasuke disse nervoso, fuzilando o local por onde Sarada passou.
— Ela parece ser uma boa menina. – Izanami deu de ombros. – Agora... Onde paramos mesmo? – Sorriu maliciosamente para o Uchiha, ganhando um sorriso de canto do mesmo.
[...]
Toská, Russia
16 de fevereiro de 2016
00:04 A.M.
Sarada estava novamente jogada no sofá, conversando com Boruto pelo WhatsApp, quando Izanami passou por ali com Sasuke.
— Tchau, Sarada, foi bom te conhecer. – Izanami falou com um sorriso no rosto e Sarada desviou o olhar da tela do celular para ver a rosada.
— Digo o mesmo. – Falou sorrindo. – Acho que vamos nos ver mais vezes. – Sorriu em deboche, olhando para Sasuke e voltou a olhar para o celular, digitando alguma coisa para Boruto.
— Provavelmente sim. – Izanami deu uma risada divertida e então Sasuke foi levá-la até o portão.
Sasuke se despediu rapidamente de Izanami e logo voltou para casa, estava cansado, embora a mulher o tenha ajudado a relaxar bastante.
O moreno viu sua filha, ainda jogada sobre o sofá, usando um pijama preto, e ficou encarando a adolescente.
— Que foi? – Sarada questionou assim que percebeu que Sasuke a encarava com os braços cruzados e o olhar desaprovador. – Perdeu alguma coisa aqui, Sasuke?
— Já é hora de criança estar dormindo.
— Então pode ir. – Repondeu-lhe a menina, voltando a fitar o celular como se seu pai fosse um ser invisível.
— Muito engraçado... – Ironizou. – Pensei que estivesse no seu quarto.
— Estava, mas o barulho de uma certa festinha particular estava me irritando. – Falou com falsa animação. – Para que fazer tanto barulho? Vocês estavam fazendo um filme pornô ou o quê?
— Ah, menina, não diz coisa que você não sabe. – Bufou.
— Eu não fico gemendo tão alto assim. – Balbuciou baixinho.
— O que você disse? – O homem questionou desconfiado e a menina revirou os olhos, afinal, sua vida sexual com Boruto não dizia respeito a Sasuke. Ela sabia ser mais discreta do que seu pai e a acompanhante dele nessas horas.
— Eu disse que os vizinhos não precisam ouvir. – Berrou. – Ouviu agora? – Rosnou irritada. – Tá ficando velho e tá ficando surdo.
— Argh! Eu nem sei para que eu dou papo para você, garota! – Sasuke fez menção de sair da sala para poder ir para o conforto de seu quarto, mas a voz de Sarada o fez ficar ali.
— Vem cá, pra que diabos você contratou uma acompanhante de luxo mesmo? – Arqueou uma sobrancelha e largou o iPhone de lado, cruzando os braços em frente ao corpo.
— Porque eu posso. – Sorriu para provocar a filha como se ambos fossem dois adolescentes querendo contar vantagem por alguma coisa. – Não quero uma puta qualquer que eu encontro nessas esquinas por aí.
— Ah, você quer uma puta chique. – Ela riu da cara do moreno. – Tá tão velho e acabado que tem que pagar pra comer alguém. – A garota balançou a cabeça em sinal negativo, sua desaprovação era quase palpável, mas é claro que tudo aquilo era apenas para irritar seu pai. Ela estava pouco se importando com o que ele fazia ou deixava de fazer. – Olha, Sasuke, você caiu ainda mais no meu conceito.
— Sério? – O Uchiha fingiu surpresa. – Desde que nos conhecemos, eu não pensei que eu poderia cair ainda mais no seu conceito!
— Naquela época você ainda... – Sarada ficou com o semblante triste e isso não passou despercebido pelo pai, que sempre foi tão ausente, mas logo Sarada voltou a ficar séria. – Deixa pra lá, se você não ligou antes, com certeza não vai ligar agora.
— Você fala umas coisas sem sentido, é por isso que eu nunca entendi você! – Falou irritado. – E vai dormir, já está tarde. Manda esse cacho de banana ambulante procurar o rumo dele.
— Idiota! – A adolescente pegou o celular novamente para poder responder uma mensagem do namorado. – Essa sua acompanhante é quase uma santa. Mesmo sendo paga, deve ser um carma ter que aguentar você.
— Ao contrário do que você pensa, eu não sou um velho que sofre de impotência.
— Não? – Sarada arregalou os olhos em falsa surpresa. – Eu pensei que aquele "Ah, Sasuke, isso..." – Ela imitou a voz de Izanami e Sasuke fechou a cara. – Fosse resultado de uns três comprimidos de Viagra.
Sarada ofendera a honra de um homem.
“Onde já se viu eu, Sasuke Uchiha, um macho alfa que exala testosterona, precisar de estimulante sexual?”, o Uchiha pensou.
Seria muita humilhação se a jovem falasse aquilo em público...
— Eu só não te bato agora...
— Porque você não é meu pai! – Sarada interrompeu antes que Sasuke terminasse sua frase.
— É claro que eu sou seu pai, garota! – Falou impaciente.
— Não! – A menina levantou-se do sofá e encarou seu progenitor. – Você me fez com qualquer vagabunda por aí, sequer se lembra direito quem é. Até diz que sequer a reconheceria se a visse novamente! Você nunca foi um pai de verdade!
Dito isso, Sarada foi correndo para seu quarto, deixando Sasuke sozinho na sala e ainda mais irritado.
O moreno soltou um suspiro alto e se jogou no sofá, pensando pela milésima vez se seria prudente contar toda a verdade para a filha, mas novamente chegou à conclusão de que o melhor a se fazer seria ficar calado sobre o assunto.
Afinal, seria muito melhor Sarada ter raiva dele – como sempre teve – do que de Fugaku e Mikoto, as duas pessoas que ela mais ama na vida.
— Ah, Sarada... – O moreno, ainda um pouco atordoado enquanto um flash de seu passado passava pela sua cabeça, bagunçou os cabelos e fitou o teto. – Se você soubesse da verdade...
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