Amarras do Passado

36 Won't Go Home Without You - Maroon 5


Notas iniciais
Olá pessoas ^^ Não tenho muito o que dizer hoje, as coisas estão ficando mais intensas. Vocês estão reparando nisso? Eu sei que estão. Muito obrigada pelos comentários. Não vou conseguir responder hoje os comentários do capítulo anterior, mas eu prometo que até quarta eles serão respondidos. Capítulo ainda sem revisão, sorry! Enfim, enjoy!

Passado

Peeta

"...It's not over tonight
Just give me one more chance to make it right
I may not make it through the night
I won't go home without you

The taste of her breath, I'll never get over
The noises that she make keep me awake, oh
The weight of things that remained unspoken
Built up so much it crushed us everyday..."

***

Eu deveria ter falado com ela. Penso irritado ao passar as mãos pelo meu rosto. Eu sei que deixei uma nota para ela no meu apartamento, e espero que Katniss a encontre e consiga me perdoar por não ter me despedido dela.

Meu pai apareceu no inicio da manhã e tivemos que correr até o Distrito Cinco para resolver um grande problema com a abertura de mais uma filial da padaria Mellark's lá. Como os meus irmãos já estavam ocupados com outras coisas da administração das padarias, eu que não tinha nada muito importante para fazer, tive que acompanhar o meu pai.

Se Katniss tivesse dormido comigo, eu poderia ter me despedido dela de modo mais certo, mas ela não estava comigo, e eu não iria cinco horas da manhã acordá-la em seu dormitório apenas para me despedir. Eu sabia que ela tinha trabalhado na lanchonete do campus no dia seguinte, e é certeza que ela estaria exausta, e não fazia sentido eu ir acordá-la apenas para me despedir. Não quando a minha viagem seria tão rápida.

A previsão era a de ficar dois dias longe. Seria rápido. Katniss nem sentiria a minha falta e nós dois podemos passar esse pequeno tempo sem conversar. Todavia, assim que eu voltar para a Capital vou instalar um aparelho telefônico no meu apartamento, séria muito mais fácil poder falar com ela enquanto estamos afastados.

Será que Katniss está dormindo em meu apartamento? Está me esperando lá? Fico excitado só de pensar nisso. Eu gosto de imaginá-la me esperando em casa.

Eu vou sentir a falta dela ao meu lado, estou certo disso. Entretanto, eu não tinha como recusar esse pedido do meu pai, ele sempre me deu tanto e nunca pede nada em troca. É uma das primeiras vezes que ele me pede algum favor.

A viagem até o Distrito Cinco foi muito tranquila e rápida. O problema principal foi que os fornos industriais que meu pai comprou para a padaria não tinham sido entregues, então nós dois tivemos que correr para lá para verificar o que não estava ocorrendo conforme e previsto, e fiscalizar para que tudo desse certo no final.

É lógico que eu não posso deixar de citar que não levou muito tempo para Glimmer me ligar, não sei como ela conseguiu o número de telefone do hotel onde eu estava hospedado, eu tenho as minhas suspeitas que foi a minha mãe que deu o número para ela. Pois a minha ex não para de me ligar, me liga chorando dizendo que não pode ficar sem mim, me liga gritando me xingando por trai-la e me liga implorando para conversarmos mais uma vez, para eu dar uma outra oportunidade em nossa conversa.

O que posso dizer é que estou cansado dela, tão fodidamente cansado de ser educado com ela, de ter que ficar me explicando a cada hora para ela. Eu até conversei com o meu pai sobre isso, e ele primeiramente ficou muito feliz por eu ter terminado com ela, e quando eu disse que estava saindo com outra pessoa, ele apenas me perguntou se era com a "...minha amiga bonita, daquele dia na padaria...", eu confirmei e a única coisa que ele fez foi sorrir. Depois ele me disse que ao seu ver, insistir em um relacionamento sem amor com Glimmer não iria me levar a lugar nenhum.

E é lógico que ele está certo. Eu não me arrependo de não ter terminado com ela, eu me arrependo de ter sustentado essa relação cheia de mentiras por tanto tempo. Eu me arrependo de ter mentido para Glimmer fazendo ela acreditar que nosso namoro acabaria em algo há mais. Eu me arrependo de ter mantido Katniss em segredo por tanto tempo. Essas são as coisas que eu não gostaria de ter feito. Mas, o que está feito, feito está. Eu não tenho o poder de mudar o passado, porém posso me empenhar em transformar o meu futuro.

Depois de um longo suspiro eu caminho até a minha mala aberta em um lado do quarto, as poucas roupas que eu tinha em minha mala já estavam guardados no espaçoso guarda-roupa, mas havia algo que eu guardei na mala, por medo de esquecer aqui no hotel.

Algo muito importante, e muito caro tenho que admitir.

Entretanto, eu não pude resistir a tentação de comprar o presente, não quando ele em lembrava tanto de Katniss. Eu e meu pai tínhamos acabado de desembarcar aqui no Cinco, como era inicio da tarde, nós fomos jantar e depois fazer um pequeno passeio até a padaria Mellark's, que seria inaugurada em breve.

Depois de um jantarmos, quando estávamos indo em direção a padaria que ficava localizada na principal avenida do Distrito, nós dois acabamos por passar na frente de uma infinidade de lojas, muitas grifes da Capital, muitas lojas eletrônicas cheia de aparelhos modernos enfeitando a suas vitrines, e passamos na frente de algumas joalherias.

Ao passar na frente de uma das maiores lojas, na vitrine eu uma infinidade de joias expostas. E foi engraçado porque eu até parei da andar e fiquei encarando algumas alianças. Estava na parte reservada por uma pequena placa onde se lia Alianças de Noivado, eu mal podia desgrudar os meus olhos do pequeno anel brilhante. Em meu peito eu apenas tinha a certeza que ele tinha sido feito para estar no dedo de apenas uma pessoa.

O meu pai me chamou, o que acabou por me distrair da singela aliança brilhante, e me trazer de volta para a realidade. Eu acabei por acompanhá-lo, mas durante o restando do passeio até a nova filial de nossa padaria eu não conseguia tirar a loja da minha cabeça. Por isso, quando o meu pai estava fiscalizando a padaria por dentro, eu apenas pedi licença e que o encontraria em breve, e corri de volta para a loja em questão.

Não preciso dizer que fui muito bem atendido pelas funcionárias, principalmente depois de apresentar o meu cartão de crédito. A aliança tinha um preço justo, as vendedoras tentaram me mostrar outras peças, algumas ainda mais caras e brilhantes, mas eu adequadamente recusei. Depois de pagar por minha compra e que ela foi embalada devidamente, a vendedora ruiva que me atendeu me disse.

– A moça é muito sortuda.

– Não. — Eu respondi ao sorrir. — Eu é que sou sortudo.

Voltei o mais rápido possível para onde o meu pai estava. Por sorte ele ainda estava verificando algumas peças instaladas na cozinha, Mas não brigou pela minha ausência. Apenas me olhou com seus olhos inteligentes, de uma azul tão igual ao meu. E sorriu abertamente.

– Não esqueça de me convidar para o seu noivado. — Ele me disse depois de voltar a olhar para a grande pia da cozinha.

– Não vai acontecer agora, eu e Katniss estamos apenas começando o nosso namoro, mas...

– Eu sei, você não vê a hora de transformá-la em algo à mais do que apenas sua namorada. — Falou ele ao me interromper. — Esse é um grande passo Peeta. Tem certeza sobre ela?

– Nunca estive tão certo em toda a minha vida. — Eu respondo de forma orgulhosa. — Sei que Katniss ainda não está preparada, mas quem sabe depois de alguns meses.

– Você escolheu bem, ela parece ser uma garota fantástica. Quando voltarmos para a Capital nós vamos marcar um jantar lá em casa, eu quero conhecê-la melhor. E quero que ela se sinta a vontade conosco.

– A mãe vai ser difícil...

– Sua mãe sempre é difícil, mas ela quer o seu bem. E se a menina Katniss é a sua escolhida, ela vai ter que lidar com isso. — Disse o meu pai. — Não se preocupe, eu vou conversar com sua mãe.

– Obrigado, pai. — Disse comovido.

Agora puxo a minha mente de volta para o presente, para esse quarto de hotel. Lentamente eu abro a sacola da joalheria e retiro de dentro a caixinha preta revestida de veludo.

Ao abri-la eu suspiro feliz ao ver novamente essa pequena aliança de noivado. Estou certo que será do gosto de Katniss, quando eu enfim a entregar. Foi fabricada para enfeitar o dedo dela.

Eu escolhi essa aliança na loucura, eu sei. Eu ainda estou resolvendo toda uma enxurrada de problemas por ter terminado com Glimmer, ainda estou fortalecendo o meu relacionamento com Katniss, mas fui tomado por algum tipo de sentimento muito grande quando eu olhei na vitrine daquela loja.

A aliança era simples, porque Katniss não aceitaria nada grandioso e espalhafatoso. Era um circulo de ouro branco muito puro e resistente, com uma perola muito branca rodeada de uma pequena fileira de diamantes delicados. A peça era muito bonita. Eu mal podia esperar o momento de entregá-la a Katniss e implorar que ela aceitasse se casar comigo, ser oficialmente minha noiva.

Nós dois podíamos ficar noivos enquanto estávamos na Universidade, depois de formados, eu compraria a maior e mais linda aliança de casamento para a minha morena, e dessa vez ela apenas teria que aceitar algo estupendamente grande para enfeitar o seu dedo. Um diamante, ou uma esmeralda, talvez uma safira.

Volto a suspirar mais uma vez e guardo a aliança de volta em sua caixinha de veludo. Depois eu devolvo a sacola com esse pequeno tesouro para dentro da mala mais uma vez.

Eu tenho certeza que é Katniss que eu quero. Sinto em meu coração que é ela a futura senhora Mellark da minha família. Igual as minhas cunhadas de nariz empinado, que também levam o nome dos meus pais, porém Katniss é a mais bonita de todas.

Penso ao sentir o meu coração disparar. É a primeira vez que penso em Katniss sendo a minha esposa, eu sei que nós dois somos ainda muitos jovens, mas isso não é desculpa ou impedimento para ninguém. Finnick e Annie são um exemplo vivo disso. Os dois são muitos jovens também, e Annie já carrega uma aliança de noivado no dedo à pelo menos um ano.

Agora que eu tenho Katniss, eu consigo entender porque o Finnick colocou um anel de compromisso no dedo de Annie o mais rápido que ele podia. Quando você sabe que é a pessoa certa, você apenas sabe. Eu sempre quis Katniss, desde que era um menino tímido e tinha muita vergonha de falar com ela na escola. Bom, agora eu já não sou um menino, e Katniss já é minha à alguns meses.

Eu fui o primeiro homem na vida dela, e ela será a última mulher na minha vida. Nós dois juntos somos fortes, e eu não poderia amar mais nenhuma mulher igual eu a amo.

Tenho que acordar de meus pensamentos românticos quando o aparelho telefônico ao meu lado toca.

– Peeta? — Ouça uma voz me chamar quando eu atendo a ligação. É Glimmer mais uma vez, se passou o que da última ligação dela? Uma hora talvez? Vou ter que pedir para o hotel não me passar mais nenhuma ligação dela.

– Glimmer, você novamente. — Digo cansado. — O que você quer dessa vez?

– Eu te amo Peeta, você não pode me deixar, não vou aceitar que você me deixe. — Ela começou a dizer com sua voz desesperada. — Não posso aceitar que você não me ama mais, que não me quer. Não quando eu te quero tanto.

Eu a escuto falar e decido acabar com isso de uma vez por todas, se Glimmer não quer entender o nosso termino por bem, esta na hora de ela entender por mal.

– Eu não sei como te explicar isso, mas você tem que entender. — Começo a dizer para ela com a minha voz mais séria. — Eu sinto muito, mas eu mudei de ideia muitas vezes, e posso garantir que não vou mais mudar. Ficar com você todo esse tempo foi um erro terrível, eu errei e não quero continuar a insistir em algo que não vai dar certo. Você e eu não podemos continuar juntos. Eu não quero você. Meu pai esta certo em dizer que ficar com você não vai me levar a lugar algum, eu quero que você saia da minha vida de uma vez por todas...

– Você não pode estar falando sério Peeta. — Ela tenta me interromper. Posso até notar que ela esta chorando pela voz arrastada, mas não me importo com o seu choro. Não posso me importar ou ela não vai me deixar partir nunca.

– Glimmer, eu a amo, dá para entender isso? Estou apaixonado por Katniss. — Continuo a minha explicação, deixo a minha voz soar o mais fria possível, tenho que fazê-la entender de uma vez por todas. — Insistir em nós dois foi um erro. Eu sinto muito, me desculpe. Mas, eu não amo você. De uma vez por todas eu vou pedir que você saia da minha vida. Eu quero que você pare de me procurar, pare de vir atrás de mim. Glimmer, é ela que eu amo, é Katniss. Eu não quero que você a persiga por isso.

– Você é injusto Peeta, vamos ao menos conversar, você me usou esse tempo todo? Foi isso? — Perguntou Glimmer irritada. — E eu não estou perseguindo a cadela, você acha que eu tão baixa assim?

– Estou terminando com você de uma vez por todas, saia da minha vida. Eu não estava te usando, mas eu estou muito convicto da minha decisão de ficar com Katniss. — Continuo a falar sem me importar com a sua interrupção maldosa, detesto quando ela xinga a Katniss.- Você gostando ou não, é assim que as coisas são agora. Eu estou com Katniss, você tem que me deixar em paz, parar de me perseguir. Ouviu?

– Não vou aceitar isso, ela não te ama. Eu te amo, muito mais do que ela vai amar em toda uma vida. — Glimmer continua a tentar me convencer.

De certa forma eu tenho que afastar o ouvido do telefone por alguns instantes, xingar um bocado e depois voltar para a ligação. Acabou, tudo o que eu tinha para falar com Glimmer já estava dito. Eu não vou mais me preocupar com ela, já não tenho mais essa paciência. Eu fiz uma promessa para Katniss e eu pretendo cumpri-la.

– Me diz alguma coisa...

– Eu estou em viagem agora e quando eu voltar para a Capital eu espero nunca mais te ver. Adeus e tenha uma boa vida. — Termino a ligação sem esperar por uma resposta dela, depois aperto o botão do telefone chamando as recepcionistas e telefonistas do hotel. Deixo bem claro, com o pouco de educação que me resta que não quero mais que elas me passem nenhum ligação dessa moça. Depois que acerto isso eu desligo o telefone e vou tomar um banho. Tenho que esfriar a minha cabeça agora.

Tudo o que eu queria nesse momento era me enfiar em uma cama com Katniss, abraçar o seu corpo no meu e me afogar em seu perfume até cair no sono. Queria tanto ouvir o som da sua voz. Eu me detesto por não ter colocado um telefone no apartamento.

Espero que depois disso Glimmer posso me deixar em paz.

***

Cinco Dias Depois

Os fornos finalmente foram entregues, com quatro dias de atraso. O que deixou o meu pai e eu com um humor dos diabos. Eu esperava ficar apenas dois dias aqui no Distrito Cinco, e agora estou à cinco dias aqui, e vou ficar por mais três, pelas minhas contas. Eu e meu pai decidimos isso depois de muito conversar, temos que ter certeza de que tudo vá ocorrer de modo certo e que nada vá dar errado. Não na inauguração que será dentro de dois dias.

Só estou suportando a minha saudade de Katniss pois todas as noites eu pego a aliança de noivado que eu comprei para ela e fico olhando para o pequeno anel na palma da minha mão. Antes de dormir eu sempre guardo o pequeno tesouro de volta em sua caixinha de veludo e para dentro da mala.

Cinco dias sem ouvir a voz de Katniss. Penso irritado. Cinco dias sem olhar em seus olhos cinzentos.

Por mim, eu mesmo inaugurava essa maldita padaria sozinho, amanhã mesmo. Apenas para voltar o mais rápido possível para os braços da minha garota. Eu estou com tanta saudade dela que sinto o meu coração apertar de dor. E uma ansiedade estranha tomou conta do meu peito à uns dois dias atrás, eu não sei bem o que é, mas sinto que algo esta muito errado. Quando eu ligo para o apartamento dos meninos ninguém atende. E ligar para a minha casa para pedir noticias de Katniss, não seria uma boa ideia. Minha mãe ainda não sabe que eu estou saindo com ela. Apenas sabe que eu não estou mais saindo com Glimmer.

– Peeta? — O meu pai me chama, depois de entrarmos no hotel. Eu estou cansado, muito cansado. Porém, meu pai insistiu em pegar as mensagens na recepção. Então eu decidi esperá-lo para ver se tinha algo para mim. — Tenho algumas mensagens para você.

– Mensagens? — Pergunto confuso.

– Sim. O seu amigo Finnick deixou uma dezena de mensagens exigindo que você ligue de volta o mais rápido possível. — Respondeu o meu pai com um olhar preocupado. — Será que aconteceu alguma coisa séria com alguém?

– Eu não sei, mas vou ligar agora mesmo. — Digo, cheio de ansiedade. Caminho até o grande balcão da recepção. — Olá, boa tarde, será que eu posso fazer uma ligação desse telefone?

– Claro que pode. — Diz uma das recepcionistas ao sorrir e me entregar o pequeno aparelho.

Rapidamente eu disco o número do apartamento que eu dividia com os garotos da Turma e espero ser atendido.

– Finnick. — Ouço a voz do meu amigo dizer do outro lado da linha.

– Finnick, sou eu. Você queria falar comigo? — Pergunto ansioso.

– Seu filho da puta. Por que você não atende essa desgraça de telefone?- Grita ele do outro lado da linha. Ok, tem alguma coisa muito estranha acontecendo. — Sabe à quanto tempo eu estou tentando te ligar?

– Vamos deixar os xingamentos para mais tarde. — Digo depois de um suspiro cansado. — Eu estou exausto, trabalhei o dia todo. Pode me adiantar o assunto. Não, melhor ainda. Me conte de Katniss, ela está bem?

– Escute, largue tudo o que você está fazendo ai e volte o mais rápido possível para cá. — Ele exige com raiva. — Você me ouviu, Peeta. Você tem que voltar o mais rápido possível para cá, não pode mais se atrasar nenhuma hora.

– O que aconteceu? — Exijo saber, sinto o meu coração apertar no peito. — Me conta o que aconteceu!

– Eu não posso te contar por telefone, ok? Você não vai querer saber disso por telefone, apenas enfie essa sua bunda em um trem de volta para a Capital imediatamente. — Ele fala mais calma dessa vez, ainda assim eu posso notar um certo desespero em sua voz.

– Porra, Finnick. Não faz isso comigo, me conta o que aconteceu. — Eu digo mais nervoso do que nunca. — É katniss? Onde está Katniss, você está com ela? Ela deve estar trabalhando agora.

– Katniss não está trabalhando, ok? Ela não está aqui na Capital, ninguém consegue encontrá-la. Annie foi procurar noticias dela na secretaria e ficou sabendo que ela não é mais aluna da Universidade. — Ele me diz quase rosnando. — Você tem que voltar agora mesmo.

– Estou saindo daqui agora, vou pegar o primeiro trem para a Capital. — Me ouço dizer em estupor. Depois desligo o aparelho telefônico e o devolvo para as recepcionistas.

Meu pai está me esperando ao meu lado, seus olhos azuis estão muito preocupados ao me olhar.

– O que aconteceu? — Pergunta ele ao me encarar. — É alguma coisa com a nossa família?

– Não. Não é nada com a nossa família. É Katniss. — Digo ao engolir em seco, já estou me afastando do meu pai praticamente correndo para os elevadores. — Ela trancou o curso na Universidade, e ninguém sabe onde ela está. Desculpe pai, eu não posso ficar aqui, eu tenho que voltar para a Capital, descobrir o que aconteceu.

Meu pai apenas me olha preocupado e acena afirmativamente com a cabeça.

– Não fique preocupado, vá para a Capital e descubra o que aconteceu. Isso pode ser um mal entendido, ela deve estar em algum lugar, na casa de alguma amiga talvez. — Ele me diz depois de me dar alguns tapinhas no ombro.

Logo nós estamos dentro do elevador e eu estou flutuando em preocupação.

O que Finnick quis dizer com "ela não está aqui na Capital"? Isso não faz o menor sentido, eu só estou fora por cinco dias. Katniss não trancaria o curso e iria embora sem motivo algum. Eu tenho que encontrá-la.

Sinto uma dor forte no meu coração nessa hora, e uma pontada aguda em minha cabeça. O que aconteceu? Estou tão cansado desse drama todo, tenho certeza que Glimmer fez alguma coisa. Alguém fez alguma coisa, eu sei que Katniss não iria embora sem motivo, se formar na Capital era muito importante para ela. Era a realização do sonho de seu pai, já falecido.

As próximas horas passam como um pesadelo terrível, eu estou entorpecido e mal posso notar alguma coisa ao meu redor. Estou focado em apenas uma coisa, chegar na Capital e procurar por Finnick para que ele possa me contar exatamente o que está acontecendo.

A viagem de volta para a Capital é um verdadeiro teste de paciência e um tormento maior do que eu esperava, eu não consegui pregar os meus olhos em nenhum momento, para falar a verdade eu nem ao menos me lembro de me despedir do meu pai, acho que apenas enfiei a minha roupa de qualquer jeito dentro da mala e dei um abraço rápido nele. Ele me disse alguma coisa antes de eu partir, eu apenas não me lembro o que foi.

Ainda bem que o Distrito Cinco não fica muito longe da Capital, então a minha viagem de trem é de algumas horas e não um dia todo, como a viagem que se faz para ir ao Distrito Doze.

Eu estou muito inquieto em meu pequeno vagão particular, não consigo ficar em pé por muito tempo, não consigo ficar sentado por muito tempo, não consigo me distrair com o filme que está sendo exibido em uma pequena tele plana, então eu apenas desligo a pequena televisão. Não consigo dormir, e não consigo ficar olhando pela janela por muito tempo.

Tudo isso vai ser um grande mal entendido, assim que eu pisar na Capital eu espero que Finnick já tenha alguma noticia de Katniss, qualquer noticia. Ela pode estar triste pela perca de seus entes queridos, igual a última vez em que ela desapareceu à alguns meses atrás. Não sei se Finnick sabe qual é o quarto dela no dormitório feminino, então não sabe onde ela está. Eu apenas tenho que encontrá-la. No final tudo vai dar certo.

É claro que não é isso que acontece quando eu, depois de uma viagem cansativa e de correr pela Capital igual a um maluco até o meu antigo apartamento e encontrar um Finnick meio adormecido, esperando alguma resposta. Mas, o que eu escuto de sua boca é muito pior do que eu sequer sonhava.

– Peeta. — Diz ele depois de passar as mãos nos cabelos e se sentar no sofá da sala. A madrugada estava alta quando eu cheguei aqui na Capital, ainda levaria algumas horas para amanhecer, o que significa que eu simplesmente bati na porta do apartamento até Finnick resolver me atender. — Eu não sei de muita coisa, ok? Apenas sei que Katniss e Glimmer brigaram feio à alguns dias atrás, pelo boato que rolou entre os alunos até porrada aconteceu, mais Haymitch separou a briga, eu e Annie conversamos rapidamente com ela, mas a magrela disse que não precisava de ajuda com nada. No outro dia ela foi para as aulas da manhã, mas depois eu não a vi mais. E nem a Annie. Depois de dois dias sem ninguém a ver por aqui, eu e Annie fomos procurá-la, porém ela não estava em lugar nenhum.

– Como assim em lugar nenhum? E que história é essa de ela brigar com Glimmer? — Pergunto irritado, estou á mais de uma dia sem dormir, e não estou com humor para enrolação nenhuma.

– Eu não sei, ninguém fala sobre isso. Ninguém sabe direito o que aconteceu. Talvez o mentor dela saiba, aquele Haymitch alguma coisa. Mas, ele também não está aqui na Capital, está viajando por algum programa do governo, sei lá. A secretaria aqui do Campus não quer passar nenhuma informação. — Me responde Finnick. — Annie e eu a procuramos em todos os lugares, e quando não a encontramos, nós fomos até a secretaria do campus e lá as moças disseram que Katniss não fazia mais parte dos alunos da Universidade da Capital, e não deram nenhum tipo de informação.

– Você já procurou no meu apartamento? — Pergunto.

– Oh, o apartamento? Como eu pude me esquecer do apartamento...- Finnick diz irritado. — É lógico que eu já procurei lá. E Katniss não está ali, ok? E antes que você pergunte, Annie foi até o dormitório estudantil e ela também não está lá. Foi por isso que eu te liguei, seu imbecil.

Eu apenas o encaro zangado e confuso. Isso não faz o menor sentido, nada disso faz. Que história é essa que Glimmer e ela brigarem? Que o Haymitch teve que separar alguma coisa?

– Eu preciso encontrá-la. — Digo depois de respirar profundamente. Lanço um último olhar para Finnick e começo a caminhar até a minha mala. Não chego até ela, porque Finnick me puxa pelo braço me dando um tranco forte.

– Você vai procurar o que uma hora dessas? — Finnick briga comigo. — O que você vai encontrar aberto duas horas da madrugada? Você vai tomar a porcaria de um banho, e deitar no seu antigo quarto para dormir algumas horas, e tirar essa expressão de maluco do seu rosto. Amanhã cedo nós dois vamos atrás da magrela, ok?

– Não posso esperar tanto tempo Finnick...

– Pode e vai. Sou seu amigo e não vou deixar você sair todo telessequestrado atrás de Katniss. E não adianta ficar me olhando com cara feia não. Você só vai sair desse apartamento brigando comigo e eu te garanto que eu não vou cair igual o Thresh. — Finnick termina de cuspir no meu rosto, meus olhos verdes estão queimando de raiva.

Eu tenho que respirar fundo várias vezes para me acalmar. O meu sangue corre tanto nas veias que eu quase posso senti-lo me queimar por dentro. Para Finnick Odair me ameaçar com tanta agressividade, eu realmente devo estar com uma expressão de telessequestrado no rosto.

– Assim que amanhecer eu vou atrás de Katniss e você não vai me impedir.- Rosno depois de puxar o meu braço do seu aperto e me afastar para o banheiro do apartamento.

Ligo o chuveiro e não me importo se a água está quente ou fria, eu apenas me molho sem interesse.

– Tem uma toalha aqui na porta, e um edredom na sua cama. Eu vou dormir na sala e nem tente passar por mim. — Ouço Finnick me dizer através da porta de madeira do banheiro.

Eu não dormi. Não consegui, meus olhos não fecharam em nenhum momento.
Sabe aquele sensação de impotência? Aquela sensação que faz as suas mãos coçarem, e meus olhos arderem sem motivo algum? Aquele sentimento de perda?

Eu apenas sei que assim que o dia amanheceu, eu e um Finnick muito mal humorado estávamos a procura de Katniss na Capital, primeiramente nós dois fomos ao dormitório feminino, mas Katniss não estava lá, o seu nome não estava mais marcado na campainha de seu pequeno quarto individual. Depois nós dois fomos até a secretária do campus e lá ninguém quis me informar nada. A única informação era que a Sra. Everdeen já não fazia parte dos estudantes da Universidade. Ela deixou de ser aluna à quatro dias atrás. Haymitch estava viajando, de fato, e ninguém me passaria o telefone de onde ele estava hospedado.

Finnick praticamente teve que me tirar a força da secretária do campus, eu estava prestes a cometer um assassinato. Em seguida seguimos para a lanchonete do campus, mas lá ninguém sabia de Katniss, depois fomos ao meu apartamento. As coisas lá estavam do mesmo jeito de antes, a minha cama de casal ainda estava com os lençóis bagunçados o que provava que Katniss, em algum momento dessa semana, dormiu aqui no apartamento. Mas o lugar, de certa forma tinha um ar de abandono que eu não gostei, Katniss não estava lá. Mas, muitas de suas coisas ainda estavam em meu apartamento. Incluindo o quadro que eu tinha pintado dela.

Finnick olhava para ele nesse exato momento. Mas, eu não me incomodei de afastá-lo da pintura.

– Eu queria pintar a minha Annie assim. — Disse ele depois de lançar um último olhar na pintura. — Você tinha que ganhar dinheiro com as suas pinturas sabia?

– Não me importo. — Disse mal humorado, a verdade é que eu estava a beira do desespero completo. — Onde ela está Finnick? Onde ela está?

Eu praticamente grito a pergunta ao lançar os meus punhos da primeira parede que encontro, uma e outra vez até Finnick me arrancar de lá com um puxão forte, ele tenta me manter preso com uma gravata de braço no meu pescoço, mas eu sou rápido em me esquivar e logo nos dois estamos em uma luta no corredor do meu apartamento. Eu estou vendo tudo em vermelho agora.

A única coisa que sinto é um desespero profundo que domina a minha mente. Não existem muitos lugares onde ela poderia estar aqui na Capital. Eu não sei onde mais onde procurá-la.

Eu até tento acertar um golpe ou dois em Finnick, mas ele sempre foi mais forte do que eu então ele não demora muito a conseguir me conter.

– Pare de lutar, seu idiota. Annie gosta do meu rosto bonito. — Diz ele próximo ao meu ouvido. — Nada de agredir a si mesmo enquanto eu estou presente.

Depois de alguns instantes, ele me solta e eu me afasto com rapidez. Em seguida e sem motivo algum eu estou sentado em meu sofá soluçando.

– Onde ela esta? Onde ela está? — Fico me perguntando ao me dar tapas na cabeça.- Finnick, onde Katniss pode ter ido?

– Peeta, você vai encontrá-la, ok? — Me diz ele ao se sentar ao meu lado e me dar alguns tapas nas costas. — Você não pode ficar desesperado assim. Talvez a mãe dela tenha ligado, ou alguma amiga antiga dela, e ela precisou voltar para o seu Distrito.

Eu sinto o meu corpo congelar ao olhar para Finnick ao meu lado, rapidamente eu me levando e seco as poucas lágrimas que me escorrem dos olhos. É claro que eu não estava perdido, ainda havia alguns lugares onde eu podia procucar. O Distrito Doze, e talvez aquele amigo dela. Gale era o nome dele.

Começo a me movimentar com rapidez pelo apartamento.

– Ei. — Escuto Finnick me chamar. — Aonde você pensa que vai?

– Eu sei onde ela está. — Digo ao sentir o meu coração se encher de esperança, muito frágil eu devo admitir, mas ainda assim é algum tipo de esperança. — Vou viajar imediatamente para o Distrito Doze. Ela tem que estar lá.

– Droga. — Escuto Finnick amaldiçoar atrás de mim. — Eu não quero ir para o Distrito Doze.

– Eu não pedi para você vir comigo. — Digo irritado, ao sentir a minha mão arder é que eu pude ver que quando eu soquei a parede eu acabei por cortar as juntas dos meus dedos. Não está sangrando muito então eu não me importo. Mas, as juntas ainda estavam machucadas da minha briga com Thresh.

Tudo o que eu sei é que estou prestes a encontrar a minha garota. Ela não pode me deixar assim, sem nenhuma explicação. Não pode me abandonar de uma hora para outra. Eu estou determinado a encontrá-la.

– Como se eu fosse deixar você todo maniaco viajar sozinho atrás de Katniss. — Disse ele irritado ao me seguir dentro do apartamento. — Você pode ser preso. E que tipo de amigo eu seria se deixasse isso acontecer?

– Se você quiser ir comigo, tudo bem. Mas, eu estou saindo agora. — Falo ao abrir a porta do meu apartamento.

– Ei, brigar me dá fome. Você não vai esperar nem um minuto para eu fazer um lanche no seu apartamento? Eu estou com fome. — Diz ele com uma voz zangada. Deve ter visto algo homicida em meu rosto pois logo saiu de dentro do apartamento me permitindo trancar o lugar. — Ok, apressado. Apenas saiba que nós vamos parar para comprar comida em algum lugar, você vai pagar a minha passagem e nós vamos ligar para Annie da estação de trem.

Eu apenas aceno afirmativamente com a cabeça e nós dois seguimos para fora do edifício onde eu moro, para não nós atrasarmos eu pago um táxi até a grande estação aqui na Capital.

Pouco mais de uma hora depois nós dois estamos confortavelmente alojados em uma cabine indo direto para o Distrito Doze. Finnick não esta comigo na cabine, ele está no vagão restaurante comendo sem parar.

Eu vou até o pequeno banheiro da cabine com duas camas de solteiro e me espremo dentro do pequeno lugar, pela primeira vez eu vou lavar o sangue seco das minhas mãos, assim que a água cai no machucado eu sinto uma ardência incomoda, todavia mal consigo fazer uma careta pela dor. Descido trocar de camisa quando me lembro que não trouxe bagagem alguma comigo.

Ótimo. Penso depois de fechar os olhos com força. Na minha pressa eu esqueci de trazer roupa e escova de dentes. Vou ter que passar no vagão shopping para me abastecer dessas pequenas coisas. Ainda bem que não esqueci a minha carteira.

***

– Então? — Pergunta Finnick com uma voz de deboche. — Esse é o seu lar, o Distrito Doze? Lugarzinho simpático.

– Essa é a Costura, Finnick. — Digo ao caminhar pelas calçadas sujas e pelas ruas sem asfalto.

– Ok, você acha que eu sei o que Costura significa? — Pergunta ele sarcástico e eu trinco os meus dentes para não gritar com o meu amigo, tudo o que eu quero é que ele me deixe em paz um minuto. Desde a nossa viajam para cá no dia de ontem que ele não me deixa em paz.

Eu sei que ele faz isso para me distrair de surtar, mas não consigo sentir alegria alguma com suas piadas.

– Costura é o lugar mais pobre do Distrito Doze, é o lugar onde Katniss cresceu, ok? — Explico mal humorado.- Quando criança eu morava no centro, no bairro dos comerciantes.

– E você acha que ela voltaria para cá por qual motivo? — Pergunta ele olhando em volta, alguns moradores nos encaram curiosos, está na cara que não somos daqui.

Eu sei onde Katniss mora por causa do meu tempo de criança, quando um pouco mais velho eu a segui. Eu apenas precisava saber onde a menina de trancinhas no cabelo morava, quase levei uma surra da minha mãe por chegar tarde em casa naquele dia, e desde então o endereço ficou marcado na minha cabeça.

Não demoramos a chegar em frente a velha construção que era a casa dela. Pelo o que eu pude observar o lugar estava praticamente abandonado, muito pior do que quando eu era criança.

– Essa é a casa dela? — Finnick me pergunta e eu posso notar o quanto ele esta chocado.

– Sim. — Respondo ao me aproximar do lugar caindo aos pedaços. — Você pode dar a volta na casa e olhar na porta dos fundos?

– Claro. — Finnick responde ao me lançar um olhar cauteloso, depois ele se virá e segue pela lateral da casa velha.

Pelo o que eu posso notar ninguém mora aqui já à algum tempo. A porta da frente esta trancada, e as janelas não mostram muita coisa com tudo escuro dentro dos aposentos. Apenas alguns poucos moveis cobertos e muito puera.

– Ei, você. — Ouço alguém dizer as minhas costas. — Eu queria mesmo te encontrar.

Ao me virar apressadamente eu noto o amigo de Katniss se aproximar a passos largos, uma expressão selvagem no rosto. Gale é o nome dele. Não sei o que ele está fazendo aqui, já que eu lembro que ele trabalhava no Distrito Dois, mas seja lá o que for eu sei que não vou gostar de saber.

– Você tem muita coragem de aparecer aqui na casa de Katniss? — Ele me diz ao parar na frente da casa dela e cruzar os braço no peito. — Onde Katniss está?

– Eu não sei onde ela está. — Respondo ao encará-lo. Acho melhor ele não dar um de machão para cima de mim. Não estou com paciência nenhuma para aguentar babacas. — Mas, você sabe onde ela está, e vai me dizer.

– Eu não sei o que você fez para ela, Mellark. Ela não quis me dizer. — Disse ao ao descruzar os braços. — Eu te avisei para não magoá-la ou eu iria caçar você. Seu filho da puta riquinho.

Eu apenas fecho os meus punhos com força e o encaro com raiva. Ele falou com ela, ela falou com ele.

– Onde ela está? — Pergunto quase rosnando em sua cara. Seus olhos cinzentos, tão diferentes dos de Katniss me olham atentamente.

– Eu não sei. Ela me ligou dizendo que tinha terminado com você e que estava indo embora da Capital. Ela estava chorando Mellark, chorando desesperadamente. — Retrucou ele ao dar um passo na minha direção. — Eu te avisei que ela era frágil, que era preciosa, e você brincou com ela. A usou como se ela fosse nada, eu vou matar você...

E foi o aviso que eu tive antes de ele se lançar na minha direção. É claro que eu não neguei nossa briga, muito pelo contrário, eu até a incentivei. Fui para cima dele com tudo o que tinha, com toda a raiva que estava acumulada dentro de mim.

Gale era forte, mas eu era mais rápido. Como ambos tínhamos treinamento de luta, eu pelos anos lutando nos ringues de luta livre da Universidade, ele por todo o seu treinamento policial, a luta não foi limpa. Toda vez que eu acertava um soco nele, eu logo sentia ele me acertando um soco também.

Nós rolávamos no chão cheio de pedrinhas pontudas e chutávamos qualquer parte do corpo do outro que conseguíamos alcançar.

As palavras dele grudaram em meu cérebro. Chorando. Katniss tinha ligado para ele chorando. O que diabos aconteceu para ela chorar, para ir embora tão repentinamente? E o que ele quis dizer quando me contou que ela disse que nós dois tínhamos terminado? Isso nunca aconteceu. Nunca.

– Onde ela está? — Grito para Gale ao conseguir acertar um poderoso soco em seu maxilar.

– Eu não sei, mas eu vou descobrir, eu juro que vou. — Gritou Gale ao me acertar um poderoso soco na face, acho até que quebrou o meu nariz.

Somos separados por uma multidão de braços. Eu mal tinha notado que nós tínhamos uma multidão de pessoas em volta. Muitos homens fortes nos segurávamos afastados, com raiva eu cuspi um monte de sangue no chão. Gale também fez o mesmo e eu até posso notar o olho inchando em seu rosto. Sei que estou da mesmo forma, e não vai demorar nada para o meu olho inchar também.

– Peeta, seu idiota. Eu saiu por dois minutos e você desse a porrada no amigo de Katniss? Que porra? Você ficou maluco. — Finnick grita em minha orelha, ele é um dos homens que estão me segurando.

– Escutou Mellark? — Gale pergunta ao gritar, seu expressão é de puro nojo ao me olhar. — Eu juro por tudo o que é mais sagrado que eu vou encontrá-la, e você nunca mais vai se aproximar dela. Eu mato você se fizer, me escutou?

– Ela é minha. — Grito para ele. — Katniss é minha, é você que vai se afastar dela.

Existe mais uma grande comoção quando nós dois tentamos nos soltar para recomeçar a briga, mas somos impedidos.

Um grupo grande de homens levam Gale para longe de onde estou, enquanto outro grupo meio que me arrasta para fora dos bairros da Costura. Eu tenho tanta adrenalina correndo em minhas veias que mal consigo pensar direito. Logo, não é necessário que ninguém mais me segure e eu sou solto. Vejo Finnick conversar com o grupo de homens, e depois de uma conversa rápida ele volta para o meu lado e praticamente me arrasta de volta para a estação de trem.

– Nós temos que ir embora agora, ou eles vão chamar a policia. — Diz ele ao segurar em meu braço. — Nós vamos voltar para a Capital e pensar no que fazer, mas Katniss não está aqui.

Eu continuo ouvir Finnick falar e resmungar, mas não posso ficar mais incomodado do que já estou, minha cabeça e várias partes do meu corpo doem devido a briga. Gale é um cara grande, eu sei que tive sorte em não virar carne moída em suas mãos. Graças a sorte de eu ter experiência em luta.

Vou voltar para a Capital apenas porque eu preciso conversar com Haymitch, mas de jeito nenhum eu vou parar de procurar.

Katniss não vai se esconder por muito tempo. Eu não sei o que a fez partir, mas eu vou descobrir.

Ela estava chorando, foi o que Gale disse. E eu quero matar quem fez ela chorar, quem a afastou de mim.

Katniss vai voltar para casa comigo, para o meu apartamento, para a minha vida. Não importa o quanto tempo leve, eu vou encontrá-la.

(Nota da autora: A aliança é essa http://cdn.awsli.com.br/210x210/19/19105/produto/763478/49b6d65f2c.jpg )

Notas finais
Obrigada pelas mais de dez mil visualizações na fanfic *.* Ahhh e o Peeta tem que ser avisado que para encontrar a Katniss ele vai ter que esperar quase cinco anos :/ Tadinho Para aqueles que acham que o passado acabou, não acabou não. Gostaram do capítulo? Até sexta (=