Amarras do Passado

22 The Heart Wants What It Wants - Selena Gomez


Notas iniciais
Olá pessoas. Tudo bem, como foi o final de semana de vocês? Hoje o capítulo é diferente do que vocês estão acostumadas. Eu chorei ao escrevê-lo, porque estou de TPM e esse capítulo foi difícil. Você vão entender quando estiverem lendo. Acho que posso dizer que minha fanfic já chegou na metade, eu já tenho alguns capítulos escritos, a maioria eu estou tendo que escrever durante a semana. Enfim, enjoy. ^^

Passado

Katniss

"...You got me scattered in pieces
Shining like stars and screaming
Lighting me up like Venus
But then you disappear and make me wait
And every second's like torture
Heroin drip, no more so
Finding a way to let go
Baby, baby, no, I can't escape..."

***

Eu sou uma idiota.

Uma estúpida apaixonada.

Qual é o meu problema? Penso irritada ao encarar o meu reflexo no espelho do banheiro do bar onde estou.

Grossas lágrimas escorem pelo meu rosto, e eu não posso fazê-las pararem de descer. Me sinto tão destruída, tão infeliz. Por que eu continuo a agir dessa forma? A acreditar que de alguma forma mágica tudo vai mudar?

Eu continuo me enganando e isso é a pior coisa que eu poderia fazer.

Peeta não se importa comigo, não da mesma forma que eu me importo com ele. Como eu passei a me importar com ele.

O que eu sou para ele? Mais perguntas surgem em meu cérebro. Apenas um foda boa de vez em quando? Uma garota estúpida que não consegue fechar as pernas?

Por que ele tinha que mentir dessa forma? Por que eu estou tão chateada com isso?

Não é como se eu não soubesse que ele tem namorada, não é como se eu não soubesse que nós não temos nada sério.

Eu sei que não deveria me sentir traída dessa forma, mas é como eu me sinto, e eu não consigo me sentir de outra forma, ou fingir que nada aconteceu.

A verdade é que eu estou tão cansada de tudo isso. Tão cansada de não ser vista por ele. De ser apenas uma amiga.

Nesse momento tenho que tampar a minha boca com uma de minhas mãos para esconder os meus soluços. A muito tempo eu não chorava como agora. E isso me aborrece muito.

E eu, nem ao menos posso culpá-lo por isso. Peeta nunca me disse que seriamos mais do que amigos, nunca me disse que terminaria com a Glimmer, nunca me ofereceu nada mais do que o que temos agora. Uma boa amizade, e umas ficadas ocasionais.

E eu estou tão apaixonada por ele, que não posso suportar vê-lo perto de outra mulher.

O que eu posso fazer? Implorar para ele terminar com um namoro de três anos para ficar comigo? Ele nunca vai fazer isso.

Glimmer é rica e de boa família. Os pais dela são donos de uma rede de lojas que vendem diamantes.

Eu sou praticamente uma órfã, mesmo que minha mãe ainda esteja viva, ela não me quer ao lado dela, e eu não quero reavivar uma relação fadada ao fracasso. Sou uma moradora da costura, com nada para oferecer a ele.

Com certeza os pais dele nunca aprovariam a nossa relação. E não estou dizendo que ele fica com ela apenas por interesse. Peeta também tem dinheiro. Eu apenas não consigo entender porque ele fica com ela.

Volto a soluçar quando sinto uma nova onda de dor se apossar do meu peito. Como eu pude me enfiar nessa bagunça?

Sinceramente falando, eu não sei o que acontece quando Peeta está próximo, não sei o que acontece com meu corpo, com meus pensamentos, com meus desejos. Quando eu olho para ele eu somente vejo um grande sol brilhando e aquecendo todos os cantos obscuros da minha vida. Eu sinto que sou puxada para ele, quase como se eu não tivesse opção.

E eu posso jurar que nunca me senti assim antes, nunca me senti tão quente, tão cheia de vida. Ele faz com eu sorria sem motivo algum, e que suspire a cada poucos minutos. Eu fecho os meus olhos e tudo o que posso ver são seus olhos azuis brilhando para mim.

As vezes parece que eu estou flutuando em uma grande onda de felicidade. É assustador me sentir assim, frequentemente eu perco o sono ou me pego divagando sobre isso.

Não queria me apaixonar por ele. Eu não queria me apaixonar por ninguém. Porque amar e se entregar de todas as formas, e confiar cegamente nesse sentimento. E sentir isso é maravilhoso e terrível em proporções grandiosas.

A voz dele ao chamar o meu nome faz com que eu fique sem fôlego, olhar para ele faz com eu me sinta sem fôlego, pensar nele faz com que eu me sinta sem fôlego.

Não dá para comparar esse sentimento com nada que eu já tenha sentido na minha vida.

E eu queria me sentir como eu mesma novamente. Mas não sei voltar a me sentir daquele jeito. Não sei se consigo não sentir tudo o que sinto hoje.

No começo nós eramos somente amigos, sempre existiu algo nos nossos olhares, isso não posso negar em nenhum momento, mas não dava para prever onde isso nós levaria.

E aconteceu o que eu mais temia e desejei, desde o dia que o conheci. Nós acabamos na cama. Eu me entreguei para ele, como nunca me entreguei para ninguém. Antes de Peeta, eu nunca permiti que nenhum homem tocasse nos meus seios, ou me visse nua. Agora eu simplesmente não consigo sair da cama dele.

Ele ligou algo dentro do meu corpo que não pode ser desligado. E estar nos braços dele é mais que arrebatador, é a realização dos desejos que vinhamos negando a muitos meses. Eu nunca pensei que sexo podia ser assim.

Na verdade, eu nunca entendi o que havia de tão incrível no sexo, nas relações sexuais. Nunca consegui entender por que as pessoas ficavam tão malucas por isso, quando chegavam a idade adulta. O que havia de tão espetacular nisso.

Eu devo ter nutrido, secretamente, pensamentos muito românticos sobre o ato sexual, pensamentos que eu negava até para eu mesma, porque agora que eu estou com Peeta dessa forma, eu não consigo mais me imaginar com nenhum outro homem. Sequer cogitar essa possibilidade me deixa enjoada.

Quando ele me toca eu me sinto derreter inteira. Não consigo pensar direito quando sinto suas mãos em mim, e de repente eu quero que ele me toque mais e mais. Vou lentamente queimando por dentro e tudo o que eu preciso é que ele me tome, me jogue em uma cama e faça o que quiser comigo.

E ele parece ter um manual do meu corpo, sabe onde apertar, onde me tocar para que eu queime ainda mais intensamente por ele. O cheiro dele, o gosto dele me deixa maluca de tesão.

Essas três últimas semanas foram muito marcantes, eu não pensei que Peeta pudesse ser tão vigoroso. Eu, na minha ignorância quase inocente, acreditei que sexo fosse algo que casais faziam na calada da noite, no escuro de seus quartos. Entretanto, com ele as coisas são totalmente diferentes do que eu imaginei, quando eu estou em seu apartamento, ele me quer a todo momento. Não importa se é dia ou noite, se estamos no meio da tarde sentados em seu sofá assistindo a um filme na televisão, ou se eu estou terminando algum trabalho acadêmico, tudo o que eu sei é que não importa a distração, em algum momento ele virá por mim. E, vagarosamente, com um jeito quase felino ele me puxa para os seus braços, me fazendo desejá-lo ardentemente. Quando eu percebo eu já estou totalmente nua com ele profundamente dentro da minha vagina me montando na cama, no sofá, no banheiro quando tomamos banho juntos e uma vez no chão do corredor do apartamento, quando não conseguimos chegar na cama à tempo.

Peeta faz com que eu me sinta a mulher mais bonita e desejável de toda Panem, e ele me deixa saber disso quando sussurra coisas safadas no meu ouvido enquanto me penetra com força. Eu gosto do jeito mandão dele na cama, esse aspecto dominador. Nunca pensei que poderia gostar desse tipo de coisa.

E gosto que ele me ensine coisas novas, e sei que ele também gosta disso. A três noites atrás ele me colocou ajoelhada em sua cama, numa posição de quatro. Eu senti meu rosto queimar de vergonha, até ele me penetrar por trás, eu não podia olhá-lo, pois estava muito concentrada nas sensações de seu pênis dentro de mim, me alargando e me enchendo de prazer. Ele parecia insano enquanto me pegava pelos quadris e me penetrava dessa forma, eu também fiquei e tive meu orgasmo muito rápido. Peeta ainda me fez ter um outro antes que ele mesmo tivesse o seu próprio orgasmo.

E depois que nós estávamos cansados e ofegantes, ele me pegou em seus braços e me abraçou apertado, enfiando o rosto em seus cabelos.

Como eu poderia não amá-lo? Como eu poderia não ter me apaixonado por ele? Frequentemente eu me pergunto isso. E fico repassando tudo o que já passamos, toda a nossa amizade, tentando ver um modo de que eu não estaria nessa situação agora.

Sinto mais lágrimas escorrerem pelos meus olhos, e volto a enterrar o rosto em minhas mãos.

Eu sei que não é a intenção dele me machucar, e nem me ver sofrer. Ele não faz isso por mal, ou age de determinada forma para que eu fique triste.

Posso entender isso. Mas, não significa que eu não sofra, que eu não sinta. Não sou a porcaria de um robô, de uma maquina sem sentimentos. A culpa foi toda minha, eu me apaixonei, ele não.

Não quero dizer que ele não goste de mim. Eu sei que gosta, Peeta é muito carinhoso comigo, muito doce e até mesmo possessivo. Porém, ele não caiu como eu. Não se apaixonou como eu me apaixonei.

Eu queria continuar sendo somente a amiga dele, lidando com meus sentimentos de forma branda e suave. Não sei quando isso mudou dentro de mim, mas sei que não posso mais voltar. Não quero que Peeta Mellark seja apenas o meu amigo, ou um homem que eu fico as vezes. Eu quero que ele seja o meu namorado. Eu quero estar no lugar da Glimmer.

Eu sei que não adianta nada eu ficar presa nesse banheiro, chorando como uma menininha por um homem. O pior, é que eu sempre desprezei as garotas do meu distrito que se entregavam dessa maneira e depois sofriam. Eu sempre as achei fracas e tolas.

Porque amar alguém é padecer em dor.

A grande surpresa do destino é eu acabar igual a essas garotas que eu tanto desprezei.

O que aconteceu para que eu acabasse chorando em um banheiro de boate? Bom, é difícil e doloroso pensar nisso. Mas, tudo aconteceu porque Peeta mentiu para mim.

E eu detesto que mintam para mim.

Como eu disse, Peeta e eu estamos nos encontrando escondidos nas últimas três semanas, não todos os dias, mas devo admitir que muitas das minhas noites eu tenho passado com ele, no apartamento que ninguém sabe onde fica. E eu só continuo indo lá, porque ele me jurou que não leva a namorada dele.

Ser a outra vai até certo ponto. De jeito nenhum eu conseguiria dormir na mesma cama que ele deita com ela. Não tenho esse sangue frio.

E ontem fui uma desses noites, nós dormimos juntos e ele me tomou duas vezes antes de realmente dormimos. Tudo foi perfeito, e hoje pela manhã quando acordamos para enfrentar um sábado bonito de sol, ele me disse que não o passaria comigo por que teria que visitar o irmão dele e a esposa.

Eu acreditei sem questionar, e logo nos despedimos.

Meu dia foi muito bom, quando a tarde estava caindo uma vizinha minha do dormitório estudantil, que também é minha colega de serviço quando trabalho de garçonete na lanchonete da Universidade, me convidou para bebermos alguma coisa, já que ela tinha terminado com o namorado dela e queria relaxar em uma noite só de amigos.

Eu aceitei porque não aconteceria nada demais, e fazia tempo que não saiamos juntas.

Então Cashmere e eu nós arrumamos e fomos para o barzinho. Ao chegar lá nos encontramos com Gloss, irmão bonitão dela, e nós três fomos para uma mesa.

Adivinha quem eu acabo encontrando no bar? A turma toda.

Finnick, Annie, Cato, Clove, Thresh, Glimmer e Peeta Mellark.

Pelo visto ele não foi para a casa do seu irmão.

O pior é que ele estava grudado em Glimmer, com os braços em volta da cintura fina dela, e com o rosto enterrado nos cabelos loiros e sedosos dela. Eu quase quis morrer com essa visão.

Eles não perceberam a nossa chegada pois o local estava bem cheio. E eu fiz com que Cashmere e Gloss escolhessem uma mesa no fundo do bar. Eles não se importaram e logo entraram em uma conversa amigável e fraternal. Eu tentei participar o máximo possível, mas minha animação tinha caído para zero, e eu tive que passar boa parte de noite, vendo Peeta e Glimmer se agarrando a algumas mesas de distância.

Parecia que eles estavam comemorando alguma coisa, então por que eu não tinha sido convidada? Eu pensei que eles também me consideravam parte da turma. Claro que eu não teria aceitado, pois ultimamente dicar perto de Glimmer e Peeta enchiam o meu coração de dor. E ciúmes.

Quando foi a minha vez de ir ao bar pegar algumas cervejas para os irmãos, e um copo de suco de limão para mim, eu tive que passar bem perto da mesa onde os meus "amigos" estavam agrupados, rindo a se divertindo.

Consegui chegar ao bar sem ser vista por nenhum deles, então fiz o pedido e depois de pagar eu comecei a voltar para onde estava , mas não consegui passar despercebida dessa vez.

– Katniss? — Ouvi a voz de Thresh me chamar.

Me senti congelar no lugar. E lentamente me virei para o grupo.

Tive que me aproximar para cumprimentá-los. Mesmo que meu coração estivesse sangrando no peito eu não podia demonstrar que estava abalada. Por isso, coloquei o sorriso mais falso do mundo no rosto e fingi que somente agora tinha notado a Turma reunida.

– Magrela. O que esta fazendo aqui sozinha? — Finnick me cumprimenta curioso.

– Olá pessoal. Tudo bem? — Digo ao sorrir, por dentro eu estava gritando. Vejo que na mesma hora os braços de Peeta se soltam da cintura de Glimmer, ela não parece notar nada de diferente, mas a expressão dele é tão cautelosa que é difícil perceber qualquer coisa. Ele me olha sem sorrir. Seus olhos azuis queimando com algo.

Vergonha? Arrependimento? Penso sarcasticamente. Desgraçado, mentiroso.

– Estamos comemorando o aniversário da Glimmer. — Diz Clove. — Fica aqui com a gente.

– Sim. — Diz Glimmer sorrindo bobamente, já deve estar muito bêbada. — Meu aniversário, não é amorzinho... — Continua ela ao se virar e praticamente comer a boca de Peeta com a dela.

A mesma boca de tinha me beijada essa manhã.

– Parabéns Glimmer. — Consigo dizer, sei que ela não me escutou pois ainda esta com seus lábios grudados nos de Peeta.

– Você está linda, morena. — Ouço Thresh sussurrar no meu ouvido. — Fica aqui.

– Obrigada, Thresh. Na verdade eu não posso, estou com outro pessoal. — Falo ao apontar para onde Cashmere e Gloss estão sentados me esperando. — Mas, curtam o aniversário. Nós vemos depois, ok?

E sem dizer mais nada eu me afasto.

Volto para onde os meus outros amigos estão e depois que eu entrego a cerveja de cada um nós retomamos a conversa. A todo o momento eu tenho que forçar a minha mente ao assunto presente.

É nessas horas que eu dou graças a tudo o que é sagrado, por Cashmere e Gloss serem irmãos. Eles são dois tagarelas, que não se importam muito com quem esta na conversa, apenas eles podem levar uma conversação com nada mais que alguns estímulos da minha parte. O que é ótimo, já que meu humor esta piorando a cada minuto.

Agora que Peeta sabe que eu estou aqui fica difícil ignorar onde estou sentada. E a todo o momento eu o pego me olhando, ele faz disfarçadamente, porém eu consigo perceber que tem uma urgência no olhar dele. Ele deve querer conversar comigo, mas eu estou tão chateada por ele ter mentido para mim. Que mal consigo encará-lo.

Que tipo de estúpida ele acha que eu sou? Não era necessário ele mentir para sair com a namorada dele no dia do aniversário dela, agindo como se eu fosse uma incompetente que não entenderia a situação.

O meu suco de limão agora está com gosto de veneno. E toda hora que eu escuto a risada da Glimmer eu tenho vontade de enfiar uma faca no meu estômago.

Quando percebo estou me segurando para não desmoronar na frente dos meus amigos, rapidamente peço licença e corro para o banheiro mais próximo.

E é onde estou desde então, alguns minutos já se passaram, e eu não sei o que fazer.

Quer dizer, desde o começo eu sabia que um futuro com Peeta é algo nebuloso. Algo que eu não podia ter certeza.

É difícil admitir, mas eu não posso mais ficar esperando que Peeta em algum momento vai me enxergar, que vai perceber que eu gosto de verdade dele. O que aconteceria se eu abrisse o meu coração para ele? O que ele me diria de volta? De acordo com o que eu vi hoje, entre ele e Glimmer, é bem provável que ele daria risada, me diria que tudo não passava de uma passatempo, e que nunca me viu mais do que uma amiga.

E existe tantas razões para eu não estar com ele, para eu acabar com esse joguinho doentio que nós criamos desde. Eu não posso ficar surpresa por as coisas não estarem dando certo.

Que tipo de mulher eu sou? Uma que trai? Uma que é a outra? É isso o que eu mereço? Não pode ser. Eu me recuso a acreditar nisso.

Por que eu tive que me apaixonar por ele? Por que eu não levei tudo como uma brincadeira? Assim como ele está levando.

Era isso que Gale sentia quando me via saindo com Thom? Foi essa dor que eu o fiz sofrer? Penso. Mas, eu fui sincera com ele, eu disse que não sentia o mesmo, que não queria arriscar a nossa amizade. Eu mereço isso de crédito.

Lavo o meu rosto na pia minúscula do banheiro, e uso papel reciclável para enxugar meu rosto. Felizmente eu não estou com aparência de quem andou chorando, se alguém olhar bem de perto vai notar que meus olhos estão mais vermelhos nas bordas e que as maçãs do meu rosto estão levemente avermelhadas, nada que não posso passar por calor excessivo.

Talvez, eu esteja fazendo tudo errado. Talvez, eu devo me desprender dos meus sentimentos por Peeta.

Mas, não de uma vez, eu estou certa que não daria certo. Gosto muito dele para me afastar de uma hora para a outra. Acho que tenho que tentar encontrar outro alguém. Uma pessoa que vai substituir os sentimentos que tenho pelo meu amigo, por outros sentimentos novos e bonitos.

Isso parece justo para mim. Se ele pode se agarrar com a namorada dele, agindo como se eu não existisse, eu posso muito bem achar outro alguém para eu me agarrar também. Outro homem que possa gostar de mim, e apenas de mim. Que eu não tenha que dividir com ninguém, que eu não tenha que me sentir a outra, a prostituta promiscua que eu sei que não sou. O segredinho sujo de alguém.

Mas, quem? Quem poderia ser esse? Primeiramente sei que esse homem tem que ser solteiro.

Bom, tem o Gloss. Mas, eu o conheço pouco, e do pouco que eu sei já dá para perceber que eu e ele não daríamos certo para nos tornarmos um casal. Ele é bonito demais, forte demais, exageradamente maravilhoso demais.

E tem o Thresh. Ele demonstra estar interessado em mim. É um amigo engraçado, divertido e brutalmente sincero e não tem namorada. Eu gosto de estar ao redor dele. Com ele pode ser que dê certo.

Eu nunca dei uma oportunidade para ele, por que eu não sinto nada muito forte quando estou perto dele. Thresh é um bom amigo, mas não tenho sentimentos românticos por ele.

De repente esse plano começa a fazer muito sentido na minha cabeça.

É melhor eu estar em um relacionamento com alguém que eu não tenha sentimento fortes, assim eu não vou sofrer, e no meio tempo eu posso me livrar dos sentimentos que tenho por Peeta. Acho que essa é a melhor coisa que posso fazer, tenho que encontrar maneiras de o deixar para trás, de afogar esses sentimentos que queimam amargamente em meu coração.

Assim ele pode continuar feliz e alegre, com a namorada rica, loira e bem nascida dele, e eu vou estar com alguém que teve uma vida parecida com a minha. Já que eu sei que Thresh também veio de um distrito pobre e de uma família humilde.

Volto a me olhar no espelho e arrumar a blusa vermelha que uso. Ela é bem justa e sua cor forte ilumina os meus olhos cinzentos. Solto a trança costumeira de meus cabelos e os deixo soltos.

Meu visual não é nada mal. Interiormente eu agradeço por não estar com maquiagem, essas horas eu estaria toda borrada, e seria bem mais difícil esconder o choro. Sem demora eu penso que já esta na hora de voltar para o bar.

Dessa vez, vou agir da mesma forma que Peeta age comigo, vou tratá-lo da mesma forma que ele vem me tratando. Se tudo o que temos não significou nada para ele, então não é ele que tem que mudar, sou eu que tenho que acordar para algo que não está dando certo e que não vai dar.

Com isso em mente, eu saiu do banheiro e volto para o bar cheio de pessoas rindo e conversando.

Os olhos azuis são os primeiros que queimam em mim. Mas eu não dou a eles mais que uma simples olhadela. Vou direto para a turma. E me encaixo ao lado de Thresh.

Ele parece feliz com a minha aparição. E imediatamente passa com braço pelos meus ombros.

– E o aniversário? — Pergunto forçando a minha voz a parecer animada. Tenho vontade de vomitar ao perceber que Glimmer está beijando o pescoço de Peeta. Ele está com uma postura reta e dura, parece desconfortável. — Já cantaram o parabéns?

– Não, isso vai ser só mais tarde. — Cato me responde, já que Glimmer, não está mais prestando atenção em nada ao seu redor, a não ser em Peeta. Eu sinto os meus punhos se fecharem com vontade de afastá-la dele.

Finnick e Annie me lançam olhares curiosos. Eles devem achar que eu sou patética por ficar com um homem comprometido.

E Annie mal pode disfarçar o olhar de pena. Ela já deve ter percebido que eu nutro sentimentos verdadeiros por ele.

– Ei, quer vir comigo aqui fora? — Pergunto para Thresh. — Deixar os casais se divertirem em paz.

– Não sei não, morena. — Diz Thresh me olhando divertido. — O que eu vou ganhar se eu for com você?

E essa é o hora da verdade e da coragem.

Não me permito olhar para ninguém, principalmente para Peeta, ou vou perder a coragem. Depois de um sorriso de lado, eu me inclino em Thresh e permito que meus lábios encostem nos dele. Lentamente em um beijo rápido.

– Isso é o suficiente? — Pergunto. Tenho certeza que todas em nossa volta estão com os queixos caídos. O próprio Thresh está com os olhar surpreso.

Seus olhos castanhos escuros se arregalam por minha iniciativa e depois ele sorri abertamente. O maior sorriso que eu já o vi dar.

– Meu deus, mulher. — Diz ele com sua voz grossa e orgulhosa. — Eu te seguiria para qualquer lugar. Galera, estou indo embora. Glimmer, feliz aniversário. Vamos embora, doçura.

Ele pega no meu rosto e seus lábios descem nos meus mais uma vez.

O nosso beijo é discreto. Mas, não é bom como eu esperava que fosse. Todo o meu corpo grita que isso é errado, que não são os lábios certos.

Antes de irmos, eu lanço um rápido olhar onde Peeta está, mas ele não esta me encarando. Seus olhos estão presos em Thresh e seus punhos estão fechados, sua mandíbula está cerrada com força.

Thresh volta a passar os seus braços pelos meus ombros e ambos vamos até onde Cashmere e Gloss estão, outras pessoas, que eu não conheço se unem as eles. Eu rapidamente apresento Thresh e logo me despeço dos meus amigos.

– Que tal nós irmos comer alguma coisa? — Thresh me pergunta depois que saímos do bar. — Nós podemos comprar um cachorro quente no parque e ir até o lago, ou podemos ir naquele restaurante novo na esquina da avenida laranja, o que acha?

– Onde você quiser me levar, eu sei que vai ser ótimo. — Digo ao voltar a me inclinar no corpo dele e depositar mais um beijo em seus lábios cheios. Dessa vez o nosso beijo é mais longo, mais molhado. Ainda não é tão bom quanto eu gostaria que fosse, ainda sinto que não é certo. Mas, estou tomando as rédeas da minha vida mais uma vez. E nesse nova vida, não existe lugar para chorar por alguém que não me quer.

E estou me esforçando para parecer animada. Principalmente, porque Thresh está com uma aparência tão feliz, seus olhos brilham tanto. Acho que ficar com ele vai ser uma boa escolha. Quem sabe eu posso acabar me apaixonando?

– Ok, então, acho que o parque é uma boa pedida para hoje. — Fala ele todo entusiasmado. — A noite está boa para caminhar.

– E nós podemos colocar os assuntos em dia. — Acrescento enquanto andamos. — Faz um tempão que não conversamos direito, eu estava com saudades.

– E você pode me explicar porque levou tanto tempo para me beijar. — Diz ele, seus olhos brilhando de diversão. — Agora que aconteceu, eu não vou mais te deixar escapar, doçura.

– Eu estava com vontade. — Respondo sentindo o meu rosto ficar vermelho. — Fiz mal?

– Não! — Afirma ele rapidamente. — Eu estou a seu inteiro dispor, senhorita. As necessidades de uma mulher são levadas muito seriamente da minha parte.

Não posso deixar de rir alto, Thresh sempre me fez rir. Ele é muito engraçado. Ainda assim eu dou uma cotovelada em suas costelas.

– Ei, isso é agressão. — Fala ele me encarando. — Você vai ter que me pagar isso com um beijo.

E eu permito que ele me beije novamente.

Notas finais
Pois é...difícil escrever esse capítulo. Antes que vocês julguem o Peeta, lembrem-se que ele planejava terminar com a Glimmer depois do aniversário dela. E pensem em tudo o que ele está sofrendo no presente. Katniss, não ficou com Thresh por vingança. Ela apenas quer se sentir apreciada por alguém que, em seus olhos, não tem vergonha dela. O que acharam? Até sexta (=