Notas iniciais
Olá pessoas. desculpem a demora para postar o capítulo de hoje. Ele quase que não sai kkkk Mais uma vez eu gostaria de agradecer a todo o carinho que eu recebo de vocês. Também quero fazer um pedido. Você leitora fantasma, ou leitor fantasma que lê a minha história e que gosta dela, por favor apareça. Eu quero te conhecer, saber o que você está achando. Não sejam tímidas (os). Isso faz uma diferença enorme para mim. É minha constante motivação. Enfim, enjoy.

Dias atuais

Katniss

"...Baby, baby
When we first met, I never felt something so strong
You were like my lover and my best friend
All wrapped in one with a ribbon on it
And all of a sudden you went and left
I didn't know how to follow
It's like a shot that spun me around
And now my heart's dead
I feel so empty and hollow

And I'll never give myself to another the way I gave it to you..."

***

– Elika, minha baixinha veio visitar o tio? — Pergunta Haymitch assim que abre a porta de sua casa para nós receber. Eu estou com Elika em meu colo, mas ela logo se debate e praticamente pula nos braços do meu antigo mentor. Ainda bem que ele é rápido em pegá-la.

– Titio. — Grita ela eufórica. Haymitch a aperta em uma abraço apertado.- Eu estava com saudades, ai a minha mamãe me trouxe para brincar aqui, nós vamos brincar de casinha e de bailarina...

– Coisinha. — Fala ele ao beijar os cabelos de minha menina. — Você cresceu um bocado desde final de semana retrasado. Já é uma moça. Vamos brincar sim, a titia Effie estava louca de saudade de encontrar você. E me encheu a paciência a semana toda por isso.

Para o encontro de hoje, eu vesti Elika com um belo vestido amarelo, cheio de renda, meias calças brancas e uma sapatinha do mesmo tom do vestido.

– Olá, Haymitch. — Cumprimento-o ao entrar em sua casa. Agora que minha filha está em seus braços eu carrego apenas uma bolsa grande com coisas para nós duas em meu ombro. Em seguida ele fecha a porta atrás de nós e nos leva até a sua sala de estar. Haymitch parece feliz em carregar Elika em seus braços. Eu acho que ele esta agindo assim por causa da idade, afinal ele esta ficando velho e não tem filhos. Por isso esta mais complacente e paciente com crianças. Ou pode ser apenas por Elika, minha menina tem a capacidade de derreter os corações por onde passa.

– Olá, queridinha. — Responde ele me olhando carrancudo. — Por que demorou tanto em trazer a menina para nós visitar?

– Eu trabalho, Haymitch. — Digo, minha voz tem um leve tom de deboche. — E nós viemos aqui no final de semana retrasado.

– Você podia deixar a menina aqui antes de ir ao trabalho...

– Ela estuda, lembra? — Interrompo a sua frase.

– Ela é muito nova para estudar, uma criança nessa idade tem que brincar. — Continua ele carrancudo. — E nada melhor do que brincar aqui na casa do tio, agora que ele está de férias da Universidade. Não é mesmo, meu doce?

– Sim. — Diz Elika em sua animação infantil. — Por favor, mamãe, por favor.

– Mamãe vai pensar nisso, tudo bem? — Digo para Elika ao sorrir, mas por dentro eu sei que não vou pensar muito em deixá-la aqui com o Haymitch durante um dia todo. Se em poucas horas ele já consegue encher a cabeça da minha filha de ideias sobre o seu papai, imagina o que ele é capaz de fazer em um dia todo. — Mas, só se o titio prometer não colocar ideias em sua cabeça.

– Ideias? — Pergunta ele sorrindo naturalmente, nem um pingo de nervosismo na voz. Nós todos nos sentamos na sua sala de estar, eu sento em uma bonita poltrona perto da janela, depois coloco a minha bolsa no chão ao meu lado. Haymitch senta em um sofá cumprido e Elika esta confortável em seu colo, seus pequenos braços de criança estão em volta dos ombros dele. — Do que será que a sua mãe está falando? Que ideias eu colocaria em sua cabeça?

– Eu não sei, titio. — Responde minha filha em sua voz inocente, seus olhos brilham de diversão.

– Você não contou o nosso segredo para ela, contou? — Pergunta ele a encarando também divertido, seus olhos atentos no rosto de minha filha.

– Não, titio. Eu não contei que você me pediu para perguntar sobre o meu papai. — Respondeu ela, seu rosto em uma expressão séria.

– Pequena, você disfarça tão bem quanto a sua mãe. — Brinca ele ao gargalhar e voltar a abraçar a minha menina. — Por que você não puxou o seu pai na arte de dissimular?

– Haymitch. — Chamo a atenção dele. Estou chocada com o seu comentário.

– Minha mamãe me contou que eu tenho os olhos do meu papai. — Conta Elika, sua voz cheia de orgulho. — E o sorriso também. Parece, titio? Parece?

De repente minha menina abre um sorriso enorme, contente e exagerado.

Estou tão chocada pelo comentário dela que me sinto congelar na poltrona onde estou sentada. Acho que meu sangue deixou de circular.

Haymitch me olha com diversão pura estampada no rosto, como se de repente ele tivesse concluído um quebra cabeça muito importante.

– Ela disse? — Comenta ele ao olhar de Elika para onde estou. — Sua mãe esta certa nisso. Você tem muitas características do seu pai. Mas, os cabelos da sua mãe. Talvez nos devêssemos ligar para ele agora, que tal? Pedir para ele vir aqui te ver?

Os olhos de Elika se abrem animadamente, ela chega a saltitar em seu colo.

– Haymitch. — Quase grito o seu nome ao me levantar abruptamente do lugar onde estou sentada e o olhar com raiva e pavor. — Você ficou louco?

Ele não tem chance de responder, pois sua esposa Effie Trinket entra na sala de estar.

– Katniss, querida. Que bom revê-la. — Diz ela sorrindo radiante, seu cabelo loiro esta solto ao redor de seus ombros, nenhum fio fora do lugar em várias ondas perfeitas de ouro. Hoje ela usa um bonito vestido azul escuro bem acinturado e sem decote, que chega aos seus joelhos. Effie é a imagem da elegância, nunca conheci uma mulher que se veste tão bem, ou que tem um porte tão fino. — Onde esta a minha bonequinha?

Eu aprendi a usar salto alto pela necessidade, já que sou secretária de um estilista famoso. Mas, eu sei que nunca vou ter a elegância de Effie ao andar, essa mulher não anda, ela desfila o tempo todo.

– Titia. — Grita Elika já pulando do colo de Haymitch e correndo para abraçar Effie, que a recebe de braços abertos e a coloca no colo sem medo algum de minha filha, de algum jeito, bagunçar o seu vestuário do dia.

Effie a gira no ar, fazendo a minha menina gargalhar de felicidade. Quando elas se encaram, Elika coloca suas duas mãos no rosto bonito de Effie e beija as suas bochechas.

– Titia, o titio disse que eu vou poder conhecer o meu papai hoje. — Minha pequena diz, seus olhos cheios de animação.

– Ele disse? — Perguntou ela ainda sorrindo. Seus olhos passam por onde eu estou com o rosto emburrado e onde Haymitch está com as feições divertidas. — Bom, talvez o titio não devesse te dizer coisas sem o consentimento da sua mãe.

– Effie é bom vê-la novamente, espero não estar atrapalhando o seu dia de folga. — Falo para ela, tento muito fazer com que minha voz não soe tão furiosa.

– É claro que não atrapalha Katniss, vocês duas sempre serão bem vindas nessa casa! — Afirma ela sorrindo calorosamente.

– Titia? — Elika tenta chamar a sua atenção, minha filha não se dá conta do clima estranho que emana entre eu e o meu antigo mentor. Quando ela recebe de volta a atenção de Effie, minha pequena sorri contente. — Eu trouxe as minhas bonecas, vamos brincar de casinha. O titio pode brincar também, e ele disse que eu podia comer sorvete. Tem sorvete?

– Ei, mocinha! — Haymitch fala fingindo que estava ofendido. — Eu não disse nada sobre sorvete.

– É que o senhor ainda não tinha tido tempo. — Diz Elika com as bochechas vermelhas, por ter sido pega em uma travessura, em seus lábios rosados ela tinha um sorriso sapeca. E nesse momento ela pareceu tanto com o pai dela, que eu vi Haymitch vacilar em um sorriso. — Mas, eu posso? Não posso, titio Haymitch?

Sua voz infantil é tão manhosa e inocente, que não existe possibilidade desse velho babão negar algo para ela.

Eu não conseguiria. Penso divertido. Essa pequena chantagista.

– É claro que pode, baixinha. — Responde ele sorrindo verdadeiramente dessa vez. Elika é capaz de quebrar até o coração sarcástico e irônico de Haymitch. — Peça para a sua tia levar você na cozinha, enquanto eu a sua mãe conversamos. Logo, logo você pode voltar e me mostrar essas suas bonecas.

– Eba. — Grita ela já descendo dos braços de Effie. — Vamos titia. Vamos tomar sorvete. Mas, antes eu vou pegar a minha boneca, ela quer sorvete também.

– Nós já voltamos Katniss. — Diz Effie ao me encarar, depois ela leva os seus bonitos olhos azuis amorosamente em Elika que correu para onde eu estou sentada e depois de abrir o zíper da nossa bolsa, retira uma boneca de dentro. — Você quer beber alguma coisa, ou comer?

– Não, Effie. — Respondo sorrindo para ela. — Mas, eu agradeceria se você desse um pouco de água para Elika, ela deve estar com sede. E não permita que ela exagere no sorvete.

– Pode deixar, eu vou cuidar dela. — Fala Effie com seu sotaque dos nascidos da Capital. — Vocês dois, por favor, não quebrem nada e não gritem.

Depois elas saem do ambiente em direção a um corredor grande que levava a cozinha. Assim que eu sei que Elika já não pode me ouvir eu volto a sentar na poltrona e encaro o meu antigo mentor.

– O que você tem na cabeça para fazer minha filha perguntar sobre o pai dela? — A pergunta escapa dos meus lábios como uma maldição, estou quase cuspindo de ódio em cada palavra dita. — Você não sabe nada do pai da minha filha, não sabe nada sobre...

– Me poupe das mentiras, queridinha. — Grunhe ele me olhando carrancudo, seus olhos são inteligentes. — Você não precisa mentir sobre isso. Como você mesma disse, a menina tem os olhos do pai dela.

– Não, não tem. — Digo entrando em desespero ao mentir. — Olhos azuis são muito comuns, isso não tem nada a ver com pessoas que talvez você conheça. E eu não quero que minha filha fique perguntando por coisas que ela ainda não tem capacidade de entender. Eu não quero que ela se magoe com esse assunto. E por que você disse para ela, que o chamaria aqui? Você esta louco? Quem você acha que é o pai de Elika...

– Eu não acho, eu tenho certeza da paternidade dessa menina. — Resmunga ele mais seriamente. — Você é uma tola se acha que essa história não será descoberta uma hora ou outra.

– Você esta me ameaçando? — Pergunto de forma agressiva. Por Effie eu vou tentar não meter a minha mão no rosto dele. Ou jogar algum vaso caro em sua cabeça.

– Não estou te ameaçando. Sua desmiolada. — Responde ele no mesmo tom de voz que eu usei. — Estou te alertando, uma mentira como essa não fica encoberta muito tempo. O que vai acontecer quando o pai da Elika descobrir que em uma bela manhã de sol ele tem uma filha de três anos, com o grande amor da vida dele? Será que você já pensou nisso? Ou é tão egoísta quanto eu acho que é?

Grande amor da vida de quem? Penso irritada. Esse velho bêbado só pode estar fazendo uma piada.

– Eu sou egoísta? — Retruco possessa de raiva. — Você só pode estar brincando comigo. Talvez você devesse se preocupar mais com a sua vida e deixar a minha em paz. Eu tenho muito respeito por você Haymitch, você me ajudou em momentos que ninguém mais faria. Praticamente salvou minha filha e eu da extrema miséria, mas o assunto do pai de Elika diz respeito apenas a mim.

– Não, não diz respeito apenas a você, queridinha. — Diz ele, sua voz é afiada como navalhas. — Peeta tem tanto direito quanto você. Como você pode fazer isso com ele? Como pode esconder algo tão importante assim dele? Você não fez essa criança sozinha, põe isso na sua cabeça.

– Nunca mais diga esse nome perto de Elika. Eu proíbo. — Mando, depois até mesmo olho em volta para ver se minha baixinha não esta escondida em algum lugar.

– Sabe onde o padeiro passou os últimos dias? — Pergunta ele de forma cínica. — No distrito doze. E adivinha quem ele estava procurando?

Eu me levanto da poltrona onde estou sentada e dou as costas para o Haymitch. Me sinto tonta de raiva.

– Não me interessa saber nada dele. — Minha voz é quase glacial quando enfim o respondo. — Não me interessa saber mais nenhuma de suas mentiras. Quero que ele fique bem afastado da minha vida, e da vida da minha filha. Minha, entendeu? Eu cuidei dela sozinha, a tive sozinha, eu sou a mãe e o pai de Elika. E não tenho interesse nenhum na vida desse sujeito. Que tipo de jogo você pretende, Haymitch?

– Não estou jogando nada. — Responde ele com deboche. — Por que eu jogaria alguma coisa? Mas, você tem que ficar sabendo que o garoto esta desesperado atrás de você. E a culpa é toda sua por posar para uma grife, e ter uma foto gigante sua a cada esquina. Se você queria ficar incógnita aqui na Capital, por que tirou essas fotos?

– Não foi minha culpa, não era para o Cinna mostrá-las para ninguém, eu apenas estava tentando ajudá-lo com a campanha, essas fotos eram para ficar apenas como estudo de cenário e figurino. — Explico sem jeito, minhas bochechas queimam de vergonha.

– Você não precisa me explicar coisa alguma, o fato é que as fotos estão espalhadas por vários Distritos de Panem, e o padeiro está atrás de você. O que eu devo dizer para ele? Quanto tempo mais eu vou ter que mentir que não vejo você e a filha de AMBOS, final de semana sim, final de semana não? — Pergunta ele irritado.

– Eu não entendo por que ele estaria atrás de mim. O que ele ainda quer? Encher a minha cabeça com nossas mentiras melosas? Isso não vai acontecer. — As palavras simplesmente escapam de meus lábios, posso dizer que isso surpreendeu Haymitch, que já que eu nunca, nunca mesmo, falo do meu antigo amigo. — Não quero vê-lo, não quero que ele me encontre. E você continua insistindo que ele é o pai, mas você não me ouviu confirmar isso em nenhum momento. Então pode esquecer isso. Mande-o se danar, já que você quer tanto dizer algo para ele, eu não me importo.

– Você esta sendo injusta e infantil, Katniss. — Ouça a voz grossa de Haymitch dizer. — O garoto ainda ama você.

– Ele nunca me amou, apenas brincou comigo. Existe uma diferença. E eu sinceramente não quero falar disso, ele não significa nada para mim. Você não pode contar para ele que eu estou aqui. — Insisto, tenho que me controlar para não acabar falando mais do que eu devia.

– Ok, eu não vou dizer, apenas me respondo uma coisa. E eu já sei a verdade, ainda assim eu mereço ouvi-la de você. — Haymitch me olha muito sério agora. — É dele, não é? A menina é filha de Peeta?

Fico em silêncio apenas o encarando, todas as vezes que ele fala o nome do pai da minha filha eu apenas sinto o meu coração rasgar ao meio. Não tenho coragem de responder a sua pergunta com palavras então eu apenas aceno afirmativamente com a cabeça.

Haymitch suspira aliviado depois da minha resposta simples.

– Nossa história já teve um fim, Haymitch. — Digo, meus olhos estão embaçados pelas lágrimas que eu não vou derramar. Me recuso a chorar na frente de qualquer pessoa. — Eu estou seguindo em frente, conheci um homem bacana e digno, e nós estamos saindo juntos.

– Ah, é mesmo? — Pergunta ele com seu velho sarcasmo. — Que ideia maravilhosa. Qual é nome do rapaz.

– Rapaz? Ele tem trinta anos Haymitch. Trabalha na policia aqui na Capital, e seu nome é Darius. — Digo deixando que um sorriso tímido surja em meus lábios. — Eu realmente acho que ele é uma pessoa boa, e ele não se importa que eu seja mãe solteira. Ainda não é nada sério, mas eu acho que vai se tornar, e principalmente agora que Elika pergunta tanto sobre o pai. Talvez, eu apenas deve dar um pai para ela.

– Se a menina quer tanto um pai, talvez você deve ir atrás do pai dela. — Diz ele rindo.

– Isso não vai acontecer...- Nesse momento que sou interrompida pelo toque do telefone.

Imediatamente, depois de alguns resmungos e de me pedir licença, Haymitch se levanta para atendê-lo. O aparelho telefônico prateado está preso em uma parede no corredor, um padrão de estilo adotado pela maioria das casas aqui na Capital.

Eu espero pacientemente, ainda estou em pé ao lado da grande janela com vista para as ruas da Capital. Minha cabeça começa a rodar com tudo o que o meu antigo mentor me disse.

Será mesmo que ele tinha ido na Distrito Doze? Penso afoita. O que diabos ele foi procurar lá? Ainda bem que não deixei nenhum rastro de minha partida, nada que ele possa seguir. Como se ele tivesse o interesse me procurar. Haymitch deve estar errado em achar que ele voltou lá apenas por mim.

– Desculpe, queridinha. Essa era uma ligação importante. — Disse ele ao se sentar novamente. — Onde paramos? Ah sim, você estava me contando que vai pensar no assunto de contar a verdade para Elika e ir atrás do padeiro...

– Você enlouqueceu com a idade? — Pergunto depois de rir sem humor. — Ou andou bebendo novamente?

– Nem uma coisa, nem outra. Apenas esperando o dia em que você vai encontrar o juízo certo. Ou começar a tomar decisões de forma adulta. — Responde ele ácido. — Você já pensou nessa possibilidade, Katniss? De contar ao garoto a verdade?

– Já sim, mas sinto que ainda não é o momento certo. — Respondo mal humorada, essa insistência da Haymitch me tira do sério. Não entendo por que ele tem que insistir nesse assunto. Eu contei para ele do Darius e ele nem ao menos fingiu interesse, como se o que eu estivesse falando fosse besteira. — Vou esperar alguns anos, quando Elika for mais velha eu vou contar para ela. Então se ela ainda quiser conhecer o pai, eu posso tentar encontrá-lo.

– Tem certeza que você não quer contar a verdade hoje? — Pergunta ele depois de alguns minutos de silêncio, coçando a cabeça e se espreguiçando no sofá onde esta sentado.

– Não, Haymitch. Eu não vou contar nada hoje, então pare de insistir nisso. Principalmente com Elika. Ela ainda é muito inocente para entender essas coisas. — Respondo emburrada.

– Bom...- Começa ele coçando a barba depois olhando para a janela onde estou. — Então eu sugiro que você vá embora, já que o garoto vem me visitar hoje, e ele deve chegar a qualquer momento.

Eu apenas o encaro, mas não tenho certeza se eu escutei direito o que o esse velho bêbado me disse.

– O que? — Pergunto ainda sem entender.

– Você escutou, queridinha. — Repete ele rindo dessa vez, a minha exasperação parece ser muito engraçada para ele. — A ligação que eu recebi a poucos minutos era do Peeta, e ele deve estar chegando aqui na minha casa em uns dez minutos.

– Haymitch...você só pode estar brincando...eu não posso... o que?...- Começo a gaguejar todas as palavras, de repente sinto o meu cérebro levar um choque. Respiro profundamente algumas vezes, até que eu consigo me concentrar o suficiente para dizer uma frase sem tropeçar nas palavras. — Você está falando sério?

– É claro que sim. Por que eu brincaria sobre isso? — O maldito não parece estar nem um pouco abalado pelo o que me disse. — Mas, você pode deixar a menina, eu tenho certeza que Peeta vai adorar conhecê-la.

– Elika? — Grito o nome de minha filha ao chamá-la apressadamente. — Passarinho, cadê você?

Eu saio correndo da sala e vou atrás da minha filha na cozinha de casa dele. Effie e Elika estão sentadas em volta da mesa da cozinha, com tigelas de porcelana cheias de sorvete. Ambas rindo e conversando divertidas.

– Elika? — Chamo-a mais uma vez, eu me lanço atrás da minha filha a puxando de, onde esta sentada, para os meus braços rapidamente.

Ele vai estar aqui a qualquer momento. Qualquer minuto. Penso histérica. Tenho que tirar Elika dessa casa. Vou matar o desgraçado do Haymitch.

– Não sei porque você esta irritada, queridinha. — Fala Haymitch muito perto de onde estou com Elika em meus braços. Effie nós olha curiosa. — Eu também fui mentor dele, e ele é um amigo, igual a você. O garoto apenas quer me fazer uma visita.

– Eu.Vou.Matar.Você. — Digo, praticamente rosno as palavras. Meus braços estão tremendo em volta de Elika que me olha assustada.

– O que está acontecendo? — Pergunta Effie olhando para o marido. — O que você fez?

– Desculpe, Effie. Nós temos que ir embora agora. Mas, depois podemos marcar um dia para você rever Elika. — Explico ao me afastar do casal e voltar para a sala de estar.

– Mas, a Elika não terminou o sorvete. Vocês acabaram de chegar. — Eu escuto a voz de Effie dizer confusa ao me seguir. — O que aconteceu?

– Depois o seu marido te explica. — Resmungo ao pegar a minha bolsa que ainda estava ao lado da poltrona e colocar a alça em um dos meus ombros. Elika esta agarrada na minha cintura, suas pernas roliças em volta da minha barriga, e meus braços a seguram firmemente. Sinto pena ao perceber que seus olhos estão cheios de lágrimas.

– Eu não quero ir embora. — Sussurra a minha pequena no meu ouvido. — Vamos ficar mamãe, só mais um pouquinho?

– Hoje não podemos. Agora, nós temos que ir embora. — Digo para ela. Tento sorrir e mostrar tranquilidade para a minha filha, mas é uma missão muito difícil, principalmente por eu estar tão propicia a violência.

Effie se aproxima de onde estamos e deposito um beijo nos cabelo de Elika. Em seguida é a vez do Haymitch, ele repete o gesto da esposa e me olha carrancudo.

– Você está fazendo tudo errado Katniss. — Resmungo ele para mim. — Por que não ficar e encará-lo de frente?

– Eu quero matar você, Haymitch. Não posso acreditar que você está fazendo isso comigo. — Digo ainda nervosa. Adrenalina pura corre nas minhas veias enquanto nós seguimos para a porta de entrada.

Nos despedimos rapidamente e logo eu estou praticamente correndo para longe da casa de Haymitch e Effie. Levando uma Elika chorosa e ressentida nos meus braços. Por dentro estou muito feliz por não ter escolhido usar salto alto hoje. Apenas um tênis confortável. Andamos um um quarteirão inteiro e eu estou mantendo os meus olhos atentos a minha volta, a todas as pessoas na calçada e então eu o vejo. Parado na faixa de pedestres em um farol, esperando o trânsito de carros parar para que ele possa atravessar a rua e vir para a calçada onde estou com Elika.

O mundo a minha volta parece desacelerar, é a primeira vez em quase cinco anos que eu o vejo. Não consigo distinguir bem os seus traços, já que estamos bem longe um do outro, mas é impossível não reconhecê-lo. Por um milagre dos céus ele esta distraído com alguma coisa no bolsa da sua jaqueta e não esta olhando para onde eu estou congelada com nossa filha em meus braços.

Quando ele gira a cabeça para o meu lado eu viro de costas e lentamente, entro na primeiro loja que vejo na frente. Meu coração esta tão disparado no peito que eu acho que ele pode explodir a qualquer momento.

O lugar onde entrei é uma lanchonete. Não me importo com nada ao meu redor, apenas em me esconder com Elika. Por isso eu me afasto das vitrines e da porta e sigo para os fundos do lugar. Me sento na mesa mais distante possível da porta.

Será que ele me viu? Penso afoita. Será que me reconheceu?

– Mamãe, eu quero um bolinho. — Pede Elika em meus braços, ela está apontando para um foto na parede da lanchonete, onde um grande bolinho cor de rosa, todo enfeitado de estrelas está sendo exibido.

– Claro, filha. — Me forço a responder. — Mamãe compra o bolinho para você, e depois podemos passar no mercado e comprar um grande pote de sorvete, o que acha?

– Eba. — Responde a minha pequena gritando de alegria. E sei que já estou perdoada por tirá-la da casa dos seus "titios" de forma tão abrupta.

Meus olhos ainda estão na grande vitrine de vidro no outro extrema da lanchonete. Não posso sair dessa lanchonete agora, o pai da minha filha esta lá fora, na rua.

E se ele tiver me visto? Penso em agonia. O que eu vou fazer?

Notas finais
Ui, essa foi perto. Tic-Tac o cerco esta se fechando. O que vocês acham? Será que o Peeta a viu? Isso foi mais um plano do Haymitch? E a música que eu escolhi foi muito perfeita para essa capítulo. Toda especial. ^^ Até segunda (=