Amarras do Passado

45 Princess Familiar - Alanis Morissette


Notas iniciais
Olá Pessoas, enfim eu estou de férias ^^ Agora as postagens vão acontecer mais frequentemente. Vou tentar postar duas vezes por semana. Torçam para que eu consiga. E eu gostaria de dizer que neste capitulo começa a contagem regressiva para o fim de Amarras do Passado. Então, quero todos contando comigo. 10. O próximo será o capítulo 9 para o fim da fanfic. Esse capítulo é dedicado a Paçoca com Chocolate, obrigada por favoritar a minha fanfic. E também dedico a Alexia Valentine, obrigada por favoritar a minha fanfic. Também gostaria de dedicar essa capítulo a G Hutcherson pelo seu aniversário. Desculpe a demora e Feliz Aniversário!

Dias atuais

Peeta

"...Papa laugh with your princess
So, she will find funny princes familiar
Papa respect your princess
So, she will find respectful princes familiar

Papa love your princess
So, she will find loving princes familiar
Papa cry for your princess
So, she will find gentle princes familiar..."

***

Papai.

Essa palavra nunca foi tão bonita para mim. É lógico que eu sou filho de alguém e amo o meu pai, mas ser chamada de pai, de papai, é uma coisa totalmente diferente do que chamar alguém de pai.

Quando eu chamo o Rodrick de pai, eu não tenho uma noção exata do grau de sentimento usado ou o que isso causa nele.

Mas, quando minha filha me chama de papai, eu sinto o meu coração bater mais rápido dentro de mim, e meu peito se estufa de orgulho.

Nas primeiras vezes eu apenas tive que me segurar para não chorar toda vez que ela me chamava de pai. Eu sei que sou patético e sentimentalista, porém não pude segurar a sensação devastadora que se apossava de mim quando Elika me chama de papai.

Essa palavra me leva a um paraíso totalmente novo. Eu nunca achei que me sentiria tão especial por ser chamado por uma coisa tão simples, por uma palavra tão pequena.

Todavia, o significado dessa palavra é gigantesco.

Eu sou um pai, ou melhor dizendo, eu sou o papai de Elika. É assim que a minha filha me chama. Essa é a minha designação, a mais importante da minha vida.

Não sou apenas Peeta Mellark, um homem de vinte e seis anos, formado em Administração de Empresas e em Gastronomia pela Universidade da Capital, empregado na Mellark's como gerente de qualidade. Não, isso não significa quase nada para mim.

Agora a coisa mais importante é que eu sou Peeta Mellark, pai de Elika Everdeen. Uma menina de três anos de idade. A garotinha mais inteligente de sua idade, eu estou certo disso. A luz mais brilhante em minha vida, o motivo mais importante para a minha vida.

O passarinho cantante depois de um inverno muito duro.

Eu sorrio o tempo todo agora, mal posso controlar a minha animação constante por qualquer coisa que ela faça.

E posso garantir que nunca pensei que amaria alguém de forma tão pura e infinita, sempre pensei que o amor que eu sinto por Katniss seria o maior que eu sentiria na vida, mas amar a minha filha é incrivelmente libertador.

É tão puro e tão instintivo que não posso me negar isso, ou me afastar. Os instintos antigos de proteger e prover são muito fortes dentro do meu peito, muito enraizados para serem ignorados.

Toda vez que ela me abraça ou diz "papai", eu me sinto derreter por dentro. Eu me sinto o mais forte entre todos os homens e o mais fraco também.

Elika é minha filha, minha garotinha linda e brilhante. Minha bailarina, minha treinadora de animais ferozes e imaginários, quando estamos brincando em seu quarto. Ela também é minha aventureira em selvas desconhecidas, quando estamos no parque procurando insetos para estudar e nos escondendo atrás de arbustos, e ela também é minha chefe e secretária, quando me obriga a brincar de escritório com ela. E principalmente, ela é a cozinheira mais desastrosa e maravilhosamente instintiva que eu já conheci.

Quem diria que pasta de amendoim com beterraba era uma boa pedida? Ou então que pão de calabresa com goiabada ficaria uma delicia ao paladar? E de todas as coisas que nós dois fazemos juntos, cozinhar sem dúvida nenhuma é a minha predileta.

Elika parece venerar todas as palavras que saem da minha boca, ela é atenta e doce, tudo o que uma menina de três anos deve ser. Tão carinhosa e tem uma timidez que é a coisa mais linda do mundo. A timidez é minha, eu acho, já que quando eu era criança eu era muito tímido e retraído. E minha filha também é assim em muitas coisas. Katniss e eu tentamos a todo custo fazê-la se sentir confortável e feliz em todos os ambientes, mas Elika é Elika, e logo a sua timidez se transforma em amorosidade, o que encanta qualquer pessoa que esteja por perto.

Ela é um pequeno pedaço de céu, um suspiro tranquilo depois de uma tempestade.

Eu adoro estar com ela, adoro conversar com ela, adoro saber os seus pensamentos e seus sonhos. Adoro que ela ame chocolate, tanto quanto ama a própria mãe, sempre dou risada disso e provoco Katniss o tempo todo de que se alguém pedisse para Elika escolher entre a mamãe dela e um aerodeslizador de chocolate, que Katniss estaria correndo sérios problemas.

Katniss fica adoravelmente irritada, sempre me manda calar a boca, ou ir me danar, em um momento particularmente engraçado ela chegou a me mostrar a língua. É claro que isso me fez gargalhar ainda mais alto, e só me controlei depois de levar um tapa no braço de Katniss, ela me lembrou que eu tinha que rir baixo para não acordar a nossa filha que dormia tranquilamente no andar de cima, em seu quarto abarrotado de brinquedos.

Ah, os brinquedos. Penso depois de soltar um suspiro alto. Katniss quase me matou por causa dos brinquedos, mas no final ela entendeu que eu apenas não pude me controlar e em um momento de empolgação paterna eu levei Elika em uma loja de brinquedos e comprei tudo o que ela queria, qualquer coisa que ela apontasse e pedisse eu mandava embrulhar, gastei uma fortuna na loja e nunca estive mais feliz do que naquele momento.

Minha filha também ficou muito feliz, Katniss nem tanto e assim que voltou do trabalho e viu a casa cheia de brinquedos, o quarto de Elika tão cheio que mal dava para andar.

É claro que a compra dos brinquedos foi um surto de inspiração, uma semana depois da minha chegada na casa delas.

A minha primeira semana sendo um pai, conhecendo a minha filha e redescobrindo uma Katniss totalmente nova para mim.

Ainda lembro da primeira noite em que dormir na sala. Depois que Katniss deu banho e colocou Elika na cama, ela me explicou muito coisa da rotina das duas, antes de Elika dormir eu tive que sentar em sua cama e prometer, jurar e tudo mais que não iria embora, e que estaria lá quando ela acordasse. Os pedidos de Elika e seu medo de me perder perturbaram Katniss, deu para perceber, mas eu tranquilizei a minha menina de que nunca mais a deixaria, que sempre estaria ao seu lado, e eu pretendo cumprir esse promessa.

Quando minha princesinha enfim dormiu, eu pude me concentrar na mãe dela, era visível que Katniss estava em pé por pura força de vontade, eu nunca a vi tão exausta igual aquele momento. Ela estava quase cochilando quando nós dois sentamos na mesa da cozinha e ela me explicava as rotinas da casa e da vida das duas.

Algumas coisas foram muito importantes, e ela frisou várias vezes.

" Elika não deve comer chocolate todos os dias, não importa o quanto ela peça por isso, ou que chantagens vai tentar usar. Peeta, lembre-se que ela joga com os doces e os sentimentos, não é malvada, mas é incrivelmente esperta. Por isso, doces somente nas sextas, depois do jantar, e devem ser acompanhados de frutas."

Depois Katniss revirou a mochila de Elika, tirando um uniforme sujo de comida e o que parecia ser tinta, depois me mostrou um tablet pequeno e portátil, que parecia ser muito resistente. Ela me ensinou a ligá-lo e a verificar os avisos e alertas da escola de Elika. A escola avisava Katniss de tudo, desde o que nossa filha teve de almoço, até que tipos de atividades foram abordados durante o dia. E também me ensinou a colocar um aviso para a professora, assim a mulher olharia no dia seguinte.

Katniss me contou que todos os dias o uniforme de Elika era trocado, e que ela sempre colocava um limpo e bem passado de sobressalente, afinal Elika estava em uma fase em que caia com facilidade e se sujava apenas pela vontade de fazê-lo.

" Nas terças e sextas ela tem aula de balé. Então você tem que colocar o uniforme de balé dentro da mochila dela. E não pode deixar de verificar se ela sujou algo, ou se precisa que algo seja reposto. Nas sextas a escola manda de volta o estojo com a escova de dentes dela, e esse estojo tem que ser higienizado, para ser reenviado para a escola na segunda."

E é claro, ela me prometeu que nos dois iriamos até a escola para que o meu nome fosse colocado na lista de parentes de Elika.

Depois Katniss me explicou sobre a casa.

– Eu costumo sair do trabalho por volta das cinco horas da tarde, Elika sai da escola por volta das cinco e meia, e nos chegamos aqui por volta das seis e vinte, ou sete horas, depende do transito e da movimentação dentro do metrô. Mas, as vezes eu preciso ficar até mais tarde no trabalho, e normalmente Annie ou Haymitch ficam responsáveis por buscar Elika na escola...

– Isso não será mais necessário, eu vou buscá-la agora. — Eu a interrompi ao inflar o meu peito e dizer o obvio.

– Eu sei que você vai querer isso, mas você vai ter que disputar isso com Annie e Haymitch, ambos adoram ficar com Elika. — Katniss me disse.

– Eu sou o pai dela, eu tenho prioridade. — Resumi com toda a certeza.

Katniss apenas me olhou seria e disse.

– Como desejar, mas assim que vocês dois chegarem aqui, ela tem que jantar, e nada de besteiras gordurosas, faz mal a ela. Ela também não pode ficar na friagem por muito tempo, e não importa o quanto ela chore, ela tem que tomar banho direito e escovar os dentes. — Katniss me disse de modo cansado, mas sério.

– Ela não tentou não tomar banho hoje. — Eu disse divertido.

– Hoje foi uma exceção porque você é novidade para ela, mas espere até ela se acostumar com a sua presença. — Katniss me disse com um sorriso contido. — Elika tem apenas três anos, mas pode ser muito teimosa e determinada.

– Bom, a teimosia veio da sua parte da família. — Eu disse ao me aproximar ternamente, minhas mãos estavam coçando de vontade de tocar nos cabelos de Katniss.

– Você que é teimoso. — Ela me disse de forma indignada.

– Não sou não, eu sou determinado, você sempre foi a teimosa. — Eu insisti.

– Claro que não, você é teimoso...

Entretanto, ela parou de falar quando me viu sorrindo. Acho que ela percebeu que estava sendo bem teimosa, e que eu usei isso para comprovar a sua teimosia.

– Muito espertinho. Mas, tanto faz, eu não quero falar sobre isso. — Ela me sussurrou ao mudar de assunto.

Eu tive que controlar um sorriso para não chateá-la.

Depois foi a minha vez de perguntar coisas para ela. E eu fui insaciável em minhas perguntas, queria saber tudo a respeito da nossa filha, tentei perguntar algumas coisas sobre a vida das duas quanto elas não estavam na Capital, mas Katniss desconversou e deixou claro que não falaria sobre isso.

Mas, ela ainda me disse muito coisa.

Me contou que Elika faz aniversário no dia dezoito de dezembro, que sua cor favorita é o rosa, que seu brinquedo favorito no momento é a boneca bubu, e que antes dela foi uma outra boneca que Haymitch deu, que a madrinha dela é uma mulher de 28 anos chamada Johanna Mason, que Elika ama dançar, e que é muito carinhosa com todas as pessoas na vida dela. Que Haymitch reclama constantemente por não poder vê-la sempre, e que enche o saco de Katniss por não ser o padrinho de nossa menina, e que Elika não gosta de comer legumes, mas que Katniss sempre insiste nisso, mesmo que ela acabe por não comer. Que nossa menina tem hora certa para dormir, e que ela acorda naturalmente de manhã.

Tive que controlar o maior da minha ansiedade por conhecer cada pequena coisa da minha garotinha, Katniss estava praticamente dormindo sentada na minha frente, e eu fiquei com pena dela. Ela deve ter passado a noite em claro cuidando de mim, e teve que acordar cedo para trabalhar, e agora já eram quase dez horas da noite e eu a estava segurando com um monte de perguntas que podiam ser respondidas depois.

Antes de nós dois nos despedirmos ela me trouxe um edredom bem fofo e um lençol limpo para que eu forrasse no sofá, pelo visto eu passaria a minha noite ali, e as noites que se seguiriam. Eu queria mesmo era sugerir ficar em seu quarto, e em sua cama com ela ao meu lado. Mas, tive que me controlar muito para as palavras não escaparem de meus lábios. Ainda não é o momento para isso.

Eu tenho que ser esperto agora, não posso trocar os pés pelas mãos e acabar estragando o pouco que eu consegui.

Então tudo o que fiz foi aceitar as coisas que ela me deu, e esperar que ela terminasse o seu banho para somente depois eu ir tomar o meu próprio, o que foi um outro grau de tortura já que o banheiro inteiro cheirava a Katniss Everdeen. E eu não a vi depois de sair do banheiro, a porta do quarto dela estava fechada. Só sei dizer que viver em um mesmo ambiente que ela, e não poder me afogar nela vai ser uma das coisas mais difíceis que eu já tive que fazer. Ainda bem que Elika esta aqui conosco, minha filha vai ser o meu escape de todo o desejo que sinto por Katniss, nesses semanas que ela esta me oferecendo eu vou mergulhar de vez na paternidade, e conhecer tudo o que minha filha é. Vou ser o melhor pai do mundo para ela.

É estranho dizer que entramos em uma estranha rotina maluca, eu tinha esquecido o quanto viver em um mesmo ambiente que Katniss era bom. E essas semanas apenas serviram para aumentar a minha vontade de nunca mais me afastar das duas, eu preciso de ambas para ser feliz, é tudo o que eu sei.

Na primeira semana em que voltei para o trabalho, eu deixei todos cientes que eu estava na casa de Katniss, que ela tinha decidido me dar uma oportunidade de conhecer a minha filha e fazer parte da vida dela, logicamente todos os que nos conhecem me olharam com olhos assombrados, apenas Haymitch gargalhou tão alto que chegou a doer os meus ouvidos pelo telefone, ele ficou extasiado de que Katniss tinha me deixado ficar na casa dela, mas quando eu disse que estava dormindo no sofá, ele gargalhou ainda mais alto e me disse que nunca se divertiu tanto na vida dele.

Esse velho esta ficando maluco, sério. Eu sabia que algum dia o fato de ele ter participado do último Jogos Vorazes cobrariam os seus efeitos em sua sanidade, e agora eu começo a pensar que finalmente esta acontecendo. Haymitch é tão irritante.

Tudo o que ele me disse foi:

" Boa sorte padeiro, vê se conquista a docinho de vez, e eu não quero saber de resmungos depois, lembre-se que eu sempre te avisei que haviam outras mulheres mais simpáticas no mundo, foi você que escolheu ficar com a mais teimosa de Panem. "

Esse foi o seu conselho maravilhoso. Mas, no fundo eu acho que ele estava feliz por eu enfim ter conseguido algum avanço com a Katniss.

Meu pai estava em êxtase, os seus olhos ficaram marejados quando eu apareci para trabalhar no dia seguinte e contei tudo o que tinha acontecido, que eu estava na casa de Katniss e que tinha conhecido a Elika. Ele me aconselhou durante muitos minutos, nós dois conversamos seriamente sobre as minhas opções, eu estou começando a decidir coisas importantes para o meu futuro e o da minha família, tenho muitos planos que vou começar a concretizar em poucas semanas, não vou divulgar nada para Katniss, pois ainda tenho que ganhá-la de vez, tenho que lembrá-la que nosso amor é mais forte do que qualquer obstáculo colocado em nosso caminho.

Nós não conversamos sobre a minha mãe, porque eu me recusei a falar sobre ela, mas ele me deixou saber que ela estava muito abalada. Até os meus irmãos vieram falar comigo. O que é muito estranho, já que todos eles sempre estão ocupados demais em suas vidas esplendidas, mas eles ficaram sabendo de Elika e querem conhecê-la, apresentar os filhos, que são primos de Elika e conhecerem a mãe da minha menina. Eu disse que falaria com Katniss sobre isso antes de tomar qualquer decisão.

Foi legal conversar com eles, estou mais seguro da minha decisão sobre a minha mãe, eles ficaram tão chocados quando descobriram o que ela tinha feito, e disseram que estavam do meu lado, mas que eu não poderia punir nossa mãe para sempre.

Eu não sei o que pensar sobre isso. Ainda estou com muita raiva.

Também foi nessa primeira semana que eu tentei pegar Katniss no trabalho, para que juntos fossemos pegar Elika. Entretanto, ela não gostou muito disso, disse que nosso relacionamento não poderia avançar mais do que isso, e que Darius costumava pegá-la no trabalho, então eu não precisava me preocupar com isso. Foi a única menção de Darius que ela teve comigo. Eu não tentei pegá-la mais no trabalho, e todos os dias quando eu chegava do trabalha na casa de Katniss e fazia as pequenas tarefas domesticas que ela teria que fazer quando chegasse, assim sempre que ela e Elika chegavam o jantar estava cozinhando na cozinha, e a casa estava razoavelmente em ordem.

Eu não vi esse namorado de Katniss em nenhum dia desses semanas em que estou morando com ela, o que é ótimo já que eu não saberia controlar a minha reação ao vê-lo tocando na minha mulher.

Não é que eu esteja fingindo que Katniss e eu somos amigos, apenas para ganhar a sua confiança e levá-la para a cama logo em seguida. Eu estou reatando a nossa amizade, nossa frágil convivência não pode fracassar. Todo o meu futuro depende disso. Não estou jogando para perder aqui.

E o que eu vou perder se fracassar é muito mais do que esse Darius jamais cogitou em perder. É a mulher da minha vida e a minha filha que estão em jogo aqui. Então não vou fingir ser hipócrita e dizer que tudo o que faço e apenas porque eu tenho um bom coração. Eu quero Katniss e Elika, as duas na minha vida para sempre.

O meu relacionamento com a minha filha esta melhorando a cada dia que passa, ela já esta confiando mais em mim, e precisando mais de mim. E o meu amor por ela só cresce e cresce.

E foi por isso que eu surtei e a levei para comprar quantos brinquedos quisesse. Aconteceu no final da primeira semana, na sexta feira, quando eu fui buscar Elika na escola primaria. Katniss e eu tínhamos, no dia anterior, ido até a secretaria e registrado o meu nome no cadastro da minha filha. Agora que já poderia ir buscá-la na escola sempre que quisesse.

Naquele dia, Katniss me ligou mais ou menos na hora do almoço e me pediu para ir buscar Elika na hora da saída da escola, pois ela estaria trabalhando até mais tarde. É claro que eu fui, com o maior sorriso no rosto, buscar a minha garotinha. Cheguei na escola com meia hora de antecedência, de tão empolgado que estava, então tive que ficar esperando por alguns minutos até a liberação da escola.

Quando enfim o sinal tocou, anunciando a saída das crianças, eu me mantive próximo a entrada dos portões, alguns outros pais também estavam esperando. E eu até mesmo conversei com alguns deles, a maioria eram mulheres sorridentes, que conversavam de forma muito gentil, procurando saber o que eu estava fazendo ali, de que criança eu era pai, e se eu estava solteiro.

Solteiro? Eu tive que rir silenciosamente disso. É claro que eu respondi que não estava solteiro. Graças aos medicamentos bons da Capital, o meu olho roxo e o meu lábio cortado já haviam sarado, e me sobravam nada mais do que uma leve sobra, onde antes haviam machucados reais.

Depois que eu fui autorizado a entrar eu caminhei certeiro para a fila que me foi indicada como sendo a que Elika estaria, meu coração quase explodiu no peito com a recepção dela. O seu grito estridente e feliz de "papai" aqueceu os meus ossos, e meus olhos encheram de lágrimas. Nunca vou superar a sensação de felicidade que minha filha me trás. Elika ainda me apresentou para todos os seus colegas dizendo " Esse é o meu papai, Peeta. Nos temos os mesmos olhos.", e depois ela fazia uma exibição exagerada da cor de nossos olhos. Eu apenas ria e era gentil com as outras crianças, a professora de Elika ficou feliz em me conhecer e eu fui simpático com ela, depois tirei a mochila cor de rosa de Elika de seus pequenos ombros, e a coloquei em meus braços, Elika estava segura de um lado e a mochila dela estava do outro. Eu mal conseguia parar de sorrir.

Antes de ir buscá-la, eu sai mais cedo do trabalho e passei em uma dessas lojas de crianças para comprar um cadeirinha de carro, do tipo que é preso no banco traseiro e serve para proteger a minha filha de uma possível acidente.

E depois de sair da escola com a minha filha nos braços, eu apenas fui até onde tinha estacionado o meu carro. Elika não reclamou quando eu a prendi sentada confortavelmente com os cintos de segurança, ela apenas me disse que a cadeira era linda, porque era rosa e tinha florzinhas, o que me fez gargalhar e a beijar sobre os cabelos escuros. Eu fazia muito isso, em todos os momentos em que eu estava com a minha princesinha, eu apenas a abraçava constantemente e a beijava nos cabelos escuros.

Eu sei que minha filha gosta de toda essa atenção e carinho. Ela sempre busca estar nos meus braços, o que sempre me derrete.

Na volta para casa, eu estava conversando animado com ela, sobre o seu dia na escola e as atividades que fez. Quando eu perguntei sobre o seu brinquedo favorito ela rapidamente me respondeu que era a boneca Bubu, e quando eu perguntei se tinha sido o Haymitch que tinha dado, ela me respondeu.

– Não, papai. Foi o Darius, o amigo da mamãe. Ele me deu a Bubu, e ela é a boneca mais bonita do mundo todo. — Ela me disse toda inocente ao brincar com a cinto que a mantinha segura na cadeirinha no banco de trás do carro.

Não sei por que isso me afetou tanto, eu apenas não queria saber de nada que esse homem poderia dar de presente para a minha menina. E é mesquinho admitir que eu senti ciúmes disso.

O boneca que ela mais gostava no mundo tinha sido dada pelo namorado de Katniss. Isso me corroeu por dentro. Na mesma hora, e sem pensar muito, eu fiz um desvio pelas avenidas da Capital e entrei no primeiro shopping center que encontrei.

Dai veio o meu surto com os brinquedos, eu apenas levei Elika para uma loja grande de brinquedos e disse que ela poderia escolher qualquer coisa que quisesse.

A vendedora que nos atendeu ficou muito feliz com o final da compra. E eu nunca me diverti tanto com a minha filha. Ela parecia que tinha entrado no fantástico mundo da diversão. Ela correu e brincou e cantou, e pulou. Estava tão radiante de felicidade que eu não podia afastar os meus olhos dela, eu me mantive de mãos dadas com a minha princesa e depois de uma hora, eu estava indo embora do lugar, com uma Elika radiante de felicidade e um carro abarrotado de brinquedos.

Quando chegamos em casa, que eu secretamente já considerava a minha casa também, eu e Elika descarregamos o carro cheio de caixas dos novos brinquedos dela e depois eu a deixei brincando na sala de estar, enquanto preparava o nosso jantar.

Quando a comida estava no fogão elétrico, eu apenas cuidei de tudo o que tinha sido instruído por Katniss, primeiro eu dei um banho em Elika, e depois eu a vesti com o seu pijama predileto e ela voltou correndo para a sala para brincar, eu tive que ir correndo atrás dela, meio encharcado da tentativa de banho dela, e com uma escova de cabelo nas mãos. Ela me deixou penteá-la, com muito custo, pois estava em extrema eufórica com tantos brinquedos novos. Eu tive até que ligar a televisão em uma canal apenas de penteados, para descobrir o que fazer com a cabelo longo da minha menina, logo depois de escolher uma programação com penteados infantis , eu a deixei no chão brincando enquanto assistia uma e outra vez, como fazer uma trança, dessas que Katniss sempre fazia em seu próprio cabelo.

Não precisei me preocupar com a comida no fogão, já que este tinha um sistema de cozimento que desligava a panela de comida automaticamente depois de um determina tempo de cozimento que eu já tinha pré-estabelecido.

Já não era tão cedo e Katniss estaria chegando a qualquer momento, por isso eu me apressei em pentear Elika, queria fazer a trança que a mãe dela sempre usava.

Minha filha pareceu empolgada em fazer o mesmo penteado que a mãe dela. E me deixou tentar várias vezes, até conseguir algo parecido com uma trança lateral. É claro que para ela, estava perfeito. Eu queria testar mais algumas vezes, mas não havia mais tempo. Eu tinha que colocar a mesa do jantar e verificar a tablet da escola de Elika antes que Katniss chegasse.

Elika não quis me ajudar a colocar a mesa de jantar, tudo o que ela queria fazer era brincar com seus brinquedos novos, suas novas bonecas, e ursinhos e panelinhas de brinquedo e uma infinidade de coisas coloridas que eu nem sabia para que serviam. Mas, eu terminei tudo muito rapidamente. A professora de Elika não tinha colocada nada de mais no Tablet, apenas a rotina de sempre, e Elika tinha lição de casa para fazer, mas eu decidi que a ajudaria a fazer no dia seguinte.

Quando Katniss chegou nossa filha e eu estávamos deitados no tapete da sala tentando montar um castelo com peças de plástico que brilhavam e piscavam em luzes com tons de arco-iris.

– Peeta. — Ela disse do modo muito indignado ao olhar para todos os brinquedos espalhados pela sala de estar.

Elika foi mais rápida que eu e depois de gritar um ''mamãe'' feliz e ir abraçar Katniss, ela mostrou a peça do castelo ainda brilhando em suas mãozinhas e com o maior sorriso do mundo disse.

– O papai me levou para passear hoje, e olha os brinquedos que ele me deu. Não são lindos, mamãe? — Perguntava Elika eufórica, ao correr em volta das pilhas de caixas e pegar brinquedos aleatórios para mostrar para Katniss. — Vamos brincar mamãe, vamos, vamos?... O papai também me penteou para eu ficar igualzinha a você. Eu fiquei, não fiquei, mamãe?

Katniss apenas olhava para a filha com um sorriso estático nos lábios enquanto os seus olhos chocados olhavam em volta.

No mesmo momento eu me sentei pois sabia que estava muito encrencado. Essa expressão maníaca no rosto dela não pode ser boa coisa. E principalmente por ela ter ficado tão chocada que não consegue nem falar.

Em algum momento da alegria da minha filha, Katniss parece que conseguiu a sua voz de volta.

– São brinquedos muito bonitos, passarinho. Ual, mamãe esta muito impressionada com todos eles. Podemos brincar mais tarde se você quiser, agora mamãe precisa conversar um pouquinho com o papai. Não vai demorar muito, ok? — Disse Katniss com um sorriso forçado nos lábios, seus olhos queimavam onde eu estava sentado, e se eu não a conhecesse tão bem, esse olhar assustador dela poderia muito bem me amedrontar.

Katniss não espera por mim, apenas se afasta da sala de estar a caminha muito rapidamente para a cozinha, lá dentro eu consigo ouvi-la chamar o meu nome, de forma muito seca.

– Papai, o senhor esta encrencado. — Elika me diz, ao se dirigir para onde eu estou e subir no meu colo, passando os seus pequenos braços em volta do meu pescoço. — A mamãe esta muito brava, mas lembre-se de abraça-la e beijá-la e dizer que a ama daqui a lua, ai ela não fica tão brava...

Eu quase não consigo controlar uma gargalhada de escapar pelos meus lábios.
– De onde você tirou isso, passarinho? — Eu pergunto de forma carinhosa ao abraçar a minha menina e beijar o topo de sua cabeça.

– É o que eu faço depois que eu quebro alguma coisa da mamãe, ou me sujo toda, a mamãe sempre me perdoa depois de abraços e beijos...- Ela me responde muito solicita, como se estivesse me confidenciando um segredo muito importante do universo. Seus olhos tão iguais aos meus próprios e brilham de forma doce e esperta.

Elika é o melhor presente que eu já ganhei da vida. Ela é preciosa, a menina mais inteligente e carinhosa que eu conheço.

Não posso deixar que um sorriso cúmplice surja em meus lábios ao encará-la.

Abraçar, beijar e dizer que amo Katniss, até que ela me perdoe? Isso me parece uma ideia fantástica, principalmente a parte do contato físico. Mas, sei que nesse momento as coisas não serão resolvidas assim.

– Pode deixar, meu amor. Papai, conhece a mamãe muito bem. — Eu respondo para a minha filha, na mesma hora que eu a tiro do meu colo e a coloco no chão da sala, Elika é imediatamente distraída por uma boneca com cabelos longos brilhantes em vários tons de rosa.

Eu entro na cozinha sem demora nenhuma, Katniss esta encostada na porta da geladeira e sua expressão é de dar medo.

– Peeta, o que significa tudo isso? — Ela me pergunta depois de um momento em que apenas nos encaramos seriamente. Da minha parte eu ainda estou pensando em beijos e abraços e coisas que eu poderia fazer para que ela me perdoa-se.

– São apenas brinquedos, Katniss. Presentes para a minha filha...

– Apenas brinquedos? Você só pode estar me achando muito idiota. Apenas brinquedos? Sério? — Katniss continua a me questionar. — Presentes são apenas um ou dois, no máximo três ou quatro. Você comprou a porcaria de uma loja de brinquedos para ela.

– O que é que tem? Ela é minha filha, eu quero que ela tenha uma infância rica e satisfatória. — Eu tento argumentar, não quero contar para Katniss o verdadeiro motivo para o meu exagero na loja de brinquedos.

– Elika precisa ter uma infância rica em amor, em carinho e atenção. Ela não precisa de toda aquela tralha para ser feliz, quando eu deixei que você ficasse aqui na minha casa, era para você criar um vinculo com sua filha, não tentar comprar o carinho dela. — Katniss me diz muito friamente, e não foi isso que eu quis fazer, eu não estou tentando comprar o carinho da minha filha, eu apenas me excedi um pouco.

– Não é isso que eu quero fazer, eu tenho vários anos para suprir, vários anos em que eu não estive ao lado dela, eu apenas quero ser um bom pai. — Tento explicar mais uma vez.

– Isso não é desculpa, Peeta. Elika é uma boa menina, não precisa de todos esses brinquedos para gostar de você. Você é o pai dela, o pai que ela sempre quis conhecer, somente a sua presença já a deixa feliz. — Katniss me diz, sua voz não passa de um sussurro raivoso dessa vez, eu sei que ela mantém a voz baixa para que nossa filha não escute a nossa pequena discussão. — Eu quero que isso dê certo, Peeta. Mas, eu não gostei do que eu vi hoje.

– Foi ciúmes, ok? — Eu resolvo dizer a verdade, com Katniss a única forma certa de um perdão é eu falando a verdade para ela. E agora que eu comecei a contar, eu apenas não consigo parar. Por dentro eu sei que Katniss vai me entender. — Eu fui buscar Elika na saída da escola, e na volta, quando estávamos no carro eu perguntei para ela qual era o seu brinquedo favorito, ela me disse que era aquela boneca Bubu, a que seu amigo deu para ela, e eu apenas não podia suportar que o brinquedo favorito da minha filha não fosse um que eu tivesse dado para ela, quando fomos para a loja de brinquedos eu apenas não pude me controlar, o sorriso no rosto dela, Katniss. Minha filha estava tão feliz, e eu estava apenas ciumento. Eu a conheço a tão pouco tempo, e eu perdi tanta coisa, Katniss, eu apenas...

Não pude terminar de falar, esse é um assunto que certamente sempre vai me emocionar, tirar o pior de mim. Saber os anos de vida da minha filha que eu perdi, anos que sempre vão estar perdidos.

Katniss não me diz mais nada, seu rosto já não esta com uma expressão raivosa, ela parece confusa e triste ao olhar para mim.

– Peeta. — Katniss começa a me dizer. — Elika é uma menina que três anos, ela muda de boneca preferida a cada poucos meses, você não precisava fazer isso apenas para chamar a atenção dela. Ela já ama você, ok? Sua filha já te ama, você é o pai dela. Isso não é uma competição pela atenção de Elika, Darius gosta muito da nossa filha, mas não esta tentando ser o pai dela. Ele nem poderia ocupar essa espaço no coração dela. Eu não vou tirar você da vida dela, mas eu não quero chegar em casa e ver a minha sala de estar tomada de brinquedos. Elika não precisa deles, ela precisa de você.

As palavras de Katniss são como um balsamo na minha alma preocupado e aflita. Minha morena não me decepciona ao compreender perfeitamente a minha aflição, e eu sei que existem uma infinidades de coisas que ela não me diz, que não deixa escapar de seus lábios, mas esses sentimentos estão no fundo dos olhos cinzentos dela, queimando lentamente.

E eu a amo por me entender, por saber dizer exatamente o que eu precisava ouvir. Eu estou feliz por minha recente descoberta de paternidade, todavia também estou assustado e preocupado em ser um bom pai, e Katniss enxerga isso. E nesse exato momento, eu a amo mais do que já cheguei a amar.

Passamos o resto dessa noite de forma muito familiar, Katniss foi tomar banho e se trocar, enquanto eu cuidava de nossa filha, depois nós três sentamos para jantar em família e é assustador notar o quanto eu já estou necessitado dessa rotina. O quanto os nossos jantares fazer bem para o meu interior machucado. Eu já me sinto mais feliz e completo do que estive nos últimos anos. Isso é muito bom, essa sensação de pertencer a algo, de ser importante para determinada coisa. E eu sinto que posso ser muito bom nisso, em ser pai. Essa é a melhor meta de vida para eu lutar. Ser um melhor pai para minha princesa, e no momento aprender os caminhos para o coração de Katniss.

Nosso primeiro final de semana em família foi passado de forma bem tranquila, Katniss, Elika e eu ficamos na casa dela na maior parte do tempo, e por incrível que pareça não fomos interrompidos por telefonemas ou visitas. Nem Haymitch, ou Annie e Finnick, nenhum deles aparecerem aqui. O amigo de Katniss, que eu me recuso a chamá-lo de namorado dela, foi o único que ligou, eu logo me afastei, estava fervendo de ciúmes e curiosidade sobre o que eles estavam conversando, mas não me atrevi em ficar por perto, eu apenas guardei todo o meu desconforto dentro de mim. Graças que Katniss não ficou no telefone por muito tempo. E ele não ligou mais depois disso.

Foi os melhores dois dias dos últimos quase cinco anos. Eu mal podia esconder o meu sorriso de satisfação, meus olhos seguiram Katniss por todos os cantos, e eu a sentia dentro dos meus ossos. Foi muito reconfortante poder olhar para ela e sentir o seu perfume de flores ao meu redor por dois dias seguidos. Nós fizemos todas as refeições juntos, eu cozinhei e Katniss arrumou a casa.

Tudo aumentado com o bônus da presença da nossa filha. Eu tenho uma necessidade constante e crescente de entender tudo a respeito dela, então a sigo de uma lado para o outro, fazendo perguntas a cada poucos minutos e rindo tanto que o meu estômago queimava de dor. Meus braços tem uma necessidade de tê-la protegida dentro deles.

A segunda semana foi ainda melhor. Minha relação com Katniss ainda estava andando na ponta de uma faca, ela não é mais a garota que eu conheci, é muito mais retraída e silenciosa, exceto com nossa filha. Katniss passa muito tempo conversando com Elika, e é assim que eu descubro que não sou o único a ter uma necessidade por nossa filha. Katniss tem a mesma necessidade. Deve ser porque somos pais, e o laço que nós mantém únicos, em relação a nossa filha, é gêmeo e indestrutível. Ainda assim, existe uma tristeza nos olhos cinzentos que eu não posso compreender, eu sei que tem a ver com os anos em que ela cuidou de Elika sozinha, mas, me doí muito ver essa sombra permanente em seus olhos bonitos. Talvez, uma pessoa que não a conheça, nem chegue a notar essa sombra, mas ela esta lá. Eu apenas queria afastar essa dor dela, levar embora e cuidá-la.

Katniss não permitiria que eu me aproximasse dessa forma. Essa fragilidade enraizada dentro dela, e muito bem mascarada para que ninguém perceba, não pode ser escondida de mim. Eu não sei porque posso notar isso, não quanto esta na cara que mais ninguém nota. Talvez seja porque eu sou apaixonado por essa mulher, porque ela esta profundamente dentro dos meus ossos e percorrendo as minhas veias, que eu apenas não posso tirá-la ou me importar menos com ela.

Não que eu queira isso. Estar dentro da casa dela já é um presente que eu aceitei de braços abertos e muito humildemente.

Foi por isso que eu acho que o meu lugar dentro da casa começou a ser conquistado, de fato, no final da segunda semana. Eu ainda me lembro que ela me disse que o máxima que estava me dando eram duas semanas dentro da casa dela para que eu criasse um vinculo com a nossa filha, e depois eu teria que voltar para qualquer lugar onde eu estivesse morando, e bem, não é minha intenção sair da casa delas, já que eu considero esse lugar como sendo a minha casa. O meu lar é ao lado delas.

E Katniss não me expulsou depois da segunda semana, nós nem sequer conversamos sobre isso, e mesmo quando eu fiz um dia de pintura com nossa filha na sala de estar, claro que eu afastei os moveis e coloquei um plástico especial sobre todo o chão, Elika e eu estávamos tendo uma ótima tarde com telas espalhadas pelo chão e muitas cores de tintas. Minha menina estava radiante de felicidade, ela chegava a dar pequenos pulos de animação pela nossa brincadeira improvisada. Fizemos um bagunça colossal nas telas, eu nunca pintei tão abstratamente, e minha filha certamente não tem um talento para a coisa, mas nós dois nos divertimos muito.

Quando Katniss chegou em casa do trabalho, ela apenas nos olhou com olhos afiados e depois de suspirar audivelmente, ela apenas disse que iria tomar banho e que queria tudo limpo quando descesse para jantarmos juntos.

É claro que a atividade de pintura me ajudou a não pirar, e foi escolhida para controlar o meu ciúmes de Katniss, já que naquela noite eu sabia que ela estava com o "amigo" ruivo. Elika foi uma ótima fonte de escape, e minha atenção ficou toda presa nela, e no que estávamos criando.

Katniss levou mais tempo que antes para descer, até parecia que ela nos estava dando uma oportunidade para arrumar toda a bagunça. Eu coloquei as telas para secar na lavanderia, e junto com minha filha, arrumamos a sala de estar. Quando Katniss enfim desceu, eu estava terminando de lavar as mãos de Elika na pia da cozinha. Minha princesa certamente precisaria de um segundo banho, mas Katniss não pareceu se importar com as manchas de tinta no rosto, roupas e cabelos de Elika, eu também não estava muito limpo. Entretanto, o jantar não foi estragado por isso.

Minha filha e eu mantivemos um conversa constante na mesa de jantar, ela ria o tempo todo e estava tão distraída por nossa conversa que nem notava quando a sua mãe disfarçava entre uma colherada e outra, um pedaço de brócolis ou alface. E, novamente Katniss e eu nos revezamos para alimentar a nossa filha, Elika já come sozinha, mas ainda faz muita bagunça entre uma colherada e outra, derruba muitas coisas no chão, e algumas vezes perece que metade da comida apenas foi parar nas roupas ou no cabelo dela.

Na sexta feira da terceira semana com Katniss e Elika, ficou acertado que eu levaria nossa filha para a empresa onde eu trabalho.Toda última sexta feira do mês, a empresa Mellark's autoriza os seus funcionários, com filhos, os levarem para conhecer o ambiente de trabalho de seus pais.

Eu nunca participei da festa, mas essa sexta feira, foi a mais especial da minha vida. Eu nunca me diverti tanto. Lógico que Katniss, só permitiu isso depois de nós dois nos certificarmos que minha mãe não apareceria no trabalho. E ela não apareceu, mas o meu pai, avô de Elika, estava radiante de felicidade, ele e eu mal podíamos conter nossos sorrisos, e meu pai levou minha filha nos braços por todos os setores da empresa, apresentando Elika para todos os funcionários.

Sua voz grossa estava cheia de adoração e orgulho, e minha princesa estava com os olhos azuis brilhantes e suas bochechas rosadas. Katniss me ligou três vezes durante o dia. Queria saber tudo de Elika, e exigia falar com ela pelo telefone, eu entendo a sua preocupação. Mas, Elika foi adorada por todos. Meus irmãos a pegaram no colo e a abraçaram, e Elika estava fascinada com toda a atenção que estava recebendo. No começo mais timidamente, depois ela apenas se soltou e encantou a todos com seu charme e inocência.

Eu e o meu pai tivemos que brigar para ver quem iria fazer biscoitos com ela, e no final ele acabou vencendo, eu tive algumas horas para atualizar os meus serviços de escritório, mas logo que consegui, eu apenas corri para a cozinha mais próxima e encontrei Elika comendo cookies de baunilha com gotas de chocolate, e pequenos pães de morango com creme doce.

Meu pai estava sorrindo ao lado dela, e a todo o momento ele a beijava no topo da cabeça.

Quando voltamos para casa, Katniss já estava nos esperando. Ela correu para Elika, seus olhos abertos e assustados e a abraçou por vários minutos. As sombras em seus olhos estavam mais pesadas do que nunca, e eu tive vontade de a puxar para os meus braços e confortá-la.

Nada de ruim aconteceu com a nossa menina, Katniss. Eu nunca permitiria. Foi apenas o que eu pensei.

Elika demorou para dormir nessa noite, estava muito agitada pelo dia de novidades que teve, e pelos doces que meu pai deu para ela comer. Por isso levou várias horas para Katniss enfim conseguir que ela adormecesse, e quando ela fez, o meu coração quase se partiu de amor. Ela e Elika deitaram em nosso sofá e katniss ainda a mantinha firmemente em seus braços, depois de muita insistência, Elika adormeceu agarrada a sua mãe e Katniss acabou por adormecer agarrada a nossa filha, ambas com os braços uma em volta da outra. Enfim, as sombras sumiram dos olhos da minha morena, e eu sabia que ela estava em paz ao segurar a nossa filha.

Ambas são tão parecidas fisicamente, minha filha tem muitos traços meus, mas é inegável a sua semelhança com a mãe. Eu sentei em uma poltrona próxima a elas e desliguei a televisão, apenas fiquei sentado, velando o sono tranquilo delas. Deixei que as ondas de calor e amor se espalhassem pelo meu corpo, e me aquecessem de dentro para fora. A sensação de estar no lugar certo, era muito grande.

E eu me sentia apenas feliz.

Katniss acordou pouco depois, seu cochilo não durou tanto tempo quanto o que eu queria. Assim que me viu olhando para elas, ela apenas se sentou assustada, tomando um cuidado imenso em não acordar Elika e me olhou constrangida.

– Desculpe. — Disse ela ao se espreguiçar e bocejar. — Eu acabei roubando o seu lugar de dormir.

– Não tem problemas, eu ainda não estou com sono. — Menti ao passar as mãos no rosto.

– Tenho que levar Elika para a cama. — Ela me disse depois de tentar arrumar seus cabelos bagunçados de sono.

– Deixa que eu faço isso. — Eu digo ao me levantar e muito cuidadosamente, pegar minha filha adormecida nos braços.

Vou subindo as escadas para o segundo andar, com minha filha nos braços e uma Katniss sonolenta atrás. Nós dois colocamos Elika em seu quarto de dormir, e eu e Katniss nos certificamos de que ela vai ter tudo o que precisa para passar bem a noite.

Depois de uma última checada, nós dois saímos para o corredor e eu apenas a encaro cheio de sentimentos. Seus olhos cinzentos queimam nos meus e por alguns minutos nós dois apenas ficamos nos encarando muito seriamente. Eu percebo que a respiração dela começa a ficar ofegante e eu tenho que me controlar para não me lançar sobre ela.

Eu poderia fazê-la minha agora, nessa noite. Eu a amaria durante toda a madrugada, e mataria um pouco dessa necessidade crescente e gritante de tê-la mais uma vez. Até posso me imaginar penetrando-a selvagemente, enquanto ela geme entregue em meu ouvido.

Porém, não posso me entregar a isso, não posso errar com ela. Katniss tem que baixar a sua guarda, tem que me deixar entrar em seu interior, não apenas fisicamente, mas psicologicamente também.

Por mais que me doa, eu sei que ela ainda não esta preparada para a nossa volta, para aceitar que eu nunca a afastaria da minha vida, que tudo o que aconteceu não teve nada a ver comigo ou com ela, não da nossa vontade, pelo menos. Quando ela aceitar isso, ela vai estar preparada para me receber mais uma vez em sua vida, e dessa vez eu não vou embora nunca mais.

Ainda sim, eu não posso controlar o meu corpo de ir até onde ela esta, minhas mãos estão tão famintas de sentir a sua pelo sedosa mais uma vez, e Katniss nem parece surpresa quando eu a tomo em meus braços. Não é sexual, é apenas uma vontade enorme de abraçá-la e senti-la mais uma vez.

– Peeta. — Ela sussurra em meu ouvido, muito sensualmente. Isso é uma tortura, mas não posso arriscar uma noite com ela, e saber que ela vai me mandar embora no dia seguinte. Eu quero mais que uma noite, eu quero uma vida inteira.

É por isso que depois de beijar a testa dela, eu apenas me afasto rapidamente. Nós nos olhamos uma última vez, antes que eu desça para a sala, onde vou fazer minha cama improvisada com o sofá. Três semanas nesse sofá, seria ruim se eu apenas não tivesse me acostumado com ele. Agora nem ligo mais para as dores que sinto no inicio das manhãs.

Eu me afasto de Katniss, e da tentação que o seu corpo de oferece. Eu a quero, eu a amo, eu preciso dela. Me afastar doí muito, mas é necessário.

Espero ela dormir para ir até o banheiro tomar um banho. De preferência bem gelado. Bom, não é como se fosse a primeira vez que eu tomo banho gelada aqui. Banho gelado é quase uma rotina na minha vida. Katniss me enche de tesão, e eu tenho que controlar a minha vontade constante de invadir o quarto de madrugada e me enfiar naquela cama, exigindo tudo o que os nossos sentimentos pedem. Todavia, eu tenho que confiar nos meus instintos, e eles me dizem para esperar mais um pouco. E eu vou, mesmo que fique louco por ela.

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Dias atuais

Katniss

"...Please be the jerk of my knee
I've fit you always
You finish my sentences
I think I love you..."

***

Se ele apenas fosse um péssimo pai, seria mais fácil me manter afastada e imparcial.

Mas, Peeta é um pai maravilhoso, ele é atento, educado, amoroso, carinhoso, risonho e divertido. Elika, meu pequeno passarinho, mal pode controlar a felicidade de estar ao redor dele, e Peeta se derrete todo ao lado da filha, ele esta verdadeiramente se realizando com a paternidade, o que é uma loucura já que ele esta na minha casa apenas à um mês.

É difícil admitir, porém o Haymitch estava certo quando afirmou em uma das nossas constantes discussões que Peeta adoraria o chão que Elika pisasse, que estaria deslumbrado por ela. É verdade, ele é completamente puro em seu amor por ela. E ver os dois juntos se dando tão bem, enche o meu coração de felicidade e medo. Felicidade pois vê-los juntos era um desejo secreto que eu nunca confidenciei, e medo porque a nossa relação esta muito estranha, e eu não quero acabar confundindo os sentimentos e me entregando em uma relação que eu tenho certeza que só vai me trazer sofrimento.

Eu já o perdi uma vez, eu sei exatamente a dor de perdê-lo, e não é algo que eu queira experimentar novamente, nem de brincadeira, então tenho que manter o meu coração bem protegido.

Até mesmo quando ele faz algo estupido do tipo, pintar na minha sala de estar com todas as tintas espalhadas pelo chão, e minha filha mais suja do que as telas que tenta pintar aos meus pés, eu não posso me irritar com ele, não de forma duradoura, ou quando ele usa a cozinha para fazer experimentos culinários ao lado de nossa filha e tudo é tão bagunçado e existe tanta farinha e sujeira espalhados por minha cozinha impecavelmente limpa, que eu acho que vou enlouquecer. Ainda assim eu não consigo ficar chateada com ele.

É claro que não consigo manter o meu coração protegido se Elika não coopera. Ela não precisava ter aprontado uma coisa dessas comigo, eu sei que não é culpa dela. Finnick, aquele traiçoeiro amigo, é o culpado. Ele se aproveitou na ingenuidade de Elika para me lançar em uma armadilha com o pai da minha filha.

Peeta parecia genuinamente surpreso, mas não questionou ou foi contra nada do que foi dito. Isso me irritou um pouco, quer dizer, ele bem que poderia ter me ajudado, mas ao invés disso apenas aproveitou o momento, e o meu desconforto. Não que eu possa culpá-lo, eu sei bem a intenção dele dentro desta casa, e ele não esta aqui apenas por Elika, mesmo que eu insista que não vai acontecer nada entre nós dois. E sim, eu frequentemente caio em tentação ao estar no mesmo ambiente que ele. Enfim, eu estou divagando e não estou prestando atenção ao problema atual.

Lentamente eu retorno o meu pensamento para o acontecimento das últimas horas.

Nós acordamos como o usual. Elika sempre acorda primeira que Peeta e eu, então ela pula na minha cama até me ver despertar, depois quando tem certeza que eu não vou voltar a dormir, ela corre para a sala de estar e acorda o seu pai. Isso acontece diariamente, é o nosso pequeno ritual. Depois eu tomo um banho rápido, Peeta vem logo depois, o que sempre causa um momento de desconforto, já que eu estou saindo de toalha do banheiro, ou bem agasalhada com o meu roupão, e ele esta me esperando ao lado da porta do banheiro, os seus olhos sempre passeiam pelo meu corpo, e ele nem finge que não esta descaradamente me olhando. Ele nunca me diz nada, afinal de contas, nossa filha sempre esta por perto, em seguida eu vou para o meu quarto e começo a me trocar para o trabalho. Mas, hoje é final de semana, então eu apenas me arrumei para passar um dia com a minha filha e o pai dela, que não é nada meu.

Eu estava na cozinha, com uma Elika desgrenhada em seu pijama amarelo estampado com vários ursos de pelúcia, começando a fazer o café da manhã. Devo admitir que a comida aqui em casa melhorou muito com a vinda de Peeta para cá. Ele realmente tem um dom para a culinária, coisa que eu nem sequer cheguei a dominar ainda, e para falar a verdade nem sei se vou conseguir, então eu apenas estava separando coisas aleatórias que estavam em nossa geladeira, ainda tínhamos bolo de chocolate, salada de frutas e pão de forma. Eu ainda separei leite e achocolatado e coloquei a chaleira para esquentar água, já que Peeta é um grande amante de chá.

Minha filha estava sentada em seu lugar na mesa da cozinha, e estava distraída penteando o cabelo de uma boneca. Ela sempre espera pelo pai para começar a tomar o seu café da manhã.

É claro que Peeta não demorou em aparecer, ele sempre se troca no meu quarto, suas malas cheias de roupa estão lá. Ele as trouxe poucos dias depois que eu o deixei entrar em minha casa, e eu não podia deixar as grandes malas na sala de estar, então as levei para o meu quarto e deixei bem claro que era apenas para as trocas de roupa, isso tem dado certo até o momento.

– Papai! — Elika grita da forma mais feliz do mundo ao anunciar a entrada dela na cozinha.

– Passarinho. — Ele diz de forma carinhosa ao se aproximar dela e a beijar no topo dos cabelos bagunçados. — Vamos tomar café da manhã?

O apelido que eu dei para a minha filha soa muito meigo quando ele o diz, e eu não sinto ciúmes que ele a chame da mesma coisa que eu.

– Sim, eu estava esperando você papai. — Ela responde feliz. — A mamãe também estava esperando.

Eu apenas sorrio de longe, quando os olhos espertos de Peeta me encontram, não é como se eu o estivesse esperando, eu estava, mas não é pelos motivos que Elika acredita que eu estava esperando, apenas é difícil explicar.

Estava terminando de fazer o chá de Peeta, por isso não me dei ao trabalho de responder nada, apenas disse um constrangido "bom dia", ele me respondeu logo em seguida com um sorriso tão bonito que senti minhas pernas um pouco bambas.
Ele se sentou ao lado de nossa filha e eu levei o bule de chá até a mesa, o coloquei bem próximo a ele, e depois me sentei. Comecei a servir a minha filha com um pedaço de bolo de chocolate e não ousei olhar para ele.

As vezes é difícil olhar para Peeta. Eu sinto tantas coisas quando coloco os meus olhos nele, na maioria das vezes eu apenas não posso evitar de sentir os meus sentidos gritando por algo que eu certamente não pretendo ceder.

Peeta ainda é o homem mais bonito que eu já vi, ele ainda tem os olhos mais azuis de Panem, e os anos que ficamos separados apenas o fizeram mais homem, mais suculento de se olhar e isso é desconcertante. Eu estou saindo com Darius, nossa relação ainda esta firme, um pouco bagunçada por toda essa situação, mas depois de várias discussões eu o fiz entender que a estadia de Peeta em minha casa tem tudo a beneficiar a minha filha, ela precisa dele, precisa de seu amor, e eu não posso negar isso para Elika. E tive que garantir, jurar e tudo o mais que Peeta e eu não temos mais nada, eu apenas o estou ajudando em um momento complicado de sua vida.

As coisas entre Darius e eu não estão tão bem, mas eu gosto dele, os meus sentimentos por ele não fáceis de lidar, simples. Não são uma bagunça descontrolada iguais aos meus sentimentos por Peeta.

Darius é um bom homem. Darius me faz bem. Eu penso constantemente, repetindo essas frases igual a um mantra.

– Vamos fazer algo legal hoje? Talvez o parque? Ou podemos fazer um passeio pela Capital? — Ele nos pergunta.

– Hoje não é o da que a Annie vem buscar Elika? — Eu pergunto ao encará-lo.

– Sim. — Ele me responde sorrindo tristemente. — Annie vai levar Elika para passar o dia com ela e o Finnick. Talvez nós pudêssemos passar o dia os cinco juntos, o que acha da ideia?

Não tive tempo de responder pois Elika me interrompeu nesse momento. Jogando sobre a minha cabeça a maior bomba do mundo.

– Mamãe, por que você e o papai não beijam? — Ela ainda estava com a boneca em seu colo, mas também estava comendo pequenos pedaços de bolo, muito distraída para prestar atenção e ficar constrangida com a sua pergunta.

Eu imediatamente olho para Peeta, que esta tão surpresa quanto eu, mas tem a decência de esconder um sorriso atrevido.

– O que? — Pergunto para Elika, até esqueci que estava começando a preparar o meu achocolatado, o pai de Elika continua a tomar o seu chá tranquilamente, embora eu perceba que seus olhos espertos estão presos em nossa filha. — Por que você esta perguntando isso?

– É porque o titio Finnick e a titia Annie se beijam, e as princesas e os príncipes nas historias se beijam também. Isso não é coisa que as mamães e os papais fazem? — Ela parece verdadeiramente confusa e curiosa.

– Bom...hã..hum...na verdade eu, quer dizer nós...- Começo a enrolar em uma resposta para a nossa filha, Peeta agora tenta esconder uma gargalhada, eu quero quebrar a bule de chá fervente em sua cabeça loira. Ele nem se esforça para me ajudar apenas passeia os seu olhos de Elika para mim. — De onde você tirou isso tudo, passarinho?

– Naquele dia que eu estava na casa da titia Annie, eu a vi beijando o titio Finnick, e depois o titio me contou que isso é uma coisa que as mamães e os papais fazem, mas o papai e você não fazem aquela coisa. — Ela me explica ao olhar para o pai e depois para mim.

É claro que essa situação maluca que Peeta e eu vivemos iria bagunçar a cabeça de nossa filha. E por que diabos, Finnick e Annie não conseguem controlar os seus desejos por algumas horas? Eu entendo que a gravidez é uma época em que nós mulheres ficamos com os hormônios a flor da pele, eu fiquei, e posso garantir que não é nada fácil estar nessa situação, mas a minha filha estava no recinto. Poxa vida.

– E como foi esse beijo que eles deram? — Eu escuto a voz grossa de Peeta perguntar. Seus olhos estão presos em nossa filha.

– Foi assim papai. — Elika diz ao beijar de forma muito casta a palma da própria mão.

– Ah bom. — Diz ele ao se levantar para pegar alguma coisa dentro da geladeira. Por dentro eu estou muito tranquila por saber que meus amigos não protagonizaram nenhuma cena indecente na frente da minha filha, o beijo foi apenas um selinho, um encostar de lábios.

Eu espero que Peeta leve a dianteira nesse assunto e explique para a nossa filha o porque de nós dois não fazermos o mesmo.

– Você não deve se preocupar com isso, passarinho. — Ele diz para Elika, depois lentamente começa a voltar para o seu lugar, em suas mãos esta um pequeno pedaço de queijo. — A mamãe e eu não somos tão diferentes assim, nós apenas não fazemos isso na frente de pequenos passarinhos curiosos.

Eu estava literalmente de boca aberta, meus olhos arregalados ao encará-lo. Não podia acreditar no que ele estava dizendo para Elika.

E para provar o que disse ele apenas se aproximou de onde eu estava e sem me deixar pensar duas vezes, Peeta se inclinou ao meu lado e me beijou, seus lábios quentes sobre os meus, tão masculinos que encheram o meu peito de adrenalina, e eu suspirei muito audivelmente. Acho que nos perdermos um pouco no momento, na surpresa, na plenitude que nossos lábios juntos causavam, e na fome que cresceu forte dentro do peito, pois somente nos separamos quando ouvimos nossa filha rir, de forma manhosa ao nosso lado.

O meu coração batia tão forte dentro do peito que eu achava que iria saltar para fora a qualquer momento. Nós não nos beijamos de língua, não foi um dos nossos beijos apaixonados e entregues, ainda assim me assustei ao perceber que não foi apenas um beijo casto, nada de selinho.

– Você beijou a mamãe. — Elika disse toda vermelha, seu rosto infantil estava queimando de vergonha, e ela sorria feliz.

Peeta me olhou cheio de fome, entretanto depois sorriso doce, se concentrou em nossa filha.

– Sim, eu beijei a mamãe. Não foi a primeira vez, e não será a última. — Ele disse para a nossa filha. — Apenas mamães e papais podem fazer isso. Não é mesmo, Katniss?

E sem esperar por uma resposta minha ele apenas se afastou de volta para o seu lugar, antes é claro, ele parou atrás de nossa filha e depositou um beijo muito casto em seu couro cabeludo.

– Pequenos passarinhos curiosos, também recebem beijos. — Ele disse para ela, o que a fez gargalhar de felicidade, e depois voltou para o seu lugar. Assim, de forma muito simples, como se nada tivesse acontecido.

Eu mal podia me mover do meu lugar, e ele agia de forma totalmente simples, como se o nosso beijo não tivesse queimado algo dentro de nós dois.

Nosso filha não perguntou mais nada constrangedor, apenas nos encarava muito feliz, muito divertida. Eu continuei a tomar o meu café da manhã, tentei parecer o mais normal possível, mas agora eu não conseguia manter os meus olhos afastados de Peeta por muito tempo, e ele parecia reagir da mesma forma.

Ele não devia ter feito isso, ele sabe que não estamos juntos, ele sabe que Elika não deve nos ver juntos dessa forma. O que ele pensou que estava fazendo?

O gosto de chá em seus lábios ainda estavam nos meus, e eu queria muito esquecer a forma que meu corpo queimou por ele, um simples beijo, um roçar dos lábios dele nos meus já me faz queimar por ele. Deve ter algo de muito errado com o meu corpo, talvez eu deva procurar um médico.

Nós terminando de tomar o nosso café da manhã sem mais delongas, e sem interrupções. Eu sai da mesa antes que eles tivessem terminado. Apenas tinha que me afastar de Peeta, ou podia cair no choro a qualquer momento.

Odeio me sentir assim, tão fria, tão seca, tão necessitada de amor. Eu preciso ver Darius, talvez se eu passar o meu dia com ele, eu vá esquecer o calor dos lábios de Peeta.

É claro que o pai de Elika não ficou nada feliz quando soube de meus planos, eu nem esperei que ele falasse nada, apenas me mantive afastada dele durante boa parte do dia, me concentrei apenas em nossa filha e a deixei pronta para Finnick e Annie virem buscá-la.

Peeta manteve a sua atenção em Elika. O que me deu alguns momentos tranquilos para pensar, mas meus pensamentos estavam muito confusos e eu não conseguia me manter focada em nada que não fosse ele, o perfume masculino queimava em minhas narinas, e minha necessidade por ele apenas crescia.

Tomando uma discussão abrupta eu me troquei rapidamente e sai de casa. Decidi que iria atrás de Darius na delegacia, já fazia algum tempo que nós não almoçávamos juntos e eu precisava vê-lo. Precisava beijá-lo e senti-lo. Eu precisava tirar Peeta dos meus pensamentos e do meu corpo, de uma forma ou de outra. Não posso cair novamente por ele, não posso, tenho que me manter firme.

O pai de Elika não ficou nada feliz ao me ver sair correndo de casa, eu só parei para beijar o rosto bonito de minha filha e a abraçara apertado. Depois sai correndo sem nem ao menos me preocupar em arranjar uma desculpa.

Disse apenas que precisa sair e conseguir um pouco de ar fresco. Peeta ainda tentou argumentar que esperava um dia tranquilo para nós dois, o que me assustou ainda mais. Se eu ficasse em casa com ele, nós dois sozinhos eu certamente faria algo que me arrependeria depois.

Por isso apenas me desculpei e deixei que ele cuidasse de Elika até Finnick e Annie chegar.

Me afastar dele ajudou um bocado. E eu fui direto para a delegacia onde Darius trabalhava.

Ele ainda estava trabalhando quando eu cheguei para encontrá-lo, e ficou surpreso com a minha aparição. Darius não estava com uma aparência tão boa, parecia triste e abatido, e eu me preocupei de ser a fonte de suas mágoas. Ele não merecia isso.

Eu deveria mandar Peeta embora, pedir que ele voltasse para o Hotel onde estava hospedado, já passou o prazo de duas semanas para ele conhecer Elika, na verdade já se passaram um mês desde que ele apareceu bêbado em minha porta. Porém, se eu o mandar embora, eu tenho certeza de que vai ser para sempre. E mesmo que ele e Elika mantenham o seu vinculo de pai e filha. Peeta e eu já não seremos mais nada, e isso me assusta mais do que deveria, eu quero que ele vá embora, mas ao mesmo tempo eu não sei se tenho forças para mandá-lo embora. Não sei de que forma isso vai me quebrar, não sei que forma eu vou poder manter uma relação com ele, mesmo que não sejamos mais nada, eu não sei se vou poder fingir um distanciamento e um frieza que eu sei que não tenho.

E um dia ele vai se casar com outra mulher, um dia ele vai ter outros filhos e vai me esquecer e se afastar de Elika. Penso muito sombria.

Eu não sei se estou preparada para dizer adeus de uma vez por todas, eu achei que estava, eu achei que não sentia mais nada, que era indiferente, todavia eu descobri que não sou. E isso me assusta, não sei como reagir, não o quero em meu coração mais uma vez, não quero precisar dele, não quero suspirar por ele, mas não sei afogar e matar o que já sinto por ele.

Estou me sentindo perdida e sufocada.

Almoçar com Darius me ajuda um pouco, pois eu deixo de pensar nos meus problemas e me concentro nos dele. Ele não quer me contar o que aconteceu, apenas me diz que brigou com uma prima, mas não me contou os motivos da discussão. Nós, ainda assim, tentamos manter um almoço agradável, eu espero por um momento a sós entre nós dois, aquele momento onde ele me beija até que eu esqueça de tudo, mas esse momento não aparece, pois ele esta muito chateado com a briga que teve com prima. E eu decido não forçar uma situação.

Nós nos beijamos bem no final, um beijo rápido e casto demais para a minha necessidade atual. Depois ele volta para o trabalho e eu fico para trás. São duas horas da tarde e eu não sei se quero voltar para casa, Elika já deve estar com Finnick e Annie. Eu posso fazer uma visita surpresa para Haymitch, mas o que isso me aliviaria?

O meu antigo mentor notaria no ar o meu estado de espirito inquieto, e me atormentaria por horas até arrancar de mim tudo o que eu estou sentindo, logo ele contaria para Peeta, e esse sim seria o problema. Por enquanto eu consegui fingir uma indiferença que eu não sinto de fato. Nós conseguimos manter as coisas muito simples.

Bem, não tão simples assim. Mas, fazemos o melhor que podemos com a nossa relação bagunçada e estranha.

E é claro que estar namorando o Darius, mas ao mesmo tempo morando com Peeta tem me confundido.

Diariamente estou tão cansada da minha rotina maluca que consigo me anestesiar de tudo isso. Entretanto, os finais de semana são sempre complicados.

Darius é muito compreensível, muito bom para mim. Ele não merece a minha deslealdade, e não sei como mudar isso. Não quero perdê-lo. Ele é a primeira coisa boa que me aconteceu em muitos anos, eu realmente gosto dele, da sua amizade, do jeito que nossa relação estava sendo construída até Peeta reaparecer na minha vida.

Tudo isso é tão confuso.

No final de tudo eu apenas volta para casa, Peeta e Elika não estavam lá.

Elika eu já esperava, mas aonde Peeta foi? Não existe nenhum bilhete deixado por ele.

Então eu apenas me sento na mesa da cozinha e espero, quando me canso de olhar para as paredes desse cômodo eu vou direto para a sala de estar, me sento no sofá onde Peeta tem dormindo por um mês, e penso que esse não é um local muito confortável para dormir, por mais que o sofá seja grande, espaçoso e macio. Depois eu olho para as fotos na minha estante e encaro a minha última aquisição posta lá.

Uma bonita foto de Peeta e Elika juntos, eles estão abraçados, Elika esta em seus braços e eles sorriem felizes. Seus sorrisos são quase gêmeos eu noto, seus olhos são idênticos, e minha filha tem muito dele.

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Ela já o ama tanto. E ele a ama tanto.

Existe muito amor entre os dois, existe muito amor entre Elika e eu. Mas, o que existe entre Peeta e eu? Não consigo decidir, não consigo tomar um decisão.

O melhor é mandá-lo embora.

E eu não sei se consigo.

Me assusto quando escuto barulho na fechadura da porta da frente. Mas, é apenas Peeta entrando em casa cheio de sacolas.

Ele parece surpreso ao me ver sentada sozinha na sala, a televisão esta desligada oque parece não confundi-lo. Seus olhos espertos cravam nos meus.

– Eu fui no mercado comprar os ingredientes para fazer pão de queijo. Esperava fazer uma surpresa quando você voltasse. — Ele me diz ao me encarar.

– Seria uma boa surpresa, obrigada. — Digo secamente. Meus batimentos cardíacos começam a ficar rápidos.

Nós dois apenas ficamos nos encarando, então de forma abrupta ele parece acordar de seus devaneios e quebra o nosso contato visual para trancar a porta de entrada, eu me levanto do meu lugar no sofá e sigo para a cozinha, Peeta me segue.

A louça de nossa café da manhã ainda não tinha sido limpa, por isso eu encosto na pia da cozinha e começo a fazer essa pequena tarefa doméstica.

Escuto Peeta de movendo pela cozinha, guardando coisas nos armários e na geladeira, eu não me movo em nenhum momento, apenas as minhas mãos fazem o serviço. Estou muito tensa, pois posso sentir a sua presença muito fortemente ao meu redor. Descido que depois de lavar a louça eu vou tomar um banho gelado, eu acho que isso pode me ajudar.

Meu corpo inteiro congela e eu suspiro muito forte quando sinto o corpo de Peeta encostar no meu, os seu braços estão em cada lado no meu corpo, segurando na cerâmica da pia e eu posso sentir a respiração quente dele na minha nuca, mesmo os meus cabelos estando soltos.

Me arrepio inteira, mas não movo um centímetro sequer.

– Eu estou tentando, Katniss. — Eu o escuto sussurrar próximo ao meu ouvido. — Estou malditamente me segurando...

Eu não entendo o que ele esta dizendo, não posso compreendê-lo. Não consigo me concentrar com ele tão próximo de onde eu estou. Seu peito nas minhas costas, seu quadril roçando no meu.

– Não faça isso, Peeta. — Eu digo ao me encostar nele, minha respiração esta ofegante, e eu tenho que morder o meu lábio inferior para não acabar pedindo por algo que eu vou me arrepender depois.

Para o meu desespero eu o sinto encostar o seu rosto em minha nuca, enquanto ele suspira na base do meu pescoço, o seu corpo se preciosa mais no meu, me apertando na pia da cozinha, eu tenho que me segurar para não gemer de prazer quando ele faz isso.

Eu estou de calças jeans e uma camiseta de algodão, mas é como se não estivesse vestindo nada. Eu mesmo largo a esponja com sabão, que estava usando para lavar a louça, e me seguro na beirada da pia.

O roçar do corpo dele no meu me faz queimar por dentro.

– Eu estou me segurando, Katniss. Não quero errar com você. Não quero assustá-la. — Ele contínua a sussurrar no meu ouvido, suas mãos largam da pia e eu as sinto em meu corpo, ele me puxa mais para o seu corpo, me prende mais firmemente em seu calor e eu não tenho forças para me afastar.

Os lábios dele acham um espaço entre os meus cabelos e eu o sinto beijar o meu pescoço. E isso é demais para o meu pouco controle, então apenas jogo a minha cabeça para o lado, dando a ele mais espaço de pele para explorar enquanto eu me encosto em sua corpo.

Sou abruptamente virada, ficando de frente para ele, suas mãos estão me prendendo em um abraço forte, e ele me olha com tanta fome que eu não posso evitar que em gemido pequeno escape de meus lábios, meus seios sobem e descem com a minha respiração agitada.

– Não faça isso, Peeta. — Eu tento colocar alguma lógica em meus pensamentos.

É claro que tudo é esquecido quando os lábios dele tocam os meus, e não é um beijo casto igual o que Elika o fez me dar, é algo tão urgente que nem eu mesmo consigo me conter. Mais uma vez viro liquido em suas mãos, eu apenas posso beijá-lo e beijá-lo, alimentando o fogo que queima entre nós dois.

Seu gosto queima dentro de mim, acordando uma necessidade antiga. E não é nada parecido com os beijos que Darius me dá. Essa necessidade é devastadora, do tipo que destrói tudo pelo caminho. E seus lábios são macios e urgentes, doces e selvagens, exigindo tudo de mim, me fazendo querer muito mais do que estou disposta a dar agora.

É muito forte, muito intenso. Sua língua na minha é malvada em suas caricias e fica cada vez mais difícil ter um pensamento logico dentro da minha cabeça.

Somente nos afastamos quando a necessidade por oxigênio é muito grande, e mesmo assim Peeta não me dá muito tempo para pensar, logo a sua boca esta na minha mais uma vez, e ele esta exigindo que eu o corresponda, o que fica difícil não fazer já que tudo o que eu quero é me perder mais e mais em seu gosto e seu calor. Meu corpo esta faminto por ele.

– Por favor, Peeta. Por favor, eu não posso pensar. — Eu digo quando tenho oportunidade, estou ofegante, mas ele não esta muito diferente de mim.

Ele ainda me beija mais uma vez antes de se afastar de mim, virando as costas para onde eu estou.

– Saia daqui, Katniss. Vá para o seu quarto e apenas se afaste, ou nós vamos fazer amor nessa cozinha. — Ele me diz, sua voz esta muito rouca por causa do desejo reprimido.

Eu também queimo por ele, e estou doendo por dentro, muito excitada para pensar direito. Entretanto, acabo por obedecer o seu pedido e me afasto rapidamente, vou direto para o banheiro no andar de cima e me tranco lá dentro. Tiro a minha roupa o mais rápido que consigo e me jogo dentro de um chuveiro muito gelado.

A água fria queima em minha pele quente, estou fervendo por dentro e não quero estar.

Quero voltar para aquela cozinha, e não quero. Quero fazer amor com ele, e não quero. Quero os lábios dele nos meus e não quero.

Estou tão confusa, tão confusa.

Não posso me deixar cair por ele mais uma vez, mas ao mesmo tempo é tudo o que eu quero.o

Notas finais
Esses dois começam a rodar, um envolta do outro. Eu sei que torturo vocês com a indecisão da Katniss. Entretanto, eu também sei que vocês adoram esse suspense maluco... Momentos quentes estão se aproximando. Uiuiui Katniss que se cuide ^^ Gostaram? Próximo capítulo vai sair no sábado! Um grande abraço e até lá =D