Amarras do Passado

47 I Have Nothing - Whitney Houston


Notas iniciais
Olá pessoas, tudo bem? Desculpe pela atraso na postagem, eu estava resolvendo algumas coisas do meu estagio e fazendo a minha rematricula na faculdade, voltava tão cansada que não tinha pique nenhum de escrever. Mas, aqui estou eu cheia de novidades. Queria agradecer a Summer por favoritar e recomendar a minha fanfic. Você me acompanha desde o começo, a sua recomendação significa muito para mim. Foi linda e especial. Também quero agradecer a NEX, Carolina Dobreva, Letícia Paixão e a Slytherin Girl por favoritarem a minha fanfic. Meninas, muito obrigada por isso. Vocês fizeram o meu dia muito mais especial. Bom, acho que hoje eu posso contar ( quase no fim da fanfic), um pouco mais sobre mim. Georgina Difflean é o meu pseudo-literário desde os meus 15, tudo o que eu escrevo é por Georgina Difflean. Mas, o meu nome mesmo é Diandra, e eu vou deixar o meu Facebook para quem quiser me adicionar e se tornar a minha amiga. Vocês podem cobrar pelas postagens semanais lá. Assim eu tomo vergonha na cara e começo a postar mais rápido. O link do meu Facebook esta no final desde capítulo. Contagem regressiva para o fim da fanfic: 8. Enfim, enjoy!

Dias atuais

Peeta

"...Share my life
Take me for what I am
Cause I'll never change
All my colors for you
Take my love
I'll never ask for too much
Just all that you are
And everything that you do..."

***

Katniss pode me levar a um inferno muito conhecido. Quase um velho amigo meu.

A tensão sexual entre nós dois só cresce, só aumenta, e eu estou ficando maluco de desejo por ela.

Depois do beijo na cozinha, nós dois apenas fingindo que não aconteceu. Katniss por alguma razão que eu desconheço, talvez por estar envolvida com aquele homem ruivo, que eu secretamente passei a odiar. E eu apenas por vê-la seguir fingindo. Mas, nós dois sabemos que tudo isso é falso, que o que passamos foi muito real, o beijo foi delicioso demais para eu deixar passar.

Os lábios de Katniss se encaixam tão perfeitamente nos meus, o seu gosto é viciante, e cada suspiro de prazer dela me instigava a ir em frente e tomar o que é meu.

Pois sim, Katniss é minha, todinha minha. E não estou sendo machista com essa pensamente, é apenas a verdade, da mesma forma que eu sou dela. O meu desejo, o meu pensar, as batidas do meu coração, o pulsar do sangue dentro de mim. Tudo é dela.

Sempre foi, eu lutei contra isso, eu tentei fingir que não estava acontecendo, brinquei com a força desse sentimento. Todavia, fui surpreendentemente passado para trás, e quando eu me dei conta eu já estava caindo por ela, mais rápido do que eu podia imaginar, e eu tive tanto medo disso, ainda assim eu estava muito maravilhado pela coisa.

Amar alguém tão profundamente é ao mesmo tempo se entregar na mesma profundidade. É não saber explicar o que esta acontecendo, porque o seu primeiro e último pensamentos serão na pessoa amada, agora Elika faz parte desses pensamentos, então diariamente eu tenho muito na minha mente, muita coisa pesando em meu pensar constante.

E eu não sei até que ponto vou poder aguentar sem enlouquecer de desejo por essa mulher. E não é apenas o belo corpo que ela tem, e seu rosto bonito e harmonioso, é o que esta dentro do corpo, os atos dela, os pensamentos dela, as atitudes dela. Katniss é uma mulher incrivelmente bonita, e não estou falando apenas da aparência física. Ela é a mulher que eu quero passar o resto da minha vida ao lado.

Existem milhares de pessoas em Panem, mas ela é a que eu quero ver sorrir, é ela que eu prezo em agradar. E com isso eu não estou dizendo que ela é uma santa. Katniss é a mulher mais complicada que eu conheci, a mais teimosa e obstinada criatura que eu conheço. Tem a cabeça-dura mais irritante do mundo, e uma personalidade que as vezes me faz querer gritar à plenos pulmões pois ela me enche de frustração.

Ainda assim, quando estou no trabalho apenas não vejo a hora de ir embora para poder encontrar os seus olhos cinzentos mais uma vez. Apenas olhar para ela já é um pequeno sonho virando realidade, os últimos anos são a prova do que eu sofri por não tê-la por perto. Foram os anos mais difíceis da minha vida, a maior dor do mundo. E sentir isso é apenas o que me faz ser eu, eu não sei quem eu seria se eu não tivesse me apaixonado por Katniss Everdeen. Mas a minha própria personalidade foi moldado pelo o que eu passei com ela e por ela.

Todos os meus sentimentos foram agravados depois que eu descobri de Elika. Para meu completo espanto, eu apenas passei a querê-la muito mais do que antes. Eu constantemente sonho em tocar a sua pele macia, deslizar os meus dedos entre os seus cabelos e sentir o gosto de seus lábios presos aos meus.

E sempre que eu a vejo interagir com a nossa filha eu apenas a quero mais e mais.

Katniss é uma mãe muito atenta e amorosa, seu coração é gigantesco em sentimentos pela nossa princesa. E ela não mede esforços para fazer Elika feliz e realizada, para transformar a nossa filha em uma ser humano bom e integro. Katniss não me permite mimar Elika, mas consigo contornar esses momentos quando ela não esta vendo, eu apenas não posso evitar que querer a minha filha e da minha forma eu faço todas as coisas para deixá-la feliz, isso inclui comprar um guarda-roupas mais espaçoso para a minha pequena, e depois comprar muitas roupas novas para encher esse guarda-roupa.

Ainda me lembro de Katniss chateada quando os homens da loja vieram entregar o guarda-roupas de Elika. Quando os entregadores iriam marcar a data para a montagem, Katniss apenas os interrompeu bruscamente.

" Esqueçam isso. - Ela disse irritada.– Eu disse que Elika não precisava de uma guarda-roupas novo, mas se o pai dela acha que precisa então ele vai montar o negócio sozinho, ou vai devolver para a loja. "

Os entregadores foram dispensados no mesmo momento, e eu apenas tentava disfarçar o riso. Se Katniss acha que isso vai me deter, ela não me conhece nem um pouquinho. Apenas tive que fazer uma ligação e em algumas horas eu tinha Finnick Odair para me ajudar. Ele não gostou muito quando eu disse o que teríamos que fazer, mas eu o ameacei com segredos do passado e no final ele decidiu me ouvir.

Afinal a Annie não iria ficar nada feliz em saber que quando Finnick a conheceu ele estava saindo com uma amiga muito próxima dela. E eu não estou nem um pouco envergonhado de o chantagear com isso. Tempos desesperados requerem medidas desesperadas.

Não acho que ele realmente não queria fazer isso, afinal o dia foi muito divertido. Annie ficou na cozinha junto com Katniss e nossa filha fugia a todo o momento para ver o que é que estávamos fazendo no quarto dela.

Katniss vinha a todo o momento atrás de Elika, então eu tinha alguns instantes para admirar a minha morena usando um vestido muito justo. Não era necessariamente curto, mas grudava em todos os lugares deliciosas dela. A minha distração rendeu uma martelado no dedo de Finnick, o que transformou o quarto de Elika em um antro de palavrões, ainda bem que Katniss tapou com a palma das mãos as orelhas de nossa filha.

Elika apenas olhou confusa para a mãe, enquanto Katniss tentava distrai-la com expressões divertidas no rosto. Dava para ver a confusão no rosto de nossa filha, mas eu acho que os ouvidos dela conseguiram se salvar dos palavrões que Finnick disse.

Depois que meu amigo se acalmou eu apenas sei um soco de leve no ombro dele e apontei com o rosto a minha filha confusa ainda olhando para a mãe que fazia uma careta muito boba para deixá-la concentrada apenas nela.

– Olha papai, a mamãe esta fazendo careta. — Elika me disse ao se livrar das mãos da mãe em suas orelhas e correr até as minhas pernas. — E o titio Finnick também esta fazendo careta.

– Sim, filha. O titio esta fazendo uma careta de dor e não de brincadeira, então nada de ficar fugindo para cá para ver o que os homens estão fazendo. — Katniss disse ao se aproximar e pegar Elika no colo.

Eu tive que me inclinar e beijar a teste de minha filha.

– A mamãe tem razão, aqui esta bagunçado e tem vários parafusos no chão, você pode se machucar e isso não seria legal. Fique na cozinha com a mamãe e Annie. Ok? — Eu disse depois do beijo.

– Ok, papai. Eu vou ficar, depois o titio Finnick vai descer para tomar sorvete comigo? — Ela perguntou animada.

– Sim, boneca. O titio vai descer daqui a pouco, depois que eu acabar com o seu pai. — Finnick respondeu por mim, ele ainda estava segurando o seu polegar com força e cuidado, e tinha um olhar assassino no rosto direcionada apenas a mim.

A culpa não foi inteiramente minha, eu não teria me distraído e acertado o dedo de Finnick com um martelo se Katniss não tivesse vindo aqui me distrair. Já faz uma semana do nosso beijo na cozinha, e durante todos esses dias nós dois apenas fingimos que nada aconteceu.

Mas, inegavelmente existe algo no ar, alguma energia forte em nossa volta. Nós dois estamos correndo atrás um do outro mais uma vez, testando limites, verificando barreiras, nos redescobrindo. Naquele dia eu apenas não pude me controlar, ela também não.

Fico muito surpreso por tê-la deixado escapar, por permitir que ela fugisse. É desconcertante notar o quanto que ela pode se entregar e ao mesmo tento negar isso fervorosamente, e foi por isso que eu tive que me afastar. Quando eu tiver Katniss novamente em meus braços, ela terá cem por cento de certeza de que é isso o que quer.

Para o meu espanto, Finnick não me matou. Mas, acho que devo a minha sorte a Annie, esposa dele, que assim que soube do seu acidente, veio imediatamente cuidar dele e mimá-lo. Annie esta uma grávida muito bonita, sua barriga já esta aparecendo e Finnick não perde uma oportunidade de colocar as mãos sobre ela.

Vê-los juntos partilhando esse momento tão bonito e importante só me enchem de dor, eu a escondo, mas não quer dizer que eu não sinta. Eu perdi esse momento com Katniss, nós não partilhamos dessa alegria. E eu daria qualquer coisa para estar lá.

O novo guarda-roupas de Elika não demorou mais do que o esperado de dois homens sem experiência nenhuma como montadores, para ser enfim terminado.

Katniss e Annie fizeram o nosso jantar, e nós nos sentamos envolta da pequena mesa redonda para desfrutarmos de uma deliciosa refeição. Eu soube que Annie cozinhou mais do que Katniss o que explica o sucesso do jantar, já que minha morena é boa na cozinha, todavia não é nenhuma especialista em culinária e as vezes os seus pratos não dão certo. Elika estava maravilhada com as visitas e ficava pulando do meu colo para o de Finnick, isso quando não estava alisando a barriga de grávida de Annie e dando pequenos beijos.

Finnick antes de ir embora com a sua esposa, ainda soltou uma piada para Elika que quase fez Katniss ter um ataque cardíaco, eu mal podia me controlar e a única coisa que conseguia fazer era rir e rir. O que ele disse não era nada absurdo, mas exemplificava muito bem a relação atual que eu estou tendo com Katniss.

– Boneca, quando você estiver dormindo e acordar com os gemidos da mamãe e do papai, não ligue, ok? — Ele disse para a nossa filha sentada em seu colo, seus olhos azuis brilhando de diversão e atenção quando olhavam para o nosso amigo. — Isso pode acontecer muitas vezes porque os seus pais são muito escandalosos quando brincam de guerra de travesseiro.

No mesmo momento em que Katniss e eu o ouvimos dizer isso para a nossa filha, o rosto de Katniss apenas queimou como nunca antes.

– Uma guerra de travesseiros? — Minha filha perguntou da maneira mais inocente possível.

– Sim, os adultos e principalmente as mães e os pais brincam muito disso, quase todas as noites, e seus pais sempre foram escandalosos quando brincam. Mas, você não deve se preocupar e nem ir atrapalhar a brincadeira, ok? — Ele continuou da maneira mais doce e simpática do mundo, depois de fazer um carinho preguiçoso nos cabelos de Elika.

– Finnick! — Ouço Katniss resmungar muito insultada agora, suas bochechas continuam vermelhas, mas ela tenta disfarçar isso.

Annie e eu não nos controlamos e acabamos tendo um ataque de riso. Eu deveria estar muito bravo com ele, mas a coisa foi tão espontânea e Finnick agiu de um modo tão natural que todo o momento era apenas cômico.

Katniss e eu ainda não estamos transando, não que isso não vá acontecer, pois eu acredito que não vamos demorar muito a chegar em nossos finalmentes. Já faz uma semana do beijo na cozinha e mesmo que exista um acordo silencioso da parte de Katniss de não tocar no assunto, o beijo ainda esta nos nossos olhares, eu ainda queimo constantemente por ela, e ela aparentemente não esta tão confortável com essa situação também.

As vezes, durante a madrugada eu acordo e levanto para verificar se minha filha tem tudo o que precisa para passar a noite, se ela não esta descoberta, ou se sua porta não esta totalmente fechada. Depois de verificar a minha princesa e me certificar de que tudo esta bem com o seu sono, eu apenas dou uma passada no quarto de Katniss e sempre acabo perdendo alguns instantes em vários questionamentos malucos, tudo o que eu mais queria era me enfiar na cama com ela, e abandonar de vez o sofá da sala, então fico parado igual a um idiota na porta do quarto da minha morena, tentando me controlar e lutando para não invadir o espaço dela, e enfim tomar algo que e meu. Anseio desesperadamente por seu corpo, por seus lábios molhados e por beber de seus gemidos entregues.

E eu devo dizer que todo o meu bom senso apenas esta me irritando muitíssimo.

Depois que Annie e Finnick foram embora, Katniss subiu para dar banho em nossa filha e tomar o seu próprio banho, eu apenas coloquei a louça na maquina de lavar, e limpei o melhor que pude a cozinha e depois comecei a preparar uma surpresa na sala de estar. O quarto de Elika ainda estava bagunçado de mais para que ela passasse a noite lá, então eu trouxe o seu colchão para a sala de estar e acabei por acionar o dispositivo para inflar um colchão de ar que eu tinha comprado já há alguns dias, mas sempre tive preguiça de acionar o dispositivo, hoje esse colchão á mais serviria muito bem no que eu estava imaginando.

Aproveitei para pegar algumas cadeiras na cozinha e tive que afastar uma poltrona para ter mais espaço na sala, eu acabei por utilizar o sofá como peça de suspensão para a minha cabana improvisada. Coloquei as cadeiras paralelas uma a outra e me certifiquei de que o lençol que cobria a cabana estava bem preso e que não cairia sobre nós.

A outra opção de Elika seria dormir com Katniss na cama de casal, mas tenho certeza de que a minha morena não vai se importar de nosso filha passar a noite ao meu lado, eu vou tomar cuidado dela, e vamos ter uma noite divertida com livros, brinquedos e lanternas, a luz da cozinha vai permanecer acessa para que minha filha não tenha medo no meio da noite e eu vou estar ao lado dela o tempo todo. No dia seguinte eu apenas planejo guardar tudo da forma ordenada que Katniss gosta, e vou arrumar as coisas.

Elika apareceu na sala pouco depois de eu já ter terminado de montar a nossa cabana, ela ficou muito animada com a ideia de dormir ali dentro, para ela tudo não passava de uma brincadeira de uma aventura incrível. Eu permiti que ela me ajudasse a colocar edredons e cobertores dentro da cabana e em seguida ela trouxe alguns de seus brinquedos preferidos que estavam no quarto da sua mãe.

Eu percebi que Katniss tinha saído do banho e logo fui tomar o meu, não depois de explicar para minha filha coisas básicas, como por exemplo: " Não pular em cima da cabana.", ou até " Não puxar o lençol da cabana."

Ela pareceu entender perfeitamente o que não fazer, por isso eu entreguei em suas mãos pequenas duas lanternas e disse para ela me aguardar que logo eu estaria de volta para brincarmos de acampar.

Quando eu subi e entrei no quarto de Katniss, eu verdadeiramente não esperava encontrá-la com uma de suas pernas em cima do colchão, passando lentamente creme hidratante nas coxas, o mais engraçado é que eu e ela ficamos paralisados pelo momento. Katniss vestia apenas uma camisola branca de algodão simples, que caia até o meio das suas coxas grossas e estava levemente levantada pela atividade dela de passar creme no corpo.

Em questão de segundos eu senti o meu sangue correr mais rápido dentro das minhas veias, aquela camisola de algodão se transformou em algo melhor que a seda mais cara que Glimmer usava. Não havia nada de explicitamente provocante, era apenas confortável e bonita. E quando os meus olhos caíram para a suas pernas e seu modo de estar inclinada , eu quase rosnei de tesão.

– Peeta! — Sou puxado para a realidade quando Katniss me chama, ela esta constrangida e suas bochechas estão coradas.

Pelos céus! Penso ao tentar me concentrar no presente momento e voltar para a realidade. Eu apenas amo vê-la corada.

– Desculpe. — Eu consigo cuspir essa resposta, minha voz esta grossa pelo desejo reprimido, e eu apenas entro no quarto e deixo a porta aberta atrás de nós, tenho a leve impressão de que se eu fechar a porta desse quarto eu vou fazê-la minha, e não vou conseguir me concentrar em não fazer coisa errada. — Eu apenas preciso pegar algumas roupas, vou tomar banho e...

As palavras somem da minha mente assim que meus olhos teimosos insistem em ir até onde ela esta. Katniss tenta agir naturalmente e continua a passar creme hidratante nas pernas, dá para ver que ela esta constrangida com a situação, seus olhos apenas estão focados em suas mãos e no movimento mecânico que ela faz. Agora ela esta indo do joelho a panturrilha, e isso é muito sexy.

Sinto os meus pulmões queimarem lentamente com o perfume dela. E eu apenas corro para pegar o que eu preciso o mais rápido possível. Essa é uma das primeiras vezes que eu não tenho nada para falar, estou completamente mudo. Meus olhos grudam na bunda dela e eu não consigo não encarar. Ela é muito suculenta, e o algodão de sua camisola parece zombar de mim quando se arrasta por suas curvas femininas e as abraçam.

O meu desejo é arrancar esse pedaço de tecido com os dentes.

– Você já pegou o que precisava? — Novamente a voz de Katniss me acorda de meus pensamentos. Ela ainda não esta olhando para mim, mas eu sei que ela percebe o meu olhar.

– Sim, já sim. — Digo quando consigo reencontrar a minha voz perdida. E não finjo atrasar o momento que estou com ela. Katniss apenas continua com o seu ritual de beleza, e eu começo a me perguntar se ela sabe que esta me torturando. Será que ela gosta disso? Será que ela quer me ver selvagem por ela?

Tenho que me chutar para fora do quarto, tenho que me forçar a tomar banho, dessa vez mais gelado que nunca, ou nunca vou poder esconder essa ereção. Ainda assim levo vários minutos para deixar de queimar por ela. E só saio do chuveiro quando estou devidamente controlado e sem nenhuma ereção.

Ainda assim, eu não posso deixar de me vestir de forma bem atrasada. Estou cansado, exausto dessa situação com Katniss. Eu vou ter problemas sérios se não começar a liberar a energia acumulada, tenho que ganhar a Katniss, tenho que voltar a amar o seu corpo, e tenho que ter as pernas dela em volta do meu quadril mais uma vez. Eu apenas preciso dela. Não sei mais quanto tempo vou conseguir aguentar com dor nas minhas bolas. Todo esse desejo reprimido esta me fazendo mal.

Quando já estou vestido com um pijama confortável, de dentes escovados e cabelo penteado, eu apenas me dirijo para o andar de baixo, antes noto que a luz do quarto de Katniss esta apagada, o que me leva a crer que ela já esta dormindo, o que eu acho estranho e a porta do quarto dela estar aberta.

Entro na sala de estar e tenho a maior surpreso do mundo. Katniss esta deitada ao lado de nossa filha, ela esta lendo um livro de contos e Elika manter os seus olhos curiosos nas páginas coloridas das ilustrações.

– Tem lugar para mais um? — Eu pergunto ao me abaixar na porta da cabana.

– Papai. — Diz Elika feliz ao afastar os olhos do livro e me olhar risonha. — Tem lugar sim, entra aqui e senta ao lado da mamãe. Ela esta me contando uma história.

Katniss estava sentada bem no meio da nossa cama improvisada, mantendo Elika na parte mais confortável do colchão. Ela continua vestindo a camisola branca e eu quase tenho vontade de chorar por isso. Mas, apenas me forço a ser forte e manter a noite agradável.

Durante a próxima hora e meia, nós três apenas brincamos juntos dentro da nossa cabana improvisada. Elika amou a cabana, amou as histórias que sua mãe contou, amou a brincadeira que fizemos com a lanternas, e a forma com que eu conseguia fazer animais com as sombras das minhas mãos, ela até mesmo deu para cada um de nós um ursinho de pelúcia diferente e nós forçou a brincar de escolinha com ela. Isso quando ela não parava tudo o que estava fazendo para se aninhar em meus braços e me abraçar apertado.

Os olhos cinzentos que tanto amo apenas acompanharam esses momentos com lágrimas nos olhos, eu tentei segurar as minhas, mas não fui bem sucedido. Então minha filha passou as mãos em minhas bochechas, enxugando a umidade e me olhou preocupada.

– O senhor esta chorando, papai. Não chora, eu te amo daqui a lua. — E eu apenas a abracei apertado.

– Papai não esta triste, eu apenas me dei conta que esse é o melhor dia da minha vida. — Eu disse eu alisar o seu rosto de menina. Katniss apenas nós olhava juntos e estava tão bonita, mais bonita do que nunca.

– Também é o melhor dia da minha vida, papai. — Elika me diz ao sorrir o seu sorriso mais bonito. Seus olhos espertos logo encontraram a sua mãe. — É o melhor dia da sua vida também, mamãe?

Katniss apenas riu docemente, um de seus sorrisos mais raros.

– É claro que é, passarinho. Esse foi um dia perfeito. — Katniss sussurrou depois de enxugar duas grossas lágrimas que escorreram pelo seu rosto.

Elika pulou dos meus braços e se jogou nos braços da mãe.

– Eu te amo, filha. — Katniss disse ao deitar entre as cobertas quentes, com nossa filha em seus braços. Suas mãos faziam carinho nos cabelos de Elika que apenas sorria sonolenta.

– Canta, mamãe. — Elika pede com sua voz doce.

– Claro, passarinho. — Diz Katniss ao deitar Elika ao seu lado, na verdade ela escolheu o lado mais confortável da cama para deitar a nossa filha, não que o colchão de ar em que estou deitado seja ruim, mas o colchão de Elika é muito melhor.

Não gosto de ver que Katniss esta deitada entre os dois colchões, não deve ser nada confortável, mas ela não reclama, e tenho toda a certeza do mundo que enquanto nossa filha estiver acordada é lá que ela vai ficar.

Eu estou entre sentado e deitado, minha posição também não é muito confortável, mas não vou perder esse momento por nada no mundo. Foi o canto de Katniss que me fez amá-la quando criança.

Lentamente, ela apenas enrola Elika muito confortavelmente e começa a fazer um carinho bem preguiçoso nos cabelos de nossa filha.

Nossa garotinha apenas mantém os seus olhos presos na mãe, esperando a sua canção de ninar.

A voz de Katniss é linda, é tão pura e ao mesmo tempo tão forte, o som é límpido e suave. Escutá-la cantar é como se sentir acariciado.

"Bem no fundo da campina, embaixo do salgueiro
Um leito da grama, um macio e verde travesseiro
Deite a cabeça e feche esses olhos cansados
E quando se abrirem, o Sol já estará alto nos prados.

Aqui é seguro, aqui é um abrigo
Aqui as margaridas lhe protegem de todo o perigo
Aqui seus sonhos são doces e amanhã serão lei
Aqui é o local onde eu sempre lhe amarei."

O tempo todo ela continua com os seus carinhos nos cabelos de Elika, e eu vejo a minha menina bocejar e piscar os seus olhos azuis cada vez mais preguiçosamente. Sou tomado por uma nossa emoção em meu peito, nada no mundo pode ser mais forte do que o que Katniss me faz sentir, e se um dia eu achei que estava apaixonado por ela e que a amava, eu apenas não posso controlar o sentimento que tenho agora. Esse amor é mais forte do que tudo que eu já experimentei. Katniss é linda, e não é apenas por fora. Por dentro ela é ainda mais bonita. E também é a mãe da minha filha.

"Bem no fundo da campina, bem distante
Num maço de folhas, brilha o luar aconchegante
Esqueça suas tristezas e aquele problema estafante
Porque quando amanhecer de novo ele não será mais tão pujante

Aqui é seguro, aqui é um abrigo
Aqui as margaridas lhe protegem de todo o perigo
Aqui seus sonhos são doces e amanhã serão lei
Aqui é o local onde eu sempre lhe amarei."

Quando a canção acaba, Elika já esta profundamente adormecida. Katniss ainda faz alguns carinhos nos cabelos de nossa garotinha, mas em certo momento ela para e eu sei que ela vai embora, e que vai levar o melhor dia da minha vida com ela.

Antes que eu possa perceber eu apenas passo os meus braços em volta de sua cintura, e a puxo para o meu lado da cama. Katniss parece surpresa, mas não protesta quando eu me deito e faço com que ela se deite ao meu lado.

Nós dois não dizemos nada por alguns minutos, tudo o que fazemos e olhar um para o outro. Uma de minhas mãos esta fazendo carinho na pele de seu ombro, são círculos pequenos e leves.

– Eu deveria ir para a minha cama. — Ela me diz aos sussurros.

– Fique mais um pouco. — Eu peço ao pegar com a minha outra mão livre, a mão macia dela e colocá-la diretamente sob o meu rosto. — Eu ainda não consigo me afastar de você.

– Eu também não. — Katniss me confessa, enquanto mais algumas lágrimas escorrem de seus olhos cinzentos.

Eu posso ver com exatidão a dor em seus olhos e isso me machuca tanto que eu apenas quero chorar também.

– Se eu pudesse mudar o passado, eu o faria. Juro que faria. — Eu sussurro para ela. — Eu queria tanto afastar a dor dos seus olhos, eu queria tanto apagar as suas lembranças ruins. Levar embora toda a sua tristeza.

– Não é tristeza, Peeta. É só lamento. — Ela me diz ao se aproximar do meu corpo e deitar a sua cabeça em meu peito, eu apenas acolho o seu corpo cansado e ao passar os meus braços em volta dela, eu tento dar um pouco de consolo a ela.

Agora eu sei que Katniss nunca vai me contar as coisas ruins que passou durante esses anos em que ela lutou para manter uma família com Elika. Minha morena nunca vai me contar as coisas que teve que enfrentar, ela apenas vai manter tudo isso dentro dela. Porque Katniss é assim.

Mas, eu vou estar aqui! Faço a promessa em pensamentos, e mesmo que ela não saiba, em cada pequeno momento eu apenas vou criar novas recordações, trazer bons momentos para a nossa vida. Katniss reluta, mas sabe que é minha.

– Até quando nós vamos manter isso, Katniss? — Eu sussurro em seus cabelos, e aproveito para inspirar o perfume que tanto amo. — Até quando eu vou ter que fingir que não amo você, que não quero você, que somos apenas conhecidos?

– Eu não sei, Peeta. Também é difícil para mim. — Ela me responde, e seu hálito fresco e quente faz cócegas no meu pescoço.

Não posso esconder a minha surpresa por ela ter respondido, eu apenas pensei que Katniss ignoraria as minhas perguntas.

– Então é melhor você saber que eu vou continuar tentando, vou lutar por você Katniss Everdeen. Vou lutar por Elika, e vou lutar por nossa família. — Minhas palavras estão cheias de convicção.

– Eu sei, Peeta. Eu apenas não sei se ainda tenho muito amor para dar para qualquer pessoa. — Ela diz ao se aconchegar mais no meu corpo e relaxar tranquilamente. — Não queria estar machucada assim, mas eu ainda estou, eu sei que você não teve nada a ver com a nossa separação, mas ela ainda assim aconteceu. E agora tudo é tão diferente, nós temos Elika e eu estou saindo com o Darius...

– Não vamos continuar a conversar sobre isso. — Eu digo ao interrompê-la, tive que fazer isso, pois suas palavras tinham um tom de despedida que eu não posso aceitar. — Não vamos falar disso no melhor dia de nossas vidas, eu apenas quero te abraçar apertado e garantir que você não vai se afastar de mim.

Sem pedir a permissão de Katniss eu apenas deslizo a mão que estava em seu ombro, até as suas costas, bem no meio das suas omoplatas, depois eu a puxo ainda mais apertado em meus braços, matando qualquer espaço que ainda nos separava.

Katniss em nenhum momento reclama, ela apenas suspira lentamente em meus braços. E antes que um de nós dois seja levado para o mundo dos sonhos, eu puxo de forma delicada mas firme, o seu rosto para encarar o meu. Depois deposito um beijo muito suave em seus lábios quentes. E ela me beija de volta, muito castamente, nesse momento não existe paixão entre nós dois, apenas amor, do tipo puro e que aquece os nossos corpos por dentro.

Minha morena adormece um pouco depois, eu de forma desajeitada puxo um cobertor em cima de nós dois e me certifico de que Elika esta bem e confortável adormecida ao nosso lado. Quando não encontro mais nada de errado, eu apenas volto a puxar Katniss de volta para os meus braços, e me afogo na sensação de paz que domina o meu peito.

Essa é a primeira vez em quase cinco anos que eu tenho Katniss adormecida e em paz nos meus braços, eu tinha me esquecido a sensação boa que isso me causava. E eu ainda posso ouvir o ressonar tranquilo de minha filha logo ao lado.

Tudo esta se encaixando, tudo esta voltando para os trilhos.

E nesse momento eu tenho tudo o que eu preciso ao alcance dos meus braços.
Depois de toda dor, confusão e raiva que eu tive, é bom voltar a sentir paz dentro do peito.

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Dias Atuais

Katniss

"...You see through right to the heart of me
You break down my walls
With the strength of your love
I never knew love like I've known it with you
Will our memory survive
One I can hold on to..."

***

A festa de aniversário de minha filha esta a todo o vapor, todos os amigos que eu e Peeta convidamos estão presentes, e tudo esta indo muito bem. Só falta uma coisa.

Darius não esta aqui. E ele não vai mais estar aqui.

De certa forma eu me sinto triste por isso, eu realmente gostava dele. Se Peeta não tivesse voltado para a minha vida eu tenho certeza que nós dois ficaríamos juntos por muito tempo.

O nosso termino foi mais tranquilo do que eu achei que seria, e nós dois mutualmente decidimos que estava na hora de parar de fingir e encarar a realidade, para ambos.

Isso aconteceu há dois dias atrás, na quinta-feira. Eu pedi para Peeta ir pegar Elika na escola e fui jantar com o meu namorado. A nossa situação não melhorou muito nos últimos dias e eu fui sincera com ele. Deixei claro que Peeta tinha me beijado, mas que só tinha acontecido isso. Nem sei de onde tirei coragem para ser sincera com ele.

Entretanto, eu sei que Darius não é o tipo de homem que merece ser traído, eu não tinha ido para acabar com nosso namoro, apenas para conversarmos e eu pedir desculpas, eu sabia que estava me segurando em uma relação fadada ao fracasso. Principalmente depois que eu soube um pouco da história de Darius.

Depois que eu contei da traição, contei que Peeta me beijou, mas que eu retribui, o que não me beijou nada feliz. Ele ficou me olhando por longos momentos, o silêncio era pesado e constrangedor, nada que eu pudesse lidar de forma alguma.

– Por favor. — Eu pedi ao encarar os olhos castanhos dele, hoje esses olhos tão sorridentes não sorriam. Apenas me encaravam cansados.

Eu já havia notado esse silêncio em sua disposição constante, alguma coisa estava acontecendo, eu podia sentir isso no ar em volta dele, eu apenas não sabia o que era essa coisa. O que o estava perturbando. Era eu? Será que eu o estava fazendo infeliz?

A verdade me surpreendeu muito.

– Katniss, eu vou me mudar para o Distrito Oito. — Darius me disse, sua voz tão grossa quanto um trovão. — Sabe, eu não queria te contar isso desse jeito, mas já que você esta me abrindo um pedaço do seu coração, eu também tenho que abrir o meu. Já faz um tempo que eu ando pensando, na verdade não consigo tirar isso da cabeça.

– Eu não entendo. — Disse quando ele não se pronunciou mais.

– Eu disse para você que tinha brigado com uma prima minha. Porém, foi mais do que isso. — Ele continuou ao me encarar triste, e todas as sombras dessa tristeza estavam estampadas nos seus olhos. — Eu a amo, Katniss. Lavinia é tudo o que eu mais amo na vida. E ela é minha prima, a nossa família não aprova o nosso amor, então eu decidi me mudar aqui para a Capital e recomeçar a minha vida. É claro que tive uma promoção, mas eu poderia não aceitar e continuar no Dois. Lavinia nasceu no Distrito Oito, mas viveu no Dois boa parte da nossa infância e juventude, eu a amei no momento em que coloquei os meus olhos nela.

Eu estava profundamente chocada com o que ele estava me contando, assim do nada. Darius nunca tocou no nome dessa tal prima. Ele nunca a citou, eu sabia e sentia que ele tinha um passado estranho, assim igual ao meu, mas não sabia que ele estava apaixonado por outra mulher. Quer dizer, não era somente eu que estou tentando matar sentimentos por outra pessoa nessa nossa relação.

– Você nunca me disse nada disso antes. Por que escondeu? — Eu me escuto perguntar e fico surpresa com isso, afinal não era a minha intenção.

– Acho que eu não te contei nada porque estava muito preso a esse sentimento. Da mesma forma que você nunca me contou do pai da sua filha, até o dia em que ele reapareceu na sua vida. Algumas coisas apenas são muito dolorosas para serem ditas. Na verdade a história é mais complicada que isso. Você tem que entender que eu vi ela crescer e se transformar em uma mulher maravilhosa, bonita, inteligente, interessante. Nós dois mantivemos um namoro escondido por muitos anos, mas isso acabou explodindo na família, e tudo começou a desmoronar. Minha família é muito antiquada e não aceita esse tipo de coisa. Lavinia decidiu terminar tudo, e pouco tempo depois ela se casou com outro homem.

As sombras nos olhos de Darius se aprofundam ainda mais. É doloroso ficar perto dele e não poder ajudá-lo.

– Foram os piores anos da minha vida, ela ainda me ama, eu sei disso. — Ele me diz muito seriamente, seus olhos queimam com algo forte. — O marido dela bate nela, sabia? Ela não admite em voz alta, mas todos nós sabemos o que ele faz com ela. E eu nunca pude impedir, porque ela me disse que me odiaria se eu interferisse em seu casamento. Que era melhor eu ir embora. Então eu apenas fui. Lavinia também tem uma filha, seu nome é Lunnia e tem seis anos, acho que ela fica nesse casamento apenas pela menina.

– Isso é horrível. — Eu sussurro verdadeiramente enojada. Apanhar deve ser uma coisa monstruosa, mas permanecer em um casamento apenas pela segurança dos filhos deve ser torturante.

– Peeta veio conversar comigo, sabia? — Ele me pergunta sorrindo. — Homem de fibra esse seu, apareceu lá na delegacia para conversarmos.

– Peeta fez o que? — Eu pergunto afoita. — Quando ele fez isso, o que ele te disse?

Eu devo ter feito uma cara muito engraçada, pois Darius mal consegue esconder um sorriso aberto.

– Ele apareceu lá na segunda de manhã e não precisa se preocupar, nossa conversa não foi tão séria assim. — Darius tenta me tranquilizar, todavia os meus batimentos cardíacos estão a milhão dentro do peito, eu quase estou sufocando. — Ele queria se apresentar formalmente sendo o pai de Elika. E queria deixar bem claro que não iria deixar de tentar te conquistar de volta, ele me contou um pouco sobre a separação de vocês e que tudo tinha sido tramado por outras pessoas. Mas, Katniss a conversa dele, a coragem dele mudou alguma coisa dentro de mim. De repente eu percebi o quanto eu estava sendo covarde, e eu não posso continuar com isso.

Darius suspirou longamente e levou os seus olhos para algum ponto vazio a sua esquerda.

– Na segunda mesmo eu liguei para minha mãe e descobri que Lavinia tinha se mudado para o Distrito Oito. Eu não faço a mínima ideia do que ela esta fazendo lá. Mas, o desgraçado do marido dela não a acompanhou, o que é muito estranho. — Darius volta a me encarar e depois sorri de forma triste. — Eu tenho que lutar por ela, Katniss. Se eu não fizer, quem vai fazer? Se eu não for persistente e determinado, quem vai ser? Lavinia é o grande amor da minha vida, eu gosto muito de você, Katniss. Você é a mulher que mais me tentou depois da Lavinia. Você é muito parecida com ela, sabia? Vocês duas são teimosas e exigentes, realistas e sinceras. Acho que foi isso que me puxou para você logo de cara. Você pode entender a minha dor, não pode?

– É claro que posso. — Eu disse para ele ao estender os meus dedos e segurar na mão dele. — Eu apenas queria ter estado ciente disso à mais tempo. Você não deveria passar por isso sozinho.

– Moça, você é muito doce. E eu quero que você saiba que eu vou sentir sua falta, todos os dias. Sempre que eu ver uma tempestade eu vou me lembrar desses seus olhos espertos. E Elika também, essa pequena boneca. — Darius me diz ao segurar a minha mão e apertar os meus dedos nos seus. — Você chegou a me amar? Eu amei você.

– Sim. — Eu respondo de todo o meu coração. Nunca seria o tipo de amor que eu tenho guardado pelo pai da minha filha, nunca seria tão intenso e devastador. Mas, de certa forma eu amei o Darius. Eu amei o sorriso aberto dele, os olhos que também sempre estavam sorrindo, e sua personalidade doce. — E você, vai ser feliz com Lavinia? Tem certeza que vai embora?

– Sim, Katniss. Eu já pedi transferência para aquele distrito e amanhã eu já começo a procurar por passagens de ida para o Oito. Primeiro vou ver se consigo o endereço de Lavinia, depois vou lutar por ela com tudo o que tenho, não vou me importar com o preconceito da nossa família, ou com o casamento falido dela. O marido de Lavinia nunca mais vai encostar um dedo nela. Vou criar a filha dela como se fosse minha própria filha. Vamos ser uma família. Vou fazer igual ao seu Peeta, só vou deixar de lutar quando eu ganhar, e vou deixar claro para qualquer adversário que eu não estou de brincadeira.

– Quem disse que Peeta vai ganhar alguma coisa? Nossa história é mais complicada do que você imagina. — Eu digo sincera, meus olhos ainda queimam de vontade de chorar. É difícil saber que eu não vou mais ver o meu amigo.

Darius solta uma gargalhada gostosa ao me encarar, e eu não posso deixar de rir também.

– Dê tempo ao tempo. Ele vai curar todas as feridas, apenas saiba que esse homem realmente te ama, Katniss. Eu tenho a leve impressão de que ele não vai desistir tão fácil, as motivações dele são muito grandes. — Darius me diz ao sorrir.

– Vou sentir sua falta. — Falo para ele ao me levantar do meu lugar e ir abraçá-lo.

Nosso jantar durou mais do que o esperado para um jantar de termino. Mas, eu queria estar ao lado dele, e Darius também parecia querer estar ao meu. Nós dois sabíamos que era um adeus, a nossa última noite juntos. E não nós beijamos ou ficamos de safadeza, apenas ficamos juntos.

Nós dois jantamos, depois fomos passear no parque e tomamos sorvete ao ar livre. Diversas vezes eu tive que prometer que entregaria o presente de aniversário de Elika que ele me deu durante o nosso jantar e que diria para a minha filha o quanto ele gostava dela, e que sentiria saudade. Nós rimos e ele me contou mais de Lavinia e de Lunnia, do jeito tímido da menina, e da forma doce da mãe. Os olhos dele brilhavam tanto quando ele falava das duas que eu achava difícil acreditar que ele não fosse pai da menina e casado com a mulher.

A noite passou muito rapidamente, eu mal podia acreditar que já estava no final. E em nossa despedida ele me deu um último beijo quente e cheio de sentimento. E pela primeira vez eu o senti de verdade, não existia nada no meu passado a não ser esse homem, não existia nada maior do que os meus sentimentos por ele. E foi triste perceber o que eu estava abrindo mão, o que eu estava deixando ir embora da minha vida. É claro que ele também estava abrindo mão, ele também estava indo embora da minha vida por livre e espontânea vontade. Em outra vida eu poderia ter sido apaixonada por ele, em outra vida eu o teria colocado em primeiro lugar.

Mas, o meu coração já estava entregue e não havia nada que eu pudesse fazer a respeito disso.

– Adeus Katniss. — Darius me disse ao passar os seus dedos pelas minhas bochechas coradas. — Espero que você consiga tudo o que precisa, todas as coisas boas que merece. Moça, apenas seja feliz.

– Adeus Darius. — Eu me ouvi dizer com uma voz suave. — Espero que você consigo reconquistar a sua Lavinia, e que ela possa abrir os olhos e enxergar o bom homem que você é.

Ele me deu um sorriso tão bonito que eu tenho certeza que nunca vou esquecer daquela noite.

Acabei voltando para casa de modo bem mecânico. Não me lembro muito bem do caminho, já que eu não quis que Darius me deixasse em casa. Eu apenas tinha muito coisa na minha cabeça, muita coisa em que pensar. Se os meus sentimentos não fossem todos de Peeta eu teria amado Darius.

Quando abri a porta da minha casa, já passava da meia-noite e a luz da sala ainda estava acessa.

Encontrei Peeta sentado no sofá, seus olhos estavam vermelhos e seu semblante estava acabado. Eu achei que ele já estivesse dormindo, mas lá estava ele, me esperando voltar. E só de olhar para ele eu já sentia o meu coração disparar dentro do peito. E sentia um forte necessidade de me jogar em seus braços e fazer amor com ele até estarmos exaustos, suados e saciados.

– Não pensei que você ainda estivesse acordado. — Foi oque eu disse ao tirar os meus salto altos e gemer de alivio por isso. Eu caminhei até a cozinha e deixei a minha bolsa em cima de uma bancada perto da mesa redonda.

Por alguns instantes eu apenas tive que colocar as minhas mãos na bancada e respirar profundamente.

– Eu achei que você ia dormir com na casa dele, que vocês iam passar a noite juntos. — Escuto a voz de Peeta dizer na entrada da cozinha. Eu lentamente viro os meus olhos para ele e o vejo encostado no batente da porta, seus braços fortes cruzados sobre o peito.

E de repente eu soube porque ele estava com os olhos vermelhos e não era por estar com sono. Peeta estava ciumento, provável que estivesse chorando, devastado por achar que eu dormiria com outro homem. E eu me lembro bem da sensação ruim que eu carregava no peito, no gosto ruim na boca e na ardência constante que eu tinha nos olhos todas as vezes que eu o via agarrado com a Glimmer. Eu era a outra, e ele não se importava nem um pouco com isso.

Por alguns segundos eu apenas desfruto da dor dele, é bom que ele sinta na pele o que me fez passar, todas as lágrimas que eu chorei quando ele preferia a namorada loira, quando me esquecia tão facilmente para ficar com ela. Todavia, essa sensação não dura quase nada e eu apenas me sinto cansada, incrivelmente exausta de tudo que passei nos últimos meses.

– Vou dormir, Peeta. — Eu digo, sem responder ao seu comentário anterior. — Boa noite. E não esqueça que amanhã eu tenho que ir buscar a madrinha de Elika na estação de trem. Você vai ter que mais uma vez pegar nossa filha na escola.

– Ok, Katniss. Boa noite. — Ele me disse com a voz grossa cheia de sentimentos escondidos.

E foi assim que eu o deixei, não cheguei a olhar para ele, apenas me afastei. Fui direto para o quarto de Elika e depois de me certificar de que ela estava bem aconchegada em sua cama, eu beijei os seus cabelos escuros e deixei o seu quarto. Fui direto tomar o meu banho e depois ir dormir.

Volto para o presente quando escuto a risada alta de Johanna ecoar pela pequena sala de estar da minha casa. Ela esta conversando com Haymitch e os dois riem muito de algo que eu não sei o que é.

– Mamãe, mamãe. — Elika me chama em meio a voz alta dos adultos, e ao olhá-la eu sinto o meu coração de mãe aquecer de forte e puro amor. — Olha o que eu sei fazer.

Ela esta tão linda. Mal posso acreditar que meu passarinho já tem quatro anos, o tempo realmente passa muito rápido e daqui a pouco o meu bebê já vai ser uma mocinha.

Minha filha para bem na minha frente e depois de estender os seus braços o mais alto que pode, ela apenas gira graciosamente em volta de si mesma. Depois volta a posição normal e me olha esperando aprovação.

– Uau, isso é um passo de balé? — Eu pergunto ao me abaixar e levar uma de minhas mãos aos seus cabelos longos.

– Sim. — Diz Elika radiante de felicidade. — A professora me ensinou porque é o meu aniversário e ela me disse que as aniversariantes sempre sabem passos novos.

– Nossa, isso é tão legal. Você já mostrou esse passo para a madrinha? — Eu pergunto para ela. Vejo Elika acenar afirmativamente com a cabeça e continuar a sorrir. — Sim! E ao titio Haymitch, a titia Effie, e o papai?

– Sim. — Gritou Elika feliz ao me abraçar com os seus braços delicados. Eu a coloquei em um bonito vestido que Cinna fez de presente para ela. Na verdade o presente foi feito especialmente para Elika. Todas as vezes que ela corre ou se movimenta muito rápido, uma delicada fumaça de purpurina é solta da renda do vestido cor de rosa. Elika parece um projeto de princesa de contos, parece uma pequena fada. E a purpurina em sua volta apenas a deixa com um ar mágico de outro mundo. É lindo de se ver.

O aniversário dela não tem muitas pessoas, apenas Johanna, Cinna, Portia, Effie, Haymitch, Finnick, Annie, Rodrick o pai de Peeta, os irmãos de Peeta com suas esposas e filhos, crianças mais velhas que Elika, mas com uma disposição para correr tão melhor do que a minha filha. Também estão presentes algumas crianças amigas de Elika da escola acompanhadas de seus pais, Peeta e eu.

É uma reunião pequena, eu nem iria fazer nada, mas Peeta queria então eu deixei apenas se a comemoração acontecesse na minha casa, que não gastássemos muito e que a mãe de Peeta não estivesse presente. Na verdade, esse último não foi estipulado, mas Peeta não queria a mãe dele aqui e nem eu.

Nós dois organizamos isso tão em cima da hora, que nem tivemos tempo para muito coisa. Rodrick fez questão de dar todos os doces e salgados para a festa de aniversário, Peeta fez questão de fazer o bolo de aniversário da filha e eu fiquei com a decoração da festa. A minha casa estava limpa e organizada e levemente decorada com enfeites de fadas, tentei criar um mundo mágico para a minha filha, passei três dias correndo atrás de decorações contingentes com o que eu tinha em mente. Agora ao olhar ao redor eu podia ver pequenas gaiolas douradas com flores dentro, algumas fadas pequenas estavam pendurados no teto e no batente das portas, várias bexigas estavam espalhadas, muitas sobrevoando a nossa cabeça. Tudo estava muito delicado, tudo com a cara da minha pequena.

– O papai disse que eu sou uma ótima bailarina. — Elika me diz ao sorrir e me acordar dos meus pensamentos.

– Ele disse? — Eu perguntei também sorrindo. — Bom, o papai esta certo, você é a melhor bailarina que eu conheço.

Elika ri gostosamente de felicidade e depois corre para perto das outras crianças, é claro que ela não vai antes de passar perto de Annie e depositar muito suavemente um beijo na barriga saliente da minha amiga, agora que sabemos que Annie espera um menino, Elika diz que o bebê de Annie vai ser o seu namorado quando crescer.

Eu quase cai da cadeira onde estava sentada quando ouvi isso. E foi apenas por estar rindo muito com a reação de Peeta. Ele ficou tão pálido e assustado que era engraçado de mais para eu não rir.

Annie também riu gostosamente e Finnick falou. " Um Odair nunca deixa passar uma mulher bonita."

É muito lindo ver o carinho de Elika pela gravidez de Annie, ela ainda não me perguntou de onde vem os bebês, mas se isso acontecer eu apenas vou deixar que Peeta explique.

Meus olhos são puxados para a porta da cozinha quando vejo Peeta entrar na sala, em suas mãos esta uma travessa de lanches salgados, ele atravessa a sala de estar tomando o maior cuidado do mundo para não esbarrar nas pessoas e deposita cuidadosamente a travessa cheia em cima da mesa de centro da sala. Quase que imediatamente o cheio apetitoso de comida chama a atenção dos convidados mais próximos.

Peeta vai até onde Elika esta com as outras crianças, incluindo os seus primos e se abaixa ao lado dela para conversar.

– Agora eu posso entender porque você engravidou. — Levo um susto quando escuto Johanna falar próximo ao meu ouvido. Eu nem tinha notado que ela estava ao meu lado.

– Que susto Johanna. — Eu digo ao olhá-la. — Você quer me matar do coração?

– Não mude de assunto, olha só que bunda gostosa o seu Peeta tem. — Johanna diz de forma safada, ela descaradamente esta olhando para a bunda do pai da minha filha o que me irrita mais do que deveria. — Se eu estivesse no seu lugar já teria um dúzia de filhos com esse homem. Pelos céus, eu nem me vestiria, passaria o dia todo na cama.

– Johanna, ficou maluca? Pare de dizer esse tipo de coisa. — Eu digo irritada. Desde que ela viu o pai da minha filha pela primeira vez que ela só o chama de " o seu Peeta". E ele não é meu, ele é apenas o pai da minha filha. — Ele pode escutar você falando isso.

– Tem certeza que você quer ele? Katniss, depois da desfeita que você me fez com aquele seu amigo policial, eu bem poderia ficar com esse aqui. Vai, deixa? Olha só esses músculos e esses olhos. Ele é bom de cama? — Johanna esta maluca, completamente louca.

Não vou falar esse tipo de coisa para ela, essa é minha intimidade e minha história com Peeta, não é nada para ficar divulgando. Mas, não posso negar que estava morrendo de saudade da espontaneidade dela, desse jeito sincero ao extremo. E dou risada quando escuto ela falar de Gale. Johanna nunca vai me perdoar por não apresentá-los e eu não posso fazer nada para mudar isso, já que eu sei que Gale vai se casar em algumas semanas.

Finalmente ele deixou de enrolar Madge e vai levá-la ao altar, que sempre foi o sonho dela. Tive que ligar para ela para saber dessas novidades, já que o meu relacionamento com Gale nunca mais foi o mesmo depois que eu recusei o seu pedido de casamento, nossa amizade balançou muito depois disso. E ele se afastou para valer dessa vez.

Acho que a vinda de Johanna para a Capital apenas para estar presente no dia do aniversário de Elika foi o que me manteve sã para não cair no choro por causa do meu termino com Darius, eu sinto falta dele, da nossa amizade, mas com Johanna por perto eu nem tenho tempo de pensar em nada disso.

Eu queria que ela estivesse dormindo aqui em casa, afinal ela sabe a situação que estou vivendo com Peeta, ela sabe que não dividimos um quarto, ele apenas mora aqui temporariamente. Mesmo assim ela preferiu ficar em um Hotel. Disse que iria sair para conhecer alguns lugares noturnos, alguns bares, que queria se divertir e se estivesse aqui em casa ela nos atrapalharia. Peeta a ajudou a encontrar um Hotel barato, mas eu desconfio que é ele que esta pagando para ela não ficar aqui em casa. Não que isso mude alguma coisa, já que ela vem aqui cedo e só vai embora a noite para dormir no Hotel ou sair para paquerar.

– Eu ronronaria igual a uma gata na cama com esse homem...

– Pode parar Johanna. Deixa o pai da minha filha longe das suas fantasias, ok? Ele não esta disponível. — Eu digo ao olhá-la com uma carranca.

– Kateimosa, você não muda nunca. Ok! Eu vou parar de falar do Peedelicia. — Ela me responde sorrindo, Johanna tem a idade emocional de uma adolescente rabugenta. — Mas, fica tranquila, ele não ficaria comigo mesmo se eu insistisse, o seu Peeta esta muito apaixonado nesse seu rabo para notar qualquer outra mulher.

– Johanna! — Eu digo assustada. Estar ao lado de Johanna é tão imprevisível quanto estar ao lado de Haymitch, eles dois são forças da natureza imparáveis.

Nesse momento nos duas vemos Peeta se levantar e depois de dar um beijo rápido na bochecha de nossa filha ele apenas se afasta e vem na direção de Johanna e eu.

Seus olhos azuis brilham tanto que tenho que segurar um suspiro dentro do peito. Johanna esta certa, ele é muito bonito, muito delicioso. E esta tão feliz com o aniversário de nossa filha que mal pode conter a sua animação.

– Katniss, você acha que ela esta feliz? Acha que Elika esta gostando do aniversário dela? — Ele me pergunta preocupado.

– É claro que esta gostando. — Eu respondo ao sorrir. — Olhe só para ela, Elika esta reluzindo de felicidade.

E estava mesmo, nós dois paramos uns instantes para contemplar a nossa filha feliz ensinar as outras crianças o novo passo de balé que aprendeu. Todas as crianças estão se divertindo, estão brincando. Os adultos mantém conversas animadas uns com os outros. Ao longe eu posso ouvir a risada estrondosa de Haymitch, a mão dele esta em volta da cintura de Effie. Agora eles estão conversando com Cinna e Portia.

Estava distraída de mais para notar a proximidade de Peeta, em um instante ele passa um de seus braços em volta da minha cintura e beija a minha bochecha com carinho. Eu apenas o encaro boquiaberta com a surpresa.

– Eu não vi o seu amigo por aqui. Aquele Darius, ele não vem? — Ouço a sua pergunta, seus olhos azuis queimam de curiosidade. Johanna apenas nos encara tentando disfarçar um sorriso. Eu olho em volta, mas não parece que ninguém esteja nos encarando.

– Não, ele não vem. Nós terminamos na quinta. — As palavras pulam de meus lábios antes que eu possa pensar em prendê-las de volta.

No mesmo instante eu sinto a mão dele apertar ainda mais possessivamente a minha cintura. Na mesma hora o meu coração dá um salto dentro do peito.

– Vou deixar os pombinhos em paz. Com licença. — Diz Johanna ao se afastar com uma sorriso grande nos lábios.

– Você nunca mais vai se encontrar com aquele homem? — Ele me pergunta muito intensamente, o sorriso despreocupado desapareceu de seus lábios. Agora ele somente me encara cheio de emoção.

– Não. — Eu respondo, novamente fiz isso antes de perceber, o meu cérebro esta queimando com a sensação a mão dele me segurando na cintura. Não pude me concentrar e responder direito.

– Ah, Katniss...- Peeta sussurra em meus cabelos ao apertar o rosto no meu pescoço e suspirar de alivio. Ele deposita alguns beijos na minha pele e eu começo a queimar lentamente. Uma de minhas mãos vai até o ombro dele apertando com força. Minha respiração começa a ficar ofegante quando ele passa o seu outro braço pela minha cintura e me aperta com força. — Katniss...minha, Katniss...

Eu fecho os meus olhos pela onda de prazer que sinto quando o escuto sussurrar isso no meu ouvido. Principalmente, porque uma de suas mãos sobem pelas minhas costas fazendo com que eu me arrepie inteira.

– Eu não queria interromper o momento de reconciliação de vocês, mas existem crianças no recinto, por isso ou vocês arranjam um quarto, ou podem parar com isso. — A voz de Finnick me acorda do meu momento de loucura. Eu quase salto dos braços de Peeta e no mesmo instante sinto o meu rosto queimar intensamente.

Peeta não permite que eu me solte de seus braços, ele apenas se afasta um pouco, mas continua a me abraçar quando olha para Finnick.

– Eu já disse que você é uma estraga prazeres? — Peeta pergunta com um sorriso bonito nos lábios.

Finnick mantém o sorriso mais descarado no rosto quando se afasta para junto de Annie, ele mesmo a abraça por trás e deposita um beijo em seu pescoço. Suas mãos vão até a barriga da esposa e ele a segura sorrindo. Annie olha para o marido com total devoção e amor.

Eu olho em volta e vejo que algumas pessoas estão olhando para Peeta e eu. Johanna e Haymitch mal podem esconder os sorrisos no rosto. O que faz com que o meu rosto queime ainda mais.

Lentamente eu faço com que Peeta me solte, o que ele faz com um resmungo e me afasto.

– Vou pegar achocolatado para as crianças. — Eu digo como desculpa para me afastar. O meu coração ainda esta muito disparado no peito, e eu preciso de um momento sozinha para respirar e me acalmar.

Quando eu volto da cozinha com uma outra bandeja cheia de copos de achocolatado para as crianças, Peeta esta conversando com o pai dele. Rodrick mantém minha filha em seus braços e Elika esta com os braços em volta do pescoço do avô. Acho uma graça os olhos trigêmeos. Azul, azul e azul.

Para a minha alegria Johanna não aprontou nenhuma loucura, Haymitch se comportou na maior parte do tempo e Finnick manteve os seu pensamentos sujos dentro da cabeça.

O aniversário foi muito melhor do eu esperava e tirei algumas dezenas de fotografias, eu tentei ser o mais simpática possível.

Só aconteceu um momento tenso e foi quando passei perto de Haymitch e Johanna e a escutei dizer para ele de forma muito sarcástica.

" Pode deixar de chorar igual a um bebê. Eu sou a madrinha, então lide com isso." E em instantes o rosto de Haymitch se avermelhou igual a um pimentão. Mas, ele segurou a língua dentro da boca enquanto Johanna olhava para ele com ares de superioridade.

Porém, poucos minutos depois ambos estavam rindo muito juntos então eu não me importei de verdade. Somente fiquei irritada quando eu a ouvi contar do meu tempo de grávida para uma pequena plateia de adultos risonhos.

– É sério, essa mulher quase me enlouqueceu e eu era apenas a colega de casa dela. Mas, vocês tinham que ver a forma redonda que ela se transformou, eu achava que Katniss iria explodir a qualquer momento. — Johanna contava para Haymitch, Effie, Finnick e Peeta. — Seus pés chatos que ela não conseguia enxergar, e seu resmungar constante de " Estou com fome!" ou " Quero fazer xixi!".

– Johanna! — Eu exclamei chocada. — Já chega, esqueci isso.

– Oh, mas eu ainda nem contei as melhores partes, não contei quando você chorou ao ver o pôr do sol e nem contei quando você gritou com aquela mulher por ela ter pego a última barra de chocolate da lanchonete. É claro que ela chorou logo em seguida, o que assustou a mulher de uma forma muito forte, pobre coitada nunca mais voltou no Clont's. — Johanna disse com humor em seus olhos, ela estava adorando me ver com vergonha. — E eu nem cheguei a contar para o seu Peeta as noites em que eu te ouvi gemer sozinha, é sério Loiro, você tinha que estar lá para apagar o fogo dessa mulher....

– Já chega! — Eu quase gritei de vergonha, eu nem sabia que ela tinha me ouvido nessas noites. Estou tão envergonhada que sinto as minhas bochechas queimarem. — Isso é tão constrangedor, me recuso a escutar mais disso...

E apenas me afastei de onde eles estavam, eu podia ouvir a gargalhada estridente dos meus amigos atrás de mim e apenas me afastei para dentro da cozinha. Estava quase na hora de cantar o parabéns e cortar o bolo, eu já queria adiantar tudo isso. Por dentro estava morrendo de vergonha do que Johanna disse para o Peeta. Não só para ele, mas para o Haymitch e o Finnick. Agora eu nunca mais seria deixada em paz por causa disso.

Vou matar essa cadela. Pensei irritada. Johanna traidora.

– Você não precisa ficar com vergonha, sabe? — Eu escuto a voz de Peeta em minhas costas. — Eu queria estar lá, eu queria ter visto você enorme, com nossa filha dentro de você. Eu daria qualquer coisa para não ter perdido isso.

– Você não perdeu muito coisa. E qualquer coisa é só perguntar para a Johanna, ela esta contando tudo mesmo...- Digo com raiva, ainda mantenho os meus olhos longe dele, estou muito envergonhada dele saber o que eu fazia a noite, trancada em meu quarto pequeno, e pensando nele.

– Não fique com raiva dela, fui eu que perguntei, eu insisti para ela me contar essas coisas. Você nunca me diria e eu sou curioso. — Ele me diz e eu congelo quando sinto as mãos dele me abraçarem por trás.

Peeta puxa o meu corpo em direção ao dele e me aperta em seus braços. Eu apenas fecho os meus olhos e tento me concentrar em não ficar excitada.

– Me excita saber que você se tocava. — Ele diz em meu ouvido, a voz dele é um veludo negro, sensual e quente. A sua barba rala raspa na pele exposta do meu pescoço, o que me faz arrepiar por inteira. — Você pensava em mim, em nós dois juntos? Nas nossas noites de amor no meu apartamento?

Lentamente eu sinto uma das mãos dele subirem pela minha cintura, e sou tomada de ansiedade. Onde será que ele vai me tocar? Meu cérebro começa a se desligar e eu me aperto mais em seus braços.

– Eu teria saciado você, sabia? Uma e outra vez, você apenas gozaria forte nos meus braços. — Peeta sussurra muito sensualmente na minha orelha. E eu não posso conter um suspiro de prazer ao imaginar isso acontecendo. Nós dois juntos, pele com pele, pegando fogo em cima de uma cama.

Nosso momento é interrompido quando escutamos a voz de Finnick dizer muito alto.

– Elika, não entra ai agora, venha cá boneca. Papai e mamãe estão brincando de guerra de travesseiro ai dentro...- Finnick disse, isso foi seguido de algumas risadas altas e eu congelei ainda mais por dentro.

– Fale para Finnick parar com essa história de guerra de travesseiros ou eu vou fazê-lo sangrar. — Eu disse quando me soltei dos braços de Peeta e peguei alguns pratos e garfos para levar para a sala. Tenho que olhar para ele, pois meus olhos estão famintos de vontade de vê-lo.

Peeta esta tão bonito hoje, sua camisa branca simples, e essa jaqueta jeans que ele usa o deixa muito apetitoso de se olhar. E ele tem o descaramento de me lançar um olhar bem lascivo antes de sorrir e se afastar.

– Eu vou dizer. — O escuto dizer ao se afastar de volta para a cozinha. É sério, nós dois estamos chegando a um ponto onde não dá mais para voltar. Eu estou queimando por dentro, queimando e queimando.

E estamos bem no meio do aniversário da nossa filha. Isso não devia estar acontecendo, não agora, não tão forte assim. E Johanna e Finnick não deveriam jogar mais lenha nessa fogueira.

Por um milagre conseguimos fazer o restante do aniversário prosseguir sem mais escândalos. Peeta me deixa em paz pelo resto do dia, todavia eu ainda percebo os seus olhos me queimarem de vez em quando. Finjo não ver e logo me afasto, me concentro apenas na felicidade de Elika. Em certo momento Peeta faz o mesmo, e isso parece funcionar para nós dois. É assim que tem que ser, nossa filha vem em primeiro lugar.

Silenciosamente Peeta e eu vamos organizando tudo para a hora do parabéns. Me surpreendo quando um dos sobrinhos de Peeta me chama de tia. Mas, não chego a desmentir isso. E passo o resto do tempo de perguntando se fiz errado.

Na hora do parabéns Elika corre para os braços do pai e ele a pega com muito amor, eu me aproximo quanto escuto Elika gritar o meu nome, ela quer ambos ao lado dela na frente do bolo bonito e todo enfeitado em glacê branco e rosa, com pequenas bailarinas feitas de açúcar. Fico admirada com a capacidade de concentração de Peeta. Ele é muito detalhista, muito cuidadoso com o seu trabalho.

O Bolo foi colocado em cima da mesa de centro e Peeta de ajoelha com nossa filha em seu colo bem próxima ao bolo. Johanna esta tirando fotos em algum ponto da sala cheia, todos estão em volta de nós. Eu me ajoelho para ficar ao lado dos dois, e Elika me puxa para ficar bem grudado neles. As outras crianças apenas correm para ficar próximas do bolo.

Quando as pessoas começam a cantar o Parabéns Para Você eu vejo que Peeta não pode cantar por estar muito emocionado. Seus olhos brilham e lágrimas escorrem enquanto ele aperta Elika mais forte em um abraço.

Meus olhos são inundados também, mas eu consigo segurar a emoção dentro do peito. Elika apenas canta com todos os outros, não se importando nem um pouco em permanecer quieta e apreciar todos cantando para ela, minha pequena prefere participar o que deixa todos em nossa volta com um sorriso divertido nos lábios.

Quando o parabéns acaba, sinto Peeta me puxar para dividirmos um abraço em família. São apenas Peeta, Elika e eu nesse abraço. E a sensação boa queima em meu peito. Me sinto ligada aos dois. Depois do abraço, Peeta tem toda a delicadeza de inclinar Elika para perto do bolo para ela assoprar a chama da pequena vela que tínhamos acendido.

Logo Elika pula dos braços do pai e corre para abraçar as outras crianças, todos querem abraçar minha menina. Haymitch tem que brigar com Johanna para ver quem vai dar o primeiro abraço. E ela continua a brigar com ele dizendo que " A madrinha tem prioridade!", meu antigo mentor apenas resmunga e diz que "Fui o mentor dos dois, tenho prioridade!". Entretanto, Annie e Finnick são mais rápidos e Elika fica presa em fortes abraços, a purpurina continua a sair de sua roupa e escuto Cinna dizer para Portia que o efeito foi melhor do que o imaginado, eles estão discutindo uma ideia recente sobre introduzir uma coleção infantil para a marca. Algo para mães e filhas.

O meu contrato de trabalho esta acabando, e ele quer que eu continue com eles por mais um ano. Estou ainda pensando na proposta. Eu não sei que quero ficar mais um ano na Capital, internamente eu sonho com tranquilidade para Elika e eu, nós duas felizes no Distrito Doze. Lá é meu lar e quero que seja o lar dela também. Se Elika continuar a viver essa loucura da Capital, ela nunca vai apreciar o sossego e a aconchego de um Distrito pequeno.

O bolo é cortado e Peeta começa a distribuir os fatias de bolo para as crianças e adultos, eu me afasto com Elika para abrir espaço.

Depois é a vez de nossa filha abrir os presentes de aniversário e tudo é feito por ela. Peeta fica próximo auxiliando nos embrulhos mais complicados. Elika ganha de tudo, quebra-cabeças novos e resistentes, bonecas belíssimas e roupas muito bonitas.

Tivemos um momento estranho quando Rodrick entregou um presente para a neta dizendo que era da avó dela.

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Peeta e eu congelamos no lugar, mas com tantas pessoas em volta eu apenas não podia arrancar o presente das mãos da minha filha. Dava para ver que Peeta queria fazer a mesma coisa, o seu rosto fechou quando ele olhou para o pai cheio de rancor.

– Minha vovó? — Perguntou Elika ao sorrir e abrir o embrulho grande. Minha pequena é inocente e não sabe dos crimes da avó. Peeta se aproximou mais de Elika e tentou tirar o embrulho das mãos da filha. — Vovó Lizbeth?

– Não. Foi sua avó Marrybell que mandou. — Rodrick disse sorrindo.

– O papai vai abrir depois. — Ele disse ao tentar tirar o embrulho das mãos de Elika.

– Não. — Elika disse ao segurar a caixa com mais força e lançar um olhar chateado para o pai. — Papai, é meu.

Peeta me lançou um olhar aflito e depois que eu acenei afirmativamente ele se afastou um pouco.

Elika abriu o embrulho com rapidez e ficou encantada com o vestido que tinha lá dentro.

Certamente era uma peça que custou muito caro. E minha filha olhava para o vestido nosso com os olhos brilhantes e um enorme sorriso no rosto.

– Olha que lindo, mamãe. Parece o vestido das princesas e das bailarinas. — Ela me disse ao me encarar feliz. Eu apenas estava com um sorriso congelado no rosto.

– Eu posso dizer para a sua avó que você gostou do vestido? — Perguntou Rodrick depois de se inclinar e beijar o topo da cabeça de Elika.

– Não esqueça de agradecer, Elika. — Ouvi a minha voz dizer muito mecanicamente.

– Obrigada vovô. Pode dizer sim, diz para a vovó que é lindo e é igual ao das bailarinas. — Elika disse sorrindo para o avô. Peeta estava com o mesmo sorriso congelado que eu.

Johanna trouxe para Elika sapatinhas que brilhavam a cada passo dela, o que fez Elika quase pirar de emoção. Finnick e Annie deram para Elika um pequeno aquário com peixes elétricos e artificiais que brilhavam cor de rosa, minha filha adorou o presente. Haymitch e Effie compraram para Elika uma coleção de tiaras de brilhantes. Eu quase cai para trás ao ver as joias verdadeiras brilhando dentro das caixas.

– Nunca é cedo demais para uma jovem dama ganhar suas primeiras joias. — Effie disse toda emocionada.

– É lindo titia, obrigada. — Disse Elika se levantando do lugar e indo abraçar a tia que tanto gostava. O que fez Effie ficar muito emocionada. Em seguida ela pulou nos braços de Haymitch.

–Amo você, titio Haymitch. — Elika disse ao beijar a bochecha do nosso velho mentor. Os olhos de Haymitch se encheram de lágrimas, e pela primeira vez na vida eu o vi ficar emocionado.

– Também amo você, coisinha. — Ele disse com sua voz embargada e depois de beijar a bochecha de Elika a colocou de volta no chão para ela continuar a abrir os presentes.

Os primos de Elika ficaram muito próximos a ela, os meninos pareciam verdadeiramente encantados com a nova prima deles, e a tratavam de forma muito doce. Era muito fofo vê-los seguindo ela para todos os cantos.

Os irmãos de Peeta e suas esposas, me trataram muito bem. Eram pessoas reservadas.

Quando enfim o aniversário chega ao seu fim, já era inicio da noite. Peeta e eu estávamos acabados, a casa estava uma bagunça. Elika ainda estava muito hiperativa pelo dia que teve e estava sentada em um canto da sala. Todos já foram tinham ido embora e Peeta e eu estamos nos despedindo dos últimos convidados.

Haymitch, Effie e Johanna. O nosso antigo mentor se ofereceu para levá-la até o Hotel onde ela esta hospedada e minha amiga aceitou.

– Tem certeza que não quer que eu te leve? — Peeta pergunta para Johanna.

– Não, eu posso levá-la. Apenas cuidam da minha menina, e obrigado pelo dia. — Haymitch disse ao me olhar.

– Sim, sim, sim. Esse dia foi tão bom. Quando as fotos forem reveladas eu quero algumas. — Effie diz animada ao sorrir. Essa mulher é tão bonita, fico imaginando como acabou se apaixonando por alguém tão rabugento igual ao Haymitch.

– Aproveitem a noite eu estou exausta, amanhã de tarde eu volto aqui para te ajudar com a bagunça, Katniss. — Johanna me diz ao me abraçar, mas quando ela me agarra, faz questão de sussurrar no meu ouvido. — Agarra ele, não seja idiota Katniss.

– Boa noite, Johanna. Nos vemos amanhã. — Eu digo ao me soltar do nosso abraço, minhas bochechas estão vermelhas.

Logo em seguida é Haymitch que se inclina para me abraçar, algo muito incomum dele, já que Haymitch raramente abraça alguém.

– Eu vou ser o padrinho do próximo filho, ou as coisas vão ficar feias para o seu lado. — Ele me sussurra no ouvido. Depois de solta e vai abraçar Peeta.

Vejo o pai da minha filha sorrir descarado, e sei que Haymitch esta dizendo a mesma coisa para ele.

– Pode deixar. Você vai ser sim, eu prometo. — Peeta o responde rindo abertamente.

E então estamos sozinhos. Apenas Peeta, nossa filha e eu.

Quando fechamos a porta eu não posso deixar de dar um suspiro cansado. Esse dia foi muito cansativo, tanto fisicamente, quanto emocionalmente. A primeira coisa que faço e tirar os salto altos e os encostar em qualquer canto.

Depois de um pouco de insistência eu consigo fazer Elika ir tomar banho, fico com ela no banheiro ajudando no que é preciso, ou minha pequena apenas brinca com a água e não toma o banho direito. Escuto Peeta mexendo nas coisas no andar de baixo e quase posso vê-lo já arrumando a bagunça que ficou na sala de estar.

O que vou fazer hoje, a minha nova decisão, vai mudar tudo entre nós dois. Mas, talvez nada mude, talvez dessa vez eu possa controlar tudo. Penso.

Elika não demora em terminar o seu banho e logo depois de enxugá-la eu a encaminho enrolada em uma toalha para o quarto. Já é tarde, e Elika tem que se trocar e ir dormir, ela esta acordada desde muito cedo e nem tirou um cochilo durante a tarde. Em seus olhos azuis eu posso ver o cansaço, mas ela é teimosa e quer continuar a brincar. O que eu não vou deixar. Não hoje, pelo menos. Então eu permito que ela vá buscar os seus presentes novos na sala e traga todos para o seu quarto.

Ela faz algumas viagens, mas enfim consegue trazer tudo o que ganhou, eu pego as tiaras de brilhantes de suas mãos e as guardo dentro do seu guarda-roupas, não a quero brincando com algo tão caro. As roupas que ela ganhou, incluindo o vestido dado pela avó, eu apenas dobro e coloco em cima de uma cadeira, deixo que ela fique apenas com os brinquedos na cama.

O quarto pequeno dela já é abarrotado de brinquedos, culpa do pai que não sabe se controlar. E agora ela tem muitos outros para acrescentar a sua grande pilha.

Deixo Elika no quarto e vou até a cozinha beber um copo de água, encontro Peeta na sala, tentando organizar o maior da bagunça. Ele começa a tirar pacotes de embrulhos de cima do sofá, e pratos e talheres de cima dos móveis.

– Elika já dormiu? — Ele pergunta ao me encarar.

– Não. — Eu respondo ao cruzar os meus braços. — É melhor deixar essa bagunça para depois, amanhã nós arrumamos tudo.

– Tenho que arrumar algumas coisas, o sofá esta uma bagunça. — Peeta me diz distraído, ele não esta olhando para mim, e sim encarando a sala e tentando descobrir por onde começar.

– Escute. — Eu começo a dizer e meu coração dispara dentro do peito, é agora ou nunca. — Não tem como você dormir nessa bagunça, você não vai conseguir. Por que não sobe as suas coisas e dorme no meu quarto?

Existe um momento de silêncio quando Peeta congela no lugar me encarando firmemente. Seus olhos azuis queimam nos meus.

– Tem certeza? — Ele pergunta com a voz grossa.

– Sim, eu tenho. — Respondo não tão firme. — Eu tenho que colocar Elika para dormir, porque você não larga tudo aqui embaixo, toma o seu banho primeiro, eu tomo banho depois de você. E você pode já ir ajeitando o quarto.

– Ok, Katniss. — Ele me responde, mas não sai do lugar, apenas fica me encarando.

– Eu vou beber água. — Desconverso quando me sinto ficar envergonhada. O que será que ele deve estar pensando agora? Será que me acha muito fácil por apenas o convidar para a minha cama? Será que eu fiz o certo?

Quando eu volto para a sala, ele apenas não esta mais lá. Logo eu posso ouvir o barulho do chuveiro sendo ligado o que faz o meu coração disparar, no mesmo instante sinto as minhas pernas tremerem. Estou queimando de antecipação.

Ainda enrolo um pouco fechando janelas, trancando as portar e desligando as luzes. Verifico se toda a comida que sobrou esta na geladeira. Acho que essa foi a primeira coisa que Peeta fez, quando eu estava dando banho em Elika. Depois de tudo isso feito eu apenas subo para o quarto de minha filha.

Aproveito para diminuir as luzes do quarto fazendo com que ela deite ao meu lado na pequena cama. Tenho que dividir o espaço com várias bonecas e ursinhos, mas não me incomodo. Tudo isso faz Elika feliz, então eu fico feliz por ela.

– Eu estou com sono, mamãe. — Elika me diz ao se aconchegar mais perto de onde eu estou. — Eu adorei o meu aniversário, posso fazer aniversário amanhã também?

– Vamos ver, talvez seja possível. — Eu digo depois de rir e começar a alisar os cabelos da minha filha. Ela fica me encarando e sorri feliz.

Ficamos assim por algum tempo, eu começo a contar uma história para Elika dormir, mas mesmo com sono ela ainda esta muito agitada para dormir. Quando Peeta entra no quarto dela já de banho tomado e vestido em seu habitual pijama azul eu entendo o porque.

Ela não quer dormir até ganhar um beijo de boa noite do pai.

– Vim dar boa noite para o meu passarinho. — Ele diz eu se sentar na beirada da cama e se inclinar para Elika. Peeta deposita vários beijos em seu rosto infantil o que a faz gargalhar feliz. — Boa noite filha, amo você.

– Boa noite papai, amo você também. — Elika diz ao fazer um carinho no rosto de Peeta, depois ela o solta e volta a se aconchegar perto de mim.

– Vejo você no quarto, Katniss. — Ele me diz, e sua voz esta cheia de sentimentos.

Eu não digo nada apenas me aconchego a Elika e continuo a contar a história para fazê-la dormir. Parece mágica, mas poucos minutos depois Elika esta profundamente adormecida, eu ainda espero alguns minutos para deixar a cama dela e tenho que fazer um verdadeiro malabarismo para sair da espaço pequeno sem acordá-la. Eu ascendo o pequeno abajur perto da cama dela e ligo o aparelho de som com melodias suaves e baixas, não quero acordá-la, mas se Elika acordar a noite ela não vai se sentir assustada ao ver a sua porta fechada e sozinha no escuro. De jeito nenhum, ela vai ter uma fonte de luz próximo a ela e música infantil que ela gosta de ouvir, mas dessa vez a porta de seu quarto vai ficar fechada.

Não tenho coragem de ir até o quarto, na verdade não sei se vou sair de lá se eu entrar, então eu apenas vou direto para o banheiro. Quando me tranco dentro dele, eu noto que Peeta deixou minha camisola branca de algodão dobrada próximo a pia do banheiro, junto com uma calcinha confortável. Acho graça ao saber que ele andou mexendo na minha gaveta de calcinhas.

Não levo mais do que o habitual na minha higiene, verifico se estou devidamente depilada e com os dentes bem escovados, não vejo necessidade em lavar o meu cabelo, ele esta limpo. Faço a hidratação do meu corpo ali mesmo, e me visto o mais rápido que posso.

Existe uma antecipação dentro do meu peito, algo que já estava queimando há alguns dias, mas que agora eu me permito sentir. E me sinto arrepiar de desejo pelo que vai acontecer. De última hora eu decido deixar o meu cabelo solto, o meu pente esta dentro do quarto então eu não teria como pentear as longas mechas.

Quando eu saio do banheiro eu ainda passo rapidamente no quarto de Elika, apenas para verificar se tudo continua bem, quando estou satisfeita com o que vejo eu volto a fechar a porta de seu quarto e lentamente me encaminho para o meu quarto.

Assim que entro no lugar os meus olhos são puxados para onde Peeta esta sentado. Os seus olhos azuis passeiam pelo meu corpo o que faz com que eu me arrepie inteira.

Dou mais alguns passos para dentro do quarto e fecho a porta atrás de nós, lentamente passo a tranca pela porta, não quero que Elika entre aqui e nos pegue em nada improprio para a idade dela.

Depois eu me encosto na porta e cruzo os meus braços atrás das costas, eu o olho e respiro forte.

– Não sei como começar isso, Peeta. — Me escuto dizer.

– Eu sei. — Ele diz ao se levantar e vir na minha direção.

Eu apenas me mantenho firme quando o sinto passar os braços envolta do meu corpo, seus lábios caírem de encontro aos meus. Aproveito o momento igual a uma pessoa sedenta de seda ao encontrar um oásis em um deserto. É assim que me sinto agora. Sedenta de paixão por esse homem.

Quando as mãos dele estão em meu corpo eu apenas não posso negar a sensação forte que invade o meu peito, a sensação de estar de volta no lar, a sensação de pertencer. As mãos de Peeta apertam a minha cintura quando a língua dele invade a minha boca.

E de repente estamos em um velho e sensual duelo de línguas em nosso beijo. Eu bem que tento, mas não posso deixar de gemer quando noto que Peeta esta dominando a situação entre nós dois, lentamente eu me transformo em liquido quente em suas mãos e passo a gemer muito mais entregue.

– Quieta, Katniss. Não podemos fazer barulhos altos ou vamos acordar Elika. — Peeta me diz ao me puxar para a cama, eu nem tinha percebido que estava fazendo barulhos altos. — Eu gosto tanto de ouvir você gemer é a minha melodia preferida, principalmente quando eu estou dentro de você. Mas, hoje nós temos que ser silenciosos.

Eu balanço a minha cabeça afirmativamente, entretanto não tenho uma noção exata se vou poder me controlar. Eu perco o juízo quando Peeta me toca. Essa vai ser a primeira vez em quase cinco anos que nós dois vamos para a cama juntos.

Meu corpo estremece de saudade de sentir o corpo dele. Sinto o meu ventre contrair forte quando o imagino dentro de mim, sei sem nem precisar me tocar que estou molhada e necessitada dele.

Quero-o nu. É tudo o que sei. Por isso, quando Peeta me deita na cama e se deita ao meu lado, seu corpo parcialmente em cima do meu, eu apenas passo as minhas mãos por dentro da camisa azul do pijama dele e puxo-a para cima, faço questão de fazer isso passando as minhas unhas pelas costas dele.

Para o meu contentamento Peeta geme no meu pescoço e contrai o quadril no meu.

– Quieto, Peeta. Não podemos fazer barulhos. — Eu digo ao me vingar dele. Eu posso ser barulhenta na cama, mas ele também é.

Eu o sinto rir gostosamente no meu pescoço.

– Usando as minhas palavras contra mim. Eu gosto disso. — Ele me diz ao lamber a minha mandíbula, depois vai descendo os seus lábios até a pele exposta do meu pescoço e sua barba rala risca a minha pele, deixando um rastro de fogo por onde passa. Ele começa a chupar o meu pescoço e eu inclino a minha cabeça para trás, dando mais espaço para ele explorar, tenho que morder o meu lábio inferior com força para não gemer alto.

Consigo um momento para tirar a camiseta dele, Peeta resmunga por ter que se afastar um instante, mas logo volta a grudar a lateral do meu corpo no meu. Eu jogo a peça de roupa em qualquer lugar, depois grudo os meus braços em volta das costas dele.

A sensação dos lábios, da língua dele no meu pescoço é tão boa que eu sinto a minha vagina contrair desejosa por ser preenchida, eu preciso dele dentro dela, eu preciso sentir o pênis dele me alargando, me tomando com força.

– Por favor, Peeta. — Eu começo a pedir, na verdade é mais um gemido que um pedido, mas não consigo me controlar, nós mal começamos e eu já estou enlouquecendo de tesão por ele. — Eu preciso...

Não consigo terminar de falar pois os lábios dele abandonam o meu pescoço e ele toma a minha boca mais uma vez. Peeta parece um desesperado pelos meus beijos, se a minha necessidade por ele esta desesperada, a dele parece que vai destruir tudo pela frente. Nós dois não conseguiríamos parar nesse momento.

Uma das mãos dele começam a descer a alça da minha camisola. E eu o ajudo a tirar a parte de cima da minha camisola, os meus seios estão pesados e doloridos de desejo, meus mamilos estão eriçados de vontade de ter as mãos de Peeta sobre eles.

Peeta não me decepciona ao apertar os meus seios expostos com as suas mãos, ele massageia os meus seios e eu gemo em sua boca, a sensação é gostosa demais para eu apenas segurar dentro de mim, e quando eu o sinto beliscar os meus mamilos uma e outra vez, a sensação vai direto para o meu clitóris e eu apenas não posso evitar de esfregar o meu quadril no dele.

Sinto a sua ereção na minha coxa, ele ainda esta usando a calça do pijama, mas isso não me impede de senti-lo quente e duro por mim.

– Eu sei do que você precisa, Katniss. Eu também preciso. — Ele sussurra em meus lábios, as pupilas de seus olhos estão dilatadas de desejo e ele mantém um sorriso muito safado no rosto.

Seus lábios vão até os meus seios e ele começa e me chupar de forma muito gostosa. Minhas mãos exploram qualquer parte dele que eu tenha acesso, a pele de Peeta esta pegando fogo e eu sei que a minha também esta assim. Ele se amamente em mim com muita delicadeza, agora eu não posso controlar de jeito nenhum o vai e vem que o meu quadril faz procurando o dele.

– Vamos tirar isso de você. — Ele me diz quando sem nem esperar por minha reação apenas me pega e começa a puxar a minha camisola para fora do meu corpo, seus olhos queimam na minha pele, e eu me arrepio a todo o momento. Não sei onde ele jogou a camisola, apenas sei que não me importo nem um pouco.

A mão de Peeta cobre a minha calcinha e eu sinto os seus dedos pressionando a minha entrada.

– Você esta encharcada, Katniss. Molhadinha para mim. — Ele diz e noto que a sua voz esta mais grossa que antes. Não consigo controlar o meu quadril quando apenas o ondula na mão dele, a sensação dele tomando o meu clitóris é muito boa mesmo eu ainda estando de calcinha. Eu abro as minhas pernas para dar mais espaço para a sua exploração, mas Peeta apenas tira a sua mão do meu sexo. — Isso tem que sair, amor.

E mais uma vez ele não espera a minha reação, apenas segura nas laterais da minha calcinha e puxa a pequena peça de roupa para fora do meu corpo.

– Estou tão faminto, Katniss. — Peeta me diz ao segurar em minhas coxas e abrir a minhas pernas, estou tão ligada, tão cheia de desejo que nem tenho tempo para ficar envergonhada. — Quero tanto sentir o seu gosto novamente na minha boca, você é muito doce, suculenta...

Ele me lança um último olhar antes de se inclinar e colocar a boca no meu sexo quente. Uso uma de minhas mãos para cobrir a minha boca quando gemo alto.
Peeta apenas segura as minhas coxas abertas enquanto devora a minha vagina com lambidas firmes, dando uma atenção especial ao meu clitóris com movimentos circulares e rápidos. Fico ainda mais ligada quando o escuto gemer de prazer.

Os seus dedos começam a me foder lentamente, o que contrasta com a rapidez da sua língua na minha carne. Uma de minhas mãos vai até os cabelos dele e eu aperto as madeixas loiras em minha mão. Começo a movimentar o meu quadril na boca dele, o que o faz gemer mais uma vez. Logo sinto que ele esta com dois dedos dentro no meu corpo.

A adrenalina queima em meu cérebro enquanto ondas e ondas de prazer viajam através do meu corpo. Sinto um orgasmo longo e brutal se formar e me lanço em cima dessa sensação com tudo o que tenho.

Logo o meu corpo é tomado por espasmos languidos e eu cavalgo no prazer sem vergonha nenhuma. Nunca tive um orgasmo assim antes, minha mente chega a se desligar por alguns instantes e eu me vejo estou mergulhada em uma luz profunda e quente. Um nome se repete em meus lábios, uma e outra vez.

– Peeta, Peeta, Peeta...- É tudo o que eu consigo dizer agora. O nome dele é o bote salva-vidas onde eu me seguro para não morrer de prazer.

Mantenho os meus olhos fechados e estou tão mole que não poderia me mover nem se quisesse. Mas, abro os meus olhos quando sinto ele me puxar para o meio da cama. Nem vi quando ele tirou a calça do pijama, mas ele esta sem ela agora e olhar para o seu corpo masculino faz com que os meus batimentos cardíacos acelerem mais uma vez. Seu pênis é magnifico e esta apontado diretamente para mim.

Peeta esta ajoelhado entre as minhas coxas abertas e me olha cheio de fome. Eu não consigo deixar de encarar a sua ereção e me sinto faminta quando me imagino lambendo-o ali. Em poucos segundos eu descido que quero chupá-lo, quero que ele chegue ao máximo do prazer em minha boca.

Eu lambo os meus lábios e já começo a me ajeitar para ir realizar o meu desejo, mas Peeta me barra ao me fazer deitar mais uma vez.

– Não, Katniss. Eu sei o que você quer, mas se você me chupar eu não vou durar um minuto sequer. — Seus olhos azuis estão brilhando de desejo e diversão. — Depois eu deixo você fazer isso, eu prometo. Agora eu quero que você me olhe quando eu entrar em você. Você vai fazer isso Katniss, vai manter os seus olhos nos meus, e eu vou beber todos os seus gemidos.

Eu apenas aceno afirmativamente, quando puxo Peeta pelo pescoço e ataco a sua boca com a minha, sinto em seus lábios o gosto do meu orgasmo e isso faz com que eu gema forte.

Peeta ajeita o nossa corpo na cama e puxa as minhas coxas para as laterais do meu corpo, estou totalmente aberta para ele e não estou envergonhada por isso. Da forma que prometi eu mantenho os meus olhos nos dele, com Peeta segurando as minhas coxas abertas eu mal posso me mover para parte alguma.

Aos poucos eu o sinto entrar dentro de mim, ele esta tão excitado que nem precisa guiar o pênis para dentro da minha abertura, o seu pênis apenas encontrou o seu caminho para dentro de mim e ele força o seu corpo muito lentamente para baixo, é torturante o sentir entrar tão devagar, eu o quero profundamente dentro, quero que estejamos completamente encaixados, mas Peeta vai no seu próprio ritmo.

Os olhos azuis dele estão presos nos meus, acho que ele desfruta das minhas expressões de prazer.

– Peeta, mais...- Eu peço ao engolir um gemido.

– Assim? — Ele me diz quando se retira quase que inteiramente de dentro de mim, voltando depois para estocar com força.

– Oh, sim, sim...desse jeito...mais, mais...

– Tudo o que você quiser, amor. — Ele me diz ao começar a me penetrar em uma vai-e-vem repetido e delicioso, sua boca cai na minha enquanto ele realmente bebe todos os meus gemidos, eu também bebo os gemidos dele.

Gosto muito quando ele se movimenta mais intensamente dentro do meu sexo. Seu ereção esta estirando todos os meus músculos internos, o prazer é tão bom que quase doí. Quando sinto que ele já está todo dentro de mim, os nossos movimentos ficam ainda mais desesperados e rápidos. Peeta solta as minhas coxas e eu faço com que elas o abracem e o segurem preso no meu corpo, agora que ele me soltou o meu próprio quadril começa a se mover. Aproveito para forçar um rebolado bem entregue.

O corpo suado de Peeta cai sobre o meu me pressionando com força na cama, enquanto ele continua a me estocar quase que violentamente.

Minhas mãos estão grudadas em suas costas enquanto que eu o arranho sem parar, em uma momento eu desço as minhas mãos até a sua bunda segurando a carne firmemente, enquanto o puxo para mais dentro no meu corpo.

Sinto uma das mãos de Peeta massageando o meu seio, enquanto que a outra vai pousar no meu rosto me fazendo olhar para ele.

– Você é tão gostosa, Katniss. Eu estou te machucando? Quer mais fraco? — Dá para perceber que ele esta se concentrando muito para dizer essas palavras.

– Não. — Eu nego veementemente, ao afundar as minhas unhas na bunda dele forçando-o a me penetrar com mais força. — Mais forte, mais rápido...

Peeta praticamente grunhe ao atacar os meus lábios lançando-se no meu corpo igual a um maniaco. Seus lábios realmente engolem os meus gemidos, do contrario eu apenas estaria gritando a tolo os pulmões de prazer.

– Goza amor, goza para mim. — Peeta me diz quando solta os meus lábios.

E é isso o que faço, o seu pedido apenas vai para dentro de mim e me faz cair em um mar de prazer sem fim, meus músculos se contraem apertando-o e eu apenas estremeço nos braços de Peeta, uma e outra vez, parece que o meu orgasmo vai durar para sempre, eu enterro o meu rosto no peito de Peeta, estou ciente que somente isso abafa os meus gemidos de prazer.

Ainda estou estremecendo quando sinto Peeta se afundar em meu corpo com força, ele gruda o seu quadril no meu ao gozar enterrando o seu rosto no meu cabelo e praticamente urrando de prazer, o som também sai mais fraco do que seria de fato se ele não tivesse me usado para abafar o seu prazer.

Não sei quanto tempo levamos para nos acalmar, entretanto Peeta ainda esta estocando preguiçosamente dentro de mim quando nos encaramos. Um sorriso brilhante e satisfeito aparece em seus lábios e eu logo o acompanho, minhas mãos agora passeiam pela pele de suas costas, minhas pernas ainda o mantém preso ao meu corpo.

Acho que nunca estive tão relaxada em toda a minha vida, tudo o que eu sinto ao encará-lo são ondas fortes dessa laço estranho que nos une. Uma das mãos dele esta no meu cabelo, o seu carinho é tão bom que eu quero ronronar igual a uma gata.

– Eu estou te esmagando? — Pergunta ele já tentando levantar do meu corpo e indo deitar ao lado. Eu não permito que ele faça, apenas aperto as minhas pernas mais firmemente em volta do quadril dele o puxando de volta.

– Não, apenas fique. Eu gosto de ser esmagada por você. — Eu digo para convencê-lo a ficar, sua ereção ainda está dentro do meu sexo e eu não quero perder essa ligação.

Peeta ri e se aconchega no meu corpo quase que do mesmo jeito que nossa filha faz ao dormir, só que ele faz de uma forma muito erótica. Peeta deita a cabeça no meu peito e seus braços me apertam fortemente.

– Eu senti falta disso. — Eu o escuto dizer próximo ao meu pescoço.

– Do sexo? — Eu pergunto curiosa.

– Disso também. — Ele ri gostosamente o que faz com o que o meu corpo balance debaixo dele. — O que eu quero dizer é que eu senti falta da ligação que eu sinto no meu peito quando estou dentro de você.

E para comprovar o que ele estava falando ele apenas volta a me penetrar uma, duas, três vezes só parando quando me escuta gemer. E eu entendo o que ele quer dizer, eu também sinto essa ligação e não é a coisa física em si, é algo muito maior que isso.

Quando eu vou passar as mãos pelos cabelos dele eu apenas noto um cor estranha no ponta das minhas unhas, ao aproximar as minhas unhas nos meus olhos eu vejo que é sangue.

– Peeta! — Eu exclamo assustada ao tentar me levantar e o afastar de meu corpo, ele permite depois de muita insistência da minha parte. — Me deixe levantar, eu quero ver uma coisa.

Quando nós dois enfim estamos livres do abraço apertado, eu apenas se sento na cama e o faço se sentar também, ele me olha curioso, porém não reclama quando eu vou para trás dele examinando as suas costas.

Tenho que colocar as mãos na boca com o que vejo.

– Desculpe. — Eu peço alarmada ao encarar os diversos aranhões nas costas brancas dele, as diversas faixas vermelhas que eu fiz com as minhas unhas, algumas ainda com as marcas de sangue agora quase seco. — Você não esta com dor? Eu acabei com as suas costas, sinto muito.

– Não foi nada, Katniss. Eu sinto apenas uma ardência gostosa. — Ele me diz ao passar os seus braços pela minha cintura me puxando para a sua frente, o que não foi um alivio já que ao olhar para o seu peito eu vi a marca da mordida que eu dei.

– Oh, eu te mordi. — Meus olhos estão assustados quando eu olho para ele, nem notei que tinha feito isso. Mas, lá esta. No peito dele, marcas de avermelhadas de uma mordida minha. — Desculpe, esta doendo? Eu vou na cozinha pegar gelo e uma pomada...

– Nem pensar, você não vai sair tão cedo dessa cama. — Peeta me diz ao olhar para a marca que eu deixei nele e sorrir. — Quando você fez isso me fez gozar, ok? Foi uma delicia sentir você gozando forte para mim. Agora nada de resmungar, eu quero você mais uma vez...

As palavras dele me fazem ficar vermelha, o meu coração pula dentro do peito.

– Por mais um orgasmo igual ao que você me deu, eu deixo você me arrancar um pedaço. — Fala ele todo safado, o que me faz ficar ainda mais vermelha.- E eu também não foi tão gentil. Coloquei alguns chupões no seu pescoço e meus dedos marcaram as suas coxas, desculpe por isso. Eu não percebi que tinha que pegado tão forte.

Eu olhei para as minhas coxas pálidas e vi as pequenas marcas roxas onde as mãos de Peeta tinham me segurado, não é nada que eu sinta agora, na verdade nem doí, mas eu não notei nada disso quando ele estava dentro de mim.

– Acho que nós nos empolgamos um pouco. — Eu digo ao senti-lo me puxar para mais perto de seu corpo.

– Eu quero me empolgar mais uma vez. — Peeta me diz ao me beijar no rosto e levar uma de suas mãos até o meu sexo, ele começa a me fazer uma massagem bem lenta, não posso deixar de ofegar mais uma vez, não quando sou tomada por novas ondas de prazer no meu meu corpo. — Vem cá, Katniss. Deita comigo...

E eu faço o que ele me pede com o meu coração trovejando dentro do peito. Minhas mãos vão até os seus ombros enquanto eu puxo o seu corpo para o meu, seus lábios tocam os meus e eu deixo de pensar e passo apenas a sentir.

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Nota da autora: Peeta no aniversário de Elika.

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Notas finais
Aconteceu... É TETRA! É TETRA! Uiuiui, esses dois ainda vão queimar uma cama. É o que eu acho. Será que o romance vai durar? Sei não heim. Gostaram? Por favor, me deixem saber... Obrigada pela leitura, até o próximo. Um grande abraço e até quinta =) https://www.facebook.com/diandra.santanalo