Amarras do Passado

13 Holding On And Letting Go - Ross Copperman


Notas iniciais
Olá pessoas, tudo bem? Estou de férias da faculdade =D Uhuuu Hoje eu gostaria de agradecer a AM, Graciele Santos e Gabriele Neves por todo o apoio que vocês me dão. Todas comentam assiduamente, e me motivam a escrever mais e mais. Vocês são INCRÍVEIS!! Muito obrigada =D SlytherinPrincess Muito obrigada por favoritar! Eu também sou Slytherin

Dias atuais

Peeta

"...It's everything you wanted, it's everything you don't
It's one door swinging open and one door swinging closed
Some prayers find an answer, Some prayers never know
We're holding on and letting go..."

Ross Copperman

***

— Você é tão inconsequente. — Gritou minha mãe. — Só pensa em seus próprios atos egoístas.

Odeio quando ela age assim, dessa forma tão brusca. Ela não me trata assim e nem costuma gritar comigo quando o meu pai esta por perto. Minha mãe espera nós estarmos sozinhos para despejar todos as suas frustrações.

Eu sou egoísta?

Me doí pensar coisas ruins da mulher que me pôs no mundo. Mas, a verdade é que não consigo suportá-la, ela é uma grande hipócrita.

— Você quer me ver ridicularizada pelas damas da Capital. — Gritava ela histérica. — Como pude ter um filho assim, tão inútil? Você não me traz alegria alguma.

Me levando do sofá e passo as mãos pelo meu cabelo, olho atentamente para a mulher que eu costumava chamar de mãe e sinto tanto ódio dela. Sinto tanta dor por ela ser da forma que é.

Uma mulher fria, que pensa apenas em si mesma e em atingir uma posição social de riqueza, ser considerada uma dama da Capital. Tudo o que ela consegue demonstrar para os outros é uma grande mentira, em seu mundo cheio de ostentação. Se eu, que sou seu filho, estou feliz? Pouco importa. Meus sentimentos não valem nada para ela. Minha mãe costuma traçar um plano e com isso ela brinca com nossas vidas. Minha vida e de meus irmãos, até mesmo o meu pai, como se fossemos peças de um jogo de xadrez.

Ela não é desagradável com você, a menos que você obedeça cegamente todos os desejos dela. E eu estou farto disso. Farto de ser uma marionete, uma peça no jogo dela.

E principalmente, eu estou farto de ser tratado como lixo por minha própria mãe.

— Por que você faz isso, Peeta Mellark? — Pergunta ela em sua histeria. — Por que você destrói o futuro brilhante que eu lutei tanto para conseguir. Seu futuro brilhante.

— Você não entende. — Digo contento as minhas palavras. — Você é incapaz de entender qualquer coisa.

— Glimmer. Aquela garota maravilhosa, bem-nascida. Chorou durante horas nos meus braços, ontem. — Resmungou ela, e tenho certeza que ela não ouviu uma palavra do que eu disse. — Ela está tão triste, tão desolada. E por que? Por que o meu filho é um idiota. Me conta, por que você foi defender a "coisinha insignificante" na frente dela? Por que disse que não quer marcar a data do casamento?

Sinto o meu sangue ferver nas veias. Me insultar é uma coisa, pois já estou acostumado aos seus maus tratos desde criança. Porém, não vou admitir que ela fale mal de Katniss.

Ela nunca fala o nome de Katniss, e sempre a tratou como "coisinha insignificante". E isso sempre me deixou furioso.

Essa mulher não tem direito algum de falar de Katniss. Na verdade, ela já não tem o direito de se meter na minha vida há muitos anos. Talvez esteja na hora de eu relembrá-la disso. Já que eu tenho vinte e seis anos de idade.

— Já disse que não gosto quando você tenta se meter na minha vida. — Digo, estou a um passo de mandar ela para o inferno. — Não sou mais uma criança, não moro mais na sua casa, e há muito tempo tomo as minhas próprias decisões. Você vai ter que entender, mesmo que não goste, que o meu relacionamento com a Glimmer está destruído há muitos anos. Eu não a amo e não quero me casar com ela.

Nesse momento minha mãe foi mais rápida do que eu esperava, e logo sinto um tapa forte no meu rosto. Minha carne queima de dor. Mas eu não desvio os meus olhos dos dela.

Tenho que morder a língua com força para não gritar com ela.

— Nunca mais diga isso, Peeta. — Diz ela, seus olhos castanhos brilhando de raiva. — Glimmer é a mulher ideal para você. Todos os seus irmãos fizeram bons casamentos. Você também tem que fazer, pelo nome da família. É melhor você me obedecer ou pode esquecer que é meu filho.

— Você deixou de ser a minha mãe há muitos anos. — Retruco para ela, sinto o meu corpo todo tremer de ódio contido. — Fique bem longe de mim.

Dou as costas para ela e vou em direção da porta da sala de estar, antes de sair da sala me volto para ela uma última vez e encaro a mulher cruel, egoísta e histérica que diz ser minha mãe.

— Você ao menos sabe o que a palavra mãe significa? — Pergunto para ela, minha voz cheia de rancor.

Ela não me responde, mas me encara com olhos cheios de decepção.

Saio da casa dos meus pais, sem pensar duas vezes. Sem demora e sem notar o caminho que fiz eu chego em meu carro e entro com pressa. Dirijo sem destino por algum tempo, meus olhos focados na estrada.

Por fim eu decido voltar para o meu apartamento. Eu não precisava pensar muito nas minhas próximas decisões. Cometi muitos erros na minha vida, e permiti que Katniss escapasse entre os meus dedos, ela sumiu como os tordos que tanto amava, foi para não voltar.

E eu? Insisti em um relacionamento com Glimmer, sabendo que eu não a amava. Deixando-a acreditar que em um futuro eu me casaria com ela.

Mas, agora eu entendo que não quero e não mereço me casar sem amor. Ajuda do meu pai, tenho que admitir. E o mais importante, Glimmer merece se casar com alguém que a ame de verdade, que a queira de todo o coração.

Eu não sou essa pessoa.

E essa mentira que chamamos por tanto tempo de noivado tinha que acabar o mais rápido possível.

Minha cabeça estava tão cheia que nem notei que já tinha chegado no prédio onde morava, já tinha estacionado e estava no elevador, subindo para o meu apartamento. Será que Glimmer estará lá?

Será que estará me esperando?

Entrei em meu apartamento e encontrei uma cena que eu nunca achei ser possível.

Glimmer, minha suposta noiva e Marvel, o melhor amigo dela, estavam entrelaçados um no outro no meu sofá. Na minha sala de estar. Ambos em um beijo ardente.

Pelo que posso ver uma das mãos dele está dentro do sutiã dela, enquanto Glimmer estava tentando tirar o cinto das calças dele.

Assim que eles escutam eu fechar a porta atrás de mim, eles se separam assustados.

— Peeta. — Grita Glimmer afoita. — Não é nada disso que você está pensando.

Eu apenas ri alto, um riso meio maluco, mas extremamente divertido. Eu poderia sentir raiva, ódio, frustração, ou até tristeza. Entretanto, nesse momento eu sinto apenas alívio de vê-la com Marvel. Mesmo assim não vou deixar de dizer algo óbvio.

— Isso até poderia ser verdade se você não estivesse com a mão no cinto dele e ele não estivesse segurando os seus seios.

Glimmer praticamente pula do colo de Marvel, seu rosto vermelho de constrangimento enquanto ajeita os botões abertos de sua blusa.

— Sinto muito. — Começou ela, porém eu logo a cortei, nesse momento não me sinto tentado a ouvir suas desculpas mentirosas.

— Todos esses anos você jogou Katniss na minha cara, e enquanto isso você estava com Marvel? — Pergunto ácido. — Você é inacreditável, Glimmer.

— É mentira. — Gritou ela em resposta, seu rosto se enchendo de indignação. — Essa é a primeira vez que ficamos juntos. E é tudo culpa sua, Peeta. Sabe há quanto tempo você não me toca?

— Isso deveria justificar a sua traição? — Pergunto mais ácido ainda, e a sonoridade da minha voz surpreende a mim mesmo por estar tão fria e sem sentimentos. Mas, faço questão de manter um sorriso de escarne-o no rosto.

É claro que estarmos afastados não justifica a sua traição. Entretanto, não quero mais brigar com Glimmer, estou farto de brigar com ela o tempo todo.

E a sensação de alívio ao vê-la com Marvel ainda é muito boa no meu peito.

Não posso deixar de admitir que ela está certa em uma coisa. Faz muito tempo que eu não a toco. Mal posso lembrar da última vez em que transamos, nos beijamos, ou simplesmente nos abraçamos.

Quando dormimos juntos, é literalmente o que fazemos. Dormir.

Somos um casal apenas pelas alianças de noivado que usamos, e na frente de nossos familiares. Mas, verdadeiramente, não somos um casal há muito tempo.

Não é culpa dela ou minha, nosso relacionamento apenas morreu. E ela tem o direito de procurar carinho e afeição em outra pessoa, já que não estou disposto a dar isso a ela. Eu mesmo estaria nos braços de outra se pudesse.

Está bem! Penso. Outra qualquer não, eu estaria nos braços de uma morena de olhos cinzentos.

Porém, essa morena está muito longe. Inalcançável em algum distrito de Panem.

Suspiro ao passar as mãos pelo rosto.

— Não quero discutir com você Glimmer. — Digo a ela verdadeiramente cansado. — Não posso suportar mais nenhuma briga. Eu vim te procurar, porque hoje a tarde eu tomei uma decisão muito importante, e foi antes mesmo de ver tudo isso... — Aponto para ela e Marvel. — Nós não devemos continuar juntos. Não quero manter um noivado de mentira, cheio de ressentimento e tristeza. Isso acaba hoje Glimmer, nosso noivado não existe mais. Eu deixo você livre para fazer o que quiser.

Olho para Glimmer e seus olhos assombrados, cheios de lágrimas. Depois olho para Marvel, ele ainda está sentado no sofá, seu rosto impassível, sem expressão alguma, seus olhos presos nela.

Ótimo. Penso aliviado. Eu não a amo, mas ele a ama. Ela ficará bem.

— Eu vou passar amanhã para pegar as minhas coisas. — Digo sem esperar nenhuma resposta dela a nada do que eu disse. Me viro e estou terminando de fechar a porta atrás de mim quando algo bate com força nela e se estilhaça em um milhão de pedaços pelo chão. Glimmer jogou um vaso em mim.

— Você é um hipócrita, Peeta Mellark. — A ouço gritar. — Você está fazendo isso por aquela vagabunda, só porque ela voltou.

— Você está louca Glimmer. — Grito de volta e fecho a porta atrás de minhas costas.

Se Katniss voltasse para a Capital eu seria o primeiro a saber. Haymitch prometeu me contar se tivesse qualquer novidade dela. E depois da forma como ela foi tratada antes de ir embora? Nem em meus sonhos mais delirantes eu poderia acreditar nisso.

Glimmer quer apenas me atingir, me humilhar. Mas, não vou deixar que ela faça isso.

Entro no elevador do corredor e desço até o estacionamento. É engraçado, mas agora eu penso em Marvel, sentado em meu sofá. A única testemunha de meu fim com Glimmer.

Acabou. Penso e pela primeira vez me sinto feliz. Acabou.

Eu tenho que encontrar um lugar para ficar de agora em diante. Amanhã eu penso em como vou recuperar as minhas coisas do meu apartamento.

Droga. Penso irritado. Aquele apartamento é meu.

Mas não vou expulsar a Glimmer de lá, vou deixar que as coisas esfriem e depois vou pensar com calma o que vou fazer com aquele lugar.

Saiu do elevador e entro na garagem, caminho até o meu carro e antes de entrar nele, eu tiro a aliança de noivado do dedo e jogo no chão. Nunca mais quero ver esse pedaço de ouro na vida.

Entro no meu carro e dou a partida, saiu do lugar o mais rápido possível. Não faço a menor ideia de para onde eu vou, talvez eu ligue para Finnick ou Haymitch. Eu ainda não sei.

Decido vagar pela Capital durante algumas horas, e posso garantir que dentro do meu carro tudo parece mais fácil.

Olho distraído um Outdoor na rua, mais uma propaganda de alguma grife feminina e quase bato o meu carro. Meu cérebro entra em modo automático e só sei que os outros motoristas estão xingando e buzinando. Não consigo me importar com nenhum deles.

Estaciono o meu carro em um local proibido e logo saio de dentro dele. Sinto o meu corpo meio mole, meio elétrico.

Estou chocado com a imagem no Outdoor e sinto que estou feliz, estou com medo, estou triste, estou eufórico.

A modelo do Outdoor é nada mais, nada menos que Katniss Everdeen. A foto é muito bonita e não a como confundi-la com outra modelo, eu nunca a vi assim, tão sexy e confiante.

Na fotografia ela veste um maiô vermelho e uma jaqueta de couro, seu cabelo está preso em um coque arrojado na cabeça. Ela está sentada em uma campina, com o pôr do sol brilhando sobre ela.

Seu corpo é perfeito, todos as curvas maravilhosas de minhas lembranças dela estão lá. Mas são os seus olhos que mais me chamam a atenção.

Lá estão eles, os olhos cinzentos que me escravizaram. A mulher que mais amei, e aquela que eu perdi.

Katniss não sorri para a foto, seu rosto está seguro e ela está pegando fogo nesse Outdoor. Todos na Capital podem admirar a sua beleza agora.

Sem pensar, eu caminho até uma cabine de telefone próximo de onde estou. Disco o primeiro número que aparece na minha mente e espero a chamada ser completada. Em nenhum momento eu desgrudo os meus olhos da propaganda.

— Aló. — Atende uma voz grossa do outro lado da linha.

— Eu preciso me afogar em bebida. — Digo apenas.

O homem do outro lado da linha começa a rir.

— Então quer dizer que você já viu a propaganda? — Pergunta Haymitch sarcástico.

— Estou olhando para ela nesse exato momento. — Respondo depois de engolir em seco.

— Você demorou para ligar. O que aconteceu? Você desistiu dela, padeiro? — Pergunta ele ainda rindo. — Você sabe que deveria.

— A quanto tempo essa propagando está na Capital? — Pergunto irritado, como foi que eu não percebi isso antes?

— Uns dois dias. — Responde ele.

— Eu preciso me afogar em bebida, Haymitch. — Insisto para ele, se alguém sabe onde ela está, esse alguém é Haymitch.

— Vem para a minha casa, aqui conversamos melhor.

A ligação é desligada.

E corro para o meu carro.

Notas finais
Agora sim a história vai pegar fogo! Uhuuu Próximo capítulo na segunda. Eu estava pensado, na semana do Natal, postar um capítulo de presente para vocês. O que acham da ideia?