Amarras do Passado

14 A Drop In The Ocean - Ron Pope


Notas iniciais
Olá pessoas, me desculpem pela demora, o meu dia foi uma loucura e eu não tive tempo de postar mais cedo. :/ Na verdade eu não tive tempo nem de revisar, então me desculpem. Mah Black e Cupcake of pepper muito obrigada por favoritar. Muito obrigada por todo o carinho e pela compreensão. Eu acho que vocês vão gostar desse capítulo. Esse e os próximos serão todos na visão do Peeta., não é uma escolha minha, a história aparece assim na minha cabeça... Enfim, enjoy...

Passado

Peeta

"...A drop in the ocean, A change in the weather
I was praying that you and me
Might end up together
It's like wishing for rain, As I stand in the desert
But I'm holding you closer than most
'Cause you are my heaven..."

Ron Pope

***

— Achei que você não viria mais. — Gritou Finnick vindo ao meu encontro.

Me aproximei sorrindo.

— Demorei porque eu fiquei esperando a Glimmer decidir se viria ou não. A mãe dela tem alguma espécie de chá marcado com as matronas da Capital e queria que ela ficasse por lá. — Respondo ao caminhar na areia fofa da praia.

O calor que banhava tudo ao redor estava insuportavelmente delicioso, por isso respirei profundamente ao olhar em volta. Já fazia algum tempo que eu não vinha na praia.

— Onde está o pessoal? — Pergunto depois de cumprimentar Finnick com um toque de mão.

— Cato e Clove estão transando em algum lugar escondido, daqui a pouco eles aparecem. — Respondeu Finnick que estava usando uma roupa de surfista. — As sereias estão no mar, e Thresh está sentado embaixo de um guarda-sol tentando esconder uma ereção.

— Porque? — Pergunto inocente.

— Você vai ver, conquistador.

Conversamos mais algumas besteiras enquanto caminhamos até os nossos lugares na praia deserta.

Ainda bem que Finnick e Annie nasceram no Distrito Quatro, local onde estamos agora. É uma benção eles conhecerem as melhores praias, as mais paradisíacas longe de turistas e multidões.

Essa em particular, é uma das praias mais bonitas que eu já vi. A areia é branquinha e macia como as nuvens no céu, o mar tem um tom de água esverdeada e transparente, e grandes coqueiros davam ao lugar um ar de intocado.

Eu gostaria de estar com as minhas tintas e uma tela nesse exato momento para poder registrar esse lugar tão bonito.

Deixo a minha mochila cair na areia ao lado de algumas cadeiras de plástico abertas e vazias.

—Thresh. — Cumprimento-o com um toque de mão rápido e uma aceno.

Ele realmente está sentado com uma cara de poucos amigos enquanto olha fixamente para o mar. Uma grande garrafa de cerveja está aberta em suas mãos.

— Peeta. — Responde ele de forma automática.

Tiro a minha camisa e decido ficar só de bermuda. Mesmo usando uma sunga preta por baixo, eu não me sinto à vontade de tirar a bermuda e ficar só de sunga. Coisa de homem. Logo, pego em minha mochila o protetor solar que trouxe e começo a passar o conteúdo, gosmento e sem cheiro, nos meus braços.

— Para de ficar encarando o mar, você parece que nunca viu mulher. — Ouço Finnick ralhando com Thresh.

— Finnick, aquela mulher vai ser a minha destruição. Você viu que eu tentei. — Responde ele.

— É melhor você nem piscar para a minha Annie, ou eu te mato. — Finnick continua a dizer, depois de se sentar em uma das cadeiras reclináveis de plástico. Ele se inclina até uma caixa térmica grande no chão e retira de dentro outra garrafa de cerveja.- Corre para dentro da água gelada assim que elas voltarem. Eu não quero que a Annie olhe para o pau de ninguém, ela só pode olhar para o meu.

Devo estar realmente lento hoje, pois ainda não consigo entender de quem eles estão falando.

Quer dizer, Thresh tem uma tara em Katniss, mas ela me disse que não viria a esse passeio. Ela ficou na Capital para treinar com o arco.

Vou ter que pedir para alguém passar protetor solar nas minhas costas. Já que eu terminei de passá-lo nas partes do meu corpo que pude alcançar.

— Ai vem. — Disse Thresh ao se ajeitar na cadeira.

Olha para o mar e tenho que me controlar para não acabar igual ao Thresh, sentado em uma posição desconfortável tentando esconder uma ereção.

Annie saia do mar acompanhada da garota que vem perturbando as minhas noites de sono.

Katniss Everdeen.

Tive que lembrar de fechar a minha boca, pois sei que ela caiu aberta pela surpresa, quando a vejo se aproximar.

Ela sai do mar de forma tão sedutora que mal posso acreditar que o que eu estou vendo é de verdade.

Eu nunca a vi tão desnuda como agora. Usando apenas um biquíni branco, que contrasta com a sua pele dourada de sol. Passo a mão pela boca só para ter certeza que eu não estava babando, Sem poder me conter eu me imagino arrancando aquelas peças pequenas de tecido com os dentes.

Oh, sim! Penso. Agora sim eu estou fodido.

Glimmer não está aqui, e eu tenho que lidar com essa tentação? De jeito nenhum eu vou embora dessa praia sem beijar alguma parte dela antes. E sinto a minha boca salivar ao me imaginar lambendo a pele de Katniss. Talvez o pescoço, ou sua clavícula. Se ela me permitisse eu a provaria inteira, e passaria uma eternidade lambendo entre as suas pernas.

Finnick estava certo ao chamá-la de sereia, ela realmente é uma. Seus olhos cantam me seduzindo. Quase tenho um ataque cardíaco quando ela usa sua mão para afastar o cabelo molhado de seus ombros, e morde o lábio inferior.

— Vou morrer.- Diz Thresh passando as mãos pelo rosto, depois pega a sua garrafa de cerveja e toma longos goles ininterruptos.

Agora eu posso entender perfeitamente a sua agonia.

Kaniss com roupa é demais, e mesmo ela não notando, dá para perceber suas curvas. Eu mesmo, que fico com ela, já toquei e apertei diversas vezes essas curvas. Agora, ela sem roupa, usando apenas um biquíni pequeno, é um atentado a sanidade de qualquer homem.

Porra, eu tenho sangue quente nas veias.

Annie também tem um corpo muito bonito, mas não sinto a mesma atração avassaladora por ela. Ela é apenas uma garota bonita, que namora o meu melhor amigo.

Katniss tem algo ao redor dela, é como a gravidade que puxa a lua para o nosso planeta, e a mantém preso a ela. É assim que eu me sinto nesse momento.

Quero tocá-la, quero beijá-la, quero transar selvagemente com ela. E principalmente, eu quero que Thresh pare de olhá-la dessa forma.

Elas se aproximam rapidamente de onde estamos.

— Peeta. — Diz Katniss ao me encarar surpresa. — Eu não sabia que você vinha. Onde está Glimmer?

— Ela não veio. — Responde depois de tossir duas vezes. Minha voz estava presa na garganta pelo desejo que estou tentando reprimir. — Eu também não sabia que você vinha.

— Annie insistiu tanto que não pude recusar. — Respondeu sorrindo.

Sem poder me controlar eu deixo de olhar para os olhos dela e me concentro nas pequenas gotas de água salgada que estão escorrendo pela passagem entre os seus seios cheios, e outras gotas que descem pelas suas coxas.

Eu estou muito, muito fodido.

— Ele precisa de ajuda com o protetor solar. — Fala Finnick ao apontar para as minhas costas. — Esse branquelo vai ficar da cor de um camarão em dois minutos.

— Quer que eu te ajude? — Pergunta Katniss séria ao apontar para o frasco de protetor que eu tenho nas mãos.

Eu engulo seco ao imaginá-la com as mãos no meu corpo desse exato momento. Se eu disser que não, o pessoal vai achar estranho e pode até mesmo desconfiar de algo. Entretanto, se eu disser que sim, ela vai correr o risco de ser atacada por mim.

Não sei se tenho, nesse momento, a força de vontade necessária para não colocar as minhas mãos nela.

Principalmente por que faz mais de uma semana que nos beijamos pela última vez. Estávamos tão preocupados com as provas que não conseguimos achar tempo para nós encontrarmos. E, tenho que admitir que o meu corpo já está sentindo falta do dela, sete dias de saudade. A última coisa que eu preciso é Katniss seminua e molhada, me perguntando se podia passar protetor nas minhas costas.

Pensa rápido, idiota. Grito em pensamento. Ela está esperando uma resposta.

— Claro! — Respondo, quer dizer, o meu pênis responde por mim. Eu não sabia que era um masoquista.

Entrego o frasco pequeno para ela e me viro de costas para todos, acabo ficando de frente para o mar.

Tento manter uma postura tranquila e relaxada, enquanto sinto suas mãos macias espalhando o protetor solar nas minhas costas, ela faz uma leve massagem nos meus músculos e trinco os dentes para não gemer.

Sinto a minha pele queimar de prazer onde quer que ela toque.

E é quase uma dor isso.

Suas mãos descem de meus ombros e escapulas para a base da minha espinha, eu sinto as suas unhas entrarem um pouco na minha pele e eu sei que ela fez de propósito.

As vezes, quando nos empolgamos em nossas ficadas e Katniss está com suas mãos por dentro da minha camiseta, alisando as minhas costas, ela faz a mesma coisa que fez agora.

Ela crava as suas unhas na base da minha espinha, uma pequena dor, muito prazer. Como se quisesse me marcar.

Abruptamente começo a pensar nos Jogos Vorazes, o último aconteceu a mais de vinte e cinto anos atrás. Centenas de crianças inocentes, sendo obrigadas a lutar em arenas gigantescas.

Continuo a pensar no terror de ser selecionado para essa atrocidade. Tempos obscuros de morte e medo.

Pensar nisso me ajuda a controlar uma ereção.

— Pronto. — Fala ela ao ficar na minha frente e me devolver o frasco de protetor.

Envio para ela o meu melhor olhar de "você vai me pagar" e a danada parece se divertir com isso. Eu não conhecia esse lado de Katniss, mas eu gosto cada dia mais.

— Obrigado. — Respondo, minha voz é quase um grunhido. Em seguida olho para Finnick e vejo diversão profunda estampada em seu rosto.

Graças aos céus, que nesse momento, Clove a Cato decidem aparecer.

Ele está com um sorriso enorme no rosto. Com aquela expressão de quem acabou de transar.

Clove disfarça muito melhor que ele.

— Fala galera. — Grita ele ao se aproximar do nosso grupo. — Miss Carranca saiu do mar.

— Clove, controle o seu cachorrinho ou eu vou acertá-lo com uma de minhas flechas. — Grita Katniss divertida.

— Comporte-se Cato. — Dá para ouvir a Clove falando. — Ou eu não vou te levar para passear mais tarde.

Cato segura o rosto dela e a beija de forma estalada.

— O que eu não faço pela minha baixinha. — Afirma ele feliz.

Seus olhos zombeteiros logo me encontram.

— Conquistador! — Chama ele ao me encarar.

— Vai se foder, Cato. — Respondo.

O clima da tarde é muito agradável. Annie, Katniss e Clove estendem toalhas na areia e deitam para descansar sobre o sol.

Thresh e Cato foram tentar surfar, deixando Finnick e eu de olho nas garotas. Katniss distraidamente conversa com Clove, que estava bebericando uma lata de refrigerante, enquanto Annie passa protetor solar nas costas dela.

— Catnip. — Todos ouvimos alguém gritar. Nos viramos na mesma hora para ver quem se aproximava.

Eu olho para Katniss.

Ela abre um sorriso enorme e se levanta. Sem olhar para nenhum de nós ela corre em direção ao estranho que se aproximava.

— Gale. — Ouço-a gritar animada.

Finnick e eu nos entreolhamos e ele levanta os ombros em sinal de confusão.

As garotas olham curiosas para a cena.

Mais a frente, os dois se chocam em um abraço apertado. Todos podemos ouvir suas risadas altas pelo contentamento. Os braços do estranho rodeiam a cintura dela e ele a gira, fazendo com que seus pés saiam do chão, como uma menina.

O riso de Katniss é alto e feliz.

Em seguida eles se soltam e se encaram, ambos conversam em voz baixa e não conseguimos ouvir o que é dito. Tenho que fechar os meus punhos ao vê-lo tocar no rosto dela, depois ele alisa seus cabelos e volta a abraçá-la apertado.

O que diabos está acontecendo? Me pergunto em pensamento.

Eles se soltam logo depois e Katniss dirigi seu olhar para o nosso grupo e sorri, em seguida olha para o estranho e eles voltam a conversar.

— Quem é o panaca?- Ouço Thresh perguntar ao se aproximar pingando água do mar em todos nós. Com uma batida forte ele trava a prancha de surf na areia.

— Não sabemos. — Responde Finnick.

Neste momento o homem estranho pega-a em uma das mãos de Katniss e a faz girar na sua frente, ele deve ter comentado algo sujo para ela, pois em seguida ela dá um soco no braço do sujeito.

— Será que Katniss tem um namorado e nunca nos contou? — Pergunta Clove a ninguém em especial.

— Não. — Responde Annie me olhando. — Katniss não é assim.

Depois de mais algumas risadas, ela e o estranho se aproximam do grupo.

Quando eles estão bem próximos eu posso notar que o estranho é um armário. Enorme. De alguma forma ele até parece com Katniss. Ambos tem o mesmo tom de pele, de cabelo, até os mesmos olhos cinzentos.

Será que são parentes? Me pergunto. Katniss nunca me disse que tinha nenhum primo por ai.

Tento relaxar o meu corpo, mas não consigo. Estou tenso. Sei que é absurdo, mas não posso deixar de sentir ciúmes.

— Pessoal. — Katniss chama a atenção de todos, suas bochechas estão rosadas e seus olhos brilham de felicidade. — Eu quero apresentar para vocês um amigo meu. Gale, esses são Finnick, Annie, Thresh, Clove, Cato e Peeta.

Conforme ela vai nos apresentando, ela ia apontando para cada um depois de dizer o nome.

—Pessoal, esse é o Gale.

— Olá. — Diz ele, sua voz grossa e um sorriso divertido na face. — É um prazer conhecê-los.

— O prazer é nosso. — Diz Annie com um sorriso educado.

— É isso mesmo, cara. — Fala Cato. — Puxa uma cadeira e se senta.

A turma o cumprimenta amigavelmente. Eu apenas aceno com a cabeça. Não posso deixar de notar que uma das mãos desse homem está nas costas de Katniss. E isso não ajuda nada a aliviar o meu ciúme.

— Vocês são amigos de onde? — Thresh pergunta sondando. Ele também deve estar bem incomodado com a presença desse novo convidado.

— Nós crescemos juntos no Distrito Doze. — Responde Gale apontando uma cadeira de praia para Katniss se sentar. Ela faz cara feia, mas o obedece.

Imediatamente, ele deixa sua mochila grande cair na areia e depois se senta aos pés de Katniss.

Observo irritado quando ela inclina o corpo mais para perto dele, parece estar muito contente em tê-lo por perto.

— Somos companheiros de caçadas, não é mesmo Catnip? — Pergunta ele, olhando-a feliz.

— Eu sou melhor em caçar do que você. — Responde ela zombando dele.

— Não é não. — Responde Gale com rapidez, seu rosto se enche de falsa indignação. — Você pode ser melhor com o arco. Mas eu sou melhor em armadilhas.

— Eu sou mais rápida e escalo melhor. — Alfineta Katniss.

— Eu sou mais forte e melhor em seguir rastros. — Retruca ele entrando no jogo dela.

— Você tem os pés pesados. — Fala ela como se fosse uma ofensa.

Nesse momento a expressão de Gale se enche de ultraje.

— Isso é mentira. — Seus olhos estão presos nos dela, e eu posso ver o desejo dele por ela, está bem escondido, mas lá está. — Retire o que disse Catnip.

— Catnip? — Pergunta Finnick divertido.

— É o apelido estúpido que ele me deu anos atrás. — Responde ela.

Catnip é um apelido idiota. E decido que não gosto desse cara.

— Não é estúpido coisa nenhuma. — Retruca Gale, fingindo estar mortalmente ofendido. — Na primeira vez que eu vi Katniss, nós estávamos caçando na floresta. E eu encontrei essa menina de olho nos coelhos que eu tinha pego em uma armadilha.

— Eu não estava não.

— Estava sim. — Continuou ele sem ligar para a sua interrupção. — Quando eu a abordei e perguntei seu nome, ela estava tão assustada que o falou bem baixinho. Eu ouvi Catnip, e desde então eu só a chamo assim.

— Você é um idiota Gale. Eu não estava tentando roubar os seus coelhos, eu estava interessada apenas no funcionamento daquela armadilha. — Explica Katniss nos olhando.

— Você era uma magrela de doze anos com o nariz escorrendo. — Brinca ele a olhando.

— Eu não tinha o nariz escorrendo! — Katniss parece mais divertida que ofendida com sua afirmação. — Pessoal, eu não tinha o nariz escorrendo.

Gale olha para todos nós e rindo alto diz.

— Tinha sim, Catnip.

A proximidade e a cumplicidade dos dois me irrita profundamente e tenho que me controlar para não arrastá-la para longe dele. Mas, a turma parece aceitar em nosso passeio, o integrante temporário muito bem.

Apenas Thresh e eu demonstramos algum tipo de receio.

Katniss parece notar que o meu humor mudou drasticamente e em vários momentos, me lança olhares confusos.

Depois de algum tempo conversando Gale decide ir surfar com Cato e Thresh. É claro que ele não vai antes que Katniss passe protetor nas costas dele. Eu tive que me controlar muito para não grunhir de raiva.

Finnick e Annie desapareceram pela praia e Clove está preguiçosamente lendo um livro.

Eu observo Katniss se levantar e ir até a caixa térmica que estava localizada ao meu lado. Ela fingi mexer dentro e disfarçadamente me olha.

— Você sabe nadar? — Me sussurra a pergunta.

Aceno positivamente com a cabeça, mas disfarçando também.

— Ótimo. Me encontre no mar em cinco minutos, não vá pelo lado das ondas, nade para o lado das grandes rochas...

Sem mais ela se afasta e entra no mar. Eu fico sentando vendo seu corpo se afastar na praia até ela entrar no mar e sumir de vista. Depois espero cinco minutos e a sigo. Meu corpo todo treme de antecipação e nervosismo.

Entro de bermuda na água do oceano e vou me deixando afundar. Quando não tenho mais chão eu começo a nadar. Não nado tão bem quanto Finnick, mas pelo menos eu sei não morrer afogado.

Sigo na direção que Katniss me disse e logo eu perco a praia de vista.

Eu a vejo mais a frente me esperando. Então nado direto para ela. Quando estamos cara a cara ela sorri para mim.

Lentamente ela se aproxima mais e deposita um beijo suave nos meus lábios. Uma de suas mãos vai até a base do meu pescoço e acaricia os meus cabelos molhados.

Katniss abre a boca lentamente e sua língua sai de encontro aos meus lábios, pedindo passagem para um beijo mais quente.

Simplesmente não posso resistir ao seu canto de sereia e a puxo para o meu corpo, retribuo o seu beijo com força o que a faz suspirar contente.

Minhas mãos então em volta de sua cintura e eu aperto com possessividade as suas curvas macias. Deixo que meu desejo domine a situação.

Pouco depois nós soltamos ofegantes.

— Você está estranho. — Diz ela ao dar vários beijos suaves como toques de borboletas em meu rosto. — O que aconteceu? Me conta.

— Nada aconteceu. — Respondo, decido não preocupá-la com as minhas maluquices ciumentas.

Quando Katniss está assim em meus braços, eu sinto que não há nada no mundo além de nos dois. Principalmente agora, com a luz do sol em seu rosto. Ela é a mulher mais bonita que eu já vi.

Ela me olha atentamente.

— Gale é apenas o meu amigo, Peeta. — Sussurra ela enquanto os seus lábios roçam nos meus. — Ele é como um irmão para mim. Não existe nada entre nós dois.

Ela sabe. Katniss sabe porque estou estranho. Sabe que estou ciumento.

— Ele não te vê assim, Katniss. — Digo para ela. — Ele quer você.

Sinto o seu corpo enrijecer em meus braços.

— Ele sabe que não vai acontecer, que não gosto dele dessa forma. — Responde séria, seus olhos cinzentos estão nos meus me enfeitiçando. — E ele está noivo da minha melhor amiga. Seu nome é Madge e ela mora no Distrito Doze.

Katniss morde o meu queixo e depois desce os seus lábios para beijar o meu pescoço.

— Vamos apenas esquecer isso. Ele é meu amigo, nada mais e nós passamos muitas coisas juntos quando crianças.

— Tudo bem Katniss. — Interrompo-a. — Eu acredito em você.

Voltamos a nos beijar apaixonadamente. Beijá-la é como enfiar o dedo em uma tomada, em questão de segundos eu sinto o meu corpo inteiro ser tomado de adrenalina e eletricidade.

— Vem comigo. — Sussurra ela ao me fazer soltá-la, uma coisa que faço a contragosto.

— Para onde vamos? — Faço a pergunta, mas realmente não me importo com a resposta, ou o lugar. Se ela me chamasse para ir ao inferno com ela, eu provavelmente iria. Com um enorme sorriso no rosto.

— Annie me falou de uns rochedos mais a frente. — Respondeu Katniss sorrindo. — Me parece ser um local bem privado.

Seus olhos têm um brilho de diversão e algo que não consigo identificar.

Sorrio para ela.

— Já adorei esse lugar.

Não temos que nadar muito para chegar as grandes formações rochosas no mar, e assim que chegamos eu nado até ela e a pego com força. Katniss solta um risinho surpresa e me abraça.

Logo estamos fortemente agarrados em um longo beijo molhado. Nossas línguas se provam de forma já conhecida e nossas pernas estão entrelaçadas enquanto flutuamos na água salgada. Permito que minhas mãos passeiem por sua cintura e costas. É muito bom sentir os seus seios grudados no meu peito, apenas um tecido muito fino os cobrem e eu consigo sentir seus mamilos eriçados.

— Eu senti tanto a sua falta. — Digo a ela. — Essa semana pareceu interminável.

— Eu sei, eu também senti a sua. — Diz ela beijando nódulo da minha orelha esquerda. Claro que isso me faz perder muito do meu controle. Suavemente eu a encosto em uma rocha a nossa frente e aperto o meu corpo no dela.

Uma de minhas mãos descem por suas coxas e eu puxo a sua perna para cima, fazendo-a abraçar o meu quadril com ela. Sem pudor algum eu encho as minhas mãos com a sua bunda e aperto o meu quadril no dela. Dou uma estocada nela, apenas para fazê-la sentir a minha ereção.

Katniss geme em meus lábios e eu não posso deixar de gemer nos dela. E sinto as suas unhas cravarem nas minhas costas.

— Você foi muito má ao me provocar mais cedo. — Confidencio a ela ao lamber a pele de seu pescoço, não posso deixar de dar um belo chupão na carne. — Você sabe que eu adoro quando você me arranha.

Gemendo entregue em meu ouvido, eu sinto quando ela movimenta lentamente o seu quadril no meu. Seus movimentos são tímidos, mas potentes. Eu nunca estive tão excitado na minha vida.

Seu sexo quente está esfregando na minha ereção e eu aperto mais o quadril dela no meu, ajudando-a no movimento, nós dando prazer.

— Eu não pude resistir. — Me responde ofegante, ao buscar os meus lábios para mais um beijo ardente.

É a primeira vez que Katniss me deixa ter tantas liberdades com ela. Normalmente ela sempre para antes que as coisas esquentem para valer. Não sei o que deu nela hoje, mas vou aproveitar tudo o que ela quiser me dar.

E gosto de mais de senti-la rebolar no meu pau. Sinto que poderia gozar dessa forma. Apenas com o seu rebolado.

Solto as suas nádegas e deixo que uma de minhas mãos desça até a sua vagina, não tenho dificuldades em afastar o pequeno tecido que a cobre e a toco intimamente. É a primeira vez que eu a toco ali e Katniss parece entrar em frenesi com o meu toque.

Lentamente para não machucá-la eu introduzo os meus dedos nela e sensualmente brinco com o seu clitóris. Ela não tem pelos nessa área, deve depilar tudo. Meu cérebro começa a ser desligado de todos os receios ao sentir sua carne quente e melada, sinto o meu pênis pulsar na minha sunga praticamente exigindo ser liberto de sua prisão para afundar-se nas profundidades dela.

Deus. Penso eufórico. Eu não acredito que eu vou tê-la aqui.

Estou descendo os meus lábios por sua clavícula, indo direto aos seios dela, que estão implorando para que eu os chupe. Sei que vou me deliciar com o ato, algo que eu sonho a muito tempo em fazer com ela. Katniss até inclina as costas, trazendo-os mais perto da minha boca. Seus olhos brilham de antecipação.

Tomamos um susto enorme quando ouvimos alguém tossir atrás de nós.
Tiro minha mão de seu sexo e me viro rapidamente para encarar o intruso. Meus braços ainda estão em sua volta, porém deixo que meu corpo fique na frente do de katniss.

Finnick e Annie nos encaram divertidos.

— Olha, eu nunca pensei que atrapalharia a foda de ninguém. — Começa ele sorrindo de lado. — Mas, eu e Annie escolhemos esse lugar primeiro, então tecnicamente falando não estou atrapalhando a foda de vocês. São vocês que estão atrapalhando a nossa foda.

— Finnick! — Ralha Annie rindo.

— É verdade. — Diz ele ao olhá-la. — Você não vai continuar me fodendo com eles aqui.

— Nós não estávamos. — Começa a dizer Katniss, mas ela está tão chocada que não continua a falar. Eu até acho que vai desmaiar.

— Você não precisa se explicar, magrela. — Diz Finnick rindo sacana. — Sabe, você não são tão discretos quanto acham que são. E gemem muito alto para o meu gosto.

— Como assim? — Pergunto, meus braços ainda estão em volta de Katniss.

— Nós já sabíamos. — Responde Annie timidamente.

— Annie e eu pegamos vocês dando uns amassos no banheiro desabilitado do quarto piso da Universidade. — Explica ele.

— O que você foram fazer lá? — Pergunto depois de olhar para Katniss. Tenho certeza que estou com a mesma cara de assustado que ela.

— Nós fomos dar uns amassos lá.

— Mas vocês foram mais rápidos. — Continuou Annie.

Imediatamente sinto Katniss me fazer soltá-la.

— Eu vou voltar para a praia. — Fala ela, seu rosto de tingindo de vermelho agora.

— Eu vou com você Katniss. — Fala Annie ao nadar para perto da amiga.- Se nós duas chegarmos a praia juntas, ninguém vai desconfiar.

Espero que as duas se afastem e somente depois olho para Finnick.

— Você contou para alguém? — Pergunto, minha voz ainda está rouca pelo desejo não realizado.

— Claro que não, seu idiota. — Responde ele depois de dar uma gargalhada. — Annie e eu conversamos e chegamos a conclusão de que preferimos você é Katniss juntos. Você sabe que nunca teve nada a ver com Glimmer.

— Tudo é tão confuso. — Digo ao passar as mãos pelo cabelo. — Não sei o que fazer. Katniss mexe muito comigo, não consigo resisti-la. Não consigo negá-la, não consigo me afastar dela.

— Peeta, acho que você não reparou, mas eu reparei que você olha para Katniss da mesma forma que eu olho para Annie. — Tenta me explicar e eu fico chocado com o que ele diz. — Isso se chama amor. É o sentimento mais maluco que você vai sentir, mas vale cada minuto.

Fico em silêncio, não sei o que pensar, ou o que fazer. Só sei que meu corpo ainda queima por ela. Meu pau ainda doí por ela.

É difícil não pensar em seu corpo macio, em seus seios roliços amassados pelo meu peito, sua pele cheirosa encostada na minha, e minha mão na sua boceta gostosa.

Tenho que esperar bastante tempo para voltar para a praia. Meu corpo demorou bastante em se acalmar. E quando eu chego na praia, acompanhado de um Finnick ainda risonho, eu vejo que ela está jogando bola com Clove, Annie e os rapazes. Até mesmo o amigo dela está jogando.

Katniss está usando um short Jeans e uma blusa de alças finas.

Também coloco a minha camiseta e me sento novamente em uma das cadeiras dobráveis. Eu tento manter meus olhos longe dela, mas devo admitir que falho miseravelmente.

O resto do dia passa tranquilamente. E mais no fim da tarde o pessoal se divide para pegar madeira, todos querem acender uma fogueira.

Para minha surpresa, Gale se oferece para ser a minha dupla.

Juntos vamos silenciosamente por uma trilha entre os coqueiros. Recolhendo gravetos, palha seca, e cascas de cocos pelo caminho.

— Katniss é única. — Ouça Gale dizer depois de alguns minutos na trilha, e me assusto com o seu comentário abrupto.

— O que você disse?

— Eu disse que Katniss é única. — Ele me olha muito sério, seus olhos são cinzentos, mas muito diferentes do de Katniss.

Enquanto os dela se assemelham a uma tempestade de verão, as tonalidades dos dele me lembram os furacões que destroem tudo pela frente.

Não tenho medo dele, ambos estamos tensos. Mas, não entendo onde ele quer chegar.

— Eu sei que ela é única. — Digo a ele.

— Não, você não faz a menor ideia. — Continua ele, sua voz é quase um rosnar. — Ela vai se fazer de forte, mas ela é mais frágil do que aparenta, e se eu souber que você de alguma forma a machucou, eu vou te caçar e arrebentar com você.

A ameaça dele me pega desprevenido. Será que Katniss contou para ele alguma coisa sobre nós?

— Katniss contou algo.

— Não, ela não precisou. Eu a conheço muito bem e posso ver nos olhos dela que tem algo acontecendo entre vocês, eu não sei o que é, mas não gosto nada disso.- Retruca ele de forma agressiva.

— Você não tem que gostar de nada. — Digo na mesma sonoridade. — Isso é entre eu e ela.

— Eu sei, Mellark. — Fala ele, e primeiramente fico surpreso por ele saber o meu sobrenome, depois eu noto a decepção em sua voz. — Acha que eu não reparei no chupão que você colocou no pescoço dela? Eu sei, sinto aqui no fundo que você vai machucá-la. Você não é bom o suficiente para ela e eu estou te deixando avisado, se você machucá-la eu vou quebrar você.

Gale se afasta sem esperar por uma resposta.

Com o pouco que peguei ainda em meus braços eu volto para a praia.

A ameaça barata dele de me bater não me assusta. Eu até gostaria de vê-lo tentar.

O que me assusta como o inferno é a possibilidade de eu machucar a Katniss.
Gale está certo.

Ela é única. É preciosa.

O que diabos estou fazendo? Eu tenho que terminar com isso.

Notas finais
Vocês acham que o Gale vai cumprir com a sua promessa? Vocês acham que a Katniss e o Peeta vão demorar para chegar nos finalmente? Ou vocês acham que ele vai terminar com ela de vez? Próximo na sexta, e não vou demorar para postar... Até mais! (=