Amarras do Passado

3 Here Without You - 3 Doors Down


Notas iniciais
Olá Pessoas! Aqui vai outro capítulo fresquinho para vocês... Como eu disse, anteriormente, esta fanfic não é contada de forma linear. Ela vai oscilar entre o passado e o presente, agora o passado e o presente estão sim de forma linear, mas para você entender o presente é fundamental que você leia o que aconteceu no passado. Outro detalhe, quando eu escrevo "Dias Atuais" quero dizer no presente deles, nesse futuro muito além de nosso tempo. Panem existe, os distritos também, só que eles não estão mais presos pelo comando da Capital. A guerra foi vencido depois do Massacre Quartenário do Haymitch. AM e Kat Mellark muito obrigada por favoritarem a fic ^^ E obrigada pelos comentários, sério, vocês são incríveis *.*

Dias Atuais

Peeta

"...A thousand lies have made me colder
And I don't think I can look at this the same
But all the miles that separate
They disappear now when I'm dreaming of your face..."

3 Doors Down

***

— Glimmer, por favor, pare de falar como uma criança. — Acabo pedindo depois de um suspiro cansado, não posso evitar passar as mãos pelo meu rosto.

Nós estamos discutindo há mais de meia hora e agora ela começou a falar feito uma criança, e isso é o tipo de coisa que me irrita muito em uma mulher de vinte e seis anos de idade.

E o pior de tudo, é que eu tenho certeza que ela faz isso apenas para me irritar.

O motivo da briga? Não sei. Nós discutimos o tempo todo agora.

— Você sempre gostou do jeito que eu falo. — Retrucou ela ao olhar-me de forma rancorosa. — Foi só depois que aquela vagabunda apareceu é que você deixou de gostar.

E, ela estava demorando para colocar Katniss em nossa discussão.

— Já chega Glimmer. — Quase grito, e tenho que respirar muito profundamente para me acalmar. — Você está sendo absurda, me dá esse copo de bebida aqui.

Tento tirar de suas mãos o copo de vodca que ela segura, já que esse é o seu terceiro. Mas, ela é mais rápida que eu e tira o copo de meu alcance, depois de me olhar horrorizada.

— Já chega nada, uma ova que já chega. — Grita ela, várias pessoas no bar onde estamos, inclusive nossos amigos, nos olham desconfiados e envergonhados. — Só porque a vagabunda não bebia, você quer que eu não beba também?

— Isso não tem nada a ver com "ela". — Respondo tentando manter minha voz controlada, volto a passar as mãos pelo meu rosto e depois as levo até meu cabelo.

— Está vendo?- Volta a gritar Glimmer, praticamente cuspindo as palavras em meu rosto. — Você nem ao menos consegue dizer o nome da vagabunda, seu cretino hipócrita. Você ainda a ama, e é por isso que não quer marcar a data de nosso casamento.

Que merda! Penso ao vê-la começar a chorar.

Lágrimas que não me comovem mais.

— Glimmer, eu não quero mais discutir esse assunto. Ela se foi há quatro anos e eu escolhi ficar com você, portanto eu não a amo. — Esse final é totalmente mentira, mas talvez eu me convença disso se repetir bastante.

— Mentiroso desgraçado. — Grita ela novamente, depois de dar outro gole em seu copo de vodca. — Por que você não me ama, Peeta? Vamos apenas marcar a data de nosso casamento, esqueça a piranha Everde.

— Isso não tem nada a ver com Katniss. — Grito, e me arrependo de ter dito o nome dela no mesmo instante.

E não é porque Thresh me olha torto do outro lado da mesa. Odiando-me intensamente. Ele nunca conseguiu me perdoar, e acho que nunca vai ser capaz disso.

Eu evito dizer o nome de Katniss, porque a grande verdade é que eu a amo. Pensar em seu nome é natural e, depois de todos esses anos, já não doí tanto. Agora, dizer o nome dela é dilacerador para mim. A dor emocional de sua perda é tão grande que se torna física. Então, não fico surpreso ao sentir uma fisgada no peito.

Se existe uma verdade em tudo que disse, a verdade é essa.

Katniss se foi há quatro anos, sumiu do mapa. Nenhum de nossos amigos sabem onde ela está, e ela não tentou se comunicar com ninguém.

Eu tomei uma decisão no passado e tenho que conviver com ela. Tenho que tentar ser feliz com Glimmer.

É claro que tudo fica difícil quando ela se comporta como se tivesse cinco anos, e nossas brigas são tão frequentes quanto respirar.

— Você tem muito coragem de dizer o nome da vagabunda na minha frente. — Fala Glimmer depois de mais um gole em seu copo, uma grossa lágrima escorre pelo seu rosto.

Glimmer é inacreditavelmente frustrante. É ou não é para eu dizer o nome de katniss na frente dela?

— Já chega de beber, Glimmer.- Digo com raiva, minha paciência está esgotada. — Vamos embora, porque eu não suporto mais o seu drama absurdo.

— Nem pensar. — Diz ela sorrindo ironicamente. — Nós não vamos embora.

—Vamos sim.

— Não vou embora só porque você não consegue ouvir algumas verdades sobre aquela.

—Não ouse chamá-la de vagabunda. — Grito depois de dar um soco na mesa e me levantar. Não me importa mais se alguém está olhando ou não. — Se você quer ficar, ótimo. Eu estou indo embora.

Com pressa, pego a minha carteira no bolso detrás de minha calça jeans e retiro algumas notas deixando-as em cima da mesa.

Dou as costas sem me despedir de ninguém e saio do bar.

Ouço Glimmer gritando algo no fundo, mas já perdi a capacidade de escutá-la.

Tudo o que eu mais quero é me afastar dela, de todos os olhares inquisidores nas minhas costas, me condenando por algo que fiz há mais de quatro anos.

E foi por ouvi-los que eu cai nessa enrascada toda com a Glimmer, em um casamento que eu nem sei se quero mais. Na realidade, se eu for bem sincero comigo mesmo, simplesmente eu vou aceitar que eu nunca quis.

Logicamente, que a minha própria estupidez foi a principal culpada por eu perder a mulher que verdadeiramente amo. A mulher que hoje deve me odiar. Se é que ela ainda lembra da minha existência patética. Será que ela lembra que houve um curto período em que me amou também?

Katniss já deve ter superado o nosso romance. Deve estar casada e feliz.

Atravesso a avenida movimentada e entro no meu carro. Começo a dirigir de volta para o apartamento que divido com Glimmer.

Nosso "ninho de amor".

Dou uma risada alta sem humor algum. Minha mente ainda ligada em Katniss.

Com uma clareza que eu não gostaria de ter, eu a imagino mais linda do que nunca. Feliz e casada com o homem mais sortudo de toda Panem, por tê-la como esposa. Poder tocar em sua pele macia, sentir o perfume de seus cabelos, olhar em seus olhos de sereia e tomar o seu corpo em noites cheias de paixão.

Sem poder me conter, dou um soco forte no volante do carro. Mais possesso de raiva e ciúmes do que já estive na vida.

Eu sou o maior idiota de Panem. Eu me odeio por tê-la deixado ir embora, sair da minha vida.

De alguma forma consigo chegar em meu apartamento sem causar nenhum acidente. Entro no elevador do subsolo, depois de estacionar o meu carro na vaga de costume, e aperto o botão do meu andar.

Sinto vontade de chorar ao olhar o meu reflexo no espelho do elevador.

Quem é você? Pergunto amargurado em pensamento.

Eu nem sei quem sou, em quem me transformei desde o dia em que eu a deixei. O maldito dia em que Katniss foi embora. Foi sem se despedir de ninguém, sem nem ao menos olhar para trás.

Será que eu estaria na Capital se soubesse de seus planos de partir e nunca mais voltar?

Sim! Respondo minha própria pergunta em pensamento. Eu estaria aqui.

Estou certo disso.

Uma coisa é não tê-la ao meu lado, mas, mesmo assim, continuar a vê-la todos os dias. Seria uma tortura? Sim. Porém, outra coisa muito diferente é perdê-la para sempre, nunca mais poder admirar seus olhos cinzentos.

O Peeta feliz, de riso fácil e carisma imediato já não existe mais, esse cara se foi junto com seu amor. O que ficou para atrás, era o novo Peeta. Irritadiço, sarcástico, silencioso.

Entro em meu apartamento e me dirijo ao banheiro. Tudo o que eu mais quero, no momento, é tomar um banho e ir dormir.

Glimmer já é grandinha o suficiente para conseguir chegar em casa sozinha.

***

Estou fazendo amor com Glimmer. As pernas dela estão envolvendo o meu quadril, estamos abraçados e o meu corpo está sobre o dela, nossos gemidos se misturam enquanto eu invisto meu quadril no dela. Penetrando-a profundamente.

Há algo muito estranho nisso tudo, mas eu não me importo. Nossos corpos são perfeitos juntos.

Se nós estamos fazendo amor, então estamos nos reconciliando da briga de ontem.

Mas, há algo diferente nos gemidos de Glimmer.

— Peeta.- Ela geme sensualmente em meu ouvido e meu corpo todo estremece.

Eu paro os movimentos de nossos quadris e me solto de nosso abraço, logo a encaro pela primeira vez.

Meu coração dispara no peito ao olhar nos olhos da mulher com quem estou fazendo amor. E não são os olhos de Glimmer que vejo.

É Katniss Everdeen.

Estou fazendo amor com Katniss.

— Não pare, Peeta. — Pede ela enquanto beija o meu pescoço e rebola os quadris a procura da fricção que pode libertar os nossos sentidos. Seu sexo quente implora por minhas penetrações. — Me ame.

Afasto o meu quadril, depois volto a penetrá-la com força. Tomo a sua boca na minha, extasiado pela sensação de tê-la em meus braços mais uma vez. Me delicio ao permitir que minhas mãos passeiam por suas curvas.

— Eu te amo Katniss. — Digo para ela, investindo em seu corpo como um maníaco cheio de saudade.

— Não Peeta. — A ouço dizer entre um gemido e outro. — Você não me ama.

Nesse momento nós rolamos pela cama e Katniss acaba por cima. Sentada escarranchada sobre meu quadril, enquanto me monta de modo divino.

Seus cabelos compridos caem por seus ombros em uma cascada de mogno. Seus seios balançam com seus movimentos de subir e descer.

Meu membro some dentro dela, enquanto Katniss rebola e geme totalmente entregue ao prazer.

Toda essa visão me faz entrar em êxtase ao derramar minha semente dentro dela. Gozando forte, meu orgasmo e longo e duro, e parece que vai durar uma eternidade.

— Eu te amo Katniss, sempre vou amar. — Digo para ela enquanto aliso as suas belas cochas.

— Não, você não me ama. E é por isso que está sonhando agora, pois sabe que nunca mais vai me ver novamente. Você me traiu e eu o abandonei.

Seus olhos são como duas chamas ardentes, como flechas mortíferas cheias de ressentimento.

Meu peito é tomado por uma dor aguda e eu acordo assustado em minha cama. Olhando em volta, na tentativa de me orientar, percebo que Glimmer está deitada ao meu lado, ainda vestida com as roupas do bar, um leve cheiro de álcool exala dela.

Foi tudo um sonho. Penso ao levantar da cama e me dirigir a janela do quarto. Olho fixamente para as luzes da Capital, essa cidade que nunca dorme.

Apenas um sonho e por um lado foi muito verdadeiro. O modo como minha mente gravou o quanto o meu corpo e o de Katniss eram perfeitos juntos. O modo como tudo deu errado e ela foi embora.

Eu sou o maior idiota de Panem.

Katniss nunca vai voltar.

Notas finais
Sexo no terceiro capítulo? Como assim? Calma, calma... Peeta estava apenas sonhando. =( Dessa vez... Uha-ha-ha. Gostaram? Me contem... O próximo capítulo já está pronto, eu posto ele antes de quinta se vocês comentarem bastante. Trato feito?