Amarras do Passado
4 Everything Has Changed - Taylor Swift Feat. Ed Sheeran
Notas iniciais
Passado
Peeta
"...'Cause all I know is we said, "Hello"
And your eyes look like coming home
All I know is a simple name
Everything has changed..."
Taylor Swift Feat. Ed Sheeran
***
— Que cretino mais sortudo! — Ouço Cato dizer ao olhar por cima do meu ombro. — Olha só, Peeta.
Sendo mais discreto do que Cato, eu olho em volta.
Todos da Turma, como nos chamamos, tínhamos marcado de nos encontrar no Pescador, um bar karaokê na parte da frente e balada na parte dos fundos depois da meia-noite. Um dos lugares mais frequentados pelos Universitários. Normalmente está sempre cheio e bem barulhento.
Não preciso dizer que mesmo em uma multidão, eu conseguiria achá-la. Katniss Everdeen.
Por um momento ilógico sinto o meu sangue ferver ao ver com quem ela está acompanhada.
Thresh. O desgraçado conseguiu convencê-la a sair com ele.
Tenho que respirar fundo para me acalmar. Não sei o que acontece comigo quando Katniss está por perto, parece que eu me transformo em outra pessoa.
Mas, amanhã Thresh vai contar para o Cato como conseguiu convencê-la a sair com ele, e depois o Cato, grande linguarudo que é, vai me dizer tudo, eu querendo ou não saber.
Thresh está com um sorriso enorme no rosto enquanto conta para katniss alguma coisa, ela acena com a cabeça e sorri educada.
Idiota. Ela só está sendo educada com você. Penso.
Novamente, como ligados por ímãs, nossos olhos se encontram, os dela desviam primeiro que os meus.
Por algum motivo vergonhoso eu não consigo deixar de encará-la, se eu sei que Katniss está por perto eu não consigo não admirá-la. E como estudamos na mesma Universidade isso acontece com mais frequência do que eu gostaria.
Depois de uma cotovelada que levei de Cato seguido de um " disfarça conquistador, ou Glimmer vai perceber e castrar você." eu consigo desviar meus olhos de Katniss.
Glimmer não esta por perto, para minha sorte. Ou eu realmente correria o risco de ser castrado por ela. No momento ela está do outro lado do bar conversando animada com Clove e Marvel.
— Fodeu! — Afirma Cato ainda olhando por cima do meu ombro e acenando com a mão. — Tente disfarçar, conquistador.
— Pare de me chamar assim. — Ralho com ele.
Cato apenas ri ao me dar tadinhas nas costas.
— Pessoal. — Escuto a voz de Thresh nos chamando.
Rapidamente coloco uma máscara de indiferença e me viro.
Sinto o meu corpo todo tremer ao encará-la tão de perto. Dou um suspiro lento e fecho as minhas mãos em punhos. Nas últimas semanas, desde a sua chegada, eu tive poucas oportunidades de observá-la e na maioria das vezes ela estava longe.
Não seja idiota. Não seja estúpido. Penso. Ela é apenas uma garota do meu antigo distrito. Uma garota incrivelmente linda, meu amor na infância, que provavelmente não faz a mínima ideia de quem eu seja.
Katniss está parada há meio metro na minha frente, com um sorriso educado nos lábios.
— Katniss. — Diz Thresh que está prostrado ao lado dela como um segurança. — Esses são Peeta e Cato. Peeta e Cato, está é Katniss.
— É um prazer conhecê-los. — Ela diz com seu tom de voz suave.
— Não, não. — Retruca Cato rapidamente, depois de me dar mais alguns tapinhas nas costas. — Pode apostar que o prazer é todo nosso. Não é mesmo, Peeta?
Katniss nos olha curiosa, sem entender a piada. Eu decido sorrir para ela tentando a todo custo não socar o rosto desavergonhado de Cato.
— É um prazer conhecê-la Katniss. — Minhas palavras não saem engasgadas como eu achei que sairiam.
— Vou pegar uma bebida para nós. — Fala Thresh à Katniss. — O que você vai beber?
— Um refrigerante está bom. — Pedi ela.
— Você não vai beber refrigerante. — Fala Thresh incrédulo ao olhar para Katniss. — Vou trazer uma vodca com gelo, você vai adorar.
Então ele se afasta rapidamente.
— Peeta. — Grita Finnick ao se aproximar com Annie ao seu lado.
— Finnick. — Aceno para ele se aproximar.
—Olá galera. — Cumprimenta Finnick sorrindo, seus olhos verdes caem imediatamente em Katniss. Ele mal pode esconder a graça que sente ao vê-la ao meu lado.
— Oi pessoal. — Annie fala, ao lado dele. Suas mãos estão entrelaçadas.
— Oi Annie, Finnick.- Cumprimento os dois. — Está é Katniss.
Katniss sorri para ambos.
—Oi.
— Então, você é a famosa Katniss? — Pergunta Finnick com um sorriso descarado no rosto.
Alerta vermelho! Grita o meu cérebro ao entrar em pânico. Esse idiota vai contar para ela.
— Famosa? — Pergunta Katniss sem entender.
— Sim, Tem um amigo meu que fala muito de você. — Explica Finnick abraçando Annie pelas costas, sem Katniss reparar ele pisca um olho para mim. Eu, sinceramente, quero matar esse filho da puta. O que diabos deu dos meus amigos hoje?
— Amigo? — Katniss sorri, suas bochechas corando. — Quem?
Nossos olhos de encontram por um breve segundo e faço a minha melhor cara de jogador de póquer.
— Um cara por ai. — Retruca Finnick rindo. — Sem importância no momento.
— É um prazer conhecê-la Katniss. — Interrompe Annie com um sorriso doce. — O seu vestido é muito bonito.
— Obrigada. — Agradece Katniss, dá para perceber que ela está sendo sincera. — Pertenceu a minha mãe em sua juventude.
— Não brinca. — Continua Annie, parecendo realmente surpresa. — Então é um clássico, um verdadeiro vintage.
Katniss sorri docemente, e pela primeira vez em muitos anos eu volto a ouvir o som de sua risada.
—Pode-se dizer que sim. — Ela diz ao colocar, com cuidado, uma mecha de seu cabelo castanho atrás da orelha.
— Quer vir aqui fora tomar um ar?- Pergunta Annie se abanando com uma das mãos. — Aqui dentro está tão quente.
— Claro, não gosto muito de multidões.
—Finnick, daqui a pouco voltamos. — Afirma Annie depois de dar um beijo rápido em Finnick. Em seguida ela e Katniss se afastam.
Espero que elas passem pela porta de entrada e me viro para Finnick.
— Eu quebro a sua cara agora ou depois? — Pergunto fechando a cara. Deixo o meu mau temperamento sair um pouco.
Finnick e Cato começam a rir.
— Ai, ai Peeta. — Emite Cato ainda rindo. — Sua raiva é muito divertida e ver a sua cara de paisagem na frente dela foi uma das melhores coisas da minha semana. Mas, eu cansei do seu lenga-lenga e vou atrás da minha baixinha antes que algum engraçadinho corra atrás do que é meu.
Antes de ir ele levanta o braço e dá um beijinho em seu músculo.
— Clove, eu estou chegando. — Grita ele para o bar. Algumas pessoas dão risada.
Eu deveria ter encontrado amigos normais. Penso.
— Finnick, essas brincadeiras não tem graça e se a Glimmer escuta?- Falo irritado.
— Você sabe que a sua namorada, nesse exato momento, já está muito bêbada, e mesmo se escutasse ela não entenderia nada do que estamos falando?
Passo as mãos pelo cabelo.
—Muito bêbada? — Pergunto. Que ótimo, é só o que me faltava. Glimmer bêbada. Espero que ela não vomite no meu carro.
— Veja você mesmo. — Finnick aponta para o lado do Karaokê.
Oh, não. Penso ao me virar e olhar para o karaokê, consigo imediatamente identificar minha namorada, pela sua longa cabeleira loira. Lá está Glimmer descendo até o chão em uma dança que era para parecer sensual.
— Droga. — Resmungo.
— Cadê a Katniss?- Pergunta Thresh com dois copos de bebidas em suas mãos. — Não me diga que ela foi embora, eu fiquei um tempão na fila por esses drinques.
— Ela está lá fora com a Annie. — Respondo automático, ainda estou olhando para Glimmer no Karaokê.
— Entendi, fui! — Ele sai sem mais explicações.
A noite passa de maneira muito estranha. Em princípio eu e Finnick ficamos conversando sobre o que fazer com a Glimmer. Thresh passa boa parte de seu tempo tentando enfiar bebida alcoólica em Katniss. Ele mesmo já está agindo estranho por causa da bebida, e não percebia que Katniss jogava a bebida que ele comprava em copos vazios espalhados pelo bar.
Não consegui parar de sorrir como um idiota ao vê-la fazer isso. Eu mesmo não costumo beber nada alcoólico.
Agora, Annie e Finnick estão agarrados em um canto, ambos se encarando de modo apaixonado, com uma certeza de amor exalando deles com tanta força que de certa forma é doloroso ficar próximo.
Eu nunca tive nada parecido com Glimmer e nem sei se terei. Não me leve a mal, eu gosto muito dela.
Glimmer e eu nos tornamos melhores amigos aqui na Capital, dois anos atrás as coisas mudaram quando, de comum acordo, nós decidimos que seria legal tentar alguma coisa. Estamos juntos desde então. E o sexo com ela é incrível, ela é totalmente ninfomaníaca na cama.
Mas, não sei, talvez eu apenas seja um romântico incurável. Acho que é isso. Pois eu vejo o modo como Finnick e Annie se amam. Com tanta certeza.
Eu apenas gostaria de ter isso também.
Não apenas uma transa fantástica, mas o companheirismo e a confiança de um amor verdadeiro.
Poder olhar nos olhos da mulher que amo daqui a trinta anos e pensar que eu fui muito abençoado em conhecê-la, em tê-la ao meu lado.
Suspiro sozinho.
Neste momento vejo Katniss passar entre um grupo de homens.
Todos a olham como se ela fosse a principal refeição da noite.
Não gosto disso. Antes que consiga raciocinar direito me pego indo em sua direção.
— Katniss? — Tenho que gritar para chamar a sua atenção, a música no bar está bem alta.
Ela se vira e me encara.
— Está tudo bem? Onde está o Thresh? — Aquele idiota que te deixou sozinha.
— Oi, não sei onde ele está. — Respondeu ela.- Ele me deu esse copo e disse que ia conseguir a sobremesa da noite.
— Ele está bêbado. — Digo sem acreditar em como o meu amigo pode ser estúpido.
— Seu nome é Peeta, não é mesmo? — Pergunta Katniss depois de um minuto de silêncio.
— Sim. — Respondo, e tento não ficar chateado com o fato de ela não se lembrar de mim. Caramba ela nem ao menos gravou o meu nome.
— Acho que seu amigo quer me ver bêbada, Peeta. — Diz ela sorrindo ao dar um pequeno passo em minha direção. — Será que ele acha que eu vou me tornar fácil?
Olho bem para ela, e também dou um passo mais para perto. Não posso resistir. E acabo decidindo que gosto do seu jeito direto.
— Deve ser a esperança dele. — Sussurro de modo bem audível, tentando fazer uma piada da situação.
Com uma coragem que normalmente eu não teria, eu troco o meu copo de bebida com o dela. O rosto de Katniss transmite surpresa e desconfiança durante um momento.
— Pode beber, é refrigerante, juro que não está batizado. — Incentivo-a sorrindo.
Katniss leva o copo de refrigerante aos lábios e dá um longo gole. Depois me olha com olhos brilhantes.
O melhor de tudo é que ela sorri, e não é um sorriso educado e sem graça. Seu sorriso é bonito, sincero. Um sorriso de cumplicidade, apenas para mim.
Sinto meu coração disparar no peito e me aproximo um pouco mais.
— Obrigada, Peeta. — Agradece com sua voz doce e em seguida me presenteia com outro sorriso.
Também sorrio para ela. Não estou certo, mas parece que existe um ar de flerte em nossa conversa.
Dou mais um passo em sua direção e Katniss não se afasta. Suas bochechas coram um pouco, e lentamente vejo sua mão se aproximando da minha, seus dedos elegantes encostam nos meus, e sinto minha pele queimar onde ela está me tocando.
Sim, ela está flertando comigo.
E é bem nesse momento que um furacão de cabelos loiros me puxa com violência para longe de Katniss e me beija na boca.
Consigo me livrar da garota e me surpreendo com Glimmer, seus olhos brilhantes e enevoados, seu hálito de vodca e um sorriso pateta nos lábios.
— Peeta, meu amorzinho, você é tão bonito, eu te amo tanto.- Fala ela bêbada e com voz de bebê. — Você está um gato com esses jeans, vem comigo ali no banheiro vem.
Olho para Katniss cheio de vergonha, sei que meu olhar tem um pouco de desespero. É quando noto que uma de suas sobrancelhas esta arqueada, seus olhos cinzentos demonstram curiosidade e surpresa.
— Glimmer. — A chamo, seguro em seus braços para ganhar sua atenção. — Ouça, não é aquela sua música que está tocando?
Glimmer faz uma cara de confusa e depois sorri bobamente.
— É minha música, Peeta. — Com rapidez ela me solta. — Desculpe amor, mas tenho que dançar essa.
E vai embora como veio, igual a um furação.
Me viro, e percebo que Katniss ainda está com uma de suas sobrancelhas arqueadas, como se estivesse me perguntando, o que diabos aconteceu.
— Aquela é Glimmer. — Digo a ela, depois de um suspiro cansado. — Ela é minha namorada.
— Entendo. — Katniss parece envergonhada, depois seu belo rosto entra em uma máscara sem expressão. — Bom, já está bem tarde. Tenho que ir agora.
Ela me devolve o copo de refrigerante e sem se despedir me dá as costas e começa a se afastar em passos largos.
Meus pés a seguem inconscientemente.
— Fique mais. — Ouço minha voz pedir.
— Não posso, amanhã acordo bem cedo. — Justifica ela ao olhar para trás.
— Como você vai embora? Precisa de carona? — Mais uma vez não consigo controlar meus lábios.
O que eu estava fazendo? Eu iria mesmo deixar Glimmer bêbada em um bar e levar uma garota que eu mal conheço para casa?
— Tem uma estação de metrô do outro lado da rua, ainda não é tão tarde, consigo voltar para o alojamento estudantil. — Ela falar ainda se afastando, seus passos rápidos levando-a para a saída do bar.
Eu continuo a segui-la.
— Eu te levo para a sua casa..
Nesse momento Katniss para e me olha. Seus olhos são grandes e expressivos, fico fascinado com a cor cinzenta deles, é como olhar uma tempestade se formando no horizonte. Seus cabelos longos e escuros são como uma cortina de seda envolvendo o seu rosto de boneca.
— Eu agradeço a sua gentileza. Mas, não. Eu posso ir para o dormitório sozinha. — Sua voz é bem séria.
— Eu posso te ver amanhã?- Caramba, o que há de errado no meu cérebro? Alguém deveria me dar um soco para que eu pare de falar.- É...então...o pessoal vai marcar de ir ao parque amanhã. — Decido inventar de última hora.
Katniss está mais corada que antes, ela morde o lábio inferior, um sinal clássico de nervosismo e volta a me olhar.
— Não posso, tenho que estudar. — Ela fala ao sorrir tristemente. — Mas, eu sempre tomo café da manhã no Valentine's.
Se rosto está muito vermelho agora. Ela é tão adorável.
Espera um minuto. Penso rápido. Isso foi um convite?
— Tenho que ir agora, diga para todos que eu adorei conhecê-los, e se você vir o Thresh, onde quer que ele esteja com a sobremesa dele, que foi muito divertido tudo isso.- Seu rosto forma uma carranca, a meu ver, também é adorável. — Até mais, Peeta.
Com um último sorriso tímido ela se afasta.
— Até. — sussurro por fim.
É estranho, mas vê-la se afastar enche o meu coração de dor.
Dor?
Como posso sentir algo assim?
Não quero saber, não quero pensar nisso.
Tudo o que sei é que no dia seguinte eu estava indo até o Valentine's, às sete da manhã.
Katniss estava sentada em um lugar confortável no canto da lanchonete, com um livro aberto em seu colo e uma grande xícara de chocolate quente em suas mãos.
Nossos olhos se encontram, os cantos da minha boca se movem em um sorriso. Para minha surpresa, ela sorri também.
Suspiro suavemente e vou até onde ela está.
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