Amarras do Passado

5 For Everything a Reason - Carina Round


Notas iniciais
Olá pessoas ^^ Eu voltei para agradecer todo o carinho que vocês me deram nesses últimos dias. Vocês são fantásticas, as melhores leitoras que uma autora pode ter ^^ Muito obrigada!!! Tem alguém ai que já não aguenta mais esperar para assistir A Esperança parte 1? Eu estou surtando, sério... Daiane Souza muito obrigada por favoritar ^^ No Capítulo anterior, nós vimos o passado na perspectiva do Peeta. Dessa vez vamos voltar aos Dias Atuais, na visão de Katniss...

Dias Atuais

Katniss

"...For every lie, honey, the truth lay underneath it
Oh so they say baby, for everything a reason
And so they say baby, you will be brought...brought back to me..."

Carina Round

***

Katniss estava com Elika em seus braços, ao olhar em seu relógio de pulso ela verificou que já passavam das duas da manhã, e sua filha chorava e se debate com raiva.

Sua menina teve febre mais cedo, naquele mesmo dia e a febre só passou no início da noite. Mesmo assim a pequena continuava irritada.

— Tome Elika. — Pediu Katniss, tentando a todo custo fazer a filha tomar uma colher do xarope receitado pelo médico pediatra que elas passavam aqui na Capital.- É bem docinho, vamos filha, você vai gostar.

—Não, mamãe. — Gritava Elika ao tapar a boca, grossas lágrimas escorriam pelo seu rosto infantil, suas bochechas estavam avermelhadas pelo esforço de chorar. — Eu não quero remédio.

— Vamos passarinho. — Incentivava ao beijar o rosto molhado da filha. — Só uma colherzinha e depois nós duas podemos brincar com suas bonecas. Ou a mamãe pode cantar para você a música dos tordos, o que acha?

— Não!!!- Grita Elika chorosa, no mesmo momento agarrando, com suas pequenas mãos, os cabelos de Katniss e escondendo o rosto no pescoço da mãe. — Eu só quero você mamãe, não quero boneca, só que você.

Katniss suspirou cansada.

— Se você tomar o docinho, eu trago o Buttercup para nossa casa, o que acha? — Perguntou para a menina, depois de um bocejo.- Você lembra do Buttercup, o gatinho da nossa antiga casa?

Elika fungou por mais alguns instantes no ombro de Katniss, enquanto esta alisava os cabelos da pequena.

— O Buticupi?- Pergunta baixinho em uma pronúncia errada do nome do gato, seus olhos azuis estavam presos em Katniss, a ideia do gato parece que a deixou mais feliz.

Katniss sempre ficava admirada com a profundidade da cor dos olhos de Elika. Olhos incrivelmente azuis, como os do pai dela.

— Sim, o gatinho da tia Prim. — Respondeu Katniss depois de beijar várias vezes o rosto da filha.

— Mas, é meu gatinho também, não é mamãe? — Pergunta a menina com sua voz um pouco mais disposta.

— É claro que é seu gatinho. — Afirma Katniss sorrindo. — Você lembra que a tia Prim está no céu?

Depois de Elika afirmar com a cabeça foi que Katniss continuou a falar. Entretanto, falar de sua irmã nunca era fácil.

—Então, a tia Prim deixou o Buttercup para você cuidar.

— Tia Prim está no céu junto com os anjinhos, as borboletas, os gatinhos e o vovô. — fala Elika soltando os cabelos de Katniss e gesticulando com as mãos ao falar. Outra coisa que ela fazia igual ao pai.

—Sim, meu passarinho. Ela está lá.

— Mamãe, não chora.- Sussurra Elika ao passar as mãos no rosto de Katniss. Aos poucos ela podia sentir a velha e profunda dor tomar conta de seu peito. Katniss nem ao menos notou que estava chorando.

— Mamãe não está chorando, eu apenas...eu apenas...

— Eu tomo o docinho, tomo tudo, tudo. — Diz Elika, com olhos brilhantes e um sorriso pequeno nos lábios. — Mas, não pode chorar.

Katniss não teve como não sorrir para a filha e lentamente a dor foi abandonando o seu peito.

Que pequena chantagista sua menina era. Era inacreditável as semelhanças que a pequena tinha com o pai.

Com cuidado para não derrubar Elika de seu colo, Katniss pegou o remédio, encheu meia colher de sopa com o líquido rosado e ofereceu a filha, levando suavemente aos seus lábios.

Elika fez careta, mas tomou o remédio da mesma forma.

— Pronto mamãe.- Cantou a menina feliz. — Agora não pode mais chorar.

— Mamãe não vai mais chorar. Eu prometo. — Falou para a filha. — Agora, está na hora de dormir.

Cuidadosamente, Katniss deitou Elika em sua cama, depois cobriu a criança com um lençol cor-de-rosa, já que a noite estava muito quente. Mesmo assim ela deixou um cobertor dobrado aos pés da cama de sua filha.

— Mamãe. — Chamou a pequena com os olhos cansados. Hoje tinha sido um dia difícil para ambas. — Canta para eu dormir.

— Claro, passarinho. — Katniss confirma ao se sentar próximo a filha. — Que música você quer ouvir hoje?

— Aquela do vale. — Sussurra Elika sonolenta.

Katniss sorri e começa a cantar, suas mãos fazem carinho nos cabelos de Elika. Cabelos tão iguais aos seus próprios.

Bem no fundo da campina, embaixo do salgueiro
Um leito de grama, um macio e verde travesseiro
Deite a cabeça e feche esses olhos cansados
E quando se abrirem, o sol já estará no alto dos prados
Aqui é seguro, e aqui é um abrigo
Aqui as margaridas te protegem de todo perigo
Aqui seus sonhos são doces
E amanhã serão lei
Aqui é o lugar onde sempre lhe amarei

Depois de muita cantoria, Elika enfim adormeceu. Katniss não pode segurar a vontade e lentamente se inclinou sobre sua filha lhe dando um último beijo de boa noite, depois cuidadosamente saiu do quarto da filha. Antes de sair lançou uma última espiada em sua menina.

Como sempre, ela deixou a porta do quarto de Elika aberta, caso a pequena fosse acordar novamente. Também deixou a luz do corredor acessa, para que o escuro não assustasse a sua filha.

Katniss foi até o seu quarto e deitou-se na cama de casal, que era só sua. Mesmo depois de fechar os olhos e se aconchegar em seus cobertores macios, ela não pode dormir.

A dor surgiu aos poucos em seu peito. Lentamente ela abraçou a si própria com força, mordeu o lábio inferior para controlar os soluços e se encolheu na cama. Para sua vergonha, deixou que a solidão a dominasse mais uma vez.

A perca de seus entes queridos nunca seria menos dolorosa para ela. Entretanto, nesta noite, Katniss chorou por outro alguém.

Uma pessoa que não estava perdida pelo véu da morte, mas estava tão inalcançável quanto.

Estar distante dele era padecer de uma dor eterna, de saudade sem fim. Em muitos dias, Katniss se sentia menos do que a metade.

Como se um pedaço importante seu tivesse sido arrancado dela.

O que a mantinha firme e forte, nestes dias tão ruins, era sua filha.

A pequena Elika Everdeen. Tão parecida com Katniss e tão parecida com o pai.

O nome dele se tornou um tabu em seus pensamentos e lábios. Ela nunca o dizia. O simples pensamento era quase enlouquecedor.

A quanto tempo Katniss não o via?

Quatro anos.

Ele já deve estar casado com a loira platinada. Pensou ela sombria.

Katniss não podia pensar nisso. Esses pensamentos não a ajudavam em nada, e ela não tinha o direito de ser fraca, não tinha permissão para isso.

Elika dependia totalmente de mãe, pois tinha apenas três anos de idade, quase quatro. E Katniss dependia totalmente da filha, pois a menina era tudo o que ela tinha no mundo.

Não que a mãe de Katniss houvesse morrido. Ela ainda estava viva, trabalhando como enfermeira no distrito quatro. Ambas mantinham um contato educado uma com a outra. Porém não existia entre as duas o vínculo de mãe e filha.

Não como existia entre Katniss e Elika.

Sinceramente, ela não gostava de pensar no passado, e os últimos quatro anos foram cheios de provações.

Algumas boas, como Elika.

Outras muito ruins, como as mudanças constantes entre os distritos, os julgamentos contantes que ela recebia por ser mãe solteira. Não que ela se importasse com a opinião de outras pessoas, mas os comentários maldosos e prejulgamentos sempre tinham consequências negativas. O desemprego era um exemplo disso.

Trabalhar como caixa de supermercado, atendente de balcão e até mesmo garçonete, foram algumas funções que Katniss tinha assumido nesses últimos anos.

Seis meses atrás ela e sua filha tinham voltado para o Distrito Doze.

Ambas moravam na antiga casa de Katniss, localizada na Costura, um bairro muito pobre desse distrito, a casa estava severamente danificada pela falta de reforma e por ficar tanto tempo trancada. Mas, não podendo pagar um aluguel, e com uma criança pequena nos braços, a morena não teve outra opção a não fazer o melhor que ela podia com a velha casa.

Lá, ela conseguiu um trabalho de algumas horas como assistente no Boticário do distrito, e sempre que podia ela caçava na floresta em volta da cidade. De alguma forma ela tinha que manter Elika e ela alimentadas e seguras. Uma situação muito parecida como ela teve que fazer com sua mãe e sua irmã Prim, quando o pai delas morreu em um acidente na mina de carvão onde trabalhava.

Depois do acidente, sua mãe começou a receber do governo uma ajuda, que era menos da metade do salário que o pai delas ganhava ao trabalhar nas minas. Ou seja, elas não tinham dinheiro suficiente para se manter. Katniss, tinha sido ensinada a caçar, por seu pai, e ainda sendo uma criança, resolveu assumir as responsabilidades da casa. Não havia nada que ela pudesse fazer, sua mãe estava catatônica, com o falecimento do marido. Katniss teve que ser a adulta.

E não há muitos empregos no distrito doze, principalmente para uma mãe solteira. Enquanto Katniss estava no trabalho ou caçando, sua filha ficava com uma vizinha na costura. Uma velha senhora chamada Greasy Sae.

As pessoas não a julgavam tanto a ponto de fazê-la se sentir desconfortável, e elas realmente gostavam de sua menina.

Quem não gostaria de Elika? A pequena tinha o mesmo charme e personalidade doce do pai.

Entretanto, a situação não era fácil e se tornou tão difícil que Katniss passou a cogitar a possibilidade de procurar o pai de Elika.

Antes de tomar uma decisão tão drástica, Katniss ainda tinha uma pessoa para procurar.

Haymitch Abernathy.

E foi o que ela fez por uma carta. Nesta, Katniss não contou nada de sua vida pessoal, apenas perguntou se ele conhecia alguém que estaria disposto a contratá-la, para qualquer função.

Poucas semanas depois, Haymitch apareceu no distrito doze. Quase teve um ataque cardíaco ao saber que Katniss tinha uma filha, e disse que sua namorada Effie Trinket, que trabalhava como assessora de imprensa conhecia uma estilista famoso que precisava urgentemente de uma secretária.

Havia um ponto negativo nesta vaga. Um ponto primordial que quase a fez desistir da vaga.

Katniss teria que se mudar para a Capital. E o emprego era temporário, o estilista oferecia apenas um ano de contrato.

Ela teve um dia para pensar na proposta.

Submeter Elika a uma vida morando na Costura era muito cruel. E Katniss morria de medo que a pequena crescesse como Prim.

Por fim, e não tendo nenhuma outra opção melhor, Katniss aceitou. O dinheiro era bom. O estilista de nome Cinna ajudaria com a moradia, creche para sua filha e convênio médico para ambas. Era muito mais do que qualquer outro patrão de Katniss já tinha oferecido.

A Capital era enorme e as chances de se encontrar com o pai de Elika eram bem remotas.

Ele não teria como encontrá-las. E seria apenas por um ano. Por que não aceitar? Com a experiência de trabalho que ela ganharia, ela poderia encontrar outros empregos depois.

Agora que estava há três meses na Capital, no fundo Katniss estava feliz por ter aceitado a oferta de Haymitch e Effie.

Cinna, seu patrão, era brilhante. Era inacreditável o que esse homem conseguia fazer com um pedaço de seda. Sua criatividade era extraordinária. O melhor era que ele parecia bem contente com o trabalho de Katniss.

Para ela não foi tão difícil adaptar-se ao serviço. E já que não tinha despesas com moradia e uma creche para Elika, todo o seu salário era muito bem administrado.

Grande parte do valor recebido era depositado em uma conta. Katniss poupava o máximo possível, pois necessitava de todo o valor para manter ela e Elika depois que o contrato fosse finalizado.

Tudo estava andando conforme o combinado, até o dia em que, sem querer, encontrou Annie no metrô.

Fechando os olhos, ela decidiu desligar os seus pensamentos confusos. E enfim adormeceu.

Notas finais
Eu sei, eu sei. Vocês queriam a visão do Peeta. Mas, a Katniss também tem que aparecer na fanfic, a visão dela é muito importante. Ok? Não julguem a Elika por sua bira, ela estava doentinha :/ Eu vou postar o próximo capítulo na terça. ^^ E, por último, eu amo a música tema desse capítulo. Combina muito com a minha Katniss...