Amarras do Passado

6 Let There Be Love - Oasis


Notas iniciais
Voltei, voltei ^^ É amanhã cambada!!! Mal posso acreditar que já é amanhã que eu vou assistir Mockingjay, eu não acredito que eu vou rever o meu padeiro (OK, ele é da Katniss, mas na minha imaginação ele pode ser meu também) =D Não existe felicidade maior que a minha =D =D =D Geanesb muito obrigada por favoritar!! E as leitoras novas que estão comentando, muito obrigada, vocês me incentivam muito a continuar a escrever e postar essa fanfic

Passado

Peeta

"...Come on, baby blue. Shake up your tired eyes
The world is waiting for you
May all your dreaming fill the empty sky..."

Oasis

***

Estou sentado na arquibancada coberta do centro de treinamento da universidade.

Em minhas mãos eu tenho um bloco de desenho e neste momento estou terminando um esboço de Katniss com seu arco e flecha.

O rosto dela está sério, sua postura perfeita. O seu talento em arco e flecha foi o que possibilitou Katniss de ganhar uma bolsa de estudos aqui na Capital.

É claro que ela teve ajuda do nosso professor beberrão Haymitch.

Obrigado Haymitch. Penso feliz.

O dia seguinte da festa no Pescador foi uma grande surpresa para mim. Quando Katniss pediu para eu encontrá-la no Valentine's para tomarmos café da manhã juntos.

Tudo bem, falando a verdade, ela não pediu para eu ir encontrá-la no Valentine's, ela apenas insinuou que estaria lá no dia seguinte. Mas, a meu ver, pareceu um convite. Então, eu fui, tomado de ansiedade e medo.

Katniss aceitou amigavelmente que eu dividisse a mesa com ela e nossa conversa foi mais agradável do que eu esperava, ela é o tipo de garota que fala pouco, para aqueles que não a conhecem, podem achar que seu silêncio provém do esnobismo, mas ela apenas é um pouco tímida, centrada.

Conversamos sobre uma infinidade de assuntos, desde o tempo maluco da Capital, as roupas estranhas que os nascidos daqui gostam de usar. Katniss me contou da bolsa de estudos que ganhou, e me confidenciou que esse sempre foi o sonho do pai dela. Estudar aqui na Capital.

Eu contei para ela coisas do meu curso, e sobre os meus irmãos que se preocupam mais com o trabalho do que com qualquer outra coisa em suas vidas.

A grande surpresa de nossa conversa aconteceu quando nós entramos, em comum acordo, no assunto do distrito doze.

— Você vai achar estranho, Peeta. — Começou Katniss, depois de um longo gole em seu achocolatado, seu rosto estava um pouco corado. — Eu tenha a sensação de que já te conheço.

Neste momento sinto o meu coração disparar no peito. Ela se lembra de mim, do nosso tempo de criança.

— Não é estranho Katniss. — De improviso decido contar a verdade a ela. — Nós nos conhecemos. Eu também nasci no distrito doze e vivi lá até meus doze anos de idade. Você por acaso lembra da padaria Mellark's que havia no centro?

— É claro. — Me responde ela, seus olhos brilhando de animação enquanto me olha feliz. — Agora eu me lembro perfeitamente. Eu o via sempre na escola, não eramos do mesmo ano, mas eu sempre te via na entrada e saída da escola, as vezes no intervalo para o lanche.

Isso é porque eu sempre, em minha inocência de criança, procurava estar perto da menina bonita de tranças no cabelo. Pensando bem, eu parecia um serial killer mirim, decido que não vou contar para ela que quando criança eu costumava segui-la.

— Isso mesmo. — Digo sorrindo, não posso controlar a minha alegria ao saber que ela se lembra de mim. Vou passar o dia todo sorrindo feito um mané. Para aliviar minha alegria dou mais uma beliscada no pedaço de bolo que pedi para o café da manhã, e descido que o confeiteiro exagerou no açúcar da cobertura. — Você sempre usava duas tranças em vez de uma.

As bochechas de Katniss se tingem de um vermelho forte e ela desvia o olhar do meu. E esse gesto é tão adorável, que não consigo controlar um suspiro.

Por tudo que é mais sagrado, como alguém pode ser tão adorável com uma coisa tão simples e banal quanto corar?

— Eu era uma menina, Peeta. Minha mãe arrumava o meu cabelo. — Diz encabulada.

Eu deixo que uma risada baixa escape pelos meus lábios.

— Eu adoro esse chocolate quente. — Retruca Katniss, pegando seu copo de chocolate e dando mais um gole. — Ninguém faz chocolate assim no distrito doze.

— Eu também gostei bastante, muito saboroso. — Falo, se ela quer mudar de assunto, então eu aceito. Logo, estamos discutindo sobre os diferentes gostos de chocolate.

Aquela manhã foi incrível e as outras que se seguiram foram ainda melhores.

Katniss e eu nós aproximamos de maneira única, e tomar café da manhã com ela se tornou um hábito. Mesmo quando eu passava minhas noites com a Glimmer, eu ainda acordava cedo e corria para o Valentine's para tomar meu café da manhã com Katniss.

Glimmer nunca teve ciúmes, pois nós nunca nos encontramos na frente dela.
Parece uma traição nojenta, mas não era.

Nossa amizade era voltada apenas a nós mesmos. E o resto da Turma nunca insinuou nada por que eles não tinham uma dimensão da nossa amizade. Apenas Finnick parecia desconfiar que nós estávamos nos tornando mais amigos do que deixávamos transparecer, ele nunca insinuou nada, mas estava claro quando ele nos olhava.

Algumas vezes ele chegou a encobrir minhas saídas com Katniss, para Glimmer.

Entretanto, nunca houve nada romântico em nossos encontros. Eramos amigos. E posso dizer que aos poucos Katniss foi se tornando minha melhor amiga.
Ela me compreendia, me escutava e acabamos por dividir momentos espetaculares juntos. Eu mostrei para ela minhas pinturas, coisa que eu nunca mostrei para ninguém. E Katniss tentou me ensinar como atirar flechas, descobri que sou um completo desastre nisso, não tenho mira alguma. Mas, foi divertido tentar.

E foi por causa dela que eu comecei a frequentar as aulas de Sociologia dos Distritos – Uma História dos Dias Obscuros, dada por Haymitch, eu já tinha tido aulas com ele no passado, quando eu estudava Administração, ele até mesmo foi o meu mentor no meu Trabalho de Conclusão de Curso. Na época, lembro de jurar nunca mais me aproximar desse beberrão, e agora aqui estava eu outra vez. Por ela, para ficar mais algumas horas do meu dia perto dela.

Eu nem precisava dessas aulas, elas não me ajudariam em nada no meu curso de Gastronomia.

Haymitch sempre me olhava de canto de olho, com seu costumeiro olhar zombador, e quando Katniss não estava por perto soltava piadinhas infames sobre nós dois.

Alguns exemplos de sua genialidade.

" Já largou a loira desmiolada?"

Em alguns casos.

"Quando vocês dois vão deixar de enrolação e se assumir como um casal? Sei lá, sabe, fazer alguns bebês."

Ou ainda.

"A Everdeen já sabe que você está apaixonado por ela?"

Em todos esses casos eu apenas dava uma gargalhada longa e depois mandava Haymitch cuidar da própria vida.

Vamos aos fatos!

Eu namoro com a Glimmer há dois anos, e ela é minha amiga. Nós estamos enfrentando momentos difíceis em nosso relacionamento, todos os casais passam por isso. Se eu a amo?

Eu mentiria se dissesse que sim, e mentiria mais ainda se dissesse que não. A verdade é que eu não sei o que sinto por ela no momento. Nós dois temos bons momentos juntos. Ou tivemos no passado.

Em seguida, minha cabeça explode com toda essa questão de Katniss e eu sendo um casal. E acreditem quando eu digo que não sei o que pensar sobre isso. Nós dois temos uma cumplicidade nata, é como se nós soubéssemos o que o outro está pensando apenas trocando um olhar. E isso me assusta como o inferno.

A presença dela, de alguma forma, me acalma. Me faz o mais forte entre os homens e também o mais fraco.

Quando eu olho em seus olhos cinzentos, eu sinto um instinto antigo aflorar em meu peito. Eu quero protegê-la, cuidá-la, amá-la.

E pensar em ter bebês com ela, da forma que Haymitch sugeriu. Caramba, eu tento não pensar nisso. Não posso, ou vou acabar por atacá-la em praça pública, igual a um animal no cio.

Sim, eu sinto tesão em Katniss. Mas, é apenas o meu corpo reagindo a uma mulher bonita. Não é?

Com apenas um olhar maroto, um sorriso aberto dela, eu me sinto em chamas. Queimando de desejo por ela.

Mas, Katniss não sente o mesmo. Por isso, me contento em ser apenas o seu amigo. E no momento isso me basta.

Agora, enquanto estou sentando nesta arquibancada, sozinho ao fazer um esboço de Katniss, olho para o meu trabalho inacabado e penso na última acusação de Haymitch.

Eu estou apaixonado por Katniss?

Quando criança? Sim. Ela foi o meu primeiro amor platônico e inalcançável.

Agora? Não sei.

Me dá medo pensar que sim, porque sei que Katniss não está interessada.

Mas, e se estivesse? Penso.

Sinto o meu coração disparar no peito com essa possibilidade. Não preciso pensar duas vezes para dizer que eu cederia, abandonaria tudo para ficar com ela.

Pare, Peeta. Grito em pensamento. Ela não está interessada e esse tipo de pensamento apenas o magoará.

Thresh, o meu amigo que aprendi a odiar continua correndo atrás de Katniss. Determinado a conquistá-la.

O pior de tudo é que Katniss parece gostar dele, e não posso negar que o cara pode ser charmoso.

A proximidade dos dois me irrita mais do que o aceitável entre amigos.

Amigos podem sentir esse tipo de ciúmes.

Não podem?

Notas finais
Próximo capítulo vai sair na sexta, ou no sábado =D Gostaram do capítulo? Esse foi curtinho, mas as coisas já, já vão esquentar Uhuuuu Alguém percebeu que o meu Peeta está todo confuso. kkkk Tadinho...