Amarras do Passado
38 Haunted - Beyoncé
Notas iniciais
Passado
Katniss
"...My heart it lulls
Ghost in the sheets
I know if I'm haunting you
You must be haunting me
My wicked tongue
Where will it be?
I know if I'm onto you
I'm onto you
Onto you, I'm onto you
Onto you, you must be onto me..."
***
Alguém está me tocando e isso é bom, é muito muito muito bom.
Suspiro audivelmente ao sentir mãos firmes tocando minhas coxas. Me alisando de forma tão intima que eu não posso evitar que o meu suspiro se transforme em gemido languido e necessitado.
Peeta. Meu cérebro sussurra de forma forte.
Adoro quando ele me toca assim. Isso é um sonho? Não parece um sonho, parece ser muito real.
Eu estou navegando naquele estágio onde o mundo dos sonhos e a realidade estão em conflito.
É com prazer que sinto as mãos fortes de Peeta subirem pelas minhas coxas, tão lentamente que tenho certeza que ele faz isso para me torturar. A camiseta que estou vestindo é dele, e ele a suspende muito lentamente, quase como se não quisesse me acordar, e sua boca esta no meu estômago.
Seus lábios em minha pele são como toques de borboletas, e me enchem de prazer. Sinto as suas mãos puxarem minha calcinha para baixo, é nesse momento em que eu abro os meus olhos e o encaro ainda um pouco sonolenta.
Peeta está ajoelhado ao meu lado, seus olhos estão queimando na minha pele, posso ver bem a cor porque o dia está amanhecendo, e o quarto dele esta repleto de luz. Ele me olha rapidamente e depois de me lançar um sorriso de lado ele volta e beijar a pele exposta da minha barriga, eu sinto um pouco de cocegas agora, mas não o afasto, eu até levanto o meu quadril e minhas pernas para que ele consiga tirar a minha calcinha com maior facilidade.
– O que você esta fazendo? — Pergunto ao levar uma de minhas mãos até os seus cabelos loiros e fazer um leve carinho em sua cabeça.
– Desculpe te acordar, mas você estava tão bonita dormindo, tão gostosa que eu não pude resistir. — Ele me diz ao subir os beijos pelo vale entre os meus seios e me lamber de forma voraz.
Eu sorrio divertida ao encará-lo, e não posso evitar gemer quando sinto que uma de suas mãos desceu até o meu sexo e ele começa e me tocar com movimentos lentos e circulares.
– Eu ainda estava dormindo, sabia? — Pergunto apenas por birra, pois não me importo de jeito nenhum de ser acordada dessa forma.
Logo outro pequeno gemido escapa por entre os meus lábios e eu tenho que morder o meu lábio inferior para não gemer muito entregue. Com os meus braços eu acabo por puxá-lo mais para o meu corpo, enquanto abro as minhas pernas para receber o seu peso.
Ele sorri de modo sacana, daquele jeito que faz o meu coração disparar forte dentro do peito e depois se ajoelha entre as minhas pernas, apenas me ajuda a tirar a camiseta que estou vestindo de forma rápida.
– Você não está mais dormindo. — Peeta sussurra muito próximo a minha boca, não faço a menor ideia de onde ele jogou a camiseta, e não me importo. Me sinto quente, fervendo por dentro ao deixar que minhas mãos passeiem pelo seu corpo. Adoro o corpo dele, Peeta é muito bonito. E olhar para a sua pele faz com que uma enorme vontade de lambê-lo se apodere do meu corpo. Eu o quero dentro de mim.
Peeta me beija com força nos lábios e eu rapidamente abro a minha boca o permitindo aprofundar o nosso beijo. Nossas línguas dançam uma pela outra, e eu o escuto gemer em meus lábios. Isso é tão delicioso, nós dois deveríamos sempre acordar assim.
Logo sinto o corpo dele pesar sobre o meu, me mantendo presa debaixo dele. Jogo a minha cabeça para trás quando o sinto entrar dentro de mim.
Sua ereção vai muito fundo, me esticando com dentro. Ele é quente e esta pulsando. Faço com que uma de minhas pernas se enrosque em seu quadril, me prendendo a ele.
E imediatamente Peeta está se movendo dentro do meu corpo, e eu estou me movendo para encontrar os seus movimentos. Ele está lambendo o meu pescoço e eu me sinto arrepiar e queimar por ele. Forço o meu quadril e rebolar em suas penetrações. Eu o escuto gemer novamente muito próximo ao meu ouvido.
As mãos dele passeiam pelo meu corpo, apertando a minha carne e me segurando com força. Adoro isso, adoro a sua possessividade na cama, adoro o jeito que ele me olha quando está me penetrando com força, adoro o corpo dele rígido sobre o meu. Onde a minha carne é macia e dele é dura, onde eu tenho curvas, ele tem músculos firmes, onde eu me entrego, ele domina.
É assustador pensar que as vezes sinto que meu corpo não é mais meu, é dele. Ele é o dono dos meus batimentos cardíacos, ele é o dono do meu desejo e do meu prazer. É por ele que eu suspiro. Isso me assusta tanto, enche o meu peito de medo. Mas, não posso evitar continuar a me entregar para ele.
Eu viro liquido em suas mãos fortes.
Peeta voltou a me beijar, e seu beijo é tão bom. Uma de suas mãos está apertando o meu seio, e isso é ainda melhor.
Estou muito próxima agora, posso sentir um orgasmo crescendo dentro de mim com toda força, eu posso gozar a qualquer instante, por isso apenas travo a minha mão no seu cabelo é o forço a me encarar enquanto eu estou gozando, eu sei que ele adora me ver chegar ao ápice do prazer. Assim como eu gosto de vê-lo chegar ao dele.
Os olhos de Peeta, tão azuis estão famintos nos meus. E suas penetrações estão ainda mais rápidas e profundas em meu corpo, eu estou tão próxima, tão próxima...estou quase lá...
Acordo com um gemido profundo saindo da minha boca, eu estou me revirando nos lençóis da minha pequena cama de solteiro em um quarto escuro.
Foi um sonho. Me obrigo a pensar com clareza. Foi um sonho muito real.
Sinto o meu corpo queimar pela liberação que não vai chegar. Meu sexo palpita por dentro querendo algo que ele não vai mais ter. Sim, porque eu nunca mais vou transar com Peeta Mellark em minha vida.
E o meu corpo pode queimar e brigar o quanto quiser, eu não vou me tocar pensando em Peeta Mellark, aquele cretino, estupido filho da mãe. Meu corpo vai ter que entender que eu não sou de Peeta, não sou um brinquedo de chutar dele.
A coisa que eu mais queria era não sonhar mais com ele, não entendo por que tenho que ficar revivendo nossas noites de sexo, ou nossas manhãs como foi o caso dessa último sonho. Meu cérebro fica me pregando essas peças nada divertidas e eu não posso fazer nada para mudar. Não enquanto estou dormindo, pelo menos.
Durante o dia eu estou tão ocupada em resolver os meus assuntos, que não penso muito nele. Quer dizer, eu até penso, mas tento evitar pensar nele constantemente. Isso já é um avanço. Assim eu evito a dor em meu coração, e a decepção que sinto toda vez que lembro do que ele me fez.
Sei que ainda estou apaixonada por ele, sei que o amo profundamente. Mas, as coisas já não funcionam como antes, minha vida mudou trezentos e sessenta graus e eu tenho que mudar com ela, me adaptar a um outro estilo de vida, de perspectivas.
A primeira e mais fundamental e conseguir dinheiro, e para conseguir dinheiro eu precisava de uma emprego.
Bom, depois de duas semanas procurando emprego aqui no Distrito Sete eu, enfim, consegui encontrar alguma coisa. Não é um grande emprego, mas é algo que eu já estou acostumada a fazer. Ser garçonete. Foi um grande alivio ter encontrado esse emprego. Não vou ganhar muito, como já é de esperar, mas vou ganhar alguma coisa que é melhor do que não ganhar nada, que é o que eu estava ganhando quando cheguei aqui.
Como pode a minha vida ter mudado tanto em tão pouco tempo?
Eu devo ser a pessoa mais azarada de Panem, se bem que eu não acredito nesse negocio de sorte. A minha sorte quem faz sou eu mesma. Vou lutar para crescer, para formar uma vida digna. Para ser alguém que meu pai se orgulharia.
Eu não preciso da Universidade da Capital para me formar em alguém melhor, eu vou ser alguém melhor com os ensinamentos da vida. O meu pai não era formado em nada, era um mineiro e ainda assim era o homem mais digno que eu já conheci. O pai de Peeta também não é formado em nada, e mesmo assim construiu um império com suas padarias.
Eu sei que me formar era o grande sonho do meu pai, mas infelizmente fui obrigada a desistir desse sonho. Não que eu não vá lutar para deixar o meu pai orgulhoso, mesmo não estando mais vivo. Eu vou ser alguém melhor por ele e por mim.
Não preciso de homem algum ao meu lado, não preciso de Peeta para me amar. Eu sabia que tinha que manter os homens afastados de mim. Eu sabia que não deveria ter começado a me relacionar com ninguém. Mas, não. Eu tinha que me apaixonar pelo homem mais confuso de Panem, eu tinha que cair nas garras daquele conquistador.
Agora sim o apelido que os meninos da turma deram para ele faz sentido. Peeta é mesmo um conquistador. Fico me perguntando quantas mulheres já caíram na lábia dele? Quantas pobres coitadas já se apaixonaram por ele? Em quantas será que ele já pisou?
Sinto o meu estômago embrulhar só de pensar nisso. Mas, o meu estômago esta embrulhado com tudo ultimamente, a comida aqui do sete não tem me feito nada bem. Acho que é muito gordurosa, só pode ser isso.
Tenho que me levantar rapidamente da cama e correr para o meu pequeno banheiro para vomitar, quase não consigo chegar até o vaso sanitário. Não consigo tirar muito coisa do meu estômago, o que sai é mais um liquido amarelado nojento. Olhar para ele me dá ainda mais vontade de vomitar e é o que eu faço, porém já não a nada no meu estômago, então eu fico apenas com os incômodos espasmos do meu corpo.
Quando já sinto que estou segura para levantar, eu lavo a minha boca na pia do banheiro e depois dou descarga no vaso sanitário.
Vou tentar mudar o que estou comendo aqui no Distrito Sete, quem sabe assim eu pare de vomitar todas as manhãs e tardes. Não tenho dinheiro para ir ao médico. Não tenho dinheiro para gastar com remédios. Vou ter que me curar por eu mesma.
Hoje é um dia muito importante, então não demoro a tomar um banho rápido. Vou me mudar para a casa de uma colega do novo trabalho. Acho que ela ficou com pena de mim ao ver a minha situação terrível, odeio que qualquer pessoa tenha pena de mim. Ainda assim, ela me parece ser alguém bacana, e precisa que alguém a ajude a pagar o aluguel do pequeno apartamento em que ela vive em um bairro pobre aqui no Sete.
Seu nome é Johanna Mason, ela é mais velha que eu e tem um humor muito acido. Pelo que eu sei ela é órfã, e também está batalhando muito para sobreviver. Gostei dela logo de cara por isso, ela não é esnobe e cheia de dinheiro, igual ao pessoal que eu conheci na Capital, os privilegiados. Ela luta diariamente para melhorar de vida e crescer.
Me identifiquei muito com seus objetivos, é claro que morar na casa de uma completa estranha não foi algo que eu tive muita escolha em aceitar, todos os lugares aqui são muito caros, eu não posso pagar nada sozinha, o meu pouco dinheiro já esta indo embora por eu pagar a diária do hotel onde estou hospedada, e não posso me dar ao luxo de gastar mais nada levianamente. Tenho que pensar em cada gasto agora que eu estou sozinha. Johanna me ofereceu uma opção de moradia em um preço razoável, eu já até fui ver o local.
É um apartamento pequeno, com três cômodos mais um banheiro que nós duas teremos que dividir. São dois quartos basicamente do mesmo tamanho, uma sala que também é uma cozinha e esse banheiro.
Ela tinha uma antiga colega de quarto, que não ficou muito tempo por lá, pois de acordo com o que Johanna disse "...a vadia fez da minha casa um puteiro, eu mal podia dormir com ela gemendo no outro quarto, todos os dias, e com homens diferentes...". Logo, ela deixou bem claro que não quer homens estranhos entrando em seu apartamento todos os dias, nós podemos levar alguém lá desde que não ultrapassemos os limites da decência. Ou seja, dormir com uma legião de homens como se não houvesse o amanhã, ou pegar uma infinidade de doenças sexualmente transmissíveis.
Esse foi um outro motivo por eu gostar de Johanna, ela é incrivelmente verdadeira. Com ela não existe duas caras, ou palavras doces. Se ela tiver algo para dizer, ela vai dizer, doa a quem doer. E não tenta agradar a ninguém.
Ela também trabalha como garçonete, só que em um turno de trabalho diferente do meu. Fui contratada para trabalhar no período da manhã e inicio da tarde, Johanna está no período da tarde e noite. Ela me disse que não suporta acordar cedo e que seu mal humor é terrível.
Eu sempre fui uma pessoa matutina, não tenho problema nenhum em acordar cedo.
Hoje é o meu dia de folga do trabalho, por isso estou me mudando para a casa de Johanna, que logo será a minha também. Eu sei que a mudança não vai ser demorada, afinal não tenho muitos pertences a levar, apenas uma mala, uma mochila e a bolsa com o arco do meu pai. Isso é tudo o que tenho no mundo. As coisas mais preciosas para mim.
A lanchonete onde trabalho não fica muito distante do apartamento de Johanna, o que é ótimo já que o sistema metroviária daqui não é muito bom, e os ônibus estão sempre lotados de trabalhadores, eu prefiro andar alguns minutos até o meu serviço do que enfrentar alguns desses ônibus.
Me visto rapidamente e começo a arrumar tudo o que tenho, tenho que me certificar de que não vou deixar nada para trás, não quero perder do que tenho. Vou passar em uma lanchonete quando estiver indo para a casa de Johanna, ela já deixou uma copia da chave nas minhas mãos e eu estou ansiosa para sair desse hotel frio.
Agora que a vontade de vomitar já passou, eu estou cheia de fome. Poderia comer o mundo todo e ainda estaria com fome.
Que maluquice. Penso depois de ouvir o meu estômago roncar alto.
Estou dizendo que o meu organismo esta mais maluco que tudo no mundo. Primeiro é esse sono que não me larga, essa preguiça de fazer tudo, é claro que não me deixo abater por isso. Eu não posso, tenho que mostrar serviço ou corro o risco de ser demitida. Depois esse enjoo maldito que não vai embora por nada no mundo, tenho os momentos de trégua que são seguidos por uma fome de leão. E eu me sinto estranha. O ideal seria que eu passasse em um médico, entretanto não tenho dinheiro para isso, e uma consulta no hospital público vai levar bastante tempo para acontecer, até lá eu tenho certeza de que já estarei bem, então não é necessário me desesperar apenas por causa de um enjoo. Sou mais forte que isso.
Sinto falta da comida de Peeta, ele é um grande cozinheiro. Queria tanto comer os pães de queijo que ele faz que poderia matar por um deles. Ou um copo grande de chocolate quente do Valentine's.
Mas, isso não vai acontecer. Penso ao me lembrar. Esqueça isso Katniss, pare de sofrer.
De repente tenho que me segurar para não cair no choro. Eu não consigo entender por que diabos eu estou tão sensível assim. Eu nunca fui uma pessoa chorona e agora somente pensar em Peeta é capaz de me fazer chorar igual a uma menininha. Ontem eu chorei vendo o pôr do sol. O pôr do sol! Por que eu choraria com isso? Não consigo entender nada mais.
Estou muito sensível nos últimos dias, todavia acho que é por causa do que passei, do que todos me fizeram passar lá na Capital.
Glimmer, aquela puta loira. Nunca odiei tanto alguém em toda a minha vida.
Agora ela e Peeta devem estar muito bem juntinhos, comemorando me ver destruída. Que os dois vão para o inferno juntos. Nunca mais vou confiar em homem nenhum, nunca mais vou me entregar da forma que eu me entreguei para Peeta.
O amor não vale a dor que eu estou sentindo agora, não vale o sofrimento que vem junto.
Será que Peeta ainda pensa em mim? Como será que ele reagiu ao descobrir que eu fui embora? Provavelmente ele deve ter ficado aliviado ao descobrir que eu respeitei o seu pedido de o deixar em paz.
Mas, será que ele ainda sonha comigo, da mesma forma que eu sonho com ele? Será que eu atormento os seus sonhos?
Seria bem feito se isso acontecesse, ele merece sofrer em sonhos assim como eu sofro. Todas as noites eu tenho que reviver momentos de prazer com ele. Isso é um tormento, uma tortura.
Eu sei que o tempo vai curar toda a dor que ele me fez passar, eu sei que com o tempo eu vou me esquecer dele. Pelo menos, eu estou torcendo para isso ser verdade. Alguém não pode ficar preso em lembranças para sempre, ou pode?
Sei que uma parte de mim sempre vai gostar dele, Peeta foi o meu primeiro amor verdadeiro. Porém muitas pessoas tem vários relacionamentos durante as suas vidas. Talvez algum dia eu me apaixone por outro. Vou torcer para que isso aconteça.
Mas, não agora. Agora eu só quero esquecer tudo o que eu passei na Capital e começar uma nova fase na minha vida.
Lentamente eu fecho a porta do quarto onde eu estava hospedada e me dirijo e recepção do pequeno hotel, todas as minhas coisas estão comigo. Daqui eu vou para a casa de Johanna. Talvez depois que eu me instalar eu pegue um ônibus para a reserva florestal desse distrito, quero ver a floresta mais uma vez. Quero sentir o cheiro do solo e da árvores ao meu redor, os pássaros cantando e a vida ao meu redor.
Sim. Penso ao suspirar. Isso vai me deixar muito feliz.
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