Amarras do Passado

11 Guarded - Kevin Daniel


Notas iniciais
Olá pessoas, tudo bem? Estou revisando os capítulos, e decidi colocar no começa de cada um deles, um trecho da música tema do capítulo, assim vou sinalizar o motivo de ter escolhido tal música para determinado capítulo. =D Vou fazer com todos os capítulos, mesmo aqueles que já foram lançados (= Hoje eu não tenho muito o que dizer, espero apenas que vocês curtam o capítulo ^^ Ferjv obrigada por favoritar s2

Dias Atuais

Peeta

"...But I can't be whole until I let all this anger go,
A silent strain I've carried long enough..."

Kevin Daniel

***

— Eu sabia que iria te encontrar aqui. — Peeta ouviu a voz de seu pai dizer. Então olhou para trás e sorriu.

— Você sabia? Como? — Perguntou curioso.

— Você sempre usou esse lugar para se esconder da sua mãe, quando criança. — Contou Rodrick ao se aproximar do filho. — E, eu tenho uma leve suspeita que você sempre gostou da vista.

Ele estava certo.

Peeta realmente veio até a varanda da cobertura, para se esconder de sua mãe e desses jantares horríveis que ele não podia mais suportar, mesmo tentando muito por causa do seu pai. Mas, a cada ano que se passava estava ficando ainda mais difícil comparecer e fingir que tudo em sua vida estava bem.

Claro que ele também vinha, até está varanda, pela vista, ele tinha que confessar que a vista da Capital na cobertura do prédio onde seus pais moravam realmente era linda.

Ele até mesmo tinha alguns quadros pintados daquela visão.

Durante o amanhecer e no crepúsculo era um verdadeiro choque de cores.

— É verdade, o senhor me conhece muito bem. — Respondeu Peeta, depois de dar um sorriso triste. — Como estão as coisas lá embaixo?

— Muito bem, sua mãe está dando um sermão em Vaator sobre a importância de se usar uma grava apropriada em jantares noturnos. — Disse Rodrick com um leve ar de irritação na voz. — As vezes eu me pergunto se tudo não seria melhor de tivéssemos ficado no Distrito Doze.

— Ela seria um pesadelo lá também. — Peeta não pode evitar o cinismo em sua voz.

— Eu tenho certeza que sim, mas teríamos escolha de não usar gravata nos jantares de família. — Dizendo isso seu pai afrouxou a gravata vermelha que usava.

Peeta riu sem humor e depois deu mais um gole no copo de uísque que segurava na mão esquerda. A bebida desceu queimando em sua garganta, mas ele quase não notava o gosto ruim. Depois de um suspiro cansado ele olhou para o céu, chuva se aproximava da Capital, grandes nuvens cinzentas cobriam o horizonte.

Nuvens cinzentas como os olhos de tempestade de Katniss.

— Você está infeliz. — Afirmou Rodrick encarando o filho. Seus olhos sérios e preocupados.

Peeta encarava os olhos azuis de seu pai, olhos que eram iguais aos seus próprios. Ele tinha sido o único de seus irmãos a nascer com olhos azuis. Seus irmãos mais velhos tinham os olhos castanhos de sua mãe.

— Eu estou bem. — Mentiu ele.

— Onde esta Glimmer? — Perguntou Rodrick ao apoiar a lateral de seu corpo na balaustrada da sacada. — Já faz algum tempo que eu não a vejo.

— Glimmer está em casa, eu acho. — Respondeu Peeta depois de dar outro gole em seu copo de uísque. — Nós estamos brigados.

— Eu entendo. — disse Rodrick, e Peeta pode ver um lampejo de pena nos olhos dele, uma coisa insuportável de ver em seu próprio pai.

Os dois ficaram em silêncio por alguns minutos. Estar na presença de seu pai nunca tinha sido desconfortável. Mas, agora era.

E ele já estava decidindo entrar novamente na casa de seus pais quando algo surpreendente aconteceu.

— Peeta. — Começou seu pai, sua voz era quase um sussurro. — Eu sempre achei curioso a forma como o amor acontece nas pessoas. Sabe, em minha vida eu pude ver isso acontecer com várias pessoas, algumas encontram o amor várias vezes, outras pessoas acham que estão amando, mas em realidade não fazem a miníma ideia do que estão sentindo. Outras pessoas nunca encontram o amor, pois estão muito preocupadas consigo mesmas. E existem pessoas que encontram o amor apenas uma vez.

Os olhos azuis de Rodrick estavam presos nos do seu filho.

— Acho que nunca contei essa história para ninguém, mas gostaria que você ficasse sabendo. — Continuou ele, Peeta não estava entendendo onde seu pai queria chegar com o que estava dizendo. — Eu amei profundamente uma vez.

—Mamãe? — Perguntou incrédulo.

—Não. Não foi sua mãe. — Respondeu a interrupção do filho. — Não me leve a mal, eu amei a sua mãe, a minha maneira. Mas, nunca foi um amor tão forte quanto o que eu senti por uma moça do Doze. Lizbeth, em nossa juventude era a garota mais bonita do Distrito. — Os olhos de seu pai brilhavam intensamente com a lembrança. — Você tinha que tê-la visto, longos cabelos loiros, olhos azuis da cor do céu, o coração mais gentil que eu já vi em uma pessoa e era tão apaixonada pela vida. Nós crescemos juntos, pois ela era filha do boticário e eu era seu melhor amigo.

Para Peeta, as lembranças pareciam sagradas nos olhos de seu pai. Doces, sagradas e tristes.

— Eu a amava profundamente e ela nunca soube dos meus sentimentos. Consegui beijá-la apenas uma vez, em um final de ano na praça do Distrito. — Havia algo na voz de seu pai, uma mágoa profunda e grande resignação. — Eu sempre fui um rapaz tímido e quando jovem eu era um grande covarde, e permiti que meus sentimentos por ela nunca fossem revelados. Lizbeth cresceu e encontrou outra pessoa. Um rapaz morador da Costura, e mesmo sendo muito pobre e filho de um mineiro, ela preferiu ficar com ele. Abandonou sua família, sua casa confortável no centro e foi viver na Costura com um mineiro.

Houve outro momento de silêncio. Peeta tinha perguntas, mas não queria interromper a história de seu pai.

— Os anos passaram, ela se casou. Em seguida eu me casei com sua mãe e tive vocês. Lizbeth teve duas filhas. Eu quero que você saiba que meus filhos são tudo para mim. As maiores preciosidades na minha vida. — Rodrick deu dois tapas suaves nas costas de Peeta, seus olhos estavam cheios de emoção. — Meu contato com Lizbeth foi ficando cada vez mais escasso, até que cessou completamente. Eu nunca a tive, fui covarde demais para lutar por ela, e agora já é tarde de mais para mim...

Peeta ficou chocado ao ver duas grossas lágrimas escorrerem pelos olhos de seu pai. Mas, Rodrick não tardou em enxugá-las.

— De certa forma eu sempre vou amar Lizbeth. Sua mãe não suporta ouvir o nome dela, e como os laços do matrimônio, a meu ver, são sagrados, algo que as pessoas não podem anular com um contrato, como as pessoas aqui na Capital fazem. — Continuou ele, seus olhos voltando-se novamente para Peeta. — O que eu quero que você saiba com a história que eu te contei é que eu não posso mudar o meu destino, Peeta. Mas, é meu dever de pai te alertar a respeito do seu.

— Não estou entendendo. — Disse Peeta, sua voz estava cheia de significados ocultos.

Será que seu pai estava tentando dizer o que Peeta achava que ele estava tentando dizer?

— Sim, você entende, se a alguém nessa família que entende, esse alguém é você. — Afirmou seu pai de forma triste. — Você já encontrou o amor, o mesmo tipo que eu encontrei a tantos anos atrás, já há algum tempo eu posso ver nos seus olhos. E não foi com a jovem Glimmer, foi com aquela moça do Distrito Doze, Katniss Everdeen.

— Como você pode ter tanta certeza? — Peeta perguntou de forma dura, mesmo que sua voz tivesse um pouco de fragilidade.

— Eu sou seu pai, Peeta. Eu sei o que acontece com meus filhos. — Respondeu ele. — E você e eu somos diferentes de sua mãe e seus irmãos. Você sabe disso. Eu não sei até que ponto isso é bom ou ruim para você. Mas, de uma coisa eu tenho certeza filho.

— O que? Do que você tem certeza pai? — Voltou a perguntar dessa vez mais curioso que antes.

Poderia ser um efeito do uísque, mas, de repente, Peeta passou a se sentir muito confortável em conversar com seu pai, assuntos que para ele eram tão particulares. Há muito tempo os dois não tinham uma conversa plena e limpa, sem o fingimento da etiqueta ensinada por sua mãe de forma fervorosa.

— Você não vai ser feliz com a menina Glimmer. Ela é uma ótima moça, é muito bonita e vivaz, mas não tem o espírito suficientemente forte e doce para prendê-lo ao lado dela. — Respondeu Rodrick olhando-o nos olhos, havia uma súplica escondida ali. — Eu não quero que você pense que eu estou te empurrando para um casamento com ela, ou que eu esteja invadindo a sua privacidade. Eu apenas quero te alertar, pois me dá medo pensar que seu futuro posse ser como o meu.

Peeta não podia acreditar no que o seu pai estava falando. Na sinceridade em sua voz.

— Eu, de certa forma, causei a infelicidade em meu matrimônio, pois não lutei por aquilo que amava. O seu destino pode ser diferente. Vai ser diferente.

— Não, não vai, eu já estraguei tudo.

— Não, Peeta. — Interrompeu o seu pai aflito. — Eu soube que o seu destino iria ser diferente no momento em que eu coloquei os meus olhos na menina Everdeen, lembrá do dia em que você nos apresentou na cozinha da padaria?

Peeta afirmou positivamente com a cabeça. Ele nunca esqueceria daquele dia, de Katniss com farinha em suas bochechas, do gosto de morango em seus lábios.

— Eu mal pude acreditar quando olhei para ela. A última vez que eu a tinha visto ela estava com sua mãe e seu pai no centro do Distrito Doze. — Contou seu pai sorrindo. — A bela mulher que ela se tornou, tão parecida com a mãe.

— Você conheceu a mãe de Katniss? — Perguntou Peeta surpreso.

— A mãe de Katniss é Lizbeth. — Respondeu ele com um sorriso. — Talvez, por fim, o destino tenha dado a volta no rumo de nossas vidas. Para que meu filho, e a filha da mulher que sempre amei pudessem se encontrar e se apaixonar um pelo outro.

— Eu não posso acreditar. — Disse Peeta confuso. Toda essa história parecia surreal de mais para ser verdadeira.

Isso sim seria uma bela reviravolta do destino. Se não fosse por um grande problema.

Katniss tinha desaparecido da Capital há quatro anos. E ninguém tinha notícias dela.

— Eu não sei onde ela está, pai. — Falou Peeta, uma confidência que estava entalada em sua garganta a muito tempo. — Ela sumiu a muitos anos, não sei onde ela está.

Peeta teve que controlar ao máximo a vontade de chorar na frente de seu pai. Buscar consolo como quando ele era criança e caia no chão após uma brincadeira.

— Eu apenas não sei o que fazer, pai. — Contou Peeta aflito, deixando um pouco da verdade em seu desespero escapar de seus lábios. — Eu não consigo esquecê-la, não consigo seguir sem ela, sem saber se ela está bem, se existe alguém que a abrace no aniversário de morte de sua irmã, eu não posso suportar ficar longe dela e não sei onde ela está, eu não sei o que fazer.

— Eu entendo, meu filho. — Sussurrou seu pai ao tocá-lo no braço em um gesto de consolo. — Hoje depois de muito pensar eu sei que meu destino não era ficar com Lizbeth. Nossos caminhos não seguiriam para o mesmo lugar. Mas, você e aquela moça são diferentes. Você irá reencontrá-la no momento certo. Se vocês vão ficar juntos? Isso é uma decisão que cabe apenas a vocês. Mas, vocês vão se reencontrar.

— Mas, e Glimmer? — Ouço-me perguntar. — Mamãe vai ficar furiosa.

— Isso cabe a sua mãe superar, você tem que buscar a felicidade a sua maneira. E não se preocupe com Glimmer, ela vai encontrar alguém que também a faça feliz, como eu disse, ela é uma jovem vivaz e autoconfiante. Ela vai ficar bem. — Continuou ele falando, e pela primeira vez em muito tempo Peeta pode se sentir aliviado e confiante no futuro. — É a sua felicidade que me preocupa. Você é um homem-feito, Peeta. Não é o covarde que eu fui no passado. Está na hora de você lutar pela sua felicidade.

Seu pai era muito sonhador, mas dizia muitas verdades. Pode ser que Peeta nunca reencontrasse com Katniss em sua vida, mas ele tinha que buscar a felicidade. Ele empurrou esse romance com Glimmer por tempo demais, estava na hora de dar um basta nisso. Ele nunca seria feliz com ela, e, com certeza, nunca a faria feliz.

Estava na hora de ter, novamente, as rédeas de sua vida em suas mãos. De libertar a ambos desse sofrimento.

Notas finais
Então, vou tentar postar o próxima na segunda, mas ainda o estou escrevendo. Esse capítulo não quer sair por nada no mundo kkkk E é um capítulo que eu sei que vocês vão gostar ( é na visão do Peeta) (= Até lá...