Amarras do Passado

35 Give Me Love - Ed Sheeran


Notas iniciais
Olá Pessoas ^^ Desculpem postar o capítulo tão tarde, sai mais cedo da faculdade e corri para casa para fazer isso. Eu ainda tinha que terminá-lo por isso a demora em postar. Muito obrigada as novas leitoras que estão comentando, obrigada por aparecer por aqui. Fantasmas, por favor aparecem. Façam o meu dia mais feliz. O capítulo de hoje é um capítulo especial, que eu sei que foi muito esperado, mas que ainda não é o capítulo MAIS esperado. Enfim, enjoy!

Dias Atuais

Peeta

"...Give me love like never before
'Cause lately I've been craving more
And it's been a while but I still feel the same
Maybe I should let you go

You know I'll fight my corner
And that tonight I'll call ya
After my blood, is drowning in alcohol
No I just wanna hold ya..."

***

Eu virei a droga de um perseguidor.

Ok, não é um perseguidor da forma que as pessoas imaginam, pois eu não tenho intenções ruins. Mas, eu preciso saber onde Katniss mora.

Ela não vai me contar isso, de jeito nenhum. Então a única forma que eu consegui pensar para descobrir isso foi a seguindo. Eu sei, sou muito patético por essa atitude, mas não sabia mais o que fazer.

Katniss não apareceu no Valentine's em nenhum dia nessa semana. E eu fui lá todos os dias, fiquei esperando por ela pelas primeiras horas da manhã, mas nada de ela dar o ar da sua graça.

Foi então que eu lembrei de algo que ela tinha falado no restaurante, no dia do nosso reencontro. Ela disse para Annie que tinha chegada atrasada por que Cinna precisava que ela ficasse um pouco mais no trabalho. Isso aconteceu na hora do almoço, então eu até posso imaginar o dia cansativo que ela teve. Todavia, foi esse detalhe que quase passou despercebido.

Ela trabalhava para Cinna, aquele estilista famoso da grife onde ela posou para uma campanha de outono. Como eu pude ser tão burro ao ponto de quase perder esse detalhe. Ainda bem que eu lembrei disso, ou teria que ligar para Haymitch e ficar implorando por qualquer noticia que ele poderia me dar.

Então tudo o que eu precisava fazer era descobrir onde ficava o endereço do escritório dessa grife. Não foi muito difícil descobrir isso já que eu tinha o telefone deles da época em que o Outdoor com a foto da Katniss tinha saído aqui na Capital.

Depois de descobrir o endereço do lugar eu só precisei aguardar ao termino do turno de trabalho dos escritórios. Tive que sair muito mais cedo do meu próprio trabalho no escritório da Mellark's para me jogar nessa loucura, mas estou feliz por ter tido sucesso em minha busca.

No horário previsto, eu estava próximo ao escritório onde ela trabalha, e eu sei que ela pediu para eu parar de segui-la pela Capital e blá-blá-blá. Não levei a sério em nenhum momento, não depois dos beijos que nós dois dividimos.

Beijos esses, que estão me atormentando até agora. Tudo o que eu quero e sentir o gosto doce dos seus lábios nos meus mais uma vez. Ter os meus braços em torno das suas curvas femininas e me afogar em seu perfume de flores. Eu passo metade das minhas noites acordado, naquele maldito quarto de hotel, somente imaginando deitá-la em qualquer cama comigo.

Eu tive quatro anos de miséria por causa dela, não vou tolerar muito mais de nosso distanciamento. Principalmente depois da forma que o nosso último encontro acabou. Eu preciso de alguma resposta dela, qualquer coisa.

Não tive que esperar muito para vê-la saindo do grande prédio espelhado onde ela trabalhava. Mais uma vez ela estava linda em uma roupa social básica, que nela ficava sensual e quente. Tão bonita que me fez suspirar.

Dentro do meu carro, tudo parece mais fácil do que é na verdade. Qualquer justificativa pelos meus atos é valida, eu sou o juiz das minhas decisões, sendo elas boas ou ruins. E nesse momento eu tento me convencer de que segui-la não é ruim.

Um lado meu batalha fortemente para que eu dê as costas e vá embora, para que eu a deixe em paz, e me diz incansavelmente que esse não é modo certo de descobrir qualquer coisa da vida misteriosa de Katniss. Eu até escuto essa parte, mas não consigo me convencer, não de todo.

A verdade é que eu estou desesperado. O que pessoas desesperadas fazem em situações devastadoras?

A pior sensação que eu tenho no momento é a de estar perdendo alguma coisa. Algo muito importante está escapando das minhas mãos, a sensação de perda é tão grande que eu sinto o meu coração apertar em uma dor profunda e escura. Um peso no meu peito que comprimi tudo por dentro.

As vezes penso que eu a reencontrei apenas para perdê-la mais uma vez. E todos os instintos do meu corpo me dizem para ir até ela, para não deixar Katniss sumir novamente. O amor que nós tivemos não foi um de espécie simples e doce de amor.

Com ela eu sou mais forte e consigo me sentir inteiro, em paz. Quando ela sumiu eu fui tomado por uma agonia, por uma inquietação na alma. E mesmo que a dor por sua perda tenha diminuído com o passar dos anos, e a aceitação de que talvez eu nunca mais a fosse encontrar me mantinham acordado durante as noites, mesmo todos os beijos que eu dei em Glimmer tentando afogar dentro de mim a necessidade que eu tinha de Katniss. Nada disso pode me afastar de desejar ver mais uma vez os seus olhos cinzentos.

Eu não quero perdê-la mais uma vez, não quero ser indiferente para ela. Me recuso a acreditar que a mulher que amei não esta mais lá dentro. Katniss quer matar tudo o que sentiu por mim, isso é bem obvio, eu apenas quero entender o porquê.

De dentro do meu carro eu a vejo conversar com uma outra mulher, não consigo ouvir o que elas conversam, mas parece uma conversa agradável. O sorriso de Katniss ilumina tudo em volta. Eu quero estar ao lado dela, eu quero ser o responsável por seus sorrisos.

Katniss olha no relógio de pulso que tem, e diz algo para a mulher, está sorri de volta e elas se despendem. Pouco depois de a mulher se afastar, eu até cogito sair do carro, atravessar a rua movimentada e ir atrás da minha morena mais uma vez, dessa vez eu a levaria direto para o hotel onde estou hospedado e faria amor com ela por toda essa noite. Estou quase saindo da caro quando vejo um homem se aproximar dela.

E o mesmo homem do restaurante. Ele esta sorrindo para ela, e seus braços estão estendidos para um abraço. Assim que Katniss o vê, ela caminha até ele. Ambos se encontram no meio do caminho e se beijam de forma discreta. Eu tenho que fechar os meus olhos e controlar a minha irritação crescente por vê-la nos braços de outro homem. Principalmente porque eu é que deveria ser o homem que vem buscá-la na porta do trabalho, eu deveria estar lá agora. Não esse sujeito.

Eu gostaria de saber qual é a relação deles? São namorados? São noivos? Amantes? Casados? O que diabos ela esta fazendo com esse homem? A quanto tempo estão juntos? Minha mente explode em um milhão de perguntas diferentes, e em possibilidades variadas.

Depois de um breve e caloroso cumprimento, eu os vejo darem as mãos e ele a leva até um carro estacionado mais atrás de onde estou com o meu. O homem ruivo, qual era mesmo o nome dele? Damio? Datiu? Darius? Isso, o nome dele é Darius.

Darius até mesmo abre a porta do carro para ela entrar, ele é bem cavalheiro, e até tem uma expressão gentil no rosto. Foda-se, eu sei ser mais gentil e cavalheiro do que ele. Eu sou uma melhor opção para fazer Katniss feliz, e não é por colocá-la e idolatrá-la em um altar, longe disso. Eu a amo, e sou dedicado a esse amor, sou dedicado a ela. Eu a respeito, a admiro, e me sinto orgulhoso dela, de seu progresso na vida, de sua força inabalável.

Eu aposto que esse Darius não sabe admirar as covinhas nas bochechas de Katniss quando ela sorri divertida. Ou reparou que ela sempre franze o nariz quando está apreensiva o que deixa o seu rosto tão adorável que eu dificilmente conseguia controlar um suspiro apaixonado.

Sou apaixonado pelas pequenas coisas nela, pelos sinais em seu corpo, pelas poucas sardas em seu nariz, pelo modo como os seus olhos ficam sérios quando ela esta profundamente concentrada. A forma com que ela vira o pescoço quando esta confusa. E outras tantas coisas que eu ficaria uma vida enumerando os meus motivos por amá-la.

E estou certo de que esse homem nunca vai precisar dela como eu preciso.

Tenho que segui-los quando Darius dá a partida no carro e ambos saem pela avenida. O trânsito nesse horário é bem movimentado, mas não é tão caótico ao ponto de carros bateram e pessoas gritarem uma com as outras. Não desse lado da cidade.

Tento segui-los à uma certa distância, não quero que meu plano estúpido e errado de segui-la seja descoberto. Katniss me mataria, e Haymitch tem razão em dizer que ela tem uma mira impecável.

Eles entram e saem em diversas ruas pequenas, provavelmente atravessando a cidade por ruas menores, cortando caminho entre os piores lugares do trânsito da Capital. Logo eu vejo o carro de Darius parar em um pequeno estacionamento de uma escola infantil. Não faço a menor ideia de porque eles estão aqui, mas não gosto disso. A inquietação que existe dentro de mim cresce de forma bem alarmante.

Eu estaciono perto de onde eles estão, mas tenho a cobertura de alguns grossos arbustos em volta do pequeno estacionamento, que cobrem uma parte do meu carro. O meu coração esta tão disparado no peito, que eu quase posso senti-lo saltar pela minha garganta.

Darius e Katniss saem do carro, dessa vez ela não espera que ele abra a porta para ela. Eu tenho um pouco de dificuldade em ver o seu rosto por causa da distância que nos separa. Darius e ela conversam por alguns instantes e logo depois de mais um beijo rápido ele se afasta para dentro da escola.

Eu estou quase tirando o meu cinto de segurança e indo até onde ela está. Exigir qualquer resposta dela que possa aquietar o meu coração e a minha alma que esta queimando nesse momento.

São os piores minutos da minha vida, esperar dentro desse carro são os piores minutos dos últimos anos. Minhas mãos estão apertando a direção do meu carro com tanta força que os nós dos meus dedos estão esbranquiçados. Eu sinto dor por causa da força que estou usando, porém não consigo soltar o meu aperto.

Algo está para acontecer, algo que vai me destruir. Eu não estou preparado para isso.

Estou tão concentrado em Katniss que quase perco a volta de Darius. Quase perco Katniss se agachar no chão de braços abertos para receber a menininha que corria para ela.

Eu só pude distinguir um som alto em toda a nevoa de confusão que me abateu. Um grito longo, feliz e doce.

– Mamãe! — Gritou a menina ao se lançar nos braços de Katniss.

– Que saudade de você...- Ouço a voz de Katniss dizer alto, ambas estão rindo felizes.

Minha morena apenas a pegou e a suspendeu com alegria, elas giraram um pouco e se abraçaram com mais força ainda. Ambas estavam com as costas viradas para o meu lado, mas eram inconfundivelmente parecidas. Os mesmos cabelos escuros de Katniss, eram os cabelos de sua filha.

Filha. Katniss tem uma filha!

Eu acho que nunca estive tão chocado como agora. Como ela pode me esconder isso no nosso último encontro.

Logo, ela e sua filha entram no carro junto com Darius. E não demoraram para ir embora, eu não pude ver o rosto da menininha, mas aposto tudo o que tenho, e todo o amor que sinto em meu peito que ela era a cara de Katniss. Uma copia em miniatura de sua mãe. Ou uma Katniss criança.

Logo as lágrimas invadem os meus olhos, mas eu as empurro para dentro do peito, ainda não sai do estacionamento, não sei se consigo dirigir agora, não sei se posso me concentrar em mais nada a não ser na dor em meu peito. Estou me afogando em dor. O grito da menininha de "mamãe" ainda esta ecoando em meus ouvidos, uma e outra vez.

Katniss não era mais a garota que eu conheci, agora ela era mãe de uma linda garotinha. Ela não estava saindo com Darius, eles eram um casal, eram marido e mulher. Ela se casou com outro homem, teve uma filha com outro homem.

Isso é errado. Ela era minha, minha garota, minha morena, meu amor, minha Katniss. Eu a perdi.

Ela já esta com outro agora, já pertence a outro homem. Estou sendo um iludido por continuar a correr atrás dela. Katniss nunca vai terminar um casamento feliz para ficar comigo, e toda a bagunça emocional que eu sou.

Como eu vou competir com isso, com um marido dedicado e uma filha? Não que eu não fosse amar qualquer criança que ela colocaria no mundo, sendo ou não filho meu, eu a quereria da mesma forma. Mas, Katniss é muito leal, ela nunca deixaria o marido, ou o pai da filha dela para ficar comigo. Ainda assim, sou eu que deveria dar os filhos dela, nós dois deveríamos compartilhar desse milagre juntos. Eu é que deveria ser o pai de qualquer filho dela.

Eu sempre sonhei com isso. Em ter uma família, em ter filhos com a mulher que amo, em envelhecer ao lado da minha família, em ver os meus filhos crescerem, casarem e me darem netos para amar. E eu sempre sonhei que Katniss me daria isso, algum dia. Porque eu a amo mais do que já amei qualquer outra mulher no mundo.

Que Katniss me permitiria amá-la tanto que uma vida surgiria disso, uma nova vida que cresceria dentro dela e nasceria do amor compartilhado. Mas, por algum motivo que eu não tenho conhecimento, eu cheguei tarde demais.

O corpo dela ainda pode responder ao meu, pois a química em que estamos envolvidos nos completa. Entretanto, o amor já não existe mais, não da parte dela pelo menos. Essa é uma luta fadada ao fracasso. Uma batalha que eu não vencer.

Uma filha. Eu mal passo acreditar que Katniss tem uma filha.

Estou no piloto automático do meu cérebro, e sem que eu note com muita clareza, eu estou me movendo pela Capital, não levo mais de vinte minutos para chegar ao meu destino final. Eu não vou para o meu quarto solitário de hotel, preciso me afogar em esquecimento de qualquer jeito, preciso esquecer Katniss Everdeen, nem que seja por uma noite.

Na verdade, preciso esquecê-la para sempre. Deixar que o destino siga o seu rumo e a leve para longe de mim. Ela já não é minha garota, já não é minha morena. Esses títulos pertencem a outra pessoa agora, a esse Darius, seja lá qual for o sobrenome dele.

Como eu vou fazer isso, como eu vou esquecê-la? Se em quase cindo anos, com Glimmer ao meu lado eu não pude esquecer. Como farei isso essa noite, nos próximos dias e semanas, e meses e anos. Viver uma vida toda sem ela.

Deixo o meu carro no estacionamento privado do clube, e entro depois de pagar uma entrada absurdamente cara.

Não existem muitos lugares como esse na Capital, eu conheço esse por minha juventude. Quando Finnick, Cato, Thresh e eu eramos rapazes, loucos para perdem nossas virgindades, todos tínhamos dinheiro o que possibilitou a nossa entrada no clube. É claro que o pai de Cato nós trouxe aqui. Quando nós tínhamos dezesseis anos já eramos homens, e como tal nós devíamos conhecer os prazeres que um corpo feminino podia nos proporcionar.

Eu não sei dos meus outros amigos, mas eu estava tão nervoso que mal pude desfrutar a sensação de uma mulher na cama comigo. Mal podia acreditar que estava com uma mulher, em primeiro lugar. Nunca mais voltei aqui em todos esses anos, nunca tive essa necessidade. E tenho certeza que meu pai, um homem conservador, nem sonharia que eu já estive em um lugar igual a esse.

Hoje, vou beber até que não consiga lembrar do meu nome, até esquecer tudo o que vi mais cedo. Até esquecer que perdi Katniss para sempre. Até esquecer que ela teve uma filha com outro homem. Eu vou beber até o meu sangue se transformar em álcool.

Logo que entro no lugar vejo alguns seguranças andando em volta, muitos mulheres quase que inteiramente despidas desfilam pelo ambiente, algumas mais corajosas estão dançando sensualmente em pequenos palcos, rodeados de alguns velhos endinheirados, alguns adolescentes também andam pelo lugar, garotos que iguais a minha turma em nossa juventude, estão aqui para terem a sua primeira experiencia sexual. Dá para ver no rosto dessas crianças o medo e a expectativa pelo que vai acontecer.

De repente eu sinto uma enorme vontade de ir para cada um deles e dizer para eles irem embora, para não acreditar em mulher nenhuma. Todos seremos pisados por elas no final. Eu quero me afastar daqui e quero estar aqui.

Katniss não me traiu, ela nunca prometeu que ficaria ao meu lado. Me disse que estava apaixonada por mim apenas uma vez, mas isso foi à muitos anos. Eu não posso cobrar que ela ainda continue apaixonada por mim. Ainda assim, eu me sinto incrivelmente traído por ela.

Ela teve uma filha com outro homem. Penso irritado e triste, está sendo difícil engolir essa realidade.

Eu sempre soube que o amor doía, mas eu nunca sequer imaginei que o amor poderia me destruir tanto, que tivesse o poder de me fazer sentir um completo nada. Um lixo na sola do sapato de alguém. Eu não queria sentir mais o amor. Vou lutar com tudo o que tenho para esquecer que amo Katniss, para matar esse sentimento no meu peito de uma vez por todas. E quando isso acontecer eu nunca mais vou amar ninguém, nunca mais vou me entregar da forma como eu me entreguei para ela.

Atravesso o lugar, algumas mulheres vestidas em lingerie veem me abordar eu apenas as dispenso com poucas palavras. Assim que eu me aproximo do bar, eu procuro o lugar mais escuro para me sentar. Escolhi esse clube porque sei que ninguém vai me procurar aqui.

O garçom vem me atender e eu peço uísque. Começo a beber de forma desenfreada. Logo, eu sinto os meus membros dormentes pela bebida, e meu cérebro mais leve de toda dor. Não senti que estava chorando até passar as mãos em meu rosto e notar a umidade em minhas bochechas.

Assim que eu noto essa umidade, eu seco os meus olhos com pressa. Essas malditas lágrimas, odeio todas elas, odeio tudo ao meu redor, odeio toda a situação em que me meti, odeio Katniss Everdeen, odeio o marido dela, e odeio a filha também. Odeio os meus pais, odeio os meus irmãos e amigos. E me odeio acima de todos os outros.

Isso está errado, nada disso deveria estar acontecendo comigo. Katniss tinha que ser minha, da mesma forma que eu sou dela. Ela tinha que me amar, como eu a amo. Ela tinha que ter os meus filhos. Ela nunca deveria ter me deixado, nós deveríamos ter terminado a universidade juntos, deveríamos ter noivado, e depois deveríamos nos casar. Nosso casamento aconteceria em um mês quente de forma muito simples, porque Katniss odeio cerimonias grandes. Ela estaria vestindo um bonito vestido branco, e eu choraria ao vê-la entrar na pequena capela de casamentos. O meu pai e nossos amigos estariam ao nosso lado. E no final do dia mesmo estando na Capital, nós assaríamos o tradicional pão que demostraria que ambos estávamos casados. Um ritual praticado até hoje no Distrito Doze, que nenhum dos convidados entenderia, mas que Katniss e eu saberíamos o que significava.

Nós dois deveríamos nós mudar para o Distrito Doze, eu compraria uma bonita casa e nós teríamos um jardim verde cheio de flores. Eu reabriria a padaria do meu pai lá, e nós dois viveríamos felizes e juntos, eu pintaria nós finais de semana enquanto ela caçaria apenas para se distrair, eu brigaria com ela por achar isso muito perigoso, mas ela me distrairia disso ao me convidar para a sua cama. E eu a perdoaria. Eu a engravidaria e ela me daria a criança mais linda para ser pai. Nós perderíamos várias noites de sono para cuidar de nosso filho ou filha, e faríamos amor muito silenciosamente para não acordar o bebê.

Haymitch seria o padrinho de nossa criança e nós dois o visitaríamos nas férias, ele também viria ao Distrito Doze de vez em quando, alegando que nós dois estávamos afastando a criança dele. Que queria estar mais próximo. Meus pais amariam o neto ou a neta deles, e eu agradeceria todos os dias, silenciosamente e em meus pensamentos, por ter a mulher mais bonita e maravilhosa de Panem ao meu lado.

Estou chorando novamente. Esse é o sonho mais ingenuo que eu já tive. É claro que as coisas não aconteceriam dessa forma, eu estava destinado a perdê-la.

Por que eu estava destinado a perdê-la? Por que?

Levo mais tempo para me acalmar dessa vez, e logo tenho outra rodada de uísque para beber. Uma mulher ruiva vem até onde eu estou e se senta ao meu lado. Eu nem tento disfarçar o meu estado deplorável.

– Dia difícil? — Pergunta ela séria, não consigo reparar se ela é bonita ou feia, se é gorda ou magra. A única coisa que noto é que seus longos cabelos são vermelhos.

– Você não sabe o quanto. — Respondo secamente.

– Eu poderia fazer o seu dia melhor. — Ela me diz de modo sensual, sua mão se estende para tocar a minha coxa.

– Estou certo que conseguiria. Não me leve a mal, mas não estou afim. — Digo o mais sincero possível. — Eu apenas...

– Esta procurando um lugar para se esconder? Para afogar as suas mágoas? Já percebemos isso, gato. — Diz ela sorrindo amigavelmente. — Você tem certeza que não quer se divertir? Minhas amigas e eu podemos fazer você esquecer qualquer coisa.

– Eu agradeço a oferta tentadora, entretanto não quero. Apenas quero beber e beber. — Digo a olhando.

– Ok, vou respeitar isso. Apenas me chame se você quiser se divertir, eu posso fazer você esquecer qualquer mulher. — Fala ela com uma voz manhosa ao afastar a mão da minha coxa e se levantar. — Sou conhecida aqui como Cara de Raposa. Me deixe saber se eu puder te ajudar.

– Vou sim, prometo. — Respondo tentando sorrir, mas sem conseguir.

Logo a mulher se afasta, e eu volto a pedir outra dose de uísque. Não quero ruiva nenhuma, quero uma morena de olhos cinzentos. Quero afundar o meu pau na boceta molhada e quente de Katniss e exigir que ela me ame de volta.

É isso o que eu quero. Sem contar que no estado que eu estou é bem capaz que eu não consiga terminar o ato com ninguém, é provável que eu caia no choro em cima de alguma prostituta e me envergonhe ainda mais.

Tenho que pensar em meios de esquecer Katniss, tenho que me afastar dela. A partir de hoje eu não vou mais procurá-la, vou afastá-la da minha vida de uma vez por todas.

Notas finais
Não me matem, eu sei que o capítulo foi confuso e que encheu o coração de vocês de raiva. Apenas saibam que no próximo capítulo dos Dias Atuais, o Peeta vai descobrir muitas verdades. Esse segredo está prestes a acabar. O que acharam? Me contem Até segunda (=