Amarras do Passado

24 Enchantment - Corinne Bailey Rae


Notas iniciais
Olá pessoas, tudo bem? Eu ainda estou sem internet, infelizmente. Por isso estou postando o capítulo da casa da minha tia. Mais uma vez obrigada por todo carinho e compreensão. Para mostrar o quanto eu gosto de vocês, eu vou dizer o número do capítulo em que eles se reencontram, mas aquelas que quiserem saber vão ter que deixar um comentário aqui. Vou respeitar o suspense para aquelas que querem mantê-lo. ^^ O reencontro está perto. Enfim, enjoy!

Passado

Katniss

"... I wait for you.

I'm mesmerized this love is like a potion in disguise.

I'd tightrope walk with a blindfold on my eyes.

I can't escape, or so it seems.

I'd run away, he's in my dreams.

he possesses an enchantment…"

***

Se eu continuar assim, pode ser que dê certo. Penso solitária.

Eu verdadeiramente não gostaria de fazer algo que pudesse machucá-lo. Thresh não merece que eu seja uma vadia sem coração com ele. E nem é a minha intenção. Acho que se eu ficar com ele mais tempo, talvez eu consigo gostar dele. Gostar de seu toque, de seus abraços ou do seu beijo. Eu só tenho que tentar mais um pouco. Vai acontecer eu tenho certeza que vai.

Deixo um bufo irritado escapar de meus lábios.

Quem eu estou enganando?

Eu gosto de Thresh. Ele é um bom amigo. Eu apenas não gosto dele da forma que eu deveria gostar. Da forma que eu gosto de Peeta.

E eu sei que deveria gostar dele, ele é um garoto tão legal, um bom amigo, está verdadeiramente interessado em mim, tem uma conversa agradável, me trata muito bem e não tem compromisso com nenhuma outra garota. Ou seja, ele é perfeito para que eu posso me apaixonar.

Mas, as pessoas não decidem por quem devem ser apaixonadas, não é mesmo? O que eu acho uma grande injustiça da vida. Eu deveria ter o controle sobre esse tipo de coisa, afinal é minha vida, minhas decisões. Quem vai sorrir ou sofrer serei eu.

Sei que estou me enganando. De alguma forma e por algum motivo eu devo ter escolhido Peeta, e agora eu não consigo deixar de o escolher. E eu estou com tanta saudade dele.

De ouvir sua voz grossa chamar o meu nome. De sentir os seus braços em volta do meu corpo, de sentir seus lábios nos meus, de ouvir o som da sua risada.

Sinto falta de ficar sem fôlego por ele. Por Peeta.

Diariamente eu tento me convencer de que a minha decisão de beijar o Thresh na frente dele foi a decisão correta. Que no final de tudo eu fiz o certo. Mas, eu não sinto que foi o certo. Não me sinto aliviada, não me sinto feliz com os últimos dias. Mesmo que o Thresh esteja, de todas as formas, tentando fazer com que eles sejam bons.

Ele me leva para sair durante as tardes em que não estou trabalhando. Passou a me buscar no centro de treinamento da Universidade, depois de cada treino meu com o Arco e Flecha. E esse último foi o que mais estranhei.

Peeta costumava fazer isso. Ele sempre estava aqui no centro de treinamento me esperando para que pudêssemos sair juntos. Agora quem aparece é Thresh, que eu considero mais meu amigo do que qualquer outra coisa.

E não me leve a mal, estou tentando não ser uma vadia sem coração. Mas, quando Thresh me beija, eu não sinto nada, nem uma tremidinha nos dedos dos pés. Nem uma arrepio sequer, eu retribuo o melhor que posso, mas não posso deixar de me sentir usada, ou pior, não posso deixar de sentir que o estou usando de modo muito sujo.

Eu tento me convencer de que eu estou tentando, e isso tem que valer de alguma coisa.

Nós estamos saindo juntos a uma semana, o mesmo período de tempo que não estou com Peeta. Quer dizer, eu ainda o encontro na Universidade, mas nós não temos conversado direito. Ele não apareceu no Valentine's para nosso café da manhã por todos esses dias.

Ele pode não ter me dito, entretanto eu sei que ele esta com raiva por eu estar saindo com Thresh. Algo que não deveria chateá-lo, afinal de contas ele tem namorado a Glimmer por todo esse tempo, e eu nunca fiz sequer uma careta para eles.

E isso me deixa com uma grande sensação de frustração. Algo que queima no meu estômago e eu não posso curar. Como uma coceira que eu não posso coçar.

Nos primeiros três dias eu estava bem resoluta da minha decisão. Se ele podia ficar com a Glimmer, por que eu não poderia ficar com outra pessoa? Já que, ao que parece, eu só sirvo para ele foder e nada mais. Nós nunca prometemos se exclusivos de ninguém. Peeta nunca me fez nenhuma promessa, ou me deu alguma explicação.

E eu nunca estive envolvida emocionalmente com alguém por tanto tempo, então não sei bem se minhas decisões são as corretas, pois não tenho experiência em situações passadas. Estou agindo por instinto, pelo o que eu acho que esta certo.

Nos três dias seguintes eu apenas me arrependi e me senti culpada. Me arrependi de ter agido impulsivamente com Thresh, o empurrando para essa história maluca, sem que o pobre coitado tenha conhecimento, e me senti culpado por ter feito uma cena patética na frente do Peeta, e da turma. Eu não sou esse tipo de mulher mesquinha e vingativa, e mesmo que eu tenha tido os meus motivos na hora, para ele poderia ter parecido vingança por ele ter mentido sobre o seu final de semana. O que não foi, eu não estava me vingando de nada.

Peeta e eu nos encontramos poucas vezes em todos esses dias, e nunca sozinhos. E na aula de Haymitch, ele ainda se sentou ao meu lado, mas não olhou para mim em nenhum momento. O que é bem injusto, comparando que foi ele que mentiu e não eu. Ele conversou pouco e agiu como se nada tivesse acontecido, sendo que eu sou uma pessoa bem perceptiva então eu posso ver nos olhos dele que tem algo errado, que ele quer explodir sobre tudo isso. Mas, nós fingimos que está tudo muito bem.

A relação dele com Thresh também deu uma boa mudada a olhos nus, para quem quiser ver. Ele simplesmente não fala com o amigo, ou se fala é para soltar respostas monossilábicas e olhares cortantes. Ninguém da turma sabe o que esta acontecendo. Apenas Finnick e Annie nós lançam olhares de preocupação. Porém, não se envolvem, o que é melhor para eles.

O engraçado é que eu também não vi Peeta com Glimmer, ele parece que a esta evitando, ou realmente esta muito ocupado com o novo cargo que conseguiu na Mellark's. Ela anda irritadiça, e mais insuportável que nunca. Sério, diariamente eu me pergunto como um homem como Peeta, pode se apaixonar por ela.

É por isso que estou indo para o apartamento dele agora. Nós temos que conversar, temos que acertar a bagunça de situação que criamos juntos. Já esta na hora de darmos um basta em tudo o que começamos. Nessa coisa que eu nem ao menos posso chamar de relacionamento.

O que vai ser bem difícil já que eu me sinto rasgar por dentro somente por pensar em me afastar dele. Em não ter mais a sua amizade.

Não vou pedir para que ele termine com a namorada por minha causa, não é certo isso. Mas, eu sinto que estou chegando no meu limite sobre esse maluquice que começamos.

Encosto a minha cabeço na janela do vagão de metrô onde estou sentada, esperando as estações passarem, até que eu chegue na estação perto do apartamento de Peeta. Espero que ele esteja em casa. Se não estiver é bem capaz que eu simplesmente sente no chão do corredor e espere ele chegar em casa.

Enquanto espero a minha estação chegar, eu apenas fico repassando em minha mente esses últimos dois dias, relembrando os meus encontros com Thresh, tentando me convencer que a minha decisão é a certa.

Ontem ele me levou para o cinema, onde assistimos um filme romântico, muito chato, mas que fingi que gostei. Depois ele queria me levar para fazer compras, roupas,sapatos e quinquilharias femininas. O que eu quisesse ele me daria. É mais do que claro que eu não aceitei nada, não sou esse tipo de garota. Eu tenho roupas e sapatos que ainda são bons, e não me importo tanto com moda ao ponto de fazer compras em todas as novas coleções.

Depois de ver que eu não gastaria o seu dinheiro de maneira leviana, Thresh me perguntou o que eu gostaria de fazer então. Eu disse que nós poderíamos voltar a passear no parque, já que a noite não estava tão fria. E foi o que fizemos, e ele foi um completo cavalheiro durante toda a noite. Exceto nas partes onde ele me puxava para algum lugar mais reservado da vista dos curiosos e me beijava com ardor e emoção.

Eu juro que tentei aproveitar, que tentei entrar no estado de espirito de quando Peeta me beijava, naquele mesmo estado onde minha mente se desligava do corpo e eu me transformava em liquido quente em suas mãos, onde eu queimo tanto por ele que eu esqueço tudo a minha volta e só me concentro nas sensações que seu corpo fazem no meu.

Por algum motivo, não consegui chegar nem perto disso. Então só fiquei lá, sendo beijada, com meu cérebro totalmente atento a tudo a minha volta, e evitando que as mãos dele passeassem por partes do meu corpo que eu não gostaria que ele tocasse. Foi degastante.

O passeio e a presença dele foram muito boas, bem divertido. Mas, a parte onde eu deveria mostrar o quanto eu queria estar com ele fisicamente não foi legal, nem um pouco divertida. E de forma vergonhosa eu fiz que acabasse rapidamente ao alegar que estava muito cansada.

Thresh não pareceu perceber nada demais em minha atitude, ou no meu desconforto. O que faz com eu perceba que consigo fingir melhor do que todos dizem.

E isso não deveria me deixar feliz.

Logicamente que ele sentiu que deveria me levar até o dormitório feminino do Campus. E eu sei que por mais que faça pouco tempo que estamos ficando ele tinha, lá no fundo, uma esperança de que eu o convidasse para entrar e passar a noite comigo.

Algo muito comum para as garotas aqui na Capital.

Claro que eu não fiz isso, não brinco com o meu corpo dessa forma. Não acho que tenho que dormir com um homem apenas para provar que sou dona do meu próprio corpo, e que já sou adulta. Não julgo quem faz, cada mulher tem que viver com o que lhe faz feliz, mas eu respeito as minhas vontades, e não estaria confortável com alguém que eu não ame me olhando nua.

Com Peeta foi diferente, foi algo emocional, algo que foi crescendo sem controle. E demorou um ano para acontecer.

Passei a noite me revirando nos lençóis da minha cama, sentindo falta do corpo de Peeta ao meu lado, dos seus braços em volta da minha cintura me mantendo presa a ele, e do seu ressonar tranquilo. A saudade dele bateu tão forte que eu tive que me segurar mais de uma vez para não chorar.

Irritantemente por causa da nossa situação atual eu me transformei em um ser muito emocional, o que me tira do sério em mais de uma ocasião.

Hoje foi o pior dia de todos, o mais estranho de todos. O mais constrangedor de todos. Não posso acreditar que fiz isso com Thresh.

No intervalo entre as aulas, eu resolvi me isolar das pessoas, por isso foi me sentar no gramado do campus, com um livro de Geografia de Panem nas mãos. Na hora me pareceu uma ótima ideia já que eu estava com alguns trabalhos atrasados na entrega. Já que eu tenho que estudar, trabalhar e treinar. E não estou contanto todas as semanas em que Peeta me manteve muito entretida eroticamente em seu apartamento.

Eu senti alguém me abraçando por trás, passando os seus braços pelos meus ombros e me beijando no pescoço.

– Peeta? — Perguntei confusa e na mesma hora eu soube que fiz tudo errado, quando o corpo que me abraçava enrijeceu.

– Por que você acha que Peeta te beijaria no pescoço? — Ouvi a voz de Thresh me perguntar no ouvido.

Depois lentamente ele me virou para que eu ficasse de frente para ele e me olhou desconfiado.

– Por que você chamou o nome do Peeta? — Voltou a me perguntar, seus olhos se encheram de desconfiança.

E eu comecei a rir. Por um milagre eu consegui controlar a histeria que começou a me abater e me afastei das mãos de Thresh. Lentamente me senti sendo tomada pelo desespero.

– Você me assustou, Thresh. — Disse ainda rindo, meu cérebro trabalhando a milhão em uma boa desculpa, para tê-lo confundido com Peeta. No fundo eu sei que devo estar parecendo uma maniaca.

Não apenas confundi o abraço, mas o beijo dele no meu pescoço. O que eu diria? Ele ainda estava parado, esperando uma explicação.

– Eu não quis confundi-los, desculpe. É que Peeta faz algumas brincadeiras estúpidas comigo, e as vezes me assustam ou me pegam totalmente desprevenida...- Começo a explicar, as mentiras saem tão absurdas dos meus lábios que mal posso controlar a minha voz esganiçada.- ...e você se aproximou por trás, e acabou me assustando, por isso eu confundi vocês...

– As brincadeiras do Peeta envolvem beijo no pescoço? — Pergunta ele ainda me olhando de forma estranha.

Quando nós estamos na cama sim. As brincadeiras de Peeta envolvem muitos beijos no meu pescoço.

Minta melhor. Grito comigo mesma em pensamento.

– Não. Claro que não. Por que ele me beijaria? Ele tem namorada. — Continuo tentando me explicar, sinto meu rosto queimar de vergonha. — Eu confundi vocês pelo modo como você me abraçou pelos ombros. Você sabe que ele e eu estudamos na mesma sala de aula do professor Haymitch e as vezes, quando ele quer fazer uma brincadeira ele me pega da mesma forma que você fez agora, sabe? E ele tenta me prender pelos ombros com a intenção de bagunçar o meu cabelo, eu tentar me derrubar no chão com uma rasteira...

Tentar me derrubar com uma rasteira? Por tudo o que é sagrado agora eu posso ver perfeitamente porque as pessoas dizem que eu minto incrivelmente mal.

– Ou tenta me dar cascudos. Ele é bem chato, e eu já disse para ele parar várias vezes. — Continuo a explicar tentando colocar veracidade na minha expressão, já que a história é a mais maluca de todas. — Não sei como fazê-lo parar. Ele pode ser tão infantil com esses brincadeiras, e fica agindo como se eu fosse Cato, Finnick ou você.

– Ele faz esse tipo de brincadeira com você? — Pergunta ele com espanto nos olhos, depois lentamente se inclina para frente e me beija nos lábios. — Eu não sabia que ele te tratava de forma tão babaca.

– Sim! — Afirmo rapidamente ao retribuir o beijo de forma apaixonada. Ele parece que engoliu as minhas mentiras terríveis. — Foi por isso que eu me assustei, desculpe tê-los confundido. Você não é nada parecido com ele.

Para que ele não continue a me questionar, ou para que eu não me afunde mais em uma mentira muito mal contada, eu volto a beijá-lo, tento colocar tudo o que tenho nesse beijo, mesmo que eu ainda não sinta nada com ele. Talvez apenas um leve enjoo.

Isso parece ter um grande efeito em distrai-lo.

– Não se preocupe, doçura. — Me responde ele depois de nos separarmos, sua voz muito mais grossa do que antes, seus braços estão em volta da minha cintura me mantendo presa em um abraço apertado. — Eu vou falar com ele. Peeta tem que saber que os dias de brincadeiras acabaram, você tem uma homem para te defender agora.

– Não precisa falar com ele, eu posso lidar com isso. — Sou rápida em argumentar. De jeito nenhum eu quero que ele diga isso para Peeta, o que vai confrontá-lo por uma mentira minha. Só de imaginar essa cena eu já me sinto estremecer.

Por que fui confundi-los? Por que? Me pergunto em pensamento. Que tipo de idiota eu sou? O pior tipo.

Se Thresh não tivesse aceitado a minha mentira, o que isso acarretaria? Todos iriam ficar sabendo que de alguma forma, quando um homem me beija no pescoço eu chamo o nome de Peeta. O que Peeta diria? O que Glimmer diria?

Ele me odiaria por ter revelado tudo, sem querer, mas ainda assim me odiaria. Estou certa disso. Por isso, dou graças aos céus por minha mentira ter passado.

– Nada disso. — Respondeu Thresh me apertando de forma possessiva, uma sorriso aberto estampa os meus lábios carnudos. — Vou conversar com ele, pode ficar tranquila.

Não tenho como insistir em uma negativa sem parecer que estou escondendo alguma coisa. Então, apenas sorrio para ele e aceno com a cabeça, fingindo estar agradecida. Por dentro eu estou enlouquecendo. Não sei nem o que fazer.

É claro que a oportunidade de um confronto com Peeta aparece bem mais cedo do que eu esperava.

Enquanto entravamos no campus universitário, acabamos por esbarrar em Cato, Finnick e Peeta em uma conversa amigável.

Thresh ainda estava com um dos braços ao redor do meu ombro. E de vez em quando eu o sentia beijar os meus cabelos. Sem me dizer no que estava pensando ele apenas me puxou para perto dos garotos e pegando Peeta de surpresa, deu um soco "amigável" em seu braço.

– Ei Peeta. — Começou Thresh. — Katniss me contou de suas brincadeiras improprias na aulas do Haymitch, não quero mais que você dê cascudos na minha garota, nem tente derrubá-la com rasteiras.

Acho que esse foi o momento mais constrangedor da minha vida, e imediatamente eu senti o meu rosto queimar enlouquecidamente de vergonha. Peeta olhou rapidamente para Thresh, com os olhos semicerrados sem saber do que ele estava falando.

Cato e Finnick também me lançaram olhares curiosos. Eu queria me enfiar em um buraco e nunca mais aparecer na Capital. Fugir correndo de volta para o Distrito Doze. Ao invés disso eu apenas olhei para Peeta com o meu melhor olhar de desculpe, por favor entre no jogo.

Mas, quando os seus olhos azuis colidiram com os meus, eu me senti flutuar e afundar ao mesmo tempo. Eles estavam tão intensos, que o azul estava ligeiramente mais escuro. Queimando. Ele sabia que eu tinha mentido sobre algo, sabia que estava encrencada, porém não iria me entregar. Não que esses olhos não prometessem revanche em um futuro não tão longínquo.

E eu tive que lutar para que os impulsos do meu corpo cessassem, pois com um olhar ele me fez querer me jogar em seus braços.

– Ela contou? — Perguntou ele com voz séria. — Bom, eram brincadeiras inúteis, não vai acontecer novamente.

– Acho bom mesmo, agora a minha doçura tem alguém para protegê-la. — Insistiu Thresh estufando o peito orgulhoso. Eu ainda estava morrendo de vergonha para ter qualquer informação.

– Como eu dizia para vocês, eu não vou para o Pescador hoje. — Depois ele me olhou tranquilamente e disse as palavras que mudariam o meu dia. — Vou ficar no meu apartamento. Sozinho, pois tenho algumas coisas para resolver, muitas receitas novas para estudar, tenho que fazer uma seleção de ingredientes para as provas semestrais.

Depois voltou a conversar com a pessoal como se nada tivesse acontecido. Eu entendi o seu recado perfeitamente. Ele me queria no apartamento. Não disse aquilo apenas para comunicar aos outros sobre o que estaria fazendo na noite de hoje.

Me despedi de todos sem me demorar muito e me afastei com presa. Eu precisava pensar nos meus próximos passos, precisava decidir o que faria de agora em diante.

O engraçado é que em toda a minha confusão de lembranças eu mal percebi que já estava na portaria do prédio de Peeta. Não me lembro de sair do metrô, e andar duas quadras até aqui. Estou ansiosa e temerosa, o que deve não estar facilitando a minha qualidade de pensamento.

Me permito dar um suspiro longo antes de apertar o botão da campainha do apartamento dele. Aguardo um pouco até que ele atende a chamada. O céu sob minha cabeça está em um bonito tom alaranjado, o crepúsculo se aproxima rápido.

– Olá? — Ouça a voz dele através do interfone.

– Sou eu. — Digo apenas. Será que vai me deixar subir? Acho que sim.

Imediatamente eu escuto o portão a minha frente soltar um breve estalo ao ser aberto, a ligação pelo interfone é cortada no mesmo momento.

Cheia de coragem eu entro no prédio, e me dirijo no mesmo momento aos elevadores. Demora menos de um minuto até que um esteja no térreo do prédio. O lugar está vazio, o que é melhor já que eu me livro de fingir ser educada com pessoas que eu não conheço. Por isso eu entro no elevador e aperto o botão até o andar dele.

Agora que já estou aqui, eu me sinto muito mais aliviada do que estive durante o decorrer de todo o dia.

Quando o elevador para no andar de Peeta, eu ergo o meu queixo e sigo até a porta de seu apartamento. Nós vamos apenas conversar, eu já tomei a minha decisão. Ficar com Thresh é o melhor para mim.

Com os nós dos meus dedos eu bato duas vezes na porta e espero que ela seja aberta. E não demora nada para que isso aconteça.

A visão de um Peeta desgrenhado e sujo de tinta me pega de surpresa. Ele estava pintando.

Sem esperar ser convidada, eu apenas entro em seu apartamento e espero que até que ele feche a porta atrás de nós.

Posso dizer que ele esta maravilhosamente desgrenhado, com uma camisa e uma bermuda velha e manchada de vários tons de tinta. Também a manchas de pintas em suas mãos, braços e pescoço. Um pouco de tinta esta em sua bochecha esquerda e em seu cabelo loiro.

Uma mulher pode ficar excitada apenas com essa visão? Me pergunto em pensamente ao fitá-lo atentamente. Sim, ela pode. Eu posso.

Principalmente porque seus olhos ainda queimam com a mesma intensidade de hoje mais cedo, quando Thresh o confrontou.

Peeta cruza os braços sobre o peito e me encara em silêncio, seu queixo quadrado esta rigidamente fechado. Ele espera que eu comece a me explicar. E tudo bem, eu posso fazer isso.

– Hoje durante o primeiro intervalo, eu estava sentada no gramado ao lado do grande salgueiro, e Thresh me abraçou por trás de me beijou no pescoço...- Tenho que parar nessa parte para suspirar resignada ao lembrar da minha vergonha. Aproveito a deixa para colocar uma mecha rebelde de cabelo atrás da minha orelha. -...Eu estava distraída e achei que tinha sido você, então chamei o seu nome.

Agora que disse a verdade parece pior do que foi na realidade.

– Quando Thresh começou a me questionar sobre o por que de eu ter chamado o seu nome, eu disse que você costumava me pregar peças na aula de Haymitch, e que foi por isso que eu tinha me confundido.- Resumo o ocorrido, não quero me afundar ainda mais em desgraça. — Eu só não sabia o que fazer, então entrei em pânico.

– E disse que eu te dava cascudos e rasteiras? — Peeta pergunta divertido, seu olhar se suavizando instantaneamente, ele até descruzou os braços. E um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.

– Foi o melhor que eu pude inventar. — Argumento orgulhosa. Sei que a mentira foi péssima, mas ainda assim eu fiz o melhor que podia para remedar uma situação desastrosa.

– Você realmente disse o meu nome? — Perguntou ele sorrindo abertamente.

Não respondo com palavras, apenas aceno afirmativamente com a cabeça. Meus olhos presos nos dele.

O sorriso de Peeta é tão bonito, faz o meu coração disparar no peito e eu ter vontade de suspirar. Ele tem um encanto, uma magia em volta de si que eu não consigo negar, nem me conter. Meu único desejo é estar com ele, mais e mais.

Por isso não controlo o meu corpo na hora em que eu dois alguns passos para ele e enterro o meu rosto em seu pescoço, meus braços estão segurando a sua camisa, mantendo-o preso a mim. Percebo que tudo esta acontecendo diferente do que eu esperava.

No mesmo instante eu sinto os seus braços em volta da minha cintura, seu rosto se afunda em meus cabelos soltos e ele inspira profundamente.

Eu não me importo que sua camiseta esteja suja de tinta e que provavelmente esteja sujando a minha. Estou matando uma semana de saudade de seus braços em volta de mim. Que saudade que eu estava de senti-lo me abraçar, me tocar.

Afasto o meu rosto de seu peito para encara-lo, ele também me olha cheio de humor.

– Você é a pior mentirosa que eu conheço, sinceramente Katniss, eu não sei o que é pior a rasteira ou o cascudo? — Pergunta ele depois de uma gargalhada.

– O que eu podia dizer? Não consigo desenvolver um bom papel de mentirosa sob pressão. — Digo ao acompanha-lo na risada.

E de repente é isso que fazemos, apenas rimos enquanto mantemos nossos braços um envolta do outro.

– Você estava pintando. Desculpe, não quis interrompê-lo, talvez seja melhor que eu vá embora...- Não termino de falar a minha frase porque ele se inclinou e me beijou. E foi bom, foi muito bom.

Seus lábios são macios nos meus, sua língua é exigente ao explorar a minha boca. E se eu achei que eu estava com saudade do abraço dele, o beijo então é algo que quase me tira da terra. Me sinto derreter com o toque suave dele no meu rosto, passeando por minha mandíbula até ir muito lentamente para a base do meu pescoço, seus dedos se afundando no meu cabelo.

Sua outra mão está por dentro da minha camiseta, nas minhas costas me puxando mais para o seu corpo. Enquanto os seus lábios são implacáveis nos meus.

Sim, sim, sim. Grita o meu cérebro em êxtase, mal posso reprimir um pequeno gemido de prazer, quando ele escapa de meus lábios para os dele.

É isso o que eu quero sentir quando estou sendo beijada. Essa sensação de prazer é certa, é forte e só está no começo.

Meus braços estão em volta do pescoço dele, e sem que eu consiga me controlar acabo me esfregando no corpo másculo dele. Peeta sempre foi esportivo, e toda a luta e treino certamente fez muito bem para o seu físico forte. Ele não é o tipo de homem que tem gominhos na barriga de tanto malhar, mas ele é forte, seus músculos são definidos da forma certa.

Ele gosta quando eu faço isso, sei que gosta quando eu me esfrego nele, quando fico tão maluca de desejo que praticamente exijo ser saciada. Eu nunca pensei que seria o tipo de garota sexual, mas Peeta me deixa em um estado de excitação que dificilmente eu consigo negar algo que ele me pede.

Sem nem perceber, nossos roupas começam a sair de nossos corpos. Ambos estamos exigentes e sem notar direito estamos caminhando para o quarto dele, paramos a todos momento para que ele me encoste em uma parede e pressione o seu corpo no meu. E ele está excitado, muito excitado.

Facilmente consigo sentir a sua ereção grossa e dura pressionar o meu quadril através do tecido da sua bermuda, em um momento ele puxa uma de minhas coxas para cima, fazendo com que ela abrace o quadril dele e se esfrega no meu sexo com mais força. E a fricção é tão boa, a sensação gostosa viaja por cada célula do meu corpo e eu gemo entregue.

Quando tenho certeza de que terminaríamos por transar no corredor de seu apartamento novamente, por não conseguirmos chegar ao seu quarto, Peeta se afasta bruscamente do meu corpo e com uma mão segurando o meu pulso ele me puxa para o seu quarto.

Mal tenho tempo de reclamar por sua interrupção do que estávamos fazendo, pois logo em seguida ele já esta colando o seu corpo no meu mais uma vez. Na nossa guerra de vontades pelo prazer, sei que ele vai ganhar hoje. Ele vai ser o dominante nessa primeira vez e eu mal posso esperar para senti-lo dentro de mim.

Peeta me deita em sua cama de casal e com suas mãos ágeis ele tira a minha calça jeans, puxando a minha calcinha junto. Minha camiseta e sutiã já tinham sido tirados no corredor e agora descansavam placidamente em seu piso de madeira.

Em um instante muito rápido ele termina de tirar a bermuda dele e antes que eu perceba estamos embolados em um amontoado de pernas e braços em sua cama, gosto de senti-lo em cima de mim. Gosto que ele as vezes seja mais dominante na cama, que me tome com força.

Estou tão cheia de desejo que meu cérebro não raciocina direito sobre nada. Tudo o que eu quero é que ele esteja dentro de mim, que me penetre com profundidade e que alivie esse fogo que me queima por inteiro.

– Peeta. — Chamo-o entregue, meu chamado é quase um lamento. — Preciso de você dentro de mim. Com força...

– Sim, Katniss. — Geme ele ao lamber o meu seio esquerdo sua voz esta incrivelmente rouca, suas mãos brincam com o meu corpo e eu já não posso mais aguentar de necessidade. — Eu também preciso estar dentro de você.

Ainda assim ele não entra em mim. Sinto o seu pênis quente na minha coxa, mas não é ali que eu quero que ele esteja, e agora nesse exato momento eu não quero estender as preliminares. Por isso eu faço com que minhas coxas envolvam o seu quadril, seus olhos azuis se cravam nos meus e ambos estamos ofegantes e entregues ao prazer.

Não consigo pensar em mais nada a não ser nele. Em seu cheiro, em seus olhos, em seu corpo. Quero-o e quero-o agora. Eu preciso disso, preciso senti-lo dentro de mim, como necessito de ar para respirar.

Eu desço uma das minhas mãos por entre os nossos corpos suados e seguro a sua ereção, a levo imediatamente para onde eu preciso dela, minha vagina esta muito molhada por isso não é difícil levar a cabeça de seu pênis até a minha entrada e forçar o meu quadril para cima. Aos poucos sinto-o entrando dentro de mim, me alargando por dentro e a sensação é tão boa, tão boa que não posso evitar balançar os quadris embaixo dele com mais vontade.

– Katniss...droga...espere eu tenho que...

– Não posso esperar, eu quero você agora. — O interrompo ao apertar as minhas coxas ainda mais em seu quadril o que faz com que ele deslize ainda mais fundo dentro de mim. Um gemido longo escapa de nossos lábios ao mesmo tempo, o meu é mais languido, enquanto o dele é como um urrar.

Me impulsiono para cima e o beijo nos lábios. O Obrigo a começar a se mover dentro de mim. O que ele faz pouco depois. Seus olhos me encarram totalmente selvagens, suas pupilas estão tão dilatadas que quase não se vê o azul que eu tanto amo.

Peeta me aperta com força em seus braços enquanto me penetra rapidamente, a cama onde estamos faz barulhos altos por nossos movimentos bruscos. Entretanto, não dá para negar que nós somos os mais barulhentos no lugar, eu simplesmente não consigo gemer baixo, não quando ele se movimenta dessa forma dentro de mim, e Peeta esta em algum lugar destinado apenas ao prazer. Suas mãos envolvem uma de minhas coxas e a puxa para cima, quase de encontro aos meus seios, o que faz com que eu me abra ainda mais para ele, o que me leva a ter um prazer totalmente diferente com a nova posição. Seu pênis dentro de mim atingi lugares diferentes da posição anterior.

E ele esta me penetrando com tanta força e rapidez, seus lábios estão no meu pescoço e ele esta chupando a minha carne com força, já sei que vou ficar toda marcada e não me importo nem um pouco com isso, não quando o sensação de prazer só cresce dentro de mim.

Minhas mãos estão em suas costas, minhas unhas cravadas em sua carne, e eu não quero que ele me solte, eu também não quero soltá-lo. Nunca mais.

Meu orgasmo vem forte e intenso com suas estocadas em minha vagina. Meu corpo todo convulsiona por causa do prazer, e tudo é luz, uma luz muito intensa, que faz com que eu feche os meus olhos e morda o lábio inferior. Ainda bem que Peeta esta me segurando firme em seus braços, por que se não estivesse eu tenho certeza que eu sairia voando para algum lugar onde tudo é prazer.

Sinto Peeta gozar pouco depois, e ele é tão bonito quando chega ao ápice do prazer que eu sinto vontade de chorar de emoção.

– Katniss. — Geme ele ainda se movimentando lentamente dentro de mim. — Ah, Katniss...

– Uau. — Digo ao sentir que ele descansava a cabeça em meus seios, seus olhos azuis brilham intensamente, enquanto ele olha para mim. — Isso foi intenso.

– Eu sei, nunca foi tão bom. — Essa simples frase tem o efeito de encher o meu coração de alegria.

Não dizemos mais nada por alguns minutos, apenas ficamos deitados, ele ainda esta ereto dentro de mim, mas eu estou cansada demais para sugerir uma segunda dose.

Sou surpreendida quando Peeta sai de dentro de mim e com seus braços fortes me viram de barriga para baixo, antes que eu possa perguntar ele já esta levando sua ereção para dentro de mim novamente, seu corpo esta pressionado no meu. Uma de suas mãos esta na minha bunda, apertando a carne com possessividade.

– Peeta? — Pergunto confusa, ele nunca se recuperou tão rápido. Estou um pouco chocada por isso. Eu cravo os meus cotovelos na cama enquanto arqueio as costas, meus rosto esta a poucos centímetros do foro de cama bagunçado.

Ele não me responde, apenas continua a me penetrar. Nunca tentamos essa posição antes e fico surpresa por gostar dela. E fica ainda melhor quando ele enterra o seu rosto dos meus cabelos , o corpo dele pesa sobre o meu e suas estocadas são lentas e profundas.

– Eu não sei se eu posso uma segunda vez tão rapidamente. — Me ouço dizer entre suspiros.

– Pode sim. — Responde ele ao afastar os meus cabelos do meu rosto e morder uma das minhas orelhas. — Você é tão gostosa, Katniss. Eu quero fazer isso a noite toda, quero estar dentro de você até amanhecer.

Ainda não são nem nove horas da noite. Penso eufórica, meu coração cheio de ternura por ele. Esse sentimento logo é substituído por uma nova onda de prazer.

– Oh, Peeta, sim...- Consigo dizer quando o sinto ficar mais agressivo em suas estocadas. Já sei que vou passar a noite toda aqui, de jeito nenhum eu vou embora e deixar esse prazer para trás.

– Isso, Katniss. — Sussurra ele no meu ouvido e sua voz é tão rouca que somente ela poderia me fazer chegar a um novo orgasmo. — Vamos gozar juntos, meu amor.

E assim continuamos por mais uma vez. Essa foi mais lenta e demorada. O orgasmo demorou para chegar para nós dois, mas quando veio, nós realmente gozamos juntos.

Eu acho que cai no sono logo em seguida, por que acordo já de madrugada com Peeta ao meu lado. Suas mãos estão no meu corpo nu, e com os dedos ele traça padrões na minha pele, em minhas coxas, na minha barriga, as vezes nos meus seios.

Eu apenas permito que ele faça, a sensação é muito gostosa, uma caricia suave. Ele demora um pouco para notar que eu estou acordada. Mas, quando os seus olhos azuis encontram os meus eu mal posso segurar um suspiro feliz.

– O que você esta fazendo? — Pergunto curiosa, um sorriso pequeno surgindo em meus lábios.

– Estou pintando em você. — Responde ele se inclinando e depositando em beijo suave nos meus lábios, seus dedos não deixam de fazer desenhos na minha pele, criando um padrão que somente ele pode entender e ver.

– E a pintura esta saindo bonita? — Pergunto ao fazer uma brincadeira.

– E a pintura mais bonita que eu já fiz. — Me responde ele muito seriamente.

Depois disso, ele me puxa para os seus braços, na posição que costumamos dormir. Minha cabeça em seu peito, seus braços em volta da minha cintura, seu rosto encostado no topo da minha cabeça. E ele lentamente adormece.

Eu não sei o que pensar. Agora que estou acordada, passo a relembrar algumas coisas dessa noite.

Ele me chamou de amor. Peeta me chamou de amor. E eu não posso acreditar que ele fez isso. Ele nunca me chamou disso antes.

E agora, o que eu faço com Thresh e seus sentimentos? Pois certamente não posso ficar longe de Peeta. Eu não consigo. Não agora, pelo menos. Talvez, se eu fizer aos poucos dê certo.

Suspiro ao olhar para ele que ainda leva consigo todas as manchas de tinta de quando eu o encontrei mais cedo. Ele tem tinta até nos cabelos e isso é tão meigo que eu sinto o meu coração apertar de amor. Como é que eu vou me afastar dele? Isso sequer é possível?

O fato é que eu não consegui dormir pelo resto da noite. Tinha muito em que pensar.

Notas finais
Esses dois são uma coisa... Alguém percebeu que faltou o uso de uma coisinha chamada "camisinha" na noite maluca deles? Até sexta (=